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dos Mosteiros da Ordem da Imaculada Conceição

Junho/Julho de 2011– Ano 04 – Número 31


Boletim Federação Imaculada Conceição dos Mosteiros da OIC no Brasil Junho/Julho de 2011 – Ano 04 – Número 31

“EIS QUE ESTOU CONVOSCO ATÉ O FIM DOS TEMPOS Essa é uma promessa da Verdade eterna. São as últimas palavras do Senhor transmitidas pelo evangelista São Mateus (Mt 28,20). Estarei convosco, não de uma forma abstrata, mas pessoal, com cada um. Desde os primórdios da História da Humanidade o Senhor vem repetindo essa promessa “Estou/estarei contigo”. Percorrendo os capítulos das Sagradas Escrituras, vamos encontrar muitas vezes e de modos diversos, essa certeza que o Senhor dá a seus servos e seus amigos: “estarei contigo”. E também da parte deles uma confiança inabalável como conseqüência lógica. Até que, chegando a plenitude dos tempos, o Senhor envia seu mensageiro para anunciar a melhor e maior de todas as notícias, a Encarnação do Filho de Deus, e o Anjo começa dizendo: “Ave, cheia de graça O SENHOR É CONTIGO”. Quantas vezes os servos de Deus experimentaram as dificuldades e tribulações da vida, mas a confiança na palavra de Deus os levava a sustentar os mais duros combates, as maiores dificuldades, pois sabiam que Deus estava a seu lado lhes dava a segurança para dizer: “Mesmo que eu passe pelo vale tenebroso nenhum mal eu temerei, porque estás comigo” (Sl. 22). “Se é verdade que gozo de teu favor (se estás comigo) faze-me conhecer os teus caminhos para que eu te conheça e assim goze de teu favor” (Ex 33,13). Também nós devemos ter essa fé inabalável de que o Senhor é o nosso auxílio e salvação. Sejam quais forem as nossas dificuldades, o Senhor está conosco, sempre pronto a nos estender a sua mão, para erguer-nos e nos amparar. 2


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Essa certeza é que levou, e leva, os amigos de Deus, a encontrar nos desprezos, nas incompreensões, nas maiores adversidades a “perfeita alegria”, aquela que ninguém lhes poderá roubar. Ir. Maria Auxiliadora do Preciosíssimo Sangue, OIC Presidente da Federação Imaculada Conceição dos Mosteiros da Ordem da Imaculada Conceição no Brasil.

A REGRA DA ORDEM DA IMACULADA CONCEIÇÃO NO HOJE DA IGREJA Carta do Ministro Geral da OFM a todas as Irmãs da Ordem da Imaculada Conceição, no V Centenário de aprovação da Regra da OIC. Recebemos recentemente do Frei José Rodriguez Carballo, Ministro Geral da OFM, uma bela e riquíssima Carta por ocasião do V Centenário da Regra da OIC. Enquanto não chega o texto traduzido, em sua íntegra, segue abaixo uma pequena síntese como singelo “aperitivo” para que em breve “degustemos” em profundidade toda a riqueza do conteúdo da mesma Carta. Vale lembrar que a carta está sendo devidamente traduzida do espanhol e logo a teremos em mãos para que o aproveitamento seja cem por cento. UM PASSEIO PELA CARTA... 1. Saudações e gratidão ao Senhor Minhas muito amadas Irmãs Concepcionistas: com imensa alegria no coração e com o apreço que sabeis que vos tenho, vos saúdo e vos desejo todo o bem no Senhor: O Senhor vos dê a sua paz! 3


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Dou graças ao Senhor por vos haver concedido a vós, à Igreja e à Família Franciscana estes ideais, estas motivações, estas intuições, esta forma de vida. É um grande presente! Trata-se de um projeto de Deus, desejado e inspirado por Ele mesmo. Ele quis que ao acontecimento da Imaculada Conceição de Maria fosse não somente defendido nas cátedras e propagado dos púlpitos e dos escritos dos Irmãos Menores, como manancial de glória e de vida para o povo cristão, mas também quis que este acontecimento fosse exaltado pelo caminho do louvor e da vivência, do amor, do entusiasmo e da imitação, por vossa Ordem. A viver este projeto vós fostes chamadas! 2. Juntos então, permanentemente, e também agora O Senhor nos deu este espírito e esta Regra por meio das intuições de Santa Beatriz, pelo processo de reflexão da primeira geração e pela aprovação da autoridade da Igreja. Não sabemos que mãos interferiram em sua redação, mas sabemos que espírito orientou: uma autêntica paixão pela Imaculada, a veneração pela tradição monástica com a leitura franciscana do Evangelho. Celebrar a Regra é celebrar que somos, cada um com sua originalidade própria, família, uma vocação e identidade compartilhadas, um destino e uma missão que nos une profundamente, mas sempre respeitando nossas diferenças. 3. Nova reflexão e discernimento A celebração de meio milênio não pode ser simplesmente um olhar para o passado com agradecimento e admiração. Este centenário 4


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deve levar-vos a receber de novo a regra e seu dinamismo espiritual e fazê-la vossa hoje. Nestas oportunidades, vós e nós, todos, nos colocamos na escuta renovada da Igreja para observar como ela nos valoriza, como nos anima, como nos orienta. 4. A Regra na dinâmica eclesial de hoje Neste momento precioso de vossa história quisera eu extrair de vossa Regra o dinamismo que as faz dirigir o olhar para o futuro, para onde o Espírito nos impulsiona, para abraçá-lo com esperança. - a Regra é Jesus Cristo, o Senhor, Esposo e Modelo com quem vos haveis desposado; - a Regra é Maria, “plasmada e feita nova criatura pelo Espírito Santo”... cujo mistério de sua Imaculada Conceição vos propusestes a servir, contemplar e celebrar; - a Regra é o Espírito Santo e sua operação na raiz da contemplação; - a Regra é o Pai amoroso que chama por amor e quer ser amado com todo coração, com toda alma e com todas as forças; - a Regra é a Irmã, presente do grande doador de bens, Deus Pai. A cada uma de vós toca acolherdes a irmã „como dom do Senhor‟; - a Regra é o mundo onde nos toca viver. Sem ser do mundo haveis de vos sentir parte deste mundo que Deus ama; - a Regra é a Igreja. Colaborai com a Igreja em sua missão evangelizadora com vossa oração, vossa penitência e vossa entrega incondicional ao Senhor;

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- a Regra é a mesma vontade de progresso e de mudança que inspirou na primeira geração de Concepcionistas o ardente desejo de ter Regra própria. A Regra da OIC, aprovada há 500 anos, continua sendo amada e conservada com alegria pelas Irmãs. É muito belo ver que, depois de cinco séculos, toda a Ordem esteja de acordo nisto, acima de toda diferença. E mais belo ainda é constatar que as Irmãs são felizes em pertencer a Ordem e desejam viver com fidelidade, compreender e levar a termo essa forma de vida selada pela autoridade da Igreja em 17 de setembro de 1511. 5. O aplauso da Igreja O Concílio nos convidou a uma renovação que tivesse em conta quatro fidelidades que nunca podem faltar em toda forma de vida consagrada: fidelidade a Cristo, fidelidade ao próprio carisma, fidelidade à Igreja e fidelidade ao homem de hoje. Este convite do Concílio e da Igreja de hoje deve ser acolhido com prontidão e gozo, pois a renovação profunda a que somos chamados, apesar do caminho já percorrido, está ainda a meio caminho. Agora é o momento de assumi-lo, vivê-lo e levá-lo à plenitude. Chego a pensar que esta hora é preciosa, que este tempo é um kairós, que estes tempos são não apenas “delicados e difíceis” mas também ricos de esperanças.

6. Esta hora é preciosa para vós - É hora de vibrar de alegria e gratidão pela vocação recebida sem merecê-la; 6


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- É hora de desejar ainda mais intensamente ser desposada com Jesus Cristo como uma experiência de maravilhosa profundidade; - É hora de proclamar que o Senhor criou Maria em Conceição Imaculada e o quanto isso significa; - É hora de alento espiritual e contemplativo enriquecido pela Liturgia; - É hora de comunhão e fraternidade, hora do mais profundo sentido de Ordem, da Ordem da Imaculada Conceição, da qual começastes a fazer parte no dia em batestes a porta de um Mosteiro; - É hora de estimar e cuidar melhor da pessoa humana. Atendendo a seus processos próprios; - É hora de uma melhor tomada de consciência e esforço pela revitalização da formação inicial e permanente através de novos métodos, sob muitos aspectos. - É hora de amar, com a Igreja, a nosso mundo de hoje, esta geração surpreendente, que o Senhor ama com paixão; - É hora de cruz redentora, sem dúvida. O ser desposadas com Jesus Cristo Redentor tem nesta hora experiências reais e dolorosas; - É hora da confiança na Providência que suscitou do nada a Maria e conduziu a Ordem nascente em momentos bem difíceis. 7. Esta Regra vivida é nosso presente para a Igreja e para o mundo O Senhor vos confiou uma missão e deseja que também hoje seja levada a termo com particular esmero. Sede vós, minhas queridas Irmãs Concepcionistas, essas “luzes próximas”que, em meio às trevas da história, nos orientem até a Luz. Mantende acesa, também vós, como Santa Beatriz, a luz de vossa estrela. 7


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8. Este centenário, festa e tarefa. Que esta memória celebrativa seja de alegria, bênçãos, renovação e união. E em todos nós aumente nossa recíproca comunhão no Mistério de Maria Imaculada. Ao terminar, volto a tomar vossa Regra em minhas mãos, beijo-a e elevo minhas orações a Maria Imaculada. Peço a Maria que as abençoe, peço a Maria que continue concedendo à Igreja esta forma de compreender e de viver o Evangelho que é constituída pela confissão, proclamação e o testemunho de um Deus Trindade de amor e de vida. Síntese de Ir. Lindinalva de Maria, OIC Salvador / BA

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O PRAZER E A RESPONSABILIDADE DE NOS ACOMPANHARMOS NA VIDA CONCEPCIONISTA “Relação entre formação inicial e formação permanente na vida concepcionista” (Cont.) Fr. Joxe Mari Arregui, OFM

1.4. UMA MISSÃO A DESENVOLVER... Nós crescemos e nos desenvolvemos quando encontramos um tu a quem possamos nos entregar ou quando encontramos um trabalho que exerçamos a serviço dos outros. Identidade, fraternidade e missão aparecem então como as três chaves que tornam verdadeira uma vida de Irmã Concepcionista. Por isso, devemos oferecer à candidata que vem a nós um trabalho, um serviço à Igreja a partir da fraternidade; uma missão em favor dos outros, para que ela possa desabrochar mais e melhor. Um trabalho, um serviço e uma missão que sejam em primeiro lugar a vivência e o desabrochar de nossa própria forma de vida. Quando uma jovem se torna uma Irmã Concepcionista deve oferecer àquelas que estiverem ao seu redor o que ela mesma tiver visto e aproveitado da sua experiência: primeiramente, o prazer da própria vida que foi entregue; pondo em prática o que foi visto e vivido em comunidade; acompanhar aquelas que fazem parte de seu ambiente para aprender a ser e se abrir em todos os âmbitos da vida; porque aprendeu o gozo das relações interpessoais, nem sempre isentas de cruz, está capacitada para acompanhar a outras no descobrimento da alegria e da responsabilidade das relações, da vinculação. Primeiro com sua vida e depois com todos os meios ao alcance da comunidade, anunciar o Evangelho de Jesus ressuscitado, a quem segue com todo coração. Quando a vida fica curta ou pequena para os homens ou eles ficam

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mudos diante de tantas situações difíceis, a irmã lhe anunciará a esperança da vida plena, que já começou a saborear aqui. A vida das Irmãs Concepcionistas oferece grande oportunidade de desenvolver e motivar a missão segundo a graça que cada uma recebeu. Por isso, na comunidade das Irmãs Concepcionistas uma ajuda a outra a descobrir a graça pessoal do trabalho e da missão e se educam mutuamente no serviço aos irmãos e irmãs. Esta é a razão porque a comunidade concepcionista será unidade em sua identidade e fraternidade, mas diferente sem seu modo de ser e expressar o serviço e missão. Aqui se aparecem em grandes traços os principais aspectos de nossa identidade concepcionista franciscana. Aspectos estes que devem ser trabalhados e desenvolvidos na Formação Inicial e Permanente. Tanto é assim que, se conseguirmos levar a cabo as tarefas aqui indicadas, nos encontraremos com uma mulher-irmã que: 1. Valoriza e estima de forma natural sua pessoa e a vê original, única; aprendeu a dar asas a sua personalidade, especialmente a sua liberdade pessoal, sua afetividade, sua capacidade de interagir, sua capacidade de trabalhar; que vive gozosamente a sorte de sua vida e por isso assume também o que a vida impõe de cruz, de dor, de ausência. Deste modo nos encontramos com uma pessoa de personalidade segura, como uma coluna vertebral na comunidade religiosa. 2. Tem liberdade e age com autenticidade; sabe também relacionarse com os outros com normalidade; relaciona-se contribuindo com o que tem de mais valioso na vida; oferece sua pessoa e recebe o apoio e o carinho dos outros; não idealiza a relação porque assume também o seu preço; é capaz de descobrir a grandeza e a miséria da fraternidade e ama com realismo suas irmãs. 3. Na comunidade Concepcionista aprendeu a fazer opções que a levam a escolher o “tesouro escondido”; descobriu Deus como Pai e Jesus como alguém a quem quer seguir incondicionalmente, e o Espírito é sua força e advogado. É Ele

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quem vai conduzindo a irmã a intuir que tudo “é lixo em comparação com o conhecimento de Cristo Jesus”; por isso, ora e canta na Igreja e agradece a Deus pelo dom da fé, pelo dom da vocação e da fraternidade. 4. Desprendida de si mesma, já não lhe importa senão ajudar os outros, especialmente os mais pobres; desapropriada de si mesma dispõe sua melhores energias para viver este caminho do evangelho de Jesus e por isso “evangeliza com sua vida”, dá sua amizade e sua pessoa a quantos vai encontrando pelo caminho; acompanha-os solidariamente, partilha a vida com eles; anuncialhes a boa notícia de Jesus, fala-lhes de Deus mais com sua vida e testemunho do que com os lábios; contagia e irradia uma grande esperança porque a vida eterna é sua grande esperança. 5. Mas não é uma mulher “perfeita”; também não é nenhuma heroína solitária; é uma irmã a mais, que vive em fraternidade com outras irmãs que como ela continuam buscando e rezando, fazendo o caminho da fraternidade para o evangelho. E precisamente porque se vê pobre, necessita cada dia mais de suas irmãs a quem serve com humildade e de quem recebe o carinho e a amizade de uma mãe que torna possível o milagre do amor cada dia. Formação concepcionista? É uma maravilha e continuo a afirmar que dedicar nossas energias e nossa vida para ajudar outros a desabrochar seu ser, sua riqueza e sua vocação. É uma das grandes belezas da fraternidade, é verdadeira “graça do Senhor” e tarefa para todos nós. Mas tem suas dificuldades também... Adaptação: Ir. Lindinalva de Maria, OIC (continua da próxima edição do Boletim)

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II CONGRESSO DE PRESIDENTES DE FEDERAÇÕES DA OIC Toledo, 23 a 29 de maio de 2011 Ir. Lindinalva e Ir. Eleusa Realizou-se em Toledo-Espanha, na Casa Madre, de 23 a 29 de maio de 2011 o segundo Congresso de Presidentes das Federações dos Mosteiros da Ordem da Imaculada Conceição, que atualmente são doze: em Espanha, Portugal, México, Colômbia, Peru, Brasil, Bolívia e Argentina, com o tema “Chamadas, Inspiradas e Desposadas”. Estivemos representando o Brasil Ir. Lindinalva e Ir. Eleusa. O Congresso aconteceu num clima de muita fraternidade e dentro das expectativas da equipe que organizou e assessorou. Podemos viver momentos de muita riqueza na troca de conhecimentos e experiências de acordo com a realidade de cada Federação, na diversidade das culturas e das formas de expressar nosso carisma Concepcionista-franciscano, mas que no fundo é uma só e mesma forma de vida! A Concepcionista é sempre uma Concepcionista seja na África, seja na Espanha, seja na Índia, seja na América, seja onde for. Estar junto a sepultura de Nossa Santa Mãe Beatriz nos fazia recordar essa verdade a cada instante. Pois bem, a cada dia do Congresso estiveram presentes conferencistas que abordaram diversos temas. Sendo que foram mais acentuados os temas da Formação (inicial e permanente), Comunicação e crescimento no sentido de tomarmos consciência crescente de que somos muito mais que nosso Mosteiro, somos uma Ordem.

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Ao serem apresentados os informes das distintas Federações, vimos claramente como a Ordem tem se empenhado em formar bem, formar para um amadurecimento na vivência do profundo significado de sermos “chamadas, iluminadas e desposadas”. Tudo isso constitui não apenas um status em nosso ser humano-social como também uma responsabilidade em ser coerente com a nossa Missão na Igreja. Responsabilidade esta que ninguém mais pode assumir senão cada Irmã Concepcionista em particular e a Ordem da Imaculada como um todo. Foi muito significativa a presença em vários momentos do Ministro Geral da OFM, Frei José Rodriguez Carballo, e de outros irmãos franciscanos em todo o tempo. Desde os primórdios da OIC eles foram uma presença que, como dizemos no Brasil, que fez e faz a diferença. O que nos une é por demais grandioso e não permite que ignoremos que somos irmãos porque, apesar de observarmos Regras de Vida distintas, está presente naquilo que é mais essencial na nossa espiritualidade, a figura Imaculada, Puríssima, de Maria. Ela, como é bem lembrado pelo Ministro Geral da OFM, faz das Concepcionistas profundamente franciscanas e dos Franciscanos profundamente Concepcionistas. Esperamos oportunamente partilhar com nossas comunidades do Brasil alguns textos e reflexões do Congresso para enriquecer nossos momentos de formação comunitária e/ou pessoal. 13


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Deixamos aqui nosso agradecimento à Madre Maria Auxiliadora, Presidente da Federação Imaculada Conceição dos Mosteiros da OIC no Brasil, pela oportunidade que nos deu em participar desse Congresso. Certamente que são gestos que valem muito mais do que as palavras podem dizer. Seremos muito, muito gratas, sempre!! Que esse Ano Jubilar aumente em nós o amor pela Ordem, pela nossa Vida, pelas nossas Irmãs! Ave Maria Puríssima! Sem pecado concebida! CAMINHANDO COM MARIA – XVII “Somos todos iguais” Perante a lei, somos todos iguais e chamados a cumprir nossos deveres e “compromissos cívicos”. José e Maria, logo após terem assumido a missão de pais do Filho de Deus, foram convocados por um Decreto que ordenava o recenseamento: todos deveriam alistar-se em sua cidade de origem. O casal, embora soubesse estar sob a proteção do Senhor do Universo, não se deixou levar pelo orgulho e a prepotência. Em atitude de humildade e submissão às Leis do Estado, pôs-se a caminho. Maria, grávida e prestes a dar a luz, acompanha seu esposo numa viagem longa e incômoda, mesmo sabendo o quanto seria arriscado, pois seu Filho poderia chegar a qualquer momento. Contudo, ela não ficou temerosa ou desassossegada, simplesmente confiou e entregou-se nas mãos de Deus. 14


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Contemplamos a nobreza de caráter de José e Maria. Eles não tentam “dar um jeitinho” buscando se beneficiar da situação de gravidez usando-a como desculpa para a própria comodidade. Não, eles são incapazes de fazer artimanhas. Com prontidão e obediência submetem-se às regras da sociedade, sendo fiéis à lei. Vemos nessa atitude uma sublime profissão de fé e uma confiança sem limites que os leva a obedecer e agir com toda a liberdade de espírito. Abandonando-se em Deus porque sabem que por Ele são conduzidos no caminho da vida. Precisamos deixar que nossa mente e nosso coração aprendam com José e Maria a acolher as situações inusitadas com serenidade, na certeza de que Deus, que tudo sabe, nos conduzirá e transformará os revezes da história num bem maior porque é Ele quem cuida de nós e conhece nossas necessidades de cada momento. Portanto, a nossa única preocupação deve ser a obediência aos planos de Deus que passa pela realidade concreta da situação em que vivemos. “A irmã Concepcionista, a exemplo de José e Maria, sabe que a verdadeira obediência fundamenta-se na fé e no amor, pelo qual, sob o impulso do Espírito, entra-se em comunhão com a vontade de Deus”. Virtude basilar: OBEDIÊNCIA CAMINHANDO COM MARIA – XVIII “O nascimento de Jesus” Maria e José chegam a Belém e a cidade está agitada, cheia de gente devido ao recenseamento. Procuram acomodação e nada 15


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encontram. “Não havia lugar para eles”. Como se não bastasse o desconforto de não ter para onde ir, chegou também o momento de Maria dar à luz. Podemos contemplar a paciência e a serenidade deste casal diante de uma situação que talvez para qualquer um de nós fosse desesperadora. Eles, porém, não questionam a Deus nem se revoltam com aqueles que se negam estender-lhes a mão. José e Maria silenciam, acolhendo tudo o que o Senhor lhes permite acontecer e, juntos, buscam uma solução. Mais uma vez se abandonam à misericórdia divina e caminham na obscuridade da fé, dando um salto no escuro. Eles sabem a identidade do Filho, por isso tem a plena certeza de que Deus não os abandonou à própria sorte, pelo contrário, são nesses momentos que a sua voz ressoa nos acontecimentos e o Senhor se revela àqueles que a Ele se confiam. Deus é silêncio e é somente quando nos abrimos ao silêncio que podemos escutá-lo. José e Maria têm uma profunda experiência deste Deus silencioso e por isso se deixam conduzir por ele até um estábulo. É ali que Jesus vem ao mundo. Por não encontrar espaço entre os humanos, nasceu junto aos animais. Mas, certamente este é o momento mais feliz na vida de Maria e José. Eles acolhem com amor o grande presente que Deus lhes dá. Tem em seus braços e podem aconchegar contra o peito aquele que os aconchega em seu coração. Conscientes do grande mistério que os envolve, mergulham no silêncio de Deus, esperando que Ele revele a seu tempo a identidade do Filho amado que lhes foi confiado. Que belo exemplo de amor-doação, que faz de Deus a sua alegria e a sua recompensa! José e Maria, agraciados pelo Senhor ao serem escolhidos para tão sublime vocação, vivem por Ele e n’Ele na gratuidade de um sim 16


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de quem sabe aniquilar-se para acolher a vontade divina, envoltos no sagrado silêncio do céu na terra. “As monjas Concepcionistas, imitadoras de Maria, tem grande estima pelo silêncio, pois sabem o quanto este é necessário para ouvir a voz de Deus que lhes fala ao coração”. Virtude basilar: SILÊNCIO. Ir. Maria Imaculada de Jesus Eucarístico, OIC Mosteiro Rainha da Paz – Joinville/SC

CELEBRAÇÃO DE ABERTURA DOS 800 ANOS DO CARISMA DE SANTA CLARA DE ASSIS No Domingo de Ramos, nossa Comunidade, também se uniu a Família Franciscana, comungando desse momento especial, participando da celebração de abertura dos 800 anos do Carisma de Santa Clara, cujo tema é: “Santa Clara de Assis hoje. Caminho de unidade”. E o lema: “Vida vivida em função do amor”. A Solene Eucaristia foi presidida por nosso assistente espiritual Frei David, que com entusiasmo e alegria, sabiamente associou os dois temas essenciais da Liturgia: a Celebração de Ramos - Paixão do Senhor, e a vida e vocação de Santa Clara. No início da Santa Missa, logo após a procissão de ramos, na entrada de nossa Capela, Frei David apresentou aos fiéis as duas motivações principais, convidando-nos a entrar em profunda comunhão com a Família Franciscana, salientando que o nosso Mosteiro também faz parte desta espiritualidade (espiritualidade franciscana), sendo este um dos motivos para se realizar aqui a abertura do Ano Clariano. 17


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Nossa celebração foi animada pelo casal de cantores Davi e Tânia, da Paróquia Cristo Ressuscitado, juntamente com os fiéis, e contou ainda com a participação fervorosa dos noviços Capuchinhos que sempre aos domingos nos alegram com sua presença em nossa Capela. Dentro da celebração foi feita a leitura da Legenda de Santa Clara e uma reflexão sobre sua vida, lembrando que foi justamente num Domingo de Ramos que ela fugiu de casa, abandonando os atrativos do mundo, para desposar-se com Cristo Crucificado. A Paixão de Cristo foi um dos grandes ideais de Santa Clara, haurido da espiritualidade de São Francisco. Ela o contemplou, identificou-se e viveu com Jesus este sublime mistério de amor. Nosso celebrante, após relacionar a vida de Santa Clara, o Domingo de Ramos e a Paixão do Senhor, questionou nossas atitudes e a forma como vivemos e expressamos a nossa fé. “Com os mesmos ramos que aclamamos Cristo Rei, também gritamos crucifica-o”. No final da Celebração os noviços entoaram em coro, de forma belíssima o canto: Irmão Francisco, irmão de todo irmão; Clara de Assis, irmã de toda irmã e foram muito aplaudidos pelos fiéis. Agradecemos a Deus por este momento especial e pedimos que Ele continue abençoando toda a Família Franciscana, particularmente as filhas de Santa Clara, neste Ano Jubilar. Mosteiro Maria Imaculada Rainha da Paz Ir. Maria Imaculada de Jesus Eucarístico, OIC

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EM NOME DO SENHOR Todas as que, iluminadas. Esse termo iluminadas é muito forte em toda a História da Salvação. Desde o início, antes da Criação era um caos quer dizer, tudo escuro e confuso. Deus acende a luz de seu Espírito para organizar tudo e dar harmonia. Mas depois do pecado do homem a terra entra em novo caos, o caos do pecado. Deus manda luzes em flesh através dos Profetas, para preparar os caminhos ao Sol Divino, que viria tirar muitos das trevas, abrir “os olhos dos cegos”e então iluminar, acender uma lâmpada dentro da pessoa fazendo-a reencontrar sua dignidade e caminhar no caminho certo. Conosco, Concepcionistas Franciscanas, acontece algo semelhante: perdidas no caos das nossas fragilidades e com a voz interior incessante, precisamos ser iluminadas para seguir o caminho a nossa vocação. Mas como? Através do chamado. Aqui vemos a vocação de todos os filhos de Deus, desde Abraão até o último que ainda está na mente de Deus. E para ouvir o chamado devemos estar com os ouvidos da alma abertos para obedecer à vontade de Deus. Às vezes estamos com os olhos bem abertos, enxergamos até muito bem, mas não estamos com os olhos da fé bem abertos como os Fariseus que olhavam com olhar de superioridade, desprezo e preconceito para os pobres e os consideram ignorantes, porque pensam diferente. Os Fariseus olhavam de cima para baixo das alturas de seus orgulhos, não sentiam com eles suas experiências e desafios, mas os exploravam sempre mais com suas leis. Podemos fazer uma experiência para entender melhor essa comparação. Andem descalços num caminho pedregoso, com espinhos numa floresta ou campo, encontrarão muitos desafios, cansaço, animais ferozes, insetos etc. Com toda esta experiência, 19


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irão sentir a realidade onde estão e sentirão partes da natureza criada por Deus e ganharão mais experiências para as suas vidas. Este modo de viver é a dos pobres de Javé. Façam uma segunda experiência: entrem em um avião e dêem uma volta em cima da mesma floresta e campo por onde andaram a pé. Verão um grande tapete em forma de um mosaico e o jeito de irem de um lado para o outro encontrará a maior facilidade. Porque não estão em contato com a realidade e estão olhando de cima e de longe. Por isso que Jesus disse: ”Zaqueu desce depressa”. Só sentindo com o outro é que vamos entender sua realidade, sua cultura e assim abrirão os nossos olhos; quer dizer acende-se uma luz, “ilumina-se” onde estava confuso e escuro. A fé é essa luz e sem luz não dá para encontrar o caminho e seguir o chamado (chamadas por Deus – R1). Então, o que devemos fazer? Devemos primeiro fechar os ouvidos para os barulhos do mundo, para podermos ouvir o chamado de Deus. E Ele chama todos os dias à conversão. Como fechar os ouvidos para o mundo? Procurando mais recolhimento junto ao Sacrário, fazendo a oração de Ana do AT “orações e gemidos”. Jesus disse: “Pedi e recebereis, procurai e achareis, batei e vos será aberta a porta”. Nosso Carisma é singular, único. Nascido direto da fonte da Trindade. Há uma pessoa que acolheu e viveu isso plenamente, Maria. E, seguindo os passos de Maria Imaculada, nossa Mãe Beatriz fez o mesmo.

Irmã Maria Helena da Silva.OIC Mosteiro Imaculada Conceição e São José – Piratininga/SP 20


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NOSSAS VENERÁVEIS IRMÃS Irmã Maria Joana de São Miguel No século, chamava-se Joana Josefa Ochotorena Arniz. Nasceu em Navarra, a 27 de dezembro de 1870. Foi batizada na Paróquia São Miguel de Anaiza. Em 29 de novembro de 1899 recebeu o hábito Concepcionista. Em 25 de novembro de 1890, Professou Solenemente. Era uma alma extremamente simples e entregue a contemplação. Era Irmã leiga, chefe de cozinha, onde trabalhava com cinco Irmãs. Foi realmente exemplar! Em 1931 quando se instalou a República, estava bem doente. Foi uma das que mais sofreu com a mudança do Regime. Foi com o corpo doente e alma magoada, mas feliz e alegre, que subiu o calvário do martírio com suas companheiras escolhidas por Deus.

Irmã Maria de São José

No século, chamava-se Basilia Dias Recio. Natural de Moradilha Del Castilho (Burgos). Nasceu em 14 de julho de 1889. Professou Solene em 1925, como Irmã leiga. Foi um exemplo de religiosa no silêncio, e era sempre sorridente para com todas. Quando atendia na cozinha, era um encanto pedir-lhe qualquer coisa! Na pobreza era edificante! Ela mesma fazia suas sandálias: as que as Irmãs não 21


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queriam mais, ela pegava para si e as usava. Nos distúrbios de 1934, foi designada como enfermeira das doentes e idosas. Na sua bondade e simplicidade Ir. Maria de São José se preparou para as tochas sangrentas.

SERVA DE DEUS MADRE MARIA DE LOURDES DE SANTA ROSA Fundadora do Mosteiro da Imaculada Conceição de Guaratinguetá, SP, passou toda a sua vida voluntariamente enclausurada, rezando, trabalhando e sacrificando-se pela salvação de muitos a ela confiados e também pela conversão dos pecadores. Suas últimas palavras foram: “Pedi a Jesus para sofrer pela salvação das almas!” Muitas graças e favores estão sendo obtidos por seu intermédio, cumprindo assim o que ela mesma um dia disse: ���No céu quero continuar fazendo o bem sobre a terra”.

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Boletim Federação Imaculada Conceição dos Mosteiros da OIC no Brasil Junho/Julho de 2011 – Ano 04 – Número 31

Aos 12 de Março de 2009 iniciou-se na Arquidiocese de Aparecida – SP o Processo Diocesano que tem por objetivo reunir os Testemunhos e as Virtudes da Serva de Deus. No dia 15 de Maio p.p. aconteceu o encerramento desse Processo, no Mosteiro da Imaculada Conceição em Guaratinguetá, após a Santa Missa das 09:00hs. Contamos com a presença de 33 Peregrinos vindos de Polignano a Mare, Província de Bari – Itália (cidade Natal da Serva de Deus) inclusive Monsenhor Vito e Pe. Gaetano da Paróquia onde a Serva de Deus foi Batizada. Estiveram presentes ainda parentes e devotos vindos da cidade de São Paulo, Co-Irmãs vindas do Mosteiro de Nossa Senhora da Ajuda (RJ) e do Mosteiro de São José e Santa Clara (Sorocaba – SP) bem como a Comunidade Local e pessoas agraciadas pela intercessão da Serva de Deus Madre Maria de Lourdes de Santa Rosa. Foi um momento muito especial, não só para o Mosteiro de Guaratinguetá, mas, certamente para a Ordem da Imaculada Conceição. O resultado desse Processo Diocesano foi encaminhado para a Congregação da Causa dos Santos em Roma. Esperamos que o Altíssimo a quem ela serviu com tanto amor e dedicação há de glorificá-la um dia, concedendo-lhe as honras dos Altares. Frei José Carlos da Silva, OFM Vice-Postulador

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Boletim Federação Imaculada Conceição dos Mosteiros da OIC no Brasil Junho/Julho de 2011 – Ano 04 – Número 31

Uma palavra de carinho para a aniversariante...

Vimos

cumprimentar

todas

as

queridas

Irmãs

que

aniversariaram nos meses de junho e julho, pedindo ao Bom Deus, que Ele, junto a sua Mãe Bendita, cumule a todas com toda a sorte de bênçãos e graças. Invocamos a tutela de nossa Santa Mãe Beatriz, para que seu Sim seja renovado e fortalecido aos pés do Altar Sagrado. Garantimos uma lembrança em nossas orações e na Eucaristia. Felicidades e Santa Perseverança!

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Atenção! Não deixe de enviar sua contribuição para o Boletim! Envie para: Ir. Magnólia de Maria, OIC Mosteiro de Nossa Senhora da Conceição Rua Campinas de Brotas, 737 – Brotas 40275-160 Salvador/BA E-mail: magui.oic@hotmail.com Fax: 71 3234-2721

Participe do Boletim! Esse espaço é nosso!

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Boletim- 31ª edição