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editorial

VARAL

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ÍNDICE

COLABORADORES, EXPEDIENTE

RECIFE_

BINHO BARRETO_

O CACHORRO AMARELO_aruanml@gmail.com DENIS LEROY_aruanml@gmail.com POPSTENCIL_aruanml@gmail.com 1R3ZE_aruanml@gmail.com EPIL_aruanml@gmail.com ARUAN MATTOS_aruanml@gmail.com MARCOS HILL_mhill@hotmail.com

NIAN PISSOLATI_nianp@hotmail.com TAMÁS BOODOLAY_tbodolay@msn.com

INGRID AGUIAR_aruanml@gmail.com LUCAS MAGALHÃES_lucasmagalhaes82@gmail.com


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am! Aquela ? Desejo-te! Nham, nh ero qu te e qu ra pa e, Pared que puder todas, uma a uma, as o, nh mi ca u me no er que estiv maior libertinagem o-espirro até gozar da alcançar. Detono o jat tudo, pelo lixo do e já está invadido por do espaço público qu do. Quem proibe o , o assunto é o proibi ros mu e es red Pa l. visua ra os que fazem tério, qual o truque pa cri o al Qu a? vid a ss quê, ne quero abraçar os idos? Quero expandir, o proibido e são proteg há limite para quem vadios no escuro. Não muros, os cantos mais e não todos? Por que ca-Cola pode, por qu Co a Se . ido lor co a sonh ra criando seus ta gente bonita e since tan vi Já ? os sm me s não nó crito. Não rar permissões por es pe es is ma rto po su o mundos. Nã leis que eitos, escondidos por dir us me am en ali e qu desejo mal aos am. Prefiro a poesia seus colarinhos, aprov em s, rõe lad os pri pró os ade que eu e os ldo máximo de dignid sa O te. ga res de ito e seu efe do Planalto nossa cidade. Já que na uir eg ns co os rm outros pude rouba de todos, xe esconder o que se à cozinha, tornou-se pra permaneça fixo. Não ou dever exigido que sto po im o eit dir há o nã que também é judique. Quero a rua pre e qu ra ce sin em há imag ntos pobres e julgam, sem julgame qu is jur de ios tér cri minha, sem a. Ai, as cores que ray e sua rapidez mágic de espírito. Quero o sp ver cretinos e justos. e que sempre há de ha rec Pa . am ag ap se o nã

DESABAFO

r e sg a

tados

PICHA ÇÃO U GR AFITT I Mar c

QUERO MEU GRITO CONGELADO NO MURO! 05.06


CONSTATAÇÕES

Parece que falar seriamente sobre arte grafite tem gerado

Quem usa os muros, quem formula novos códigos comunicativos

desconfiança tanto “nos a favor” quanto “nos contra”.

tem vontades muito fortes que se traduzem em pura necessidade

Trata-se realmente de uma forma de expressão ainda

de se expressar. Quem usa os muros

reivindica o direito de

pouco refletida entre nós, apesar de já possuir uma

comunicação, evitando todos os meios do controle vigente.

história densa, desde o final dos anos 1960. Num

Quem usa os muros não tem normalmente acesso a esses meios. Nas interferências dos muros pode ser resgatado um universo

sentido amplo, seus fundamentos conceituais mais autênticos tangenciam o

próprio de uma ampla marginalidade, aquela que fica quase

experimental e a transgressão.

sempre fora na partilha do bolo. Seria o coro dos descontentes? Quem se envolve de algum modo com arte, imagem ou linguagem

Tanto um quanto outro sugerem o grau de carência comunicativa

tem muito o que achar neste inédito contexto semântico.

em que os habitantes das grandes cidades contemporâneas se

Há muita força expressiva, muitos sentidos individuais e coletivos. Há a invenção de um espaço para a comunicação urbana que é gratuito,

encontram, já que permanecem alienados da liberdade de uso dos espaços públicos. A ditadura econômica do consumo gerou mecanismos próprios que oprimem, com diversos tipos de

LIVRE de qualquer tipo de exploração econômica

imagem, a visualidade de qualquer transeunte. E sob esta política autoritária da “grana”, muita opressão consciente ou inconsciente tem sido engolida. A injustiça no acesso aos bens é característica histórica do capitalismo ocidental e, em cada época, arranja-se meios para a expressão do mais profundo descontentamento. Não devemos permitir que as interferências inesperadas dos muros de nossas cidades sejam rasteiramente consideradas como ilegais. Ao contrário do que pseudas leis tentam provar, essas interferências acusam claramente a pouca qualidade das imagens “legais” que invadem as placas, os letreiros e os “out-doors”.

uação ção e pós-grad rsos de gradua cu s no te Ar stória da professor de Hi Marcos Hill é

e, talvez isto seja um dos fatores que mais incomoda nesta apropriação livre dos espaços. No lugar de proibir, certamente é mais interessante estimular estes “pichadores” ou “grafiteiros” a conceber suas imagens e mensagens com mais criatividade, alertandoos para as infindáveis possibilidades inteligentes na escolha das imagens e dos lugares que servirão como suporte. Muitas vezes, o que se percebe é que “pichadores” ingênuos não têm consciência do poder de suas interferências enquanto veículo das necessidades legítimas e das opiniões sinceras. Apropriarse inteligentemente dos espaços de nossas cidades é mais do que saudável, é direito de quem vive e compartilha este espaço.

da

perimentaçã - Centro de Ex nador do CEIA de or co e G M Artes da UF Escola de Belas

de Arte. o e Informação

07.08


INGRID AGUIAR

09.10

A cidade fala. Suas paredes exibem fragmentos de épocas, ideologias, pensamentos. Juntos, os restos de cartazes, pichações, grafites e sinalizações dão vida às ruas e criam a sensação de urbano. É uma manifestação coletiva, o espaço democrático das vozes.


11.12


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O Cachorro Amarelo

31.32


SENTIDOS BUSCANDO NOVO SENTIDO PRA CIDADE Poesia.

subverter valores, para tentar resgatar a

da liberdade que lhes foi roubada.

opções, alternativas, tentativas de resgate

da política convencional. Estes ainda lutam por novas

se cegaram diante dos outdoors e dos discursos esvaziados

Mas sempre haverá os insatisfeitos, aqueles que ainda não

resultado de uma relação de troca meramente orgânica.

hoje. O egoísmo reina num mundo onde a sobrevivência é

afetividade que parece ter abandonado os dias de

para

Escrita, falada, em gestos, em imagens...

Tamás Bodolay

17.18


Vivemos um tempo onde a profusão intensa de signos atordoa a todos. As propagandas de televisão, as músicas nos caros de som, as buzinas, as sirenes, todos esses elementos da cidade grande nos remetem a uma teia de significado tão complexa que acaba por ser ignorada e substituída por um sentimento blasé. Os pequenos detalhes da cidade não chamam mais a atenção do cidadão comum.

Para que alguma coisa chegue a tocar as pessoas em meio a essa malha confusa de significados, o grito se faz necessário. O

grito metafórico, híbrido. Pode ser o grito sonoro, imagético, olfativo...

Bem, a contemporaneidade tem seus valores culturais fortemente pautados pela televisão, ou seja, os canais audiovisuais de percepção estão cada vez mais aguçados. Mas tal aguçamento acaba por gerar um descontrole,

muito é percebido, pouco é notado... explico-me... quanto

Circulando à deriva pela cidade, olhamos para um lado, para o outro, mas não lidamos com detalhes de forma alguma. Observamos os sinais de trânsito para ver se podemos atravessar a rua ou não, nos mantemos constantemente alertas, paranóicos com a violência urbana, com nosso olhar preconceituoso intensamente ativo, tentando salvar as bolsas e pertences pessoais de personagens suspeitas entre os transeuntes. O mercado é o grande legislador e mentor da modernidade. A cidade reflete a mentalidade difundida por essa sede de lucro.

“A brusca mudança de ambiência numa rua, numa distância de poucos metros; a divisão patente de uma cidade em zonas de climas psíquicos definidos; a linha de maior declive - sem relação com o desnível - que devem seguir os passeios a esmo; o aspecto atraente ou repulsivo de certos lugares; tudo isso parece deixado de lado. Pelo menos, nunca é percebido como dependente de causas que podem ser esclarecidas por uma análise mais profunda, e das quais se pode tirar partido. As pessoas sabem que existem bairros tristes e bairros agradáveis. Mas estão em geral convencidos de que as ruas elegantes dão um sentimento de satisfação

e que as ruas pobres são deprimentes, sem levar em conta nenhum outro fator”, relara Guy Debord em seu livro “Introdução a uma crítica da geografia urbana”. As novas tecnologias, os meios de comunicação em massa, a violência urbana, a disparidade econômica entre seus habitantes, tudo isso leva a população das cidades a isolar-se em pequenos grupos de pessoas com interesses similares. A individualidade vem cada vez mais cedendo lugar ao individualismo. A cidade já não é mais o lugar onde pessoas se encontram no centro, como um fórum de discussão das questões comuns, pois estas questões comuns são cada vez mais raras. Muitos nem sequer tem qualquer relação com o centro da cidade. Quando o centro perde seu sentido para muitos, parece ser um sinal claro da perda do sentido da cidade. Mas as circunstâncias não cessam com a possibilidade de se estabelecer uma relação com as coisas e com as pessoas de forma distinta da que nos parece imposta. A consciência coletiva humana e o instinto de sobrevivência da humanidade correm contra o tempo, diante de um horizonte catastrófico em nossa frente. Personagens como George W. Bush e Osama Bin Laden vagueiam por nosso imaginário, o que nos cerca de medo, mas ao mesmo tempo torna nossa época empolgante de alguma forma, já que fatores éticopolíticos adquirem aqui uma relevância sem precedentes em nossa história. Há um sentimento de angústia diante da configuração da sociedade, mas a forma apontada para que uma nova relação se estabeleça intra-socialmente está longe de ser de uma forma revolucionária. Desconfia-se da palavra ‘revolução’, pois esta nunca levou a realização de sonho algum a longo prazo. Mesmo triunfante, a revolução acaba por se contaminar com idéias oportunistas. O sonho é traído. Temos hoje em nossa conjuntura política local um exemplo que nem de perto poderia ser chamado de revolucionário, mas a distorção inerente à tomada de poder veio à tona (de forma obscura, turva, é verdade). Ficou bem claro que mesmo um partido que historicamente sempre passou impressão de ansiar pela capacidade de fazer com que as coisas mudassem, foi corrompido pela escalada na pirâmide do poder. Não preciso nem falar de que me refiro. 19.20


Se a revolução ‘já era’, o confronto direto perdeu seu sentido na medida em que inúmeras são as forças que conspiram contra aqueles que anseiam por transformação. Mas “estamos nós, que vivemos no presente, condenados a nunca experimentar a autonomia, nunca pisarmos, nem que seja por um momento sequer, num pedaço de terra governado apenas pela liberdade?”, questiona Hakim Bey em seu livro TAZ – Zona Autônoma Temporária. As idéias trazidas nesse livro nos respondem a tal pergunta com um rotundo “não!”. As TAZ são uma forma de experimentação social através da qual idéias novas são colocadas em conflito com as já estabelecidas, na esperança de semear uma vontade geral de mudança. São o buraco no sistema, são a arte de burlar as regras impostas, a hierarquia vigente, aos mecanismos de controle limitadores da liberdade individual e coletiva. A idéia é “liberar uma área (de terra, de tempo, de imaginação) e se dissolver para se re-fazer em outro lugar e outro momento, antes que o Estado possa esmagá-la. Uma vez que o Estado se preocupa primordialmente com a simulação e não com a substância, a TAZ pode, em relativa paz e por um bom tempo “ocupar” essas áreas e realizar os seus propósitos festivos”, diz certa passagem do livro. É uma tarefa difícil de ser realizada essa constante experimentação social. Nem todos têm talento ou sentem-se à vontade para expressar uma “arte de viver”, mas no fundo é o que muitos anseiam secretamente. Há uma espécie de energia potencial libertadora dentro de cada um de nós, mas que precisa ser descoberta antes de ser estimulada por nós mesmos ou por terceiros. O prazer que algumas pessoas extraem da experiência cotidiana pode ser um sinal de que essa tal energia potencial esteja se transformando em felicidade.

meio a isso, algumas pessoas lutam contra a corrente de horrorosas mutações arquitetônicas, cansados de viverem cercados de cinza. E não é dos ecologistas que querem uma cidade mais arborizada que estou falando, e nada contra eles também, pelo contrário, eu também quero mais árvores em Belo Horizonte, mas estou falando dos vários artistas que espalham pelas ruas tentativas de estabelecer uma nova estética, uma nova relação com a cidade. Graffites, música, lambe-lambes, stickers, esculturas... estas são as formas mais comuns de intervenção urbana que conhecemos. São tentativas de restabelecer uma relação afetiva entre a cidade e seus moradores. O famoso arquiteto Bernard Tschumi aponta outros caminhos para estabelecermos essa relação de afetividade com a cidade: “As grandes cidades são favoráveis à distração que chamamos de deriva. A deriva é uma técnica do andar sem rumo. Ela se mistura à influência do cenário. Todas as casas são belas. A arquitetura deve se tornar apaixonante. Nós não saberíamos considerar tipos de construção menores. O novo urbanismo é inseparável das transformações econômicas e sociais felizmente inevitáveis. É possível se pensar que as reivindicações revolucionárias de uma época correspondem à idéia que essa época tem da felicidade. A valorização dos lazeres não é uma brincadeira. Nós insistimos que é preciso se inventar novos jogos”. E é à deriva que olho pros cantinhos da cidade, procurando pro alguma mensagem nova, alguma coisa que me chame atenção especial, que me toque, que me provoque, numa espécie de jogo dos sete erros em que se procura por erros além da intenção do desenhista, erros de impressão, de encadernação, quero oito, nove, mil desses erros, pois são eles que me distraem do lugar comum.

As grandes cidades estão todas constantemente às voltas com situações que lhes impõem mecanismos de reconfiguração, tais mudanças são geralmente pautadas pelas forças institucionais do governo ou do mercado. Em

21.22


O H N BBAI RRETO

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Não nos ouviram. Não nos viram. Deixaram-nos muito distante de tudo. Ficamos à sombra, vendo de um canto o mundo girar. Mas havia muito a ser dito. Havia muito a ser cantado, xingado, criado, reclamado, buscado, sonhado. Ainda há. E se o espaço para isso não nos foi concedido, fazemos do território urbano nosso palco. Se os holofotes estão voltados para outro lado, estamos aqui, no meio do público, atuando junto a eles, tocando em suas feridas, tirando-lhe algumas vendas, quebrando máscaras, tentando incitá-los a viver. O concreto, os postes, as paredes e muros são nossa tela. A moldura é cinza, escura, barulhenta, está entre a sujeira diária da grande cidade.

Nian Pissolati

o grito que vem das ruas

Façamos alarde. Para reivindicar o que nos é direito. Para criticar o que todos sabem que está errado, mas ninguém se dispõe a gritar. Para deixar o cinza mais colorido e ameno. Para que as ruas também tenham poesia. Para que todos possam ter pelo menos alguns segundos diários de poesia. Por nada. Cada pessoa é um ator em potencial. Basta a vontade inicial. Seja ela política, estética, crítica, ideológica ou de protesto. Subverter o que já está estabelecido, descaracterizar o que é tido como normal. Nos becos escuros, em postes iluminados, no muro de uma casa ou na banca de jornal. E os olhos rápidos dos transeuntes, que estão sempre com pressa, talvez parem por alguns instantes e percebam um detalhe diferente no quadro que estão acostumados a ver todo dia. E pode ser, que de alguma forma, ele seja tocado, e perceber que existe uma série de gritos que vêm da rua. Não nos ouviram. Não nos viram. Mas o grito que vem das tintas, das intervenções, das criações é alto, quase ensurdecedor. São muitos que querem falar. São muitos que estão falando. São tantos outros que querem escutar. Não há como controlar. Ouve-se o ruído nas esquinas, nas paredes, em cartazes. Ele vem sujo de fumaça, entre paredes quebradas. Mas ele é genuíno, porque vem da rua para a rua. Não é espetáculo, é anti-espetáculo.

Nian ainda acredita em um mundo colorido.

Não nos calemos, pensemos.


Varal  

Urban arts, contemporary expressions, political views, activists aesthetics. By Alice Vasconcelos