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Facom News 2013.1 2013.2 -- Edição Edição III

#editorial Chega ao fim o primeiro semestre na faculdade de Jornalismo. Com ele, mais uma edição suadíssima do trabalhoso, mas querido, FacomNews. Na produção da primeira edição, já de cara fomos apresentados à oportunidade de escrever as nossas próprias reportagens. O entusiasmo foi evidente. Sair da teoria, no entanto, não foi tão fácil quanto imaginávamos. Depois de muito trabalho, finalmente saiu a primeira edição do nosso boletim. Ufa! Mal recuperamos a nossa respiração e, lá vem ela, a temida segunda edição. Novamente estávamos atrás de pautas, tendo idéias rejeitadas, procurando por novas. Correndo contra o deadline. Enlouquecendo a nossa professora. Enlouquecendo junto. Mas o processo de criação foi bastante diferente do primeiro, embora igualmente estressante. Nessa edição, já sabíamos como construir o nosso boletim. O maior dilema foi encontrar as pautas, reclamação freqüente de todos. Julgávamos a Facom um universo tão pequeno parar suprir as necessidades de todos nós, 24 estudantes, sedentos por notícias. Mas, insistentes, conseguimos. Esta edição traz a cobertura do Circuito riBeira-Mar e da comemoração de um ano de CineFacom, além de um perfil do professor Wilson Gomes. Temos também matérias sobre a renovação da Agência Experimental, sobre a regulamentação do estágio prevista nas novas diretrizes de Jornalismo e sobre os calouros de 2014.1. E é assim que nos despedimos da disciplina, da nossa professora Lia, do nosso primeiro semestre na faculdade. Despedimo-nos também de vocês, prezados leitores, que acompanharam o nosso crescimento e estão aqui, mais uma vez, nos prestigiando. Nada nos satisfaz mais do que apresentar-lhes o nosso trabalho, portanto, pela segunda e última vez, aqui está o nosso FacomNews 2013.2, segunda edição.

Erramos Na matéria “Fraudando Preconceitos”, publicada na edição passada, nas páginas 10 e 11, afirmamos que a Revista Fraude seria lançada apenas em versão digital. Porém, a revista foi contemplada pelo edital da Pró-Reitoria de Extensão Universitária (PROEXT), e sua versão impressa saiu no início de 2014. Outros equívocos dizem respeito ao sobrenome do DJ da festa, que se chama Berg Benoni e não Benonni como dito anteriormente. Além disso, Sfat Auermann é drag queen, e não transformista; e o Cine Teatro Solar Boa Vista, onde foi realizado o evento, não tem auditório.

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Expediente Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia Produto da Oficina de Comunicação Escrita do 1o Semestre de Jornalismo 2013.2 Reitora da UFBA: Prof. Dora Leal Rosa Diretora da Facom: Prof. Suzana Barbosa Professora responsável: Lia Seixas Editores-chefe: Juliana Rodrigues, Lara Valente, Marcos Maia Editores: Cristina Fernandes (Acadêmico), Rebeca Bhonn (FacomFaz), Heitor Oliveira (Facom-en-scéne), Ellen Chaves (Infra) Chefes de reportagem: Gabriela Fragoso, Letícia Oliveira, Luana Silva, Mariana Farias Repórteres: Bianca Bomfim, Cristina Fernandes, Ellen Chaves, Gabriela Fragoso, Heitor Oliveira, Ilma Gomes, José Cairo, Juliana Rodrigues, Laís Andrade, Lara Valente, Letícia Oliveira, Luana Lima, Luana Silva, Marcos Maia, Mariana Farias, Milena Teixeira, Paloma Oliveira, Raí Guerra, Rebeca Bhonn, Renato Cerqueira, Sophia Morais, Victoria Goulart, Welldon Jorbert, Woston Mendes Coordenadora de Fotografia: Sophia Morais Repórteres fotográficos: Laís Andrade, Sophia Morais Diagramação: Bianca Bonfim, Ilma Gomes, Juliana Rodrigues, Renato Cerqueira e Woston Mendes Coordenadores de Blog: Victoria Goulart e Welldon Jorbert Coodenadores de Mídias Sociais: Juliana Rodrigues e Milena Teixeira Agradecimentos: Tiago Perazzo


Facom News 2013.2 - Edição II

#facom-en-scene Scambo atrai público no circuito riBeira-mar Plateia não se incomoda com o atraso e aguarda para ver a banda baiana Ellen Chaves e Bianca Bomfim

O público esperado para o sábado era de cerca de 500 pessoas, mas o estimado do local não foi menos de 600. A banda Scambo foi a principal atração do evento.Três a cada quatro pessoas afirmaram estar no evento com a intenção de ver a banda.

A banda Scambo, que estava prevista para se apresentar às 20h, subiu ao palco por volta das 21h.A banda atraiu um público superior ao que alguns dos organizadores do evento esperavam, como observou a aluna do 6º semestre e também produtora do evento, Amanda Falcão. “Quando a gente veio divulgar, as pessoas ficavam nessa dúvida. ‘Ah, é

parte do público. “Realmente para mim foi fantástico, não esperava esse retorno, todo mundo cantando todas as músicas.Foi uma surpresa, as pessoas cantando ‘Carnes dos deuses’ que é uma letra que nem eu consigo lembrar direito. Eu adorei o público, adorei o lugar ”.

Para o vocalista da Scambo, Pedro Pondé, não foi diferente. “Quando a gente chegou, o pessoal já queria tirar foto e eu já percebi que estavam esperando a gente, mas ainda assim foi uma surpresa”, con- Josué Bomfim e Emanuela tou. Ele se mostrou surpreso Ferreira, moradores da Cidade com o retorno que teve por Baixa que compareceram ao

Foto: Sophia Morais

O projeto Circuito riBeira-Mar, produto da disciplina de Oficina de Produção Cultural do professor Leonardo Costa, aconteceu nos últimos dias 25 e 26. O cenário escolhido pelos alunos do terceiro semestre de Produção Cultural foi a Praça Dodô e Osmar, localizada na Ribeira.

muito longe, de difícil acesso’. Mas acho também que Scambo em Salvador, eles estão em casa, não é?”.

Pedro Pondé, vocalista da banda Scambo, no dia 25 Facom News 3


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evento, contaram que acompanham a banda e gostaramdo show da Scambo na noite do dia 25. “Scambo a gente já acompanha há algum tempo. Mês passado teve até um evento deles e a gente estava ‘colado’ também. E na praça então, melhor impossível”, disse Josué. Emanuela completou dizendo que eles vão melhorando a cada show que fazem. “Foi muito bom. Ontem estava bastante lotado”, contou.

Foto: Sophia Morais

O público aprovou o projeto e destacou a importância deste à comunidade. “É uma iniciativa bacana por parte da Facom em trazer um pouco mais de lazer para a população da Cidade Baixa, que de certa forma é até carente de projetos como esse”, comentou

Público do show da banda Janbo

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Júnior Lopes, morador do Caminho de Areia. Para Priscila Ferreira, que estava sentada no banco da praça enquanto observava o evento, a palavra chave do projeto foi inclusão. “ Tiveram crianças de rua que participaram das atividades e foi muito legal” afirma.

algumas atividades. Comandado pelo grupo de dança, Gogo Guetto’s, uma parte do público participava daaula de ritmos que precedeu a aula de zumba.Quem não participou, parou suas atividades para observar e curtir o som. Outras atividades como treino funcional, jogos populares e futebol também aconteceram. Como intervenção, houve pintura de rosto e pirofagia.A aula de aeroboxe e a interação com dança não puderam acontecer devido ao problema com a energia. O Dj Berg Benoni também não pode tocar devido ao mesmo motivo.

A banda Janbo marcou a noite de domingo. Abriu o show com“Reggae no Porto”, música da Banda Eva. Seu repertório foi alternado entre músicas brasileiras de grande sucesso e músicas de sua autoria. No sábado, a Banda Santa Java se apresentou antes da Scambo, abrindo a noite. O Dj Branco também compareceu ao even- ATRASO O evento, que estava to no domingo. previsto para começar às 15h no dia 25, só teve seu início Os participantes do evento por volta das 18h. A razão do também puderam aproveitar atraso foi a falta de energia na praça. “O problema com a iluminação foi que a gente solicitou a Coelba, pagou tudo direitinho a SEMOP, que ia encaminhar para a Coelba e todos os outros órgãos. E aí a Coelba não veio (a praça) ver a questão da luz.”, explicou a aluna Neusinéa Miranda. O problema foi re-


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Para o professor Leonardo Costa, houve falha em alguns pontos do planejamento. “Como aqui a gente está fazendo o evento num espaço aberto, já tinha sido levantado isso na sala de aula, a Aula de Zumba na tarde do dia 26 importância da energia elétrica. Mas só em cima da hora foi que se percebeu o problema”, atraso. “A gente acabou tenressaltou. Entretanto,a falha é do uma resposta legal porque justificável devido ao caráter começou tarde, deu tempo de experimental do projeto. “É todo mundo chegar ”. um aprendizado, querendo ou PRODUÇÃO A disciplina de não é um produto, faz parte Oficina de Produção Cultural da experimentação”. recebe um financiamento de Apesar do atraso de cerca de 3 horas, o público que desde as 15h já chegava ao local, não se incomodou em esperar. “O evento ainda não começou, mas estou esperando para ver. Estou apostando, acho que vai ficar muito bom”, disse Lorine Lopes enquanto curtia uma das atividades que aconteciam na praça, o Slackline. Um dos produtores do evento, Vinícius, vê o lado positivo do

R$ 6 mil da Pró-Reitoria de Extensão semestralmente para a produção de um projeto. É com esse valor que os alunos têm a opção de escolher qual evento querem produzir. A sala é dividida em grupos específicos para a execução do projeto. Produção musical, produção esportiva, comunicação e captação de recursos. “Só a gente sabe o trabalho que está dando para mon-

Foto: Sophia Morais

solvido quando um representante da empresa chegou ao local por volta das 17h.

tar isso. Conseguir fazer com esse valor um evento com dois dias”, ressalta Vinicius. Já para os alunos, apesar do problema com a energia, o evento saiu como esperado e atendeu as expectativas. “ Tivemos alguns problemas justamente por essa falta de comunicação dos órgãos públicos. Como toda produção, acontecem muitos imprevistos porque nada é perfeito, mas deu tudo certo, graças a Deus. Eu gostei do evento. Acho que ele assumiu o caráter que ele tinha. Um caráter comunitário”, pontuou Bruno Hernández, um dos coordenadores gerais do projeto. # Facom News 5


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Desafios e conquistas de um ano de CineFacom Evento firma parcerias duradouras, mas sofre para atrair público doméstico José Cairo e Marcos Maia

Foto: José Cairo

ros e sofre com a pouca adesão doméstica.

Na noite do ultimo dia 12, o CineFacom comemorou um ano de existência. O projeto idealizado pelo Centro Acadêmico Vladimir Herzog, representação estudantil da Facom, organizou 16 eventos e conseguiu atrair aproximadamente 700 pessoas, com uma média de 44 pessoas por evento, segundo os organizadores. Nesse tempo, o projeto acumula parcerias, enfrenta desafios financei-

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Responsável pela criação do projeto, Camila Brito, estudante de Produção Cultural e coordenadora, avalia de forma positiva o primeiro ano. Para ela, o projeto cumpriu com os objetivos de fazer circular as produções audiovisuais da universidade e exibir filmes independentes antigos e contemporâneos. Valdíria Souza, responsável pela produção executiva, concorda, mas admite que em matéria de público a organização queria mais. PÚBLICO Em um ano, além de produções universitárias, o projeto buscou exibir uma programação variada. Obras como a animação “Ritos de Passagem”, os curtas-metragens restaurados do cineasta baiano Alexandre Robatto e os documentários “A Rebelião Pinguina: Os estudantes chilenos contra o sistema”, “Âncora do Marujo” e “Cuíca de

Santo Amaro” foram disponibilizados gratuitamente. Ainda assim, o público parece não ter comparecido como o esperado pela organização. O CineFacom parece não atrair público doméstico, sendo frequentado por estudantes de outros cursos e principalmente por estudantes do Bacharelado Interdisciplinar com concentração em Cinema. Camila acredita que o fenômeno tenha ligação com o perfil do aluno da Facom, que não tem costume de frequentar os eventos da faculdade: “Eu vivo muito a universidade e percebo que quase nunca vejo colegas da Facom, é muito difícil mobilizar. Enfim... Por que, eu não sei”. Buscando formas de atrair público, já foram até organizados sorteios de prêmios. O público faconiano, segundo Valdíria, aparece quando há produção de estudantes da Facom na mostra. “Existe a cultura de achar que, se é de graça, não é bom”, dispara Valdíria. A organização do evento tem a percepção de que a ausência de público é uma espécie de problema verificado em âmbito nacional, no que


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diz respeito a cineclubes universitários. A organização já estuda estratégias para uma maior interação com outros Cineclubes, a fim de garantir a longevidade.

que atraia público para esses eventos. É um processo lento e gradual”, afirmou Camila quanto ao fato.

Outro problema identificado, que vai além dos muros da universidade, é o comportamento do público médio, cada vez mais convencional e pouco inclinado a produções experimentais e independentes. “Tem que ter uma mediação cultural, para se articular com pessoas da escola, ter uma formação desde cedo para que se forme público para cinema; que consiga formar o olhar para o cinema independente,

DIVULGAÇÃO Além dos cartazes espalhados pelo campus, a organização do evento intensificou a divulgação através de colaboradores na web. “Existem cineclubes que informam sua programação de forma restrita. Procuramos ir além”, afirma Valdíra. O uso de redes sociais, o envio de e-mails sugerindo o evento como ‘release’, além de acordos firmados na base de divulgação mútua com sites como o “Cabine Cultural”, “Aldeia Nagô” e mais especificamente o “Evolução Hip

Hop”, foram estratégias recorrentes nesse ano. Mais recentemente, o evento firmou uma parceria com o Ibahia. O site teria procurado o CineFacom com o intuito de disponibilizar os vídeos estudantis já selecionados nas mostras na página. O iBahia apoia na divulgação, cobrindo os eventos. “A parceria é muito importante, independente do grau de visibilidade do site”, salienta Valdíria. APOIOS O CineFacom é fruto das produções inscritas por estudantes. Seus maiores custos seriam voltados para pipoca distribuída nas sessões e divulgação do projeto. Nas duas primeiras edições,

Foto: Marcos Vinícius Maia

Evento se estendeu a outros espaços, como a varandinha Facom News 7


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Foto: José Cairo

o projeto foi realizado com os esforços financeiros dos próprios organizadores. A partir da terceira edição, o projeto passou a contar com o benefício da Pró-Reitoria de Assistência Estudantil (PROAE). Anualmente repassado, o benefício no valor de R$ 1mil é disponibilizado ao Centro Acadêmico e é dividido com outros compromissos da representação estudantil. Além de parte desse valor, o CineFacom contou por 6 meses com uma bolsa no valor de R$ 400, referente à conquista do edital da Pró-Reitoria de Extensão (PROEXT) a partir de agosto de 2013. Tendo como única beneficiaria Camila Brito, esse valor também era dividido com Valdíria e o assessor de comunicação Cássio Santana. Um dos itens do edital previa que os projetos apoiados por suas respectivas unidades teriam vantagens na disputa. A direção da Facom autoriza o uso do auditório, disponibiliza materiais como DVD’s, folhas de ofício, fitas adesivas e apoia na divulgação. “Quando o projeto passou na PROEXT, quem era o diretor era o professor Giovandro Ferreira. Ele ofereceu um recurso de R$ 800 para a gente suprir aquilo que o edital da PROEXT não supria”, acrescenta Valdíria. Segundo a organização, esse valor foi utilizado na produção da festa do aniversário de um ano.

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Exibição atraiu 65 alunos, segundo números oficiais O dinheiro teria sido investido na confecção da faixa, contratação do pipoqueiro, transporte dos equipamentos de luz , compra de gelo e copos para festa. O dinheiro também foi usado para pagar a designer criadora da arte do projeto, a estudante Uyrá Cerqueira Argolo, do Bacharelado Interdisciplinar (BI) de Cinema. Com o fim da bolsa da PROEXT, os organizadores continuarão contando com a verba da PROAE, e estudam buscar outros apoios, como o Setor de Arte da UFBA, que poderá ajudar na promoção do projeto. Além de tentar provar, através de relatório à diretoria da faculdade, que ao menos semestralmente o projeto precisa receber apoio financeiro. FESTA Na última quarta-feira, 12/02, o CineFacom exibiu, para comemorar seu aniversário, qua-

tro filmes do diretor Edgard Navarro, além de projeções de vídeo do KVEM (coletivo de vídeo experimental) e música com o DJ Berg Benoni. O evento teve um debate com a presença do realizador e mediado pelo professor José Francisco Serafim. Segundo números disponibilizados pela organização e com base na lista de presença e solicitação de certificados, 65 pessoas estiveram presentes, entre eles a diretora da Facom, Suzana Barbosa, e o professor Fábio Sadao. A audiência foi receptiva, e a reportagem verificou evasão de 10 pessoas, em torno, durante a sessão. O evento ocupou a área externa, a varandinha e teve venda de cerveja e acarajé. Além de comemorar um ano de projeto, a festa, segundo Camila Brito, serve como forma de atrair mais público e tentar fazer com que esse público se fidelize com o projeto. #


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#acadêmico As vantagens de ser bolsista Programas de auxílio a estudantes incentivam a permanência na universidade Bianca Bomfim

Foto: Sophia Morais

Ser bolsista envolve muitas obrigações e dificuldades, mas também muitas vantagens, como a possibilidade de viajar, conhecer profissionais da área e ter uma visão prática do seu curso. Além disso, ao contrário do que muitos pensam, incentivo financeiro é um dos pontos centrais para alunos que almejam uma bolsa. “Muitos de meus colegas tentam uma bolsa por causa do dinheiro e não pela experiên-

cia”, diz Jonatas Santos, bolsista do PIBIEX.

junto com outros professores orienta ao todo 26 bolsistas entre projetos como ACC - MeJarimara Costa, bolsista do Ob- mória Social, Agenda e Agênservatório Universitário da Cul- cia Experimental, opina sobre tura Popular, explica: “Quando o valor da bolsa: “É pouco se entramos na seleção pensamos nós pensarmos em relação a logo no dinheiro, mas com o um salário, mas é mais do que passar do tempo vemos que a muitos conseguem ganhar dos experiência que nós consegui- pais, disponível todo mês. Esse mos vai além do seu valor”. As recurso contribui muito para o bolsas oferecem, em média, um aluno permanecer numa escola auxílio de R$ 400 mensais. Ain- pública. Garante a permanênda que conside- cia do aluno na universidade”. rado um baixo valor para mui- Algumas bolsas, como bolsa-estos, a maioria tágio, ajudam alunos a se volgarante que tarem para dentro da universia experiência dade e, ao mesmo tempo, lhes adquirida vale dão uma experiência profissioà pena e abre nal. Esse tipo de bolsa oferece portas no futuum valor maior que as outras, ro. Além disso, segundo a bol- R$ 495, e acaba por proporciosista Luciana nar um valor semelhante ao de Santos, a bolsa mercado para um estagiário. É ajuda a se man- o caso do IEL – Banco de Estáter na universi- gio, que concedem o valor de dade: “Com as cerca de R$ 500. despesas como xerox e livros”.

Jonatas Santos, bolsista do PIBIEX

O professor José Roberto Severino, que

Existem projetos em que o estudante obtém experiência em um campo de especialização, conhece novas culturas, lugares, histórias, profissionais da

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A universidade compreende três áreas – Ensino, Pesquisa e Extensão. O Ensino é aplicado com monitorias; a Pesquisa, com Iniciação Científica. Já a Extensão é disponibilizada a partir da PROEXT, Pró-Reitoria de Extensão, que trabalha com ações extensionistas visando agregar valor e atender a demandas da sociedade. Em ambos os casos, a universidade disponibiliza, segundo dados do ultimo dia 30 de janeiro, 140 bolsas pelo Pibiex e 2 Proext, oferecidas aos alunos regulares da instituição. MONITORIA Das 16 bolsas de monitoria autorizadas pela Congregação e solicitadas à Pró-Reitória de Graduação (PROGRAD), foram distribuídas 9 bolsas para o próximo semestre e 13, para o seguinte. Haverá uma escolha da unidade, segundo critérios votados em reunião de departamento.

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Foto: Sophia Morais

área, além de ter contato com outras realidades. Também ajudam o aluno a decidir em qual a área de atuação prefere seguir, ganhando uma visão a mais em relação aos alunos não-bolsistas. “Nosso diferencial é que temos uma formação para atuarmos em todos esses campos (produzir cobertura de eventos, entrevistas e reportagens) e de outros dentro do campo da comunicação”, diz Luciana.

Lalesca Weisz, bolsista da ACC do professor Severino Depois, os professores devem divulgar seus editais para selecionar estudantes. Houve um aumento significativo de vagas para ingressar na universidade, o mesmo não acontece com o número de bolsas oferecidas. “A maior dificuldade é pela pouca oferta das bolsas, tendo em vista que o número de alunos da universidade aumentou, mas o número de auxílio disponibilizado não acompanhou a demanda”, acredita Nádia Conceição, formada em Jornalismo, hoje graduanda em Produção Cultural e bolsista de iniciação científica.

quem se deve procurar, uma vez que algumas bolsas não são divulgadas, sendo apenas preenchidas por indicação. Lalesca Weisz, monitora da ACC - Ação Curricular em Comunidade e em Sociedade - do professor Severino destaca: “Essas dificuldades giram em torno de saber em que área você pretende caminhar e ficar de olho em qual te interessa.”

Alguns estudantes conseguem oportunidades profissionais graças a bolsas, uma vez que o mercado acolhe mais a quem já tem experiência. É o que diz Jonatas Santos, bolsista de extensão pelo PIBIEX: “A bolsa vem me trazendo muitas experiências Também é importante saber que serão preponderantes que área se quer atuar e a para minha carreira”.#


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Academia ou mercado? Alunos da graduação preferem estagiar a realizar atividades acadêmicas Heitor Oliveira Em sondagem realizada pelo Facom News, um a cada 15 alunos responde que não participou de nenhum congresso e que não pretende participar. Quando perguntados sobre o motivo, a resposta é quase sempre desinteresse pela vida acadêmica e nada mais. Menos de cinco estudantes apresentaram trabalho no Intercom Nordeste ano passado. Nenhum bolsista de Iniciação Científica apresentou artigo no SBPjor, encontro da Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo, em 2013.

Foto: Sophia Morais

O professor Marcos Palácios afirma que, no momento, não

há nenhum graduando no seu grupo de pesquisa, o GJOL (Grupo de Pesquisa em Jornalismo On-line), principal referência brasileira em pesquisa do jornalismo digital. O professor e tutor do Petcom, Fábio Sadao, reforça: “Os alunos não vão para os congressos, não fazem nem apresentam trabalhos. Eles não têm o mínimo interesse. Quando eu fui para o Intercom no ano passado com o PET, não vieram mais do que 30 alunos e não sei se alguém apresentou trabalho”. Dos 400 estudantes que circulam na faculdade, apenas

Os espaços dedicados à carreira acadêmica, como o PósCom...

25% participaram do Intercom. Cássio Santana, do Centro Acadêmico, responsável por fazer a lista para solicitação do ônibus, confirma os dados. Todo estudante que desejar apresentar um trabalho ou submetê-lo a prêmio pode fazê-lo, mas estes não se fazem presentes. Segundo informações do site do Expocom, um estudante da Facom não ganha nem é pré-selecionado há mais de 6 anos, e somente professores da pós-graduação vencem. Os últimos trabalhos científicos a vencer pertencem a Nadja Vladi, nos anos de 2010 e 2011. E dos 30 alunos que participaram da ultima edição, menos de 10 apresentaram trabalhos. EXPLICAÇÕES “Parece que os professores dão mais atenção a pós, não estimulam os alunos da graduação a produzir artigos e participar dos congressos”, opinou Edvan Lessa, aluno do 6º semestre de jornalismo, que participou do último Intercom e apresentou um artigo. “Lá [na pós-graFacom News 11


Facom News 2013.2 - Edição II

e Etnicidades da Facom, um grupo que tem pelo menos cinco alunos de graduação participando no momento. Ele constata que essa é a lóO prof. Marcos Palácios ex- gica natural das coisas. “ Você plica a dinâmica do grupo de ingressa na faculdade para pesquisa: “A lógica do grupo é congregar pessoas que estão fazendo pesquisa, é um grupo que faz leituras e discussões de tópicos avançados. O grupo não é fechado à participação, mas para isso é preciso que haja o interesse do estudante em contatar um professor ”. Uma das justificativas sugeridas foi a inserção precoce dos estudantes no mercado de trabalho através de estágios, em detrimento a outras atividades acadêmicas. Lucas Gama, do Petcom, chamou atenção para a necessidade do estudante, que busca experiência profissional e também a remuneração que as bolsas científicas não dão. “Eu trabalho bastante e ganho R$ 400,00, mas um estágio remunerado, por exemplo, paga mais. Em alguns lugares há salário mínimo, alimentação, transporte e isso faz a diferença”. O professor Fernando Conceição coordena o Etnomídia, grupo de pesquisa em Mídia

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tas dessas pesquisas que se realizam não são atrativas e creio que o aluno, por instinto de sobrevivência, logo percebe isso. Em geral o pessoal faz pesquisa para divulgar seu próprio nome. Pes-

Foto: Sophia Morais

duação], as pessoas tem a cultura de produzir trabalhos e apresentar, aqui isso não existe”.

...não parecem muito atrativos aos alunos ter um diploma profissional. Afinal, se você está fazendo graduação,você vai se dedicar mais à carreira. Ainda que uma pesquisa traga uma bolsa equivalente, o aluno prefere o ir para o estágio, para treinar ”. Quando perguntado sobre a contribuição dos grupos para o aluno, sugeriu que é preciso verificar se de fato essas pesquisas acrescentam ao conhecimento do aluno no mercado. “Suspeito que mui-

quisas que circulam e tem pouca utilidade prática, isso talvez afaste os alunos da graduação”. Há outro motivo, apontado pela professora Malu Fontes: “A gente já está recebendo uma média de alunos que chegam desinteressados do curso, não na vida acadêmica. O aluno chega desinteressado em ler jornal, em estudar as matérias teóricas, em ter domínio da língua portuguesa”. #


Facom News 2013.2 - Edição II

Aprendendo em rede

Professores utilizam redes sociais e outras plataformas digitais para auxiliar no aprendizado Luana Silva

Foto: Sophia Morais

aulas e materiais, ou como suporte às aulas presenciais.

Estudantes recorrem aos meios digitais para acessar conteúdos As plataformas digitais estão cada vez mais presentes em sala de aula auxiliando o aprendizado. Dentre as mais usadas estão as listas de email, as redes sociais Facebook e Twitter e o Moodle. Elas permitem rápida visualização e resposta imediata, desde que a pessoa esteja conectada. As ferramentas do Google, como Google Docs e Google Drive, também vêm ganhando espaço. O Facebook é a forma mais prática de entrar em contato com alguém atualmente, já que é muito difícil alguém não ter uma conta. É possível ver se sua mensagem foi visualizada no Face, já na lista

de email não há essa informação. No Moodle, além de saber quem visualizou sua mensagem, no caso de ser um arquivo, é possível também saber quanto tempo a pessoa passou com ele aberto. Cada professor procura a plataforma que melhor atende às suas necessidades. O Moodle é uma plataforma que objetiva o aprendizado. Instituições de ensino têm a possibilidade de personalizar sua página no site para facilitar o acesso de docentes e discentes. Cursos, assim como disciplinas, podem ser cadastrados e ministrados de forma virtual, com a disponibilização de

Marcos Palácios, professor de Oficina de Comunicação Escrita da turma de Produção Cultural, prefere essa ferramenta porque atende todas as suas necessidades, desde o envio de um texto a ser trabalhado em aula até um comunicado urgente, “É um recurso auxiliar à aula presencial. Dentro do Moodle, eu disponibilizo o que vai acontecer em cada uma das aulas. Eu coloco material de leitura e os slides para os alunos terem acesso”, diz ele. Para fazer comunicados aos alunos, o professor utiliza o fórum dentro da plataforma. Ele conta que a entrega de trabalhos também é feita pelo Moodle. “Por aqui eu tenho como saber se o aluno abriu o texto que era para ser lido, quando tempo ele levou com o arquivo aberto. Eu sei tudo o que eles fazem aqui dentro”, explica Palácios, que junto com o professor Elias Gonçalves, criou o GJOL – Grupo de Pesquisa em Jornalismo On-line − há aproximadamente 15 anos. E-MAIL E FACEBOOK Com a lista de email, é possível cadastrar vários contatos e mandar um único email para todos. “Eu gosto profundamente do email”, declara Malu Fontes, professora do 1º e 2º semestres e da Póscom, que se diz

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Facom News 2013.2 - Edição II

conservadora em relação às plataformas digitais. Para se comunicar com os alunos, ela cria listas, nas quais compartilha textos da coluna que escreve para o jornal Correio.

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Facebook nos próximos semestres porque é mais fácil para os alunos, pois eles já estão lá”, esclarece.

No site pode-se organizar todo o material da disciplina e também atualizar o conteúdo. professor da matéria Comunicação e Tecnologia, André Lemos, utiliza principalmente um site (blog) para se comunicar com os alunos. No site ele disponibiliza informações sobre e comunicados. Em entrevista, o professor afirmou ser provável que ele use o Facebook com mais frequência: “A tendência é que eu venha a usar mais o

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Foto: Sophia Morais

Rebeca Menezes, aluna do 4º semestre de jornalismo, já entrou na faculdade em plena era digital, Malu afirma não gostar de se co- mas lembra de um passado em municar por plataformas em que que as coisas eram um pouco mais se fragmente muito o pensamen- complicadas: “Eu lembro que na to: “Uma coisa que me estressa época da escola a gente tinha que muito é esse modo de escrita das perseguir o professor para tirar almensagens privadas. As pessoas, guma dúvida”. ao invés de fazerem um texto completo, mandam as mensagens aos A internet mudou essa realidade poucos. Eu acho essa fragmenta- para melhor, mas a aluna também ção do pensamento completa- ressalta: “Tem aspectos positivos mente estressante. As chances de e negativos. O lado bom é poder eu tratar com aluno por email é buscar material para complementar a aula, pesquisar alguma coisa muito maior”. que o professor falou ali na hora. O email também é a plataforma Mas muitas vezes é utilizado para preferida por Allysson Martins, Face, Whatsapp e acaba prejudidoutorando na Póscom e profes- cando a aula”. sor na Faculdade Social da Bahia (FSBA). Para ele a internet interfe- GOOGLE As ferramentas do Goore principalmente no planejamen- gle vêm ganhando espaço por fácil to da disciplina: “Costumo preparar as aulas de maneira multimídia, muitos conteúdos, desde imagens, textos e vídeos, são recolhidos na internet. Também não gosto de deixar material em Xerox, prefiro digitalizá-los e enviar por e-mail”.

André Lemos pretende começar a usar o Facebook para ter contato com alunos

utilização e pelos recursos diferenciados. No Google Drive é possível fazer o upload de vários arquivos, ao contrário do email, que possui um espaço de armazenamento reduzido. O Google Docs funciona como o Word, só que online. Essa ferramenta também permite que se compartilhe um texto com alguém e as duas pessoas o editem ao mesmo tempo. Para isso é necessário que ambas tenham uma conta do Google e estejam conectadas. Alberto Marques, ex-aluno da Póscom, professor de jornalismo digital e doutorando em Jornalismo e Sociedade na UNB, usa com frequência as ferramentas do Google. Em sua opinião as aulas presenciais são imprescindíveis, mas deve haver uma mudança no modelo de aula. “Esse modelo de aula, só slide e fala, não é mais condizente com o momento atual”, explicita. Alberto elucida que a digitalização da informação, assim como a utilização de áudio e vídeo, permite um novo modelo de ensino, que antes era restrito à aulas, exercícios e fotocópias. “Hoje tem-se espaços físicos desterritorializados. O professor não é mais o detentor único do conhecimento. Ele detém o papel de arquiteto cognitivo; de grande gerenciador do conhecimento. Deve fomentar a curiosidade do discente”. Ele complementa: “Com a popularização das plataformas digitais, as coisas estão muito melhores. A internet proporciona maiores possibilidades de aprendizado, basta transformar o meio de acesso para a aula ser potencializada”. #


Facom News 2013.2 - Edição II

#capa Um novo estágio para os alunos Regulamentação do estágio está prevista nas diretrizes curriculares Juliana Rodrigues e Laís Melo

As faculdades estão formando comissões, a fim de pensar a forma correta de aplicar as diretrizes à realidade dos seus alunos. Na Facom, a comissão é formada pelos professores Lia Seixas, Graciela Natansohn, Rodrigo Rossoni, Simone Bortoliero, Suzana Barbosa e Malu Fontes. A reforma curricular está em fase de discussão. No último dia 7 foram delegadas aos membros tarefas como

comparação de grades curriculares dos cursos, investigação sobre a execução do estágio regulamentado e os tipos de TCCs em outras faculdades. Universidades como UERJ (RJ), UFU (MG) e Unisinos (RS) já adaptaram seus currículos, que entrarão em vigor a partir das próximas turmas, em 2014. O prazo para a aplicação se encerra em 1º de outubro de 2015. Foi definido que a comissão terá encontros m e n sais. Atualmenregras da Famais flexíaluno precisa uma carga de 300h de des completares, que englobar o estágio a pesquisa e dades de exa exemplo do

lho em instâncias internas da faculdade. Pode-se estagiar em qualquer semestre, dependendo da empresa que assinará o contrato, mas o colegiado só considera válido o estágio a partir do 3º semestre.

Foto: Laís Melo

Após a homologação das novas diretrizes curriculares dos cursos de jornalismo, ocorrida em setembro de 2013, uma mudança em especial causará maior impacto na vida acadêmica: a regulamentação do estágio, que passa a ser obrigatório. A carga horária é de 200h, a serem cumpridas nos períodos finais do curso. Está prevista também a supervisão do estágio por parte de um docente ou profissional qualificado. A regulamentação também prevê que a mão-de-obra do estagiário não deverá ser aproveitada para substituir o trabalho de jornalistas formados.

te, as com são veis. O cumprir horária atividam e n podem tanto quanto as ativitensão Thaís Borges relata dificuldades em trabaconciliar trabalho e estudo Facom News 15


Foto: Laís Melo

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as instâncias, faça um pouco de pesquisa, é tão importante quanto o estágio. Mas acho que tem que ser as duas coisas. Um estágio que começa só no sétimo semestre é ineficiente”, opina Eduardo Coutinho, do sexto semestre.

manipulado do ponto de vista do uso da força de trabalho e não acabe realizando trabalhos para os quais ele não está preparado”.

Malu considera positivo que o poder público intervenha para proteger os alunos, que segundo ela, são a parte mais vulnerável das relações de trabalho, mas não se percebem como tal. “A vontade, o desejo, a paixão, Caroline Prado, a adrenalina de começar logo também do sexto a trabalhar é tão grande que semestre, acredita eles topam qualquer negócio que é importante achando que estão ‘abafando’. que o aluno estagie Quando na prática estão, desde desde o início do cedo, se construindo como proMalu Fontes năo concorda com o estágio curso. “Claro que é fissionais desvalorizados, desvaprecoce bom também você lorizando o trabalho dos outros, vivenciar a faculda- contribuindo pra que o mercado de, mas acho que seja ainda pior do que já é, sem hoje a UFBA não dá estrutu- ter consciência política e social ESTUDAR E TRABALHAR Os alura pra que você seja inserido disso”. nos concordam com algumas numa realidade de mercado mudanças, como a supervisão e dentro da universidade. Acho Para ela, inclusive, o argumena obrigatoriedade do estágio. Há que é importante. Se você quer to de que o estágio ao final do um consenso: estudar e trabaseguir da faculdade pro merca- curso atrapalharia a elaboralhar é cansativo. “Fazia 9, 10, 11 horas de trabalho por dia. Quan- do, seria importante você esta- ção do TCC, usado por alguns do chegava em casa, 23h, quem giar desde o início”, afirma ela. alunos, é falho. “Se o aluno for mediano nos primeiros semesqueria estudar?”, afirma Thaís A professora Malu Fontes, pelo tres, não se tornará brilhante Borges, do sétimo semestre. Porém, eles consideram que a roti- contrário, acredita que estagiar no TCC, e o que atrapalha é o na corrida ensina bastante, mais no início do curso não é bom estágio. Do mesmo jeito que do que as atividades acadêmicas, para os alunos. “Eu acho que o estágio pode atrapalhar, hirazão pela qual alguns deles dis- quanto mais do meio do curso poteticamente, o TCC, hoje ele cordam da realocação do estágio para o fim o aluno for estagiar, atrapalha as disciplinas. Tem mais bem-preparado ele será. muita matéria teórica e prática para os últimos semestres. “Eu acho importante que o es- Primeiro, para não ser instru- que exige dedicação do aluno, tudante fique um tempo den- mentalizado pelas redações, e ele não se dedica por estar tro da faculdade, que conheça segundo, para que ele não seja estagiando”.

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Segundo relatos dos alunos, as regras relacionadas à supervisão do trabalho do estagiário variam de acordo com a empresa. Caroline, que trabalha no portal Bahia Notícias, afirma que existe supervisão. Thaís, estagiária do jornal Correio, explica as dinâmicas do seu local de trabalho: “Na Rede Bahia, temos uma coordenadora de RH especial para os estagiários, mas ela fica responsável por todos os estudantes de todas as empresas da rede. No entanto, pelo menos no jornal onde trabalho, cada estagiário tem seu “orientador” direto, que é, normalmente, o editor ou coordenador da editoria“. TRANSIÇÃO Em entrevista concedida por e-mail ao Facom

News, a presidente do Fórum Nacional de Professores de Jornalismo, Mirna Tonus, falou sobre formas possíveis de estabelecer a supervisão do estágio de acordo com as novas diretrizes. Para ela, é importante que as empresas permitam o acesso dos docentes, participem de reuniões com estagiários e professores-orientadores e permitam que os estagiários sejam acompanhados por um profissional. Dessa forma, as empresas seriam co-responsáveis pela formação dos estagiários, e não apenas beneficiárias de seus serviços. Sobre a realocação do estágio para os últimos semestres, ela esclarece: “A re co m e n dação é que seja nos períodos finais porque se

considera que os alunos já passaram por diversas disciplinas e, portanto, poderão aprofundar seus conhecimentos no estágio”. Mirna enfatiza a importância das novas diretrizes para o fortalecimento do campo jornalístico e para a melhora da qualidade dos cursos. Porém, ela ressalta: “Há, porém, muitas dúvidas, as quais estamos buscando sistematizar para pedir esclarecimentos ao MEC. A questão do estágio obrigatório, por exemplo, é uma delas”. # Foto: arquivo pessoal

Essa realidade do estágio é, de certa forma, confirmada pelos estudantes. Todos os entrevistados dizem já ter passado por situações de exploração de mão-de-obra, tendo que desempenhar funções de profissionais e trabalhando além das horas previstas, sem poder se dedicar completamente à faculdade. Há uma prática comum nas redações: a contratação de poucos jornalistas e muitos estagiários, que contribui para o estresse dos estudantes.

Mirna Tonus, presidente do FNPJ, enfatiza a importância das novas diretrizes Facom News 17


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#facom-faz DE CARA NOVA

Agência Experimental em Comunicação e Cultura renova sua equipe Mariana Farias Foto: Sophia Moris

Reunião da agência com os novos membros A Agência Experimental em Comunicação e Cultura (AECC) está passando por uma renovação. Dos 16 atuais membros, 10 estão saindo em busca de estágio. O motivo é a perda de bolsas da AECC. No último semestre a instância possuía 15 bolsas, já para o próximo semestre serão apenas 4. A grande novidade é que os agenciadores que permanecem são apenas calouros. Eles estão divididos em três coordenadorias: comunicação, criação e produção. As demandas dos núcleos são

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o jornal da Agência (Já é!), o Agenciação e o Observatório. O “Já é!” fica por conta do núcleo de comunicação. Os alunos dessa área precisaram ir a campo fazer entrevistas, tirar fotos e escrever as reportagens. Precisaram também corrigir e editar as matérias.

coordenar um grupo através do projeto de monitoria do IAT (Instituto Anísio Teixeira) promovido pela AECC. O projeto consiste em promover oficinas para professores objetivando que eles aprendam a fazer roteiros de filmes e editar vídeos.

EXPECTATIVAS A nova coordenadora do Núcleo de Comunicação, Carla Letícia Oliveira, terá que liderar todo o processo de produção do jornal e orientar a equipe na construção das matérias. Carla diz ter ganhado experiência para

Juliana Rodrigues, coordenadora do núcleo de criação, o qual cuida de toda parte visual da Agência: cria peças gráficas e folders para divulgar os produtos e a logomarca da AECC. Juliana já tem experiência na área. Ela adquiriu


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formação técnica para uso de softwares gráficos, como Corel Draw e Photoshop em um curso no SENAI. Além de promover oficinas para capacitar os novos membros, Juliana ganhará experiência em mapeamentos culturais. PROJETOS Os mapeamentos consistem em fazer visitas a grupos culturais com o intuito de conhecer o espaço e as pessoas que fazem parte dele. Até agora já foram mapeados cinco regiões de Salvador- Itapuã, Cidade Baixa, Bairros do Subúrbio Ferroviário, Mussurunga e Pituaçu. O mapeamento dá visibilidade aos projetos comunitários, para que não caiam no esquecimento, e contribui para a construção de um memorial

cultural desses grupos.Todo esse processo é feito através do Observatório de Cultura Popular. O Observatório pretende traçar um panorama sobre a produção cultural comunitária em Salvador.

Os novos membros se envolverão em três projetos: Agenciação, Observatório e JAÉ #

O Agenciação, atividade mais importante do núcleo de produção, consiste em levar os grupos mapeados para se apresentarem no espaço

acadêmico. Os alunos que ficarem nesse núcleo entraram em contato com artistas, atuarão nos bastidores do evento e assumirão o papel de mestres de cerimônia. Milena Teixeira, membro do núcleo de produção, apesar de não ter experiência com eventos, diz estar muito animada com a possibilidade de trazer a cultura popular até a universidade: “É algo inovador. O Agenciação permite que a cultura das comunidades chegue até os universitários. E além disso nos permite ganhar experiência na produção de eventos”.

Foto: Sophia Moris

BOLSAS O professor Severino, tutor da Agencia Experimental, considera a saída dos 10 membros como algo natural. “O problema é agravado quando o aluno deixa de ganhar bolsa”, ressalta ele.Ele diz que tem como função ir atrás de editais para conseguir bolsas. Segundo ele, essa é uma maneira de evitar a saída dos membros. “Quanto mais bolsa melhor ”, afirma Severino. Das 15 bolsas conquistadas em 2013.2, duas foram através do IAT. As bolsistas desse projeto eram Pedrita Maria, 5º semestre de produção cultural, e Thais Ribeiro, 5º semestre de jornalismo. Ambas faziam atas, organizavam os horários das reuniões e entregavam relatórios sobre todas as atividades a Severino. A carga horária de trabalho era de 20h semanais. #

José Roberto Severino, tutor da AECC Facom News 19


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Quem serão os futuros calouros? Novos alunos de jornalismo e produção cultural falam sobre suas expectativas Gabriela Fragoso relação à qualidade do curso que lhes será oferecido.

Obteve-se o retorno de 34 aprovados, dos quais 28 irão cursar.

A equipe de reportagem do FacomNews enviou via facebook 45 questionários aos aprovados em Comunicação Social, nos quais lhes era solicitado que respondessem p e rg u n tas relacionadas à idade, atual cidade de residência, aspiração profissional, expectativas em relação à Facom, opiniões acerca do SiSu e características de seus Arthur Fraser, de Produção, e João perfis. Bertonie, de Jornalismo

De acordo com a sondagem, 82% dos entrevistados que cursarão Comunicação Social já residem em Salvador. Dos 18% restantes, apenas uma pessoa virá de outro estado: Aline Vitorino, 17 anos, mora em lagarto, interior de Sergipe.

Foto: Sophia Morais

Curiosos, criativos e corajosos. Foram essas as características mais citadas pelos 28 futuros calouros dos 96 aprovados pelo SISU para se autodefinirem. Com grandes expectativas, eles foram quase unânimes no otimismo em

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EXPECTATIVAS Ricardo Fonseca é um dos otimistas. Ele já estava cursando o terceiro semestre de jornalismo na FIB, mas optou por tentar pela primeira vez uma vaga na Facom, pois acredita que receberá uma melhor instrução. Verena Guimarães, Priscila Zochling, Tarsila Carvalho e Sérgio Melo são alguns dos aprovados que largaram o curso em andamento para ingressar em Comunicação Social. Josenildo Moreira Jr, 22, futuro estudante de Jornalismo, se formou no semestre passado na UFRB em Gestão Pública. Suas expectativas ultrapassam quesitos acadêmicos. “Acho que vou encontrar pessoas minimamente divertidas, numa área dessas, né?”, relata o estudante aos risos.


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parte crítica e artística do cinema. Seu maior sonho é se tornar um autor de ficção.

ARTÍSTICOS Wesley Vinicius, 17, Marcelo Costa, 18 e Ramon Souza, 19, futuros estudantes de Produção Cultural, vêem na musica a vertente a ser seguida no âmbito profissional. “Quero ser um rock star”, disse Wesley.

DE VOLTA À FACOM Daniel cursou 5 semestres de Produção Cultural na Facom, mas saiu para cursar economia na UFBA. Laíla Terso também cursou 5 semestres de Jornalismo na Facom, entre 2006 e

Filipe Louzado, 23, cursa produção audiovisual na Unijorge. Ele foi aprovado em Produção Cultural e já sabe qual caminho seguirá dentro da área. “Acho que o cinema aqui na Bahia ainda está muito fraco, então preferi entrar na área de comunicação. Acredito que assim colaboro na melhora do mercado para os futuros cineastas”. Josenildo Junior é ator desde os nove anos. Dentre as experiências teatrais relatadas pelo estudante, uma delas foi ter estudado arte dramática em Portugal, onde apresentou 4 espetáculos. “Acho que isso vai me ajudar no jornalismo. Sou desinibido e se tenho que fazer, vou lá e faço”. João Belmonie, 18, virá de Feira de Santana cursar jornalismo. Ele é amante da área de redação jornalística e diz gostar muito da

Foto: Juliana Rodrigues

Sérgio Melo compartilha desse mesmo pensamento. “Estou encantado pelas pessoas da FACOM, são tão ‘mente aberta’ e alternativas com veias artísticas, muito parecidas comigo”, afirma.

Bruno Luís, calouro de Jornalismo: “Acho o SiSu democrático”

2009. Após isso, ela foi estudar direito em uma faculdade particular. Ambos foram aprovados em Jornalismo e irão cursar. ENGANOS Tanto Joana Delbonie como Wesley Vinicius confundiram-se no momento de inscrição do SiSu. Ambos gostariam de cursar jornalismo, mas se inscreveram em Produção Cultural. Joana pretende esperar o processo de transferência interna para tentar ingressar em jornalismo, enquanto Wesley está indeciso sobre que rumo seguirá. SISU As opiniões acerca do sistema SISU como único meio de ingressar na faculdade, no qual o Enem é sua única etapa, foram diversifica-

das. Os principais pontos positivos apontados pelos aprovados foram a democratização do vestibular e possibilidade de poder escolher o curso após já saber a própria nota. Entre os negativos, o aumento da concorrência foi o mais citado. Thiago Livramento, 21 anos, matriculou-se em jornalismo. Ele gostaria de cursar direito, mas sua nota não foi suficiente. “Acho o SiSu democrático e louvo a atitude dos últimos governos de facilitar o acesso da população à universidade. No entanto, a concorrência vem aumentando bastante, o que torna os dias de espera para saber o resultado bastante angustiante”, opina Bruno Luiz, 17 anos, futuro calouro de Jornalismo. # Facom News 21


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#infra Facom dia e noite Reforma Administrativa visa implantar turnos contínuos e favorecer atividades noturnas Letícia Oliveira e Milena Teixeira A Comissão de Reforma Administrativa, responsável pelo estudo do processo de implantação de turnos contínuos na faculdade, solicitou mais tempo para apresentação de uma proposta definitiva na reunião de Congregação do último dia 3. A modificação da jornada de trabalho dos funcionários, seguindo um sistema já implantado em outros institutos, revelou-se uma alternativa viável para beneficiar o funcionamento da unidade, principalmente para os usuários do turno da noite. A implantação ocorrerá inicialmente em caráter experimental, mas ainda não há data definida para início.

No último dia 20 de janeiro foi aprovada a Resolução nº 13/2013, que sugere a implementação de uma flexibilização da jornada de trabalho. A Comissão de Reforma Administrativa, formada por seis membros que incluem funcionários, professores e alunos, é encarregada de apresentar a proposta de nova escala, segundo a carga horária de turnos contínuos. Tais mudanças acarretarão realocação de servidores e trocas nos períodos de trabalho. A jornada modificada especificaria que a unidade venha a funcionar também à noite, com a extensão do horário de fun-

cionamento de espaços como o auditório e salas de convivência; maior prazo para devolução de equipamentos dos laboratórios e remanejamento de setores. “A universidade mudou com os cursos noturnos. A aplicação dos turnos contínuos será essencial para o atendimento de todos os estudantes nas questões administrativas da faculdade”, diz Valdíria Souza, que além de membro da comissão, é integrante do Centro Acadêmico Vladimir Herzog (CAFacom) e representante dos estudantes.

Foto: Sophia Morais

ESTUDOS Segundo Bárbara Câmara, funcionária do setor financeiro e membro da Comissão de Reforma, estão sendo realizadas visitas aos prédios dos institutos de Dança e Letras. A ideia é estudar a implantação, que otimizou o funcionamento dos serviços prestados pelas faculdades ao público interno e externo e vem apresentando bons resultados. O surgimento de um espaço único que reúna os núcleos acadêmicos é uma das ideias que estão sendo discutidas, juntamente com novas visitas a unidades próximas. O Instituto de

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Física, que possui estrutura mais semelhante à da Facom, será visitado para continuidade dos estudos de adaptação. “A comissão percebe que a aplicação de novo sistema de trabalho é mais complexo do que se parece. São necessários mais tempo e estudos para formulação de uma proposta completa de implantação”, diz Bárbara.

Os membros da comissão possuem autonomia para iniciar um projeto-piloto de implantação na Facom, sem ser necessária outra reunião da Congregação. #

Foto: Sophia Morais

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Auditório da Facom deve funcionar à noite após reforma

Auditório: mudanças ocorrerão em breve Com reforma administrativa, auditório deverá funcionar das 7 as 21h Renato Cerqueira O auditório da Facom tem apenas um colaborador, cujo horário de trabalho vai das 7h às 13h. Após esse horário, para utilizar o auditório, é necessária a presença de alguém que saiba manusear os equipamentos ou que “colabore” com o funcionário para abrir a sala, ligar e cuidar de todos eles. Entretanto, a faculdade não cobre a hora extra feita pelo funcionário.

ou solicitação de um edital.

A razão da faculdade não contar com um funcionário em tempo integral, segundo uma funcionária da PRODEP que preferiu não se identificar, é que na falta de algum funcionário em determinado instituto, o diretor é o responsável pela contratação

Com o intuito de sanar demandas como esta, está em aberto um processo de reforma administrativa em toda a universidade. Segundo Suzana Barbosa, diretora da Facom, esse processo serve para que sejam realizados estudos de viabilidade técnica a

A funcionária ainda informou que o pagamento é opcional. Caso a cobrança seja feita de outra forma, há possibilidade de ser aberto um processo administrativo para verificação. De acordo com ela, é necessário que a faculdade mantenha todos os seus anexos funcionando em paralelo ao seu horário de funcionamento.

fim de mensurar as necessidades da faculdade. Esses estudos, então, serão levados para a Pró-Reitoria de Desenvolvimento de Pessoas (PRODEP), a fim de serem analisados para poderem suprir as demandas da Facom. Não haverá contratação agora. “O que posso dizer é que, após aprovação da PRODEP, serão 60 dias em fase de teste”, completa Suzana. Após a finalização do processo de reforma administrativa, o auditório da Facom deverá funcionar das 7h às 21h, dentro do período de funcionamento da faculdade. Nas próximas semanas, haverá reuniões para deliberações sobre o assunto.

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Cantina em Reforma Nova área da cantina é menor e preocupa gestor vencedor Lara Valente

Foto: Sophia Morais

completa. NUTRIÇÃO A Escola de Nutrição, em 2012, fez uma sugestão à reitora para que a vigilância nas cantinas universitárias fosse reforçada, especificamente no que diz respeito a controle de qualidade e cumprimento de necessidades nutricionais. É sabido que existe uma falta de estrutura nas cozinhas da universidade para uma produção “grossa” de comida, que atenda satisfatoriamente a todos os estudantes. O acato à sugestão da escola explica, em parte, o tamanho atual da cantina da Facom. Grandes quantidades de comida não devem ser manipuladas ali.Segundo a escola, lanches menores e sucos ainda poderiam ser produzidos na cantina e o alÁrea atual da cantina, após reforma: de 62,68 m² para 47,50 m² moço ainda poderia ser servido. Edson, atual gestor, afirma que não vai alugar uma área à parte. A inauguração da nova cantina está A área, antes de 62,68 m², é agora de Preparará o almoço ali mesmo: “Não prevista para início do semestre, 17 47,50 m², de acordo com informa- compensa. Vou ter que me virar. Nem de março, com novo gestor, Edson Ri- ções contidas nos editais de licitação sei se vou conseguir suprir a demanbeiro de Santana, atual gestor da can- de 2012 e 2013, respectivamente. Por da”, admite, preocupado.Com este ou tina do Instituto de Biologia. A nova isso, Dona Edeulzuíta, tia Del,desistiu qualquer outro gestor, Del adota uma licitação, realizada no dia 7 de janeiro de participar deste edital: “Cheguei postura bastante negativa em relação deste ano, teve quatro inscritos.Será a comprar o edital, mas quando fui ao futuro da cantina se não houver pago o valor de R$3.550 pelo aluguel, visitar o novo espaço não tive mais uma ampliação. Suzana, diretora, gaenquanto R$950 foi o mínimo exigido como concorrer. Aí desisti”, lamenta. rante que a área continua a mesma, no edital. Quando questionado sobre Ela julga que a cozinha tem um tama- com a diferença de que um espaço o espaço, Edson responde: “Muito pe- nho diminuto: “Eu fazia 14 tipos dife- maior será reservado à convivência, queno, muito pequeno mesmo. Qua- rentes de suco e ainda pediam mais. feita agora na sombra. “Toda a arse três vezes menor do que o daqui Agora só dá pra fazer uns dois. Onde quitetura foi modificada”, tornando a eu botaria a melancia, o maracujá?”, (biologia)”. comparação espacial difícil. #

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#entrevista

Valdíria Souza

“Faça um C.A. melhor junto conosco” Valdíria Souza, representante do CAFacom, fala sobre engajamento estudantil

Facom News: O C.A. surgiu em 2002, porém, teve problemas com períodos em que ficou sem gestão. Como você avalia esta oscilação de atuação política?

Foto: Sophia Morais

Em um cenário de predominância da desarticulação política dos estudantes, Valdíria Souza, aluna do 4º semestre de Produção Cultural, responsável pela coordenação administrativo-financeira do Centro Acadêmico Vladimir Herzog (CAFacom) se destaca como uma figura atuante, presente e preocupada com o cumprimento dos deveres dos profissionais e estudantes da faculdade. Ela conversou com o Facom News sobre a reativação e a importância do CAFacom, falou sobre projetos futuros e deu sua opinião, enquanto cidadã e representante estudantil, sobre os “rolezinhos”: “Como assim dizer não? Cadê o direito de ir e vir?”

Luana Lima e Victoria Goulart

surgido antes de 2002, quando o Estatuto foi criado, com uma representação eleita. Houve algumas gestões bastante ativas no histórico do Centro Acadêmico, porém, infelizmente, na maioria Valdíria Souza: Quando a gen- dos casos, são compostas por váte entrou na Facom, estava ten- rias pessoas, mas só duas ou três do uma articulação dos alunos, trabalham. Acredito que seja um principalmente dos calouros em problema não só de articulação, 2012.1, para reativar o C.A. Exis- mas também de falta de tempo tia um pessoal que tomava conta, disponível e de interesse. mas eles não tinham sido eleitos, estavam apenas de fato, não de FN: Há o histórico recente de três direito. Ao iniciarmos a gestão, alunos jubilados aqui na Facom. fomos fazer o inventário da sala Como representante dos estudane percebemos que o C.A. já havia tes, qual sua opinião sobre isso?

VS: Existe uma ultima instância, a Congregação, que geralmente delibera de acordo com a decisão do Colegiado e, no caso desses três alunos, acredito que não será diferente. Existem critérios para o processo de jubilamento, baseados no Regulamento Interno da UFBA, difíceis até para mim, como representante dos estudantes, de contestar. Um dos critérios mais básicos é perder duas vezes no semestre ou quatro na mesma disciplina, mas, ainda assim, o histórico, juntamente com uma justificativa, é analisado pelo Colegiado.

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Nos casos em que os estudantes alegam problemas de saúde ou familiares, eu voto a favor sempre. Mas, quando o problema é distância ou o concílio do trabalho com a faculdade, eu me abstenho. FN: Existem processos de alunos no colegiado que solicitam a dispensa das aulas para trabalhar. Qual o seu posicionamento em relação a essas solicitações?

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só fica quem tem estômago para aguentar. Apenas acredito em determinadas questões sociais de alguns partidos de esquerda, mas não levanto qualquer bandeira VS: É abrir os olhos para não dei- partidária. Nunca planejei assumir xar que o “disse me disse” corra cargo político algum, se acontecer, solto por aí. Quando tem uma re- não vai ser por planejamento meu. presentação estudantil dentro de reuniões como as de Congrega- FN: O que te motivou a participar ção, Departamento e Colegiado, do Coletivo Outras Palavras, atual para esclarecer o que realmente gestão do Centro Acadêmico? acontece, evita-se a circulação de boatos. Através do blog, ou até VS: Quando entrei na Facom, em mesmo do contato direto com a 2012.1, na Semana do Calouro gente, é possível que os alunos se achei o comportamento de alguns alunos que nos recepcionaram um informem e tratem sobre assuntos pouco pesado, indelicado e invada universidade como um todo, sivo. Conversando com colegas, como a reforma administrativa, descobrimos que o C.A. não estava problemas com professores, etc. eleito, então, mais por uma quesAlgo que, infelizmente, acontece tão social do que política, Victoria é a falta de interação com os es- Libório começou a incentivar pra gente fazer um C.A. tudantes. E isso não é por que a gente quer. O C.A. tem sim o interesse de manter os alunos por perto. FN: Você é atuante em algum partido político? Você pensa em assumir algum cargo futuramente? VS: Nunca fui e nem sou filiada a partido político nenhum e nem faço parte de nenhum coletivo político de estudantes da UFBA. A briga política do movimento estudantil, infelizmente, é briga de cachorro grande,

Foto: Sophia Morais

VS: Em relação a isso, minha opinião será dúbia e eu sempre brigo por esta causa. Já fui pobre, daquelas que moram em residência universitária e têm que trabalhar pra assistir aula, então, eu sei o que esses alunos estão passando. Realmente, trancar a faculdade por trabalho não é o ideal, mas será que a faculdade também não tem que mudar para receber esses alunos? O REUNI propõe uma abertura em massa da universidade, na qual vai abarcar várias pessoas de diferentes camadas sociais, principalmente as menos favorecidas, mas a universidade não abre a porta para mudanças. Com a adoção do SISU, a quantidade de alunos que vêm de outros estados vai aumentar muito, mas será que eles terão condições para se manter aqui na Bahia? As aulas na Facom ocorrem no período da manhã, mas trabalhar apenas no turno vespertino talvez não seja suficiente. A universidade está crescendo sem pensar na adaptação da quantidade de residências para essa nova realidade do REUNI. Então, o número de pessoas que vão trancar por trabalho ten-

de a aumentar cada vez mais. FN: Na sua visão, qual é a importância de ter uma representação estudantil dentro da FACOM?


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FN: O C.A. enfrenta críticas em relação às atividades que desenvolve dentro da Facom, que são consideradas limitadas a Semana do Calouro e CineFacom. No entanto, em contrapartida a essas críticas, recentemente, aconteceram as inscrições para 34 vagas no curso de inglês da Assufba, fruto de parceria com o C.A. Que outras atividades foram desenvolvidas até o momento? VS: Essa visão de que o C.A. é só CineFacom e Semana do Calouro existe porque são as únicas coisas divulgadas, mas não é levado em consideração que a gente participa das reuniões da Congregação, Departamento e Colegiado. Organizamos a Oficina de Torso na Semana da Consciência Negra, além de estarmos solicitando melhorias nos equipamentos da Rádio Facom. Eu e Cássio poderíamos estar estagiando, poderíamos estar usando nossas tardes para qualquer outra coisa, mas abdicamos de nossa vida pessoal, pensando em algo coletivo e maior. Mas, infelizmente, pessoas criticam e não apresentam soluções. Então quer que o C.A. seja melhor, venha ao C.A. e proponha, faça um C.A. melhor junto conosco, ou simplesmente dê ideias que faremos de tudo para colocá-las em prática.

cessem às sextas-feiras, mas não estava fluindo. Na última semana de Dezembro, então, votamos para que as reuniões acontecessem às quartas e o resultado foi positivo. A questão de atuação, pra mim, não é sobre A atuar mais do que B, é o que A pode dar mais do que B, e isso é uma escolha de cada um. Em relação à organização interna do C.A., ele funciona de forma colaborativa, na qual todos os representantes possuem o mesmo grau de importância, independente da coordenadoria a que pertencem. FN: Os “rolezinhos” que estão sendo noticiados e as manifestações de junho do ano passado mostram que o jovem, até então considerado apolítico, começa a expressar sua insatisfação. Como você avalia a atuação política dos jovens da “nova geração”? E os da Facom?

VS: Acredito que existam diferentes graus de interesse. No primeiro movimento que teve aqui na época das manifestações de junho, eu percebi muita gente indo para rua achando que era uma brincadeira. Ao mesmo tempo, vi estudantes, inclusive colegas meus, que foram para lá realmente lutar por alguma coisa. Vejo que aqui na Facom não existe muito interesse político nem pela própria vida da FN: Como é a relação dos partici- faculdade, nem da universidade, pantes do grupo atual? Como é a quanto menos pela do país. Quanorganização interna? to ao “rolezinho”, ele já acontecia, só tomou essa proporção por que VS: A relação é ótima. Temos reu- grande parte da população está de niões semanais, que, inicialmente, férias. Há poucos anos atrás eu ia foi votado para que elas aconte- pro Shopping Iguatemi, por exem-

plo, e já tinham jovens na praça de alimentação e no cinema conversando alto, tirando foto, dando risada e ninguém os percebeu. Mas, quando o shopping passa a dizer não, aí sim a minha atitude de quem nunca ia, agora é de ir. Como assim dizer não? Cadê o direito de ir e vir? FN: Quais são os projetos futuros? VS: A Semana do Calouro do próximo semestre já começou a ser pensada e é muito importante por ser o momento onde todas as instâncias, talvez a maioria, tem contato com os calouros. É aqui que nós estudantes pela primeira vez somos recepcionados e somos apresentados à faculdade e, ao final da gincana, já tem duas semanas do calouro, que faço parte, que eu faço questão de recolher livros novos para presentear as equipes vencedoras. No semestre 2014.1 a gente vai, além de dar continuidade ao CineFacom, iniciar um programa de oficinas de diagramação, iluminação e até de grafite, para a revitalização da varandinha. Mas o adiamento da obra dificulta de certa forma a realização de alguns programas. Continuamos solicitando a assinatura de jornais para a FACOM, solicitamos à direção a reabertura do Laboratório Livre de Informática que foi desativado, somos fiscais das obras perguntando e cobrando a acessibilidade e muito mais. Tudo isso pode ser acompanhado pelo nosso blog e fanpage que são sempre atualizados com informações das reuniões que participamos, divulgação de eventos, vagas de estágio etc. #


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#perfil Polêmico e Plural A história do professor Wilson Gomes, uma lenda viva na Facom Rebeca Bhonn Com uma trajetória atípica, um currículo recheado de referências, dois livros publicados e uma ampla visão de mundo proporcionada, em muitas partes, pela passagem pela Europa, oprofessor, cientista político e pesquisador Wilson Gomes declara-se realizado na profissão e diz-se apaixonado pelo ambiente universitário.

HISTÓRIA Crescido em uma fazenda, aos 15 anos mudou-se para Camacan, cidade de pouco mais de 30 mil habitantes, a pouco mais de seis horas de Salvador. De lá, saiu poucos anos depois, quando veio estudar Filosofia na capital. Passado um ano em Salvador, mudou-se para Roma e lá, fez-se mestre e doutor em Filosofia pela Pontificia Università San Tommaso D’Aquino.

À época, ensinar não Wilson afirma que nunca gostou de era algo que lhe endar notas ou corrigir provas. Para chia os olhos. Gostava ele, ninguém gosta de ser avaliado. mesmo de pesquisar Por isso, há quase 10 anos, deixa a e escrever. Entretantarefa para seus alunos de douto- to, hoje em dia, partirado. “Terceirizei o ódio”, ele diz, cipar da formação de futuros profissionais divertindo-se. é algo que o alegra. Na internet, suas redes sociais Ele fala com carinho como Facebook e Twitter trazem, do fato de ter ingrestodos os dias, reflexões acerca de sado na pesquisa e acontecimentos atuais. Questões no magistério, apesar sobre racismo, política, causas so- da questão financeira ciais e tudo o que vier a borbulhar e das imensas posna mídia são alvo de comentários sibilidades à sua disácidos, crus e que, esteja o leitor posição. “Ter pessoas de acordo ou não, suscitam o sen- que você formou, que so crítico. hoje são professores em outros lugares do Apesar disto, Wilson Gomes não Brasil, mas que foram sabe ao certo se corresponde ao seus orientandos ou

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foi gente que você participou da formação... Isso me dá uma recompensa tão grande, que as outras coisas que pudessem vir com o fato de eu ter mais grana, não pagariam”. Uma vez que sua estadia em Salvador foi rápida, não lhe foi possível entender a fundo o funcionamento da cidade, portanto, Wilson conta que experimentou Roma como sua primeira grande cidade, ainda muito jovem. Mas não se surpreendeu com a estrutura urbana.“Quando você sai do Brasil, tão garoto, não conhece muito as cidades. Nada te surpreende. Se os carros andassem voando, eu também não acharia

Foto: Sophia Morais

Trata-se de uma figura, sem sombra de dúvidas, polêmica. É possível ouvir declarações de amor e ódio à menção do seu nome: Os que amam, acusam os demais de não o compreenderem. Com uma risada genuína, o professor comenta sobre um certo rumor de que teria corrigido provas em alemão. “Alemão? (Risos) As notas são em algarismos arábicos!”.

conceito de figura polêmica, pois acredita que uma coisa é a sua imagem, outra, a sua essência. E justifica, de forma sucinta, a opinião negativa que alguns alunos podem vir a ter a respeito de si: “Há um tipo de aluno que não gosta de mim: são os que não gostam de estudar”.


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Foto: Reprodução

muito surpreendente. Estava preparado para qualquer coisa”. Após 10 anos na Europa e sem um motivo real definido, Wilson retorna ao Brasil. Ele explica que voltou por simples contingência; havia passado tempo demais fora, longe da família. Inicialmente, queria entrar na Universidade de Santa Maria, mas o aviso de um amigo o levou à Faculdade de Comunicação da UFBA. Montou, paralelamente, um grupo de discussão sobre cinema, onde desenvolveu um método de análise de filmes. Após algum tempo, saiu para fazer um pós-doutorado em cinema na Universidade de São Paulo.

“Há um tipo de aluno que não gosta de mim: são os que não gostam de estudar”.

Wilson no Facebook: milhares de seguidores

qual eu não tinha aula às quartas-feiras. Então, eu podia decidir ir ver as obras de Caravaggio. Ia a uns cinco ou seis lugares onde tinham quadros de Caravaggio. Ou podia escolher um pintor barroco e olhar todos os seus quadros ou poderia # passar a tarde toda na Capela SisA VIDA EM ROMA Apesar de já estina”. tar há mais de 20 anos na Bahia, declara que Roma foi uma grande CULTURA A leitura foi um prazer cidade na sua vida e reconhece sua inserido desde muito cedo na vida importância. “Roma foi muito inte- do jovem Wilson. Mesmo moranressante para mim. Eu tenho um do em uma fazenda afastada, onde apego pela cidade; foi onde vivi o a cidade mais próxima possuía, à final da adolescência, os primeiros época, cerca de 20 mil habitantes, namoros, essas coisas. Até hoje, ele lia constantemente. A figura sinto muitas saudades”. materna, segundo Wilson, contribuiu para isto, através da paixão A juventude foi como a de qualpor narrativas e literatura de corquer outro garoto. Wilson jogava del. Entre seus favoritos de hoje, bola, passeava nas praças da cidaestá Dostoiévski. “Eu lia bastante de e assistia a filmes nas chamadas quando era garoto, na Itália. Era um Cinematecas. O grande diferencial romance a cada três, quatro dias. era a rica carga cultural que um Acho Dostoiévski encantador...”. simples dia livre de lazer poderia proporcionar. Perambulando pelas Seu contato com a televisão foi ruas de Roma, era fácil deparar-se apenas a partir dos 15 anos, quancom grandes obras barrocas. “Eu do se mudou e teve a primeira exestudava em uma universidade na periência urbana. Hoje, declara-se

um fã de seriados de TV e não tem quaisquer preconceitos quanto à qualidade das coisas que consome. “Li Proust antes dos 20 anos; tenho direito de ver Big Brother quantas vezes eu quiser”, exclama ele. FUTURO Aos 50 anos, Wilson considera-se no auge profissional e deixa claro o quanto ama o que faz. Seu objetivo é lecionar e pesquisar por mais vinte verões. “Quero fazer mais do mesmo. Quero me dedicar à pesquisa, é o que eu gosto”. Ele acrescenta: “Meu projeto no momento, o que me move, que me emociona, é tocar esse centro de estudos avançados em Democracia Digital. É a brincadeira com a qual eu acho que vou me ocupar durante esses próximos 20 anos. Meu objetivo é torná-lo um laboratório de referência nacional na área”. Wilson sorri calmamente. Apesar da sutileza, é enfático ao dizer:“Para me tirarem daqui, só me expulsando. Só trocando a fechadura”. # Facom News 29


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#especial

Metamorfoses

Juliana Rodrigues

Bicicletário

Corrimão da escada

Grades da cantina

Os alunos, professores e funcionários são testemunhas disso: a Facom mudou bastante nos últimos meses. As edições anteriores do Facom News registraram diferentes momentos dessas mudanças. Agora, com a reforma chegando ao fim, nos encarregamos de mostrar pequenos detalhes da nossa "nova Facom", para além da Ala Nova: coisas que mudaram na Facom de sempre. Corrimão da rampa

Vista da varandinha

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Canteiro da entrada

Rampa de acesso

Espaço do porteiro


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