Page 41

BOA VONTADE — Com vasta experiência no jornalismo (rádio, televisão e meio impresso), o senhor acrescenta a função de professor e atua na defesa dos Direitos Humanos... Rodolfo Konder — Todas essas minhas experiências decorrem essencialmente do fato de que estou com mais de 70 anos. Aos 71 anos, você tem já uma história marcada por uma série de iniciativas e mudanças. O mundo à minha volta sempre esteve em mudança. O Homem não se banha duas vezes nas águas do mesmo rio, como nos ensinou Heráclito. E eu participei de diversas situações... situações que se transformaram e que ajudaram a transformar o País também. Fui

Fotos: Arquivo pessoal

de Cultura de São Paulo/SP, diretor do Masp e professor de Jornalismo na Faap; fez parte do Conselho da Fundação Padre Anchieta e da diretoria da Bienal de São Paulo. Antes de aceitar o convite da ABI, era diretor cultural das Faculdades Metropolitanas Unidas. Duas vezes exilado, Konder foi um dos fundadores da Seção Brasileira da Anistia Internacional. Costuma ressaltar a valorização da diversidade. Para ele, o compromisso maior é com os princípios e valores claramente universais: a luta pela democracia, a garantia da liberdade (de expressão, de imprensa, da mulher) e a defesa da ecologia. Na ocasião, Konder retribuiu o abraço fraterno do diretor-presidente da LBV, Paiva Netto: “Muito obrigado. Eu retribuo o abraço e agradeço a vocês pela atenção”.

1

3

2

4

(1) Rodolfo Konder com Fernando Henrique Cardoso, na década de 1980; (2) com Tancredo Neves, em 1983; (3) com o atual secretário Estadual de Educação de São Paulo, Paulo Renato Souza; (4) e com Teotônio Vilela, em 1983.

dirigente sindical, depois me tornei jornalista ao voltar para o Brasil. Trabalhei na Agência Reuters; eu sabia ler e escrever, uma coisa ainda rara, e sabia inglês, então fui traduzir telegramas. Depois disso, trabalhei em O Paiz. BV — Alguma cena o marcou nesse primeiro contato com o jornalismo? Konder — Bem, eu trabalhava (na Reuters) e quem chefiava a redação era a dona Jane Braga, uma americana alta, corpulenta. Ela gostava de mim porque trabalhava direito, sempre muito disciplinado, e acabou me pro-

movendo logo a chefe de redação; até pediu ao Itamaraty uma credencial para que eu cobrisse uma conferência da OEA [Organização dos Estados Americanos] lá no Rio, no Hotel Glória. Entrei em pânico e lhe disse: “O Itamaraty vai dizer: ‘Mas esse cara não está no Brasil’”. Porque eu tinha voltado clandestinamente pela fronteira de Rivera [Uruguai] e Santana do Livramento [Brasil]. Felizmente, o Itamaraty me deu a credencial, ninguém reclamou, e fiz a cobertura para a Reuters dessa conferência. Depois, trabalhei no O Paiz, na área internacional, uma área que sempre atraiu muito BOA VONTADE |

41

Revista Boa Vontade - Sérgio Britto  

Aos 86 anos, o consagrado ator, roteirista e diretor diz que teatro é para a vida toda e não esconde a satisfação de poder inovar no palco.

Revista Boa Vontade - Sérgio Britto  

Aos 86 anos, o consagrado ator, roteirista e diretor diz que teatro é para a vida toda e não esconde a satisfação de poder inovar no palco.

Advertisement