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Confluências

B OL E T I M E SC OL A R

Confluências

(2ª Série) janeiro-março 2017

A poesia está na vida UMA FORMA DE SENSIBILIZAR A COMUNIDADE ESCOLAR PARA A CRISE DE REFUGIADOS QUE OCORREU DURANTE A II GUERRA MUNDIAL NA INAUGURAÇÃO, PERSONALIDADES DIRETA OU INDIRETAMENTE LIGADAS À DIÁSPORA JUDAICA

fotos de Artur Luís Antunes

UMA APOSTA

Entrevista ao Diretor

Nesta edição:

Scriptomanias …..……. Dupla Expressão .……. Scriptomanias ...……… Mafra ……………………. Ecos (Ex-Alunos) …….. December’s Celebrations ……………………... Diretor (Entrevista) … Turismo Sustentável .. Profissões ……………… Desafio Matemática … Breves …………………...

UM RECONHECIMENTO (pp. 12-13)

pp. 2-3 p. 3 pp. 4-5 pp. 6-7 pp. 8-9 pp. 10-11 pp. 12-13 p. 14 p. 15 p. 15 p. 16


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Confluências SCRIPTOMANIAS Um ângulo perfeitamente ridículo Quando me deito, a minha cama fica do tamanho duma almofada. Escondo os joelhos no peito e abraçoos com força, encolhida como um bebé. As minhas pestanas juntam-se e afastam-se num movimento cadenciado que acende e apaga as luzes. Do outro lado da janela vejo a noite, o estado natural duma parte do Universo ilesa da luz do nosso Sol. As pessoas estão caladas, provavelmente já a dormir. O sarcasmo das suas palavras e a hipocrisia dos seus movimentos começam a assentar como poeira no chão que amanhã vão pisar com desdém. Este chão que absorve a nossa maldade e aguenta o nosso egoísmo e tudo o que lhe damos em troca são dois pés do nosso tempo. E mesmo esses pés vão apressados. Andamos demasiado direitos. O vento sopra torto, a chuva deixa-se levar pela sua direção, as árvores inclinam-se à sua passagem, mas nós não. Nós continuamos direitos quando tudo o resto se deixa ficar torto. Isto pode até parecer um elogio, uma evidência da nossa resistência. Mas não passa duma birra. Que mania da superioridade, que hipocrisia. Os que fazem mais estragos pensam que merecem ter as árvores a fazerem-lhes vénias. A chuva, o vento, as montanhas, tudo o que cá estava antes de nós deixa-se ficar torto e nós continuamos num ângulo perfeito. Um ângulo a partir do qual men-

Título: Confluências Iniciativa: Departamento de Estudos Portugueses Coordenação de edição: António Souto, Manuel Gomes e Lurdes Fernandes Periodicidade: Trimestral Impressão: GDCBP Tiragem: 250 exemplares Depósito Legal: 323233/11 Propriedade: Escola Secundária de Camões Praça José Fontana 1050-129 Lisboa Telefs. 21 319 03 80 21 319 03 87/88 Fax. 21 319 03 81

timos, julgamos, discriminamos, lutamos, destruímos e sujamos. Mas continuamos direitos, sempre muito direitos. As pessoas deviam ser como cobras. Não traiçoeiras e venenosas, isso já somos sem precisarmos de ser répteis. E também somos capazes de matar com um abraço. Mas ao menos as cobras dedicam todo o seu corpo à terra que as sustenta, conseguem rastejar sobre os insultos que atiramos ao ar, que a gravidade trata de pousar no chão, e, é claro, sobre o lixo que atiramos diretamente para o chão. E o pior de tudo é que sabemos do mal que fazemos. Falamos sobre isto, escrevemos sobre isto, criticamos e julgamos quem vimos atirar lixo para o chão. A verdade é que só esta semana já devo ter feito cada uma das coisas que mencionei e critiquei pelo menos uma vez. Mas, ao vir para casa, garanti que andava numa linha direita e tentei controlar os fios de cabelo que se deixavam levar tortos pelo vento. Tentei pousar os pés no chão o mínimo possível mas, ao mesmo tempo, com força suficiente para erguer o meu 1m72 nuns perfeitos 90º a partir do solo. Um ângulo perfeitamente ridículo. Abraço os meus joelhos com mais força, tentando diminuir o espaço que ocupo, como se não o merecesse ou se isso diminuísse o meu impacto no mundo, como se ajudasse alguma coisa, como se fizesse diferença. Que mania da superioridade. Que hipocrisia. Sara Roseira Pimenta, 12º E

Acordei na manhã ainda escura Apenas um raio de luz surgia Lembrei-me de ti Que me alegras o dia. Saí da cama e confrontei-me comigo espelhada Nos meus lábios te vi Mais um beijo queria. Vesti-me de vermelho A tua cor E no meu corpo senti-te As tuas mãos em meu redor De seguida, fui alimentar-me Que a manhã era já tardia Uma fruta docinha comi, saberá a ti? Finalmente, de casa saí Quentinha na manhã fria

Fechei a porta e para os teus lábios corri.

Cristiana Franco, 11º J


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Confluências SCRIPTOMANIAS Lágrimas de fogo O céu chorava chamas. Três lágrimas cor de laranja que marcavam o fim da nossa existência. Nunca antes tinha visto tamanha multidão na rua. Uma infinidade de rostos cinzentos, de pescoço erguido como se a tentar encontrar ar fresco, mas isso eram coisas do passado. Bocas abertas e olhos desesperados suplicavam por mais um momento com os seus entes queridos. Mães agarravam os filhos. Os cães corriam desnorteados, tentando avisar-nos que já era tarde de mais. A humanidade era arrogante. Tinha rugas na testa por futilidades, mas a verdade não lhe causava mais que um breve pensamento. Nunca negámos que haveria um fim, que os nossos dias estavam contados. Atirávamos a pontapé frases filosóficas apenas por serem palavras bonitas que se imprimem numa camisola. Não fomos mais que um poço de frases feitas. “A única certeza que temos é que um dia vamos morrer”. Como fomos ambiciosos! Tínhamos de escolher

todos o mesmo dia? Vivemos a vida a escolher favoritos. Comida, cor, música, livros, filmes… Até mesmo pessoas. O nosso momento preferido. A memória que guardamos mais próxima do coração. Aquela voz que recordamos antes de ir dormir. E este instante? O nosso último? Em que todas as cores ficaram reduzidas a branco, em que todos os rostos nos são familiares, em que um beijo nunca significou mais, em que as nossas células respiram oxigénio pela última vez… O último som, a última visão, a última pessoa, o último contacto… Em que lugar o colocaríamos? Pergunto isto porque sempre tivemos uma queda por despedidas. Pelo significado de um adeus. Se é a ultima vez que vemos uma pessoa, tem de ser especial; se vamos partir para outro lugar, devemos fazer o melhor do nosso último dia, pois será a ele que nos agarraremos nesta súbita distância. Seja qual for, a ultima memória que temos de algo, é a que mais valorizamos. Mas naquele derradeiro instante, quente como nunca antes, mas ain-

da assim demasiado frio, as listas dissolveram-se. E finalmente como uma comunidade, dissemos o último adeus às cores, aos sons, uns aos outros. E demos as boas vindas às três lágrimas de fogo, tão diferentes das que cobriam os nossos rostos. Porque independentemente de todas as nossas listas mentais, a humanidade estava prestes a receber a única coisa que sempre quis e nunca pôde ter. Não que não tentássemos. A ciência rasgou as suas calças e rompeu os joelhos a tentar descobrir a resposta, mas cada coisa vem a seu tempo. E o nosso, era agora. O momento em que descobrimos o que é que vem depois. Não sei quanto tempo demorou este último momento de silêncio ensurdecedor, mas era como se o mundo tivesse parado. Se o espaço nos dá três dimensões, o tempo dava-nos agora uma quarta. E como a noite passa a dia, a própria vida tornou-se em algo novo, talvez a quinta dimensão. E visto desta perspetiva, tudo fica diferente. Afinal de contas, era só uma questão de tempo. Ana Carolina Correia, 12º E

DUPLA EXPRESSÃO - CRÓNICAS Não fosse a ironia, poder-se-ia imaginar um cronista doutrinário. Mas não, o sujeito da escrita cultiva o olhar do pícaro que, em tempos, serviu com desvelo o poder do momento, sem, no entanto, se deixar iludir... e que com essa servidão aprendeu que, infelizmente, o futuro não é muito diferente do presente, ao contrário do prometido nos idos de abril, do seu abril, feliz – eufórico.” In https://cabeleiragomes.blogspot.pt/2016/12/nao-fosse-ironia-dele-as.html

No passado dia 30 de novembro assistimos, na Biblioteca da nossa Escola, à apresentação pelo escritor António Manuel Venda, diretor da revista human, de mais um livro da autoria do nosso colega António Souto – Dupla Expressão – que, no final, leu, com a mestria que o caracteriza, algumas das suas crónicas, anteriormente publicadas no blogue “Floresta do Sul” e na revista human. Maria de Lurdes Fernandes (Nota e foto)


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Confluências SCRIPTOMANIAS Os doces anos (VII) Não foi fácil mudar completamente de vida. Não foi fácil passar a viver num sítio que em nada se parecia com o sítio onde sempre vivi, que em nada se parecia com a serra. A curiosidade inicial pela grande cidade foi desaparecendo à medida que as semanas passavam. Os edifícios de vários andares que me fascinavam passaram a ser apenas construções indiferentes que se assemelhavam a grandes prisões, umas juntas às outras. O barulho, a confusão, a multidão que se arrastava de um lado para outro como formigas atarefadas, tudo isto me fazia impressão, tudo isto me fazia querer voltar desesperadamente para as montanhas, para os rios, para as florestas e prados verdejantes… Mas nem tudo era mau! Encontrei em Lisboa o meu próprio refúgio, um lugar onde me sentia sempre bem, à beira do Tejo. Era um quadro bonito, a água que se estendia cintilante à minha frente, a outra margem, ao longe, envolta numa neblina suave e, de um lado, a maravilhosa ponte, ainda em construção. Talvez por esta minha admiração pelo Tejo, o meu pai prometeu levarme a ver o mar, que nunca antes tinha visto. Assim, numa manhã soalheira de domingo, iniciámos o caminho pela rua habitual que nos levaria ao Cais do Sodré. Uma rua estreita, cercada de ambos os lados por prédios de três andares, com as suas pequenas varandas decoradas com flores vibrantes e ervas que cresciam ao longo das colunas de ferro corroído. As portas das casas eram pequenas, de madeira colorida, faziam-me relembrar as aldeias e vilas da serra, com as suas portas pintadas de vermelho velho ou verde desgastado. Nas varandas, a roupa estendida, os lençóis brancos que refletiam o sol do meio-dia, os vestidos negros e as camisolas às riscas. Ao fundo da rua erguia-se a igreja, com a sua alta torre onde estavam os sinos que tocavam pontualmente de hora em hora. Mas o mais marcante naquela estreita rua eram as personagens que ali habitavam. Uma senhora de cabe-

Rua

Morais

Soares

(Lisboa) Esta cidade que seria minha, seria... poderia ser talvez. Uma cidade rodeada de história, de bairros populares e ruas vulgares. Rua minha, larga e bem vestida! Há variedades por todos os cantos,

lo muito escuro e pele morena que usava sempre um vestido azul e branco, que levava à cabeça vários jarros de barro, uns encaixados nos outros, e que tinha um sorriso nos lábios todas as manhãs. Um homem de idade, sempre muito bem arranjado, a barba impecavelmente feita todos os dias, o fato azul-escuro na melhor das condições e, claro, a expressão risonha e os olhos brincalhões. Um rapaz pequeno e desastrado, com pouco mais de onze anos, sempre com os calções rotos e a camisola suja, sempre de um lado para o outro a correr. E a enumeração destes moradores podia continuar por longas páginas, tão longas como a estreita rua que se prolongava infinitamente. Depois de quase uma hora de caminho chegámos por fim ao Cais do Sodré onde apanhámos o comboio que seguia em direção a Cascais. E a Cascais chegámos, finalmente, ainda o sol ia alto. E foi nesse início de tarde de domingo que vi pela primeira vez o mar. Já tinha visto lagoas e barragens de água escura que se estendiam por alguns quilómetros, mas lagoas e barragens em nada se pareciam a este mar. Um mar com vários tons de azul que continuava e continuava e nunca terminava, um mar que se enrolava em ondas de espuma branca quando chegava à costa, um mar de uma beleza maravilhosa e, ao mesmo tempo, um mar que impunha respeito a todos os que o olhavam. Ainda estávamos a meio da primavera, havia poucas pessoas na praia a passear à beira-mar. Eu e o meu pai sentámo-nos num muro sujo de areia clara e ali ficámos, parados, em silêncio, ouvindo o marulho e admirando o mar… Se não fosse pelo vento frio que se instalara, quando o sol já lá ia no horizonte, teríamos ficado ali mais tempo. Hoje, ao ver a praia, o mar, as gaivotas, ainda sinto o mesmo encanto que senti naquele dia, no dia em que, por alguns momentos, abandonei uma cidade que me encurralava por todos os lados e senti de novo aquela liberdade única que sentia todos os dias nas montanhas. Beatriz Santos, 12º C cantos distintos que causam encantos. Uma rua encantada, com personagens excêntricas. Uns rostos mais arredondados que outros, uma escadaria de alturas. Um dinamismo internacional e memorial. Esta rua é solidária inconscientemente, é a companheira dos desacompanhados. São os sorrisos tímidos dos jovens e a agitação do povo na hora de ponta. Alexandra Antolini, 11º J


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Confluências SCRIPTOMANIAS Pássaro de cera e sonhos Ícaro já nem se lembrava do que era a escuridão. Quando fechava os seus olhos, tudo o que via era fogo. A Cidade de Luz ocupava cada pedaço da sua mente acordada, e, quando caia no mundo dos sonhos, era lá que ele vivia. Há muito que o Sol tinha deixado de ser só a fonte de luz e o relógio do dia. Era muito mais que isso. Um símbolo de esperança, um sonho distante, um talvez. Talvez um dia conseguisse chegar ao Sol. Talvez um dia pudesse abandonar a Terra cinzenta e voar até à luz. Sonhos de criança, ele bem o sabia. De que servia sonhar com o impossível? Até ele mesmo tinha consciência bem lá no fundo que o seu destino era ficar. Ainda assim, quando se deitava, só via chamas a toda a volta. Era tarde demais. A ideia surgiu-lhe aos poucos. Primeiro, quase como uma brincadeira. Um cenário hipotético de algo que ele nunca faria. Foi só quando todo o plano se tinha construído na sua mente, como um edifício que cresce até rasgar os céus, que ele se deixou acreditar. O dia tinha sido escolhido. Nunca o tinha dito em voz alta, mas para Íca-

ro era como se tivesse sido escrito em pedra: Iria partir. Penas foram unidas com cera. Asas falsas para um pássaro falso. Uma construção macabra para o ser humano renegado. O homem que homem nunca seria. O único ser humano louco o suficiente para sonhar com chamas em vez de as temer. E com aquela invenção maculada, embriagado na certeza do sucesso e inevitabilidade do fracasso, Ícaro levantou voo. A hesitação durou apenas um instante. Depois, pássaro que nunca seria pássaro, e homem que nunca seria homem, viu os seus pés a afastarem-se do chão e soube que nunca voltaria para trás. O Sol brilhava no horizonte. Ícaro estava tão perto que conseguia ver os telhados dourados na Cidade de Luz. O seu braço estava esticado para poder sentir os primeiros raios de Sol. Ansiava pelo calor como se tivesse vivido enclausurado em gelo. Ele era um fósforo e só queria arder. E por um mísero instante, Ícaro quase sentiu uma faísca dentro de si. Quase. A primeira gota atingiu-lhe o pé como uma bala. Mas o seu olhar estava demasiado devoto ao Sol para ser desviado. Seguiram-se mais gotas, uma cascata de cera a escor-

rer pelo seu corpo. Quando os seus olhos foram finalmente obrigados a avaliar a situação, a cera derretida já era demasiada. Penas soltas voavam em todas as direções, algumas delas incinerandose em pequenas danças de luz. A queda foi dura como mil agulhas a espetarem-se nas suas costas desprotegidas. Os telhados dourados estavam subitamente tão longe. O seu paraíso novamente inalcançável. Procurando desesperadamente conforto naquele momento entre o tudo e o nada, Ícaro fechou os olhos. Mas, para sua surpresa, não viu a Cidade Dourada, nem a escuridão profunda que o rodearia até à eternidade. Não. A sua última visão antes de atingir o túmulo de água salgada foi uma pena consumida pelas chamas. E Ícaro sorriu. Estava eternamente tão longe, mas pelo menos aquela parte de si tinha sentido o fogo ardente. Tudo o que ele teve foi um quase, mas nunca ninguém antes dele tinha chegado tão perto. Alguns iriam recordá-lo com um louco sonhador, outros como ambicioso e insatisfeito. Mas quem nunca tira os pés da Terra não pode chegar ao céu, e por um instante o horizonte tinha sido todo seu.

Ana Carolina Correia, 12º E

O lado positivo Não suporto pessoas pessimistas que odeiam a vida. Não gosto de julgar os outros e sou defensora de que cada um é como é. Ninguém tem de ‘’meter o nariz’’ na vida dos outros, mas a verdade é que há certas coisas que me incomodam tanto que me chegam a tirar do sério. Acho que tenho esta opinião devido à minha personalidade e à minha maneira de ver as coisas. Desde pequena que sou a pessoa mais otimista, alegre e extrovertida que alguém pode conhecer. Às vezes até demais. É óbvio que não têm de ser todos como eu, não têm de estar sempre alegres. Aliás, nem eu estou sempre neste estado eufórico de pura alegria. Nem eu, nem ninguém. É óbvio que a vida não é um conto de fadas, não corre sempre tudo às mil maravilhas, mas o que é certo é que não podemos desistir. Esta é a única oportunidade que temos! Todo o mundo devia parar um segundo para pensar quão bela é a vida, a sorte que temos por estar cá e poder presenciar tudo o que se passa à nossa volta, todas as evoluções e todos aqueles pequenos momentos que nos marcam ou que simplesmente nos levam a esboçar um leve mas tão verdadeiro sorriso. As pessoas deviam parar de ser tão ingratas, parar de se queixar e encarar a vida com delicadeza. Aproveitemos os pequenos prazeres da vida, todas as risadas, todos os pores-do-sol, todas as lufadas de ar fresco, todas as fragrâncias que nos acalmam e nos deixam em paz, todas as rotinas e todos os momentos diferentes e inesperados. Lembremo-nos do que é ser feliz.

Ana Rita Mateus Galhanas, 12º D


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Confluências MAFRA Desenho de Mafra É um desenho, como se se tratasse de um azulejo. Valor simbólico A peça central corresponde à planta do Palácio, Basílica e Convento de Mafra; a coroa representa a vontade/poder real; o bebé representa a promessa relativa à obtenção de um herdeiro; os bois, as vidas sacrificadas em prol de um objetivo maior; as duas citações, frases que se articulam muito bem com o decorrer da narrativa, mas que valem, por si só, como lemas filosóficos.  o paralelepípedo, no topo da imagem, é suposto ser a pedra transportada pelos homens.

    

Daniel Barreto, 12º C

O “Liceu Camões” em Mafra No dia 13 de fevereiro de 2017, as turmas do 12º ano da Escola Secundária de Camões fizeram uma visita a Mafra, no âmbito da disciplina de Português, e do programa de estudo relativo à obra de José Saramago, Memorial do Convento. Já em Mafra, o programa da ‘excursão’ começou com uma visita guiada ao Palácio Nacional de Mafra, alusiva à obra de estudo; seguida de uma caminhada até ao local no qual, devido às referências presentes na obra, se presume viviam alguns dos protagonistas; foi, então, dado aos alunos algum tempo livre para almoçar e descobrir individualmente a vila de Mafra, e, nomeadamente, os jardins do Convento; por fim, a viagem de volta, tendo-nos sido destacados alguns locais mencionados em Memorial do Convento. Pessoalmente, a parte que achei mais interessante foi a própria visita ao Palácio. Penso que o grupo em que me inseri teve uma guia muito simpática, e que se fazia compreender muito bem por um público como o nosso, e acho que essa vantagem enriqueceu bastante a visita. Ela também fez uma boa distinção ao explicar a diferença entre a realidade e a história do convento e da sua construção e a ficção de Saramago (bem como do trabalho de investigação do autor para a escrita da narrativa). Fiquei a compreender muito melhor a obra, e ela propôs um ponto de vista a partir do qual ainda nem sequer tinha pensado: a comparação entre os dois casais da obra, Baltasar e

Blimunda e "el-Rei" e a Rainha; quando li a obra, penso que o meu foco principal foi, não só a relação entre Baltasar e Blimunda, mas também a aventura deste casal ao envolver-se com o Padre Bartolomeu e o seu projeto. Mas, enfim, penso que até essa visão focal ficou um pouco distorcida com o final do livro (…). Relativamente à obra, esta visita também se centrou muito no "caminho da pedra", e de como esta importante parte do livro faz referência

à crítica geral do "povo trabalhador versus o capricho de um rei". Como qualquer obra ‘substancial’, esta parte de análise é muito significativa e não pôde deixar de me fazer pensar. Nunca tendo estado anteriormente no interior do Convento de Mafra, não poderia ter imaginado a grandiosidade da obra, e se não soubesse que uma enorme parte da população masculina de Portugal tinha sido levada, contra a

sua vontade, para trabalhar naquela construção, não compreenderia como teria sido concluída em tão pouco tempo. Os espaços são enormes e ricos, caindo na categoria transitiva entre o estilo Barroco e o Rococó – o primeiro, caracterizado pelo excessivo ornamento, o "horror ao vazio"; o segundo, nascido com o instinto de combater o primeiro, o que deu a esta edificação um requinte distintivo. O Palácio é constituído por inúmeras salas, com as mais diversas finalidades, desde quartos reais a salas de convívio, cada compartimento decorado à sua maneira e por devidas razões. Razões estas explicadas pela guia: quer por hábitos de higiene, quer por maneirismos da época. Um espaço que me deslumbrou particularmente foi a biblioteca, apesar de não termos tido a oportunidade de andar pelos seus corredores em "cruz", com uma estética muito aprazível, com os predominantes brancos e castanhos, as paredes dos dois pisos preenchidas com livros dos mais variados temas – porém, e infelizmente, nem tudo na decoração estava terminado, como por exemplo os medalhões no topo das estantes (ver foto anexa). Tenho a certeza de que, terminada, a biblioteca seria ainda mais fascinante! Em suma, gostei bastante desta visita, particularmente da visita guiada pelo Palácio de Mafra, que foi muito esclarecedora, tanto para o entendimento da obra de José Saramago, Memorial do Convento, como da história da construção do mesmo e da sociedade da época.

Débora Mogueiro, 12º L


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Confluências MAFRA Foto: Ana Beatriz Mendes, 12º C

Confissões de um Frade A curiosidade domina o meu coração. Sou um homem de Deus, a ordem franciscana é a minha casa, e a Ele me dedico, mas não a tempo inteiro. O cheiro e o folhear das páginas completam-me. São mais 36 mil livros numa só biblioteca e cada um encerra em si um pedaço de verdade. Conseguir lê-los a todos e absorver tudo o que têm para ensinar era um sonho que em vida, certamente, não poderei realizar. Talvez apenas quando lá em cima estiver, ao lado do Pai, tenha tempo para o fazer. Porque o tempo é imparável, corre mais depressa do que a vontade gostaria, e, mesmo assim, divido o que me resta entre os livros, as missas e as orações. Quando para este convento fui destacado, logo me encantei com os dois andares revestidos de estantes encaixadas umas nas outras, preenchidas por lombadas de couro gravadas a ouro. E aquele globo da 1ª metade de século XVIII, uma belíssima representação deste mundo que nos serve de passagem. A própria serenidade majestosa que emanava daquela sala, com a cor branca do seu teto côncavo, que iluminava e fazia sobressair as obras que protegia, e as gravuras decorativas, tão minuciosamente esculpidas, bem ao estilo rococó. Para grande tristeza minha, continua com o mesmo ar inacabado. Por cima das estantes, alternadamente, encontram-se uns medalhões ovais onde deveriam ter sido colocados retratos de escritores, contudo, isto nunca foi feito e parecem agora monótonos espelhos de pedra. Bem sei que um dos princípios fran-

ciscanos é a sobriedade e, por isso, seria contraproducente acabarmos nós os aspetos decorativos, iniciados num plano de talha dourada, expressão estilística tão ostensiva. Por esta razão, tento manter o meu gosto pela arte e pela arquitetura recatado e apaziguo-o com a ideia de que, assim, com este ar despido, a biblioteca ganha vida na imaginação de cada um, tornando-a, talvez, mais pessoal. Quem me conheceu ainda como um jovem sonhador e curioso, nunca diria que seguiria pela via eclesiástica; decerto a minha vocação nunca foi essa. Sempre senti que a minha verdadeira paixão era o saber, a evolução do conhecimento e a mudança das verdades. No entanto, para o povo, a educação era rudimentar e focava-se muito na preparação para trabalhos manuais. Eu, vindo de família pobre, não tinha acesso a uma educação mais especializada se não fosse através da ingressão na vida religiosa. Penso que o meu amor por Deus foi algo que incuti em mim próprio de forma racional. Não significa que não seja verdadeiro, porque, de certa forma, é graças a Ele que tenho a possibilidade de enriquecer a minha sabedoria, e, por isso, estou-Lhe muito grato. Respeito e aprovo os valores franciscanos, nomeadamente a vida simples, em comunhão, humilde, sem apego aos bensmateriais, e a procura sempre pela justiça e pela verdade. Guio-me em grande parte pelas crenças religiosas, porém nunca me fechei às restantes que circulam pelo mundo, mesmo sendo estas tão opostas ao que difundo como frade. Há uns anos, a nossa biblioteca foi favore-

A vida de uma pedra – Ahhh! Parem!!! Parem com isso!!! – Quem ousa incomodar-me? Passei tantos anos em Pêro Pinheiro, tinham de me vir tirar daqui, agora?... – E pronto, já estou no carro. Tanto boi para quê?! Eu sei que absorvi uns quantos minerais a mais nos últimos anos, mas acho que não estou assim tão pesada… – Esta subida está a demorar… – Wow!!! Tenham cuidado com a curva! Não quero cair… – Estes homens não estão com muito bom aspeto… Não parecem felizes por me estar a transportar. – Ok, eu admito, ganhei uma ou duas toneladas no último milénio. – Cuidado, cuidado, cuidadooo!!!

cida pelo Papa Bento XIV com a autorização de poder albergar livros proibidos pela Inquisição. Estes encontram-se em três estantes do piso superior e, sempre que deito os olhos neles, parecem chamar por mim. É como disse, a curiosidade domina-me o coração, e por mais esforços que faça para me abstrair dela não a consigo reprimir. Estes livros estão disponíveis a qualquer frade do convento, todavia não existe por hábito lêlos, é mal visto perante a irmandade. Mas eu, sendo prisioneiro da vontade indomável de saber, quando a lua brilha no alto e os morcegos planam de um lado para o outro na biblioteca, esgueiro-me para folhear as páginas que tanto profanam contra os velhos ideais católicos. Abordam temas desde as ciências ocultas, em que a maior perversão é acreditar num rumo diferente da alma após a morte, às teorias científicas, como o heliocentrismo, que garantiu ao seu maior defensor, Galileu Galilei, a detenção e castigo pela Inquisição. Mas, acima de tudo, os que mais me prendem a atenção e me fazem questionar as circunstâncias sociais e políticas em que vivemos, são os que atacam o absolutismo monárquico e que defendem os ideais revolucionários franceses. Tão temerário como estes escritores gostaria de ser, em vez de me esconder por detrás do hábito e de convicções retiradas de um livro secular. Ó biblioteca deste tão pouco modesto convento em Mafra! Porque sois tão rica em pecado? Ó mente humana! Só tu para tomar gosto pelo fruto proibido…

Mafalda Pereira, 12º C

– Puff! Crrrrrr! – Eu avisei! Agora fiquei toda suja… Um trabalhador a menos… – Espero que isto sirva de lição, a partir de agora oiçam-me quando digo para terem cuidado. – Demorou, mas finalmente cá estamos! Mafra!!! – Não… parem com isso, afastem essas ferramentas de mim! – Oh! Oh! Ai! O que aconteceu? Sinto-me mais leve… Por que é que estou aqui ao alto?! Quem é este? – Não te atrevas, não faças isso. Pronto, tinha de ser… Este tipo vem para aqui de pijama e com um penico na cabeça, com ar de quem se acha muito importante e mete os pés em cima de mim como se eu não fosse ninguém…

Tomás Prazeres, 12º E


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Confluências ECOS DE EX– ALUNOS Quando saí do Liceu Camões [em 2012], para o Ensino Superior, fiz a Licenciatura de 4 anos em Fisioterapia, tendo-a concluído com média de 17 valores. Encontrei, nos estudos, o brio e a motivação de que andava à procura. Fui convidado para trabalhar no Alentejo, logo após o término do curso. Proposta que aceitei de bom agrado. Volvidos 3 meses, fui convidado para trabalhar no Hospital Santa Maria, onde me encontro desde novembro de 2016. Pedro Farinha

Respostas para perguntas próprias Chego ao elevador. Os dois disponíveis. Só mesmo à noite. O contentamento foi sol de pouca dura. Celeremente, apercebo-me de que nenhum dos dois se encontra a funcionar, deslocando-me em direção à escadaria mais próxima. Afinal, 6 andares não matam ninguém! Largos e frios degraus, sem passadeiras, me separam de visitar aquele homem, e, depois de uma subida convicta, chego à entrada da enfermaria. Cumprimento quem é de dever e direito e dirijo-me ao quarto onde durante uma semana me desloquei para desbloquear aquela sua imobilidade, em períodos em que a descida para a Sala 6 não era viável. Boa noite, Carlos. Os olhos daquele homem rapidamente mudaram de cor. Virou o seu pescoço excessivamente devagar e com um cautelismo minucioso, quase como se estivesse tão partido como a sua perna. Grande Pedro, então ainda trabalha a esta hora? Desenvolvemos a nossa conversa dentro dos parâmetros habituais, no entanto, tanto ele como eu, sabíamos que o que me levara ali, àquela hora, não seria uma conversa normal. Horas antes, pelo fim da manhã, na grande Sala 6, já tínhamos privado os dois, perante variados olhos que nos rodeavam. Mas agora. Agora, éramos só nós os dois. Cumprimentámo-nos. Promovi a proximidade e reclinei-me sobre as grades da sua cama, sem deixar de lhe ajeitar a roupa e a almofada, incorretamente posicionada no braço que fraturou jun-

tamente com a perna, vítima de atropelamento. Deitado naquela cama, revelou-me que nem a televisão conseguia ver, quando o questionei. Ponderei manobrar-lhe a cama para um bom lugar de plateia, projeto que prontamente ignorou e posteriormente recusou. Sinceramente, não faço questão, Pedro. Verbalizou, num olhar desanimado e gritante. O silêncio, que revelava debaixo daqueles lençóis azuis e brancos amarrotados, guardava a ânsia que a alma discute dentro de si. Temos de manter a confiança. Eu já o pus a andar como disse que faria. Estou à espera que acredite em si. Inicia um choro desenfreado. Um choro como nunca outro anterior. Um choro líquido, corredor de uma velocidade de mágoa pesada, como que o desabar de toda uma armação, que se tem vindo a montar pedra, sobre pedra, dos silêncios e sofrimentos que para si guarda e de onde não os tira. Aproximei-me. Dei-lhe tempo e espaço. Estou desanimado, Pedro. Fale comigo, Carlos. Reiniciou o discurso como se ao Prior se confessasse. Entre choros, primeiramente, o suicídio do pai, há cinco anos. Seguidamente, a morte da sua mãe, acamada seis anos, de quem cuidou o melhor que soube. Terceiramente, a morte do seu irmão, quando ambos eram pequenos. Cresci praticamente sozinho. Não cresci sozinho, mas é como se fosse. É tudo junto, Pedro. É tudo junto. A minha vida está uma merda. (continua na página seguinte)


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Confluências DA ESCOLA SECUNDÁRIA DE CAMÕES (continuação da página anterior)

Escutei. Escutei novamente o ecoar das mortes e dos sentimentos de revolta, um após o outro, na minha cabeça. Escutei, naquele momento, o ecoar de todas as mortes. Escutei, naquele debruçar sobre a cama, todas as ilusões na cara de quem não mais pode ter esperança. Escutei, sobre aquela cama, todas as almas que me têm deixado, mais ou menos rápido neste mundo, com o sentimento de que deixei trabalho por fazer. Volto a escutar o Carlos. Volto àquela cama e àquele quarto. Os restantes colegas de quarto dormem. Quis que o Carlos falasse e que as lágrimas as limpassem os lençóis que sobre o seu corpo repousavam e oscilavam com os movimentos do peito, particulares do seu choro profundo. Sabes, estar aqui deitado o dia todo sem trabalhar, obriga-me a pensar nestas merdas todas. Encontrei o meu ponto de entrada, no fim do choro e no início de um tom mais esclarecedor. Peguei no seu ombro e procurei que o meu discurso fosse o mais sucinto e sincero possível. Cumpri a minha função. Queria sentir que o tinha feito, no fundo. Continuo a defender que escutar apenas e apenas escutar é a melhor ajuda que poderemos oferecer a quem precisa de ser ouvido, mas que não precisava de conversar. Estabeleci um acordo com o Carlos. Concordamos que a sua motivação seria centrar-se nele próprio e que a mudança do foco mental está na capacidade de se cingir a preocupações diárias e aos seus objetivos pessoais.

Traçamos como primordial objetivo a coragem de realizar no fim de semana um levante autónomo, sozinho e deambular com andarilho, até à porta do seu quarto. Não são muitos metros, nem com uma fita esticada perfaz uns cinco. Mas isso não me importa. O Carlos não precisa de andar. Isso já faz na Sala 6. O Carlos precisa de acreditar. Acordámos as quarenta e oito horas do sábado e do domingo para progredir até à porta da sala de refeições e lá começar a nutrir-se. Acordou comigo que vai avançar com coragem para a deambulação independente. Acordou comigo que nele vai acreditar para voltar à sua vida, sozinho. Acreditar. Esticou o seu braço para me cumprimentar. Cerramos os punhos e despedimo-nos à cowboy. Não sou do Cacém, mas quem visse, diria que éramos do mesmo bairro. O choro tinha acabado. E aqueles olhos irradiavam um tom diferente. Um brilho de confiança. Até segunda, meu caro. Saí do quarto e retornei ao meu Serviço, sob a luminosidade do olhar do Carlos que por aqueles corredores sombrios e silenciosos me orientou o caminho. Já não coxeava. Mas sentia as pernas pesadas. Algo me consome lentamente. Ao fim e ao cabo, carregava em mim um fardo pesado, na leveza em que o Carlos tinha ficado. São vinte horas e seis minutos. Quarenta e oito horas me separam do Carlos.


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Confluências DECEMBER’S CELEBRATIONS Dong Zhi Festival (Winter Solstice Festival)

related to Yin, the feminine and the negative things. That’s why this festival is celebrated in a happy and familiar environment. When and where it is celebrated There are many typical dishes. The most recognisable is the Tang Yuan, because it The Dong Zhi Festival (Winter Solstice Fes- symbolises reunion and unity. There is also tival) is a chinese festival celebrated every Dumplings, Mutton, Noodles, Wonton, Redyear originally in China and later in other bean and Glutinous rice meal. The food is an East Asian countries, important factor, as it is cooked by the whole such as Japan, Korea, Vietnam during the winter solstice (between the 21nd and the 22nd of December). Last year it was celebrated on the 22nd of December. Who celebrates it This celebration is similar to Christmas: the families get together to have a meal full of typical dishes. Although it’s not an official holiday, most of the people take the day off to reunite with their family. What is celebrated

family and has a specific meaning, like we saw before. The festive food is also a reminder that celebrators are now a year older and should behave better in the coming year. Many people, specially elderly, still insist that one is "a year older" right after the Dong Zhi celebration instead of waiting for the lunar new year. Although this is not practiced anymore, anciently people used to get together to worship, to dinner and to have a sacrificial ceremony.

The main purpose is to welcome Spring. As we know, the winter solstice happens when the days start getting longer and the nights start getting shorter. Its principles, symbols and traditions According to the chinese beliefs, the day symbolizes Yang, the masculine and the positive things. Conversely, the night is

Cecília Faria, 11º B Francisco Pires, 11º B José Moniz, 11º B Matilde Almeida, 11º B


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Confluências DECEMBER’S CELEBRATIONS Hanukkah Introduction In this work, we aim to learn more about Hanukkah, a famous Jewish holiday. The importance of this work consists in getting to know other culture, habits and traditions, so that we are able to broaden our horizons. Firstly, general information about this holiday will be given and, after that, we will specify some aspects as how it is commemorated, its origin and traditions. We hope to achieve the objectives proposed and to awake interest among our colleagues. General Information Hanukkah, also known as "festival of lights", is a wintertime holiday where eight candles are lighted during the eight days of the festival. Although Hanukkah is not one of the most important holidays of Jewish tradition, it is still celebrated with specific dishes and ceremonies and it is a great opportunity to reflect and talk about beliefs. Hanukkah it is celebrated in November or December every year since 200 BC. The holiday begins on the 25th day of Kislev – the ninth month of the ecclesiastical year on the Hebrew calendar – and is celebrated for eight days. To celebrate Hanukkah, people usually stay at home or go either to another's home and synagogues. Origin Around 200 B.C., in Judea, Jews, who were ordered to worship other gods, were prohibited, under penalty of death, from studying their sacred texts. When their holy Temple was defiled, a small group of Israelites, known as “The Maccabees”, defeated one of the most powerful army in the world and reclaimed that holy place. To rededicate it to God, the eternal flame in the Temple's lamp stand had to be lit and the sacred olive oil needed to burn during eight days. Although there was only a one-day supply of oil, it was decided, in faith, to light the flame anyway. And a miracle occurred: the jug of oil refilled itself every day with enough oil to relight the Temple's lamp stand, until new oil was prepared. Since that time, Hanukkah has been celebrated for eight days to recall that miracle.

Traditions and Celebrations Hanukkah’s main symbol is the menorah, a candle holder with 9 candles: eight of them represent the eight days of this celebration and the one in the center, which is called shamash, is used to light the other candles. The menorah is then put in a place where it can be seen by everyone, reminding people the importance of this holiday. A candle is lit every day at sunset, special blessings are recited and traditional songs are sung. By the 8th day, all candles are burning and, in the end, they can’t be blow out- they must burn down completely. Usually, families play dreidel, a game that consists of spinning a special dice to win either pennies, nuts, chocolate and chips. Children’s positive behavior is rewarded with chocolate bars, coins or money given by family members – this tradition is called Chanukah Gelt. Traditional food is cooked mostly, if not all, fried to remind the importance of oils and the history of this holiday. Hanukkah allows adults to teach children not to be afraid to stand up for what’s right and to increase in matters of goodness.

Conclusion This group work constituted a rich learning experience since this project gave us a wide knowledge about some Jewish traditions that we had never heard before. It was due to this work that we came to understand the importance of searching about different cultures, religions or habits. We have referred all the topics we considered important and we hope it was a pleasant reading.

Webography http://www.history.com/news/history-lists/8-things-you-should-know-abouthanukkah http://www.whychristmas.com/customs/hanukkah.shtml http://www.telegraph.co.uk/news/2016/11/16/when-is-hanukkah-2016-what-isthe-jewish-festival-of-lights-and/ http://www.bbc.co.uk/schools/religion/judaism/hanukkah.shtml

Maria Carolina Leal, 11º B Mariana Santos, 11º B Raquel Sá, 11º B Sara Cal, 11º B


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Confluências

O DIRETOR DA ESCOLA SEC Dr. João Jaime Pires «Em 1992, fui colocado nesta escola, como professor de Matemática. Um ano depois, estava na direção e, desde então, ocupei sempre cargos relacionados com a administração e gestão escolar – presidente do Conselho Executivo (mas também vice-presidente e vogal), presidente da Assembleia de Escola e, ultimamente, diretor. Presentemente, sou membro do Conselho para a Educação da Fundação Francisco Manuel dos Santos e, ainda, membro do Conselho Municipal de Educação de Lisboa.» Confluências (Confl.) – Durante o atual mandato como Diretor, de que modo a Escola se “posicionou como instituição de referência” e em que setores tal se tornou mais evidente? No mesmo sentido, que parcerias institucionais foram estabelecidas? Diretor – Ao longo do período compreendido entre 2013 e 2017, assistimos, com grande satisfação, ao posicionamento da nossa escola enquanto instituição de referência em vários domínios, de que podemos destacar a oferta letiva proporcionada a todos aqueles que, por motivos vários, não puderam completar o ensino regular. O ensino noturno ocupou um lugar de destaque ao disponibilizar opções formativas únicas na Grande Lisboa. A implementação do Centro para Qualificação do Ensino Profissional / Centro Qualifica (CQEP/CE) e do Ensino Secundário Recorrente à Distância (ESRaD) mereceu, da nossa parte, a maior atenção, não apenas porque se revelava uma necessidade evidenciada por um conjunto alargado de pessoas cujo acesso à escola se encontrava negado por circunstâncias diversas, mas também porque verificámos uma grave lacuna neste âmbito. Qualquer análise desta dimensão ficaria incompleta sem referência ao destaque que a escola tem assumido enquanto instituição de ensino verdadeiramente multicultural. A este respeito, o selo intercultural surge como o reconhecimento dos esforços encetados para dar resposta a uma realidade cada vez mais premente. O nosso contributo pretendeu posicionar a Escola Secundária de Camões como instituição de referência, como espaço de vivências enriquecedoras e potenciadoras de escolhas múltiplas com um denominador comum: o sucesso, suportado numa visão em que a cultura, nas suas múltiplas aceções, assume um lugar central, no respeito pela pessoa e pelas suas sensibilidades, posicionando-se de um modo mais abrangente e integrador na vida de cada membro da comunidade

escolar. Muitas foram as parcerias que permitiram dar visibilidade à escola e estabelecer uma relação com a comunidade escolar, que vão desde a junta de freguesia, a Câmara Municipal de Lisboa, o ABCine, a Associação Abril, a Antena 2, o Grupo Desportivo e Cultural do Banco de Portugal, o Alto Comissariado para as Migrações. Realço, igualmente, o protocolo com a Universidade Nova e com o Instituto de História Contemporânea, através da professora Fernanda Rolo, que, usando uma metodologia de trabalho de projeto, permitiu valorizar o CURSO DE LÍNGUAS E HUMANIDADES. Confl. – Quanto aos objetivos da melhoria dos resultados escolares e da redução do abandono escolar, que estratégias foram adotadas para os concretizar? Diretor – Considerando ser a nossa escola exclusivamente secundária, o ainda recente alargamento da escolaridade obrigatória, bem como a contradição legal da permissão de entrada no mercado de trabalho aos 16 anos, torna-se difícil perceber quais os números reais de abandono escolar. Os indicadores do InfoEscolas revelam uma melhoria, sobretudo no sucesso educativo, apesar de haver oscilações de ano para ano e de disciplina para disciplina. Há uma série de medidas que foram sugeridas no relatório de autoavaliação que pretendemos introduzir, nomeadamente: implementar planos de ação específicos nas disciplinas com maior desvio em relação aos indicadores de sucesso perspetivados; reforçar o caráter sistemático e contínuo da avaliação formativa; uniformizar a consistência de procedimentos de avaliação ao nível dos grupos e departamentos curriculares; incrementar mais medidas que fomentem o trabalho colaborativo e cooperativo; consolidar dispositivos pedagógicos, designadamente ao nível das Tecnologias de Informação e Comunicação. (Continua na página seguinte)


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Confluências

CUNDÁRIA DE CAMÕES RESPONDE… (Continuação da página anterior)

Foto: Lurdes Fernandes

Confl. – Numa escola há tanto tempo à espera de requalificação, será realisticamente possível Gostava de realçar a nossa oferta pós-laboral, com oferecer um ensino de qualidade? a variedade de percursos que podem permitir a conclusão de estudos dos alunos, e a abertura de um Cen- Diretor – A escola à espera de requalificação não tro para a Qualificação de Adultos (que funciona no perde o seu valor patrimonial e histórico nem deixa de ser um edifício com alma. O espaço de liberdade Edifício da Almirante Barroso). que se vive na Escola, onde se cruzam diversas cultuConfl. – Em relação ao Projeto Educativo, penras, contribui para um ambiente propício a uma boa sa que ele está ajustado à diversidade de alunos aprendizagem. que frequenta a Escola? Confl. – Em termos de ‘indisciplina’, e com os Diretor – Nos últimos anos, o que temos observado dados internos que possui, considera, à semeé que os alunos e os pais procuram a Escola Secundálhança do que tem sido noticiado a nível nacioria de Camões por se identificarem com o seu Projeto nal, haver motiEducativo. Sem vos de preocupadúvida que a ção sobre esta forte vertente matéria? cultural da escoDiretor – No seguila atrai um mento da resposta determinado anterior, a nossa tipo de alunos, escola tem um nível nomeadamente de indisciplina baios do Conservaxo comparativamentório. te ao que se ouve na Confl. – Ou comunicação social. será preferível É evidente que, sencaminhar para do uma escola um Contrato exclusivamente de Autonomia secundária, as idaem que o Prodes dos alunos revejeto Educativo lam alguma maturida Escola, ao dade. determinar a Confl. – Para conoferta, condicluir, quais foram cione, de foros maiores obstáculos que, em termos de gestão, ma objetiva, a procura? encontrou nos últimos quatro anos? Diretor – Quanto aos contratos de autonomia, tenho sérias dúvidas da sua eficácia e do seu contri- Diretor – Além do adiamento das obras e das difibuto para a melhoria da Escola, ainda por cima quan- culdades para aquisição de equipamentos que qualifido, atualmente, se pretende que as Escolas passem quem minimamente as salas de aula, há um cansaço generalizado nas escolas – pela carga administrativa para a gestão das Autarquias. ao nível da gestão, pelo congelamento das carreiras e Confl. – Como é que é possível gerir a formapela desvalorização do papel do professor e da Escola ção dos recursos humanos adequados aos obje- Pública em geral. Indepentivos do Projeto Educativo sem dispor de uma dentemente das dificuldades “unidade de formação” na própria escola? que possamos enumerar, há Diretor – As escolas estão associadas a um Centro um denominador comum, os de Formação a quem compete legalmente assegurar alunos, que permite um as necessidades de formação de professores e funcio- balanço positivo, através das nários. É claro que isto não impede que a escola tenha atividades que desenvolvem, o seu próprio plano de formação, apesar de este estar do entusiasmo que revelam condicionado pela falta de meios financeiros e huma- e, acima de tudo, do facto de nos. “gostarem do Camões”.


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Confluências TURISMO SUSTENTÁVEL Em posição de escuta atenta, na fila da frente, e incumbidos da tarefa de anotarem os conteúdos das comunicações apresentadas, estiveram, sempre com bom desempenho no que toca a registos com pormenor, os alunos Gabriel Vaz e João Prata. Ao João coube, ainda, fazer o resumo das comunicações no encerramento do seminário.

O Seminário Litoral Sustentável (CoastWatch 2017) teve lugar, no dia 9 de novembro de 2016, no auditório da Escola Secundária de Camões. A primeira Comunicação, Turismo Sustentável, foi proferida por Maria João Silveira. A Professora da Universidade Lusófona de Lisboa prendeu a atenção da plateia de alunos. Num discurso repleto de ideias positivas sobre a juventude, falou sobre a importância da participação ativa dos jovens nos assuntos da sociedade e, em particular, no debate das questões ambientais. Defendeu que mais do que as boas práticas ambientais, como estratégia formativa dos jovens, é preciso enquadrar a sua formação no desenvolvimento de uma ética para o ambiente e para as atividades humanas. Ao abordar o tema do turismo sustentável, salientou que é preciso estabelecer um código global de ética para o turismo; estes códigos deverão assentar na noção de ética. A Organização Internacional do Turismo, em Madrid, tem esta finalidade. Disse, ainda, a oradora no seminário que este quadro ético é percetível nos discursos escritos ou falados sobre o ambiente e o turismo sustentável, quer por decisores políticos, quer por jornalistas ou outros protagonistas. Com feito, são usadas as expressões ‘sustentabilidade’, ‘proteger’, ‘preservar’, ‘equilibrar’, ‘respeito pela paisagem’, ‘ambiente controlado’, ‘salvaguarda de valores ambientais’. Esclareceu, também, que o Turismo Sustentável, em conformidade com o Código Mundial de Ética para o Turismo (OMT), deverá ser ‘ecologicamente correto’, ‘economicamente viável’, ‘socialmente justo’ e ‘culturalmente diverso’, apelando à juventude pre-

sente para que esteja atenta e exija, através da sua participação em organizações de cidadãos, o cumprimento da atividade turística assente nestes pilares. Adiantou que, segundo a OMT, o desenvolvimento sustentável do turismo é um processo que requer a participação e o comprometimento de todos os atores envolvidos com o turismo, nomeadamente, os poderes públicos, que, ao incentivarem e apoiarem o processo, deverão estimular a participação da população por meio da construção de consensos. Mais uma vez, reforçou a ideia de que os produtos turísticos sustentáveis são desenvolvidos em harmonia com o ambiente, a natureza e as culturas locais. Só assim estes se convertem em beneficiários (crescimento da economia local) e não somente em espetadores do processo de desenvolvimento turístico. Maria João Silveira, estando a falar para jovens alunos, reforçou a ideia de que o turismo sustentável é um paradigma, com valores e finalidades éticas, e não um tipo de turismo como o turismo religioso ou de aventura; este paradigma fundamenta-se na ética do Amor, enquanto sentimento de vinculação à terra, à natureza e às culturas locais. A Professora fez uma leitura do conceito de sustentabilidade presente em todas as atividades. Por exemplo, fala-se de ‘turismo sustentável’, ‘economia sustentável’, ‘sociedades sustentáveis’, ‘educação para a sustentabilidade’. Concluiu, então, que a sustentabilidade é uma

filosofia científica do futuro. Referindo-se à construção história do conceito, sublinhou que o conceito de sustentabilidade já não é novo, tendo surgido em 1987, no âmbito do relatório Brundtland Our Common Future, ao ser proposta a necessidade do uso sustentável dos recursos ambientais (água, ar, solos…), no presente, para que as gerações futuras possam vir a beneficiar dos mesmos em boas condições. Ao comunicar para professores e alunos, a Professora salientou que a preocupação deveria ser (e é) ensinar e aprender o Turismo Sustentável. Porém, como? Praticar a educação para o turismo sustentável é fomentar uma educação em comunhão com a natureza, porque a natureza humaniza-nos. Por outras palavras, aprender que estamos sempre em dívida para com a natureza e que a destruição ecológica retira o prazer, desumaniza. Terminou a comunicação fazendo o seguinte apelo aos presentes: colaborem para o desenvolvimento do turismo sustentável. O Turismo é o apelo dos sentidos, o apelo ao prazer. No turismo, a variedade, a diferença, a atração pelo novo e pelo desconhecido faz falta e deve ser privilegiada. Texto elaborado a partir nas notas dos alunos Gabriel Vaz (3º N) e João Prata (2º N)


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Confluências AS PROFISSÕES VÃO À ESCOLA Entre 20 e 24 de fevereiro, a Escola, numa iniciativa partilhada, levou a cabo a Semana das Profissões. Um evento que mobilizou centenas de alunos e que contou com a presença de vários convidados - de diversos setores do mercado de trabalho e com experiências interessantíssimas.

PROFISSÕES DE OUTROS TEMPOS Aproveitando a ocasião, o Prof. José Luís Vasconcellos organizou uma exposição que trouxe de volta à lembrança ainda de alguns (já não da maior parte dos alunos) antigas profissões que o tempo e a modernidade se encarregaram de ‘apagar’.

DESAFIO “MATEMÁTICA” A partir deste número, o Boletim Confluências passará a incluir um desafio matemático. A divulgação do(s) autor(es) que resolver(em) o problema será feita no número seguinte. Desafia-te!

Dois amigos tomaram um ferryboat para navegarem num rio. No mesmo instante e do lado oposto do rio, partiu outro navio navegando, ambos, segundo direções perpendiculares às margens. Os dois barcos mantêm velocidade constante, mas um é mais rápido do que o outro. Encontram-se a 720 metros da margem mais próxima. Ambos ficam 10 minutos parados nos seus cais antes de regressarem. No regresso, encontram-se a 400 metros da outra margem. Qual a largura do rio? As propostas de resolução, devidamente identificadas, devem ser enviadas para confluencias@escamoes.pt


ESCOLA SECUNDÁRIA DE CAMÕES http://www.escamoes.pt BE/CRE http://esccamoes.blogspot.com/

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Confluências

B

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E

V

E

S

A DINÂMICA DE UMA ESCOLA

A todos quantos colaboraram com a cedência de textos, fotos e cartazes para este Boletim, uma palavra de agradecimento.

Com o generoso apoio do Grupo Desportivo e Cultural do Banco de Portugal

Public confl 37  
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