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memoráveis, a exemplo de Fer­ nanda Montenegro e Nathália Timberg, confirmando a própria máxima sobre o que é representar: “Se o ator é aquele que vai mexer com todos os sentimentos, sensações e atrações possíveis, não pode trabalhar superficialmente”.

BV — Há outros projetos? Divulgação

esse senhor ator, que aniversariou no dia 29 de junho, mostra fôlego para recriar uma maneira de chegar ao texto, com a autoridade de quem soma mais de seis décadas de aplaudida carreira. A escolha da peça logo mostrou o acerto: sucesso de crítica e bilheteria na temporada carioca; e a atuação de Sérgio Britto rendeu-lhe, em março deste ano, o Prêmio Shell de Melhor Ator — um dos mais importantes das artes cênicas do país. Nesta entrevista à BOA VONTADE, cita nomes de colegas com quem contracenou em espetáculos

BOA VONTADE — Como é interpretar Beckett? Sérgio Britto — A grande satisfação de ter feito este Beckett, o terceiro na minha vida, é que vejo, cada vez mais, que esse autor está se aproximando do povo brasileiro. Beckett daqui a pouco se tornará um autor de sucesso, popular, possível de se encontrar. Quando montei a primeira vez, em 1970, Fim de Jogo, ninguém sabia quem era ele, nem nós sabíamos muito bem o que fazíamos. Mais tarde, fiz com Gerald Thomas Quatro Vezes Beckett [1985], já no Teatro dos Quatro, um teatro que construí com dois amigos meus, Paulo Mamede e Mimina Roveda. Esse do Gerald já tinha um aprofundamento melhor, uma compreensão de que ao lado do desespero do

BV — Depois de São Paulo, onde o espetáculo recebe muitos elogios, pretende levar a peça a outras cidades? Britto — São Paulo era uma cidade prevista desde o início. Quando faço um trabalho em São Paulo, penso no dia em que vai ao Rio; quando faço no Rio, penso no dia em que vai a São Paulo. Não é uma briga, são duas cidades que se enfrentam, que duelam levemente o teatro que fazem. O Rio de Janeiro é a capital cultural, projeta mais o espetáculo; São Paulo às vezes é mais denso, mais profundo. (...) Depois do SESC Santana, devo viajar pelos SESCs do Estado do Rio, as cidades menores; é interessante, um público maravilhoso, que reage muito bem aos textos. Brasília também eu vou, com certeza.

João Periotto

João Periotto

Aos 86 anos, o consagrado ator Sérgio Britto diz que teatro é para a vida toda e não esconde a alegria de poder inovar no palco.

Beckett precisa haver humor; é humor negro, mas tem de haver. E este atual, com a Isabel Cavalcanti, uma jovem diretora, tem toda essa coisa importante dele, o público ri muito e sai chorando também.

O ator Sérgio Britto em cenas do espetáculo duplo A Última Gravação de Krapp e Ato sem Palavras 1 BOA VONTADE |

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Revista Boa Vontade - Sérgio Britto  

Aos 86 anos, o consagrado ator, roteirista e diretor diz que teatro é para a vida toda e não esconde a satisfação de poder inovar no palco.

Revista Boa Vontade - Sérgio Britto  

Aos 86 anos, o consagrado ator, roteirista e diretor diz que teatro é para a vida toda e não esconde a satisfação de poder inovar no palco.

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