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OFICINA DE TEATRO/CONTAÇÃO DE HISTÓRIA PROMOVIDA PELO SINDICATO DOS FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS MUNICIPAIS DE SINOP PROFESSORA CAROLINE HOLANDA CAROLMASSINHA@YAHOO.COM.BR www.bola-cor-e-flor.blogspot.com

ALGUNS MÉTODOS DE APRESENTAÇÕES DE HISTÓRIAS A Contação de Histórias, como se sabe, é uma atividade humana extremamente antiga. No passado ela era tão importante que se constituía em um dos únicos modos de passar conhecimento, informação, além de seu caráter lúdico de um momento de convivência. Assim, o elemento fundamental da Contação de Histórias é a narração oral. Nos “dias de hoje” esse modo de narração avançou em direção a espaços mais artísticos, assumindo o “corpo” de uma contação não mais apenas narrada. Dito de outro modo, a narração oral é ainda o fundamento da contação de histórias, contudo, atualmente ela se utiliza de alguns outros elementos para sua apresentação, dentre os quais se encontram alguns artifícios da linguagem cênica, sobretudo, na apresentação corporal do contador, chegando em alguns casos a ultrapassar a linha da contação de histórias, tornando-se outra linguagem artística distinta da contação, como por exemplo uma apresentação teatral ou musical. De modo arbitrário, dividi algumas das metodologias de apresentações de histórias do seguinte modo:

* APRESENTAÇÃO NO MODO FUNDAMENTAL - Narração oral.

* APRESENTAÇÃO COM ASCESSÓRIOS/SUPORTE - Com o livro. - Com flanelógrafo. - Com álbum seriado. - TV manual - Com retroprojetor. - Com painel molhado. - Com tapetes. - Com avental. - Com adereços de cena. - Com cenário. - Com figurino. - Com bonecos: -miniaturas - luva de bonecos - dedoches - objetos - Com dobradura. - Com caixas de bonecos e cenários. - Com bonecos planos sobre íma.

M Ú S I C A M Ú S I C A


* POR MEIO DE OUTRAS LINGUAGENS ARTÍSTICAS - Teatro - Teatro de bonecos (com boneco de luva, vara, etc.) - Teatro de sombras - Música.

M Ú SI CA

1 - A narração oral: A contação por meio da narração oral demanda, em geral, do contador, um olhar vivo para o público. Nessa modalidade, manter o contato com o público é fundamental e o principal meio é o olhar. Alguns aspectos podem ser observados nesse modo de apresentação de história: a possível adoção de variações de espaço, de mudanças de níveis e de um conjunto limpo de gestos. É muito importante a convicção: acreditar que você pode contar histórias. É bom que a história esteja razoavelmente absorvida para que você não fique apreensiva(o) no momento da narração e com isso, esqueça de sua apresentação corporal (os possíveis deslocamentos, gestos, o permanente contato com o público, etc.) 2 - Com o livro: Você pode narrar enquanto deixa as imagens do livro à mostra ou à medida que vai lendo vai apresentando as imagens, ou os dois modos mesclados. É importante que você possibilite a todos visualizar as imagens, pois de outro modo, a criança (ou adulto! qualquer pessoa) que não vê pode se desinteressar da apresentação. 3- Com flanelógrafo: Atualmente o flanelógrafo é um objeto quase em extinção. Mas em sua homenagem, mantemos o nome desse modo de apresentação que se caracteriza pela exibição de personagens e/ou algum elemento do cenário de uma história, que são colados sobre um “painel”. O painel e as figuras podem ser feitas de T.N.T, E.V.A, tecido ou papelão mais duro ou mesmo aproveitar o quadro branco da sala de aula. O refinamento visual, como por exemplo, um T.N.T costurado, ou fazer bordas no painel, fica a critério do professor e/ou artista. É importante pensar em como fazer a aderência dos personagens aos painéis pensando na durabilidade do material. Pode ser usado da fita adesiva ou velcro ou...

Painel Fita adesiva ou velcro ou... ou...

4 - Álbum seriado: A história é apresentada por uma seqüência de imagens que são desenhadas ou pintadas (ou coladas) em cada página.


Quanto maior o papel e o desenho, mais visível. Observar a espessura da folha que, se muito fina, pode rasgar com facilidade e se muito grossa pode dificultar a passagem das páginas.

(imagem extraída do livro Dinâmicas em Literatura Infantil de Maria Alexandre de Oliveira,Ed. Paulinas)

5 - TV manual: Uma “versão” do álbum seriado, é uma caixa em formato de uma TV onde as imagens das histórias vão sendo passadas. Você pode também colocar algum tipo de luz por trás dos desenhos. Estes por sua vez estão enrolados em um bastão que vai sendo desenrolado de um lado e enrolado no outro bastão pelo narrador.

(imagem extraída do livro Dinâmicas em Literatura Infantil de Maria Alexandre de Oliveira,Ed. Paulinas)

6 - Com retroprojetor: A idéia é desenhar na transparência cenas da história. Para economizar, pode-se desenhar algumas cenas (três a quatro) na mesma folha-transparência. No momento da apresentação, cobrir os desenhos que não fazem parte da cena do momento para que não fiquem muitas imagens ao mesmo tempo, apresentando apenas o desenho referente à narração. 7 - Com painel molhado: É um painel de vinil sobre o qual se apresentam personagens e elementos da paisagem da história que são feitos em E.V.A. As peças que irão sobre o painel devem estar molhados para que se fixem.


8 - Com tapetes: São tapetes feitos de pano (algumas pessoas usam T.N.T e E.V.A), sobre o qual são costurados personagens e elementos do cenário que vão sendo deslocados ou vão sendo montados, levantados, apresentados no momento da história. O grupo “Tapetes Contadores de Histórias” é um importante representante dessa técnica no Brasil.

(Na imagem: Tapetes Voadores - atriz Pamela Jean) 9 - Com avental: Um avental sobre o qual se apresentam os personagens que são colados com velcro. O avental pode ter um cenário básico sobre o qual personagens e elementos de cenário de diferentes histórias são apresentados, ou seja, um mesmo avental pode servir para mais de uma história. Pode ser feito de pano ou de T.N.T e E.V.A para os elementos que serão fixados sobre o avental.


10 - Com adereços de cena: Consiste em utilizar um ou outro elemento para caracterizar um personagem. Por exemplo, usar um chapéu para indicar que ali está a bruxa. 11 - Com cenário: Consiste em utilizar algum elemento que caracterize o ambiente onde acontece a história apresentada. Ex: uma flor para indicar um jardim. 12 - Com figurino: O narrador pode ter um figurino para sua narração. Também pode usar figurino de algum personagem da história narrada. 13 - Com bonecos: A apresentação com bonecos difere do teatro de bonecos porque a narração oral continua a ser o maior elemento da apresentação da história e os bonecos, nesse caso, servem como ilustração de personagens e cenários. 14 - Com dobradura: Pode-se utilizar o origami feito na mesma função anteriormente mencionada com os bonecos, ou seja, para ilustração da narração. Mas há ainda outra vertente que consiste em narrar enquanto vai dobrando o papel, de tal modo que o passo a passo da dobradura é parte da apresentação da história. As autoras Ivani Catarina, Maria Helena (Lena) Costa e Marisa Del Cioppo, no livro A Arte-Magia das Dobraduras – Histórias e atividades pedagógicas com origami., nos presenteia com histórias que partem dessa compreensão da apresentação das etapas da dobradura como parte da narração. 15 - Com caixas de bonecos e cenários: São histórias apresentadas dentro de caixas, com bonecos e cenários que podem ser confeccionados de material diverso, inclusive sucata. A caixa pode ter um livro grande em cima - de imagens e poucas palavras - e o final ficar guardado dentro da caixa - uma surpresa! Colado na caixa vai a história que será apresentada - texto e/ou imagens.

O final - surpesa! fica guardado dentro da caixa.

Pode também a caixa servir como ilustração da história narrada, com apresentação de cenário e personagens.


16 - Com bonecos planos sobre íma. Consiste em colocar desenho de personagens e/ou cenários colados em íma. Estes ficam sobre uma “caixa”. Abaixo da caixa, a manipulação de outros ímãs deslocam os personagens pelo espaço. Pode-se pensar também em varetas extensoras para os ímãs embaixo da caixa. 17 - Há um momento, um ponto em que a contação de histórias começa a tirar a narração oral do lugar mais importante da apresentação e a história começa a ser apresentada em uma linguagem artística específica, seja ela teatro - do qual fazem parte o teatro de bonecos e de sombra - , seja numa linguagem visual - uma história em quadrinhos, por exemplo - ou mesmo na linguagem musical, como Bia Bedran que conta enquanto canta. Escrevi a palavra música ao lado de todos os modos de apresentação de histórias porque da narração oral até outra linguagem artística, a música pode estar sempre presente e dependendo de seu uso, enriquecer a apresentação da história. Em outras palavras, a música pode entrar na narração oral, no álbum seriado, no flanelógrafo, no teatro de bonecos, de sombras, etc. A música pode ser uma importante aliada na constituição da entrada de uma contação. Ela pode servir para introduzir o tema, para harmonizar os ouvintes chamando sua atenção para o que virá depois, provocar alegria, acalmar a platéia, etc. Falando em entrada... em geral uma contação tem começo - meio - fim. Não é uma regra. Em arte é difícil estabelecer regras absolutas, mas em geral procura-se fazer uma entrada, seja ela musical, teatral, plástica ou mesmo a apresentação das referências da história. O final pode também ser teatral, musical, etc., ou um olhar, uma pausa, o ato de fechar o livro ou a caixa de história... É preciso inventar!!! E você? Quais outros métodos de apresentação de um história conhece? Quais você (re)inventou ou usou ou adaptou? Carol Holanda CAROLMASSINHA@YAHOO.COM.BR WWW.bola-cor-e-flor.blogspot.com

alguns métodos de apresentação de histórias  

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