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Fotos: Arquivo pessoal

piores durante a visita. Procurei amenizá-lo reunindo no bar do hotel o editor do jornal mineiro, meu amigo Fábio Doyle, o ministro da Justiça, Gama Filho, e o chefe do SNI, general Médici, quando entreguei ao Médici um manifesto violento que estava sendo distribuído na cidade contra a visita do presidente. Cheguei até a propor que “seu” Arthur, como escrevia Ibrahim Sued, fosse tomar um café no tradicional Café Pérola, na Praça 7, como costumava fazer Juscelino. Acharam melhor não, por falta de segurança. Quando deixamos Belô foi debaixo de ovo podre com que os gentis universitários nos homenagearam. E tem muitos outros fatos para contar sobre a dona Yolanda, uma das minhas “Dez mais elegantes”, e o jantar em que reuni a sociedade de Brasília no Alvorada, no dia que antecedeu o Ato Institucional Nº 5, quando fui fotografar dona Yolanda para minha lista e ela me contou tudo o que estava acontecendo e os nomes que faziam parte do governo, mas contra Costa e Silva. Quando fui deixando o Alvorada, perguntei à primeira-dama se poderia contar tudo na minha coluna e ela disse: “Claro que pode...”. E se eu for preso? E ela: “É melhor não contar...”. Tudo vai no livro Ninguém me contou. Eu vi... Antes mesmo de Costa e Silva ficar doente subitamente, já estavam articulando o nome do general Emílio Garrastazu Mé­ dici para sucedê-lo. Naquela época, quando Médici era chefe do SNI, nós frequentávamos a Pousada do Rio Quente. Numa

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4 Gilberto Amaral e o convívio com quatro outros generais que chegaram ao cargo máximo da República: (3) João Figueiredo; (4) o sorriso de Ernesto Geisel, com seu ministro Ueki; (5) Garrastazu Médici; e (6) com o casal Costa e Silva.

manhã, bem cedo, fui acordado pelo saudoso embaixador Celso Machado, que me informou: “O seu amigo general Médici está aqui na Pousada”. Troquei-me rapidamente e cheguei no bar e Médici tomava uma cervejinha. Fui logo dizendo: “Foram me acordar porque o senhor estava aqui”. Médici riu e comentou: “O seu SNI está funcionando melhor do que o meu, porque eu não sabia que você estava aqui”. Convidou-me para voltar com ele, mas agradeci. Naquele tempo não era muito chegado a avião. Todo dia 4 de dezembro éramos convidados a jantar com ele e dona Scila, para festejar seu aniversário. Aos domingos, antes de assumir a Presidência, eram nossos parceiros

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de biriba no Clube do Congresso. No governo do general Ernesto Geisel, o clima era outro, mais fechado. O evento social que marcou o seu governo foi a realização do Prêmio Molière, sob o patrocínio da Air France, sempre trazendo um cantor francês para o show. Era sempre realizado em noite de gala no Cine Brasília, com renda para a extinta Legião Brasileira de Assistência (LBA). Mas tive um bom relacionamento com Geisel. Foi ele quem deu início ao projeto de reabertura política lenta e gradual, afastando todos os radicais do poder para abrir a eleição de João Figueiredo. Dona Dulce contribuiu muito para que o presidente João Figueiredo fosse mais social. BOA VONTADE |

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Revista Boa Vontade - Sérgio Britto  

Aos 86 anos, o consagrado ator, roteirista e diretor diz que teatro é para a vida toda e não esconde a satisfação de poder inovar no palco.

Revista Boa Vontade - Sérgio Britto  

Aos 86 anos, o consagrado ator, roteirista e diretor diz que teatro é para a vida toda e não esconde a satisfação de poder inovar no palco.

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