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Fotos: Arquivo pessoal

Associação Brasileira de Imprensa

Rodolfo Konder com Lygia Fagundes Telles, em 1995 (à esquerda), e em conversa com Jorge Amado, em 1994; ao fundo, Jack Lang, então ministro da Cultura da França.

a minha atenção. (...) Vivi intensamente também o período da guerra fria, que foi um período empobrecedor. Sabe por quê? O maniqueísmo, o lado bom e o lado mal, não existe isso. Depois, o sonho que tive em relação ao socialismo revelou-se um pesadelo, porque o que a gente descobriu é que, em todos os lugares onde o socialismo foi implantado, nós acabamos com ditaduras ferozes, sanguinárias. BV — Como abraçou a causa dos Direitos Humanos? Konder — As mudanças me levaram nessa direção. Já no meu segundo exílio, em Nova York, eu me tornei amigo de um dirigente da Anistia Internacional e, quando voltei ao Brasil, ajudei a organizar a Seção Brasileira da Anistia Internacional. Acabei sendo eleito vice-presidente, depois presidente da Seção Brasileira. (...) Enquanto isso, trabalhei em rádio, em televisão. Durante os dois anos em que estive exilado no Canadá [de 1976 a 1978], trabalhei na Rádio Canadá [de Montreal], em revistas e jornais... 42

| BOA VONTADE

BV — O senhor também é conhecido como pioneiro no jornalismo multimídia... Dessas escolas da comunicação, qual o atrai mais? Konder — O meio que me deu mais projeção e prestígio foi a televisão. O rádio é um meio também muito importante, que soube inclusive se adaptar às mudanças... Quando a televisão nasceu e se desenvolveu, muita gente acreditava que o rádio ia morrer, e o rádio não morreu, continuou muito vivo. Agora, como eu gosto de escrever, estou publicando o meu vigésimo livro, sempre me dei bem com o jornalismo impresso, com o qual eu mais me identifico. BV — Sobre a ABI, que comemorou 101 anos, a principal bandeira dela é a defesa da liberdade, da democracia. Como vê o papel da ABI hoje? Konder — Veja, eu acho que são gêmeos siameses, a liberdade de imprensa e a democracia. Não é possível desligar uma da outra. Então, a defesa da liberdade, da democracia, passa indispensavelmente pela defesa da liberdade de

imprensa. E até este slogan adotado pela ABI, para comemorar o centenário, foi sugestão minha: “100 anos de luta pela liberdade”. (...) Não admito falta de liberdade de imprensa, seja em Cuba, seja na Coreia do Norte, seja em qualquer lugar onde as pessoas não podem se ver... A imprensa é o espelho em que a sociedade se vê, a sociedade descobre o seu próprio rosto se olhando na imprensa livre e na sua diversidade. Há órgãos da imprensa que são melhores, há outros que são piores; alguns que dizem a verdade, há outros que mentem, mas o retrato está ali. BV — Imprensa livre reúne bons profissionais e não raro vários ícones. Gostaria de citar alguns deles? Konder — Convivi muito com vários desses jornalistas, a partir do Rio de Janeiro, com Alberto Dines, Milton Coelho da Graça, que depois reencontrei aqui em São Paulo, Maurício Azêdo. Agora, lá na ABI tenho tido contatos também regulares com Tarcísio Holanda, que foi eleito, na última reunião do Conselho Deliberativo, vicepresidente da Casa. Tenho muitos amigos na área jornalística; aqui em São Paulo eu convoquei... “convoquei” é uma coisa assim meio de velho militante. Mas eu convidei Luthero Maynard, James Akel, Reginaldo Dutra e Fausto Camunha a me ajudarem na divulgação e representação da ABI em São Paulo; eles são hoje os meus conselheiros consultivos. Colaboração: Jefferson Rodrigues

Revista Boa Vontade - Sérgio Britto  

Aos 86 anos, o consagrado ator, roteirista e diretor diz que teatro é para a vida toda e não esconde a satisfação de poder inovar no palco.

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