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#CaiuNaRede

o jornalismo digital é a fonte de informação mais reproduzida nas redes sociais

ENTREVISTA

INAUGURAÇÃO

TECNOLOGIA

Primeira mulher eleita para direção da Facom, Suzana Barbosa dá entrevista exclusiva.

Novo prédio fica pronto e muda visual da faculdade. Outro anexo deve ser construído.

Mapeamento das Wi-Fi’s de Salvador coloca Facom na linha de frente de pesquisas tecnológicas.


Facom News 2013.1 - Edição I

#editorial Chegamos ao final de um rápido, porém intenso processo. Fica a sensação de termos pulado um verdadeiro círculo de fogo. Dessa vez começamos pelo fim. O fim da ansiedade ao começo das aulas, depois de quase um mês de espera prolongada. E então veio o esboço de um começo a nossa vida jornalística. Entre muitos debates e dúvidas, para muitos dessa redação essa foi a primeira experiência com o fazer jornalístico, o que se mostrou trabalhoso, mas gratificante. Observamos de perto a finalização de outro processo: Depois de muitos “quase lá”, a sinfonia de marteladas, britadeiras e outros barulhos provenientes das obras de ampliação do prédio da Faculdade de Comunicação da UFBA, parece chegar ao fim. E com a finalização das obras, novos ambientes surgirão, novos espaços de socialização entre professores, funcionários e alunos, dando uma nova cara a faculdade. Acompanhamos, entre incertezas e novidades, uma mudança na forma de se fazer jornalismo. Será mesmo o fim desse jornalismo tradicional, impresso? Ainda não podemos afirmar nada, mas não por acaso você leitor, provavelmente está visualizando este boletim de notícias dos alunos do 1º semestre do curso de jornalismo da Facom, no seu computador, tablete ou smartphone. Nesses ciclos que se abrem e se fecham, esperamos que esses novos ares tragam novas perspectivas e claro, que você aprecie essa 1ª edição do Facom News, 2013.1.

EXPEDIENTE Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia Produto da disciplina de Oficina de Comunicação Escrita de Jornalismo 2012.2 Reitor da UFBA: Prof. Dora Leal Rosa Diretor da Facom: Prof. Giovandro Ferreira Professor responsável: Rosane Santana Editores-Chefe: Ednilson Sacramento, Julia Sarmento e Vitória Régia Editores: Gustavo Salgado, Lorena Morgana, Matheus Vianna, Mariana Gama Chefes de Reportagem: Eduardo Bittencourt (Acadêmico), Jasmin Chalegre (Facom-EnScène), Analú Ribeiro (FacomFaz), Gabriela Galeno(Infra) Repórteres: Amanda Liguori, Amanda Moreno, Ana Esther Gomes, Analú Ribeiro, Bruna Castelo Branco, Carla Silva, Clara Rellstab, Debora Rezende, Ednilson Sacramento, Eduardo Bittencourt, Gabriela Galeno, Gustavo Salgado, Jade Meireles Jasmin Chalegre, Maili Dias, Mariana Gama, Maurício Roque, Naiane Aline, Victória Régia, Vinícius Cardoso, Luis Silva Coordenador de fotografia: Maurício Roque e Clara Rellstab Repórteres fotográficos: Aline Valadares, Carolina Mayumi, Elisângela Souza e Priscila Silva Coordenador de diagramação: Filipe Moreira Diagramadores: Filipe Moreira Coordenadores do blog Facom News: Luis Silva, Carla Silva e Naiane Aline


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#acadêmico

Reforma Curricular está em Pauta na Facom Os professores prometem promover uma ampla discussão em relação à reforma curricular Vinícius Arnaut e Jéssica Alves A reforma curricular dos cursos de Jornalismo e Produção da Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia (Facom-UFBA) é um assunto que está em pauta. Ela poderá ampliar a ligação entre produção cultural e escolas de arte, e revisar a inclusão de disciplinas de outros campos como direito, economia e sociologia, essenciais para a formação jornalística.

acima da expectativa que se possa ter, e ela interfere no mercado de trabalho, no processo de produção de qualquer conteúdo. Então é preciso rever a utilização dessas novas mídias”. A professora Malu Fontes afirma que qualquer curso deve passar pelas suas respectivas readequações, no sentido de realinhamento às novas formas que o mundo

conduz as realidades profissionais. Porém, o processo de reforma é bastante burocrático. “Não tem só a ver com a universidade. Não se pode mexer nas estruturas curriculares dos cursos, sem passar por burocracias que estão ligadas ao Ministério da Educação,” observa Malu. Em meados destes 13 anos, houve, segundo a nova diretora eleita, Suzana Barbosa, que coordena a comissão

Existe toda uma conjuntura internacional, política e tecnológica, que contextualiza as reformas dos cursos de graduação, como aponta o professor Jonicael Cedraz que ensina há mais de 30 anos na Facom: “a questão tecnológica avança

Foto: Gabriela Galeno

A primeira assembleia, sobre a reforma pedagógica, foi discutida em 12 de junho deste ano. A última mudança realizada nos currículos data do ano 2000.


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que irá realizar a reforma do curso de jornalismo, um ajuste nas grades curriculares que não foi aprovada. Nesta possível reforma, Suzana Barbosa afirma que “é preciso trazer algumas disciplinas que faltam na formação dos alunos, e desativar algumas que não possuem mais lógica na grade curricular” As mudanças não ocorrerão apenas nas grades, pois a reforma trata de todos os itens do sistema pedagógico. Haverá modificações nas atividades complementares, que no caso de jornalismo, é necessário pensar as normas para o estágio obrigatório, se efetivamente isso acontecer. “Algumas

disciplinas

possuem

problemas na formação dos eixos, que precisam ficar mais delimitados. Há disciplinas que precisam ser inseridas, a exemplo de planejamento gráfico e fotojornalismo, que devem entrar como disciplinas obrigatórias, no curso de jornalismo. No curso de produção, há uma demanda de uma disciplina chamada Teoria da Cultura”. – Relata o coordenador do colegiado, professor Fábio Sadao. Opinião dos alunos e mudanças Os alunos da Facom possuem diversos posicionamentos em relação à formação dos dois cursos de graduação. Lucas Macêdo, estudante do curso de Produção, do sexto semestre, acha que “poderia haver um espaço maior para

a produção cultural no sentido administrativo e empresarial.” De acordo com o professor Leonardo Costa, coordenador da reforma do curso de Produção Cultural, “um dos problemas apontados é a inversão das oficinas de produção (COM133) e a de elaboração e planejamento de projetos culturais (COM136). Em relação às demandas, apontadas principalmente pelos alunos egressos do curso, é tentar ampliar a relação com as escolas de arte da UFBA, e outras áreas do conhecimento, como administração.” José Calasans, aluno de jornalismo do quarto semestre, disse: “eu costumava supor que teríamos aula de história e filosofia, e no currículo não existem essas disciplinas específicas, apesar de algumas abordarem superficialmente esses campos.” Anderson Ramos, também aluno de jornalismo do quarto semestre, diz que “não existe uma matéria de introdução, pelo menos a outras matérias como filosofia ou até mesmo alguma disciplina de língua portuguesa. Talvez seja uma questão da universidade”. O coordenador do colegiado Fábio Sadao aponta que disciplinas como direito, economia e outras foram retiradas da grade curricular obrigatória por uma decisão histórica de comum acordo entre alunos e professores, já que elas eram oferecidas através de ou-

Foto: Reprodução


Maurício Roque

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Perspectivas sobre à reforma Muitos alunos estão com perspectivas positivas em relação à reforma curricular, que é o caso de José Calasans, ao dizer que “é importante que os alunos possam debater e opinem sobre o assunto”. Para o ex-estudante da Facom, Antônio Luís Almada, “é preciso que os estudantes trabalhem para discutir o efeito dessa grade curricular, os resultados, positivos ou não, e se mobilizem.”

Foto: Vinicius Arnaut

Ex-aluno tros institutos. Havia disciplinas em que os horários coincidiam, ou duravam o dia todo. “Com os pedidos de demanda por estágio, não houve a imposição de retirada dessas matérias, que claro, podem ser revistas nesta reforma, mas de forma que fique claro a todos que o curso da Facom não irá se manter exclusivamente no horário matutino”, observa Sadao. A diretora Suzana Barbosa compartilha com a opinião do professor Fábio Sadao sobre a questão de que toda ideia pode ser revista na tomada das decisões. Teoria VS Prática A aluna de jornalismo do 4° semestre, Susana Rebouças, pensa que “temos muita matéria teórica e pouca prática.Na parte prática, aprendemos mais nos está-

gios do que na própria Facom”. Segundo o professor Fábio Sadao, ”a discussão sobre prática e teoria é feita em todos os cursos de comunicação, e que é equivocado fazer uma distinção entre os dois, pois ambas as formações são importantes, e os cursos de jornalismo e produção já possuem cargas de disciplinas práticas elevadas, sendo que as oficinas possuem 136 horas.” Para Alan Ramos, formado em jornalismo pela Facom e atualmente estudante de Produção cultural, “mais disciplinas práticas quanto ao uso correto dos equipamentos que envolvem a profissão (câmeras fotográficas, de televisão e cinema, ilha de edição, microfones, tripé, softwares de edição de áudio e vídeo, etc) são essenciais”.

Segundo Antônio Luís Almada, jornalista e ex-aluno da Facom, nos anos de 1969 a 1972, na sua época “a grade curricular correspondia a uma gama de conhecimentos ampla, indispensável para uma boa formação do jornalista.” Por exemplo, havia matérias de língua portuguesa, economia, direito, ética, história da arte, literatura brasileira, literatura portuguesa, psicologia social, dentre outras. Antônio Luís ainda relata que não pode afirmar algo em relação à Facom, devido a sua distância, mas tem conversado com muitos universitários, não só da Facom, mas também de outras faculdades, e chegou à conclusão que “está difícil ser um jornalista de primeira linha, que possa entrar numa redação de uma Estadão, de uma Veja, de um grande jornal do país.”


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IX ENECULT na UFBA IX ENECULT acontece em setembro na Universidade Federal da Bahia Amanda Moreno O Encontro de Estudos Multidisciplinares em Cultura (ENECULT), acontece em sua 9ª edição entre os dias 11 e 13 de setembro na Reitoria da UFBA. O Enecult promove palestras, mesas redondas e a interlocução entre centenas de pesquisadores, professores, estudantes universitários e profissionais vinculados ao campo cultural. A novidade este ano é que o evento apresenta três novos eixos temáticos para a submissão de trabalhos: Culturas e Infância; Culturas, Redes e Fluxos Globais; e Divulgação Cultural, Comunicação Estratégica e Cidadania. Neste ano, o evento traz para Salvador o cientista social australiano Toby Miller, a apresentação de 310 artigos em grupos de trabalho e seis mesas coordenadas. As políticas culturais do governo Dilma Rousseff é o tema da mesa redonda que encerra o ENECULT. A mesa terá a participação de Lia Calabre, Eloise Dellagnelo, Alexandre Barbalho e será coordenada pelo Secretário de Cultura da Bahia/IHAC-UFBA, Albino Rubim. O ENECULT é

promovido pelo Centro de Estudos Multidisciplinares (CULT) em conjunto com o Programa Multidisciplinar de Pós-Graduação em Cultura e Sociedade (Pós-Cultura), o Instituto de Humanidades, Artes e Ciências Professor Milton Santos (IHAC) e Facom. O professor da Facom, José Roberto Severino, ficará responsável pelo Eixo Temático “Culturas, Movimentos Migratórios e Territórios”. Severino é também pesquisador da CULT e fala sobre a importância de participar do evento: “O ENECULT, já em sua IX edição, apresenta um crescimento próprio de sua visibilidade e lugar no debate acadêmico, ele já faz parte do calendário acadêmico entre os eventos significativos sobre a pesquisa em cultura. Considero importante a participação dos acadêmicos de Comunicação no evento, tanto como público assistente, como através da produção, uma praxe no evento”. O evento também é uma boa

oportunidade para trabalhar. A caloura de jornalismo Laís Matos, de 18 anos, está prestando serviços de assessoria de imprensa desde o começo de agosto, e receberá uma bolsa de R$400 durante dois meses. “Estou um pouco apreensiva porque nunca trabalhei em assessoria de imprensa antes, eu espero atender as expectativas e ajudar no que posso”, afirma. O ENECULT tratará de temas, como o de Culturas Digitais; Culturas e América Latina; Culturas e Artes; Culturas e Desenvolvimentos; Culturas e Infância; Culturas e Narrativas Audiovisuais; Culturas e Mídias; Culturas e Músicas; Culturas, Movimentos Migratórios e Territórios; Culturas, Gêneros e Sexualidade; Culturas, Redes e Fluxos Globais; Culturas, Religiões e Etnicidade; Divulgação Cultural, Comunicação Estratégica e Cidadania; Formação, Gestão e Produção Cultural; Patrimônios Culturais e Memórias; e Políticas Culturais.


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Forma e Conteúdo Definem Cara do TCC Estudantes devem combinar forma e conteúdo na elaboração de TCCs Ednilson Sacramento Muitas são as fases de um percurso acadêmico que tiram o sono de estudantes, mas a construção do TCC é o verdadeiro pulo do gato. Descrita em 1855, essa forma de avaliação que por muito tempo foi chamada monografia, deu lugar ao Trabalho de Conclusão de Curso ou TCC. Ao chegar ao oitavo semestre, a FACOM oferece o componente curricular Desenvolvimento Orientado (COM 117), ministrado pela professora Annamaria Palácios, que recomenda: “a primeira dica é tentar quebrar a resistência em relação ao ato de pesquisar.A pesquisa é a melhor forma de se conhecer um fato, um fenômeno, algo que se quer compreender melhor”.

tiços e ocupações: a história da luta por moradia em Salvador”. Avaliando hoje, Caribé ressalta que a maior dificuldade foi falta a de compreensão sobre os processos metodológicos da construção histórica e suas relações com o jornalismo e confessa: “tive erros na narrativa jornalística. Me preocupei muito com a apuração, e menos do que deveria com o formato e outras questões do texto”.

A professora diz que o estudante em vias de formar-se deve aproveitar a oportunidade para realizar uma busca sistemática pela compreensão de algo que queira entender melhor. Isso lhe dará mais segurança e maior vão de ação na pesquisa.

Nesse aspecto, Annamaria Palácios aconselha ao estudante que busque fazer a incorporação de outras fontes, rever os TCCs já realizados na faculdade, para representar uma prática de reconhecimento pelos caminhos já trilhados por ex-colegas, e um mecanismo de mais visibilidade ao acervo já existente. O acesso pode ser feito pela Biblioteca Central ou no site da Facom http:// www.facom.ufba.br/ portal/academico/producao-cientifica/

Cursando Jornalismo desde 2007, Pedro Caribé, 29, defendeu seu TCC com o tema “Quilombo, cor-

Depois de ter apresentado sua dissertação em fevereiro deste ano,

com o tema: “Revistas em formatos digitais”, Tatiana Dourado, 28, atesta que procurou seguir o manual: “ não acho que houve erros. Em uma pesquisa você tem que fazer escolhas bem fundamentadas e defendê-las”. Por outro lado, considera que deveria ter dado mais atenção a duas seções: resultados e a conclusão. Neste particular, a estudante pondera que se pudesse revisar novamente, procuraria enriquecer a conclusão com mais reflexões e/ou outros detalhes que não foram abordados.

Foto: Elizângela Neves


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#capa

Brasil Lidera Leitura

Jornalismo digital lidera fontes de notícias compartilhadas em redes socia

Vitória R

Uma pesquisa do Instituto Datafolha de 03 de julho, por exemplo, aponta que o jornalismo profissional foi o conteúdo mais compartilhado durante os protestos em junho, fato destacado por Rosental Calmon Alves, diretor do Centro Knight para o Jornalismo nas Américas do Texas: “o movimento se nutre do jornalismo”. Especialistas destas instituições de pesquisas explicam que o compartilhamento social de notícias serve de embasamento das informações entre internautas, meio de auto-expressão, além de revelar o papel estratégico que a imprensa ocupou.

Os professores da Facom/UFBA Marcos Palácios e Suzana Barbosa, pesquisadores do Jornalismo Digital, instados sobre a possibilidade dos últimos eventos reforçarem a teoria do cientista norte-americano Robert Putnam - baseada na ideia de que nas regiões onde há maior índice de leitura também haveria maior índice de participação e de civismo- concordaram que ainda é cedo para fazer a correlação entre maior acessibilidade dos sites jornalísticos com os movimentos e manifestações de rua, pois o assunto precisa ser mais investigado. “Fazer correla-

ções muito rápidas e diretas não é uma atitude academicamente saudável”, ressalta Marcos. Para Palácios “as redes sociais funcionam como formas de mobilizar, de organizar, de chamamento e de agregação para manifestações em torno de tópicos. Mesmo isso é preciso tomar um certo de cuidado. Quando a gente olha para diferentes realidades, o papel que estas redes têm nas manifestações e na participação política de cidadãos também é muito variável”. E prossegue citando que “no Irã por exemplo, as redes sociais ti-

Foto: Reprodução

Pesquisas de organismos internacionais, como o Reuters Institute, Pew Research Institute e Ibope Net View, divulgadas em julho deste ano, pelo jornal “Folha de São Paulo, colocaram o Brasil na dianteira mundial do compartilhamento de notícias pelas redes sociais, especialmente o Facebook. O ato de compartilhar, curtir, retuitar fez com que as redes sociais dessem mais audiência a sites de jornais como Folha, UOL, Globo no auge das manifestações de rua no país.


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a de Jornais Na Rede

ais e atesta a credibilidade da informação jornalística em todo o mundo

Régia veram um papel importante nas mobilizações em termos de projeção externa do conflito que estava acontecendo lá. Elas funcionaram muito mais como uma forma de deixar que as pessoas de fora soubessem o que acontecia do que de elemento de mobilização. O acesso às redes lá é muito mais restrito, o governo controla a internet. Então o papel mobilizador das redes lá é diferente, muito menor do que aqui, mas elas funcionaram levando para o exterior as mensagens de quem não podia se exprimir porque havia censura, etc”.

internet e os sites jornalísticos chegaram aqui em 95, muitos desconfiaram, não houve investimento forte. Depois, as organizações jornalísticas que só atuavam com produto impresso, tiveram que abrir, fazer investimentos nos seus sites e cada vez se percebe mais isso com a cobrança de conteúdos digitais para leitura em plataformas móveis como o sistema andróide. “Estamos neste momento, dessa diversificação de produtos multiplataformas, da readequação das equipes jornalísticas, de reestruturação das grandes empresas como a

A professora Suzana observa que, de fato, este aumento de acesso virtual às notícias nunca foi registrado antes e justifica que, com a expansão de variados dispositivos como smartphones, ipads, iphones e tablets, o uso mais extensivo das tecnologias pode se refletir numa mudança cultural trazendo os componentes do engajamento, da motivação. Essa diversificação chamada de distribuição multiplataforma, explica Barbosa, foi se impondo aos poucos porque quando a

Foto: Reprodução

própria Folha e o Estado de São Paulo”. De acordo com uma pesquisa da Universidade de Columbia, EUA, lembra, “não dá para essas organizações pensarem que estamos num período do jornal pós industrial tão somente”. Na era da Convergência Jornalística, prevista por Henry Jenkins, ao tempo em que tudo é contínuo, complexo e desafiador, vemos surgir o empreededorismo de jovens jornalistas que estão se tornando marcas fortes no jornalismo mais independente.


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#facom-en-scène

CineFacom Vira Pr

Alunos de Produção Cultural experim

Mauríc Criado com o objetivo de mostrar a produção audiovisual feita pelos alunos da UFBA, o CineFacom ganha um novo impulso ao se tornar um Projeto de Extensão contemplado no Edital PROEXT/ Eventos 2013. Além do apoio financeiro, a iniciativa surge como meio de dar vida longa ao projeto. A finalidade do CineFacom é promover o debate e exibição dos produtos audiovisuais dos estudantes da UFBA, sempre com a presença de um professor como mediador. O CineFacom é promovido pelo Centro Acadêmico Vladimir Herzog da Faculdade de Comunicação e acontece, quinzenalmente, as quartas-feiras, no Auditório da Facom às 19:00 hs. Os filmes devem ter até quinze minutos e a mostra acontece em dois modelos, como explica Valdíria Souza, produtora executiva do projeto, uma mostra somente com os trabalhos dos alunos e outra especial com um filme ou tema especifico. Na mostra realizada excepcionalmente no dia primeiro de agosto, com a temática do cinema documentário, o público contou com a presença do professor Roberto Franke, coordenador do Laboratório Audiovisual em Saúde e Meio Ambiente da Escola de Medicina Veterinária e Zootecnia Foto: Maurício Roque


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rojeto de Extensão

mentam prática profissional produzindo

cio Roque Torto, e “Fé e “Fim de Feira”, de Regina Célia. Para os alunos, o evento serve como maneira de exibir seus projetos, como destaca Talita Cerqueira, estudante de Produção Cultural: “a intenção é fazer os filmes e exibí-los, independente de ser em festivais, ou seminários. O importante é que todos vejam”, finaliza a estudante. Já a estudante de Jornalismo Vitoria Régia, vê no projeto uma forma de auto avaliar sua produção.

Com a entrada do CineFacom como atividade de extensão, a partir de agosto de 2013, aumenta o raio de atuação do projeto, que agora abrange toda a universidade, relata Valdíria. Haverá também a emissão de certificados para os participantes e equipe de produção, além de uma verba para divulgação e logística do evento, segundo ela. O próximo evento está previsto para o dia 28 de agosto com a exibição do longa de animação “Rito de Passagem” e a presença do diretor baiano Chico Liberato. Foto: Maurício Roque

Maurício Roque

da UFBA, como mediador. Para o professor, é um ato de coragem para os diretores dos filmes correr atrás de uma ideia e realizá-la. Dentro do gênero documentário as produções foram de temática variada, os filmes exibidos na noite foram “Despossessão”, dirigido por Rogério Vilaronga; “Casa Clô”, de Vitória Régia; “Comun Identidade”, de Gelson Moura; “Luzes e Sons na Feira de São Joaquim”, com a direção de Talita Cerqueira; “Marcha das Vadias”, da autoria do grupo Corvo


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Luz, câmera e criticidade Cinema atual como “Pipoca e Circo”

Jasmin Chalegre e Gustavo Salgado

Maurício Roque

Foto: Priscila Silva

nacional e acreditava no potencial da cinematografia do país. Gostava da terra, e de filmes direcionados a este contexto”, ainda indicou que o crítico não ficaria satisfeito com o novo cinema nacional, já que este é um cinema pão e circo, voltado só para diversão. Pipoca e circo – Hoje o acesso ao cinema é muito maior e, além das tradicionais sessões, pode-se assistir aos filmes em DVD, Blu-Ray, ou “baixá-los” pela internet. Contexto totalmente diferente da “época de ouro” do cinema brasileiro e baiano, as décadas de 50 e 60”.

O projeto “Quartas Baianas” homenageou Walter Raulino da Silveira, crítico baiano de cinema, no mês de julho. A iniciativa tem como foco resgatar e valorizar a produção audiovisual baiana e promoveu na sala da biblioteca pública estadual dos Barris, que leva o seu nome, filmes em que Walter participou em cena como figurante e contribuiu com suas críticas de cinema. Segundo o professor, André Setaro, da UFBA, Walter é ainda hoje o maior critico de cinema que a Bahia já teve. Além de advogado dos operários e favelados, professor, crítico, ensaísta, pesquisador, cineclubista, foi um dos mais lúdi-

André Setaro observa que o monopólio do cinema nacional pelas cos e ativos teóricos do cinema. mãos de multinacionais exclui o cinema alternativo. E diz que “os Para o professor, ele proporcio- filmes que são vistos são os de nava ao público que frequentava pior linguagem possível, linguasuas sessões de filmes eruditos e gem televisiva. A maioria dessas de validade artística, no cinema produções, feitas pela Globo, não Guarany (hoje Glauber Rocha), são cinematográficas”. não só o prazer de assistir um filme, mas de ver uma obra de arte “Minha Mãe é uma Peça - O Filme” e debater sobre esta. (2013), ainda em cartaz, ultrapassa os quatro milhões de espectaAndré Setaro ainda pontuou a im- dores, competindo em termos de portância de Silveira na formação arrecadação e audiência com o de diversos críticos de cinema, cinema estrangeiro (que domina o ou de intelectuais da área, den- mercado consumidor). “O cinema tre eles Guido Araújo e Paulo Gil nacional possui um maior público, Soares, e afirmou que ele foi o maior qualidade técnica e menor mestre de Glauber Rocha. “Walter valor estético”, afirma Setaro, que informava e formava os seus dis- se diz triste com o panorama cinecípulos, ele valorizava o cenário matográfico brasileiro atual.


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Produtora Jr. realiza Oficina Musical Oficina terá duas partes: teórica e prática

A escolha do tema deste ano surgiu porque o cenário musical ainda é muito amador, explica Larissa Novais, responsável pelo evento. Segundo ela, a maior demanda do mercado é profissionalização. Por conta dessas questões, a oficina busca aliar teoria e prática para um maior aprendizado dos participantes. Com um número limitado de vagas, a oficina contou com 20 inscritos, que receberam certificado. Além das discussões teóricas, o evento teve seu encerramento no dia 07 de agosto no “Groove” estúdio. Localizado no Jardim Armação, o estúdio já foi responsável por trabalhos de grandes nomes do axé, como Ivete Sangalo, Carlinhos Brown, Daniela Mercury, entre outros. “Esse ano inovamos porque a oficina sai da FACOM e leva a prática pra um ambiente profissional e reconhecido”, comenta Larissa. O estúdio veio como um reforço

para a oficina não centrar só no campo teórico e a busca foi por um local de referência na área musical. Segundo a responsável pela oficina, a parceria ainda é nova e não se sabe se poderá ocorrer em outras ocasiões, mas Larissa se mostra otimista e afirma que estão fazendo o trabalho da melhor maneira para que os resultados sejam bons. A oficina teórica foi mediada pelas palestrantes Anna Camila e Edmilia Barros. A primeira é responsável pela empresa Anna Camila - Co-

Foto: Gabriela Galeno

A produção musical baiana foi tema da 5ª Oficina de Produção Cultural realizada na UFBA (Facom), nos dias 26 e 27 de julho. O evento organizado pela Produtora Junior tratou de assuntos que darão um maior embasamento teórico para os interessados na área.

Analú Ribeiro e Clara Rellstab municação & Cultura. Desde 2009 atua na área de assessoria de imprensa de produtos culturais e produção cultural, ambos com foco na música independente. A segunda é produtora executiva com experiência em vários festivais da Bahia, a exemplo da Flica, Santo Antônio Jazz Festival, Intercenas Musicais e Festival Lado BA, entre outros. Já a parte prática será ministrada por Daniel Reis, que já participou de projetos com artistas consagrados do cenário musical baiano, como Claudia Leitte, Banda Eva, Olodum, entre outros.


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#facom-faz

SEMANA DO CALOURO

A casa é sua Semana do Calouro recepciona novos alunos e deixa saudades Ana Esther Gomes e Mariana Gama Uma semana para dar boas vindas aos novos integrantes da Academia. Esse é um dos principais objetivos da Semana do Calouro, evento no início de cada semestre.

semana do calouro 2013.1.”

Outra colaboradora foi Valdiria Souza, estudante de Produção Cultural e membro do Centro Acadêmico Vladimir Herzog, “Os apoios mais efetivos foram da Neste ano houve palestras so- Produtora Junior que organiza o bre a democratização do es- ‘Quinta Aqui’ e ficou responsável paço de fala, gincana e apre- pela Gincana. sentações das instâncias da Facom, que em parceria com a A Agência Experimental, que fiDiretoria estiveram à frente da cou responsável pela Agenciação organização doevento. Larissa na sexta-feira, ajudou trazendo Novais, terceiro semestre do bandas, feijoada, etc. O CCDC curso de Produção Cultural, (O Centro de Comunicação, integrou a comissão organiza- Democracia e Cidadania) tamdora dessa edição, “Minha se- bém deu todo apoio logístico”. mana do calouro, 2012.1, foi sensacional, percebo que a semana do calouro, quando bem feita, é o momento que une as pessoas e faz o calouro se sentir parte da Facom, eu me senti bem acolhida e foi muito bom ver toda a preparação que fizeram pra gente, “Eu realmente gostei de tudo que passei e queria retribuir um pouco disso para as pessoas, então resolvi participar da Foto: Corvo Torto

Com relação à definição dos temas abordados nos debates e palestras, apresentação das instâncias da Facom, Valdiria esclarece:“nada é feito de forma aleatória. Quanto às apresentações das instâncias isso é uma coisa pré-acordada com todos, tem o objetivo de apresentar a Facom aos novos ‘faconianos’. Quanto às palestras no caso do Seminário de Comunicação e Cultura na Roda, por exemplo, é trazer um tema da atualidade relacionado à comunicação e a cultura, afinal é o curso que nós estamos fazendo”.


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Estela Marques, terceiro semestre de Jornalismo, não participou da Semana do Calouro e fala o quanto ela sentiu falta, “Entrei no primeiro semestre de 2012, na lista de terceira chamada, por isso não tive semana do calouro. Fiquei chateada por não ter participado, pois acho esse evento muito importante para recepção e inclusão dos calouros na comunidade da Facom”. A partir daí, pode-se perceber que a semana do calouro não apenas promove integração, mas também interação entre os novos alunos e os veteranos. Para a estudante Gabriela Galeno, primeiro semestre de Jornalismo, o ponto alto do evento foi a apresentação das atividades extracurriculares: “achei interessante no que diz respeito à apresentação dos projetos que

a faculdade tem, das instâncias como a Produtora Jr., Agência Experimental, LabFoto. A gente não conhecia, então isso deu uma visão muito legal do que era, como funcionava, como fazer para participar. Normalmente quando a gente entra na faculdade é isso que buscamos, fazer alguma coisa”.Atualmente ela participa da Produtora Júnior. Já a estudante Ailma Teixeira, segundo semestre de Jornalismo, conta que sua experiência foi um pouco mais formal e, por isso, não considera a Semana significante para o inicio de sua vida acadêmica: “entrei em 2012.2, minha semana do calouro tinha toda a parte formal, de apresentação da faculdade, corpo docente, departamentos, instâncias, mas faltava interação, diversão. A nossa gincana foi online, o que

não foi legal. Eu senti muita falta de ter veteranos para nos recepcionar, sei que no primeiro semestre desse mesmo ano houve uma festinha na sexta-feira, uma integração bacana, enquanto no nosso apesar de ter a banda e uns poucos veteranos, a maioria foi embora e não teve animação nenhuma”. Lorena Marques, primeiro semestre de Jornalismo, sentiu falta de maiores explicações sobre os departamentos da faculdade e os próprios espaços da Facom:“faltou uma explicaçãomaior da universidade mesmo. O que é a Facom? Como ela surgiu? Os espaços lúdicos, como a varandinha. Isso para você se sentir “faconiano” mesmo. Despertar o sentimento de pertencer a esse lugar. Seria válida a explicação dos departamentos, como secretariado, colegiado. A abordagem sobre intercâmbios também é importante, pois acredito que muitos alunos, como eu, tem interesse nessas informações. O próximo semestre, 2013.2, se aproxima e mais uma Semana do Calouro será organizada com responsabilidade e dedicação para alcançar o êxito almejado: dar um abraço bem grande, caloroso e apertado de boas-vindas na calourada que está chegando; com aquele jeitinho assim, faconiano.

Foto: Corvo Torto


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Grupo da UFBA mapeia Wi-Fi’s em Salvador A ferramenta será disponibilizada gratuitamente para a população Ana Esther Gomes Ocorreu na quarta-feira, 31 de Julho, no auditório da UFBA o lançamento do aplicativo “W i F i S a l v a d o r ”, d e s e n v o l v i d o pelo (LAB 404) Laboratório de Pesquisa em Mídia Digital, Redes e Espaço. A ferramenta mapeia os pontos de Wi-Fi em Salvador, através do GPS de Smartphone. O projeto idealizado pelo professor e pesquisador André Lemos originou-se de outro trabalho, fruto do Grupo de pesquisa LAB 404, coordenado por ele. “Esse aplicativo é uma consequência de um projeto que a gente começou em 2007”, explica André. Apesar disso, os assuntos referentes ao espaço urbano móvel ocupam a pauta do LAB 404, desde 2000, mas só “agora, em 2013, nós ganhamos um edital da Secretaria de Cultura.” A ideia inicial era apontar as possibilidades de conexão à internet sem fio e ajudar a localizar sinais de Wi-Fi distribuídos pela cidade. Para tanto, a equipe traçou um mapeamento dos pontos de acesso à internet sem fio em diversos bairros, baseando-se num banco de dados com mais de 150 locais. “Dentro do laboratório nós começamos a fazer o mapeamen-

to das zonas Wi-Fi Salvador.” O aplicativo apresenta-se como um meio alternativo de acesso à web, como ressalta o professor André: “quem não quer usar o seu 3G pode acessar os pontos Wi-Fi na cidade. Usando um Smartphone, você tem uma localização via GPS que mostra os pontos que estão próximos por categoria café, restaurante, escola...”- explica – “e você pode também fazer um uso seja com o TouchScreem ou então clicar numa aba que é uma lista de sinais que estão mais perto.” O W i - F i Salvador será disponibilizado gra-

tuitamente para a população, atingindo de modo satisfatório o objetivo da equipe de “oferecer um produto que possa ser útil a outras pessoas”. No lançamento foram expostas a história e desenvolvimento do


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aplicativo, suas funcionalidades, além de outra versão do mesmo. Realizaram-se também, duas palestras, ministradas por Lemos, “Cidade Algoritmo”, e pelo professor, mestre em comunicação, Fabio Malini, “Cartografia de Controvérsias”. As palestras abordaram, respectivamente, relações entre as tecnologias de informação e o espaço urbano, e temas polêmicos que são discutidos na esfera cibernética. Possíveis parceiros

A professora da Oficina de Jornalismo Digital, Suzana Barbosa, acompanhou parte do processo de desenvolvimento do Wi-Fi Salvador, e compareceu ao seu lançamento: “Sou pesquisadora na área de jornalismo e redes digitais do [GJOL] - Grupo de Pesquisa do Jornalismo Online e coordenadora do Laboratório de Jornalismo Convergente. Muitos desses projetos da gente dialogam com essa experiência que o pessoal aqui do grupo está tendo”, ressalta, acrescetando que “nosso projeto, que

é coordenado por mim e pela professora Lia Seixas, tem uma parte de pesquisa teórico-conceitual, e nessa quarta e última etapa, tambem prevê a pesquisa aplicada que é o desenvolvimento de um aplicativo, mas que será um aplicativo jornalístico pra tablets”. Sobre a relevância e aderência do Wi-Fi Salvador na comunidade soteropolitana, Suzana ressalta: “acho que demonstra, sobretudo, a referência da Faculdade de Comunicação nessa área de desenvolvimento [...]”


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Não Tão Certos Alunos da Facom mostram suas incertezas com os cursos escolhidos no vestibular Analú Ribeiro e Debora Rezende

Problemas de reconhecimento da área de humanas no mercado de trabalho, direcionamento do curso e afinidade com outros campos de estudo são apenas alguns dos fatores que os alunos da Facom indicam como determinantes para as dúvidas sobre permanecer ou não na faculdade. Segundo Sueli Fontes, secretária do colegiado, a procura por informações sobre transferência é muito grande. Seis processos de desistência já foram abertos só nesse semestre. Fernando Portela, 20 anos, entrou no curso de Jornalismo no começo do período. Poucos meses depois, no entanto, passou para a área de psicologia. “Eu decidi sair muito mais por uma vontade em me aprofundar nos estudos da psicologia do que por não gostar do curso”, explica. A satisfação com o primeiro curso, porém, não é um panorama geral.

Muitos alunos acabam se desiludindo no decorrer da graduação, como é o caso de Ruth Hirte, estudante do 4º semestre de Produção Cultural. “Eu não consegui me ver trabalhando na área

Foto: Carolina Mayumi

As dúvidas sobre a carreira profissional acompanham milhares de alunos todos os dias. Escolhidos cursos e áreas, no entanto, era de se esperar que a fase da incerteza passasse após o vestibular. Muito pelo contrário. Os questionamentos continuam mesmo depois da aprovação. Para os alunos da Facom, isso não poderia ser diferente.

de produção. Fora que a grade do curso não ajuda muito e te deixa meio perdido, pois o maior foco é em jornalismo”, explica. “Vou tentar transferência para Relações Públicas”.


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E as questões que desestimulam os estudantes não param por aí. Para os futuros jornalistas, a não obrigatoriedade do diploma no exercício da profissão é algo que incentiva uma possível troca de curso. Para a aluna do 1º semestre, Lorena Brandão, 19, essa é uma questão que diminui muito o valor tanto do curso como do profissional e ressalta o favorecimento que há na área, onde muitos que trabalham nos veículos

nem sempre são graduados e, em contra partida, vários graduados se encontram desempregados. “A gente tem que estudar bastante e pessoas que não tem a mesma bagagem estão fazendo sucesso” comenta. Dados de uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no ano passado, revelaram que entre as 10 profissões menos rentáveis no Brasil,

em 9º lugar estava o jornalismo. Quando indagada a respeito disso, Lorena se mostra indignada, pois segundo ela a sociedade necessita do jornalista, mas não legitima o seu valor. Os ditos “calouros” parecem não estar tão certos de suas decisões. Além de Lorena, sua colega Jasmin Chalegre demonstra ter inúmeras dúvidas em relação ao curso. Em entrevista, a aluna descreve um conjunto de reflexões que está tendo. Por um lado ela nutria o sonho de poder escrever livremente, falar sempre a verdade, e tem visto que a prática não é bem assim. Em contrapartida, ela ainda possui dúvidas a respeito de sua vocação profissional. “Não acho o curso ruim, não. Ele é ótimo, mas será que eu me enquadro?” Muitos alunos, por outro lado, estão completamente certos de sua escolha na área de comunicação. Carla Silva e Vinicius Gericó, também alunos do 1º semestre do curso de Jornalismo, se formaram em Relações Públicas na Universidade Estadual da Bahia (UNEB) antes de ingressar na Facom. Tendo contato com a profissão durante a primeira graduação, eles contam que não têm nenhuma dúvida sobre estar no curso certo. “Fui conhecendo a profissão e fui me apaixonando”, diz Vinicius. Dúvidas à parte, é importante se sentir bem com o curso escolhido. A mudança em muitos casos é inevitável, mas é preciso cautela e discernimento para seguir em frente ou mudar de direção.


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Eu Uso Óculos Alunos da Facom mostram o estilo de suas armações

Carolina Mayumi e Debora Rezende

Os motivos que levam os estudantes a escolherem seus óculos são diversos. Faixa de preço, estilo e individualidade são alguns dos fatores mais presentes. Segundo Renato Costa, 21 anos, aluno do 5º semestre de Produção Cultural, seu óculos passa uma noção clara de sua identidade. “Criatividade”, responde sobre o que sua armação diz de si mesmo. “Nessa nossa área de comunicação, ainda mais em publicidade, esse tipo de óculos Wayfarer é um símbolo, uma marca”, completa. Enquanto uns escolhem aleatoriamente o modelo dos óculos, outros já pesquisam mais a respeito. Carla Silva, 23 anos, do 1° semestre de Jornalismo, diz que antes de comprar seus óculos procurou por diferentes opções. “Fiz muita

Mas nem todos os modelos de óculos que circulam pela Facom são produto de uma pesquisa minuciosa. Muitos estudantes vão às lojas sem ter uma ideia fixa do que querem usar. Outros, como é o caso de Luana Amaral, 23, aluna do 5º semestre de Jornalismo, a escolha da armação acaba sendo um improviso para suprir a necessidade. “Eu perdi meus óculos”, explica. “Essa armação é uma reserva e eu odeio”. Dentro ou fora dos muros da Facom, os óculos de grau nunca tiveram um poder tão grande de expressividade. O acessório – por capricho ou necessidade – acaba passando uma imagem da personalidade do usuário, seja uma escolha aleatória ou fruto de uma pesquisa mais detalhada.

Foto: Carolina Mayumi

Ser míope nunca foi mais estiloso do que nos dias atuais: hoje, usar óculos não é sinônimo de caretice. A tendência agora é usar modelos que componham o look, demonstrando personalidade e bom gosto. Os óculos não são mais pura necessidade, são também um acessório de estilo.

pesquisa”, conta. “Eu dou preferência aos óculos diferentes”. Segundo Carla, os óculos devem expressar a originalidade.

Carolina Mayumi

Coloridos, grandes, pequenos e estampados, os óculos exibidos pelos alunos da Facom, diariamente nos corredores, são mais uma prova do estilo alternativo e moderno dos estudantes.


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Memórias Da Varandinha O local mais icônico da faculdade será, temporariamente, interditado Lorena Morgana nas últimas semanas, estudantes da FACOM levantaram uma campanha para revitalizar o espaço, pois, enquanto a reforma não se concretiza, a Varandinha acabou ficando O espaço repleto de frases re- um pouco abandonada. flexivas, poemas, citações polêmicas, cartazes e desenhos Personalidades de destaque é onde alunos de Jornalismo e que já frequentaram o espaProdução Cultural se encontram ço: Wagner Moura (ator, canpara conversar e descontrair um tor e jornalista), Jean Willys pouco do clima acadêmico mais (político, jornalista e escriformal que a universidade pos- tor), Rosana Jatobá (jornasui. lista) e Uziel Bueno (político, apresentador e jornalista). A Varandinha já sediou inúmeros eventos. Dentre eles, é rele- Existe um documentário feito vante citar o ENECOM 2006 (que pela turma de 2005 do jornacontou com a presença de mais lista Emmanuel Mirdad que de mil pessoas), o VIBRACOM fala um pouco das percepem 2009 e 2010, além das “lava- ções e experiências dos alugens” nas calourosas e interven- nos da época na Varandinha. ções artísticas. O documentário chama-se “Varandinha – Comédia e No último período, o local qua- Refúgio”. se foi interditado por conta da reforma que está ocorrendo na faculdade. Os estudantes se mobilizaram e reivindicaram que o local permanecesse “livre”. O que os faconianos conseguiram foi retardar o processo, mas, o fechamento da Varandinha é inevitável, considerando que a estrutura da Facom será modificada. Enquanto isso não acontece,

Foto: Aline Valadares

A Varandinha é um local de destaque dentro da FACOM. Além de ser um espaço de socialização, os alunos consideram-na como a “marca” da faculdade.


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Foto: Clara Resllstab

#infra


Facom News 2013.1 - Edição I

Novo Prédio da Facom Fica Pronto A construção do novo prédio da Facom chega ao fim. Gabriela Galeno e Julia Sarmento Depois de uma longa espera, atrasos na obra e imprevistos, a construção do novo prédio da Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia (Facom-UFBA) chega ao fim. Com custo estimado em aproximadamente 2,6 milhões, o novo prédio veio para sanar necessidades e reivindicações antigas dos alunos. Mas o que mudará com a chegada desse novo ambiente? O diretor da faculdade, Giovandro Ferreira, explica que a necessidade do novo prédio é decorrente da grande demanda de alunos e atividades. Além dos cursos de Jornalismo, Produção Cultural e a pós-graduação, o prédio também sedia agora aulas de cinema e atividades dos cursos de idiomas oferecidos pela UFBA. Com o novo anexo, uma reorganização de salas ocorrerá e a faculdade terá uma cara nova. As instâncias que ficam no primeiro andar, assim como a parte administrativa irão para a nova área. Com três andares, o novo prédio abrigará ainda laboratórios de rádio e fotografia. Um refeitório, vestiário e jardim interno também estão entre os novos ambientes da obra.

Mudanças

nova diretora, Suzana Barbosa, e um aluno do CA irão fazer uma O anexo abrigará o Programa vistoria na obra para analisar o de Educação Tutorial (PET), resultado final. Ele ainda brinca Centro Acadêmico e a Produtora com uma possível cerimônia para Júnior que ganharão no- inaugurar o novo anexo: “Espero vas salas no primeiro andar. que seja antes que meu mandato A Chefia de Departamento, acabe!”. Chefia de Colegiado, Secretária Administrativa, Contabilidade e A verba da obra veio através do Diretoria também migrarão para Programa de Apoio a Planos de o mesmo piso. Já no segundo an- Reestruturação e Expansão das dar, uma grande área foi separa- Universidades Federais (Reuni), da para o Centro de Comunicação, assim como de emendas parlaDemocracia e Cidadania (CCDC). mentares e de editais do Fundo de Infraestrutura criado para viabiliTambém será montado um labora- zar a modernização e ampliação tório com computadores para livre da infraestrutura e dos serviços acesso, pois a demanda por eles de apoio à pesquisa desenvolvida é muito grande. O terceiro andar em instituições públicas de ensino sediará o LabFoto, LabRádio e o superior e de pesquisas brasileiras gabinete dos professores. Contará (CT- Infra). ainda com duas salas do LabJor. Acessibilidade A previsão é de que a antiga Facom passará por uma reforma, Perguntado sobre as adaptações depois da entrega da obra. É pre- para acessibilidade, Giovandro exvista uma reforma na cantina e na plica que a obra estará dentro da fachada da faculdade. Uma rampa nova lei de acessibilidade. Os eleserá feita na entrada para facilitar vadores, no entanto, ainda são um o acesso. A intenção é que a esca- problema: “a licitação é da admida frontal seja mais utilizada. nistração central, não é algo que depende da gente, mas, sim, deO diretor explica que uma comis- les. Não sei quando ficarão pronsão formada por representantes tos”. da administração, professores, a A lei 10.098 estabelece normas


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gerais e critérios básicos para a promoção da acessibilidade das pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida em vias e espaços públicos. Isto obriga a Facom, como prédio público, a tornar suas instalações acessíveis. A ampliação proposta em 2011 previa a criação de um prédio sem barreiras para pessoas portadoras de algum tipo de deficiência, foi o que nos disse o atual diretor da Facom, Giovandro Ferreira. “Há alguns anos atrás tivemos um aluno cadeirante, que toda vez que tinha que descer de um andar para o outro os colegas tinham que descer sua cadeira”, disse ele.

Elevadores A obra para a colocação dos elevadores era para ter sido concluída

em novembro de 2011, mas por problemas na estrutura do prédio não foram feitas. O atual prédio era o refeitório universitário, o fosso para os elevadores foi construído nessa época e os elevadores desde então não foram colocados. Essa obra, que não diz respeito à administração da Facom e, sim, a central da UFBA, não tem previsão para ocorrer. Atualmente a Facom recebe um aluno com deficiência visual, Ednilson Sacramento, que em entrevista nos relatou que o que dificulta a sua mobilidade na Facom é a falta de sinalização tátil, mas que com a ajuda dos colegas ele tem conseguido driblar essas dificuldades.

Foto: Maurício Roque

Passarelas de acesso, banheiros

adaptados, corrimão nas escadas, são algumas das modificações que estão sendo feitas na ampliação e reforma da faculdade. “A atual entrada da Facom tem uma rampa que é muito íngreme para um cadeirante, isso não torna acessível sua entrada”, relata Giovandro pouco antes de se referir à construção de uma passarela que irá tornar a porta de entrada da universidade acessível a todos. As escadas que estão sendo construídas e as atuais também terão corrimão, para ajudar no acesso às instalações.

Operários fazem reforma da rampa da Facom.


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NovoAnexoSeráConstruído Antigo prédio também será reformado e melhorias estão a caminho Amanda Liguori, Bruna Castelo Brando, Laís Matos e Maili Dias As atuais instalações da Faculdade de Comunicação da UFBA, que necessitam de manutenção, também serão reformadas e há previsão de construção de um novo anexo no local, segundo o diretor Giovandro Ferreira. O empreendimento, no entanto, ainda depende de arrecadação de verbas para a licitação dos projetos, já que o novo prédio precisa de uma quantia em torno de R$ 2 milhões de reais e somente R$ 1,3milhão foram captados. Essas obras visam a constante melhoria da Facom, entretanto, muitos dos problemas atuais dependem da inauguração do novo prédio e da conservação do atual. O que evita, porém, que os serviços de manutenção ocorram no tempo em que são solicitados é o fato de serem feitos ou até mesmo terceirizados pela UFBA, limitando a Facom na resolução da maioria dos problemas. Problemas As principais queixas que chegam à direção, segundo Ferreira, são relacionadas ao banheiro perto da cantina e à falta de impressoras. Já em uma pesquisa realizada pelo Centro Acadêmico (C.A), em fevereiro, sete entre 13 estudantes levantaram a questão dos bebe-

Foto: Reprodução

douros, criticados por não funcionarem devidamente. Outros empecilhos ainda são apontados pelos alunos: “antes, tinham Wi-Fi específicos para cada área da Facom. Agora só existe a rede ‘UFBA-Visitante’, que nem sempre conseguimos sinal e a conexão cai várias vezes”, ressalta Diego Yu, estudante de Jornalismo da Facom. Os professores muitas vezes também têm suas aulas prejudicadas por alguns problemas estruturais da Facom. Sérgio Sobreira, um

dos professores, teve sua aula interrompida pela luminosidade da janela que impedia os alunos de assistirem a um vídeo. “Eu entendo que a faculdade tenha sido planejada para fazer uso de luz natural, mas hoje mesmo, tive que usar sacolas para fazer um blackout improvisado na janela, o que falta na maioria das salas”. Quanto à área externa, a encosta atrás da Facom assusta professores e alunos que veem riscos de deslizamento. A falta de iluminação, que aumenta a insegurança, sobretudo


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Foto: Bruna Castelo Branco

à noite, e o letreiro, coberto por um coqueiro, também são destacados. Manutenção A manutenção fica por parte da administração central, somente em alguns casos específicos e menores a gerência do diretor pode intervir, como nos casos de limpeza, câmeras de vídeo e consertos de aparelhos de data show. As redes Wi-Fi, por exemplo, que apresentam problemas, são de responsabilidade do CPD (Centro de Processamento de Dados) enquanto os ar condicionados do setor de elétrica da UFBA.

Bebedouro entupido.

Foto: Bruna Castelo Branco

Em relação aos outros problemas, a ampliação possibilitará que os banheiros mudem de lugar, e que seja construído um laboratório de jornalismo, com computadores e impressoras novas. Ficará a cargo da reforma do atual prédio solucionar a falta de iluminação, de blackouts e bebedouros, que já passaram por melhorias com a troca dos filtros. Ainda não foi pensado, porém, em uma comissão para controlar a manutenção e organizar as queixas para serem encaminhadas à direção, sendo esse papel assumido individualmente e informalmente por aqueles que frequentam a Facom. A manutenção que é, por vezes, precária e burocrática, acaba atraindo transtornos para os alunos, professores e servidores da Facom. E mesmo que haja perspectivas de melhoras com a reforma de ampliação, muito ainda precisa ser feito.

Papel metro utilizado como blackout para escurecer a sala.


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#perfil

Talento Multifacetado

Jornalismo impresso, televisivo e radiojornalismo, na imprensa local e nacional, assessoria de comunicação e marketing político são experiências marcantes na vida profissional de Vera Martins, primeira mulher editora-chefe na Bahia. Confira nessa entrevista.

A professora Vera Martins foi à primeira mulher a ocupar um cargo de editora-chefe na Bahia. Ela entrou no jornalismo aos 14 anos, escrevendo a primeira matéria para um dos jornais que viria ser um dos mais tradicionais do estado, Tribuna da Bahia. De lá para cá não parou. Conduzida pelo seu faro jornalístico, passou por vários veículos, de jornais à televisão, ocupando diversos cargos. Implantou equipes e departamentos jornalísticos em emissoras de relevância nacional. Sua atuação profissional lhe rendeu, inclusive, uma homenagem do artista Caribé, na escultura dedicada às mulheres baianas em frente do Iguatemi.

“O momento que vivemos é de culto ao ego, esse culto à personalidade, à beleza e à celebridade[...] É um retrocesso [...]o que importa mesmo é o conteúdo” #

Foto: Naiane Ramos

Carla Silva, Naiane Ramos e Luis Silva

Ir à Alemanha estudar Alemão foi um diferencial em sua carreira, assim como a fluência em outros três idiomas, francês, inglês e espanhol. A experiência variada e o contato com a prática jornalística possibilitou ensinar na Facom, logo após concluir o curso. No ex-

tinto Jornal da Bahia, na página Vera Martins, que falaria de moda e assuntos do universo feminino, inseriu discussões políticas. As tensões ao tratar do assunto, numa época de episódios marcantes como a ditadura militar e censura, levaram a embates e per-


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seguições com figuras de poder e representatividade política. Em entrevista ao FACOM News, relembrou momentos marcantes de sua carreira em veículos locais e nacionais, como o Jornal da Bahia, Revista Manchete (extintos), Revista Isto é, TV Aratu, Itapuã, e Bandeirantes, Rádio Educadora, além do trabalho com assessoria e marketing político. Contou-nos também as expectativas para o futuro, com a possível aposentadoria, confessando já repensá-la diante do prazer em ensinar e manter contato com o jornalismo e futuros jornalistas e produtores culturais baianos. Como avalia sua formação em jornalismo? Achei necessário, fiz questão. Acho importante a questão do diploma. As pessoas têm de saber da responsabilidade social do jornalista, dessa responsabilidade que considero imensa e importantíssima que é a de formar opinião. Você tem a responsabilidade de escrever algo que às vezes vai determinar a opinião e comportamento de uma pessoa. Então não pode ser irresponsável nem achar que ser jornalista é para usar e usufruir. Por quais emissoras passou? Primeiro passei por três vezes pela TV Aratu, quando ainda era afiliada da Rede Globo, fui editora chefe do Jornal Hoje. Participei da implementação do departamento de jornalismo da Bandeirantes que chegou como uma grande esperança para derrubar o monopólio da Rede Globo. Estive também no surgimento da TVE, montando

o departamento de jornalismo, ficando lá por três meses, até sai por questões político-comerciais.

Foto: Naiane Ramos

No caso, foi perseguida por ser jornalista? Já me conheciam bem antes da Bandeirantes. Na Tv Arartu, tinha um cargo de poder e o jornalismo lá era mais poderoso. O departamento de jornalismo às vezes alcançava 100% de audiência. Nossa audiência era praticamente igual a do Jornal Nacional, então o que saísse no jornal local era um bomba, porque todo mundo assistia. Como eu era chefe de departamento e editava o jornal, colocava o que achava necessário. Acreditava que tinha que noticiar o que era verdade.

“Há uma ditadura dos grupos de interesses econômicos,

então

nenhum repórter é livre, a não ser que tenha seu próprio jornal, e olhe lá.” #

ano, quando o abade do Mosteiro de São Bento, Dom Timóteo, foi entrevistado. Era aquela matéria de final de ano dizendo o que você espera do ano novo. O abade, uma figura respeitada, disse assim: “eu quero a anistia”. A TV foi ameaçada de sair do ar por causa disso. Naquela época havia muitos presos e exilados, isso foi um problema.

Acredita que hoje exista uma imE sobre o período da ditadura e pressa menos politizada do que a censura? daquela época em que viveu? Na TV foi mais traumático, por- É um momento novo, sem dúque ela era mais visada. Às vezes vidas, bem diferente. Antes não recebia os bilhetinhos da censura. existia a liberdade de impressa, Tinha os assuntos tabus que não vivíamos sob uma ditadura, as podíamos falar, por exemplo, a pessoas eram presas dentro das greve. Um problema muito sério redações. Hoje podemos não viver que tive foi em um primeiro dia do na melhor democracia do mun-


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pre em crise. Acho ruim por causa da crise, porque não se paga bem, não se pode ter bons profissionais, utilizam profissionais inexperientes ou estagiários. Os bons profissionais não conseguem emprego, primeiro porque não se tem um bom salário e depois porque não têm interesse. O conteúdo é muito ruim, você não vê boas coberturas, não vê profundidade, até por que é um ciclo vicioso. Depois tem o interesse comercial sobrepondo o jornalismo e surgem os programas sensacionalistas para dar audiência, é o interesse puramente comercial.

do, mas temos uma liberdade de impressa que não lhe impede de escrever, teoricamente. Na verdade, há uma ditadura dos grupos econômicos de interesses, então nenhum repórter é livre, a não ser que tenha seu próprio jornal e olhe lá. As empresas hoje, não são vistas como elas devem ser, como concessões, espaço nosso. O momento que vivemos é de culto ao ego, esse culto à personalidade, a beleza e a celebridade. Isso é péssimo. É um retrocesso, porque não é isso que é importante, o que importa mesmo é o conteúdo. Por falar em falta de conteúdo, como avalia o jornalismo baiano, nas emissoras que nos temos atualmente? Como já vem há anos, está sem

“As pessoas têm que saber da responsabilidade social do jornalista, desta responsabilidade que considero imensa e importantíssima que é a de formar opinião.”

mo. Teve àquele episódio que fica na minha memória, a do Ulysses Guimaraes e dos cachorros. As manifestações aqui na Bahia estavam proibidas, então o governador e o prefeito jogaram os cachorros em cima deles. Fiz essa cobertura, porque era editora. O Campo Grande foi ocupado pela Tropa de Choque e pelos cachorros. Ulysses Guimarães teve um papel muito importante na redemocratização. Confrontando a polícia de choque, disse: “Se afastem porque eu sou presidente das oposições!”, e empurrou. As manifestações ocorreram em outro lugar e resolvi entrevista-lo. A revista rendeu a fala: Eu quero dizer ao Brasil, eu quero protestar! Sou presidente das oposições e quero protestar pelo que aconteceu aqui. Algo assim, e saiu no Fantástico.

#

Como foi a repercussão? As pessoas ficaram sabendo do que houve, o Fantástico era muito assistido. Se eu não tivesse feito a cobertura, não iria aparecer, pois ninguém havia feito. Mas foi bem curtinho, não foi à entrevista inteira. Foi só a fala. O jornalismo era muito difícil de fazer, tive um empenho pessoal. Fiz porque queria estar lá. Agora esperar que a chefia mandasse, desse apoio, isso não.

Como vê o jornalismo baiano e quais foram as suas contribuições a ele? Acho que há muito que fazer. Em vinte anos de TV, fiz de tudo. Não fui repórter, mas fiz reportagens que me interessavam. Dei uma contribuição. Na época da ditadura não se falava nada, nada mes-

A sra. é bastante conhecida por suas publicações nas redes sociais. Então, acha que o papel dos jornalistas nas redes e na internet é de levantar questões que estão cobertas por essa superficialidade que impera? Acho que é um espaço. Se você for observar no Twitter, estou sem-


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Foto: Naiane Ramos

Natália Arjones

pre postando. Já entrei mais, mas quando tem cobertura, como a do Papa, faço uma estilo realtime. Dá certo trabalho, como no caso do Papa, não tenho estrutura como o blog do Noblat, que tem a Globo por trás, que por sua vez têm uma equipe. Sou apenas uma twitteira, uma microblogueira. Não tenho pretensão de ser big. Então faço o que posso, mas dá trabalho, tenho que ficar no Facebook e no Twitter aqui e ali.

ria mais falta é o contato com os alunos, enriquece muito. Aprendo dando aula também, é uma troca, é interessante. É estafante, tem que brigar, chegar no horário, mas acho que é importante. É interessante e gratificante. As vezes é chato porque tem aluno que não está nem aí parece não ver importância. Mas encontro gente, hoje, nas redes sociais que deixam depoimentos. Eles dizem: “você foi a minha professora que fez diferença”. Fico muito feliz quando vejo que consegui acrescentar algo.

Caso se aposente mesmo da Facom, do que sentirá mais falta? Já estou repensando, tem tanta Frases de destaque: gente falando. Mas o que senti- “O momento que vivemos é de Jefferson Beltrão em estúdio encerrando o programa das sete na Globo FM

culto ao ego, esse culto à personalidade, a beleza e a celebridade. Isso é péssimo. É um retrocesso, porque não é isso que é importante, o que importa mesmo é o conteúdo.” “As pessoas têm de saber da responsabilidade social do jornalista, dessa responsabilidade que considero imensa e importantíssima que é a de formar opinião.” “Aprendo dando aula também, é uma troca, é interessante. É estafante, tem que brigar, chegar no horário, mas acho que é importante. É interessante e gratificante.”


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#crônica

Olhos de Um Calouro Eduardo Bittencourt

E lá estava eu, em frente ao prédio da Faculdade de Comunicação, olhando a faixa de “Bem-vind@s, calour@s!” e pensando em tudo o que aquilo iria representar para mim. E não estava pensando apenas nas boas lembranças que teria dali, mas em tudo o que viveria: as conversas, as aulas tediosas, os maus resultados... Olhar aquela faixa me passava o estranho sentimento de estar em casa. Afinal, eu era bem-vindo ali. Não conhecia ninguém – não pessoalmente, pelo menos – e nem nunca havia estado naquele prédio antes, mas por que não me era estranho chamar aquilo de lar? Me reuni aos outros calouros que reconheci do facebook e comecei uma conversa que não deveria ser formal. Não me lembro bem de quem foi a primeira (ou primeiras) pessoa(s) com quem falei. Mas que importa? Éramos todos calouros. Apenas calouros.

Fotomontagem: : Maurício Roque

Ao entrar no prédio, meus olhos quase emocionados tentavam assimilar cada detalhe da Facom. Mas tudo o que era assimilado trazia aquela sensação romântica ao coração. Em momento nenhum trazia um olhar analítico, observando e criticando todos os déficits que aquele prédio possuía. Que importava se não tivesse

a melhor estrutura? Que importava se não tivesse a estrutura ideal? Eu era um calouro, não tinha a obrigação de criticar. E de repente estávamos todos tomando café juntos, ao lado do auditório, celebrando o fato de termos ocupado uma vaga que poderia ser de outra pessoa. Não. Acho que estávamos celebrando o fato de termos ingressado na faculdade. Que importa agora? O vestibular ficou para trás. Os concorrentes também. E lá estávamos reunidos no auditório, como um rebanho de calouros que éramos, assistindo a Facom nos ser apresentada como se estivéssemos em um sonho. Lembro que nos apresentaram as instâncias. Lembro-me das brincadeiras que nos fizeram naquela gincana na Semana do Calouro. Foi nossa primeira semana juntos. Nossa última semana juntos. Não de todos, de alguns. O tempo iria passar. Uns mudariam de curso, outros se aglomerariam em tribos das quais não iria pertencer. Mas éramos calouros. Que importava o futuro? Como gostaria de ter de volta aqueles olhos inocentes, não tão críticos, não iniciados. Acho que todos gostariam de ver a faculdade pelos olhos de um calouro.


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#entrevista

“Zelarei Pelo Diálogo e

Vitória R A senhora acaba de ser eleita diretora da Facom. Como é ser a primeira mulher à frente desta faculdade? Na verdade, anteriormente, houve mulheres destacadas como Sônia Serra, Nádia Miranda e Ana Maria Jatobá na condição de vice-diretoras. Fui eleita pela comunidade da Facom, composta pelos três segmentos: professores, servidores técnicos administrativos e estudantes de graduação e pós-graduação. Obtive a maioria dos votos. Estou igualmente disposta e desejando que seja uma gestão participativa no sentido de ter sempre agregados estes três segmentos, porque acredito que é nesta composição que conseguiremos elevar e construir uma nova fase de expansão desta faculdade, pensando também no tripé do ensino, pesquisa e extensão.

tes, e foi prometido no projeto de gestão, é a divulgação das ações da diretoria para que haja maior transparência. Estudamos mecanismos que estabeleçam esta divulgação.

Continuarão os eventos e obras da Facom? Nós realizaremos dois grandes eventos previamente agendados para outubro, como o Encontro Nacional de Produção Cultural e Sim Social pelo GITS (Grupo de Pesquisas em Interações Sociais). Temos o processo da finalização das obras do anexo. Implantaremos espaços para convivência e para estudos, lembrando e solicitando a todos paciência pela reforma da outra parte. Temos agregado mais demandas dos três segmentos porque era uma preocupação desde o início. Temos conversado. Mantenho meu propósito, e vou Como está ocorrendo a transição zelar pelo diálogo, porque só ase quais seus planos? sim se pode gerir, afinal ninguém Tenho participado de reuniões faz nada sozinho. para perceber a condução da faculdade nos aspectos da rotina Já havia pensado alguma vez em diária, para ter melhor visão de ser diretora? como as coisas estão. No sentido Não. Não era meu objetivo, minha do ensino, tenho acompanhado meta. Isso foi colocado recenteas discussões no âmbito das co- mente, eu me coloquei com intenmissões que estão avaliando a são efetiva de contribuir e quero reestruturação das habilitações de me dedicar nos próximos quatro produção, comunicação e cultura anos da melhor forma possível. Na e jornalismo. Temos ouvido as de- verdade, eu me formei aqui penmandas dos alunos. Um dos pon- sando em atuar no mercado, atuei tos que considero mais importan- muito enquanto ainda estudante

Primeira mulher eleita para Comunicação da Universida com-UFBA), Suzana Barbosa ro do Chapéu, com pós-dou Santiago de Compostela, Esp na área de jornalismo digita panha reuniões de transição reafirma as propostas de sua diálogo e pela t e depois por uns 10 anos, sempre na área do jornalismo digital. Foi atuando em jornal que senti necessidade de voltar à universidade. Fiz mestrado, doutorado e pós-doutorado. Após meu primeiro concurso, atuei dois anos na Universidade Federal Fluminense, na área do jornalismo hipertextual. Em 2010 fiz concurso aqui. Sendo aprovada, optei e voltei. Possuo esta formação na Facom, mas possuo também um alargamento, tendo passado por outras instituições, no Brasil e no exterior, realizando pesquisas na área de jornalismo digital, da convergência jornalística, do jornalismo em base de dados. Existem novos projetos? Temos intenção de criar na Facom a etapa da pesquisa aplicada para desenvolvimento de um aplicativo jornalístico para tablet. Portanto,


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Suzana Barbosa

e Pela Transparência”

Régia

a direção da Faculdade de ade Federal da Bahia (Faa, 44 anos, baiana de Morutorado na Universidade de panha, coordena pesquisas al. Ciente do desafio, acomo e, com responsabilidade, a candidatura: “zelarei pelo transparência”.

ma (sétimo e oitavos semestres). Com o novo curso de cinema, ocorrerão duas entradas: 30 alunos oriundos do BI e 30 entrando direto para o cinema. Já temos professores e haverá a necessidade de mais vagas para docen-

E com relação a novos cursos? Desde que foi implantado o Bacharelado Interdisciplinar, temos a área de concentração em cinema e audiovisual. Está sendo estudado e discutido como será agora o segundo ciclo de cine-

Foto: Leonardo Pastor

quero levar a Facom para uma outra etapa de desenvolvimento, esta que já é uma faculdade de referência na área de Comunicação, por conta da construção que vem de anos, de outros professores, dos pesquisadores, que levam a esta condição, da Facom ser uma referência na área do jornalismo e produção cultural. Todas as pesquisas, as conquistas que vieram com a implantação da pós-graduação em Comunicação e Cultura Contemporânea. Em breve, teremos uma nova especialização que será aberta para a matrícula de alunos.

tes para esta área e para as outras também. E quando será a posse? Deve ser em torno do dia 10 ou 11 de setembro, na sala dos conselhos, na Reitoria da UFBA.


Facom News 2013.1 - Edição I

#especial

LUTO

O adeus e as hom Gabriela Galeno

Selma Barbosa, 53 anos, tornou-se mais uma vítima da violência na cidade de Salvador. A servidora da Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia (Facom-UFBA) foi assassinada na madrugada de segunda feira,12, quando deixava uma colega em casa no bairro do Costa Azul.

Foto: Reprodução

Natural do Rio Grande do Norte, Selma veio para Salvador, em 1992, para trabalhar na Facom. Junto com o colega de profissão e amigo Paulo Silva ajudou a montar o laboratório de TV e Vídeo da faculdade. Juntos eles trabalharam por quase 20 anos. “O relacionamento de Selma com os alunos sempre foi maravilhoso, por ela sempre querer que tudo saísse perfeito, já que era muito perfeccionista, ela entrava em divergência com alguns alunos, mas sempre no sentido de melhorar o trabalho deles. Porém, a relação era sempre saudável, amigável, a prova é que muitos dos alunos que passaram por ela hoje estão aqui prestando homenagens a Selma”, disse Paulo, durante o velório, no cemitério Jardim da Saudade, dia movida para o cargo de coordenadora do laboratório de Tv e Vídeo 13 de agosto. da Facom, cargo que pertencia à Selma ou Selminha, como era co- professora Simone Bortolieri. “Ela nhecida pelos amigos, foi uma mu- estava muito animada com o labolher doce, de personalidade forte, ratório, tinha muitas ideias, quemas que se dava bem com todos ria incrementar novas atividades, na Facom, relatou Aline Leal, se- pensava no futuro”, disse Aline. cretária da direção. Há pouco mais de um mês, Selma tinha sido pro- Ela fazia planos de se aposentar

daqui a três anos, porém não pretendia deixar a paixão pelo audiovisual de lado. Família Selma tinha em Salvador apenas uma irmã, o resto de sua família reside em Natal – RN. Seu irmão Lenilson Barbosa disse que a univer-


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menagens a Selma e Julia Sarmento sidade foi o casamento de Selma. “Ela gostava muito do que fazia. Selma não casou, não teve filhos, não se dedicou a uma família, parece que ela se sentia completa com o trabalho dela”. Ele ainda concluiu, dizendo que “o trabalho de Selma na Facom trouxe uma família muito grande e carinhosa para ela”. Homenagens A Facom na última terça feira, 13, amanheceu de luto. Uma enorme faixa preta foi exposta na fachada do prédio em memória de Selma Barbosa. As últimas homenagens à servidora puderam ser prestadas na faculdade, em momento reservado, assim como no velório que foi realizado no cemitério Jardim da Saudade, em Brotas.

Foto: Aline Valadares e Priscila Silva

Professores, alunos e alguns servidores puderam falar para um auditório praticamente cheio na Facom. Lucas Gama, aluno de Jornalismo, iniciou a homenagem num discurso muito emocionado que se manteve ao longo da ceri-

mônia: “Me sinto muito vulnerável pela violência”. Regina Gomes, chefe de departamento, muito abalada com o crime, disse que Selma era uma pessoa muito leve, de muita paz, uma referência na faculdade na área de edição. Lembrou ainda que não é a primeira vez, neste ano, que a faculdade sofre pela perda de uma pessoa querida, referindo-se a morte de Itamar Souza, 25 anos, estudante de Produção Cultural, assassinado no Campo Grande. A professora Annamaria Palácios, também muito emocionada, comentou: “tenho uma crença de que o bem vence o mal”, referindo-se à Selma. O momento foi encerrado com um minuto de silêncio em memória da vítima. Velório No velório, além da presença de alunos e professores, ex-alunos, assim como familiares e amigos de Selma estavam presentes para prestar sua última homenagem. A reitora

da UFBA, Dora Leal, esteve no local logo no começo da cerimônia, mas se retirou antes do fim. Segundo Paulo Silva, operador de câmera e parceiro de Selma no laboratório em que trabalhavam, ela era uma pessoa maravilhosa, queria que tudo saísse perfeito. Era muito rigorosa com os trabalhos, mas matinha uma ótima relação com os estudantes. Comenta ainda que ela tinha medo da violência em Salvador. A futura diretora da Facom, Suzana Barbosa, disse que Selma estava super animada com o laboratório onde acabara de assumir a função de coordenadora. “Trabalhava com a gente desde quando a Facom era no Canela. Formou os atuais profissionais do mercado nesses 20 anos”, observou Suzana. Lenilson Barbosa, irmão da servidora, diz que não esperava por isso e que seu desabafo não é contra quem fez, mas contra a sociedade: “Hoje existe uma banalização da vida. Selma trabalha numa instituição voltada para a educação, amava seu trabalho.” Selma Barbosa Alves, 53 anos, foi enterrada na manhã de quarta feira, 14, em Natal, no Cemitério Parque.


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