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‘Carlinhos, todas essas menininhas da Zona Sul do Rio estão querendo a tal batidinha. Vamos armar uma escolinha de música aqui’. (...) E foi um sucesso.” A música que faziam, lembra, não era ainda Bossa Nova, mas “já tinha a batidinha do samba moderno”. De escolinha para academia, as melodias, as letras e o jeito novo de cantar efervesciam no bairro de Copacabana. “Nara Leão, Edu Lobo, Marcos Valle, Dori Caymmi, Wanda Sá, todo mundo passou por lá, vivia ali.” Na opinião de Menescal, o lugar tornava-se mesmo um centro da nova MPB: “Ali se desenvolveram coisas paralelas, como as que o Edu fazia. Todo mundo que gostava de uma música moderna passou por ali”.

“Vá ser músico!”

Fotos: Arquivo pessoal

Clayton Ferreira

Hilton Abi-Rihan, radialista, jornalista e apresentador do programa Samba & História.*

Na infância, Menescal estudou piano, aprendeu acordeão, gaita e violão, instrumento em que se especializou, e teve também aulas de harmonia, arranjo e composição com importantes maestros. Uma influência marcante na vida do compositor foi Tom Jobim,

Sylvia Telles, Tom Jobim, Roberto Menescal e Marcos Valle (1964). No destaque, Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli.

sobretudo no início. “Foi antes da academia; eu estava dando aula no final da tarde, e tocou a campainha; de repente abro a porta, e era Tom Jobim me procurando para fazer um convite. E fazia já um ano que eu tentava conhecer o Tom. Se me diziam: ‘O Tom vai à casa de não sei quem’, lá ia eu.” O trabalho de Menescal fora recomendado para a trilha do filme Orfeu do Carnaval (1959). Ele se recorda: “Fomos jantar em Copacabana, num daqueles restaurantes à beira-mar, e Tom me perguntou: ‘O que você está fazendo da vida?’. Respondi: ‘Não estou fazendo, estou tentando. Talvez faça ainda arquitetura’. E ele: ‘Mas você não quer ser músico?’. Eu disse que sim. ‘Então pare com essa besteira de arquitetura, vá ser músico!’ . Era

tão simples isso... Mais tarde, cheguei em casa e, com toda a moral, disse: ‘Sou músico!’”. Na casa de Menescal ninguém sabia direito quem era Tom Jobim, mas para o jovem o encontro foi definitivo: “Ele foi meu mestre de sempre, e o é até hoje”.

O Barquinho

O primeiro disco produzido pelo compositor foi para Maysa: O Barquinho (1961), título da famosa canção que correu e encantou o mundo, feita em parceria com Ronaldo Bôs­ coli. A bonita mensagem da música é

* Programa Samba & História — Na Super Rede Boa Vontade de Rádio (Super RBV), você pode acompanhar as entrevistas aos domingos, às 14 e 20 horas. Pela Boa Vontade TV (canal 23 da SKY), o telespectador pode conferi-las aos sábados, às 14 e 22 horas e às quartas, às 22 horas. Outra opção é aos domingos, às 5, 14 e 21 horas. Pela Rede Mundial de Televisão, assista ao bate-papo aos sábados e domingos, às 23 horas; às terças, à 1 hora e às sextas, 22 horas. BOA VONTADE |

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Revista Boa Vontade - Sérgio Britto  

Aos 86 anos, o consagrado ator, roteirista e diretor diz que teatro é para a vida toda e não esconde a satisfação de poder inovar no palco.

Revista Boa Vontade - Sérgio Britto  

Aos 86 anos, o consagrado ator, roteirista e diretor diz que teatro é para a vida toda e não esconde a satisfação de poder inovar no palco.

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