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informaçÃO | DiÁlogo | Aprendizado Compreensão | Amor |

Guarda compartilhada Sou solteiro e vou bem, obrigado!

A ADOçÃO no brasil

O Papel dos Avós

O novo jeito de casar

Gentileza é questão de Educação

Entrevista: Como conciliar carreira e família?

pé na estrada!

ISSN 1809-676

R$ 10,00

FÉrias chegando,

Crônica do mês: A vida como ela não é!

Tecnologia: Da Galinha Pintadinha ao WhatsApp

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PERFIS PERFISEECOMPORTAMENTOS COMPORTAMENTOS DA DANOVA NOVAFAMÍLIA FAMÍLIAPASSAM PASSAM SEMPRE SEMPREPOR PORPEDIATRAS, PEDIATRAS,PSIPSICÓLOGOS CÓLOGOSEETERAPEUTAS. TERAPEUTAS. AAREVISTA REVISTANOVA NOVAFAMÍLIA FAMÍLIADÁ DÁ AARECEITA! RECEITA!

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Nova Família

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Expediente

A família: alicerce da vida!

É

com imenso prazer que apresentamos a você, caro leitor, um nicho de informação presente na vida de todos. Você já ouviu aquela frase, “Essa é a família que escolhi pra mim”!?!? Pois bem, ela se aplica direitinho a nós aqui e você vai entender o motivo. A família continua sendo sem dúvida a base. A influência exercida por ela determina o estilo de uma sociedade. Aprendemos a perceber o mundo, damos início a nossa identidade e somos introduzidos no processo de socialização. Mas hoje em dia esses padrões estão mudados, novas forma de encarar a vida estão presentes, os relacionamentos já não são mais tradicionais, a criação dos filhos já não depende somente de seus pais, a mulher avança a cada dia no mercado de trabalho, a tecnologia invade nossas casas velozmente e nosso estilo de vida é uma constante mutação. Por essas e outras razões que a revista chegou pra você. Ela veio para desbravar assuntos polêmicos e desmistificar tabus impostos pela sociedade. E com grande carinho cada um da equipe abraçou esse projeto com vontade e  dedicação pensando em você! Por isso o recebemos de braços abertos: Seja bem-vindo (a) a sua Nova Família!!!

REVISTA NOVA FAMÍLIA Rua Francisco Alves, 487 - Vila Ipojuca CEP.: 05033-010 Lapa - São Paulo Telefone: (11) 2985-9454 www.revistanovafamilia.com.br contato@revistanovafamilia.com.br EDITORA Editora Meireles Ltda Rua Francisco Alves, 487 - Vila Ipojuca CEP.: 05033-010 Lapa - São Paulo CNPJ 10.866.096/0001-29 PUBLISHER Nido Meireles CONSELHO EDITORIAL Nido Meireles, Michele Dacosta, Fernando Bonini, Joana Mackenzie, Luciana Freitas, Lúcia Furlan DIRETORA DE REDAÇÃO Michelle Dacosta/41313-SP DIREÇÃO DE ARTE AMOAMO Telefone: (11) 947262237 ID 82*56481 DIAGRAMAÇÃO Magda Barkó CARICATURISTA  Caio Rothje REVISOR Paulo Afonso de Castro EDITORES Michele Vitor, Flávia Ferreira de Freitas, Sandhra Cabral, Sylvio Montenegro, Luciana Brunca, Thiago Assunção, Domingos Crescente COLUNISTAS Ivanir Signorini, Barbara Mackenzie, Sylvio Montenegro, Nazir Mir Junior, Cléo Francisco, Karen Sternfeld, Daniela Viek, Fernando Sousa DIRETOR DE PUBLICIDADE Maurílio Macedo  DIRETOR DE MARKETING Fernando Bonini ASSESSORIA DE IMPRENSA / COMUNICAÇÃO INTEGRADA Luciana Freitas DIRETOR DE MERCADO LEITOR / CIRCULAÇÃO Marco Antonio Geacomeli CIRCULAÇÃO E DISTRIBUIÇÃO (AUDITADA) BDO Brazil Rua Major Quedinho, 90 - Consolação 01050-030 – São Paulo, SP Cel:  (11) 97541-5098 Tel:  (11) 3848-5880 IVC em processo de filiação Alameda Santos, 200 Cj. 72 - Cerqueira César – São Paulo, SP  Fone/Fax:  (11) 3287-0028 / 3287-0042

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Papo de Família

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REVISTA DIGITAL ARTE NOVA WEB DESIGN LTDA Rua da Imprensa, 778, Sala 04, bairro Parque Celeste, Cep 15.070-420, São José do Rio Preto - SP Editora-Chefe - Michelle Dacosta/41313-SP COMERCIAL WWREDE GEMA BRASIL NEGÓCIOS EM COMUNICAÇÃO Negócios em Comunicação Av. Jandira 667 – Moema – São Paulo – SP. Tel: (11) 2985-9454 CONTROLADORIA A L B – Contabilidade Integrada Rua Conselho Brotero, 125 – 4ª andar Tel: (11) 3129-8322 GERENTE ADMINISTRATIVO e FINANCEIRO Sidnei Brito Assistente  Miguel Nery DEPARTAMENTO JURÍDICO Dr. Anísio Cardoso ATENDIMENTO AO CLIENTE São Paulo - Tel: (11) 3512-9458 Rio de Janeiro - Tel: (21) 4063-9051 Segunda a Sexta Feira - 09h às 18h, exceto feriados IMPRESSÃO GRÁFICA Color System - Gráfica Digital e Offset Rua Mario Regallo Pereira - 471 - Jd. Jaguaré - São Paulo - SP Tel: (11) 3789-1900

Michelle Dacosta Diretora de redação

A Revista Nova Família é uma publicação mensal da Editora Meireles Ltda que não se responsabiliza pelos conceitos emitidos nos artigos assinados. As pessoas que não constarem no expediente não têm autorização para falar em nome da Revista Nova Família. A reprodução total ou parcial de textos, artigos, imagens dessa edição somente será permitida através de expressa autorização por escrito e assinada pelo PUBLISHER. A inclusão do nome dos colaboradores e colunistas deste expediente não implica em vínculo empregatício.

PRINCÍPIOS E VALORES

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Arquivo

Os princípios e valores da Revista Nova Família proporcionam aos colaboradores e leitores conceitos para pensar e agir de forma consciente, partilhando toda a informação relevante e atuando de acordo com os princípios éticos de responsabilidade social e empresarial inerentes à vida em sociedade. Tudo o que apresentamos é de forma dedicada, apaixonada e sem qualquer forma de discriminação e preconceito. Todos os dias, nos dedicamos de forma incansável para oferecer um produto e um serviço de excelência.

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INSTITUTO VERIFICADOR DE CIRCULAÇÃO

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Cotidiano

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O papel dos avós na criação dos netos

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Gentileza é questão de educação

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Religião e Família

Estilo de vida

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Sou solteiro e vou bem, obrigado!

O novo jeito de casar

O caminho da felicidade

Família

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Parente é serpente? Não, nem sempre.

Carreira e Família

As férias estão chegando!

Educação

Especial

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22-25 Educação brasileira não representa o aluno

TEcnologia

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Quando apresentar as crianças à tecnologia?

Em pleno século XXI Sexo ainda é tabú?

opinião

Adoção no Brasil

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Guarda compartilhada ou não?

Projeto Família Pipa

CRÔnica

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Causa

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direito

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Hábitos Saudáveis X Stress

lazer & Viagem

60-61 32-33 Traição. Pode isso?

Saúde

trabalho

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Comportamento

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religião

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Índice

Qual o limite entre prazer, religião, sentido e mercado?

Um bem humorado relato sobre encontros e desencontros digitais Índice

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COLunistas PUBLICITÁRIOS E DESIGNERS TAMBÉM SÃO PAIS E AVÓS ANTENADOS COM AS NOVAS TENDÊNCIAS E COMPORTAMENTOS DE FAMÍLIA. A REVISTA NOVA FAMÍLIA TRILHA O CAMINHO!

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Babi Mackenzie, educadora desde 86, fundadora da Teaching Company.

Fernando Sousa, jornalista especialista em Tecnologia e Games.

Cléo Francisco, jornalista especialista em  Educação Sexual.

Karen Sternfeld, nutricionista pela New York University e Health Coach pelo Integrative Nutrition.

Daniela Viek, relações públicas, consultora, coach, especialista em Comunicação & Marketing. Apaixonada por viagens, pela vida, por conhecer novas pessoas e culturas.

Nazir Mir Junior, advogado atuante nos ramos do Direito Civil, Direito Empresarial, Direito do Consumidor, Direito de Família e Sucessões (Área Cível), Direito Penal, Direito Administrativo, Direito Ambiental, Direito Tributário e Direito Financeiro (Direito Público).

Virginia Piti, jornalista formada pela Universidade Metodista numa época sem o santo Google, quando a notícia era o mais importante. Cronista por natureza e solteira por “detalhe do destino”, sua vida é simples e por isso merece ser compartilhada.

Sylvio Montenegro, jornalista e radialista. Estudioso sobre as mais diversas formas de crenças, especialista em realizações de celebrações sociais e espirituais de casamento e bodas, sem cunho religioso ou civil.

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Colunistas

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Comportamento

Com a correria do dia a dia torna-se cada vez mais comum ver os avós criando os netos para que os filhos possam trabalhar. No entanto, é importante que algumas regras sejam estabelecidas para que cada um cumpra o seu papel

O papel dos avós nA criação dos netos Michele Vitor

Colo de Vó, sensação maior de aconchego.

Quem nunca ouviu a expressão de que ‘vó é mãe com açúcar’? Isso porque o papel dos avós sempre foi mimar, proteger e fazer as vontades dos netos. Para a maioria das crianças e adolescentes os momentos vividos ao lado dos avós sempre foram de alegria e muita diversão. E, para os adultos que tiveram essa oportunidade, sempre ficam boas lembranças e muito aprendizado.

“Os pais nunca devem ser questionados diante das crianças sobre as suas decisões”

No entanto, hoje em dia, esse contato com os avós não se resume apenas a visitas, finais de semana e temporada de férias. Está cada vez mais intenso. Isso porque as mudanças sentidas na sociedade também refletiram na rotina familiar.

e acordo com o especialista, outra situação muito comum quando os avós participam da educação dos netos é que exista um exagero nos mimos, fazendo com que a criança cresça sem ter que enfrentar limites.

Antes era muito comum que as mães ficassem em casa cuidando da criação dos filhos e dos afazeres domésticos. Mas, com toda a evolução da sociedade, as mulheres passaram e ter a oportunidade de escolher suas profissões e o momento de constituir a própria família. No entanto, por ter uma carreira e também ter a responsabilidade financeira sobre a família, as mulheres acabam não conseguindo dedicar tempo para a educação dos filhos. E, esse trabalho acaba ficando a cargos dos avós, que estão, cada dia mais, presentes na criação dos netos. Mas, o que é uma ajuda para os pais, pode se tornar um problema na educação das crianças se as regras não forem claras. Segundo o psicólogo e professor universitário, Walter Poltronieri, dependendo da dinâmica da família a interferência dos avós pode trazer tanto benefícios quanto problemas. Segundo o especialista, a convivência pode se tornar negativa quando os avós interferem nas decisões dos pais, fazendo com que os filhos percam a referência do que deve ou não ser feito. “Quando os pais impõem uma regra ou orientam que os filhos tenham determinada atitude, é importante que os avós respeitem a decisão e, se não concordarem, conversem com seus filhos longe das crianças. Os pais nunca devem ser questionados diante das crianças sobre as suas decisões”, afirma Poltronieri.

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“Mimar as crianças é uma atitude natural, principalmente quando se trata dos avós, que gostam de agradar e de fazer as vontades dos netos. No entanto, é preciso ter limites para que essa atitude não interfira na criação e na formação. Crianças muito mimadas, que não sabem respeitar regras e têm todas as suas vontades satisfeitas acabam se tornando adultos problemáticos que não conseguem lidar com situações difíceis”, explica o especialista.

A importância do diálogo Quando as diferenças de opiniões surgirem o mais indicado a fazer é dialogar de forma clara e objetiva, segundo a psicóloga Neuzeli Aparecida Nicácio, especialista em terapia familiar. “Naturalmente uma boa conversa sempre será necessária. É preciso que fique claro que quem deve estabelecer as bases, diretrizes e limites em relação a criação e educação dos filhos são os pais. O papel dos avós se resume ao cuidado, ao mimo, a cumplicidade com os netos e a parceria com os filhos”, comenta Neuzeli. Segundo a psicóloga, por mais que a situação pareça simples, quando surgir qualquer divergência sobre a educação das crianças é necessário que os avós e os pais sentem para conversar e resolver as diferenças, sempre longe das crianças. “Mesmo que os avós não concordem, é importante deixar claro que a educação dos filhos é responsabilidade dos pais e é preciso respeitar essa regra”, ressalta Neuzeli.

Comportamento

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Comportamento Como fazer as crianças voltarem à rotina da casa dos pais

Quando começam a surgir os problemas

Vantagens de ter os avós por perto

De acordo com Neuzeli, a presença dos avós na criação dos netos começa a apresentar problemas quando, de um lado, os pais terceirizam aos avós a criação e educação dos filhos, deixando toda a responsabilidade com eles.

De acordo com o especialista Walter Poltronieri, existem muito mais vantagens do que desvantagens na relação de avós e netos. Para ele, alguns fatores justificam e comprovam a importância da presença dos avós.

Normalmente quando isso ocorre começam os desentendimentos. De um lado os pais reclamam que os filhos não os respeitam e não querem seguir as regras impostas por eles, dando atenção somente às orientações dos avós.

“É possível perceber que crianças que crescem em contato com os avós se tornam adultos mais flexíveis. Além disso, são os avós que reforçam as tradições familiares, contam histórias e ajudam a formar a memória social das crianças”.

As desavenças também surgem quando, de outro lado, os avós querem assumir um papel que não é seu, ou seja, interferem nos limites e regras impostos e na educação que os pais querem para os filhos, como se eles não tivessem competência para isso.

Os avós podem sempre ser considerados como ‘um colo amigo’. Agem como apoio quando os netos se sentem sozinhos e têm alguma divergência com os pais. São eles que consolam, orientam e ajudam os netos a enxergar que mesmo uma atitude mais rígida dos pais é apenas um sinal do amor e do bem-estar que querem assegurar aos filhos.

“Dessa maneira acabam tirando a autoridade dos pais e confundem a cabeça dos netos”, comenta Neuzeli. É sempre importante que seja claro, tanto para os avós quanto para os pais envolvidos, que os avós não podem ser responsabilizados pela educação dos netos. Esse trabalho é intrasferível e cabe aos pais quando esses apresentam boa saúde física e mental. Mas, nenhuma dessas situações quer dizer que a convivência constante entre avós e netos não é saudável.

“É possível perceber que crianças que crescem em contato com os avós se tornam adultos mais flexíveis”

Depois de longos períodos na casa dos avós, como em temporada de férias, pode ser mais complicado fazer as crianças e adolescentes se adaptarem as rotinas e regras impostas pelos pais. Segundo a psicóloga Kareislla Medeiros, é preciso que as crianças aprendam aos poucos o que é permitido em cada lugar para que saibam distinguir sua rotina no período de férias com os avós e o restante do tempo em que passam cumprindo outras tarefas, ainda que menos prazerosas. “Os pais precisam compreender que, se souberem dosar, a convivência com os avós pode ser muito construtiva para seus filhos. A chave é sempre o diálogo, pois é por meio dele que cada um consegue entender seu papel sem invadir o espaço do outro”, comenta a psicóloga. “A convivência entre os netos é essencial e saudável. Quem não concorda que vó é mãe com açúcar, não sabe quanto a doçura dessa relação pode contribuir na formação de um cidadão”, conclui Kareislla.

O outro lado da moeda: benefícios para os avós A convivência com os netos é uma troca de benefícios para muitos idosos. Algumas pesquisas apontam que os avós que tomam conta de seus netos apresentam uma maior probabilidade de manterem-se fisicamente ativos nos anos seguintes. Para a psicanalista infantil da comunidade médica online Saluspot, Nedia Regina Prando, conviver com os netos é extremamente importante para os avós. É como se eles tivessem uma segunda chance para criar, educar e curtir a geração seguinte. “Quando nos tornamos avós podemos aproveitar com maior liberdade e sem tantos medos o relacionamento com as crianças, ou seja, as dificuldades e preocupações que tivemos ao cuidar dos filhos passam a ser responsabilidade de outros”, comenta a psicóloga, que afirma ser nessa fase que os avós podem curtir e fazer com os netos tudo aquilo que gostariam de ter feito com os filhos, mas não puderam.

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“Crianças muito mimadas que não sabem respeitar regras e têm todas as suas vontades satisfeitas acabam se tornando adultos problemáticos que não conseguem lidar com situações difíceis”

“Muitas vezes os avós costumam ser considerados um modelo a ser seguido e uma fonte de segurança emocional”, comenta Poltronieri. O papel dos avós no desenvolvimento das crianças é tão importante que ajuda a formar a personalidade do cidadão. Essa relação acontece em todos os lugares do mundo. Uma pesquisa elaborada pela Universidade de Oxford, na Grã-Bretanha, com mais de 1,5 mil crianças e adolescentes de 11 a 16 anos, comprovou que crianças que tiveram os avós por perto cresceram mais felizes. Principalmente nos dias atuais que os pais trabalham fora de casa em período integral, a proximidade com os avós é ainda mais benéfica e necessária. O estudo mostrou também que os avós desempenham um papel extremamente importante em fases turbulentas como a separação dos pais, proporcionando conforto e estabilidade emocional.

Cuidado, mimo e cumplicidade resumem bem o papel de avós com seus netos.

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Comportamento

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sobre os familiares e, muitas vezes, sobre si mesmo. “Hoje, boa parte das relações são uniões consensuais sem registro em cartório ou bênçãos religiosas”, comenta o psicólogo. Para ele, a situação econômica do país também contribui para essa diminuição da escolha pelo casamento tradicional. “Isso ocorre na tentativa de evitar despesas consideradas altas”, comenta.

A importância de cumprir o acordo quando a decisão for morar junto, mas sem abrir mão do casamento tradicional

Além disso, segundo o especialista, é possível observar uma mudança no comportamento da população que considera o afeto mais importante do que as tradições e costumes. “No passado, os casamentos tradicionais estavam associados, também, a garantias econômicas entre as famílias mais abastadas e eram fundamentados na dependência financeira da mulher”, explica.

Outro exemplo muito comum nos dias de hoje, é que existem casais que decidem morar junto, mas não abrem mão de planejar o casamento de forma tradicional. É uma maneira de ‘testar’ a convivência diária na mesma casa. Muitos casais optam por essa experiência para testar o respeito a individualidade dentro do relacionamento, a cumplicidade, o companheirismo e a rotina de casal.

Com as mudanças dos dias atuais, que incluem a inserção da mulher no mercado de trabalho, os vínculos de dependência foram substituídos por um modelo mais pautado no afeto do que na dependência. E, nesse caso, para algumas pessoas, a qualidade da relação tornou-se mais importante do que a instituição casamento.

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“Nesse caso, para algumas pessoas, a qualidade da relação tornou-se mais importante do que a instituição casamento”

Casamento tradicional perde espaço para modelos irreverentes de união.

O novo jeito de casar Cresce o número de casais que optam por morar juntos informalmente

Michele Vitor Apesar de todas as mudanças da sociedade, muitas pessoas ainda carregam um ar romântico e sonham em construir uma família ao lado de alguém especial. Muitas mulheres ainda desejam realizar toda a tradição da cerimônia de casamento, o que inclui, entrar na igreja, no sítio ou em um salão de festa toda vestida de branco e de braços dados com o pai. Mas, as tradições nem sempre andam lado a lado com a modernidade. Hoje em dia, a hora do ‘sim, eu aceito’ pode acontecer de uma maneira bem mais informal e simples. Atualmente,

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muitos casais optam apenas por morar juntos. E, entre os motivos, ganha destaque fugir da burocracia na hora de casar e de se separar, caso isso aconteça. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os casamentos duram em média 15 anos no país atualmente. E, de acordo com o psicólogo e terapeuta cognitivo-comportamental, Anderson Martiniano de Souza, essa instabilidade nos relacionamentos leva as pessoas a optarem por casamentos informais na tentativa de gerar menos expectativa

Além das vantagens financeiras e a redução da burocracia associada ao casamento formal, as pessoas que optam por uma união estável ou decidem morar juntas garantem que esse modelo de relacionamento está associado a partilha de sentimentos, ideais e projetos de vida comuns entre as duas pessoas. De acordo com Anderson, os modelos familiares atuais apresentam grande influência no comportamento dos jovens – o que favorece essa escolha. “Nos últimos anos, pudemos observar grandes mudanças nas estruturas das famílias, como casos de separação, divórcio, união estável e homoafetiva. Todos esses fatores refletem nas decisões e na percepção que o indivíduo possui sobre os relacionamentos. As experiências familiares que adquiriu, bem como as afetivas que viveu moldam essas escolhas”, afirma o especialista.

No entanto, mesmo que a decisão seja juntar as escovas de dentes e somente depois planejar o casamento é importante que nenhum dos dois se permita cair em uma zona de conforto protelando esse objetivo. Segundo Anderson, a acomodação é um processo natural e adaptativo do individuo. “É comum que as pessoas sempre procurem ações facilitadoras que garantam a sobrevivência e o bem-estar. Acomodar-se é uma condição evolutiva. O adiamento produz um alívio temporário porque nesse caso a pessoa acredita que tudo dará certo no final. Quando se trata de uma relação, os casais passam a aceitar uma condição de acomodação por conta da informalidade na tentativa de evitar esforços financeiros ou burocráticos”, explica. Mas, problemas no relacionamento podem surgir quando apenas um dos envolvidos entra nessa sintonia da acomodação. Para o especialista, ao analisar os casais utilizando a Terapia Cognitivo Comportamental (TCC) é possível perceber que fatores emocionais e comportamentais são capazes de intervir negativamente na qualidade das relações, porém muitas vezes as ideias e expectativas sobre os parceiros estão entre os principais motivos de conflitos entre o casal. “Esses pensamentos não são racionalmente avaliados pelos parceiros e tendem a ser aceitos como algo razoável, influenciando o equilíbrio emocional e refletindo diretamente no relacionamento. Dessa forma, os dois passam a interpretar de maneira equivocada seus sentimentos e o real significado daquilo que querem comunicar um ao outro. Seus sentimentos e expectativas se tornam vagos. O resultado disso é o afastamento e o sentimento de frustração”, afirma o psicólogo.

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Comportamento

Com o casamento tradicional os dois envolvidos têm de forma clara quais são seus direitos em caso de separação. Mas, o que muitas pessoas ainda têm dúvidas é quando esse relacionamento não apresenta contratos. Segundo a advogada, Xenia Gonçalves Santos, a união informal de casais passou a ser protegida por lei com a Constituição de 1988, que garante os mesmos direitos do casamento civil, com regime de comunhão parcial de bens. “Bens como imóveis e automóveis adquiridos durante o relacionamento passam a ser considerados objetos de colaboração mútua, podendo ser partilhados igualmente entre os dois”, explica.

O que importa é a felicidade do casal.

Curiosidade Segundo Censo 2010, realizado pelo IBGE, a proporção de pessoas divorciadas passou de 1,8% no ano 2000 para 3,1% em 2010. Os estados que mais se destacaram em número de divórcios são Mato Grosso, Rio de Janeiro e Distrito Federal. Já as uniões consensuais passaram de 28,6% em 2000 para 36,4% em 2010, com crescimento mais significativo no Norte e Nordeste.

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Mesmo assim, especialistas aconselham que esses casais façam um contrato com dados concretos e seguros para evitar problemas no futuro, principalmente em casos de partilha de bens.

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O ‘casamento moderno’ aos olhos da lei

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Costuma ser nessa hora que surge a dúvida entre se manter como profissional de sucesso ou abrir mão de toda a independência conquistada para se tornar mãe. Nenhuma das escolhas é errada, desde que seja realmente o que a mulher deseja. Adiar o sonho da maternidade para garantir o sucesso profissional pode ser bom, desde que a escolha seja feita com certeza. Bem, como quando a decisão é colocar a maternidade em primeiro lugar, se ausentando de todo o cenário profissional. Essa opção pode ser benéfica, desde que o desejo seja verdadeiro. Pois, normalmente, mulheres que optam por essa alternativa, mesmo sentindo que a profissão é importante, passam a ser vulneráveis a vários problemas, inclusive de saúde como a depressão. Mas, é importante saber que não há caminho sem volta. Mesmo que no momento a decisão seja lar-

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Nova Família: Qual o papel da mulher hoje em dia no mercado de trabalho? Madalena: As mulheres passaram a ocupar cargos que antigamente eram considerados masculinos. No setor público, por exemplo, as mulheres são a maioria e ocupam quase 60% das vagas. Elas chegaram a 2,9 milhões no mercado formal, que inclui indústrias, construção civil, comércio, serviços e agropecuária.

Manter uma boa comunicação em casa e no trabalho é o diferencial para conciliar carreira e maternidade.

Carreira & Familia

Nova Família: O que leva as mulheres a se sentirem culpadas e divididas entre o trabalho e a família?

A arte de conciliar o dia a dia

Michele Vitor Todas as mulheres têm momentos de dúvidas sobre como conseguir manter de forma saudável a vida pessoal e profissional. Apesar de trabalhoso, é possível sim ter sucesso nas duas áreas. Especialista explica como Uma das mais evidentes mudanças na sociedade nos últimos anos foi a entrada da mulher no mercado de trabalho. As mulheres, que antes só podiam se dedicar a casa, aos maridos e aos filhos, ganharam o mundo e passaram a ser respeitadas como profissionais. Muitas, hoje em dia, assumem a liderança de empresas de todos os tamanhos e também em cargos que chamam a atenção de todo o mundo, como a presidenta do país, Dilma Roussef, e a presidente da Petrobrás, Graças Foster, por exemplo.

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Mas, nem todas têm facilidade em lidar com o sucesso profissional, que muitas vezes exige muita dedicação, horas fora de casa e até adiamento de planos pessoais como a maternidade – fator que pesa muito para a maioria das mulheres. Além da cobrança muitas vezes indireta da sociedade, existe uma cobrança interna que as mulheres acabam exercendo sobre si mesmas. Isso ocorre muito quando estão em relacionamentos sérios e decidem casar ou quando o relógio biológico começa a bater indicando o momento de se tornar mãe.

Madalena: Querendo ou não, crescemos em uma geração a qual nos acostumamos a ver as mulheres cuidando apenas da casa. Nossos pais foram frutos de uma geração pós guerra, totalmente diferente da nossa. E, a inserção da mulher no mercado de trabalho é algo relativamente novo. E, como tudo o que é novo vem acompanhado de insegurança, é normal que a mulher se sinta assim no começo, mas com o passar do tempo ela começa a entender que pode sim ser uma ótima mãe sem deixar de conquistar bons cargos e se dedicar a carreira.

gar a profissão para cuidar do filho ou adiar a maternidade e se ausentar um pouco do dia a dia das crianças para investir na carreira, sempre é possível mudar.Além disso, é possível sim aliar a vida pessoal com a profissional de uma forma que não cause traumas à própria mulher e à sua família, principalmente nos filhos que ainda são crianças. A empresária e executiva de carreira, Madalena Feliciano é um dos exemplos a serem seguidos pelas mulheres que não desejam abrir mão nem da carreira, nem da maternidade. Diretora de projetos da empresa Outliers Careers e presidente do Instituto Profissional de Coaching, a executiva é mãe de cinco filhos. Especialista no assunto, Madalena conta a Nova Família como conseguir obter sucesso na vida pessoal e profissional.

Nova Família: Ainda existe uma pressão da sociedade (e dos maridos) para que as mulheres deixem suas profissões de lado para se dedicar a família?

Nova Família: E os filhos? Eles compreendem quando a mãe precisa se ausentar ou não pode estar presente em ‘reuniões escolares’, por exemplo?

Madalena: Existe sim, mas é uma pressão cada vez menor. Tanto as mulheres quanto suas famílias (pai, mãe, marido e filhos) percebem que não é preciso deixar o trabalho de lado para se dedicarem para a família. Hoje é muito mais comum encontrarmos maridos que apoiam as suas mulheres do que aqueles que as desencorajam.

Madalena: Os filhos sempre cobram. Isso faz parte. Obviamente que é importante para eles que nós estejamos presentes, porém é necessário que saibam que isso nem sempre é possível. Portanto, o que vale nesse caso é a sinceridade. É preciso dizer aos filhos o motivo pelo qual estará ausente, ressaltando a importância deles em sua vida e reforçando que sempre que possível estará presente.

Nova Família: O que as mulheres precisam fazer para conciliar a carreira com a maternidade? Madalena: Não existe uma receita de bolo para isso. Cada mulher encontra uma melhor forma de conciliar as suas responsabilidades de mãe com as profissionais. Para que essa decisão não se torne um dilema o ideal é programar o momento ideal. Um bom planejamento, com certeza, irá ajudar e muito. Alguns exemplos importantes que podem fazer toda a diferença na arte de conciliar carreira com maternidade incluem: a escolha da babá e uma escola mais próxima, assim será possível ter mais tempo com o filho e mais qualidade de vida. Além disso, é indispensável aproveitar o tempo com o filho da melhor maneira possível, lembrando sempre que quantidade não significa qualidade.

Nova família: E o relacionamento com o marido como fica quando a agenda profissional está cheia? Madalena: Assim como os filhos, os maridos precisam e merecem atenção, por isso é importante aproveitar ao máximo os momentos a dois. Vale fazer programas diferentes e reservar um tempo para namorar, isso fará com que o marido se sinta seguro e amado.

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Nova Família: E quando o trabalho inclui viagens constantes ou longas? Como fica o relacionamento com os filhos? Madalena: Deixar claro a importância do trabalho e o quanto faz com que se sinta realizada ajuda muito nesses períodos de ausência. A boa comunicação é o grande diferencial nessa jornada. Nova Família: O que fazer quando esses compromissos profissionais acabam resultando em desentendimentos com o marido? Madalena: A melhor arma é a conversa. Ainda que haja acordo é importante não abrir mão dos próprios sonhos. Um diálogo aberto e sincero beneficiará o entendimento e a compreensão dos dois. Nova Família: Quando chega a hora de escolher entre vida profissional e pessoal: Isso é saudável? Madalena: Não, uma escolha desse porte nunca será saudável. Se a mulher opta apenas pela vida familiar ela corre grande chance de se arrepender depois. O mesmo pode acontecer quando a escolha for pelo trabalho. É preciso deixar que as coisas ocorram naturalmente, sem forçar uma escolha. Nova Família: Algumas mulheres decidem abrir mão da vida profissional para dedicar todo o tempo para o marido e os filhos. Essa é uma boa escolha? Madalena: Sempre digo que não existe certo e errado, mas sim o que é melhor para cada um. Existem mulheres que depois do casamento e maternidade decidem dedicar-se inteiramente a isso, assim como existem aquelas que dividem

o seu tempo entre as duas prioridades. Não cabe julgar o que é certo ou errado. Se a mulher se sente completa apenas com tarefas domésticas e cuidando da família, é preciso respeitar sua escolha. O importante é se sentir plena e feliz. Nova Família: E quando essa escolha acaba gerando um desequilíbrio ainda maior entre o casal? O que fazer? Madalena: Optar por uma ajuda que venha de fora pode ser uma boa ideia (terapia de casal, coaching etc). Vale mostrar que existem outros casais que passaram por isso, superaram e estão felizes. Nova Família: Quais são os principais problemas que podem surgir após a mulher decidir abrir mão da carreira? Madalena: Segundo uma pesquisa publicada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), após o nascimento dos seus filhos, algumas mães começam a se sentir sozinhas e sobrecarregadas com as tarefas domésticas. Isso pode acarretar uma piora na autoestima, com sentimentos de desvalorização, culpa, dependência financeira e emocional, solidão e, em casos mais sérios, depressão. Nova Família: E a sua experiência? Quantos filhos você tem? Qual a idade deles? Madalena: Felizmente fui presenteada com cinco lindos filhos. São duas meninas, uma de 23 anos e uma de oito anos de idade, e mais três meninos de dez, 13 e 18 anos. Além deles, tenho uma netinha de cinco anos.

Nova Família: O que vocês fez para conseguir consolidar sua carreira sem abrir mão de ser mãe?

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Comportamento

Madalena: Decidi desde muito nova que queria ser mãe e não abriria mão da minha carreira. Por isso me organizei para receber meus filhos e investir nos meus estudos. Planejamento, foco, motivação e a certeza de que chegaria lá nunca me faltaram. Essas características foram essenciais para que eu pudesse obter o sucesso de hoje. Posso afirmar com propriedade que com amor, dedicação, garra, energia e com um bom planejamento essa tarefa será realizada com sucesso e trará benefícios para todos os envolvidos. Nova Família: Como você fez para conseguir isso? Quais dicas você dá para as profissionais que também são mães? Madalena: Primeiro tive a sorte de ter um marido que me apoiou em todos os momentos. Além disso, ele sempre foi meu braço direito. Para estar motivada todos os dias para o trabalho escolhi a área que sempre fui apaixonada. Organizei minha agenda pessoal e profissional e sempre fui criteriosa em manter minha rotina de trabalho. Minhas dicas são: trabalhe no que você ama, planeje, tenha foco, mas acima de tudo, tenha atitude. Não leve trabalho para casa. Aproveite sempre o tempo no lar para cuidar da família e mostre o quanto são importantes em sua vida!

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Educação brasileira NÃO representa o aluno Flávia Ferreira de Freitas

“e

nsinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua própria produção ou a sua construção

Como fazer com que o garoto e a garota fiquem na escola e se interessem por ela? A pergunta suscita inúmeros questionamentos e levam os profissionais e pesquisadores a se perguntarem quais caminhos seguir. Pesquisador e doutor em Antropologia Cultural, Fabiano Monteiro, fez uma imersão nessa questão durante a pesquisa de doutorado, quando lançou um olhar sobre os discursos raciais presentes nos livros didáticos da década de 1950 comparados aos lançados hoje. “Em linhas gerais posso dizer que os professores acham que a educação brasileira está em crise. Isso não é um fato novo. Desde sempre a ação de educar no Brasil foi feita tendo como espelho Nova Família

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A frase proferida por Paulo Freire, ícone da educação no Brasil, ainda é utilizada para designar o ensino dos sonhos, que constrói sua base nas potencialidades que os alunos trazem do mundo externo, encarando a escola como um espaço de troca desses aprendizados e não apenas de uma instrução engessada. Mesmo lutando por um ensino de qualidade, professores ainda se deparam com problemas antigos, como a permanência na escola.

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Especial

a Europa. A educação pública e de massa é um fenômeno relativamente novo em nossa História”, explicou Fabiano. Para o pesquisador, a política educacional remete a Era Vargas e, por conseguinte, a um exercício de forjar um povo e uma nação. “A preocupação de Vargas nesse sentido não era apenas administrar o Brasil, mas, sobretudo, produzir um Brasil. Assim dá-se início uma série de intervenções de padronização dos livros e conteúdos e o desafio de como levar a educação para todos e com que qualidade esse processo educacional se daria é imposto”. Anísio Teixeira e Fernando Azevedo ao pensar a “Escola Nova” tinham esse desafio em mente, questão que Fabiano eleva ao patamar das segregações. “Os limites e melindres dos investimentos em educação, penso eu, começam com o problema da suspeita em relação às capacidades morais e intelectuais do brasileiro, por parte de nossos governantes e, principalmente, nossas elites ditas eruditas”.  O pesquisador destaca que: “Enquanto a educação nos países desenvolvidos era uma questão de reprodução do sistema capitalista e de desenvol-

A educação independe exclusivamente do professor.

vimento social, educar as massas no Brasil era (e talvez ainda seja) uma ação tida como “desperdício” e esse é um ponto nevrálgico comparado a outros países”. Com o ímpeto democrático pós-ditadura militar definiu-se que era necessário prover educação para todos, dentre os defensores desse ideal estava Paulo Freire, Darcy Ribeiro, Brizola, Cristóvão Buarque e D. Ruth Cardoso. O acesso à educação, além de ponto pacífico, se transformou em uma espécie de magia. Era comum pensar que, se todos estudassem, o Brasil e o mundo seriam lugares melhores.  A suspeita em relação ao “povo” e sua aptidão à escola ainda não desapareceu. O estudo realizado por Fabiano mostrou que os diretores e professores filtram os alunos que julgam “menos piores” e investem neles, na expectativa que os demais, simplesmente saiam da escola. O problema é que da era Fernando Henrique Cardoso pra cá isso não ocorre mais, porque os programas sociais são vinculados à permanência escolar e isso

incomoda muito os professores e diretores que têm uma visão de mundo mais conservadora. “Eles se queixam, ficam esperando e não buscam saída para incluir todo mundo num projeto educacional que possa ser exitoso. Não contam com essas pessoas (alunos) para melhorar ou desenvolver a sociedade. Gostariam, na verdade, de deixá-las à margem”, conta. “No Brasil vige ainda a lógica de que a escola deveria ser um espaço reservado aos meninos estudiosos. A escola é um lugar de todos, a despeito do desempenho. É um direito. É uma experiência pesadíssima na cultura ocidental moderna. Nossos gostos musicais, nossos valores, nossos primeiros romances acontecem na escola”. Ao longo dos anos, as tecnologias avançaram, mas as políticas educacionais ficaram estagnadas. O ensino é quase principesco, erudito e nada atraente. “É impressionante o glamour que a cultura de massa exerce sobre os alunos. Quan-

Especial

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Especial do eu dava aula para o ensino médio todos os garotos queriam jogar bola, ser rapper ou traficante. As meninas queriam ser modelo, mulher de pagodeiro ou mulher de traficante. Nada disso passa pela vida escolar... Não há mais sonho com a escola”. Em acréscimo, a mestre em literatura e mestranda em educação, Isabel Navega, que tem como objeto de estudo as manifestações populares que podem ser utilizadas como forma de aprendizado, afirma que a escola deveria incluir as potencialidades no processo educacional. “A criança tem uma linguagem própria e percebi durante os meus estudos que a escola tradicional não faz uso dessas manifestações durante o processo de aprendizado. Eles ignoram o conhecimento que esse aluno traz consigo”. Ambos os pesquisadores acreditam que ainda exista ambientes propícios para o desenvolvimento completo do aluno, os quais são caros ou inacessíveis para algumas camadas da sociedade. Fabiano conta que estudou em escolas com projetos pedagógicos muito bem elaborados, sobretudo entre a 4ª e 8ª série (atual 5º e 9º ano). Era uma escola em tempo integral, na qual os alunos tinham

aulas de artes cênicas, artes industriais, aprendiam a cozinhar, tinham programas de representação e participação política, participação no calendário de discussões de conteúdos, entre outras coisas. “Não era só agradável ficar ali, mas o estar ali era instrumentalizado na produção de conhecimentos práticos. Mas falo dos anos 1980, de uma escola com poucos alunos e professores arejados. Eram outros tempos... Tenho saudades da escola onde estudei, e não das escolas onde lecionei. Não falo isso com orgulho, falo com pesar”.   

Dados mundiais O engessamento do ensino, de acordo com Isabel, é um dos quesitos que explica o mau desempenho do Brasil em pesquisas que traçam o ranking de educação. O Relatório de Desenvolvimento Humano, divulgado este ano pela Organização das Nações Unidas (ONU), informa que o Brasil está abaixo da média da América Latina em educação e expectativa de vida. O estudo do orgão calcula o Índice de Desenvolvimento Humano dos países com base em indicadores de educação, saúde e renda.

De acordo com a pesquisa, o Brasil avançou uma posição no ranking mundial, passando do 80º lugar em 2012 (IDH de 0,742) para o 79º em 2013 (IDH 0,744) no ranking do desenvolvimento humano. Apesar da melhora no ranking, os dados da ONU não revelam avanço significativo em educação e expectativa de vida. A média de estudo na América Latina é de 7,9 anos e no Brasil, desde 2010, 7,2 anos. Estudos econômicos dão conta que cada ano de estudo escolar acrescenta 10% na produtividade de um trabalhador. Não é por acaso que na maioria dos países europeus, assim como nos EUA, no Japão e na Coréia do Sul há um alto nível de escolaridade, que beira 12 anos de estudo.

Aluno presente e desenvolve a sociedade. Image Sources : Supomelhora gamba nyoe nyak / Image are not included

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O vice-secretário-geral da ONU, Jan Eliasson, destacou durante discurso de abertura na Primeira Iniciativa Global pela Educação, realizada no ultimo mês, que apesar dos avanços no número de crianças na escola, ainda há 58 milhões que estão fora das salas de aula em todo o mundo e 250 milhões de crianças não sabem ler. “A educação de qualidade é mais do que um ponto de entrada no mercado de trabalho, é a base para a realização pessoal, igualdade de gênero, coesão social, desenvolvimento sustentável, crescimento econômico e cidadania global responsável”, disse ele.

Levantamento executado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) em 32 nações, no ano de 2013, em 1070 escolas, com aproximadamente de 14,3 mil professores e 1,1 mil diretores, indicou que no Brasil 20% das horas dos docentes em classe é desperdiçada com indisciplina, enquanto a média mundial é de 13%. Os docentes brasileiros gastam também mais 12% das horas em sala de aula para resolver afazeres administrativos, sobrando somente 68% da carga horária para atividades de ensino e aprendizagem. A maioria das escolas públicas é pouco equipada: 0,6% têm laboratório de ciências; 15% têm biblioteca e sala de informática; 14% têm somente uma sala de aula em sua maior parte nas regiões Norte e Nordeste; e apenas 44% têm infraestrutura básica como água e energia. Sem citar arremedos de escolas públicas que sequer possuem vagas para novos alunos e cujas salas de ensino nem ao menos têm cadeiras suficientes. Ao sentirem-se desestimulados, alunos abandonam as escolas: 24% não concluem o ensino fundamental e 49% o ensino médio. A evasão escolar entre jovens de 15 a 17 anos beira os inaceitáveis 16%.

13 milhões de pessoas, ainda não sabe ler nem escrever. Em artigo, o mestre em liderança e administrador Rodnei Vecchia justifica que o estupendo desenvolvimento coreano ocorreu, principalmente, devido a investimentos e incentivos maciços do Estado em sistemas educacionais públicos de ensino fundamental e médio (carga horária de mais de 40 horas semanais). “As salas de aula são adequadas ao ensino, equipadas com o que há de mais avançado em tecnologia, os professores são muito bem preparados e remunerados. Mais de 66% dos gastos com pesquisas são financiados pelo setor privado, por meio de incentivos fiscais. A gestão dos recursos é eficiente, ou seja, criou-se um ciclo virtuoso que produz continuamente resultados auspiciosos”. Foi esse processo de gestão na área educacional, entre outras medidas tomadas pelo poder público, que transformou a paupérrima Coréia do Sul da década de 60 em um país rico 50 anos depois. Nesse mesmo período, o ora subdesenvolvido Brasil da década de 1950 surge em 2010 como um país ainda em desenvolvimento.

Na década de 1960 o Brasil e a Coréia do Sul eram países subdesenvolvidos. Mas em 2011 a renda per capita coreana representava o triplo da brasileira. A Coréia praticamente erradicou o analfabetismo, enquanto, dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), de 2013, mostram que 8,3% dos brasileiros com mais de 15 anos, uma multidão de

Especial

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cotidiano

Gentileza é

questão de Educação Sandhra Cabral

S

egurar a porta aberta para alguém, dar passagem a outros veículos no trânsito, ceder lugar aos idosos ou gestantes em transportes públicos. Estas são algumas regras básicas de convivência em grupo, das quais todos gostam, mas que estão desaparecendo rapidamente das nossas vidas. Para especialistas, o sumiço paulatino dos gestos gentis para com o próximo transforma as relações humanas em contatos frios, hostis e, por vezes, agressivos. “A gentileza é a prática de bom convívio social, portanto, sem gentileza as relações se deterioram e os conflitos se multiplicam, podendo mesmo chegar a processos violentos. É preciso que se entenda que a prática da gentileza, além de educação, é uma forma de organização da sociedade”, adverte Suely Buriasco, Mediadora de Conflitos, Educadora e Escritora. A carência dessa virtude preocupa psicólogos e educadores há tempos: em 1996, a gentileza ganhou um dia mundial, instituído em Tokyo, no Japão, comemorado sempre em 13 de novembro. Aqui no Brasil, o movimento pela gentileza é representado, desde então, pela Associação Brasileira de Qualidade de Vida (ABQV).

“O objetivo da ABQV é motivar e inspirar as pessoas para que elas possam transformar nossa sociedade em um lugar melhor para se viver, através da prática diária da gentileza nos diferentes ambientes sociais como família, empresas, comunidades e sociedade em geral. A ideia é a de se discutir e estimular a importância de um retorno a valores universais como amabilidades e gentilezas”, revela Samia Aguiar Brandão Simurro, Vice-Presidente da Entidade. Identificar as causas da perda da gentileza em um mundo globalizado, que prega por mais educação, não é tarefa fácil. “Há um conjunto de fatores que contribuem para a desvalorização da gentileza. Um deles é a objetificação do Homem e seu paralelo: a humanização dos objetos. Como exemplo, basta ver os comerciais de TV valorizando o “ter” em detrimento do “ser”. Outro fator é a velocidade, a pressa, o excesso de tarefas que as pessoas precisam dar conta no dia a dia. Parar para cumprimentar, dar a vez, ajudar a carregar pacotes, tudo isso toma tempo, um tempo que não temos, por isso a tendência é não investir esse tempo nessas gentilezas que poderiam nos atrasar. Só que não percebemos que o atraso passa a ser na qualidade das relações”, explica Marcos Méier, Mestre em Educação, Psicólogo, Escritor e Palestrante. Não há, contudo, como falar de gentileza sem falar do ambiente familiar. Segundo Gabriela Cosendey, Psicóloga Clínica, o comportamento do indivíduo revela muito sobre suas origens e a forma como foi criado. “A gentileza é um exemplo dos valores que são transmitidos desde cedo pelos pais e que se espera que sigam com as pessoas ao longo de suas vidas”, enfatiza Cosendey.

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As boas maneiras, delicadeza e atenção para com outro, além de garantirem o bom convívio em sociedade, deixam claro o grau de educação de um povo.

Como diz o ditado, “gentileza gera gentileza”.

Samia Aguiar Brandão Simurro, Vice-Presidente da Associação Brasileira de Qualidade de Vida, acredita que o grande problema da sociedade atual é a falta de solidariedade. “Enquanto sociedade, temos cada vez mais problemas que são globais e de todos. Temos os desafios ambientais, a falta de recursos que exigem soluções conjuntas e solidárias para a sustentabilidade do homem e do planeta. É preciso repensar posturas individualistas para que possamos criar um mundo genuinamente hospitaleiro para as próximas gerações onde os valores essenciais possam ser respeitados e os fracos possam ser apoiados e a civilidade seja preservada”, sentencia. Gentileza de pais para filhos Ser gentil é, sim, questão de educação e não apenas daquela que se aprende na escola, mas principalmente daquela que recebemos em casa, dos nossos pais e parentes mais próximos. A redução da gentileza entre as pessoas, de acordo com Marcos Méier, Mestre em Educação, pode estar centrada no que ele chama de endeusamento da infância, provocado pelos genitores da criança. Segundo ele, as crianças são excessivamente valorizadas, pelos pais, quanto aos seus desejos egoístas e passam a ser umbigocentradas. “Elas querem comidas especiais, querem ser imediatamente atendidas, não sabem ouvir “nãos” e tudo isso as faz se sentir tão importantes que as outras pessoas, incluindo adultos e idosos, nada valem. Assim, esse clima de “tudo pra mim” se opõe a qualquer ato de gentileza, pois a gentileza é a manifestação visível do quando reconheço o valor do outro e o quanto reconhecemos isso”, avalia Méier. Para reverter o processo e resgatar a gentileza é preciso começar cedo, ensinando a criança a brincar sozinha, a fim de que ela saiba o que fazer quando alguém lhe pedir que aguarde pela satisfação de seu desejo. “Isso é o início da valorização do outro”, acrescenta o especialista.

Neste processo, é importantíssimo frisar que o mais importante no ensinamento da gentileza a uma criança é o exemplo. Pais gentis estão sempre ensinando a criança a ser também gentis, mas infelizmente o contrário também acontece. Além da educação essencial e insubstituível que se oferece em casa, também o Estado tem sua parcela na reforma urgente em prol da gentileza, a começar pela valorização do professor com ações reais. Na avaliação de Méier, de nada adianta afirmar que a Educação é prioridade e deixar o professor sem apoio, sem salário digno e esperar que ele faça o que a família não está fazendo. Antigamente as crianças já chegavam à escola com os bons modos afiados, já que esta é tarefa dos pais. Contudo, atualmente, se o professor não lhes ensinar essas virtudes, as crianças terão dificuldades nas relações sociais por não compreenderem os mecanismos de respeito ao outro. A gentileza, que seria a complementação disso, fica ainda mais rara. Por esse e outros motivos, os professores precisam de formação continuada de qualidade. A psicologia que aprenderam em seus cursos de licenciatura ou no curso de pedagogia, não foi suficiente. “Ou se investe na educação de forma séria ou vamos perceber, talvez tarde demais, que será quase impossível viver num país que não respeita os idosos, as pessoas com deficiência ou qualquer outra pessoa considerada diferente. Além disso, a lei do umbigocentrismo vai continuar criando pessoas que não respeitam regras de trânsito, normas de atendimento ao público, ou regras sociais. A falta de gentileza é só a ponta do iceberg”, destaca o educador. A falha é multifatorial e a sociedade precisa acordar para agir antes que seja tarde. E Marcos Méier adverte: “Os sintomas de uma sociedade doente já estão surgindo: bullying, bater em professor, matar para roubar, violência gratuita e tantas outras”.

Cotidiano

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estilo de vida George Clooney foi por anos um dos quarentões e solteiros mais desejados. Existem os solteiros que gostam dessa liberdade, assim como os que curtem o momento antes de se “amarrar” novamente.

Ser um quarentão solteiro não significa abrir mão de um relacionamento.

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Solteiro, pero no mucho Cada pessoa interpreta suas experiências de forma diferente. O que já foi bom antes, pode não ser tão bom depois. Não ter obtido sucesso no casamento pode ser traumatizante para uns, enquanto que para outros pode servir como uma experiência a ser aprimorada no futuro. “Casar é bom, é a convivência que torna o relacionamento difícil. Acho que todos deveriam experimentar pelo menos uma vez na vida, já que a vida de solteiro também nem sempre é boa”, é o que diz o vendedor de 50 anos, Manoel Viana. Ele foi casado por 16 anos, teve dois filhos, mas está solteiro há um bom tempo. “Quando me casei, pensava que conviver a dois seria mais fácil, mas não é. Hoje, eu me sinto muito bem solteiro”, completa.

Tenho 40 anos, sou solteiro e vou bem, obrigado! Thiago Assunção Estar solteiro não é exclusividade dos mais novos. Desde que a separação deixou de ser tabu, principalmente para as mulheres, encontrar homens mais velhos solteiros, divorciados ou separados é cada vez mais comum. E há quem faz desse estado civil seu estilo de vida! Para algumas pessoas estar solteiro é uma fase, uma situação aonde ela vai encontrar-se consigo mesmo para retomar sua vida, enquanto para outras “It’s gonna be legendary... wait for it! Legendary!”. Assim como o famoso personagem Barney Stinson, do seriado norte-americano “How I Met Your Mother”, existem pessoas que adoram ficar solteiras, sem jamais comprometer-se. E não apenas viver um tempinho solteiros, mas fazerem disso um es-

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tilo de vida, mesmo que já tenham passado dos 40 anos. Os quarentões solteiros e convictos de seu estado civil são a prova disso! Não são necessariamente pessoas que temem construir uma família, mas que não criam tantas expectativas em relação a isso. São namoradores, pegadores e, de certo modo, muito cobiçados. Dentro deste perfil, você consegue lembrar-se de algum ator famoso de Hollywood que, apesar de ter cedido ao casamento, aproxima-se desse estilo de vida do Barney?

Neste caso, estar solteiro está sendo uma opção para reavaliar sua vida, mas isso não quer dizer que ele está morto. “Saio todo final de semana, conheço muitas mulheres. Com algumas eu troco telefone, com outras fica apenas naquele encontro”. É praticamente o mesmo caso do empresário de 40 anos, Marcelo do Valle. “Eu casei em razão da gravidez. Eu tinha 24 anos e não planejava isso. Gostei bastante dela e foi bom durante um tempo, mas acho que faltou maturidade para o casal”, explica. Marcelo adora sua vida de solteiro, mas apenas se envolverá novamente caso haja um consentimento de seu espírito de liberdade. “Não acho que casar vai tirar minha liberdade, desde que eu encontre uma mulher madura que respeite isso. Ter a liberdade de trabalhar até tarde, beber com os amigos de vez em quando, etc”, finaliza. Enfim... solteiro! Mesmo que pareça que os quarentões solteiros vivenciam sua liberdade momentaneamente como todos os outros, existem os que adotam isso como estilo de vida. Mesmo! “Há uma série de passos quando se trata de esquecer uma mulher: da cama dela até a porta, PRÓXIMA!”, filosofa o personagem Barney Stinson. Seria triste saber que alguém pensa assim, mas ele é uma caricatura de um perfil de homem que aterroriza de certo modo as mulheres. Não tão cruel quanto o Barney, o comerciante Marcelo Correa, de 42 anos, é um típico solteiro convicto que até gosta de se relacionar por um período, mas prefere muito mais a sua liberdade ao casamento. “Já noivei três vezes, mas nunca oficializei a relação ‘casamento’. Não tenho nada contra, não é a toa que tentei. Acho válido quando tem realmente afeto e respeito pela pessoa. Mas nos dias atuais, a frase ‘felizes para sempre’ perde um pouco o sentido. Por que viver infeliz com uma mulher se podemos testar novas possibilidades?”, comenta.

Marcelo diz que um dos fatores de estar solteiro também parte delas. “Hoje as mulheres estão independentes financeiramente, sabem o que querem. Até gosto dessa liberdade, mas gosto de namorar também. O que me incomoda é a possibilidade de conviver a dois por muito tempo”, completa. Até que encontre alguém que entenda e aceite viver dessa forma, Marcelo continuará ligado ao seu universo do solteiro. “Posso amar uma mulher e ir para casa dormir. Sem cobranças. E isso não é imaturidade, pelo contrário, é uma reinterpretação da vida a dois. Vivo minha liberdade plena, me respeito e vou até o meu limite, que no caso é até a porta da igreja!”, finaliza. O solteiro convicto de sua escolha não precisa necessariamente nunca ter experimentado um relacionamento a dois, basta ter passado por ele e decidido viver de outra forma. E como toda escolha, elas sempre têm opções. De acordo com o terapeuta comportamental, Carlos Esteves, ser um quarentão solteiro não significa abrir mão de relacionamento, pois eles conseguem equilibrar sua vida pessoal com suas relações, de curto a médio prazo. “Em termos práticos, estes relacionamentos fluem naturalmente. O casal compartilha algumas noites juntos, mas vive separado. O que governa, em geral, suas escolhas são as consequências de curto prazo: os solteirões não priorizam o longo prazo, não assumem compromissos do tipo, filhos ou a constituição de um lar único (nosso)”, explica. Ele também comenta que esse “novo” estilo de vida, ajuda a sociedade a se reorganizar. “Em 2013 o filósofo Pascal Bruckner publicou um livro (já traduzido com o título “Fracassou o casamento por amor?”) onde diz que ao contrário do que a sociedade pensa em relação ao ‘fracasso do casamento’, o que de fato está ocorrendo é a confirmação de que as pessoas ‘estão casando por amor’, visto que uma relação de longo prazo requer um constante empenho, na sustentação dos sentimentos, de sedução, carinho, compreensão, liberdade etc”. Sabemos que quem está solteiro, nem sempre está assim por opção dos outros, mas também sabemos que muitos dos solteiros vivem assim, porque assim desejam. O que importa é viver sua vida, seja como for. Esteja solteiro ou não, identifique apenas se está fechado para balanço ou se essa decisão é um estilo de vida, e assuma suas escolhas. E um recado para os solteirões: não façam como o Barney Stinson. Mesmo que ele seja um dos personagens mais engraçados da série, as tiradas de humor sobre as mulheres e o universo masculino limitam-se a ficção. Não sejam tão cruéis com os outros e muito menos com vocês. As mulheres, com certeza, agradecem!

Estilo de Vida

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direito

A adoção no Brasil

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er um filho é um sonho e também uma das decisões mais importantes na vida de um casal. As relações familiares são reguladas pelo afeto, amor, carinho, respeito, sendo estes essenciais para a existência de uma família, que é à base da sociedade. Em 1988 a Constituição Federal, passou a reconhecer como família também aquelas oriundas da união estável e monoparental (quando apenas um dos pais de uma criança arca com as responsabilidades de criar o filho ou os filhos), possibilitando que todos pudessem exercer o direito de constituir uma família, independente de ser natural ou por adoção. O tempo passou, e hoje a justiça brasileira, também teve que acrescentar mais um tema nessa discussão: a adoção por casais homossexuais. De acordo com o advogado especialista em Direito Empresarial e de Família, José Alberto Mazza Lima, a lei não faz distinção de opção sexual para adoção. “A lei não determina nada nesse sentido, inclusive a lei nem define que tem que ser um casal. Pessoas solteiras também podem adotar. Claro, que tudo depende da interpretação do juiz e da avaliação das condições de vida que a criança ou adolescente adotados terão”, explica o advogado. As determinações de adoção no Brasil são reguladas pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Durante o processo de adoção, além de avaliações do perfil pessoal, são feitas também avaliações psicológicas e até sociais, para saber que tipo de vida as crianças ou adolescentes terão. “Os juízes avaliam tudo e levam em consideração, todos os detalhes, visando sempre fazer a melhor escolha para a criança ou adolescente adotado. E garantindo que os direitos dos adotados sejam respeitados e cumpridos. É uma decisão muito importante, principalmente se levarmos em consideração que essa criança ou adolescente já passou por alguns traumas na vida”, disse Mazza Lima. Dados do Cadastro Nacional de Adoção (CNA) mostram que existe no Brasil mais de 5,4 mil crianças e adolescentes aptos para adoção. Com o objetivo de esclarecer as principais dúvidas de você leitor, a Revista Nossa Família elaborou uma entrevista. Confira abaixo os principais pontos da lei de adoção no Brasil, as avaliações que são feitas e também a duração de um processo de adoção. Veja a entrevista completa:

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Luciana Brunca Adoção, um ato de  investimento afetivo e capacidade de acolhimento.

Revista Nossa Família: O que diz a lei de adoção hoje no Brasil? José Alberto Mazza Lima: O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA)- Lei 8069/90 estabelece o seguinte para a adoção: • A idade mínima para se adotar é de 21 anos, sendo irrelevante o estado civil; • O menor a ser adotado deve ter no máximo 18 anos de idade, salvo quando já convivia com aqueles que o adotarão, caso em que a idade limite é de 21 anos; • O adotante (aquele que vai adotar) deve ser pelo menos 16 anos mais velho que a criança ou adolescente a ser adotado; • Os ascendentes (avós, bisavós) não podem adotar seus descendentes; irmãos também não podem; • A adoção depende da concordância, perante o juiz, do promotor de justiça e dos pais biológicos, salvo quando forem desconhecidos ou destituídos do pátrio poder (muitas vezes se acumula, no mesmo processo, o pedido de adoção com o de destituição do pátrio poder dos pais biológicos, neste caso devendo-se comprovar que eles não zelaram pelos direitos da criança ou adolescente envolvido, de acordo com a lei);

• Tratando-se de adolescente (maior de 12 anos), a adoção depende de seu consentimento expresso;

NF: Como é feito o processo de avaliação para que o casal esteja apto a adotar uma criança ou adolescente?

• Antes da sentença de adoção, a lei exige que se cumpra um estágio de convivência entre a criança ou adolescente e os adotantes, por um prazo fixado pelo juiz, o qual pode ser dispensado se a criança tiver menos de um ano de idade ou já estiver na companhia dos adotantes por tempo suficiente.

Mazza Lima: O pretendente passa por avaliação de psicólogos, assistentes sociais, juiz e promotor, devendo provar que é capaz de oferecer, basicamente o que está garantido pelo artigo 227 da Constituição Federal, isto é: o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão.

NF: Existe diferença no processo de adoção de casais heterossexuais para casais homossexuais? Mazza Lima: Não tem previsão legal para isto. Nem precisa ser casal. Uma pessoa solteira pode adotar. NF: A lei da adoção já reconhece casais do mesmo sexo? Mazza Lima: A lei não faz previsão nem de que seja casal, por isto não há distinção para casais do mesmo sexo.

NF: Quanto tempo demora um processo de adoção no Brasil? Mazza Lima: Isto é relativo. Embora o processo seja igual em qualquer lugar do Brasil, pode demorar tempos diferentes em cada cidade, dependendo da existência de varas especializadas em direito de família, número de processos e de profissionais à disposição do juiz e, até mesmo do ritmo de trabalho de cada juiz.

Direito

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retrato de família

pArente é serpente? nãO, nem sempre. doMingos crescente

É muito engraçado e, como toda comédia, exagera nas situações e no título. Porque, na realidade, se parentes discutem por coisas menores, geralmente estão unidos naquilo que é realmente importante. Não é fácil falar sobre a família, apesar de o tema estar presente em nossas vidas todos os dias. Em casa, vivemos em família. No cinema ou na televisão, a família nunca deixa de estar presente, seja na forma de drama em novelas de horário nobre; seja em séries humorísticas. Nos últimos dias, até mesmo no discurso de quase todos os candidatos a um cargo eletivo, de presidente a deputado estadual, lá estava a defesa da família. E justamente por ser um assunto tão amplo e apaixonante, torna-se difícil escolher apenas um aspecto para tratar.

As desavenças familiares, que existem e são até bastante comuns, não tiram a importância e o papel da família na formação de uma sociedade melhor, mais produtiva e mais ética

umA fAmíliA de 4.600 AnOs De qualquer forma, o que podemos destacar, sem sombra de dúvida, é a importância da estrutura familiar na formação de nossa sociedade. Não apenas da sociedade atual, mas também nas sociedades das várias épocas desde os primórdios do homem sobre o planeta. Pesquisadores da Universidade de Adelaide, na Austrália, realizaram um exame de DNA nos restos mortais de quatro corpos encontrados juntos em um sítio arqueológico. Eles concluíram trata-se de mãe, pai e dois filhos que viveram há mais de 4.600 anos. Esse ainda é o mais antigo registro genético de uma família em todo o mundo. Mas o termo família só surgiu mesmo no Império Romano. É um tanto irônico, mas necessário ressaltar que o termo família não tem uma origem tão nobre assim. Ele vem da expressão latina “famulus”, que significava “escravo doméstico”. A família, com a acepção moderna desse termo, era designada no Império Romano como “família natural”, e para se referir ao relacionamento de pais e filhos, apenas. Só na Idade Média é que esse conceito se expandiu, com a complexidade criada pelos diversos casamentos e pelas novas famílias formadas. Daquela época para cá, a verdade é que os grupamentos com base em casamentos e parentescos foram sendo constantemente influenciados por grandes transformações, como a Revolução Francesa, a Revolução Industrial ou o ambiente atual, marcado pela individualidade exacerbada, os pequenos apartamentos e vida corrida nas grandes cidades. Mas, longe desses problemas representarem um perigo para os grupamentos familiares, eles mostram sua força como um núcleo afetivo e de apoio

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os anos de 1990, uma comédia do cineasta Mario Monicelli fez muito sucesso mostrando as diferenças entre os componentes de uma típica família italiana, que se reúne para comemorar o Natal e recebem a notícia de que os avós pretendem ir morar com um dos filhos. As situações – muito divertidas – baseiam-se no jogo de empurra, uma vez que ninguém quer assumir essa responsabilidade.

O papel da família sempre contribui para a formação de uma sociedade melhor.

mútuo, representado pela cooperação entre seus membros, seja do ponto de vista afetivo, como financeiro, de trabalho, saúde etc. A importância da família na orientação dos filhos – por meio da educação e transmissão de seus conceitos éticos e morais, além do seu encaminhamento ao mercado de trabalho e criação de uma nova família – é essencial na formação de uma sociedade mais sadia e produtiva. Na realidade, a família atua não apenas como um incentivador desses conceitos de união, amor ao próximo e ajuda mútua. A família contribui também para reprimir atitudes consideradas antissociais ou inadequadas, de acordo com a época ou a cultura.

pApA elege nOvAs fOrmAs de viver em fAmíliA Há uma prova recente e inconteste das mudanças pelas quais o conceito de família passa. Em setembro desse ano, o Papa Francisco, diante dos meios de comunicação de todo o mundo, celebrou 20 casamentos, entre os quais o de uma mãe solteira com seu novo companheiro, cujo primeiro casamento havia sido considerado nulo. A mensagem não poderia ser mais clara: a Igreja

Católica deve ser capaz de acolher em seu seio novas formas de viver em família, respeitando as mudanças exigidas pela vida moderna e os costumes vigentes. O encontro dos bispos da Igreja Católica, que reunirá, até 19 de outubro no Vaticano, 253 participantes tem a família como tema e pode esclarecer muitas questões relativas à visão da Igreja sobre a estrutura familiar atual, que é a base de nossa sociedade.

OutrAs culturAs Os critérios que definem uma família, na cultura ocidental, são os laços de sangue ou de pessoas unidas legalmente como no caso do casamento e das adoções. Outras culturas podem definir a família por critérios diferentes, como uma série de regras de afiliação e aliança aceitas pelos membros, como a poligamia (um homem e várias esposas), a poliandria (uma mulher e vários esposos) ou até mesmo o incesto. Mas, sempre envolvendo costumes locais arraigados, nem sempre de fácil assimilação no Ocidente. O que é realmente importante notar é que o papel da família, seja em que qual cultura for, terá sempre o importante papel de contribuir para a formação de uma sociedade melhor.

Retrato de Família

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EM PLENO SÉCULO XXI O ASSUNTO SEXO AINDA É UM TABU ENTRE PAIS E FILHOS?

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Educação

Babi Mackenzie O assunto sexo ainda é tabu entre pais e filhos devido a uma série de razões, entretanto, quanto mais cedo os pais entenderem que sexo é uma parte integral da vida de uma família melhor, pois, através do diálogo franco e aberto, fica muito mais fácil auxiliar nossos pequenos curiosos a lidar com sua sexualidade, de maneira a encontrar respostas seguras para perguntas que surgirão ao longo dos anos de formação, ajudando-os a discernir limites entre o que é bom ou mal, e, principalmente, derrubando mitos ou falsidades para se ter uma vida muito mais saudável e feliz. Curiosidade sexual na criança é parte natural do ser humano.

Entendendo que a sexualidade é parte natural do ser humano

Da curiosidade a compreensão da sexualidade

A grande maioria dos pais e mães não sabe que a educação sexual é efetivamente iniciada no dia do nascimento do bebê. Até seu primeiro ano, ele/ela, através dos sentidos, reconhece e percebe instintivamente as diferenças, até anatômicas, entre o pai e a mãe. Nesta fase, os bebês ainda são incapazes de fazer julgamentos morais. Mesmo assim, é comum pais e mães terem sérias dúvidas quanto a moralidade de andarem nus ou tomarem banho com seus filhos.

Do primeiro para o segundo ano de vida do bebê, se inicia a fase da cognição básica, isso é, ele/ela percebe claramente a diferença entre a mãe e o pai e o seu papel naquela “mini sociedade” que institui a família, e isso é reforçado até pela escolha de brinquedos e vestuário que é feita pelos pais.

Mesmo assim, se um pai ou mãe não se sentir confortável andando nu na frente de sua filha ou filho de tenra idade, ele/ela não deve se forçar a fazer isso, pois, inconscientemente poderá passar uma imagem contraditória. Por exemplo, um pai que reage abruptamente ao ser tocado no pênis por seu bebê de um ano de idade estará passando para ele/ela uma reação negativa ao seu órgão sexual.

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Ocorre também uma curiosidade natural em relação ao corpo da mãe e do pai, e não é de se estranhar caso esse pequeno ser queira tocar em partes do corpo dos pais por pura curiosidade. Reforço que o ideal é reagir da forma mais natural, honesta e correta possível. Dos três aos cinco anos de idade, esta cognição se aprofunda quanto à percepção anatômica, mas, principalmente em termos comportamentais e na escolha de brincadeiras. No entanto, devido ao acesso que as crianças atualmente possuem em termos dos meios de comunicação, como a televisão, internet e revistas, é comum as crianças serem submetidas a informações de baixa qualidade ou crueza.

Em culturas onde o cuidado com o conteúdo assistido por crianças não é levado muito a sério, o acesso a questão da sexualidade é muito mais disponibilizado, sendo muito comum cenas de beijos, excessivamente ardentes, nas novelas das 6 da tarde, o que pode causar confusão para as crianças que não tiverem pais aptos, abertos ou presentes para dialogar e orientar positivamente. É nesta idade que eles costumam perguntar de onde nascem bebês ou como foi que aquele bebê entrou na barriga da titia? Devemos mentir, contar que foi uma cegonha que os trouxe ou que a titia engoliu uma semente e o bebê germinou? Será que já não basta os pais serem literalmente obrigados a sustentarem uma mentira coletiva em relação ao Papai Noel, o Coelho da Páscoa e a Fada do Dente? Que tipo de modelo de comportamento (role model) os pais estão passando para os filhos quando faltam com a verdade?

Clube do Bolinha e da Luluzinha A partir dos cinco anos, meninos e meninas já possuem uma compreensão clara a respeito de suas diferenças físicas, inclusive se agrupando – o tal do Clube do Bolinha ou da Luluzinha! A curiosidade sexual já esta muito mais aflorada nesta idade, já entraram na fase genital que compreende a descoberta da sensualidade, de se tocar, explorar o corpo, do “troca-troca”, da fantasia, até do pecado, e é precisamente nesta fase que é muito importante auxilia-los a passarem por ela com tranqüilidade e equilíbrio.

Educação

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Educação Mais importante ainda, é deixar claro que tudo que estão passando e sentindo fisicamente é perfeitamente normal. A questão da masturbação deve ser esclarecida, explicando que menos é melhor para o corpo, pois o excessivo aumento de interesse ou atividade sexual nesta idade é um claro indicador de ansiedade, ou de alguma dificuldade que a criança possa estar tendo para lidar com as pressões do seu dia a dia, e se esse for o caso, essa é uma boa oportunidade para conversar e ver o que esta acontecendo

Adolescência A partir dos nove anos ou na pré-adolescência, podemos dizer que a compreensão de que existem outros aspectos comportamentais sexuais na sociedade, como o homossexualismo, já é mais clara. Além do mais, há um aumento significativo em relação a curiosidade sexual onde a internet é o instrumento de preferência desses aventureiros. Sites de pornografia de todos os tipos imaginários não ajudam os pais a responderem perguntas difíceis como, “por que tem gente que gosta de ser chicoteado”, “por que têm mulheres que gostam de se vestir de enfermeiras”, ou, “o que é aquele negócio que vibra no fundo da sua gaveta?”, questões ainda mais difíceis de responder se o adulto se colocar no papel de onipotente dono da verdade. Que tal perguntar a eles o que eles acham, de abrir uma pauta para discutir o que é isso que existe na sociedade e juntos chegarem “nos por quês”?

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A verdade gera o equilíbrio e a confiança em tudo que é bom, belo e verdadeiro. E isso deve ser incentivado desde o início. Continuar a fomentar mitos e tabus é viver na ignorância, na idade da escuridão que só gera mais ignorância, desequilíbrio e confusão emocional.

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Acredito que todos ficarão surpresos com os resultados positivos de uma abertura verdadeira e real das questões sexuais com os filhos desde a mais tenra idade, pois esta atitude abre portas de comunicação que serão vitais para o futuro de muitos de nossos filhos, ajudando-os a tomar decisões boas para suas vidas, transformando-os em jovens adultos responsáveis e felizes. Esta possibilidade de diálogo não é só relacionada a questões sexuais, mas também a questões de drogas, álcool, baladas e outros dilemas e dificuldades que nossos filhos possam vir a encontrar estrada abaixo ou acima.

Babi Mackenzie é educadora desde 86, fundadora da Teaching Company.

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Por que optar, na separação, pela guarda compartilhada dos filhos? E por que não?

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direito

Abordaremos, nas linhas que seguem, alguns aspectos legais da guarda compartilhada, bem como suas vantagens e desvantagens, tanto pela ótica dos pais, quanto pela ótica das crianças.

Nazir Mir Junior

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Origem

Comissão de Constituição e Justiça (C.C.J.) do Senado federal aprovou, na data de 02 de setembro de 2.014, o projeto de lei que obriga a adoção da guarda compartilhada do filho de pais separados que não chegarem a um acordo. O texto ressalva que a guarda compartilhada só será aplicada se cada um dos pais estiver apto a exercer o poder familiar e se eles também tiverem interesse na guarda. Atualmente, o uso desse regime, nos casos em que não há acordo entre pai e mãe, não é obrigatório. De acordo com o Código Civil, se essa situação ocorrer, a guarda será aplicada “sempre que possível” pelo juiz de família.

A ideia de guarda compartilhada surgiu em resposta ao desgaste da guarda exclusiva em face de uma cultura igualitária que prioriza o interesse do menor, e a igualdade dos sexos. A guarda compartilhada, com o nome de “joint custody” teve início na Inglaterra por volta dos anos sessenta, mais precisamente em 1964, no caso Clissold, que iniciou uma tendência que faria escola na jurisprudência inglesa.

Conceito O conceito legal de guarda compartilhada vem esculpido no parágrafo 1º do artigo 1.583 do Código Civil, com a redação que lhe deu a Lei nº11.698/2008, ao dizer que “compreende-se (...) por guarda compartilhada a responsabilização conjunta e o exercício de direitos e deveres do pai e da mãe que não vivam sob o mesmo teto, concernentes ao poder familiar dos filhos comuns”. Pode-se, assim, conceituar o instituto da guarda compartilhada como o modelo de cuidado parental em que, mesmo depois de separados, os pais continuam a exercer, de forma igualitária, os direitos e deveres em relação à guarda, do mesmo modo que faziam na constância da união. A guarda compartilhada concede ao filho o direito de usufruir tanto do contato com a mãe quanto com o pai.

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direito

As responsabilidades na guarda conjunta, nesse diapasão, serão exercidas em comum, não sobrecarregando, econômica ou emocionalmente, somente um dos genitores.

Vantagens e Desvantagens da Guarda Compartilhada

Por que não optar pela guarda compartilhada?

A guarda compartilhada, em teoria, é um instrumento que concede ao filho o direito de usufruir tanto do contato com a mãe quanto com o pai por um período maior, admitindo maior flexibilidade nesse convívio. Mas, para que atinja o seu objetivo é preciso na prática que os adultos responsáveis pela criança, antes de entrar com o processo para regulamentar a guarda, observem as características de suas famílias, bem como a qualidade da relação que permaneceu entre os dois, após a separação. Isso porque, se optarem pela guarda compartilhada, os encontros e as trocas de ideias entre eles deverão ser muito mais frequentes, já que o acordo deve pressupor, também, a divisão de despesas e a tomada de decisões em consenso.

A guarda conjunta, da mesma forma que qualquer outro modelo de cuidado parental, pode não funcionar bem em alguns casos. Os pais devem ter consciência de que possuem não apenas direitos, mas, também, deveres.

Por que optar pela guarda compartilhada? São inúmeras as vantagens tanto para os filhos, quanto para os pais. Garante, aos filhos, os benefícios da convivência igual com cada um dos pais, não havendo a ausência de nenhum deles. Propicia melhor adaptação do infante ao novo grupo familiar de cada um de seus genitores e transmite uma melhor imagem de família aos filhos. A guarda compartilhada ajuda ainda na continuidade do cotidiano familiar, evitando que o filho tenha de escolher entre um dos pais. Em relação aos pais, o instituto da guarda compartilhada melhora aspectos como a qualificação na competência de cada um deles, maior cooperação e melhor divisão dos gastos de manutenção dos filhos. Deste modo, ocorrem menos mudanças no relacionamento entre os pais e os filhos. Os pais, através da equiparação de tempo livre para a organização de sua vida pessoal e profissional, teriam, ainda, maiores possibilidades de reconstruir suas vidas depois do término do vínculo conjugal. A pensão alimentícia deixa de ser um problema pelo acordo de divisão de tarefas. Mas é possível o pagamento sempre que presente o binômio necessidade e possibilidade.

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Se os pais têm conflitos constantes não é possível a concessão da guarda compartilhada, pois estaria seguindo na contramão do modelo familiar de bom relacionamento. Causaria, neste caso, severos efeitos colaterais na criança, correndo o risco de tornar a rotina familiar uma completa desordem, eivada de desentendimentos e brigas. Novas batalhas judiciais surgiriam quando um dos genitores, como representante do filho, quisesse praticar algum ato que o outro não concordasse, gerando situações embaraçosas, que na verdade, poderiam ser resolvidas facilmente. Outra dificuldade é a difícil adaptação da criança, principalmente quando muito pequena, a moradias diferentes, por ainda estar em formação, tanto física quanto psicológica. Tanto o direito quanto a psicologia priorizam a importância da referência de uma moradia estável. Há, ainda, a dificuldade dos custos maiores na criação de moradias apropriadas, ficando os filhos sujeitos a um constante ajustamento.

Doutrinadores há que entendem ser a mãe quem deve ter, na maioria dos casos, a guarda dos filhos. Assim, a guarda compartilhada afastaria o afeto materno que é essencial à criança. Deve-se, portanto, analisar cada caso com cuidado. Deverá o juiz olhar todos os requisitos necessários para concessão da guarda compartilhada e, se for mais vantajoso, deverá, evidentemente ser aplicada, visando o melhor interesse do menor.

COMO DIZ LUIS FERNANDO VERÍSSIMO: "LER É O MELHOR REMÉDIO. LEIA JORNAL... LEIA OUTDOOR... LEIA ALGUÉM!!’ LEIA A REVISTA NOVA FAMÍLIA!

É inegável que o instituto da guarda compartilhada tenha sim inúmeros benefícios, tanto para os pais quanto para os filhos. Contudo, pensamos ser temerária a possibilidade de torna-la obrigatória, isso porque, conforme já discutimos, a guarda compartilhada tem chance de sucesso tão somente nos casos em que os pais guardam boa relação após o término da união. Nos casos em que houver um clima de animosidade entre os genitores, a guarda compartilhada poderá trazer grandes malefícios ao desenvolvimento da criança. Cabe ao Magistrado, assim, cuidado e bom senso na concessão, ou não, da guarda compartilhada.

Nazir Mir Junior é advogado atuante nos ramos do Direito Civil, Direito Empresarial, Direito do Consumidor, Direito de Família e Sucessões (Área Cível), Direito Penal, Direito Administrativo, Direito Ambiental, Direito Tributário e Direito Financeiro (Direito Público).

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religião

Religião & Familia Não há um nível do conhecimento humano mais aberto às conveniências do que o nível da crença. Aquele que gera o nível “teológico” e, consequentemente, o religioso, baseado nas mais diversas religiões espalhadas pelo mundo, formas particulares de pensamento acabam por tentar se impor umas às outras. E daí surge uma dúvida àquelas pessoas que realmente prezam pela liberdade individual de culto: “Devo eu ou não, influenciar a vida espiritual de minha família e, em especial, a de meus filhos?”

É

bom lembramos que “crer” também é “conhecer”, só que de uma maneira intuitiva, sem grandes explicações a respeito. Algumas religiões até se aproveitam dessa intangibilidade do saber para, através de “crenças inexplicáveis”, subjugar seus fiéis. Outros níveis mais famosos de conhecimento são o “empírico” (aquele que se sabe por experiência e não por estudo, sem preocupação com suas causas), o “científico” (que vai além do mero empirismo exatamente porque busca suas explicações, causas e consequências) e o “filosófico” (que parte da análise do material para o universal, elaborando hipóteses e postulados para as grandes perguntas da Humanidade: Quem sou eu? De onde vim? Para onde vou? E por que estou aqui?). Tratamos aqui apenas do conhecimento “teológico” e de sua relevância para a família de uma forma geral.

Devemos? Podemos? Uma das funções primordiais de pais, responsáveis, educadores e tutores é a de orientar seus dependentes. Em todas as circunstâncias da vida. Por que a religiosidade seria diferente?

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No entanto, devemos ter com os nossos familiares a mesma caridade proposta por todas as confissões religiosas: o respeito ao próximo. Isso significa que sim; não só temos o direito, como a obrigação de apresentarmos, aos nossos, a nossa forma de pensar a religião e colocar a disposição deles essa educação que nós mesmos obtivemos em algum momento de nossas vidas. Porém, existe um pressuposto bastante esquecido no seio familiar quando se trata da educação religiosa. A multiplicidade de opiniões. Seria bastante difícil que qualquer pessoa conseguisse passar a alguém todas as variações de crenças de todos os tempos em todos os lugares para que esse “aprendiz” pudesse escolher sua forma de pensar. Ninguém tem esse conhecimento todo. Mas, adotando-se um princípio filosófico de Sócrates, podemos sim achar um caminho respeitoso para falarmos de fé: “Tudo o que sei é que nada sei”. Podemos falar do que acreditamos, mas devemos deixar claro que isso não é a “verdade” definitiva, mesmo que nossas religiões assim se autoproclamem. Falando e exemplificando nossas crenças pessoais (sim, porque toda crença “É” pessoal, por mais que se aglutinem as pessoas) estaremos mostrando uma luz no caminho de quem está se descobrindo em sua formação humana. Mostrando; não impondo.

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Sylvio Montenegro

Crer” também é “conhecer”.

MAS sabemos o que é “Religião”? A palavra “religião” deriva do latim “religio, religionis”, que têm o sentido de “culto, cerimônia, lei divina, santidade, prática religiosa”. O problema começa quando se busca qual o verbo que esse substantivo latino teria formado nominalmente: “religare” ou “relegere”? Parece mera discussão acadêmica, mas é fundamental para sabermos do que estamos falando e o que iremos falar aos nossos familiares. A maior parte das doutrinas religiosas costuma vincular “religião” com o vulgo “religare”, que, na prática, quer dizer “religar, atar, apertar, ligar bem”. Nessas explicações doutrinárias, “religare” seria a tentativa de “religar” o Homem a Deus. Pode até ser uma visão bonita e parecer ter sentido. Mas ela explicaria muito o porquê de tanta resistência por parte de jovens e adolescentes em adotar uma religião. Quem, de bom grado, gostaria de estar “atado”, “apertado” ou “bem ligado” a alguma coisa, sendo que, assim interpretada, a religião traria, intrinsicamente, a ideia de falta de liberdade?

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Religião

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A espiritualidade permite a vida.

Por outro lado, “relegere” (“meditação”, “a consideração atenciosa para com as coisas que dizem respeito a Deus”; além de “reeleger”, “reescolher”) não é tão aceita como origem de religião, mas parece ser a que mais se aproxima do sentido que se gostaria de dar a ela, trazendo, aí sim, a possibilidade da reflexão sobre crenças, nas escolhas, reescolhas, através de uma meditação atenciosa nas coisas que diriam respeito a Deus. Convenhamos: para a juventude em sua fase de descobertas isso é bem mais atraente e faz muito mais sentido.

“Verdades” e “verdades” Tentemos fazer uma pessoa pensar sobre suas crenças – e não simplesmente aceita-las sem explicações – e teremos uma fé robusta e consolidada. E, caso não a tenhamos ainda, pelo menos não teremos uma crença que se destruirá na primeira dificuldade vivenciada por essa pessoa. E, verdade seja dita, não é o que entendemos como verdade que vai se perpetuar. Conheçamos ou não a “verdade”, ela, a “verdade”, se imporá no momento necessário por conta própria, sem precisar de nenhuma ajuda opinativa de ninguém.

No entanto, nenhum desses três conhecimentos faria o menor sentido, se não dependesse da sua utilização e das consequências morais que dele adviriam. O conhecimento religioso serve para balizar não as perguntas filosóficas aqui já colocadas (Quem sou eu? De onde vim? Para onde vou? E por que estou aqui?), mas sim uma outra tão importante quanto as demais: “Como vivenciar essa vida?”.

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O espírito de família Ao educarmos nossa família num ambiente de busca de conhecimento em todos os seus níveis, mas com respeito às diversidades, opiniões, crenças e “certezas”, estaremos sim criando um ambiente sólido, não estanque, e de muito afeto emocional e amorosidade universal. A religiosidade tratada com a mais pura espiritualidade é remédio para qualquer momento difícil. Para qualquer lugar... Em qualquer época!

O quarto nível de conhecimento Podemos conhecer coisas porque aprendemos na prática o que elas significam...Podemos conhecer coisas porque as estudamos e as esmiuçamos a exaustão para que soubéssemos explica-las até que outra pessoa a explique melhor... Podemos conhecer coisas de forma dedutível, utilizando-nos dos nossos outros dois níveis de conhecimento anteriores, já adquiridos...

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Sylvio Montenegro é jornalista e radialista. Estudioso sobre as mais diversas formas de crenças, especialista  em realizações de celebrações sociais e espirituais de casamento e bodas, sem cunho religioso ou civil.

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trabalho

O caminho da felicidade Luciana Brunca

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Ao contrário do que a maioria das pessoas pensa, o caminho da felicidade começa nas pequenas atitudes cotidianas, como por exemplo, dizer um simples obrigado melhora a qualidade dos relacionamentos interpessoais e a satisfação diária. “Os efeitos da gratidão vão muito além, quando demonstramos gentileza, respeito pelo próximo recebemos isso de volta e tornamos as nossas relações pessoais e profissionais muito melhores. É a lei da ação e reação, a gente sempre recebe aquilo que oferece”, reforça Ana.

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O primeiro passo é descobrir o que te deixa feliz.

que te faz feliz? No primeiro momento parece uma pergunta comum, e de fácil resposta. Mas os desafios do dia a dia no trabalho, nos estudos, na família, no casamento, no relacionamento com as pessoas são tantos que muitas vezes nos perdemos nesse turbilhão de emoções e cobranças e nos esquecemos de nós. E a pergunta tão simples, lá de cima, é a chave de tudo.

Segundo a coach Ana Martinez, o primeiro passo é descobrir o que te deixa feliz. “Dançar? Sair com os amigos? Praticar atividade física? Ler? Ouvir música, arrumar a casa, mexer com as plantas, enfim, precisamos descobrir algo que nos dê prazer, satisfação, alegria e nos relaxe”, afirmou. Ana defende que a felicidade é uma questão de atitude diante da vida. “A maioria das pessoas espera um acontecimento especial como uma festa, uma mudança de casa, um emprego novo, para ser feliz. Mas não é isso, a felicidade tem que existir em pequenas coisas, até mesmo diante dos problemas temos que ser feliz. Os desafios da vida não vão deixar de existir, temos que aprender a melhor maneira de lidar com eles, respeitando sempre os nossos limites”, explica.

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Falar sobre os sentimentos também é uma atitude necessária para encontrar o caminho da verdadeira felicidade. “Diga para as pessoas que trabalham com você, para seus familiares, seus amigos, enfim que você os ama, que se sente feliz em dividir a vida com eles. E claro, naquele dia que você não estiver tão bem, até porque somos seres humanos e não máquinas e não temos que estar sempre estáveis todos os dias, também diga para eles que não está tão feliz assim, mas que é importante tê-los ao seu lado. Saiba dar e receber o carinho e a atenção das pessoas”, recomenda a coach. Realizar um trabalho voluntário, fazer doações para entidades beneficentes ou até mesmo dar presentes para alguém traz uma sensação de paz, alívio e felicidade. A coach ressalta que praticar uma atividade física também é um passo importante. “Não precisa ser em academias caras, com aparelhos sofisticados, com personal trainer. Basta encontrar um parque, um bosque ou uma simples avenida arborizada para caminhar, correr, andar de bicicleta, enfim mexer o corpo. Além de melhorar a aparência física, que já irá trazer uma satisfação, o exercício alivia os pensamentos e ajuda na oxigenação do cérebro”, afirma Ana. Manter a casa organizada, a mesa de trabalho em ordem são outras atitudes simples que estão diretamente ligadas a felicidade. “Finalizar uma atividade que começou, também é importante, às vezes na correria do dia a dia, iniciamos várias coisas ao mesmo tempo e ao final do dia, olhamos para trás e percebemos que deixamos muitas coisas pela metade. Temos que aprender a organizar o tempo, e as tarefas diárias para tentar-

mos iniciar e finalizar as atividades. Isso traz a sensação de dever cumprido e de realização”, enfatiza a coach. Encontrar ‘cinco minutos’ no dia, para relaxar e ‘diminuir’ a velocidade dos pensamentos é uma boa medida para alcançar o bem estar físico e emocional. “Não existe a necessidade de ser um local preparado, pode ser um canto da sala, no quarto, no jardim, um local que a pessoa consiga se desligar, colocar os pensamentos em ordem e recarregar as energias. Esse é um exercício simples, mas que traz inúmeros benefícios“, diz Ana. Valorizar os momentos de lazer. Para Ana isso é fundamental, e não precisa ser uma viagem para o exterior ou um passeio por um lugar lindo e famoso. Um simples café da manhã com a família ou com amigos, sem hora para terminar, pode trazer muita felicidade e satisfação. “São os detalhes que fazem a diferença, as pequenas coisas. Temos que aprender a valorizar esses momentos, que muitas vezes passam despercebidos. Por mais clichê que possa parecer, a felicidade está sim nos detalhes, e temos que buscá-la diariamente, em todas as nossas atividades. Na verdade, esse é o grande segredo da busca da felicidade, sabermos encontrar em cada detalhe, cada dia chuvoso ou ensolarado, em cada novo desafio que a vida nos oferece o lado bom de tudo. Respeitando os nossos limites, anseios e medos, dessa maneira vamos aprender a lidar de maneira prazerosa com os problemas do dia a dia e manter sempre a alegria de viver”. Ter coragem diante da vida também é importante para sermos felizes. “Se não estamos satisfeitos com algo, seja o trabalho, seja em relação a alguma pessoa, temos que analisar a situação e tomar uma atitude, uma decisão. Todos querem ser realizados profissionalmente, bem sucedidos, ter um bom salário, mas se não estivermos bem com a gente mesmo, nada disso vai fazer a diferença. Ter coragem para avaliar se o trabalho que está desenvolvendo está sendo satisfatório, e se não estiver é hora de mudar e recomeçar. Claro, que falar é mais simples do que fazer, mas quando temos essa coragem, vamos ver que os resultados serão fantásticos e todos os riscos envolvidos ficam pequenos”, finaliza Ana.

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Saúde

Hábitos saudáveis podem ajudar A combater o stress do dia a dia

Comer mais Gorduras Saudáveis: castanhas e sementes cruas, azeite de oliva, linhaça, abacate e coco Antioxidantes: frutas e verduras coloridas e frescas Fibras: grãos e cereais integrais Ômega 3: linhaça, chia, algas, folhas verde-escuras, couve-flor, cravo, canela e manga Cálcio: brócolis, couve, espinafre, gergelim, tahini e amora

Karen Sternfeld

Evitar Gorduras trans, gordura hidrogenada, fritura,

A correria da vida atual nos impede muitas vezes de manter uma dieta e estilo de vida saudável. Vivemos no milênio 2.000 em um ritmo frenético, e muitas vezes a saúde e a alimentação acabam virando preocupações secundárias nessa correria da vida moderna. Esse ritmo frenético vem acompanhado de muito stress, que além de fazer nosso dia a dia mais conturbado, vem com efeitos colaterais; como ganho de peso, acúmulo de gordura localizada e até mesmo o desenvolvimento de doenças. Aqui estão alguns sintomas de stress: dor de cabeça, ansiedade, depressão, dores no peito, cansaço, fatiga, desequilíbrio no apetite (comer de mais ou de menos), náusea, distúrbios de sono, perda de libido, problemas em concentração e acne.

Stress pode atrapalhar seu apetite Quando estamos estressados o que acontece? Acabamos ficando com desejos de comidas que nos “confortam”, e geralmente essas comidas vêm carregadas de açúcar. Comemos e comemos e parece que nunca ficamos satisfeitos. Ao longo do tempo, com freqüentes episódios de stress, o constante consumo de açúcar pode causar ganho de peso, acúmulo de toxinas, e até mesmo o desenvolvimento da diabetes. A tentativa de fuga do stress, através da comida, não resolve o problema de base e pode causar esse desequilíbrio na alimentação, aumento de peso e toxinas no corpo. O oposto também é possível, stress pode tirar completamente seu apetite, isso pode levar a desnutrição. Assim como o excesso de comida causa problemas a saúde, a falta pode ser tão ou mais

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sério. Conseqüências como um sistema imunológico fraco, anemia, problemas cardiovasculares e osteoporose são algumas das muitas possíveis consequências de uma alimentação pobre. A dica aqui é ter sempre opções saudáveis a mão. Seja por excesso ou falta de apetite, frutas secas, castanhas e cenourinhas, são alguns exemplos práticos e de fácil acesso. Se o seu caso é de excesso, essas são ótimas opções para comer “compulsivamente”, se você sofre com a falta de apetite e tiver opções como essas a mão pode servir como o lembrete de que se deve comer.

Stress pode causar problemas no coração Quando estamos estressados, o coração acelera, a pressão aumenta e nossa respiração se intensifica. Essas são respostas que nosso corpo tem a um estado que chamamos de luta ou fuga. Em

gordura saturada de proteína animal e derivados Comidas industrializadas, especialmente ricas em sódio Produtos feitos com farinha branca refinada Carne vermelha, bacon, e linguiça A saúde começa pela boca.

situações pontuais, assim que o momento de stress termina o corpo se reequilibra e tudo volta ao normal. Mas no caso da maioria de nós, que vivemos em situações prolongadas de stress como, por exemplo, preocupações com as contas para pagar ou uma insatisfação com o trabalho, vivemos em constante estado de luta e fuga e isso pode trazer complicações cardiovasculares. É importante fazer escolhas alimentares que ajudem prevenir problemas do coração. Veja a tabela abaixo de opções para aumentar o consumo e opções a serem evitadas no dia a dia.

Stress piora problemas pré-existentes e ajuda A desenvolver maus hábitos Além dos fatores acima, uma vida estressante pode também prejudicar sua vida de forma indireta. A Associação Americana de Psicologia diz que, “circunstâncias estressantes levam a más escolhas de estilo de vida, como por exemplo, fumar, beber e comer em excesso”. Precisar de um cigarrinho antes de tomar uma decisão importante ou tomar uma dose de uísque depois de um dia cheio no trabalho, são exemplos corriqueiros de como o stress afeta nossas vidas negativamente. Já sabemos as consequências de tais hábitos: câncer, doenças do coração, etc. A melhor opção aqui é respirar fundo antes de acender o próximo cigarro, dar uma volta no quarteirão, respirar, cantar uma musica, encontrar os amigos ou simplesmente beber um copo de água.

Gema de ovo e derivados do leite

Hábitos saudáveis para uma vida menos estressante Silêncio: Amamos nossos amigos e familiares, porém é muito importante ter tempo para si mesmo, seja para arrumar um armário, ler um livro, meditar, andar escutando seu ipod ou qualquer opção que lhe traga paz. O importante aqui é fazer destes momentos um hábito e pratica-lo diariamente. Gratidão: O simples ato de parar e ser grato pelo que temos, pode mudar a perspectiva que levamos sobre a vida, isso diminui o stress e oferece uma visão mais otimista e menos ansiosa em relação ao futuro. Essa é uma prática muito simples que apenas requer segundos do seu dia. Encontrar os amigos: Com toda a tecnologia disponível hoje, às vezes esquecemos como é prazeroso encontrar os amigos cara a cara e colocar o papo em dia, dar risada e abstrair um pouco dos nossos próprios problemas. Uma vida mais saudável é baseada em pequenos hábitos. Hábitos que incorporados no nosso dia a dia podem salvar nossa vida à longo prazo. Pequenas coisas como beber água, respirar profundamente, aumentar o consumo de frutas e verdura, dar risada são a base para uma vida plena e um cotidiano mais prazeroso.

Karen Sternfeld é nutricionista pela New York University e Health Coach pelo Integrative Nutrition.

Saúde

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lazer & Viagem

Férias chegando! pé na estrada Daniela Viek Estão chegando as merecidas férias, seja durante ou no fim do ano, e esse é um momento único para reunir a família e ter bons e agradáveis momentos de descanso, aventuras e descobertas. Seguem algumas dicas para você planejar melhor sua viagem e não esquentar a cabeça.

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efina o destino de preferência da família: Campo, praia, montanhas, cidade... Em que estação está planejando a viagem? Outono, inverno, primavera, verão...

Pesquise o clima, saber como serão os dias, a temperatura, se vai chover, o auxiliarão a organizar suas malas para não errar nas peças, nem levar roupas desnecessárias. Se for de avião, cuidado com excesso de bagagem.

Tem filhos? Vai levar cachorro? Papagaio? Vai de Avião? Carro? Trem? Não deixe para última hora realizar o planejamento de sua trip.

Vai viajar no inverno? Uma dica para conseguir mais espaço em suas bagagens é adquirir embalagens a vácuo, onde você comprime os casacos, calças e peças em geral ganhando assim muito espaço em suas malas. As mulheres adoram!

Comece por um check list, levante tudo o que vai precisar previamente, isso o fará economizar tempo na hora de ‘pôr a mão na massa’ e separar as coisas. De acordo com o perfil de sua família pesquise a hospedagem. Por exemplo, há hotéis que não permitem cães, outros cobram uma taxa para levar seu cão e para não ter stress na hora do check-in, certifique-se antes destes detalhes, na hora da reserva no site.

Férias, momento de trilhar um caminho em família.

MelissaKing . shutterstock

Tem criança pequena e vai de avião? Não esqueça de marcar assentos em locais que ofereçam mais comodidade, se for de classe econômica, por exemplo, a saída de emergência pode ser uma boa opção, algumas cias (não sei se todas) possuem um cestinho especial para o bebê, trazendo mais conforto durante o vôo.

Quantos dias serão? Leve sempre um extra (dinheiro, roupas...) pois imprevistos podem acontecer e você poderá precisar. E para não ficar apertado ou ter que improvisar sempre considere um pouco a mais, melhor sobrar do que faltar, não é mesmo?! Tenha um plano B, se algo der errado (carro, hotel, alguém ficar doente) para não entrar em desespero, tente incluir em seu planejamento opções que possam o socorrer na hora do apuro, por exemplo: Vai alugar casa de praia, veja se perto existe farmácia, padaria, o que facilita muito no conforto do dia a dia de suas férias. Vai fazer um turismo de aventura, leve um kit de primeiros socorros e mantenha contato com uma equipe de apoio, se algo der errado durante a execução das atividades. Muitas vezes só pensamos no prazer e nos esquecemos de analisar o que pode dar errado, e por isso, muita gente compromete suas férias todas por não saber lidar com situações inesperadas.

Lazer & Viagem

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Dubova . shutterstock

Sua 1ª viagem ao destino? Pesquise, pesquise e pesquise, nada melhor do que navegar na internet e acessar blogs para saber mais sobre a experiência de outros viajantes, tanto para obter indicações quanto para livra-lo de roubadas. Os blogs, em minha opinião, são as melhores fontes. Há sites também como o TripAdvisor (www.tripadvisor.com.br) onde você pode obter diversas dicas sobre hotéis, restaurantes, pontos turísticos que certamente o auxiliarão a definir o roteiro de sua viagem para uma melhor experiência.

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Se for de carro para um lugar que não conhece, o GPS com certeza será seu melhor amigo, mas não confie apenas nele, tenha todos os endereços e contatos anotados, caso precise, tenha sempre à mão. Vai levar eletrônicos? Certifique-se que esteja levando todos os cabos, pilhas, memória, acessórios necessários para que possam o auxiliar na viagem. Já pensou chegar noutro país e ver que esqueceu o carregador da câmera? "Bóra correr comprar"...

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Ninguém merece muitas vezes esperar o ano todo por este momento especial e quando chega, não poder usufruí-lo devido a imprevistos ocorridos, portanto, planeje o melhor possível, mas não engesse, deixe um espaço para o acaso que também traz emoção para sua aventura. Quem sabe dobrando a esquina da rua do hotel você não encontra aquela cafeteria dos sonhos...hummm!

Daniela Viek é relações públicas, consultora, coach, especialista em comunicação & marketing. Apaixonada por viagens, pela vida, por conhecer novas pessoas e culturas.

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Ollyy . shutterstock

A viagem é para o exterior? O planejamento aumenta. Cuidado redobrado na documentação necessária para ingressar no país, reservas, na segurança e identificação das malas, pensar em caso de perda de documentos, como acionar a embaixada, levar sempre uma cópia do passaporte junto, cuidado com dinheiro em carteira, doleira e na mala, objetos de valor nas bagagens. Ocorrem furtos com frequências em aeroportos, todo cuidado é pouco, preocupar-se também em como ficar contactável no exterior (adquirir chip de celular) entre outros detalhes, poderá ajuda-lo e muito.

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Se jogue nas férias.

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Da Galinha Pintadinha ao WhatsApp

Charles Taylor . shutterstock

TEcnologia

Fernando Sousa Os especialistas recomendam aguardar pelo menos dois anos de idade para introduzir a tecnologia na vida do filho. Meu primeiro contato com algo que pode ser chamado de tecnologia foi aos 10 anos de idade. Lá pelo começo da década de 1980, estavam na moda uns pequenos computadores que eram basicamente teclados para serem acoplados na TV. Não havia programas instalados. Ou você digitava-os na hora, utilizando uma linguagem chamada Basic, ou carregava-os a partir de, acredite, fitas cassete. Eu ganhei um de Natal, um CP200s. Para quem já passou dos “entas”, acho que foi bastante cedo. A paternidade, por outro lado, veio tarde. Meu primeiro e único filho (por enquanto, espero) nasceu há pouco mais de um ano e meio. Desnecessário dizer que, com ele, nasceu uma penca de inseguranças relacionadas com a paternidade. E uma delas foi justamente quando e como introduzir a tecnologia na vida da criança. A tecnologia, afinal, é uma das minhas paixões. Permeou a minha vida pessoal e profissional desde que conheci aquele computador sem programas instalados – talvez seja por isso que eu esteja escrevendo este artigo. E o desejo natural é que você queira que as suas paixões passem a fazer parte da vida do seu filho o quanto antes, não concorda? A orientação profissional, porém, é outra. A oftalmologista, por exemplo, recomendou evitar telas até os dois anos de idade. Leia-se TVs, tablets, celulares, computadores e tudo mais. Nos livros e revistas especializadas, as orientações relacionadas aos primeiros contatos com tecnologia em geral são parecidas – em alguns casos, inclusive para brinquedos eletrônicos.

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Enfim, para aficionados por tecnologia como eu, é quase como alguém pedir para você aguardar dois anos antes de apresentar o seu filho ao time do coração.

Co-có? Eu e minha esposa seguimos à risca as orientações até que o filhote foi parar seis dias no hospital. Por causa de uma crise respiratória, ele tinha que passar por alguns procedimentos bastante desagradáveis, sobretudo para uma criança de cerca de quatro meses. Tentávamos de tudo para entretê-lo, sem resultado. Foi então que uma enfermeira sugeriu: Galinha Pintadinha! Saquei meu iPhone, baixei o aplicativo e batata: pode não ter resolvido 100% do problema, mas atenuou o sofrimento do pimpolho. Foi o suficiente para aceitarmos a presença constante do famigerado personagem em nossa rotina. Mas não sem uma regra: A “Co-có” seria requisitada somente para diminuir algum desconforto do filho, não dos pais. E foi assim, desde então, em nebulizações, aspirações e outros procedimentos que quem tem crianças com crises respiratórias deve conhecer. Claro que também utilizamos em outros casos: recentemente, viajamos de férias e fizemos uso da Galinha Pintadinha para manter o garoto sob controle durante voos de até sete horas de duração. No final das contas, não deu para aguardar os tais dois anos para introduzi-lo ao mundo da tecnologia. Hoje, por exemplo, ele já tem seu próprio

Na era digital, o desafio é dosar o uso da tecnologia pelos filhos.

grupo de aplicativos no iPad – aliás, recomendo dois: o Mini Zoo e o Sago Mini Ocean Swimmer. E o pendrive com vídeos da Galinha Pintadinha está permanentemente conectado na TV da sala. Mas a regra é clara: nada de fazer uso de tablets, aplicativos e desenhos animados como babá. E acredite: já recebemos sugestões de outros pais para fazê-lo!

WhatsApp Tenho certeza de que os nossos problemas estão apenas começando em relação à tecnologia e relacionamento familiar, até porque eles ocorrem mesmo entre adultos. Volta e meia, minha esposa reclama de eu estar lendo o jornal (digital, no iPad) enquanto estamos tomando o café da manhã. E eu, de ela enviar recados importantes pelo WhatsApp, sem

levar em consideração que o aplicativo pode atrasar a entrega das mensagens. Mas entendo que é em relação às crianças que ocorrem os maiores riscos. Se eu enfrento problemas com aplicativos e personagens infantis, meu irmão encara o desafio de dosar o uso da tecnologia por um menino batendo na casa dos 10 anos de idade. Temas de casa, atividades ao ar livre e convívio social concorrem com desenhos animados, videogames com gráficos fantásticos e, é claro, a Internet. Há alguns meses, os pais tiveram que interferir por ele estar vendo desenhos considerados violentos no YouTube. Não bastasse, volta e meia, ele pede para ter o seu próprio telefone celular. Sinceramente, desconheço em que idade as crianças estão ganhando o seu primeiro

aparelho, mas quando isso ocorrer, será muito difícil monitorar o que ele estará fazendo, por exemplo, em aplicativos da moda como o WhatsApp. E o pior, com quem.

Dicas A principal dica, que não é minha, mas de publicações especializadas como a ProTeste, é negociar com a criança um uso moderado da tecnologia, como um limite de horas – que pode ser maior nos finais de semana. Além disso, deixar computadores em locais comuns da casa, conferir a idade recomendada na embalagem dos jogos e incentivar sempre a prática de atividades esportivas e ao ar livre, sobretudo coletivas. Fernando Sousa é jornalista especialista em Tecnologia e Games.

Tecnologia

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CAUSA

fotos: Christian Klant

Família Pipa e a sua causa: ajudar a quem precisa Domingos Crescente Sedes bonitas, verbas governamentais, apoio de políticos, artistas e publicitários. Estes são os ingredientes mais comuns nas associações beneficentes que estão sempre presentes na mídia divulgando os números de suas realizações. Você pode se surpreender, mas há associações que têm projetos sociais tão ou mais importantes que os das ONGs mais conhecidas e que, infelizmente, não contam com verbas públicas nem com o apoio de gente famosa. Esse é o caso do projeto Família Pipa, da cidade de Santo Anastácio. Sem uma sede própria e sem nem mesmo estar registrada para se beneficiar de renúncias fiscais e outros instrumentos semelhantes, o projeto já atende nove cidades do Oeste Paulista, beneficiando diretamente mais de 40.000 pessoas de todas as idades.

Eles cuidam do ambiente, fazem doações e constroem casas para pessoas carentes. Sem nenhuma ajuda governamental! Em seis anos de atuação, o projeto já realizou mais de 200 mil doações como materiais de construção, livros, móveis, eletrodomésticos, eletrônicos, brinquedos, roupas, agasalhos, calçados e alimentos (em relação aos alimentos cada cesta é contabilizada como uma doação). Além disso, as atividades do grupo incluem o trabalho de retirada de lixo em locais de mata para a preservação ambiental, cuidados com a fauna e denúncias de crimes ambientais ao poder público. E não é só isso. Eles realizam também atividades de recreação em entidades como as APAEs, escolas ou creches, por exemplo. Nesses locais, os integrantes do projeto realizam brincadeiras com crianças, encenam peças educativas de teatro e fazem apresentações de palhaços, que buscam trabalhar assuntos importantes e complexos de uma maneira divertida e de fácil en-

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tendimento. Além disso, há palestras para adultos. Muitas vezes, a turma do projeto atua também como interlocutor com o poder público, levando as demandas da população às autoridades e acompanhando o processo de atendimento com o objetivo de obter melhoramentos para as comunidades.

Família Pipa recebe honrarias em concurso internacional na Alemanha, “Youth Citizen Entrepreneurship Competition”, realizado pela Stiftung Entrepreneurship, Goi Peace Foundation e pela UNESCO.

Transparência e credibilidade

Realizando sonhos

Como tudo começou

Provavelmente, você já estava surpreso com tudo que essa turma faz. Mas, agora, deve estar também curioso para saber como eles conseguem fazer tudo isso. Saber de onde vêm as doações e o dinheiro. Pois bem. Você vai se surpreender outra vez.

Na realidade, o pessoal da Família Pipa tem como principal objetivo “ajudar o próximo”, da forma que for possível. E isso envolve também reformar ou construir casas para melhorar as condições de vida de famílias carentes. Foram estas situações de habitação precária que levaram o projeto Família Pipa a lançar, no ano passado, a iniciativa “Realizando Sonhos”.

Foi em uma segunda-feira, dia 1º de setembro de 2008, que um grupo de jovens se reuniu e criou o projeto Família Pipa, uma Instituição Civil sem Fins Lucrativos, com a decisão – mantida até hoje – de não ter ligações com governos ou partidos políticos como forma de garantir a necessária credibilidade e transparência em suas ações.

Os integrantes do projeto Família Pipa até recentemente não aceitavam qualquer tipo de doação em dinheiro. Porém, quando as demandas das populações em situação de vulnerabilidade social da região passaram a ser mais complexas, eles não só começaram a aceitar as contribuições em dinheiro, tomando, é claro, o cuidado de prestar contas de todo valor doado com a apresentação de notas fiscais dos materiais comprados, mas também vêm realizando atividades como venda de pastéis e espetinhos em feiras, organização de festas beneficentes e venda de rifas. Já os materiais doados vêm dos moradores das cidades onde atuam: Santo Anastácio, Piquerobi, Ribeirão dos Índios, Presidente Bernardes, Presidente Venceslau, Presidente Prudente, Mirante do Paranapanema, Cuiabá Paulista e Costa Machado. Parece impossível? Então espere só para saber que essa turma já ganhou até mesmo um prêmio internacional: o Youth Citizien Entrepreneurship Competition, na categoria Melhor Projeto 2013/2014 (que são para iniciativas em execução), promovido pela Unesco e pela Goi Peace Foundation. O projeto Família Pipa, mesmo sem um esforço de divulgação, já foi tema de reportagens em vários veículos de comunicação, como portais noticiosos na internet, jornais e televisão. Ou seja, o trabalho vem sendo reconhecido e está em crescimento.

Por meio dessa iniciativa, eles estão construindo uma casa para o “seu” Antonio, que, aos 69 anos, ganhou o primeiro banheiro de sua vida. Com essas novas e mais complexas demandas, eles deverão fazer um bazar (o 1º Bazar da Pechincha Beneficente da Família Pipa), com objetos doados por moradores e empresas da cidade, o que permitirá a compra dos materiais necessários à construção e outras atividades.

Até hoje é terminantemente proibido, a todos os seus membros, qualquer filiação a partidos ou atividade política. E se você pensa que para fazer tudo isso existe uma estrutura enorme e custosa, está enganado. Tudo é dirigido por oito – sim, apenas oito – pessoas que trabalham de forma fixa no projeto e outros 30 voluntários que atuam de acordo com a necessidade.

Como contribuir Se, além de surpreso e curioso, você ficou também com vontade de colaborar com essa turma, vale doar o que você tenha em casa sem uso: roupas, calçados, sofás, colchões, armários, camas, brinquedos, livros de literatura, carrinho de bebe, berço, panelas etc. Para doar, basta ligar para: (18) 9 8152-7748, que a Família Pipa se encarrega de retirar na sua casa. Para conhecer mais sobre a Família Pipa, você pode entrar na página no Facebook https:// www.facebook.com/familia. pipa ou acessar o blog do projeto http://www.familiapipafolhasemanal.blogspot.com.br

Os oito integrantes fixos do projeto Família Pipa, incansáveis e perseverantes na busca dos seus objetivos, são: Bruno Lozzi da Costa, Otávio Robson Moliterno, Leandro Oliveira Garcia, Ana Helena Issa e Valdemir Lozzi da Costa, além de Nalva, Aline e Luciano, que atuam em uma espécie de subsede do projeto em Mirante do Paranapanema.

Causa

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Qual o limite entre prazer, religião, sentido e mercado?

Lucky Business . shutterstock

opinião

Ivanir Signorini Você já parou para pensar que a única certeza é a morte? Vida pós-morte, ressurreição, reencarnação ou até mesmo o ‘morreu acabou’ não passam de possibilidades segundo determinadas vertentes de fé. O que sabemos é que nada se sabe sobre o que acontece depois. Tudo especulação. O fato é: a morte é uma certeza. Então, por que não vivermos ao máximo o agora, afinal, o que levamos desta vida?

P

arece que nossa sociedade entendeu isso direitinho: tudo é prazer! Viva o prazer! Abandone-se ao prazer! Aproveite a vida ao máximo, viva sem limites e sem valores. Viva para além do bem e do mal. É o prazer pelo prazer. O que resulta disso é que estamos perdendo outros referenciais de sentido e absolutizando o prazer como único sentido. O prazer pelas coisas materiais nos impede de nos importarmos com o outro. Vivemos o prazer imediato e não nos preocupamos com as próximas gerações, com sua existência e nem se terão algum prazer. Nosso prazer inconsequente e descompromissado está ligado aos desejos. Se pudéssemos realizar tudo o que desejamos e imaginamos, quanto prazer obteríamos! Quanta satisfação! Seria o

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mundo de sonhos. Nossos desejos, em regra, nos conduzem para o imediato, para o aqui e agora, são o nosso eu mais imediato. Prazer de querer ter tudo o que é agradável deve explicar a fascinação que temos pela tela do computador, da televisão... Ficamos embebedados, perdemos horas e horas diante delas. O prazer nos revela o imediato, torna-nos uma vivência imediata, nos deixa sermos nós mesmos, sermos prazer. O prazer apaga o tempo, o futuro, as preocupações e nos faz viver numa completude: a completude do prazer. No prazer nos descobrimos como existentes. O filósofo Descartes, com sua célebre frase “Penso, logo existo!”, não teria nenhum prazer ao ouvir a expressão vigente: “Vivo o prazer, logo existo!” O prazer se absolutiza e nos absolutiza! É uma experiência do absoluto, da completude, do bastarmos, da autossuficiência, do não querermos nada diferente do que estamos vivendo, de desejarmos eternamente o que estamos vivendo agora. É a experiência do eterno retorno: não querer nada diverso do prazer que estou vivendo.

Prazer: sensação agradável, ligada à satisfação de uma tendência, ou uma necessidade?

Viver o aqui e agora é mesmo que o passado. Também é o mesmo que o futuro. Tempo se apaga. O prazer nos revela o imediato, nos revela nós a nós mesmos – e apaga o tempo, o futuro, as preocupações e nos faz viver numa completude: a completude do prazer. O absoluto se apaga, pois o prazer É o Absoluto. Será que essa busca pelo prazer não revela uma busca de sentido num mundo dominado pelo mercado, pelo dinheiro, pelos bens materiais, pelo prazer? Será que essa busca pelo prazer não revela uma busca de sentido que as grandes religiões e as grandes instituições, como Estado e família, já não conseguem satisfazer ou oferecer? Religiões acusam as pessoas de hedonistas, de quererem somente o prazer, e de trocarem as igrejas aos sábados e domingos pelo shopping, pelo jogo de futebol, pela televisão... Mas será que

não estão as pessoas buscando o absoluto a seu modo? Ora, o absoluto é Deus! Buscar o absoluto é próprio do ser humano seja qual for o nome que damos para esse absoluto. As pessoas buscam o absoluto. Por caminhos diferentes, mas buscam o absoluto. Muitas acreditam mesmo que esse absoluto é o prazer! Contrapondo o filósofo grego Aristóteles, que dizia ser o homem um animal político por natureza, arrisco: não será o homem um animal místico por natureza? Qual o limite entre religião, prazer, sentido e mercado?

Ivanir Signorini é mestre em Filosofia e Teologia e professor no Departamento de Filosofia do UNIFAI – Centro Universitário Assunção.

Opinião

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TRAIÇÃO. PODE ISSO ?

AnastasiaNess . shutterstock

Comportamento

Desde que comecei a carreira no jornalismo, há mais de 20 anos, esse é um daqueles temas que sempre causa interesse. Inclusive neles!

Cléo Francisco Desde que comecei a carreira no jornalismo, há mais de 20 anos, esse é um daqueles temas que sempre causa interesse. Inclusive neles! Sim, muitas vezes nem mesmo alguns dos integrantes do sexo masculino entendem o porquê de terem terminado entre os lençóis com aquela mulher que nem era assim tão bonita quanto a esposa. Essa, aliás, também é incrível, inteligente, companheira, boa mãe, dedicada... E quase sempre, depois da escapada e da intensa alegria que esse tipo de aventura costuma trazer, surge a dor na consciência e a promessa de não cair mais em tentação. É assim até outra mulher interessante aparecer acenando com a possibilidade de um novo encontro. Esse é um dos perfis de homem infiel que tracei em minha pesquisa sobre infidelidade masculina. Descobri coisas muito interessantes sobre esse comportamento que gostaria de dividir algumas com vocês. A primeira delas: há uma tolerância histórica da sociedade com os homens que são infiéis. Mais do que isso, diria que há um estímulo, mesmo. Lembrei-me de uma frase que ouvi muito, ainda na infância, de pais e mães que faziam parte do meu núcleo familiar e da vizinhança: “Prendam suas cabras porque meu bode está solto.” Essa sentença curta, que traz em si o ensinamento de como homens e mulheres deveriam se comportar, foi repetida infinitas vezes no passado. Os homens sempre tiveram direito a uma vida sexual movimentada. A elas coube manter a castidade, pureza e ficar na total ignorância sobre a sexualidade até o dia do casamento. E depois também, claro! Mulher “direita” não deveria desfrutar a vida sexual. E nessas condições, o sexo para o casal era um dever do matrimônio, que geraria filhos e perpetuaria o nome e herança da família. O lado divertido da sexualidade era vivido somente por eles e com a outra. Ou outras.

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Para piorar a herança desse passado repressor, cujo eco ainda ouvimos, as brasileiras dos dias atuais ainda contam com a cruel demografia. Explico: segundo dados de 2012 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a partir dos 25 anos aumenta o número de mulheres em relação ao de homens. Hoje há mais de 5 milhões e 200 mil integrantes do sexo feminino. E em um mundo que estimula na mulher a postura de conquista em todas as áreas, incluindo a sexual. Falando sobre isso, um colega casado recentemente me confidenciou: “A mulherada cai em cima mesmo! Faço de conta que não é comigo, mas aí os amigos cobram: ‘Não vai fazer nada?’ Está difícil ser fiel”. Pois é. Os amigos são referenciais importantes para o homem. Mas esses são motivos que têm a ver com a sociedade. Podem influenciar, mas não são determinantes. Há outras razões que explicam a traição masculina. E podem não ter nada a ver com falta de amor à esposa. Sim, ele pode estar sendo sincero ao dizer que aquela traição foi só uma aventura e seu coração pertence à esposa. Afinal, eles foram criados de forma diferente e podem fazer sexo sem envolvimento emocional, apenas pelo prazer. Está certo que hoje tanto as garotas quanto os garotos estão começando a vida sexual entre si, mais ou menos na mesma idade. Mas é um fenômeno relativamente recente. Voltando aos motivos que levam o homem à infidelidade, é importante lembrar que temos um histórico de vida antes de nos casarmos. E dele podem fazer parte situações que às vezes nem mesmo nós nos damos conta da importância e influência em nossa vida. Recordo agora da história de um homem que se viu em dois relacionamentos paralelos com os quais formou duas famílias. Uma olhada mais detalhada para seu histórico revelava que ele era filho bastardo. Quando nasceu, o pai já

Traição, curiosidade e a autoafirmação.

possuía uma família e não podia assumi-lo. Isso resultou em uma infância e juventude muito sofridas. Sua situação presente tem semelhanças com um passado doloroso. Questões internas e mais atuais também podem desembocar numa aventura, tais como uma crise pessoal ou no próprio casamento. Em 2011 chegou ao Brasil o site Ashleymadison, destinado àqueles que querem ter um caso extraconjugal e um dos dias de maior acesso foi 14 de agosto, um domingo, o Dia dos Pais. Sempre me pergunto o que será que frustrou tanto esses homens para, justo nesse dia, decidirem se cadastrar nessa rede de relacionamentos. As mulheres costumam reclamar que os maridos não prestam atenção

nelas, nem lembram as datas de aniversário. Mas homens também são vaidosos e querem ter suas qualidades também admiradas. Enfim, o assunto vai longe. Mas da mesma forma como um homem pode trair e ainda assim amar a esposa é possível a um homem ser fiel e não necessariamente porque ama a mulher. Esse homem pode apenas estar seguindo regras que aprendeu desde muito cedo e perpetua, sem se questionar muito a respeito. Mas a gente retoma o assunto de novo, mais adiante.

Por Cléo Francisco, jornalista especialista em Educação Sexual.

Comportamento

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A vida

Natashamam . shutterstock

CRÔnica

como ela não é Virginia Piti

Virginia é jornalista e encalhada profissional como se auto-define! E como uma brasileira , não desiste de encontrar um pessoa especial . E enquanto isso não acontece, se envolve ( ou não! ) com homens errados e certos, depende do ponto de vista! Cronista natural, algumas vezes, como ela mesma diz, fantasiando, aumentando e inventando um pouco para garantir boas risadas e uma certa moral à história. E a pergunta que não quer calar: Por que ler o que ela escreve? E porque não? Leia e responda! kkkk

M

eu nome é Virginia, tenho 46 anos e sou jornalista. Sou uma mulher inteligente, interessante, moderna e divertida. Estou a procura de uma pessoa especial e companheira….. Esta foi (e ainda é!) minha descrição nos principais sites de relacionamentos do Brasil e do mundo. É com esta sinceridade dolorida que eu me apresento. E deve ser por isso que até hoje nao tenha tido “sucesso” nesta minha missão , quase que impossível, de encontrar um grande amor pela internet. Amor, amor, amor, este sentimento tão nobre, até hoje não encontrei não, mas , em compensação, já encontrei e vivi muitas aventuras e desventuras que compartilho agora com vocês. Há tempos, acredito que a internet é mais uma ferramenta para promover encontros entre pessoas que, teoricamente, buscam algo em comum, seja um grande amor, uma aventura sexual proibida e /ou amizades. Isso é um fato. A globalização chegou e dominou os relacionamentos, tanto para o bem como para o mal… Basta saber como utilizar esta ferramenta. E, hoje, não se pode menosprezar o poder desta ferramenta. Sites de relacionamentos, redes sociais, instagrans da vida… Todos ajudam e , consequentemente, também atrapalham! Desde sempre apostei na net como uma espécie de facilitadora de encontros, só isso… e que , a partir daí, tudo transcorre normalmente como se fosse uma festa de amigos em comum, uma balada convencional. Acaso! E , em todas essas opções, sao necessarios os tais “filtros pessoais”. Pode ser o filtro da idade, da aparência e até o grau de instrução. Para mim, depende muito do meu momento!

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Encontros, nem todos são flores.

Solteirices à parte sempre tive muita coragem nos meus relacionamentos e afins…. Se joga, garota! Ops… Cuidado para não se machucar.. – estes sempre foram meus “lemas”. Obviamente mais batidos do que bifes de carne de segunda! Só que eu ainda tenho o agravante de não aprender com meus erros! O bom é que sempre me divirto ! O segredo é não perder o bom humor!! Nunca! E, de quebra, ver sempre o lado bom da coisa, porque só assim podemos rir de nós mesmos! Eu sei do que eu estou falando! Só depois que acaba , que o “encontro” termina e você tem um clique de lucidez , o mínimo que se pode esperar é que se tenha aprendido algo. Só que não! Veja esta história! ( os nomes e locais foram mudados para

preservar os envolvidos! Kkkk Como se fosse necessário preservar . Preservar de que?? ) E num desses momentos, conheci o Rogério numa sala de bate papo de cinema… Papo vai, papo vem, dia vai , dia vem....Messenger.... muitas mensagens via torpedo ( lembro que tinha acabado de comprar um celular que tinha um tecladinho.... ultima moda! Tinha uma musiquinha irritante! Tenho até hoje!!) Divertido, inteligente, sabia se expressar ( isso é muito importante no mundo virtual: saber escrever e  rápido!) … enfim, muita conversa e pouca ação…. Fotos, promessas e nada de encontros reais…. Ate’ai, normal… Eu com minha inexperiencia com

Crônica

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CRÔnica

o mundo virtual nao tive o dissernimento para saber que estava prestes a me ver diante de uma situação que, agora, depois de anos de experiencia ( nem tantos assim, vai?kkk) , resolvi apelidar de “alerta rosa”, que antecede, numa escala colorida imaginária e totalmente inútil, ao “alerta vermelho”, ou seja, um semi roubada. Depois de algum tempo, decidimos nos encontrar no Pub Dublin... lembro ate hoje a roupa que usei: um vestido cinza ( lindo!). Lembro porque nunca uso vestido. E caprichei neste dia; usei também uma camélia lilás na gola, o que dava um ar moderno e charmoso! Estava me sentindo irresistível...Empolgação total! Tínhamos trocado algumas fotos, mas o “ao vivo e à cores” sempre é diferente.... Segundo ele, estava vindo direto de uma ponte aérea... “Sem expectativas”, pensava. Como se isso fosse possível!! Lembro que o achei lindo e muito charmoso. Camisa social, meio estou vindo do aeroporto só pra te ver, gata!! Kkkk Social chique, estilo happy hour! Lindo! Pelo que percebi, ele também gostou de mim, elogiou minha camélia (ui!)....

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A LEITURA TRANSFORMA, O INTERESSE INSTIGA, A INTERAÇÃO PROVOCA... A REVISTA NOVA FAMÍLIA GERA SERES CONSCIENTES!

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Ele estava com “dor nas costas”, o que não impediu nossa conversa animada e com muitos sinais de que a tal química aconteceu. Pedimos uma entrada de hambúrguer ( mal sabia ele que não como carne!! Mas disfarcei bem, dizendo que já tinha jantado e etc....). Whisky para ele e água pra mim. Tim Tim... Brindamos, claro, à paz mundial* Esta é outra história... sempre brindo à paz mundial, pois assisti um filme em 1900 e bolinha chamado “Feitiço do tempo”, onde o personagem ranzinza ficava preso no mesmo dia até aprender a dar valor às pequenas coisas... e o brinde do casal deste filme era à paz mundial. È um tipo de ritual... Brindo à paz mundial e (como as misses!) e mais alguma coisa! Hoje, continuo brindando à paz mundial mas sem citar o nome do filme… quem sabe encontro alguem tao detalhista como eu e que tenha assistido tambem o filme … destino, sei lá…. Dançamos, música ao vivo, rock pop mundial, U2 etc.... ( Alias, recomendo o local)....beijo vem, beijo vai... A química foi ótima! Lembro até de uma semi mão boba na fenda do vestido ... mas nada além do comum num lugar como aquele... De repente, não mais que de repente, ele encontra uma conhecida, não me apresenta e começa a dançar com ela, como se eu não existisse. Como todo mundo dançava com todo mundo, não reparei no começo... Pensei que era algo estratégico, sei la o que me passou na cabeça... Mas a cena começou a ficar hilária... Umas 4 pessoas entre nós dançando... e quanto mais eu ia tentando chegar mais perto, parece que ele ia mais longe... Hoje vejo assim, dou até risada lembrando,  mas na hora, foi chato, muito chato. Fiz de tudo para entender... Fui no banheiro e fiquei esperando ele ir atrás. Mandei torpedo e fiquei esperando resposta.... fui embora sem me despedir, pois ele me ignorou! Ah! Neste dia, teve uma ação de marketing e distribuíram vários chantilis, desses de latinha, comestíveis... e os dele ficaram comigo (eram uns 10 frascos ). Quando sai, mandei mensagem e ate fiquei esperando uns minutos no estacionamento, no carro para ver se ele saia. Não tínhamos combinado nada, mas pelo andar da carruagem, ou melhor, pelo andar da tal química, ia rolar “algo mais”... Mas não rolou.... No dia seguinte, ele veio com um papinho que encontrou a filha do cliente e que não era legal ela ver que ele estava com alguém e bla, bla, bla...

Como se não bastasse, eu ainda dei trela para esse cara!!  Mas, fazer o quê.... Estava interessada... Um tempo depois, após várias mensagens e telefonemas no meu celular de ultima geração com teclado ( Demais! ), resolvemos ir aos “finalmentes” porque não teríamos tempo de sair pra jantar ou teatro e depois algo mais.....Marcamos em um Motel novo, na Ricardo Jafet, que na época era novo... Ele quem escolheu, era novidade. Adorei o fato dele ter escolhido. “ nossa, que fofo! Ele escolheu onde vamos!”, pensava, toda animada!! Doce ilusão!... Liguei, reservei a melhor suíte, fiz uma super mega produção, com compras de tábua de frios, bebidas ( como não sabia muito o que ele gostava, levei cervejas note – no plural, ou seja, várias marcas; vinho, vodca com energético, refrigerantes, água, etc), pétalas de rosas vermelhas, cremes para massagem ( afinal ele estava com dor nas costas!), venda comprada em sexy shop... Juro, foram duas caixas de produção! Ele estava vindo do Rio e marcamos direto no local. Lembro da minha roupa: calça de alfaiataria e camisa branca... linda! Pedi até o carro emprestado da minha irmã porque o meu Floquinho era velho e podia dar problemas mecânicos em pleno motel, imagina??! Tivemos dificuldades por causa dos dois carros. Nem todo motel tem duas vagas na garagem das suítes... mas deu tudo certo. Esperamos a suíte ficar pronta no carro e já rolou . Ele era carinhoso, atencioso... apaixonável...

car o que tinha acontecido... Mas o melhor ( ou pior!) da noite ainda estava por vir.... Depois, quando a coisa ia começar de novo, diz ele que não viu uma ligação perdida no cel do trabalho... Ele pega o telefone em plena suíte de motel, tipo meia noite de sexta feira e liga retornando para a tal pessoa e começa a falar de trabalho. E, depois desta suposta “conversa” ( hoje eu acho que não tinha ninguém no telefone!) ele teve que ir embora, alegando problemas no trabalho... Fiquei sem ação! Mas como sou educada e chegamos em carros separados, ele foi embora. E, surpresa: NÃO pagou a conta total do motel pagou só metade!!

UMA NOVA REVISTA. UMA NOVA FAMÍLIA

E tinha tanta coisa pra comer, recolher, gels, morangos, vinho, gelo... Terminei a noite sozinha , assistindo o Jo Soares, com um monte de comida e bebida! Hoje, só rindo mesmo!! E ainda tive que pagar uma taxa extra por causa da mancha das pétalas vermelhas no lençol!! Surreal. Depois disso ele sumiu! Lembrei dos chantillys e revolvi mandá-los via correio pois sabia onde ele trabalhava. Coloquei todos numa caixa,  com papel celofane, no capricho, coloquei um cartão dizendo: Seja Feliz  e mandei via Sedex! Queria ser uma mosquinha para ver a cara dele quando recebeu!! Nunca mais vou esquecer este Rogério. O que aprendemos ? #fica a dica: não transe em cima de petalas de rosa! Elas mancham tecidos!! kkkkk Moral da história: Me conta voce! Rindo alto! Beijos e até a próxima !!

Cansaço, banho, e rala e rola... Lembro que ele tinha uma característica diferente: gritou na hora de ejacular! Não foi um gritinho não... foi muitooo alto! Pensei ate que o pessoal do motel viria che-

Crônica

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PERFIS PERFISEECOMPORTAMENTOS COMPORTAMENTOS DA DANOVA NOVAFAMÍLIA FAMÍLIAPASSAM PASSAM SEMPRE SEMPREPOR PORPEDIATRAS, PEDIATRAS,PSIPSICÓLOGOS CÓLOGOSEETERAPEUTAS. TERAPEUTAS. AAREVISTA REVISTANOVA NOVAFAMÍLIA FAMÍLIADÁ DÁ AARECEITA! RECEITA!

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