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Confluências

Confluências

(2ª Série) outubro / dezembro 2013

Camões: uma Escola por Tempos e Marés

12 de novembro O arranque do novo ano letivo ficou marcado pela Grande Gala no Coliseu dos Recreios

Nesta edição:

Scriptomanias Relatos Scriptomanias Portugueses no séc. XX - Álvaro Cunhal Sciptomanias Um espetáculo camoniano De corpo e alma Ler para viver & Feira do livro de Natal Camões em ação Coralina Testemunhos Breves

p. 2 pp. 3-4 pp. 5-6 p. 7 p. 8 p. 9 pp. 10-11 p. 12 p. 13 p. 14 p. 15 p. 16


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Confluências SCRIPTOMANIAS Pertencia-lhe O sol batia forte, obrigando-a a semicerrar os olhos, e o vento e o mar fundiam-se num só, tornavam-se num emaranhado de lágrimas e sorrisos; liberdade. A areia branca onde se sentara era fina, como o tempo que tem a vida. Pegou-lhe na mão e juntou-a à sua. De seguida, retirou-lhe a pulseira cor do mar e tirou uma fotografia, que guardaria para sempre. Sorriu ao observar o écrã da câmara, as mãos unidas, uma só mão que transportava o amor e o carinho de duas pessoas que há tão pouco se conheciam. Caminhavam. O vento tinha dado lugar a feridas e sangue, o mar de lágrimas a gargalhadas verdadeiras, o calor a largos sorrisos. Aquela voz, aquela companheira que acabara de ganhar, transmitia-lhe tanta segurança… confiança. Paz de que tanto precisava para acalmar a confusão em que vivia. As duas, caminhando estrada fora, sem destino. Conversavam dos sonhos, dos soldados, das flores, dos poetas… Dos medos. Confessou-lhe tudo, contou-lhe do barco incerto onde tinha embarcado, onde tinha pescado a tristeza, a solidão, a obscuridade de alma… Deveria sentir-se aliviada… porém, sentia que tinha perdido algo que lhe pertencia. Sentia um vazio. Ela acalmou-a, contou-lhe histórias de lutadores, pediu que não tivesse medo. Não estava sozinha. Agora era dela. Pertencia-lhe.

Joana Almeida Flor, 10º L Ontem vi um velho que andava um velho que andava e corria eu vi um velho que andava este velho andava e dizia eu agora ando e corro um velho que corre e manda um velho que anda e morre Título: Confluências Iniciativa: Departamento de Línguas (Grupo Disciplinar de Românicas) Coordenação de edição: António Souto, Manuel Gomes e Lurdes Fernandes Periodicidade: Trimestral Impressão: GDCBP Tiragem: 250 exemplares Depósito Legal: 323233/11 Propriedade: Escola Secundária de Camões Praça José Fontana 1050-129 Lisboa Telefs. 21 319 03 80 - 21 319 03 87/88 Fax. 21 319 03 81

um velho que morre e manda agora ando e morro e assim o via andar dizer enquanto corria este velho capaz de sorrir de viver enquanto morria e então anoiteceu chega um frio de gelo pó que veio cobrir o

Corpo que a sorrir morreu Ontem vi um Velho que andava um Velho que andava e sorria eu vi um Velho que andava este Velho andava e morria.

Duarte Bénard da Costa, 10º L 16. Outubro. MMXIII

anos virá, Em vez de aproveitarmos o presente, Do futuro ainda não alcançado? Que tão inconscientemente, Ou melhor, de que me serve Deixamos escapar por entre os recear dedos, Esse mesmo futuro tão distancia- Permitindo desta forma que os do? medos Roubem o pouco tempo que ainÉ claro que o tempo voa da temos? E tem voado ultimamente, Que mais parece uma rola Além disso, se desperdiçarmos A viajar descontroladamente. tanto do presente A pensarmos sempre no que se Mas de qualquer forma, segue, De que vale preocuparmo-nos Será que temos futuro sequer? com o que ainda cá não está E que só daqui a dias, meses, Anca Ciuntu,12ºE

De que me serve fugir


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Confluências RELATOS “Era uma manhã muito fresca, toda azul e branca, sem uma nuvem, com um lindo sol que não aquecia, e punha nas ruas, nas fachadas das casas, barras alegres de claridade dourada. Lisboa acordava lentamente…” O passado dia 3 de abril de 2013 em nada se assemelhou a esta descrição de Lisboa. O dia começou da maneira mais sombria e desanimadora possível: cheio de nuvens e de presságios de um dia cheio de chuva. Contudo, para quem nunca visitou Sintra da forma como o fizemos, o tempo não chegou a esmorecer o entusiasmo que sentia. O tempo continuou assim durante a viagem de autocarro, mas chegados à primeira paragem da visita (Cascais), este mostrou-nos uma cara mais sorridente e ofereceu-nos alguns raios de sol (acompanhados de vento, mas isso não importou). Cascais sem as multidões atraídas pelo calor intenso do verão continua a ter um toque especial. As ondas que embatiam nas rochas e na areia da praia, o seu movimento incansável e o seu ruido agradável, transportou-me para uma realidade pacífica e de certa forma bela. Passeámos por várias praias e, de seguida, visitámos a Lagoa Azul que nos aproximou ainda mais da natureza. Após a parte geológica desta visita de estudo se ter concluído e após termos observado locais com marcas fantásticas de fenómenos geológicos, dirigimo-nos à Vila de Sintra. Foi aqui que iniciámos e experienciámos o famoso passeio de Carlos e Cruges (já com um estado do tempo mais próximo do descrito no livro de Eça de Queirós). O primeiro ponto de paragem foi o Paço em frente ao Palácio Nacional de Sintra

(que continua a ter “cachet”, tal como Cruges afirma n’Os Maias). As famosas chaminés proeminentes do Palácio dãonos uma clara ideia de que este foi na sua altura (e continua a ser) uma grande obra de arquitetura. Após nos termos afastado da escadaria principal do palácio, conseguimos ver o local (agora ocupado por um edifício que infelizmente se destaca do resto da paisagem pelas piores razões) em que se situava antigamente o Hotel Nunes, no qual Carlos e Cruges se instalaram. Seguimos pela Praça da República e continuámos pela Rua Consiglieri Pedroso, chegando ao antigo Hotel Lawrence’s (reconhecido pelo seu restaurante). Apesar de o edifício não se encontrar nas mesmas condições, e de já não ter o tal “ar simpático” que Cruges refere, creio que todos conseguimos imaginar o momento em que Carlos vê o tal par de botins (que ele julgava serem da Maria Eduarda) numa das janelas, secando ao ar. Depois dessa breve paragem, e depois de alguns passos dados, deparámo-nos com a grade que tanto impressionou o Cruges. Creio que essa paisagem é a que mais se assemelhou à descrição do livro; continua a existir o tal vale consumido pelo vasto arvoredo cerrado, continua a existir uma frontaria de casa, contudo, já não tão branca, e sim, o ar continua um quanto delicioso. Devia e vou acrescentar, que o som do riacho que passa aí perto também dá ao quadro completo um encanto natural. De volta ao caminho, enfrentámos uma longa e demorada subida que nos cansou mas também agradou, já que vários pontos pelos quais passámos, tinham pormenores que nos chamaram a atenção. Deixámos para trás a Rua Consiglieri Pedroso e seguimos pela Rua Barbosa du Bocage,

Da janela do autocarro Certa tarde, dentro de um autocarro, comecei a sentir a necessidade de escrever. Não estava a ser fácil escolher um tema, mas foi essa dificuldade que originou este texto. Para me inspirar, ia espreitando pela janela e ia observando tudo e todos com atenção. Só uma coisa estragava aquele momento, só essa pequena coisa impedia uma vista clara para o exterior, era a informação impressa a vermelho no vidro: “Saída de Emergência”. A determinada altura, apercebi-me que o tema perfeito para o meu texto estava ali, à frente dos meus olhos, e eu nem tinha dado conta. Não é um tema usual, nem sei sequer se é um bom tema, mas o que os meus olhos viram naquele momento, pareceu-me um ótimo assunto.

na qual encontrámos uma pequena queda de água, que, pessoalmente, me agradou. Passámos pela Quinta da Regaleira que, apesar de apenas vista de fora, pareceu espetacular! Seguindo caminho e continuando a nossa cansativa subida, chegámos ao jardim de Seteais e ao seu Miradouro a partir do qual vimos grande parte dos arredores de Sintra. Já virados de costas para a vista do miradouro, e contemplando o arco sob o qual passáramos, observámos o tal cume da serra, invadido por vegetação, carregando o peso do impressionante Palácio da Pena. De volta à praça central, o caminho tornou-se muito mais fácil e apesar de a chuva ter começado a cair, o estado de espírito de todos estava para lá do positivo. É claro que não pudemos deixar de passar pelo café que vende as famosas queijadas, que, ao invés de Cruges, “não nos esqueceram”. Sinceramente diverti-me bastante e adorei a visita de estudo. Passámos por locais completamente novos para mim e apesar de o cansaço estar bem presente, não nos deitou abaixo, pelo contrário, deu-nos mais determinação para aproveitarmos o passeio e para o vencer. Registamos muitos momentos e muitos sorrisos com as câmaras fotográficas; adquirimos, sem dúvida, novos conhecimentos e creio que ao realizarmos o percurso de Carlos e Cruges, levámos a história presente n’Os Maias para um nível mais realístico e próximo de todos nós. Fiquei convencida de que Sintra é uma vila linda, cheia de história e de encanto! Sim, este foi, sem dúvida um dia muito bom.

Anca Ciuntu, 12ºE (autora da foto em cima à esquerda) Texto produzido no ano letivo transato.

Aquela tarde cinzenta e triste fez-me reparar nos pormenores, em pormenores que normalmente passam despercebidos mas que naquele dia, eram o centro das minhas atenções: as pequenas ervas que crescem junto aos prédios, os toldos dos cafés sujos, as vedações dos jardins tortas, os passeios inclinados, as luzes das pequenas, das grandes, de todas as lojas que iluminam as ruas e que têm um brilho diferente nos dias escuros. Como os grandes artistas encontrei a inspiração na vida. Não sendo um grande artista, usei o seu método de inspiração, por isso, quem sabe, talvez esteja no bom caminho!

Renato Dias, 12.ºG Texto produzido no ano letivo transato.


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Confluências RELATOS Sintra de Os Maias… Num livro com pouco mais de 700 páginas, encontrase retratada a história de 2 gerações centrais da família Maia com uma escrita artística, paixão, espírito crítico e ceticismo concentrados e de alta qualidade. A escrita é rica em figuras de estilo e em descrições infalíveis protagonizadas pelo autor, Eça de Queirós. No passado dia 3 de abril, a nossa turma realizou uma visita de estudo a Sintra no âmbito do estudo da obra Os Maias, mais precisamente, do estudo do capítulo VIII, onde é retratado um episódio da vida romântica deste livro. Esse episódio é uma ida a Sintra, por amor, e é muito especial porque é onde estão visivelmente expostos os dotes do autor e o poder de descrição do mesmo. Tentarei ao longo desta crónica descrever essa visita, mas será que serei capaz de alcançar os calcanhares de Eça? Duvido, mas não é impossível. Antes da ida a Sintra, fomos à praia do Guincho, em Cascais, no âmbito da disciplina de Biologia e Geologia e já nesta fase inicial da visita, o contraste entre o que se vive na cidade e o que se vive nos arredores, é arrebatador. Quando chegámos a Sintra, tornou-se colossal. Consegui entrar na visão de Eça e experimentar esta diferença como ele o fez, sendo nos dias de hoje, essa diferença, muito maior. Sair do ambiente dos prédios, dos arranha-céus, do trânsito e da tensão e entrar no mundo rural, belo, místico, e encantador de Sintra. Sintra tem a marca do homem em ruas simples e

O papel social dos jornais tem mudado ao longo da sua existência. Os jornais, em suporte de papel, já não fazem parte do dia a dia da maioria da população. Muitos preferem receber as notícias pelo telejornal ou pela internet. Mas será que as pessoas aderem aos jornais online? O jornal não serve só para informar as pessoas dos acontecimentos mais importantes. O jornal pode ser útil a todo o tipo de pessoas: as mais distraídas podem sempre resolver

rústicas naquela zona florestal, mas também tem o belo palácio da Pena e o castelo dos Mouros que protagonizam um papel soberbo nas descrições do Eça em certos momentos, como constatei quando estive no Palácio de Seteais em frente à paisagem que segurava o outro palácio mágico de Sintra e ouvi a leitura de uma passagem do capítulo, que descrevia esta mesma imagem que se assemelhava a uma pintura a óleo. Entrei em dimensões diferentes neste e noutro momento descritivo e de admiração de uma paisagem. A paisagem que se avistava da Lawrence. Aqui não dei só asas à visão, mas dei também à audição, como Eça sugeriu. Os pássaros, a água e as árvores em perfeita harmonia com os meus sentidos. A cereja no topo do bolo foi fazer o percurso que as personagens fizeram, ver o que eles viram, ouvir o que eles ouviram, cheirar o que eles cheiraram, observar o que eles observaram. Simplesmente, de outra dimensão! No fim de tudo, ficou o peso nas pernas, mas nada comparado à satisfação verdadeira que sentia por ter tido uma experiência daquelas. Confesso que aprendi e retive mais naquela visita de estudo do que em muitas aulas que já tive acerca de Os Maias (no entanto, fugi à regra e saltei a parte das queijadas).

os passatempos; os mais informados podem ler as crónicas; os mais aventureiros podem ler reportagens de grandes viagens pelo mundo fora; os mais críticos podem ler o que os outros fazedores de opinião pensam sobre qualquer coisa. No entanto, uns tantos preferem não comprar o jornal. Preferem esperar que chegue o telejornal, ou vão a sites como a iol ou o sapo, para saber o que acontece no mundo. Penso que esta estratégia não funciona bem porque os bons jornais são muito mais informativos, críticos, bem construídos, verdadeiros que todas as outras formas de obter a informação. Pior ainda é que a população está a deixar de ler essas “fontes de informação”. Em vez de ver o telejornal ao jantar, veem canais cinematográficos ou especializados em

Fernando Loureiro, 12º E (autor da foto em cima à esquerda) Texto produzido no ano letivo transato.

séries, esquecendo-se que a informação, o conhecimento, é mais importante que tudo isso. A população em geral torna-se, rapidamente, num grupo de analfabetos que pode vir a destruir por completo o que os nossos antepassados tanto lutaram para obter. O mundo não está só a passar por uma crise económica, está a viver uma crise de conhecimento. As pessoas deixaram de querer saber mais, apenas esperam que alguém faça por elas. Afinal, existem sete mil milhões de pessoas no mundo! Espero que, no futuro próximo, as pessoas abram os olhos e deixem de parte os filmes, as séries, os jogos de vídeo… não é preciso que os dispensem por completo, mas que reservem uma parte do dia para obter conhecimento. Eduardo Gameiro, 11º B


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Confluências SCRIPTOMANIAS “Perdi-me dentro de mim” Perdi-me dentro de mim. Porque eu não era eu, E em mim não podia encontrar-me. Vagueio lentamente pelos estilhaços, Embaciados e abandonados. Sujos e disformes, Que refletem uma alma perdida.

E assim calma flui a alma. É com tamanho espanto que a encontro, Triste e achada. Rapidamente, uma nova energia brota em mim, Já alguma vez me senti assim? Será vontade, mito ou simplesmente desassossego? Finalmente encontrar O que tantos procuraram E nenhum conseguiu achar! Gonçalo Fonseca, 12ºE

A educação é o futuro Porque será que as pessoas com menos oportunidades na vida dão mais valor ao que têm? Em África, nas zonas onde há essa possibilidade, existem crianças de seis anos que percorrem vinte quilómetros pelo próprio pé, sem terem o conforto dos pais no caminho para a escola. Quando lá chegam, paira no ar o respeito e admiração pelo professor, que não é costume entre nós atualmente. Aqueles pequenos seres ali ficam, prontos para beberem o copo diário de sabedoria.

Já nos países desenvolvidos, como o nosso, as crianças só sabem dar valor àquilo que não lhes é necessário; só sabem dizer que não lhes apetece ter aulas de português ou que a aula de estudo do meio é uma seca. Levam os seus caderninhos e lá vão elas como se fossem para o inferno. Mas, então, porque será que as crianças com oportunidades não dão valor ao que têm?! Poderá ser por tomarem tudo o que têm como garantido, ou então por tudo ser diferente do “antigamente”. A história da huma-

nidade parece dividir-se em “antes da tecnologia” e “depois da tecnologia”. De facto, antes de esta chegar ao mundo, havia mais contacto entre as pessoas. Nós não somos robôs, somos humanos, e precisamos de sentir, de tocar, de viver. Todos nós sabemos o quão importante é a educação. A educação é o futuro. Então, se calhar, porque é que não começam por explicar isso na escola e em casa? As crianças formam-se a partir dos adultos, por isso, estes que lhes ponham alguma coisa dentro da cabeça. Daniela Campos, 11ºE

Lugares comuns ou lugares fora do comum? Desde sempre, o Homem sujeita-se a tendências criadas dentro da sociedade, independentemente da época em que estiver inserido. As tendências são vulgarmente conhecidas por “modas” ou “correntes”. Estas tendências são caracterizadas por vários aspectos, mas sempre intimamente ligados à expressão. Esses critérios são, por exemplo, o vestuário, a linguagem, a arte usualmente apreciada, quer no que diz respeito às artes plásticas, quer no que diz respeito à música, à literatura ou ao cinema, etc. Mais do que nunca, no século XXI, estamos inseridos num cenário em que o que mais há à escolha são as “modas”. Mas todas as “modas”, sem excepção, têm um mote em comum: sê diferente e foge aos lugares comuns. A verdade é que as pessoas seguem determinada moda sem terem em conta esse mote, mas porque o próximo a segue. Quer seja uma celebridade, quer seja um amigo ou um conhecido. Todos fogem dos lugares comuns e todos somos culpados. Mas se todos fugimos desses lugares e migramos para os lugares fora do comum, não torna esses mesmos lugares, lugares comuns? Então, essas “modas” e seus motes são das maiores utopias que alguma vez existiram. Criaram, ao longo do tempo, uma futilidade tal nas pessoas que tudo perde o seu significado e sentido de existência. Se a arte perde o seu significado e essência, então o que estamos aqui a fazer? Fernando Loureiro, 12º E


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Confluências SCRIPTOMANIAS “Retrato após 20 anos” Tenho 35 anos e ainda me lembro hoje de entrar para escolas novas… o nervosismo, a sensação assustada, o medo de não me integrar bem, das pessoas não me aceitarem… No entanto, hoje, recordo com saudade esses tempos; sinto saudade de poder chegar a casa e contar o meu dia inteiro aos meus pais até eles já não conseguirem ouvir mais. Agora, espero que o meu filho, daqui a 3 anos, possa entrar para a escola e sentir tudo o que eu senti e, daqui a uns anos, possa também recordar tudo o que se passou, com tanta saudade como eu recordo. Quanto à minha paixão pela escrita, que guardo desde sempre, consegui publicar um livro. Não foi nada fácil, nada mesmo, ouvi muitos “não”, mas, se tivesse desistido, não teria tido a felicidade de realizar um dos meus grandes sonhos… Continuo bastante unida à minha família. Agora conto-lhes o que se passa no emprego e não na escola. No entanto, o entusiasmo predomina na mesma. Trabalho como jornalista, num jornal pequeno e sem muita importância; contudo, gosto bastante de lá trabalhar, pois o ambiente é ótimo! Posso dizer que tenho sido bastante feliz! A vida tem-me dado bastantes coisas com que me alegrar e, portanto, espero continuar assim, pelo menos por mais 35 anos… Espero poder ver os meus netos, ser uma avó galinha e, depois de tudo isso, de ter toda essa alegria, então, partirei feliz…

Inês Brandão, 10º J

Razões para ler a obra Onde está a felicidade? O livro Onde está a felicidade? de Camilo Castelo Branco é uma obra de leitura interessante, pois revela uma moral que decorre da procura de resposta a questões acerca da vida que são pouco abordadas, mas que não são por isso menos importantes. Para além desta vertente mais reflexiva, esta obra apresenta-nos ainda o retrato crítico da sociedade da época. Permite-nos conhecer e comparar a sociedade do século XIX com a do século XXI. A construção desta narrativa, que data de 1856, permite-nos aceder a um discurso e a um léxico peculiares, que nos transportam para um passado que nos parece longínquo. A moral deste livro decorre da resposta à pergunta colocada no título da obra: Onde está a felicidade?. O autor cria uma história “modelo” de forma a apresentar-nos a sua perceção da felicidade e de como obtê-la. A surpresa surge no final da história, em que o autor revela que a felicidade: “- Está debaixo de uma táboa, onde se encontram cento e cincoenta contos de réis…” e que: “(…) a felicidade em Augusta (…) é o esquecimento. Sabes onde é que se encontra o esquecimento? (…) é nas mil diversões que offerece o dinheiro.” As questões abordadas ao longo da obra centram-se no triângulo: felicidade, amor e dinheiro. O tema do amor é abordado em relação às condições em que se desenvolve, quais as suas necessidades e qual a sua relação com a felicidade. Para o efeito, Camilo recorre às teorias de Stendhal. Paralelamente, o dinheiro surge como um pilar da felicidade, em vários momentos fulcrais da obra. Ao abordar o tema do dinheiro questiona-se a sua relação

com a felicidade e critica-se a ganância. Estes temas têm um caráter tão intenso que o leitor se questionará e procurará por si próprio refletir sobre eles. Esta leitura aproxima-nos também das vivências sociais da época e do seu enquadramento histórico. A obra situase após a Segunda Invasão Francesa e decorre principalmente no Porto. O autor utiliza Guilherme do Amaral para criticar os costumes da sociedade “Aquella scena preliminar de uma orgia não lhes parecia nova, nem excessiva”, “Amaral retirava-se saciado do Porto, enjoado seriamente d’este delicioso burgo, (…) que abre a boca, espreguiçandose, até deslocar as maxillas.”; “-Que juízo faz das mulheres d’este globo?/-Pessimo: mentira, matéria, venalidade, corrupção.”. As diferenças entre o discurso utilizado na obra e o discurso atual permitem-nos enriquecer o nosso léxico e observar a mudança dos estilos de comunicação, facilitando, assim, um conhecimento comparativo da Língua Portuguesa entre o século XIX e o XXI. Podemos, também, apreciar os contrastes culturais que surgiram em apenas dois séculos: “(…) beijo-lhe esta mão com reconhecimento (…)”; “Em tardes serenas passeiavam a cavallo (…)”; “O jornalista tomou o braço de Amaral e conduziu-o para uma d’essas avenidas (…)”. Em síntese, posso considerar que a leitura deste livro é altamente recomendável a todo o leitor que se sinta desafiado a descobrir por si próprio a felicidade e que se proponha refletir sobre os temas introduzidos pela obra, através da história inspiradora que nos oferece, do crítico retrato cultural e das reflexões sobre a natureza humana.

Manuel Sousa Ribeiro, 11º A


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Confluências PORTUGUESES NO SÉC. XX — ÁLVARO CUNHAL OS MEUS ENCONTROS COM (O DR.) ÁLVARO CUNHAL (Texto que introduz a exposição temporária no átrio da Biblioteca) 1. Nascido, baptizado e criado em Lisboa, numa família da classe média, burguesa, de referências e valores tradicionais, na qual conviviam um republicano «almeidista» anti-Estado Novo (o meu avô), um monárquico «couceirista» (o meu pai) e duas senhoras católicas praticantes (a avó e a mãe). Neste meio, o «reviralho» e o comunismo eram considerados muito suspeitos e perversos... 2. Na minha instrução académica secundária (em tempos da «Guerra Fria») não se estudava a evolução da Rússia do Czarismo para o Socialismo totalitário mas, já na Universidade Clássica (Direito), lembro-me que uma «algo tempestuosa» intervenção numa aula de Constitucional (Prof. Armando Marques Guedes), referindo a importância das revoluções de 1848 e da publicação do Manifesto Comunista de Marx e Engels, provocou bastante «frisson» no anfiteatro 1 da Faculdade - tive muita sorte porque a PIDE não me questionou! 3. Quando mudei para Letras (História) tomei conhecimento, oficiosamente, da aplicação das teses sobre a luta de classes nas Ciências Sociais (creio que nos meados da década de 60 publicara-se em Paris a obra do Dr. Álvaro Cunhal sobre esse tema no Portugal medieval) mas essa abordagem era um quase completo «tabu» ao longo do curso. Tendo corno circunstâncias a escalada atómica e a espionagem, quando muito falava-se sobretudo da eficácia dos «planos quinquenais», da ideologia anti-capitalista e do miserabilismo da União Soviética e dos países da Europa de leste... 4. Depois, numa progressiva profissionalização para a docência, comecei a ensinar, fiz estágios, casei, nasceume o primeiro filho (uma rapariga) e quando chegaram os fumegantes tempos pós-25 de Abril verifiquei que, entre 1974 e 1976, como um «milagre», o país conseguira evitar que, em nome de «amplas liberdades», uma «ditadura de esquerda comunizante» viesse substituir uma nunca mais findável «ditadura de direita fascizante». 5. Em 1990 tornei-me professor efectivo do ex-liceu onde fizera os primeiros quatro anos do secundário, o Camões e, no Verão de 1991, um número de A Revista do Expresso (vide fotocópia anexa), trouxe um extenso artigo intitulado Políticos na escola que me informou que, entre 1924 e 1931, o Dr. Álvaro Cunhal fora durante um ano aluno do Pedro Nunes e os restantes seis frequentara o Camões. 6. Como, entretanto não só dava aulas de História aos 10.º,11.º e 12.º anos mas também fora convidado a trabalhar no «Museu da Escola», as tarefas da busca da fundamentação documental das peças aí depositadas levaram-me a frequentar o Arquivo da Secretaria em cujo acesso para a cave, um dia, em cima de um armário, encontrei um volume de plástico cujo conteúdo era nem mais nem menos do que os Livros de Frequência dos 6 anos curriculares do Dr. Álvaro Cunhal como aluno interno do nosso liceu. Comunicado o precioso achado ao Conselho Executivo de então, os livros foram devidamente registados e guardados nas correspondentes caixas francesas. 7. A primeira vez que esses livros vieram a público foi numa exposição interna histórico-institucional (meados da década de 90). Mais tarde, após devida autorização, eles foram filmados para a RTP e, com o andar dos anos, à medida que se multiplicavam as obras impressas sobre o Dr. Cunhal, principalmente após a sua morte (desde a biografia política, de Pacheco Pereira até ao «intimista» Álvaro, Eugénia e Ana, de Judite de Sousa), pelas lacunas que elas revelam, sentiu-se a necessidade imperiosa de publicitar com rigor os referidos 6 livros de frequência. Isso mesmo aconteceu já este ano, nos espaços do Auditório Camões, ao mesmo tempo que o PCP patrocinou duas notáveis realizações: uma exposição no Pátio da Galé e uma fotobiografia lançada no referido auditório. 8. Esse material (que eu transcrevi e o Prof. Francisco Pereira – hoje a leccionar no Pedro Nunes – magnificamente digitalizou) é agora exposto pela segunda vez mas integrado numa sequência de grandes figuras históricas nacionais que viveram no século passado. É que o Dr. Álvaro Cunhal - mesmo para aqueles que sempre foram adversários da sua ideologia e da sua «utopia» políticas – pela sua inteligência, pela sua cultura e «artes» estético-literárias, pela sua coragem, determinação e coerência foi e será um permanente e incontornável «contraditório» na história do Portugal do século XX. José Vasconcelos 10/11/013 [o autor não segue o novo Acordo Ortográfico]


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Confluências SCRIPTOMANIAS “Retrato após 20 anos” setembro de 2033 Querido achado diário, Hoje, encontrei-te no lixo. Vais ser o meu companheiro de viagem e ajudar-me a exercitar esta cabeça que já não está tão boa. Não me lembro da última vez que escrevi um texto… Talvez na escola, quando tinha sonhos para o futuro e não me tinham tirado tudo. Agora, vagueio por aí… Já não sei escrever, já não sei falar, até porque não tenho ninguém com quem falar… Quando a minha avó morreu, tiraram-me tudo o que tinha. Aumentaram a minha renda, eu não tinha trabalho e não me

deram nada de pensão, apenas uns trocos que a minha avó tinha e que me deram para viver cerca de um ano… Já me habituei às ruas, já as conheço há 5 anos, mas nunca parei no mesmo sítio, vagueio por Portugal e pelo mundo. Estou um esqueleto… A minha roupa não me serve, a minha barba e o meu cabelo chegam ao chão e já só eu pareço não sentir o meu cheiro. Os meus amigos, não sei deles, a minha família, não sabe de mim e o meu país não quer saber. Às costas, levo uma guitarra e uma mochila só com o que me é precioso e para carregar a comida que me dão ou que encontro. Os meus dias são todos iguais, mas hoje houve uma pequena diferença…

Encontrei-te, alguém com quem posso falar, que não me julga sem saber o meu passado e que pode ser um documento histórico no futuro, de como se vive em Portugal em 2033. Não sei que dia é hoje, sei que estamos em setembro, pois começam as chuvas de outono. Gostava de poder filmar o clima de agora, tão diferente de antes… Os filmes de agora são ainda piores do que aqueles que passavam na televisão, nos sábados à tarde, quando eu queria seguir cinema… Os dias estão tristes, a minha guitarra chora, a minha voz está rouca e eu vagueio por aí a esperar, a tentar evitar a minha hora… Pedro Castro, 10º J

Saudades

Saudades daqueles que insisto em ter no meu presente e no meu futuro. Tenho saudades … Tenho saudades desses que Tenho saudades tuas… pensam que saíram da minha Saudades de tudo… tudo, vida e daqueles que sabem incluindo aquilo que não vivi. que nunca sairão! Tenho saudades até do que Tenho saudades do que fiz tenho hoje, pelo simples facto com orgulho e até do que fiz de não saber o amanhã. por obrigação. Tenho saudades dos cheiros, do olhar, da vista, da Tenho saudades… e que saudades que eu sinto... natureza… do perfume da natureza. Que saudades tenho daqueles dois dias… Tenho saudades de ter estas saudades… senti- Que saudades tenho daqueles 16 anos… mento bom… sentimento de orgulho! Que saudades tenho tuas! Tenho saudades tuas, sim… saudades dele e Mariana Guerreiro, 12º H dela… Ser

Ser assim só por ser não vale nada nada significa porque na verdade não és

e não sentes e não vês e o nada que dentro de ti existe toma forma e transforma-te num ser inumano que nada vê nada sente e nada é. Rebeca Amorim Csalog, 12º H


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Confluências Um espetáculo camoniano COLISEU DOS RECREIOS, LISBOA, 12 DE NOVEMBRO DE 2013 A direção da escola lançou o repto e, num escasso período de tempo, com uma forte dinâmica que envolveu toda a comunidade escolar e a que não foi alheia a invulgar adesão de ex-alunos, definiram-se objetivos e passou-se à ação. Duração

S 7 horas TE Produtor AN

By The Music, Produções Musicais,

Lda. Sinopse Todos recordamos – quantas vezes com grande nostalgia!? – os nossos tempos de liceu. Os professores, maus e bons que fossem, os colegas, mais ou menos camaradas, as experiências novas, os namoros, os testes em que o sucesso não foi obra de um milagre e outros em que copiámos um bocadinho… Todos recordamos esses tempos e tantas vezes os consideramos terem sido os melhores da nossa vida. Quem nos dera poder voltar atrás e refazer as mesmas coisas com a mesma paixão e entusiasmo de quem tem a vida toda pela frente. Liceu Camões – hoje Escola Secundária de Camões – berço de tantos de nós que realizaram

O ColiOIS seu P dos DE Recreios, em Lisboa, recebeu a 12 de novembro uma gala de angariação de fundos para a recuperação do centenário Liceu Camões. “Camões – A Nossa Escola” é o nome da gala solidária que reuniu antigos e atuais alunos e professores da agora Escola Secundária de Camões. A animação começou pelas 18h, com diferentes atuações na entrada do Coliseu, passando pelo átrio e pelo bar. Desde as acrobacias de palhaços que mostraram toda a sua coordenação e elasticidade, as vozes melódicas que ecoaram no ar, a combinação dos sons do violino, violoncelo, arpa e piano, passando pela simplicidade do blues, a classe do jazz e culminando num estilo mais “rockeiro”, o Coliseu dos

os feitos possíveis, maiores ou menores, mas que reconhecem nesse lugar o marco mais importante da nossa formação pessoal e académica. Lugar de amizades que perduraram e de reencontros que adoraríamos rever. Tantos anos depois. Tantas vidas depois. É esse o sentido da grande festa que queremos preparar no dia 12 de Novembro de 2013 no Coliseu de Lisboa. Um apaixonante (re)encontro entre o passado e o presente, entre colegas de agora e colegas de outrora. Ver como envelhecemos e como partilhamos ainda as mesmas memórias e as mesmas raízes. E porventura olhar para o futuro com uma réstia de esperança, a esperança que não podemos deixar morrer no coração dos nossos jovens. Nesse dia vamos fazer a grande festa. Os que sabem tocar, cantar, recitar, dançar, ou contar as suas peripécias camonianas, irão proporcionar, a todos os que encherem a plateia do Coliseu, momentos inesquecíveis de confraternização e de felicidade. A festa será de arromba e contará com a presença garantida de toda a

Recreios vestia o espírito do antigo liceu. O diretor da escola, João Jaime Pires, conta-nos que a luta pela recuperação da escola centenária já dura alguns anos, embora não tenha tido ainda os apoios necessários: “em 2009, nas comemorações do centenário da escola, o Presidente da República e a Ministra da Educação da altura (Maria de Lurdes Rodrigues) estiveram presentes e comprometeramse a recuperar o Liceu Camões”. Passaram-se três anos e nada aconteceu, assim no ano de 2012, “pais, alunos e professores agarraram nos pincéis e nas latas de tinta e pintaram a escola”. Atualmente, o edifício da escola está degradado e incapaz de oferecer aos alunos condições para a concretização da vida académica de excelência. O mítico ginásio está em risco de ruir, os laboratórios não têm condições e nos telhados e paredes saltam à vista infiltrações. Por todos estes motivos, o ator e produtor Paulo Matos,

comunidade camoniana. O objetivo central – que se prende com a nossa vontade de união e festa – é tentar tudo para conseguirmos, em conjunto, reparar uma grande injustiça: o nosso querido e histórico liceu está degradado e incapaz de proporcionar aos seus alunos as condições para a concretização do aproveitamento académico de excelência que todos desejamos; o ginásio – histórico – em risco de ruína; os laboratórios carenciados e em que as experiências não se realizam sem risco; os telhados e paredes, onde buscamos proteção e abrigo, cheios de infiltrações, etc. E isto tudo num edifício classificado e de beleza ímpar. Um dos primeiros liceus completos, ínclita casa de tantos ilustres da nossa história. Vamos cantar a nossa escola no Coliseu e, dessa forma, conseguir os apoios que nos permitam revigorar e renovar esta casa tão nossa e por isso tão querida de todos nós.

Grupo Coordenador da Organização “Camões, a nossa escola”

enquanto encarregado de educação de um aluno do Liceu Camões, sugeriu à direção da escola a realização de um espetáculo para angariação de fundos: “a ideia é fazer um espetáculo onde se mostre ao país inteiro que o Liceu Camões é um liceu amado por todos os que frequentaram e frequentam o liceu e, que são capazes de se unir numa festa de cultura e de demonstração de capacidades, para através disso dizer ao poder político e empresarial «Não deixem cair o edifício!»”. Chegada a hora do espetáculo, Júlio Isidro, ex-aluno do liceu, sobe ao palco para dar início à gala, recordando os seus tempos de aluno no antigo 1ºE. Para o conhecido apresentador de televisão, “é um momento histórico, é uma junção de gerações que revela o espírito da escola. Aliás, o espírito da escola está bem vivo e criativo mas o problema é o corpo. Para que o corpo se mantenha tão vivo quanto o espírito, estamos aqui para juntar 13 milhões de euros”.

Pela noite a dentro, foram várias as homenagens prestadas a grandes nomes da literatura que passaram pelo liceu, como Mário Sá Carneiro, Mário Dionísio, Manuel da Fonseca, João Aguiar, José Gomes Ferreira, Vergílio Ferreira e tantos outros. Em palco, a música, a interpretação e a representação foram uma constante que uniu diferentes gerações, desde uma turma de rebeldes antigos alunos que dá lugar aos alunos de hoje. Para João Jaime Pires a noite vivida no Coliseu dos Recreios “é uma grande mistura e é isso que caracteriza a Escola Secundária de Camões”. Para encerrar o espetáculo, todos juntos cantaram a música “Cantando Camões”, a qual Paulo Matos acredita vir a tornar-se no hino da escola. In Forum Estudante (em linha), 14 de novembro de 2013 http://www.forum.pt/ escolas/10874-camoes-a-nossaescola


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Confluências DE CORPO E ALMA Júlio Isidro Jorge Palma Zé Pedro

Rui Mendes Vera Mantero

Vitorino

Nicolau Breyner Quarteto Lopes-Graça

Paulo Matos

Helena Coelho

Mário Moniz Pereira Lúcia Moniz

João Paulo Esteves da Silva

Ana Paula Russo


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Confluências DE CORPO E ALMA

Coro da Achada Adriano Jordão

Filipa Pais

Olga Prats e Simão Draiblat

Jorge Alves Coro Sinfónico Lisboa Cantat

António Saiote

João Paulo Santos

Henrique Garcia e José Alberto Carvalho Pedro Branco

Grupo de Teatro da Escola Sec. de Camões (com a responsável, profª Maria Clara)

(e também o Coro Camões...)

(e também Representação...)

(e também Ginástica…)

(e também Fado...)


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Confluências LER PARA VIVER Os membros do Clube LER PARA VIVER reúnem-se às sextas-feiras, a partir das 14h15m, na sala da Biblioteca da escola. A ordem de trabalhos é sempre confidencial. Quem quiser pertencer ao Clube pode assistir a uma sessão antes de apresentar o pedido de admissão. Tem, no entanto, de preencher um dos seguintes requisitos: Artigo 1º - Ser uma pessoa fora do comum. ¶ único – Consideram-se pessoas fora do comum as que a. têm talento e veia artística; b. jogam bilhar ou dominó; c. preferem o ócio ao negócio; d. gostam de ler em público ou às escondidas; e. pintam, recortam ou colam com requinte; f. assobiam pelo menos três vezes por semana. Artigo 2º - Ser uma pessoa vulgar. ¶ único – Consideram-se pessoas vulgares as que a. sabem que a liberdade é melhor que a imobilidade; b. preferem a velocidade à lentidão; c. desperdiçam o que têm, mas guardam o que desejam; d. evitam os janotas, os cínicos e os dentistas; e. gostam de literatura, de música e de futebol; f. confiam no corpo, na imaginação e na filosofia.

Feira do Livro de Natal 25 de novembro de 2013. Na abertura da Feira do Livro de Natal, promovida habitualmente pela Biblioteca Escolar nas proximidades da quadra natalícia, a aluna Rebeca Csalog acedeu ao convite para apresentar e autografar o seu livro Glyrmandia. “Daniel tem 13 anos e, embora esteja habituado a viajar bastante, vai pela primeira vez à Índia com os pais e a irmã, visitar a avó que aí vive. Mas, a meio da viagem, o comboio é atacado por rebeldes e Daniel dá por si sozinho, perdido no meio da selva indiana. A partir daqui, uma aventura era inevitável. (…)”


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Confluências CAMÕES EM AÇÃO Camões English Theatre Group was set up in 2010/11. The first play the company staged was Hamlet Smith and the Vanishing Star. We aim to inspire and train young actors, playwrights and theatre lovers to learn and experiment about different aspects of the theatre. Our members are in the most part students and ex-students at Escola Secundária de Camões. Our fouding members were 12ºJ, class of

2010/11. This year we will be organizing a variety of activities: A play, a Festival of One-Minute Plays, a radio show, a Poetry Slam... We will be participating at Gala Camões with a few sketches and happenings. If you like writing in English, this could be an interesting project for you to join. If you like acting, set design, staging, and everything related to the theatre, or if you love the English language, come and join us. You can follow us and contact us: facebook Camões English Theatre Company or onstagefright@gmail.com

Fotografia inserta na “Revista” do Expresso (de 2 de novembro de 2013)

Uma peça da jornalista Christiana Martins (com foto de Ana Baião) que dá conta da diversidade que hoje habita a Escola Secundária de Camões. Filhos e netos de ex-alunos, jovens de nacionalidades distintas, uma nova geração que veste a camisola do ‘Camões’ e que enriquece a escola com as suas culturas, as suas competências e o seu dinamismo.


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Confluências CORALINA


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Confluências TESTEMUNHOS Uma história impressionante Ao longo do ano letivo transato (2012-2013), as turmas de 12º ano, na disciplina de História lecionada pela professora Cecília Cunha (na foto, ao centro), estiveram a trabalhar o folheto atribuído a Álvaro Cunhal «Se Fores Preso, Camarada...», folheto que contém instruções sobre a resistência à tortura e por um comportamento exemplar dos comunistas e de todos os resistentes quando presos pela PIDE. Na turma do 12º J, a aluna Clara Mendes tomou a iniciativa, conjuntamente com a referida professora, de contactar o Partido Comunista Português para lhes ser fornecida literatura a encaixar na pesquisa, aproveitando-se o contacto para promover a vinda de dois militantes para uma conferência que complementasse o mencionado trabalho de ano. Nesta sequência se conseguiu, ainda, uma parceria para futuras iniciativas (ficando em aberto a possibilidade, por exemplo, de nova conferência). Assim, na conferência prevista e realizada no passado dia 5 de junho, na Biblioteca, estiveram presentes Carlos Pires (na foto, à direita), tipógrafo clandestino (20 anos de clandestinidade) que imprimia o jornal Avante (inclusive o número 1, cujo exemplar mostrou na ocasião), e José Pedro Gomes (na foto, à esquerda), com uma história pessoal impressionante de 21 dias e 21 noites sem dormir e sem falar, sujeito a espancamentos e a ‘estátua’ (e que apenas saiu de Peniche depois do 25 de Abril, ao fim de três anos de prisão), e que é considerado uma referência em matéria de resistência à PIDE.

No Teatro com Rui Mendes Os alunos de Latim do 10º L assistiram à comédia de Plauto «O Aldrabão», no Teatro Nacional D. Maria II, no dia 6 de novembro. Os estudantes foram acompanhados pelo professor Mário Paulo Martins e pela professora Magda Abrantes e, no final, tiveram a oportunidade de conversar com o ator Rui Mendes, antigo camoniano. O ator respondeu a todas as perguntas que lhe foram colocadas e transmitiu aos alunos a importância

de estes perseguirem os seus sonhos, apesar das dificuldades. «Imaginem que tinha continuado Arquitetura e tinha desistido do Teatro. Hoje em dia, tem tanta saída o Teatro como a Arquitetura», exemplificou Rui Mendes, sublinhando a importância de não haver arrependimento das decisões tomadas. Rui Mendes recordou ainda os tempos de estudante no “Liceu Camões”, que classificou como «os melhores anos» da sua vida. Alunos de Latim (10º L)

Aposentações A todos quantos cessaram funções neste início de ano letivo, a Escola Secundária de Camões deseja um longo e venturoso futuro . (Setembro)

Teresa Rosário Cascais (Novembro)

Aida Conceição Pontes Ana Isabel Gamito Matos Claudina Marques Coelho Maria Alexandre Leónidas (Dezembro)

Jorge Castro Salcedo Fernandes Luís Pimenta Martins Fernandes


ESCOLA SECUNDÁRIA DE CAMÕES http://www.escamoes.pt BE/CRE

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Confluências

Esta bem podia ser a história de um gigante insaciável. A história breve de uma paisagem ofuscada pelo poder desmesurado de quem pode e manda. Enquanto a Escola Secundária de Camões se verga com a idade e paulatinamente cede perante a indiferença de “quem passa”, há obras vizinhas que nascem e se erguem com pompa e sobranceria. Agora, pesquisar um livro na BE/CRE é muito mais fácil, basta entrar na página da escola (e clicar no ícone do catálogo) http://escamoes-web.sharepoint.com/Pages/default.aspx ou aceder pelo link http://escamoes-web.sharepoint.com/Pages/ BECRE.aspx ou, ainda, através do blogue http://www.esccamoes.blogspot.pt/

Num recanto simpático da escola, uma breve pausa a

que não faltaram castanhas para celebrar o São Martinho!

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http://esccamoes.blogspot.com/

www.escamoes.pt

A página da escola foi reformulada e apresenta agora uma nova imagem. Descobre-a e... interage!

A todos quantos colaboraram com a cedência de fotos e trabalhos para este Boletim, uma palavra de agradecimento.

Com o generoso apoio do Grupo Desportivo e Cultural do Banco de Portugal


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