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O sertanista Orlando Villas Boas, pioneiro no contato com os indígenas, em visita à Aldeia Kamayurá, em 1998. A revista BOA VONTADE (no 200) publicou a última entrevista com o saudoso defensor dos índios.

visibilidade, estão muito mais abertos do que nós. Esse primeiro olhar é importante”.

Batismo indígena

A ligação de Marcos Palmeira com o tema não é recente. Em 1978, o pai dele, o cineasta Zeli­ to Viana, sempre lembrado com muito carinho por Paiva Netto, produziu e dirigiu o documentário Terra dos Índios, já naquela época um verdadeiro mergulho na cultura indígena brasileira. “E aí ele deixou o Zelito Viana

“A vontade de todos os índios, de modo geral, é a de resgatar a cultura e, ao mesmo tempo, serem aceitos, para que possam participar da nossa sociedade.” BOA VONTADE |

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Armando Kitamura

Quanto aos que criticam essa aproximação, o artista lembra que a situação representa um imperativo, haja vista a expansão das fronteiras agrícolas e das cidades, cada vez mais próximas de territórios indígenas. Além disso, boa parte dos índios se encontra em processo de empobrecimento, seja pelo contato com a cultura branca, seja pelo modelo de desenvolvimento implantado em suas terras, levando muitos a uma condição de marginalidade econômica. Palmeira argumenta: “É um momento crucial de se preservar as comunidades indígenas, de olhar para eles com outro olhar. Eles estão muito carentes, querem

Arquivo BV

Momento crucial

Jair Bertolucci

-los, participar dos cantos, dos rituais deles”, ressalta o ator em entrevista à BOA VONTADE. Para ele, a emoção sentida pelos irmãos Orlando, Cláudio, Leo­ nardo e Álvaro Villas Boas nos primeiros contatos com os índios, ainda na década de 1940, existe ainda hoje. No programa, o público tem também a oportunidade de acompanhar o que é feito a partir desse momento em que diferentes culturas fazem contato. “Esses registros me emocionam bastante (...). É um trabalho típico para as escolas, para se acabar de vez com aquelas histórias básicas da origem do Brasil; e você vê que nós temos muito mais deles do que se imagina, até em termos espiri­tuais”, comenta.

Revista Boa Vontade - Sérgio Britto  

Aos 86 anos, o consagrado ator, roteirista e diretor diz que teatro é para a vida toda e não esconde a satisfação de poder inovar no palco.

Revista Boa Vontade - Sérgio Britto  

Aos 86 anos, o consagrado ator, roteirista e diretor diz que teatro é para a vida toda e não esconde a satisfação de poder inovar no palco.

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