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UNIVERSIDADE DO SUL DE SANTA CATARINA BERNARDO CAMPOS MARENGO

CENTRO DE APOIO E INTEGRAÇÃO DO IMIGRANTE EM FLORIANÓPOLIS/SC

Florianópolis 2018


BERNARDO CAMPOS MARENGO

CENTRO DE APOIO E INTEGRAÇÃO DO IMIGRANTE EM FLORIANÓPOLIS/SC

Trabalho de Conclusão de Curso I, apresentado ao Curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade do Sul de Santa Catarina como requisito parcial à obtenção do título de Arquiteto e Urbanista.

Orientador: Prof. Arq. Alexandre Fabiano Benvenutti, Dr.

Florianópolis 2018


BERNARDO CAMPOS MARENGO

CENTRO DE APOIO E INTEGRAÇÃO DO IMIGRANTE EM FLORIANÓPOLIS/SC

Este Trabalho de Conclusão Curso I foi julgado adequado à obtenção do título parcial de Arquiteto e Urbanista e aprovado em sua forma parcial pelo Curso de Graduação em Arquitetura e Urbanismo da Universidade do Sul de Santa Catarina.

Florianópolis, Agosto de 2018

_________________________________________________________ Prof. e Orientador Arq. Alexandre Fabiano Benvenutti, Dr.

_________________________________________________________ Prof. Arq. Cristiano Fontes de Oliveira, Msc.

_________________________________________________________ Prof. Arq. Estela da Silva Boiani, Esp.


AGRADECIMENTOS

A

o meu Senhor e Salvador Jesus Cristo, razão da minha existência o qual arquitetou desde o princípio todas as coisas. Aos meus pais, Rosa Maria Marengo e Luciano Marengo os quais me educaram com amor e carinho, me ensinando desde sempre como me tornar um verdadeiro cidadão justo e correto nos meus caminhos e jamais me desampararam em todos meus projetos de vida. A minha noiva Morgane Bi encourt que divide comigo os sonhos e a paixão pela Arquitetura. Aos meus amigos de coração que estão e es veram do meu lado sempre na minha caminhada, entre eles os grandes amigos da Adhonep, os quais não caberiam aqui descrever seus nomes. Aos meus colegas e professores da UDESC, onde iniciei minha jornada pela arquitetura, os quais guardo no coração o tempo que passei por lá, aprendendo e crescendo na vida acadêmica. Aos professores da UNISUL que com o dom brilhante do ensino transmi ram o conhecimento o qual tenho adquirido nos anos que es ve aqui e por isso sou grato. Ao meu orientador, o Prof. Dr. Arq. Alexandre Fabiano Benvenu , que aceitou o convite de me orientar neste trabalho e o qual sou grato pelas brilhantes orientações. A todos estes minha gra dão!


‘Não oprima o estrangeiro. Vocês sabem o que é ser estrangeiro, pois foram estrangeiros no Egito’ Exôdo 23:9


RESUMO

E

ste trabalho de conclusão de curso , visa desenvolver um projeto de um Centro de Apoio e Integração ao Imigrante na cidade de Florianópolis. O seu obje vo é ser um equipamento que promova a cidadania e a integração das populações imigrantes existentes na Grande Florianópolis. Através de estudos sobre a temá ca, com dados atualizados sobre a imigração em contexto internacional, nacional e no âmbito municipal e metropolitano foi possível constatar a necessidade e a demanda de serviços especializados para atendimento ao imigrante. Com os estudos levantados, a área escolhida para tal projeto fica na parte central de Florianópolis, facilitando a logís ca para atender melhor os imigrantes da cidade e da região metropolitana. Dessa forma a elaboração de par do arquitetônico nesta etapa do Trabalho de Conclusão de Curso visa elucidar a problemá ca de usos e serviços que devem ser prestados a fim de promover apoio e integração aos imigrantes.

Palavras Chave: Projeto de arquitetura, imigrantes, centro cultural, cidadania, arquitetura e urbanismo


LISTA DE FIGURAS

F. D. CONTARDO/ARCHDAILY

Figura 1.1 - Localização do Terreno escolhido para o Projeto. 13 Figura 2.1 - Embarcação de Imigrantes no Mar Mediterrâneo 17 Figura 2.2 - Imigrantes escoltados na Eslovênia em 2015 17 Figura 2.3 - Imigrantes bolivianos e outros oriundos do Mercosul são considerados ‘imigrantes econômicos’ 18 Figura 2.4 - Imigrantes Venezuelanos em Roraima em 2018 18 Figura 2.5 - Imigrantes hai anos recebem visto humanitário ao chegarem no Brasil 18 Figura 2.6 - Sírios também são recebidos com visto humanitário 18 Figura 2.7 - Imigrantes europeus que estavam em campos da Alemanha, Áustria e Itália a caminho dos EUA 19 Figura 2.8 - Refugiados vietnamitas fugindo dos conflitos na Indochina na década de 70. 19 Conceitos de refugiados são revistos pela ONU na década anterior 20 Figura 2.9 - Embarcação de imigrantes atravessando o Mar Mediterrâneo 20 Figura 2.10 - Imigrantes na Eslovênia, 2015 20 Figura 2.11 - 244 milhões de imigrantes em uma população de 7,3 bilhões em 2015. Uma 20 pessoa a cada 30 é um imigrante internacional 20 Figura 2.12 - O aumento da população de imigrantes internacionais desde 1990 até 2015 20 Figura 2.13 - Gráfico de proporções de imigrantes nos países 20 Figura 2.14 - Gráfico de proporção de imigrantes permanentes, temporários, provisórios, refugiados e outros no Brasil 21 Figura 2.15 - Crescimento do número de imigrantes entre 2006 até 2014 foi de 160% e o decréscimo de imigrantes em 2015 e 2016 21 Figura 2.16 - Dados de estrangeiros que chegaram no Brasil no ano de 2015 22 Figura 2.17 - Solicitações de refúgio no Brasil. 2017 registrou grande crescimento devido a crise na Venezuela 22 Figura 2.18 - Gráfico de proporção de imigrantes permanentes, temporários, refugiados e outros no Brasil 23 Figura 2.19 - Gráfico de proporção de imigrantes permanentes, temporários, refugiados e outros no Brasil 23 Figura 2.20 - Atual sede do CRAI em florianópolis, inaugurado em fevereiro de 2018 24 Figura 2.21 - Entrada do CRAI atualmente, inaugurado em fevereiro de 2018 24 Figura 2.22 - Manifestação ar s ca sobre o valor do imigrante e a legalidade de ser imigrante 25 Figura 2.23 - A busca por cidadania e dignidade é a maior luta dos imigrantes no mundo 25 Figura 2.24 - A arquitetura pode ser hos l muitas vezes, transformando a cidade em um ambiente apá co e indiferente ao ser humano 26 Figura 2.25 - Um espaço convida vo confere cidadania e a sensação de pertencimento aos usuários da cidade 26 Figura 3.1 - Largo do Fagundes, atual Praça Pio XII 28 Figura 3.2 - Vista aérea da região central de Florianópolis. Em destaque o terreno escolhido para o desenvolvimento do projeto 28 Figura 3.3 - Terminal Urbano na atual Praça Pio XII 28 Figura 3.4 - Vista do TICEN, principal terminal urbano da Grande Florianópolis 29 Figura 3.5 - Mapa de vias e conexões entre transporte público e o projeto proposto. Raio de 700 metros 30


Figura 3.6 - Mapa de usos, ocupações e de ins tuições adjacentes ao projeto. Raio de 300 metros Figura 3.7 - Mapa de conflito na área estudada. Raio de 150 metros Figura 3.8 - Conflito entre pedestres e motociclistas na Rua Felipe Schmidt Figura 3.9 - Área de conflito entre as ruas Felipe Schmidt e Sete de Setembro Figura 3.10 - Conflito de pedestres na Rua Conselheiro Mafra e Sete de Setembro Figura 3.11 - Conflitos entre as Ruas Felipe Schmidt e Pedro Ivo Figura 3.12 - Conflito entre as Ruas Tenente Silveira e Pedro Ivo Figura 3.13 - Mapa de gabaritos. Raio de 150 metros no entorno do terreno Figura 3.14 - Vista do Sul do terreno. É possível ver edificações mais baixas que são do Centro Histórico Figura 3.15 - Vista do Sudeste do terreno. Novas edificações já possuem altos gabaritos, chegando até 14 pavimentos Figura 3.16 - Massa de vegetação e prédios com gabaritos maiores Figura 3.17 - Vista do Norte do terreno. Parte norte possui grande número de edi cios residenciais Figura 3.18 - Planta do terreno escolhido. Dimensões das faces, massa de vegetação existente e marcação dos cortes Figura 3.19 - Planta do terreno escolhido com as linhas topográficas e seus respec vos níveis Figura 3.20 - Mapa das edificações existentes no terreno e seus usos Figura 3.21 - Escadaria na lateral do terreno Figura 3.22 - Barbearia, loja de chocolates e loja de sucos Figura 3.23 - Loja de calçados Figura 3.24 - Restaurante Figura 3.25 - An go prédio da CELESC, atualmente abandonado Figura 3.26 - Mapa dos ventos predominantes, massa vegetal do terreno e caminho solar Figura 3.27 - Perspec vas com sombreamento no Sols cio de Inverno em 3 horários Figura 3.28 - Perspec vas com sombreamento no Sols cio de Verão em 3 horários Figura 3.29 - Planta demonstrando os afastamentos usados no terreno conforme Plano Diretor de Florianópolis de 2014 Figura 3.30 - Corte de Via: Rua Felipe Schmidt Figura 3.31 - Corte de Via: Rua Pedro Ivo Figura 3.32 - Corte de Via: Rua Tenente Silveira Figura 3.33 - Mapa do Plano Diretor de Florianópolis 2014 englobando área de atuação do projeto Figura 4.1 - Praça central do CIC, juntamente com os Blocos B e C ao fundo Figura 4.2 - Bloco B do CIC. projeto indicava a vidades voltadas a informá ca, mas uso atual é de oficinas profissionalizantes Figura 4.3 - Posto de Polícia Federal para atendimento documental Figura 4.4 - Posto de Polícia Federal para atendimento documental Figura 4.5 - Área des nada as a vidades de informá ca Figura 4.6 - Área des nada as a vidades de informá ca Figura 4.7 - Praça central do CIC, onde ocorrem eventos de integração Figura 4.8 - Acesso controlado ao CIC. Durante a noite e horários sem funcionamento a praça é fechada Figura 4.9 - Vista principal do Centro Cultural El Tranque Figura 4.10 - Pá o interno do centro cultural Figura 4.11 - Pá o interno do centro cultural e o térreo permeável

30 31 31 31 31 31 31 32 32 32 32 32 33 33 35 35 35 35 35 35 36 36 36 37 37 37 37 37 39 39 40 40 40 40 40 40 41 41 41


Figura 4.12 - Pá o interno do centro cultural e o térreo permeável Figura 4.13 - Acessos permeáveis, mas com fechamento noturno Figura 4.14 - Escada ligando a praça aos espaços do pavimento superior do centro cultural Figura 4.15 - Planta de cobertura mostrando a praça elevada no úl mo pavimento Figura 4.16 - Vista aérea mostrando o centro cultural e também a praça elevada Figura 4.17 - Cortes da edificação mostrando os níveis do terreno Figura 4.18 - Cortes da edificação mostrando os níveis do terreno Figura 4.19 - Vista noturna do Centro Cultural Arauco Figura 4.20 - Átrio do centro cultural engloba diversas a vidades culturais e ar s cas Figura 4.21 - Átrio do centro cultural engloba diversas a vidades culturais e ar s cas Figura 4.22 - Biblioteca no andar superior e sistemas de proteção solar Figura 4.23 - Térreo permeável e com átrio como centro de a vidades e as demais funções nos pisos superiores Figura 4.24 - Edificação de esquina e seu papel de integração dos pedestres Figura 4.25 - Mapa de fluxos de pedestres ao trafegarem pela edificação Figura 4.26 - Pé direito alto e a sensação de abrigo aos pedestres Figura 4.27 - Chanfros na geometria da edificação torna ela mais ‘amigável’ ao usuário Figura 4.28 - Centro cultural e sua relação Cidade x Patrimônio Figura 4.29 - Níveis no terreno e os acessos Figura 4.30 - Acessos em níveis e as praças elevadas a nível das copas das árvores Figura 4.31 - Praças elevadas no nível das copas das árvores Figura 4.32 - Vegetação existente no terreno foi man da Figura 4.33 - Acessos ao interior do centro cultural. Permeabilidade e controle da edificação Figura 5.1 - Croqui esquemá co inicial mostrando os fluxos existentes e propostos, assim como um primeiro zoneamento nos volumes Figura 5.2 - Setorização macro do volume da edificação e entorno imediato Figura 5.3 - Implantação geral do par do Figura 5.4 - Axonométrica Explodida explica va do programa proposto Figura 5.5 - Croquis de estudo de volumetria Figura 5.6 - Maquete sica usada para estudo volumétrico Figura 5.7 - Croquis perspec vados de estudo de volumetria final do projeto Figura 5.8 - Recorte da estrutura e sua modulação Figura 5.9 - Exemplo de laje nervurada Figura 5.10 - Perspec va da fachada leste e o brise Figura 5.11 - Exemplo de brise a ser u lizado Figura 5.12 - Croqui esquemá co da fachada leste e os brises Figura 5.13 - Volume inserido com o entorno construído Figura 5.14 - Volume inserido com o entorno construído Figura 5.15 - Perspec vas com sombreamento no Sols cio de Inverno em 3 horários Figura 5.16 - Perspec vas com sombreamento no Sols cio de Verão em 3 horários Figura 5.17 - Perspec va da fachada leste Figura 5.18 - Perspec va com acesso da Rua Tenente Silveira em foco Figura 5.19 - Perspec va da fachada norte Figura 5.20 - Perspec va da fachada sul Figura 5.21 - Perspec va da praça central Figura 5.22 - Vão do mezanino Figura 5.23 - Praça central proposta Figura 5.24 - Perspec va vista da Rua Pedro Ivo

41 41 42 42 42 42 42 43 43 43 43 43 44 44 44 44 45 45 45 45 45 45 47 48 50 53 54 54 54 56 56 56 56 56 57 57 57 57 58 58 58 58 59 59 59 59


Figura 5.25 - Perspec va aérea Figura 5.26 - Perspec va aérea Figura 5.27 - Perspec va aérea vista do 2º pavimento Figura 5.28 - Acessos pelo mezanino e praça central Figura 5.29 - Perspec va vista da Rua Felipe Schmidt Figura 5.30 - Vão do mezanino Figura 5.31 - Térreo com acesso e o mezanino Figura 5.32 - Perspec va vista da Rua Tenente Silveira

60 60 60 60 61 61 61 61


SUMÁRIO CAPÍTULO 1: INTRODUÇÃO

CAPÍTULO 2: IMIGRAÇÃO E CONTEXTO

CAPÍTULO 3: DIAGNÓSTICO DA ÁREA 3.1 HISTÓRICO


CAPÍTULO 4: PROJETOS REFERENCIAIS

CAPÍTULO 5: PARTIDO ARQUITETÔNICO

CAPÍTULO 6: CONSIDERAÇÕES FINAIS REFERENCIAIS


1. INTRODUÇÃO

IMIGRAÇÃO


1.1 INTRODUÇÃO



V

ivemos em um mundo em ebulição. Guerras, desastres, fome, perseguição polí ca, perseguição religiosa são alguns dos mo vos da grande diáspora que o mundo vive hoje. Incertezas que criam grandes movimentos imigratórios por todo o planeta e criam um dos maiores desafios na polí ca urbana e social mundial: Imigração. No Brasil a imigração tem aumentado nos úl mos anos, gerando problemas sociais devido a falta de preparo do Estado em receber, orientar e integrar as populações que aqui chegam, causando maiores abismos sociais ainda nas populações que buscam alguma esperança em nosso país. Desta forma, o obje vo principal do trabalho é o desenvolvimento de um projeto para o centro da cidade de Florianópolis, com o viés integrador e de apoio a populações de imigrantes que chegam na cidade. Para o desenvolvimento, no entanto é necessário a realização do Plano de Trabalho, aqui apresentado com seus obje vos de estudo e desenvolvimento, a jus fica va temá ca, metodologia dos trabalhos, referenciais arquitetônicos e teóricos, e bibliografia empregada para o desenvolvimento dos trabalhos.

1.2 LOCALIZAÇÃO

O

Ru

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O O IV

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R

4.297 m²

Rua pe

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terreno escolhido para desenvolvimento do projeto do trabalho de conclusão de curso, está localizado na área central da cidade de Florianópolis, mais especificamente entre as esquinas das Ruas Felipe Schmidt e Pedro Ivo e as esquinas entre as Ruas Pedro Ivo e Tenente Silveira.  A e s co l h a d e sta á re a l evo u e m consideração a importância estratégica da região e a ligação com um tema de relevância social de integração social de populações imigrantes em nossa cidade, assim também como a facilidade de acesso e a centralidade do terreno, já que o mesmo está próximo a terminais urbanos, serviços, comércios e ins tuições.

Fig.1.1: Localização do Terreno escolhido para o Projeto.

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INTRODUÇÃO

EN

EN

TE

SIL VE

IRA


1.3 PROBLEMÁTICA e JUSTIFICATIVA

A

tualmente o estado de Santa Catarina é o segundo estado com maior número de imigrantes com trabalho formal, tornando assim nosso estado em um possível des no aos inúmeros imigrantes que diariamente chegam ao nosso país em busca de novas oportunidades de vida.  Oriundos dos mais diferentes lugares do planeta, milhares de imigrantes hoje residem no nosso estado. Dados de janeiro de 2018 (Polícia Federal, 2018) indicam que em Santa Catarina já estão cerca de 50 mil estrangeiros de diversas nacionalidades e oriundos de diversos mo vos de imigração, como guerras, países com dificuldades econômicas, perseguições, etc...  Dos cerca de 50 mil estrangeiros residentes em Santa Catarina, aproximadamente 15 mil possui empregos formais, o que mostra que ainda há uma grande parcela dessa população que vive em condições informais de trabalho, ou convivem com o desemprego.  Com um crescimento cada vez maior do número de imigrantes o Estado busca de alguma forma receber e integrar essa população de imigrantes. Muitas dessas vezes o Estado, porém não é capaz de suprir na totalidade essa população, ou de realizar um atendimento mais humanitário e cidadão a estas populações. Com isso hoje existe já em Florianópolis o CRAI, Centro de Referência e Atendimento ao Imigrante, que é um órgão estatal gerido atualmente pela Pastoral do Migrante, da Arquidiocese de Florianópolis.  O CRAI por sua vez não possui uma estrutura sica capaz de receber, prestar auxílio e orientar de uma maneira bastante eficaz a todos que precisam deste órgão. Os serviços prestados atualmente são de atendimento psicológico, atendimento de assistência social, atendimento burocrá co (vistos, carteiras de trabalhos e documental) e integração (trabalho, cultura e lazer). Desta forma é necessário realizar um estudo e projeto de desenvolvimento de um

equipamento urbano que atenda essas demandas já existentes e possa acumular outras funções de apoio e integração aos povos imigrantes na cidade de Florianópolis e integrar a população da cidade com o tema e com essas populações.

1.4 OBJETIVO GERAL “Desenvolver projeto arquitetônico de um Centro de Apoio e Integração do Imigrante na Cidade de Florianópolis/SC”

1.5 OBJETIVOS ESPECÍFICOS ·

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· ·

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·

Levantar dados sobre o panorama da imigração no Estado de Santa Catarina e da situação dos imigrantes na cidade de Florianópolis na atualidade; Pesquisar sobre as polí cas públicas existentes para imigrantes no Brasil; Averiguar a situação e capacidade de atendimento das ins tuições que atendem o imigrante na cidade de Florianópolis; Diagnos car a área de estudo (visuais, mobilidade urbana, acessos, usos no entorno, uso do próprio terreno); Pesquisar referenciais arquitetônicos que tenham ligação com o tema p ro p o sto o u u s o s e q u i va l e n te s (culturais); Pesquisar referências bibliográficas que tratem dos assuntos estudados; Analisar viabilidade técnica e legal do terreno (verificar legislação existente para o uso proposto); Desenvolver programa de necessidades conforme dados analisados e números de prognós co da imigração; Desenvolver projeto arquitetônico para o Centro de Apoio e Integração do Imigrante em Florianópolis/SC.

INTRODUÇÃO

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1.6 METODOLOGIA

P

ara o levantamento de números, esta s cas e outras informações inerentes ao tema proposto é necessário pesquisas bibliográficas em páginas da Web de órgãos e ins tuições responsáveis sobre o assunto, como de Ministério das Relações Exteriores, Polícia Federal, Governo do Estado, assim também como visitas de campo nas ins tuições que atualmente trabalham com o tema de acolhimento ao imigrante.  Da mesma forma que para buscar informações sobre o panorama atual destas ins tuições de acolhimento e apoio ao imigrante, será necessário visitas em campo, juntamente com registros fotográficos e registros de entrevistas e conversas tanto com pessoas responsáveis por estas ins tuições, como propriamente de imigrantes no Brasil.  Será realizada também saída de campo á cidade de São Paulo, para visita do referencial teórico e arquitetônico, a fim de aprofundar a vivência e obter maiores conhecimentos sobre ins tuições com fins equivalentes ao tema proposto neste trabalho.  Quanto as análises de viabilidade técnica e legal do empreendimento no terreno proposto, tais análises serão baseadas nos instrumentos legais que regem tal assunto e serão embasadas no Plano Diretor vigente da cidade de Florianópolis, assim como Código de Obras, todos disponíveis na página da web da Prefeitura de Florianópolis.  Com embasamento legal, técnico e com o conhecimento teórico ob do através das pesquisas bibliográficas, visitas em campo, pesquisas e entrevistas será realizado o par do do projeto a fim de desenvolver o projeto arquitetônico do Centro de Apoio e Integração ao Imigrante no centro de Florianópolis.

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INTRODUÇÃO


2. IMIGRAÇÃO E CONTEXTO

YANNIS BEHRAKIS/REUTERS


2.1 IMIGRAÇÃO: nomenclaturas e variações

O

tema imigração é atualmente bastante discu do, a globalização tornou o mundo mais aberto, mas também mais inseguro. Da mesma forma em que povos migram em busca de ascensão social e econômica, muitos povos ainda fogem de perseguições dentro de suas próprias pátrias. Dessa forma os conceitos de cada individuo que está fora de sua nação muda, as formas jurídicas e sociais de acolhimento também são diversas. Contudo, é importante deixar claro as diferenças nas nomenclaturas e classes de imigrantes existentes na contemporaneidade, exis ndo também outras definições além das apresentadas a seguir, mas em propósito ao desenvolvimento deste projeto não será necessário discorrer sobre outras nomenclaturas.

Refugiados: Para fins nacionais, a Lei Federal 9.474 de 1997, define quem é considerado um refugiado, sendo aqueles que: I - devido a fundados temores de perseguição por mo vos de raça, religião, nacionalidade, grupo social ou opiniões polí cas encontre-se fora de seu país de nacionalidade e não possa ou não queira acolher-se à proteção de tal país; II - não tendo nacionalidade e estando fora do país onde antes teve sua residência habitual, não possa ou não queira regressar a ele, em função das circunstâncias descritas no inciso anterior; III - devido a grave e generalizada violação de direitos humanos, é obrigado a deixar seu país de nacionalidade para buscar refúgio em outro país.

Ou seja, a legislação brasileira u liza itens da Convenção de 1951, onde a ONU trata pela primeira vez sobre refugiados. As populações que se enquadram neste grupo são as perseguidas polí cas, que fogem por guerras, perseguições religiosas e que não estão sob proteção social e jurídica em seu país de origem, sendo necessário buscar auxílio em nações estrangeiras. MASSIMO TESTIN/POLARIS/2014

Fig. 2.1: Embarcação de Imigrantes no Mar Mediterrâneo

SERGEY PONOMAREV/NY TIMES/2015

Fig. 2.2: Imigrantes escoltados na Eslovênia em 2015

Asilado: O termo asilado possuiu na época das ditaduras la no-americanas um sen do mais conhecido e u lizado, sendo este instrumento algo mais polí co. O asilado, ou o que busca asilo é em sua maioria um perseguido polí co que busca em outra nação amparo e proteção. Diferente do refugiado, o asilado recebe seu status de uma maneira mais clara e não dependendo de uma decisão colegiada, tampouco de embasamentos jurídicos, sendo muitas vezes assinalado pelo Presidente da República, este instrumento é basicamente ligado a perseguições polí cas e muitas vezes a impossibilidade de fuga do perseguido, sendo muitas vezes asilado em embaixadas extraterritoriais. 17

Imigração e contexto


Imigrantes Econômicos: A definição de imigrante econômico é todo o indivíduo que sai de sua pátria voluntariamente em busca de melhores condições sociais e econômicas, não sendo ví ma de perseguição polí ca, religiosa e étnica em seu país de origem. Este imigrante possui todo amparo de sua pátria natal, não tornando ele em alguém que necessite de subsídios estatais.  Mesmo não sendo um imigrante que precise de amparos especiais, esta categoria de imigração é a maior e mais di cil de possuir dados, já que muitos imigrantes são ilegais ou possuem vistos provisórios de turismo, trabalho temporário e estudo, não sendo assim possível iden ficação mais exata sobre este po de imigrante no Brasil.

MIRADAS/ CREATIVE COMMONS

Fig.2.3: Imigrantes Bolivianos e outros oriundos do Mercosul são considerados ‘Imigrantes Econômicos’

Além destas nomenclaturas de grupos de imigrantes, há hoje a situação a pica dos “ Vistos Humanitários” que são vistos concedidos pelo governo brasileiro á população do Hai , através da Resolução Norma va nº 97, de 2012, onde o país concede vistos humanitários para os a ngidos pelas catástrofes ambientais que ocorreram no Hai . Em 2013, houve a Resolução nº 17, que estende aos sírios a cessão de Vistos Humanitários, em decorrência da Guerra existente neste país. Atualmente os TESTINI/POLARIS/2014 sírios que MASSIMO buscam acolhida no Brasil buscam o visto humanitário nas embaixadas de países vizinhos da Síria, que é rever do como status de refugiado ao chegarem no Brasil.  A situação dos vistos humanitários foi uma saída encontrada em 2012 com a grande chegada de hai anos ilegais no Brasil que não se enquadravam como refugiados e tampouco podiam receber vistos temporários de turista ou estudante. A ACNUR (Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados), tampouco a legislação brasileira não trata sobre questões de desastres ambientais.  Em questões acadêmicas e de desenvolvimento deste projeto, embora com diferenças jurídicas e de status, a nomenclatura usada será de “Imigrante”, não sendo isto um po de exclusão de pessoas e de

AGENCE FRANCE PRESSE

Fig.2.4: Imigrantes Venezuelanos em Roraima em 2018

suas origens, mas sim inclusivo e equiparando todos os imigrantes em nossa pátria como passíveis de amparo e integração no Brasil, sejam desde os refugiados, imigrantes econômicos ou de desastres ambientais até aos que estão em situação de asilo.  O projeto do Centro de Apoio e Integração ao Imigrante será proposto segundo dados de imigrações diversas e proposto a fim de atender as populações que necessitam de apoio e integração. DEUTSCHE WELLE/ M. ESTARQUE SERGEY PONOMAREV/NY TIMES/2015

Fig.2.5: Imigrantes hai anos recebem Visto Humanitário ao chegarem no Brasil ONU/VERMELHO.ORG.BR

Fig.2.6: Sírios também são recebidos com Visto Humanitário

Imigração e contexto

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2.2 A IMIGRAÇÃO NA CONTEMPORANEIDADE

O

s fluxos de povos e populações sempre exis u em toda a história da humanidade. De tempos em tempos alguns fatores intensificam e ste s fl u xo s , ge ra n d o a s s i m g ra n d e s deslocamentos de pessoas em razão de guerras, conflitos, perseguições religiosas, polí cas, desastres naturais e epidemias.  Já no início do século XX, com a Primeira Guerra Mundial, diversos povos na Europa passavam por perseguições polí cas e sociais, gerando assim um grande fluxo migratório dentro da própria Europa, o que levou a comunidade internacional, pela primeira vez tratar do assunto de refugiados e imigrantes modernos.  Mas foi durante a Segunda Guerra Mundial que começaram a surgir os primeiros órgãos voltados ao apoio a populações refugiadas e deslocadas na Europa. Órgãos voltados ao amparo as populações perseguidas e deslocadas pelo Nazi-Fascismo. Surgiu também ins tuições de amparo aos perseguidos russos e armênios.  No ano de 1951, com o intuito de p ro m o v e r a m p a ro i n t e r n a c i o n a l a o s refugiados, é criado o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), órgão humanitário e social voltado para as questões de deslocados internacionalmente vinculado a ONU. Foi criado também na própria ONU um Fundo de Emergência para as Nações Unidas, voltado exclusivamente para amparo de refugiados.

Com a Europa ainda vivendo as consequências da guerra é realizada ainda no ano de 1951, a Convenção para Refugiados de Genebra, realizada pela ONU, com a finalidade de regular a situação jurídica dos refugiados, todos com causas anteriores a 1951. Este acordo entrou em vigor somente em 21 de abril de 1954 e nha o Brasil como um de seus signatários.  Porém o Estatuto criado ao término da Convenção era bastante limitado quanto a causas e geograficamente era bastante fechado, não dando amparo a outras populações de refugiados e imigrantes de outras partes do mundo e que estejam deslocados geograficamente por causas além da guerra na Europa. Com isso, em 1967 houve um novo Protocolo, ampliando o conceito de refugiados e imigrantes e re rando as barreiras geográficas do quesito dos imigrantes, deixando totalmente aberto a refugiados de qualquer parte do planeta e por qualquer causa, como perseguição étnica, religiosa, polí ca e social. Novamente o Brasil foi signatário e com isso buscou-se criar amparados nacionais para o acolhimento e amparo de populações deslocadas. ONU/UNHCR/ACNUR

ONU/UNHCR/ACNUR

Fig.2.8: Refugiados vietnamitas fugindo dos conflitos na Indochina na década de 70. Conceitos de refugiados são revistos pela ONU na década anterior

Fig.2.7: Imigrantes europeus que estavam em campos da Alemanha, Áustria e Itália a caminho dos EUA

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Imigração e contexto

Durante os anos que se seguiram, até os dias atuais, a questão de deslocamentos populacionais resultou em aumentos progressivos. Diversos conflitos armados, perseguições polí cas, religiosas, étnicas, desastres ambientais e questões sociais d e g ra d a n te s re s u l ta ra m e m g ra n d e s deslocamentos por todo o planeta.


JEFF J MITCHELL/GETTY

YANNIS BEHRAKIS

Fig.2.9: Embarcação de imigrantes atravessando o Mar Mediterrâneo

Fig.2.10: Imigrantes na Eslovênia, 2015

Dados da ACNUR do final de 2016 indicam que neste período cerca de 65,6 milhões de pessoas eram deslocadas a força de seus países de origem, sendo uma proporção de 1 em 113 pessoas, destes 22,5 milhões de refugiados.  Estes números refletem imigrações forçadas, ou seja, de populações que buscam algum po de refúgio em algum país, não contabilizando os imigrantes econômicos que

migram em busca de trabalho e ascensão social e econômica.  Segundo a OIM (Organização Internacional para as Migrações, 2015), órgão da ONU para migrações internacionais, a população de imigrantes gerais no mundo é de 244 milhões de pessoas, sendo uma proporção de 3,3% da população mundial que está fora de sua nação de origem, tanto em questão de refugiados, apátridas, asilados e imigrantes econômicos.

TOP 5 DESTINOS DE IMIGRANTES NO MUNDO

222

153

Milhões

161

Milhões

173

191

244

Milhões

Milhões

Milhões

Milhões

1990

1995

2000

2005

2010

2015

IOM/ONU/2015

RÚSSIA : 11 milhões ARÁBIA SAUDITA : 10 milhões REINO UNIDO : 8 milhões TOP 5 ORIGENS DE IMIGRANTES NO MUNDO

ÍNDIA : 16 milhões MÉXICO : 12 milhões IOM/ONU/2015

RÚSSIA : 11,5 milhões CHINA : 9 milhões BANGLADESH : 8 milhões PROPORÇÃO DE IMIGRANTES NAS POPULAÇÕES

EMIRADOS ÁRABES : 88,4% SUÍÇA : 29,4% AUSTRÁLIA : 28,2% IOM/ONU/2015

Fig.2.12: O aumento da população de imigrantes internacionais desde 1990 até 2015.

DADOS GERAIS DA IMIGRAÇÃO MUNDIAL

IOM/ONU/2015

ESTADOS UNIDOS : 47 milhões ALEMANHA : 12 milhões

IOM/ONU/2015

INFOGRÁFICOS

Fig.2.11: 244 milhões de imigrantes em uma população de 7,3 bilhões em 2015. Uma pessoa em cada 30 é um imigrante internacional.

ESTADOS UNIDOS : 14,5% BRASIL : 0,9%

Fig.2.13: Gráficos de proporções de imigrantes nos países.

Imigração e contexto

20


2.3 A IMIGRAÇÃO No BRASIL 1997 o Brasil estabelece legalmente amparo aos imigrantes e mais recentemente em maio de 2017, entrou em vigor a Lei de Migração, uma legislação moderna e ampla, tratando de assuntos que a an ga legislação não tratava, dando maior segurança jurídica aos imigrantes legais e diminuindo brechas de entrada de imigrantes ilegais e criminosos.  Em dados recentes o Brasil possui uma população de 1.847.274 imigrantes (Polícia Federal, 2015), sendo que esta população corresponde somente uma porcentagem de 0,9% da população, sendo isso algo ainda distante de países que tradicionalmente recebem imigrantes, sendo nestes países podendo chegar a porcentagens al ssimas de até dois dígitos.  Mas mesmo não representando uma porcentagem matema camente significa va, há um crescimento de imigrantes econômicos e de processos protocolados para reconhecimento de refúgio no Brasil.  Há alguns fatores importantes que ocasionam o crescimento da imigração no Brasil, como por exemplo a dificuldade de acesso dos imigrantes em países que tradicionalmente recebiam imigrantes, como países europeus, outro ponto é a presença de empresas brasileiras no exterior, o que leva as populações buscarem trabalho no Brasil por se iden ficarem com estas empresas e também o declínio da expansão da população brasileira, que de certa forma absorve os imigrantes no mercado de trabalho.

H

istoricamente a imigração no Brasil possui extrema relevância em seu desenvolvimento social, cultural e econômico. Durante todo o período colonial, até momentos os dias atuais populações de imigrantes construíram o perfil nacional.  Atualmente o perfil dos imigrantes mudou bastante, a nacionalidade de origem mudou, as mo vações, porém ainda são a busca por melhoria de vida, fugas de conflitos, guerras e perseguições polí cas e religiosas.  O Brasil em um cenário nacional tem sido um des no bastante procurado por populações do mundo todo, mas ainda longe de ser um des no tão procurado como países como Estados Unidos, Alemanha, França.  Na América La na, porém o Brasil torna-se o maior des no de países adjacentes, como os países do Mercosul, América Central e Ilhas do Caribe.  No âmbito regulamentar e jurídico, o Brasil é signatário do Estatuto de 1951 e do Protocolo de 1967, começou efe vamente a ter base de apoio somente no ano de 1977, quando a ACNUR estabelece diretrizes mínimas que os países devem estabelecer no acolhimento de imigrantes e refugiados.  Como legislação federal, somente em

INFOGRÁFICOS Fig.2.14: Gráfico de proporção de imigrantes Permanentes, Temporários, Provisórios, Refugiados e Outros no Brasil

Fig.2.15: Crescimento do número de imigrantes entre 2006 até 2014 foi de 160% e o decréscimo de imigrantes em 2015 e 2016

595.800

POLÍCIA FEDERAL/2016

POLÍCIA FEDERAL/2016

16.123

45.404 1.189.947

21

Imigração e contexto


Fig.2.16: Dados de estrangeiros que chegaram no Brasil no ano de 2015.

HAITI BOLÍVIA COLÔMBIA ARGENTINA CHINA PORTUGAL PARAGUAI EUA URUGUAI PERU POLÍCIA FEDERAL/2015

Fig.2.17: Solicitações de Refúgio no Brasil. 2017 registrou grande crescimento devido a crise na Venezuela.

MINISTÉRIO DA JUSTIÇA/2017

Dentro da população de imigrantes no Brasil há uma grande diversidade cultural, social e econômica. Da mesma maneira que muitos que estão neste número estão em busca de refúgio e recomeço social e econômico, há países que tradicionalmente possuem colônias de brasileiros e vice e versa, como o Japão, Portugal e Espanha, entre outros. Neste caso estes imigrantes não estão necessariamente em condições humanitárias ruins, mas sendo atendidos pelas comunidades de suas culturas.  De outro lado há populações que sofrem com condições humanitárias, como populações de países em guerra, desastres ambientais e sociais, estes imigrantes são os que na maior parte estão em busca de reconhecimento de refúgio.  De certo ponto onde o país estabelece respaldo jurídico aos povos que aqui chegam, sejam os fronteiriços sul-americanos, que acessam o país e estão respaldados pelo acordo do Mercosul, que facilita o trânsito, mo ra d ia e t ra b a lh o p a ra p o p u la çõ es pertencentes a países membro do bloco; á populações como os hai anos que chegam ao país em busca de oportunidades e estão debaixo dos Vistos Humanitários brasileiros; ou de outros povos que aqui chegam em fuga de guerras e perseguições, ainda falta a questão de cidadania e o acolhimento social.  É um limite muito pequeno que separa as legislações e os direitos que os imigrantes possuem em território nacional e a verdadeira cidadania que acolhe e gera o sen mento de pertencimento urbano e social. As polí cas públicas hoje são ineficientes aos acolher e integrar os povos que aqui chegam, dando margem a subjugação, a marginalização e a sensação de transitoriedade dos povos que aqui se estabelecem.  Em questão de polí cas públicas de apoio, acolhimento e amparo aos cidadãos imigrantes há uma deficiência ins tucional, sendo poucos estados da federação que possuem polí cas estatais de acolhimento, sendo realizados estes trabalhos na maior parte das vezes pela sociedade civil e por movimentos religiosos.

Imigração e contexto

22


2.4 SANTA CATARINA E GRANDE FLORIANÓPOLIS (Pastoral do Migrante), visto que são imigrantes de origem síria e os mesmos são acolhidos pela comunidade islâmica existente em Florianópolis.  Portanto levantar dados das populações de imigrantes em Florianópolis e região é algo complexo, pois a população imigrante está fragmentada e não necessariamente busca auxílio nos mesmos lugares, tornando di cil encontrar dados exatos. Mas embora os números não reflitam com exa dão a situação, é inegável a grande presença e a contribuição de imigrantes na cidade, por exemplo, nos úl mos foi visível o crescimento de imigrantes hai anos e senegaleses na capital catarinense.

2.4.1 PANORAMA GERAL

O

23

Imigração e contexto

Fig.2.18: Gráfico de proporção de imigrantes Permanentes, Temporários, Provisórios e Outros em Santa Catarina

SINCRE/PF/2018

Temporários 9% 4.400

Outros 1% 661

Permanentes 90% 44.700

Fig.2.19: Populações imigrantes que chegaram em Santa Catarina no ano de 2015.

HAITI ARGENTINA PARAGUAI MTE/2016

Censo 2010, do IBGE demonstra os dados de que no estado de Santa Catarina possui uma população de 11.682 estrangeiros, sendo nos municípios de Florianópolis, São José, Palhoça e Biguaçu, uma população de cerca de 4 mil estrangeiros.  Esses dados não correspondem a exa dão da população de estrangeiros no estado, já que dados da Polícia Federal, atualizados no início de 2018, mostram que no estado de Santa Catarina são 49,8 mil estrangeiros residentes.  De certo modo as análises numéricas não expressam a exa dão do número de imigrantes que são os moradores fixos, imigrantes econômicos, refugiados ou que necessitam de certo apoio estatal para integração na sociedade catarinense.  É possível buscar um panorama mais exato analisando dados do crescimento exponencial dos imigrantes em Santa Catarina, dessa forma por exemplo é possível analisar que há um crescimento ver ginoso de imigrantes em nossa cidade e estado verificando dados de emissão de carteira de trabalho para hai anos, no ano de 2011 foram somente 4 carteiras, já em 2015 esse valor chegou a 2.259, um crescimento na ordem de 560 vezes mais em 4 anos.  Para a análise de dados de imigrantes em Florianópolis e região metropolitana, os d a d o s u l i za d o s s ã o o r i g i n á r i o s n o s levantamentos feitos pelo Grupo de Apoio a Imigrantes e Refugiados em Florianópolis e Região (GAIRF), grupo originado em 2014 por inicia va da Arquidiocese de Florianópolis e que congrega outras quinze ins tuições e a sociedade civil, com o intuito de promover apoio e integração a população imigrante em Florianópolis e região. E mesmos os números levantados pela GAIRF não são o reflexo exato do número de imigrantes em Florianópolis, visto que há imigrantes que não passam por nenhum grupo de auxílio e outros imigrantes que não entram nos resultados já que não buscam atendimento na Arquidiocese

URUGUAI PORTUGAL


2.4.2 O ATENDIMENTO AO IMIGRANTE HOJE

N

a área de atendimento aos imigrantes em Florianópolis, desde o dia 1º de fevereiro de 2018, está funcionando o Centro de Referência de Atendimento ao Imigrante (CRAI), órgão conveniado que funciona com recursos da Secretaria de Estado de Assistência Social, Trabalho e Habitação de Santa Catarina, em convênio com a Ação Social Arquidiocesana (ASA), escolhida através de licitação.  Este Centro é o resultado de anos de pedidos de diversas ins tuições ligadas ao apoio a imigrantes no estado de Santa Catarina e é um marco para o assunto no estado.  Desde a abertura, até a metade do mês de março, o centro já atendeu cerca de 320 imigrantes, oriundos de diversos países, como Hai , Argen na, Uruguai, Cuba, Rússia, Venezuela, Tunísia, Congo e Senegal.  O CRAI está atualmente instalado na Rua Tenente Silveira, em um edi cio comercial, sendo a atual sede maior que a an ga, que contava com uma sala de 20m². Segundo o coordenador da Pastoral da ASA, padre Sérgio Olivo Geremia, no ano de 2017, o número de imigrantes que buscaram auxílio no grupo foi na ordem de 7.870 imigrantes, dando um enorme salto dos dados ob dos de 2015, onde a Pastoral havia realizado 278 atendimentos para imigrantes.  Atualmente o CRAI atende uma média de 30 imigrantes por dia e as principais demandas de auxílio são de ordem documental (vistos, autorizações), pedidos de passaporte e auxílio em montagem de currículos. Além disso há procura de informações para serviços públicos, como atendimentos da Polícia Federal, cursos de língua portuguesa para estrangeiros, reuniões familiares, busca por trabalho, também orientações quanto a saúde pública e o direito de acesso aos estrangeiros, orientação jurídica para diversas áreas (familiar, trabalhistas, etc...) e por qualificação e educação.

 Embora a criação do CRAI seja um enorme avanço na questão de apoio a populações imigrantes da Região Metropolitana da Capital, há entraves de questão pública, como inves mentos ainda insuficientes pela demanda necessária, estrutura sica adequada para atendimentos burocrá cos, atendimentos jurídicos e educacionais para imigrantes. Sobretudo, porém, há uma das questões mais complexas que é a integração do imigrante na sociedade em que ele vive. Segundo os escritores ingleses, Doyal e Gough (1994), em suas teorias das necessidades básicas humanas, o indivíduo não necessita somente de abrigo e alimento como necessidades básicas, mas a necessidade de par cipação social no c o n tex t o e m q u e e stã o i n s e r i d o s . A par cipação social dos imigrantes na sociedade é uma necessidade que transcende as necessidades biológicas e econômicas e sa sfaz a plenitude de necessidades humanas.  Dessa forma, um espaço de arquitetura convida va, integra va é importante para sa sfazer as exigências de um centro de apoio e integração em sua parte “burocrá ca”, mas ta m b é m p a ra o d e s e nvo l v i m e nto d a integração social das diversas culturas em nossa sociedade. NSC TV

Fig.2.20: Atual sede do CRAI em Florianópolis, inaugurado em fevereiro de 2018. NSC TV

Fig.2.21: Entrada do CRAI atualmente, inaugurado em fevereiro de 2018.

Imigração e contexto

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2.5 A ARQUITETURA E A INTEGRAÇÃO SOCIAL

A

o compreender a problemá ca dos imigrantes e ao analisar a perspec va vivida por aqueles que saem de suas pátrias em busca de melhores condições de vida, fogem de conflitos ou em busca de um sonho, é possível notar que há um grande deslocamento no sen do social dessas pessoas. Um deslocamento não somente geográfico, que separa essas populações por centenas ou milhares de quilômetros, mas um distanciamento social, cultural e uma sensação de não pertencimento ao novo local onde se encontram.  Essa sensação de não pertencimento a um local, ou simplesmente estar em um local onde a vida não se insere no co diano desta sociedade não é um problema encontrado somente por imigrantes, mas por todos que se deslocam, conhecem novos lugares, viajam, ou até mesmo dentro de cidades não inclusivas ou convida vas.  De certo modo aos imigrantes as dificuldades de integração social são bastante amplas. Diferenças culturais, diferenças linguís cas, diferenças religiosas e outras diferenças que naturalmente são barreiras para que estas populações sejam aceitas e integradas a sociedade local. PORTAL DO APRENDIZ

Fig.2.22: Manisfestação ar s ca sobre o valor do imigrante e a  legalidade de ser imigrante.

Como já dissertado brevemente no capítulo anterior, uma das necessidades básicas humanas segundo os escritores ingleses Doyal e Gough (1991), em suas teses

25

Imigração e contexto

de sobre o assunto, aponta que uma das necessidades básicas do Homem é a necessidade de par cipação social, ou a de pertencimento a sociedade em que ele está inserido. Desta forma podemos ver que muitas vezes no caso dos imigrantes, as outras necessidades básicas, como alimento e moradia são minimamente a ngidas, mas sem o pertencimento ou sem o papel de um verdadeiro cidadão desta sociedade. Muitas vezes os imigrantes se inserem em uma comunidade no âmbito profissional, para suprir um certo nicho de mercado onde eles se adequam, mas fora disso não há representa vidade social destes grupos.  A atual legislação brasileira sobre imigrantes, em vigor desde maio de 2017, abrange mais tópicos ligados a integração das populações imigrantes e também possui uma visão mais ligada aos Direitos Humanos, mas mesmo que na legislação exista esse parâmetro para ser u lizado, a verdade é que há muitas barreiras para que a integração e a cidadania sejam plenas a estas populações. R. B. DELFIM/MIGRAMUNDO

Fig.2.23: A busca por cidadania e dignidade é a maior luta dos imigrantes no mundo. 

De certa forma, a dificuldade em integrar as populações de imigrantes nas nossas cidades não é resolvida somente por ins tuições estatais, tampouco de alguma maneira com inicia vas privadas pontuais. As cidades brasileiras possuem uma série de dificuldades que se apresentam diariamente as populações imigrantes, como a xenofobia, racismo, falta de integração, dificuldade l i n g u í s ca , b u ro c ra c i a d e s e r v i ço s e preconceito. Todas essas dificuldades vividas podem e devem ser reduzidas a fim de integrar todas as populações que de certa maneira possuem a sociedade em que estão como um novo lar.


Há uma problemá ca da integração e de como entregar uma verdadeira cidadania as populações imigrantes passa pela arquitetura que a cidade entrega aos cidadãos da cidade.  A arquitetura tem por papel ser um agente integrador na cidade. Sua forma e sua maneira de estar inserida na cidade podem de certa forma integrar ou pode ser também uma edificação que não soma com a cidadania e cria uma cidade “apá ca”.

mais importante ao tratar de integração de povos imigrantes. O direito de expressão de sua cultura, a integração a cultura nacional, o resgate á memória cultural, acesso aos bens culturais e a par cipação social devem ser os eixos acolhedores de inserção e integração dos imigrantes na sociedade presentes no projeto de arquitetura proposto. WRI BRASIL

C. THOMOND/THE GUARDIAN

Fig.2.24: A arquitetura pode ser hos l muitas vezes, transformando a cidade em um ambiente apá co e indiferente ao ser humano.

Ao trabalhar no tema de “Integração e Apoio aos Imigrantes”, a possibilidade de responder os anseios e necessidades desta população são duplos, sendo uma respondendo o programa de necessidades necessário para suprir os serviços integradores e de apoio aos imigrantes e a segunda possibilidade é criar um espaço onde o usuário (imigrante ou não) seja integrado, um espaço convida vo e que tenha uma relação com a cidade.  A arquitetura como fator de integração, passa muito além de somente o tema de imigrantes, mas de toda a população enquanto usuário e cidadão da cidade. Uma arquitetura sem respostas para a cidade e para as pessoas não é significa va e não tem papel nulo na vida co diana.  O modo em que a arquitetura pode ter um valor relevante a integração social é ter uma arquitetura aberta, inclusiva e com espaços de estar agradáveis para a população. A maneira de projetar uma edificação não passa simplesmente pelo fato daquela e d i fi c a ç ã o p o s s u i r va l o r s o c i a l , m a s compreender que toda arquitetura tem sim reflexos dis ntos na população.  Uma boa arquitetura integradora é aquela que responde sua função proposta, mas que seja convida va, agradável e acolhedora. Acolhimento aliás, é a palavra

Fig.2.25: Um espaço convida vo confere cidadania e a sensação de  pertencimento aos usuários da cidade.

Desta maneira, podemos ver que a arquitetura é um importante ponto de inserção e integração entre as pessoas. A arquitetura pode ser a resposta para esse problema ao ser socialmente ú l e acolhedora. De acordo com Hertzberger (1999), a “forma convida va” da arquitetura é uma resposta as necessidades das pessoas e que gere empa a, ou seja, uma forma ou arquitetura que gere afinidade entre a pessoa e a forma. Portanto é papel da arquitetura gerar espaços e formas que criem essa empa a e afinidade, uma arquitetura não hos l, mas acolhedora.

Imigração e contexto

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3. DIAGNÓSTICO DA ÁREA

MARENGO/2018


A

ACERVO CASA DA MEMÓRIA

formação histórica do centro de Florianópolis remonta a sua o r i ge m co m o v i l a d e N o s s a Senhora do Desterro, no ano de 1662. Esta origem geograficamente se deu em áreas que atualmente correspondem a Catedral Metropolitana de Florianópolis e a Praça XV. Com esta origem, portanto o traçado e ocupação urbana começaram a seguir, dando origem a leste e a oeste da Praça, suas principais ocupações, sendo a oeste o terreno e a área estudada para implantação do projeto proposto.  Na área hoje correspondente ao terreno estudado, que está entre as Ruas Tenente Silveira, Pedro Ivo e Felipe Schmidt, e adjacente a Praça Pio XII, era an gamente uma região de residências, onde cresceu um pequeno povoado ligado principalmente a Fonte da Carioca, ou do Senado (Largo do Fagundes), onde exis a na época uma fonte de água potável (Figura 3.1).

ACERVO CASA DA MEMÓRIA

3.1 HISTÓRICO

Fig.3.2: Vista aérea da região central de Florianópolis. Em destaque o terreno escolhido para desenvolvimento do projeto.

inaugurada.  No início do século XX, com a construção da Ponte da Independência (Hercílio Luz), o então governador Hercílio Luz determina o alargamento da via, a fim de escoar o trânsito da região e abrir uma via de ligação do centro até a ponte. Com isso, uma grande operação urbana é realizada, demolindo uma série de casarios na rua.  A par r desta época as Ruas Felipe Schmidt e Tenente Silveira começam a ser ruas de importância urbana, realizando o escoamento do trânsito e a expansão do centro.  Na área de intervenção, sem dados corretos, no Largo do Fagundes é inaugurado o terminal urbano de ônibus de Florianópolis, transformando totalmente a área estudada e criando um eixo de movimentação no centro da cidade (Figura 3.3).

Fig.3.1: Largo do Fagundes, atual praça Pio XII.

No século XVIII, a Rua Felipe Schmidt já possuía um pequeno traçado que ligava a Praça XV, até a Fonte dos Ramos (Fonte da Carioca), atual Largo do Fagundes, nesta época a rua se chamava de Rua da Fonte dos Ramos, o que posteriormente mudou para Rua dos Moinhos de Vento, devido aos moinhos de beneficiamento de arroz na sua parte alta. As alterações de nomes se deram até o início dos anos de 1920, onde ela ficou com o nome que possui até hoje: Felipe Schmidt.  No ano de 1875 a Assembleia Provincial começou a realizar estudos para canalização da Fonte dos Ramos, a fim de escoar essa água e criar galerias pluviais para escoar águas da chuva. Em 1887 essa obra é

ACERVO CASA DA MEMÓRIA



Fig.3.3: Terminal Urbano na atual Praça Pio XII.



No fim da década de 70, na gestão do prefeito Espiridião Amin, uma parte da Felipe Schmidt é fechada para o trânsito de automóveis e torna-se um grande calçadão, que tornou um grande local de comércio e lojas. DIAGNÓSTICO DA ÁREA

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3.2 MOBILIDADE URBANA: vias e conexões sendo importante polo de trabalho para Florianópolis.  As diversas vias que estão próximas ao terreno são vias de grande importância para o sistema viário, sendo a Rua Felipe Schmidt uma importante via de ligação do Centro, para a cabeceira das pontes e também sen do Norte, via Avenida Beira Mar. Já as Ruas Tenente Silveira e Pedro Ivo possuem bastante destaque na conexão principalmente de saída da ilha, já que em horários de pico elas escoam o trânsito para a saída da Ilha.  No sen do de pedestres, há uma série de vias exclusivas de pedestres, que são os conhecidos “Calçadões” que ligam a Praça XV até o Largo do Fagundes (Rua Felipe Schmidt) e outras ruas da cidade. De certo modo o transporte público não atende as ruas adjacentes ao terreno, mas os terminais estão próximos a este ponto (Figura 3.5).  

VEMFLORIPAR.COM.BR

O

terreno proposto possui uma série de conexões importantes por estar em área central do município. Por este mo vo, há uma facilidade de acesso, com diversas vias de importância da cidade, proximidade de terminais de ônibus, sendo um o TICEN (Terminal de Integração do Centro), terminal central que liga a cidade Florianópolis e também o Terminal Cidade de Florianópolis, que possui as linhas execu vas municipais assim como também as linhas da Grande Florianópolis, interligando assim toda a região, e também é próximo á Rodoviária, que liga outras cidades do estado e também outras regiões do país.  A centralidade do terreno também é um fato importante por estar próximo a ins tuições governamentais, ins tuições religiosas e civis, assim como diversos serviços como bancos, bibliotecas, escolas, faculdades e outros estabelecimentos prestadores de serviços. Esta facilidade significa também que a área proposta está próxima a diversas oportunidades de trabalho e qualificação, tornando a área escolhida a ser qualificada para receber o projeto proposto neste trabalho.  Também é possível verificar que diversas ruas da região central de Florianópolis são de acesso exclusivos de pedestres, conhecidos como “calçadões”, onde há uma grande diversidade de serviços e comércios,

Fig.3.4: Vista do TICEN, principal terminal urbano da Grande Florianópolis.

3.3 USOS

A

o analisar os usos das edificações em um raio aproximado de 300 metros ao redor do terreno proposto é possível iden ficar que a grande maioria dos usos é comercial, seguindo de edificações ins tucionais (bancos, órgãos públicos, ins tuições religiosas, etc...), restando poucas edificações com uso residencial ou de usos mistos.  A exceção é a parte ao norte do terreno onde há uma série de edi cios residenciais.

29

DIAGNÓSTICO DA ÁREA

 Essa falta de edificações mistas torna essa área do centro um lugar com intensa movimentação durante o dia, mas torna-se uma grande área sem movimentação a noite, tornando a bastante insegura e perigosa.  Mas de outra maneira, analisando a centralidade existente e a diversidade de comércios e ins tuições, é coerente projetar o Centro de Apoio e Integração ao Imigrante nesta região, já que isto facilita a integração em meio a diversos serviços, ins tuições e proximidade a terminais urbanos (Figura 3.6).


Fig.3.5: Mapa de vias e conexões entre transporte público e o projeto proposto. Raio de 700 metros.

MOBILIDADE URBANA

ARTERIAIS COLETORAS PEATONAIS TERRENO

RODOVIÁRIA RITA MARIA - 400M TICEN - 330m TERMINAL ANTIGO - 600m

0m

100m

200m

300m

Fig.3.6: Mapa de usos, ocupações e de ins tuições adjacentes ao projeto. Raio de 300 metros

RESIDENCIAL COMERCIAL MISTO INSTITUCIONAL VAZIOS URBANOS PRAÇAS TERRENO

02 01

04

USOS

15

03

14

10 12 07

0m

50m

100m

INSTITUIÇÕES

05

09 06

08

13 11

01

ESCOLA IMACULADA CONCEIÇÃO

02

Ministério público sc

COLÉGIO TENDÊNCIA

09 10

03

E.E.B. HENRIQUE STODIECK

11

BIBLIOTECA PÚBLICA

04

IGREJA ORTODOXA GREGA SÃO NICOLAU

12

BANCO BRADESCO

05

PRIMEIRA IGREJA BATISTA

13

BANCO ITAÚ

06 07

igreja Nsa. senhora do bom parto

14 15

BANCO SANTANDER

08

TRIBUNAL DE CONTAS da união

FIESC

CORREGEDORIA ssp/sc

LIRA TÊNIS CLUBE

150m

DIAGNÓSTICO DA ÁREA

30


Fig.3.7: Mapa de conflito na área estudada. Raio de 150 metros.

3.4 CONFLITOS 5

O

4

2 1 3 0m

50m

100m

150m

MARENGO/2018

1

Fig.3.8:1-Conflito entre pedestres e motociclistas na Rua Felipe Schmidt.

MARENGO/2018

2

Fig.3.9:2-Área de conflito entre as Ruas Felipe Schmidt e Sete de Setembro

MARENGO/2018

3

Fig.3.10:3- Conflito de pedestres na Rua Conselheiro Mafra e Rua Sete de Setembro

MARENGO/2018

4

Fig.3.11: 4-Conflito entre as Ruas Felipe Schmidt e Pedro Ivo.

5 MARENGO/2018

s conflitos urbanos existentes no entorno do terreno proposto em um raio de aproximadamente de 150 metros são basicamente conflitos de pedestres e automóveis, sendo também verificado conflitos entre automóveis em cruzamentos em horários de pico (Figura 3.7). De certa forma a malha urbana no local é resquício de intervenções urbanas passadas, gerando atuais conflitos.  Na Rua Felipe Schmidt há 3 pontos de conflitos, sendo o primeiro entre pedestres e motociclistas (Figura 3.8), sendo que este conflito é gerado pelo fechamento da rua para carros, mas ao mesmo tempo tornou-se uma via compar lhada com motociclistas. Outro conflito na Felipe Schmidt é a esquina com a Rua Sete de Setembro (Figura 3.9), onde há problemas entre a os veículos que entram e saem do estacionamento subterrâneo da Praça Pio XII, os motociclistas e pedestres que atravessam a Rua Sete de Setembro. Já o úl mo conflito da Rua Felipe Schmidt é no cruzamento da Rua Pedro Ivo (Figura 3.11). Neste ponto há conflitos em horário de pico, já que o tráfego que flui pelas ruas Pedro Ivo e Tenente Silveira, flui em sua maioria para as cabeceiras das pontes e o trânsito da Rua Felipe Schmidt flui para a Av. Beira Mar, nos horários de pico portanto há grande conflito, já que as ruas não dão vazão ao tráfego, criando conflito na esquina, onde há o semáforo. Há também um grande conflito da Rua Conselheiro Mafra (Calçadão) e a Rua Sete de Setembro (Figura 3.10). Há no local grande fluxo de pedestres e a sinalização é ineficiente, causando grandes conflitos entre pedestres e automóveis, ocasionando conges onamentos nas ruas Sete de Setembro e Francisco Tolen no.  Outro conflito levantado na área é o conflito entre as ruas Pedro Ivo e Tenente Silveira (Figura 3.12), onde nos horários de pico, com o travamento da Rua Pedro Ivo, há também dificuldade de transitar pela Tenente Silveira, sen do Centro - Av. Rio Branco.

Fig.3.12: 5-Conflito entre as Ruas Tenente Silveira e Pedro Ivo.

31

DIAGNÓSTICO DA ÁREA


3.5 GABARITOS GOOGLE EARTH



Fig.3.14: Vista do Sul do terreno. É possível ver edificações mais baixas que são do Centro Histórico.

GOOGLE EARTH

A

o analisar os gabaritos da região central (Figura 3.13), mais proximamente do terreno proposto ao projeto, é possível verificar uma diferença na sua parte sul (Figura 3.14), onde há a parte histórica da região, compreendendo as quadras entre as ruas Felipe Schmidt e Conselheiro Mafra. Nesta porção é possível verificar edificações de alturas menores, já nas porções a norte do terreno é possível notar uma maior ver calização de edi cios chegando a até 14 pavimentos (Figura 3.15).  Em aspectos gerais é possível notar que as alturas de edificações adjacentes ao terreno são variadas, possuindo uma área mais recente com edificações altas e a parte histórica mantendo o gabarito baixo. Nas edificações de baixo gabarito é possível notar que a grande parte é de edificações com caráter histórico e um grande potencial turís co e cultural não aproveitado, sendo na maior parte das vezes sendo u lizado como comércio e com baixa manutenção de suas edificações. 

Fig.3.15: Vista do Sudeste do terreno. Novas edificações já possuem altos gabaritos, chegando até 14 pavimentos.

GOOGLE EARTH

Fig.3.13: Mapa de gabaritos. Raio de 150 metros no entorno do terreno.

GOOGLE EARTH

Fig.3.16: Massa de vegetação e prédios com gabaritos maiores.

Fig.3.17: Vista do Norte do terreno. Parte norte possui grande número de edi cios residenciais.

1-2 PAVIMENTOS 3-4 PAVIMENTOS 5-6 PAVIMENTOS 7-8 PAVIMENTOS 0m

50m

100m

150m

9 ou + pavimentos

DIAGNÓSTICO DA ÁREA

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3.6 O TERRENO 3.6.1 CARACTERÍSTICAS GERAIS

O

terreno escolhido para o projeto do Centro de Apoio e Integração ao Imigrante é um terreno central e que está em uma esquina entre as ruas Tenente Silveira, Pedro Ivo e Felipe Schmidt, tendo sua outra face voltada ao Largo do Fagundes, onde fica a Praça Pio XII.  Este terreno possui compreende atualmente uma série de comércios como uma loja de chocolates, barbearia, loja de calçados, uma edificação estatal sem uso e possui sua maior área de uso com dois estacionamentos. Há também no terreno 5 árvores de grande porte.  Sua área total é de aproximadamente

de 4.297 m² e sua ocupação permi da no Plano Diretor vigente é de uma AMC, ou seja, Área Mista Central.  Na imagem 3.18 é possível verificar que o terreno não é um polígono regular, possuindo diferentes dimensões em suas faces. Além disso é possível verificar uma mancha aproximada de copa das árvores de grande porte existentes no terreno.  Já na imagem 3.19 é possível verificar a topografia acidentada do terreno, com seus diferentes níveis. Para melhor entendimento dos níveis do terreno, ambas as imagens 3.18 e 3.19 possuem indica vo de cortes.

Fig.3.18: Planta do terreno escolhido. Dimensões das faces, massa de vegetação existente e marcação dos cortes.

Fig.3.19: Planta do terreno escolhido com as linhas topográficas e seus respec vos níveis.

E 52,14

E

C

D

C

D

13

11

12

R. TENENTE SILVEIRA

10 9 8 7

13

B

B

B

12 LARGO DO FAGUNDES

82,34

83,78

R. PEDRO IVRO

A

6

B

11

A

A

A 6

R. FELIPE SCHMIDT

E 0m

33

10m

20m

D

50,18

30m

DIAGNÓSTICO DA ÁREA

C

10

E 0m

10m

7

8

9

20m

D 30m

C


CORTES DO TERRENO

10 6

1 CORTE A-A 0m

10m

20m

30m

12

6

2 CORTE B-B

0m

10m

20m

30m

11 7

3 CORTE c-c

0m

10m

20m

30m

12 8

4 CORTE d-d

0m

10m

20m

30m

13 9

5 CORTE e-e

0m

10m

DIAGNÓSTICO DA ÁREA

20m

30m

34


3.6.2 USOS DO TERRENO

A

tualmente o terreno escolhido para desenvolvimento do projeto possui uma série de

usos variados. Na maior parte da área do terreno ele é um grande vazio urbano, sendo u lizado como estacionamentos par culares, não cumprindo de certa forma a potencialidade de seu papel como terreno urbanizado em área central da cidade. Os comércios que se encontram no terreno escolhido são: barbearia localizada na Rua Pedro Ivo, uma loja de chocolates nas

esquinas da Rua Pedro Ivo com Felipe Schmidt, uma loja de sucos na Rua Felipe Schmidt e uma loja de calçados na esquina da Rua Felipe Schmidt com a Praça Pio XII. No mesmo terreno em questão está uma edificação em estado de abandono que a n ga m e n te f u n c i o n ava u m p o st o d e atendimento da CELESC (Centrais Elétricas de Santa Catarina). Na lateral do terreno há também conexões como escadarias degradadas, com paredões laterais, o que gera insegurança e pontos de venda e consumo de drogas.

Fig.3.20: Mapa das edificações existentes no terreno e seus usos.

RESTAURANTE PRÉDIO SEM USO LOJA CALÇADOS LOJA SUCOS MARENGO/2018

LOJA CHOCOLATES BARBEARIA ESTACIONAMENTO Fig.3.21: Escadaria na lateral do terreno. 50m

75m

Fig.3.23: Loja de calçados.

Fig.3.24: Restaurante.

35

DIAGNÓSTICO DA ÁREA

MARENGO/2018

MARENGO/2018

Fig.3.22: Barbearia, loja de chocolates e loja de sucos.

MARENGO/2018

25m

MARENGO/2018

0m

Fig.3.25: An go prédio da CELESC, atualmente abandonado.


3.6.3 ANÁLISE AMBIENTAL

O

terreno analisado, escolhido para desenvolvimento do projeto, localizado na área central de Florianópolis, sofre influências dos ventos principalmente dos quadrantes NorteNordeste e dos quadrantes Sul-Sudoeste, sendo que os ventos oriundos dos quadrantes Norte-Nordeste são basicamente barrados pelo grande número de edificações de alto gabarito existentes a norte do terreno. Já os ventos dos quadrantes Sul-Sudoeste são de certa forma mais acessíveis ao terreno, visto que as edificações a sul do terreno possuem menor gabarito e pela proximidade com o mar (Figura 3.26).  Quando as análises de insolação, é visível que durante os horários da manhã, tanto em sols cios de inverno (Figura 3.27) e verão (Figura 3.28) há pouco sombreamento, já nos períodos da tarde o sombreamento aumenta, visto que as edificações a leste do terreno criam essas sombras. De certa maneira no sols cio de inverno, o sombreamento ás 15 horas é menor que no sols cio de verão, o que auxilia no conforto térmico no terreno e nas edificações propostas.

 Outro fator relevante, além dos sombreamentos gerados pelas edificações vizinhas, são as árvores de grande porte existentes no terreno, que geram grande sombreamento e que devem ser trabalhadas para não gerar áreas frias e sem uso no terreno.

Fig.3.26: Mapa de ventos predominantes, massa vegetal do terreno e caminho solar.

ORDESTE

VENTO N

VENTO 0m

25m

50m

SUL 75m

Fig.3.27: Perspec vas com sombreamento no Sols cio de Inverno em 3 horários.

SOLSTÍCIO DE INVERNO - 21/JUNHO

09 HORAS

12 HORAS

15 HORAS

Fig.3.28: Perspec vas com sombreamento no Sols cio de Verão em 3 horários.

SOLSTÍCIO DE VERÃO - 21/DEZEMBRO

09 HORAS

12 HORAS

15 HORAS DIAGNÓSTICO DA ÁREA

36


Fig.3.32: Planta demonstrando os afastamentos usados no terreno conforme Plano Diretor de Florianópolis de 2014.

3.6.4 ASPECTOS LEGAIS

11

4

12,50

PMF/2014

12

C

onforme o Plano Diretor de Florianópolis, vigente desde 2014, a área de estudo é classificada como Área Mista Central (AMC) 12.5 (Figura 3.33).  Esta classificação em AMC, demonstra o grande potencial em usos mistos existente nesta região. Residências, comércios, serviços e ins tuições são aptas pelo Plano Diretor para serem edificadas no local.  Os afastamentos das ruas adjacentes ao terreno são de 12,50 metros desde o centro da via da Rua Felipe Schmidt, 11 metros da Rua Pedro Ivo e de 12 metros na Rua Tenente Silveira (Figura 3.32), sendo mostrados os cortes das vias nas figuras 3.29, 3.30 e 3.31 respec vamente.

0m

10m

20m

30m

PMF/2014

Fig.3.29: Corte de Via: Rua Felipe Schmidt

PMF/2014

PMF/2014

Fig.3.30: Corte de Via: Rua Pedro Ivo

Fig.3.31: Corte de Via: Rua Tenente Silveira

DADOS GERAIS: Área total: 4.297m² T.O. (Taxa de Ocupação): 50% Nº Máximo de Pavimentos: 12* Área Mínima do Lote: 750m² Testada Mínima do Lote: 22 m I.A. = 4,8**

37

DIAGNÓSTICO DA ÁREA

Fig.3.33: Mapa do Plano Diretor de Florianópolis 2014 englobando área de atuação do projeto.

CÁLCULOS URBANÍSTICOS DO TERRENO: T.O.= 50% x 4.297 = 2.148m² I.A.= 4,8 x 4.297 = 20.625,6 m² *Número máximo de pavimentos já com acréscimo de TDC. ** Índice de Aproveitamento sem considerar acréscimo de subsolo, onde o valor é ‘1', ou seja, acréscimo de 4.297m² de subsolo.


4. PROJETOS REFERÊNCIAIS


PEDRO VANUCCHI/ARCHDAILY

4.1 CIC DO IMIGRANTE SÃO PAULO-BRASIL

Fig.4.1: Praça central do CIC, juntamente com os Blocos B e C ao fundo.

DADOS:

programa de necessidades, já que esta ins tuição é um dos modelos no assunto no país. Os usos, programa de necessidades e os serviços prestados no CIC do Imigrante são referência ao projeto desenvolvido neste trabalho, sendo os espaços resultado de intervenções em edificações an gas e com usos não equivalentes aos atuais.  Após visita de estudo ao local e em entrevista com a Diretora do CIC, foi possível constatar que atualmente, por questões diversas, 2 blocos projetados para o CIC do Imigrante não possuem uso compa vel com seu projeto, sendo um deles totalmente fechado.

PEDRO VANUCCHI/ARCHDAILY

Arquitetos: Escola da Cidade, B Arquitetos Localização: Barra Funda, São Paulo, SP, Brasil Área: 1.580 m² Ano do Projeto: 2014

O

projeto do CIC do Imigrante (Centro de Integração da Cidadania do imigrante) em São Paulo é um projeto piloto na maior cidade do país, no esforço de atender os milhares de imigrantes que lá chegam e vivem. Principal des no dos imigrantes e refugiados que chegam no Brasil, a cidade de São Paulo desenvolveu um serviço público para MASSIMO TESTINI/POLARIS/2014 atendimento aos imigrantes. O programa dos CIC's é um programa do Governo do Estado de São Paulo para atendimento ao cidadão, em busca de qualificação, oportunidades de emprego, cursos diversos e a possibilidade de buscar uma melhor integração na sociedade. Com o crescimento do número de imigrantes e a perspec va de aumento nos próximos anos, o Governo do Estado de São Paulo, na pasta da Secretaria do Estado de Jus ça e da Defesa da Cidadania, juntamente com o Ministério Público, decidiram criar um CIC específico para atendimento aos imigrantes. Dessa maneira foi necessário adequar an gas edificações que eram depósitos ferroviários em novos usos. Com isso u lizo este projeto como referencial não puramente arquitetônico, mas como um referencial de

39

PROJETOS REFERÊNCIAIS

Fig.4.2: Bloco B do CIC. Projeto indicava a vidades voltadas a informá ca, mas uso atual é de oficinas profissionalizantes.

PONTOS REFERENCIAIS • Os serviços hoje prestados pelo CIC do

Imigrante são de acordo com o levantamento feito em visita ao referencial: Defensoria Pública da União (regularização de documentos), Defensoria Pública do Estado (auxilia os imigrantes em questões familiares, separações, guarda de filhos, alimentação), atendimento do Procon (orientações e auxílio sobre as relações de consumo), Posto de Atendimento ao Trabalhador (cadastro de emprego, habilitação do seguro desemprego e carteiras de trabalho), elaboração de currículos, orientações de saúde, orientação educacional, cursos profissionalizantes (estamparia, informá ca e auxiliar de panificação).


• Todos estes atendimentos foram

Fig.4.3: Posto da Polícia Federal para atendimento documental.

PEDRO VANUCCHI/ARCHDAILY

PEDRO VANUCCHI/ARCHDAILY

planejados para o CIC, assim como um posto da Polícia Federal, onde haveria atendimento aos imigrantes na questão de documentação no Brasil e atendimentos ao público em geral (Figuras 4.3 e 4.4).

Fig.4.6: Área des nada as a vidades ligadas a informá ca

• Praça central no CIC, onde há

PEDRO VANUCCHI/ARCHDAILY

PEDRO VANUCCHI/ARCHDAILY

fes vidades, a vidades culturais de integração social, feirões da saúde e emprego, assim como palestras gratuitas sobre diversos temas que auxiliam e integram o imigrante na sociedade onde ele está (Figura 4.7).

MASSIMO TESTINI/POLARIS/2014

Fig.4.4: Posto da Polícia Federal para atendimento documental.

• Áreas planejadas para cursos de

Fig.4.5: Área des nada as a vidades ligadas a informá ca

PEDRO VANUCCHI/ARCHDAILY

Fig.4.7: Praça central do CIC, onde ocorrem eventos de integração.

PEDRO VANUCCHI/ARCHDAILY

informá ca, a fim de profissionalizar os imigrantes e inseri-los melhor no mercado de trabalho (Figuras 4.5 e 4.6).

Fig.4.8: Acesso controlado ao CIC. Durante a noite e horários sem funcionamento a praça é fechada.

PROJETOS REFERÊNCIAIS

40


J.F. VARGAS/ARCHDAILY

4.2 CENTRO CULTURAL EL TRANQUE SANTIAGO-CHILE

ao

J.F. VARGAS/ARCHDAILY

Fig.4.10: Pá o interno do centro cultural.

DADOS:

O

Centro Cultural El Tranque é uma proposta para a comunidade de Lo Barnechea, uma comunidade em San go que não nha muitas a vidades culturais, tampouco lugares de cidadania e integração  Esta edificação possui pontos que são referencias ao projeto realizadoMASSIMO nesteTESTINI/POLARIS/2014 trabalho, sendo sua arquitetura e soluções de programa os pontos principais.

Fig.4.11: Pá o interno do centro cultural e o térreo permeável.

de integração compa vel com o projeto proposto neste trabalho (Figura 4.12). Diversas pessoas, que não sejam imigrantes podem também acessar áreas comuns da edificação enquanto o programa do edi cio ocorre em outros pavimentos.

J.F. VARGAS/ARCHDAILY

Arquitetos: BiS Arquitectos Localização: San ago, Chile Área: 1.400 m² Ano do Projeto: 2015

PONTOS REFERENCIAIS Fig.4.12: Pá o interno do centro cultural e o térreo permeável.

J.F. VARGAS/ARCHDAILY

O térreo livre, convida vo aos pedestres que estejam passando, com uma ampla praça no átrio central da edificação, onde estão expostas obras de arte para contemplação do público. Os acessos convida vos, mas sem deixar de serem controlados. Um grande ponto já que durante alguns períodos o centro cultural está fechado e precisa restringir acesso a sua praça central (Figuras 4.11 e 4.13). O térreo livre e os programas acontecendo em outros pavimentos é um fator

Fig.4.13: Acessos permeáveis, mas com fechamento noturno.

41

PROJETOS REFERÊNCIAIS

J.F. VARGAS/ARCHDAILY

Fig.4.9: Vista principal do Centro Cultural El Tranque.


J.F. VARGAS/ARCHDAILY

A circulação ver cal é mostrada neste projeto com escadas externas (Figura 4.14), já a questão de acessibilidade é também resolvida com uso de elevador.

Fig.4.16: Vista Aérea mostrando o Centro Cultural e também a Praça Elevada.

J.F. VARGAS/ARCHDAILY

O terreno embora não parecido em topografia com o terreno escolhido possui também desníveis que podem ser u lizados como pontos referenciais importantes para resolução dos desníveis topográficos (Figuras 4.17 e 4.18).

JBiS ARQUITECTOS/ARCHDAILY

Fig.4.14: Escada ligando a praça aos espaços do pavimento superior do Centro Cultural.

Outro ponto importante de referencial é a praça elevada existente na úl ma laje do projeto (Figuras 4.15 e 4.16). MASSIMO TESTINI/POLARIS/2014

Fig.4.15: Planta de Cobertura mostrando a praça elevada no úl mo pavimento.

Fig.4.18: Cortes da edificação mostrando os níveis do terreno.

PROJETOS REFERÊNCIAIS

JBiS ARQUITECTOS/ARCHDAILY

JBiS ARQUITECTOS/ARCHDAILY

Fig.4.17: Cortes da edificação mostrando os níveis do terreno.

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F. D. CONTARDO/ARCHDAILY

F. D. CONTARDO/ARCHDAILY

4.3 CENTRO CULTURAL ARAUCO ARAUCO-CHILE

Fig.4.19: Vista noturna do Centro Cultural Arauco

DADOS: F. D. CONTARDO/ARCHDAILY

Arquitetos: Elton Léniz Localização: Arauco, Chile Área: 1.400 m² Ano do Projeto: 2016 Fig.4.21: Átrio do centro cultural engloba diversas a vidades culturais e ar s cas.

Biblioteca no segundo pavimento da edificação com visuais tanto para o átrio interior, quanto para as ruas que estão ao lado da edificação (Figuras 4.22 e 4.23).

F. D. CONTARDO/ARCHDAILY

O Centro Cultural Arauco é um projeto desenvolvido após o terremoto de 2010 que a ngiu o Chile. A biblioteca da comunidade, principal ponto de integração havia sido destruída e este projeto é uma resposta a esta necessidade, aliada com integração cultural e manifestações ar s cas e culturais.  Como programa de necessidades, o ponto principal de referência para o projeto é o átrio como ponto de encontro MASSIMO e integração da TESTINI/POLARIS/2014 comunidade no entorno.

PONTOS REFERENCIAIS

Fig.4.20: Átrio do centro cultural engloba diversas a vidades culturais e ar s cas.

43

PROJETOS REFERÊNCIAIS

F. D. CONTARDO/ARCHDAILY

Fig.4.22: Biblioteca no andar superior e sistemas de proteção solar.

F. D. CONTARDO/ARCHDAILY

O uso do átrio do projeto como um vazio, sendo preenchido com o uso cultural de integração da comunidade. A vidades literárias, apresentações teatrais, palestras u lizam deste espaço para realizar a integração (Figuras 4.20 e 4.21).

Fig.4.23: Térreo permeável e com átrio como centro de a vidades culturais e as demais funções nos pisos superiores.


F. D. CONTARDO/ARCHDAILY

O térreo livre é convida vo e não cria barreiras para o pedestre, desta forma, ao estar em uma esquina, a edificação cria uma rota, onde o pedestre passa na edificação para acessar a outra rua (Figuras 4.24 e 4.25).

F. D. CONTARDO/ARCHDAILY

Fig.4.24: Edificação de esquina e seu papel de integração dos pedestres.

ELTON LÉNIZ/ARCHDAILY

Fig.4.27: ‘Chanfros na geometria da edificação torna ela mais ‘amigável’ ao usuário.

Os chanfros existentes nas faces dos pavimentos superiores da edificação quebram linhas agressivas tornando-a menos rígida e criam uma empa a maior de relação usuário x edificação (Figura 4.27).

MASSIMO TESTINI/POLARIS/2014

Fig.4.25: Mapa de fluxos de pedestres ao trafegarem pela edificação.

F. D. CONTARDO/ARCHDAILY

O pé direito alto do térreo cria essa sensação de abrigo para os pedestres, não delimitando espaços dos passeios públicos e a edificação privada (Figura 4.26).

Fig.4.26: Pé direito alto e a sensação de abrigo aos pedestres.

PROJETOS REFERÊNCIAIS

44


DADOS: Arquitetos: Isaac Broid Localização: Cuernavaca, Morelos, México Área: 7.000 m² Ano do Projeto: 2017 Este centro cultural foi projetado com a ideia de ligar o sí o arqueológico de Teopanzolco no México e o centro da cidade, criando dois programas dis ntos em um.  De um lado o projeto conecta o sí o, dando valor ao patrimônio e de outro o centro cultural cria espaços públicos culturais para a cidade, ligando o an go e o contemporâneo.  Em sua essência, o Centro Cultural Teopanzolco forma um grande teatro urbano, mas sem perder também a parte histórica da MASSIMO TESTINI/POLARIS/2014 cidade.

PONTOS REFERENCIAIS

JAIME NAVARRO/ARCHDAILY

A existência de vegetação já existente no terreno do centro cultural não foi impedi va para que o programa da edificação fosse realizado. O arquiteto neste projeto resolve esta questão elevando uma praça na altura da copa das árvores existentes (Figuras 4.31 e 4.32).

JAIME NAVARRO/ARCHDAILY

Fig.4.28: Centro Cultural e sua relação Cidade X Patrimônio

Fig.4.30: Acessos em níveis e as praças elevadas a nível das copas das árvores.

Fig.4.31: Praças elevadas no nível das copas das árvores.

JAIME NAVARRO/ARCHDAILY

JAIME NAVARRO/ARCHDAILY

4.4 CENTRO CULTURAL TEOPANZOLCO MORELOS-MÉXICO

Fig.4.32: Vegetação existente no terreno foi man da.

Fig.4.29: Níveis no terreno e os acessos.

45

PROJETOS REFERÊNCIAIS

JAIME NAVARRO/ARCHDAILY

JAIME NAVARRO/ARCHDAILY

Acessos em diferentes níveis são pontos que se destacam no projeto deste centro cultural, sendo um ponto referencial de importância com a similaridade do projeto desenvolvido neste trabalho (Figuras 4.29 e 4.30).

Os acessos u lizados no centro cultural são convida vos, gerando permeabilidade do exterior para a parte interna da edificação, não causando bloqueio entre os pedestres e os usuários. Desta maneira a edificação possui caráter público enquanto está aberto e mantém sua segurança e integridade em horários que está fechado (Figura 4.33).

Fig.4.33: Acessos ao interior do centro cultural. Permeabilidade e controle da edificação.


5. PARTIDO ARQUITETÔNICO


5.1 PARTIDO GERAL

A

pós estudos prévios abordados neste trabalho, como estudos teóricos do tema, estudo da área de implantação do projeto e de busca de referenciais foi possível obter informações suficientes para o desenvolvimento do projeto arquitetônico, começando pelo lançamento de um par do arquitetônico.  Com análise do terreno e entorno, juntamente com as pesquisas de tema é possível verificar condicionantes importantes usadas na produção do par do.  As principais condicionantes existentes no terreno escolhido para desenvolvimento do projeto são da topografia irregular, o grande fluxo de pedestres no entorno e o uso da Praça Pio XII como passagem entre as ruas Tenente Silveira e Felipe Schmidt, além da presença de vegetação de grande porte em uma porção do terreno, o que impossibilita a construção nesta área, mas que auxiliou na evolução da proposta do par do.  De outro lado há um condicionante do programa de necessidades, que ao tratar do tema de um centro de apoio e integração ao imigrante, considera uma variedade grande de serviços no mesmo projeto, como serviços de amplo atendimento (população em geral, não somente imigrantes), serviços burocrá cos, educacionais e oficinas profissionalizantes.  Dessa maneira ao analisar as condicionantes e na elaboração de um plano para o centro com o resultado em um programa de necessidades, foi possível desenvolver um par do que corresponda ao entorno como as conexões livres entre as ruas adjacentes ao terreno, assim como conexão entre a Praça Pio XII e os espaços de praça propostos no par do, onde há a massa de vegetação. Outra condicionante importante na elaboração do par do é a subdivisão dos usos propostos em ATENDIMENTO GLOBAL , ATENDIMENTO EXCLUSIVO e EDUCACIONAL. A divisão dos usos é de grande importância para resolução do projeto e para a distribuição dos usos na edificação.

5.1.1 DIRETRIZES GERAIS: térreo livre: As conexões entre as ruas e a praça adjacentes ao terreno, foram importantes na escolha de projeto de manter o térreo livre, com passagem de pedestres entre as ruas e a integração da Praça Pio XII com a praça proposta no terreno. PRAÇA NO CENTRO DO TERRENO: A vegetação de grande porte existente no terreno, cria um ponto central no projeto, neste caso uma praça com níveis, criando assim uma ar culação entre a edificação com o entorno e um ponto de encontro dos usuários da edificação e demais pedestres. A praça também possui papel importante no desenvolvimento da integração, com a vidades culturais e outros eventos. DIVISÃO DE USOS EM SETORES: A volumetria proposta é desenvolvida de forma que os usos sejam divididos por setores (Atendimento Público, Exclusivo e Educacional), sendo os serviços públicos mais próximos a Rua Felipe Schmidt, pela proximidade ao grande fluxo de pedestres; o setor de atendimento exclusivo localizado próximo ao setor público e o setor educacional localizado na parte voltada a Praça Pio XII e próxima a Rua Tenente Silveira por ser uma área com menor fluxo de automóveis e mais adequada para o uso proposto.

Fig.5.1: Croqui esquemá co inicial mostrando os fluxos existentes e propostos, assim como um primeiro zoneamento nos volumes.

47

PARTIDO ARQUITETÔNICO


5.1.2 MACRO-SETORIZAÇÃO: Para a formulação da proposta volumétrica, a solução u lizada foi circundar a massa de vegetação existente e que serve como ponto ar culador da edificação, a Praça Pio XII e as ruas que estão no entorno do terreno. Da mesma maneira, ao circundar a vegetação, o volume resultante é um ‘C’ inver do, onde cada po de uso foi dividido por uma macro-setorização de 3 grupos no Centro de Apoio e Integração ao Imigrante (Figura 5.2): ATENDIMENTO PÚBLICO: Um dos grupos da macro-setorização do Centro, é o de atendimentos que englobam o público imigrante, mas também são u lizados pelo público em geral (imigrante ou não). São serviços burocrá cos, como um Posto da Polícia Federal, onde os imigrantes podem receber atendimento para questões de documentos, vistos e passaportes. Da mesma maneira o público em geral pode ser atendido neste posto, sendo mais uma opção de atendimento. Outro serviço existente é de uma biblioteca, atendendo ao imigrante, mas toda a população que queira u lizar deste serviço. Para este setor, a escolha foi colocar em uma parte da edificação mais voltada ao ponto com maior concentração de pedestres e maior movimentação, ou seja, em uma parte mais próxima á Rua Felipe Schmidt. ATENDIMENTO EXCLUSIVO: O atendimento exclusivo, é aquele onde somente os imigrantes que necessitam são atendidos e neste setor estão locados os serviços de Assistência Social, Defensoria Pública (questões de família, emprega cio,etc...), Posto de Triagem de Saúde (onde o imigrante que busca o atendimento é encaminhado ao Sistema Único de Saúde) e Posto de Atendimento ao Trabalhador Imigrante, onde é feito encaminhamento e auxílio para entrevistas e empregos. ÁREA EDUCACIONAL: O setor educacional engloba as salas de aula para qualificação dos imigrantes, onde eles podem cursar português, cursos de informá ca, cursos diversos para qualificação. Também estão as oficinas profissionalizantes, onde diversos cursos podem ser oferecidos (marcenaria, estamparia, cozinha, etc...). RUA TENENTE SILVEIRA

EDUCACIONAL

RUA PEDRO IVO

MASSIMO TESTINI/POLARIS/2014

PRAÇA

ATENDIMENTO EXCLUSIVO

PRAÇA PIO XII

ATENDIMENTO GLOBAL RUA FELIPE SCHMIDT

Fig.5.2: Setorização macro do volume da edificação e entorno imediato

PARTIDO ARQUITETÔNICO

48


5.2 PROGRAMA DE NECESSIDADES Para a formulação de um programa de necessidades, foi levado em conta a par cularidade dos usos gerais existentes como sanitários, circulações e áreas livres. Também foi feita uma subdivisão de departamentos que estão destacados na tabela geral do programa de necessidades. Para tal programa foi alcançado uma área total construída de 6.331 m², divididos em 5 pavimentos.

MASSIMO TESTINI/POLARIS/2014

TOTAL: 6.331 m²

49

PARTIDO ARQUITETÔNICO


5.3 IMPLANTAÇÃO

A

implantação basicamente possui acessos por todas os lados do terreno, já que o mesmo faz limite com 3 ruas e em um lado pela Praça Pio XII. Os acessos pela Rua Tenente Silveira se fazem através do Mezanino, e também por uma escada que liga ao térreo. Já na Rua Pedro Ivo os acessos se dão pela escadaria localizada no nível +8 metros e também pela praça no nível +4. Os acessos pela Rua Felipe Schmidt e pela Praça Pio XII se fazem por toda a extensão. O acesso ao estacionamento subsolo do Centro se dá pelo mesmo acesso existente ao subsolo da Praça. Foi proposto no entorno a colocação de faixas elevadas a fim de dar prioridade ao pedestre.

B TENENTE SILVEIRA

+4

+8

+4

PRAÇA C

PEDRO IVO

+1

C

PRAÇA PIO XII 0

A

0

A

+3

FELIPE SCHMIDT

B 0m

FAIXA ELEVADA PARA PEDESTRES ACESSOS AO ESTACIONAMENTO SUBSOLO

10m

20m

30m

ACESSOS DE PEDESTRES Fig.5.3: Implantação Geral do Par do

PARTIDO ARQUITETÔNICO

50


5.4 ZONEAMENTO SUBSOLO - GARAGEM

TÉRREO

-3

0

0m

5m

10m

CIRCULAÇÃO VERTICAL GARAGEM RAMPA

51

PARTIDO ARQUITETÔNICO

15m

0m

CIRCULAÇÃO VERTICAL SANITÁRIOS AUDITÓRIO ÁREAS LIVRES ACESSOS

5m

10m

15m


MEZANINO

SEGUNDO PAVIMENTO

PRIMEIRO PAVIMENTO

+4

+7

0m

5m

10m

CIRCULAÇÃO VERTICAL SANITÁRIOS ÁREAS LIVRES ACESSOS

15m

0m

5m

+10

10m

15m

0m

5m

10m

15m

CIRCULAÇÃO VERTICAL SANITÁRIOS CIRCULAÇÃO HORIZONTAL SALA DE ESPERA SALAS OITIVAS DEPÓSITO COPA SALAS AGENTES SALA DELEGADO BIBLIOTECA ASSISTÊNCIA SOCIAL DEFENSORIA PÚBLICA

CIRCULAÇÃO VERTICAL SANITÁRIOS CIRCULAÇÃO HORIZONTAL ATENDIMENTO GERAL CARTÓRIO ÚNICO SALAS PASSAPORTE SALA REUNIÃO BIBLIOTECA POSTO ATENDIMENTO AO TRABALHADOR BRINQUEDOTECA POSTO TRIAGEM SAÚDE SALAS DE AULA SALA DE INFORMÁTICA SALAS DE OFICINAS

ATENDIMENTO PSICOLÓGICO SALAS DE AULA SALAS DE OFICINAS

PARTIDO ARQUITETÔNICO

52


5.5 AXONOMÉTRICA EXPLODIDA

CIRCULAÇÃO VERTICAL SANITÁRIOS AUDITÓRIO POLÍCIA FEDERAL BIBLIOTECA ATENDIMENTO AO IMIGRANTE SALAS DE AULA OFICINAS

No segundo pavimento está o úl mo pavimento de usos do Centro de Apoio e Integração ao Imigrante.

No primeiro pavimento estão os usos do Centro. Neste primeiro pavimento há uma circulação ver cal que é u lizado especificamente para a Biblioteca e Polícia Federal.

No mezanino está localizado os acessos pelo mesmo nível da Rua Tenente Silveira e pela parte alta do terreno, onde foi proposta uma praça. A área livre serve como extensão para a área cultural.

SEGUNDO PAVIMENTO

PRIMEIRO PAVIMENTO

MEZANINO Térreo onde está localizado o auditório e os acessos pela Praça Pio XII, Rua Felipe Schmidt e pelas escadas da praça existente no terreno e da escadaria da Rua Tenente Silveira.

TÉRREO Subsolo com 30 vagas de estacionamento, de uso dos funcionários e colaboradores do Centro de Apoio e Integração ao Imigrante.

SUBSOLO Fig.5.4: Axonométrica Explodida explica va do programa proposto

53

PARTIDO ARQUITETÔNICO


5.6 VOLUMETRIA E EVOLUÇÃO

A

volumetria final da proposta é resultado de estudos em croquis e maquetes sicas. Primeiramente, ao analisar o terreno escolhido é possível verificar que há condicionantes marcantes, como por exemplo a massa de vegetação de grande porte existente no terreno, desta forma o volume inicial pensado é um ‘C’ inver do, com o centro voltado para a vegetação existente no terreno, onde foi proposto uma praça em níveis. (1ª Etapa) Com um ponto de par da no volume, a ideia inicial era um bloco maciço, fechando totalmente o terreno e isolando o centro do terreno, com a evolução da proposta e as premissas de térreo livre para livre circulação de pedestres que o volume evoluiu para um térreo permeável.(2ª Etapa) Já a úl ma mudança foi em adequar um mezanino acessível pelo nível da Rua Tenente Silveira e pela parte alta da praça do terreno. (3ª Etapa) Fig.5.5: Croquis de estudo de volumetria

1ª ETAPA

2ª ETAPA

3ª ETAPA

Volume maciço e indivisível

Térreo Livre

Térreo Livre + Mezanino

Fig.5.6: Maquete sica usada para estudo volumétrico

Fig.5.7: Croquis perspec vados de estudo de volumetria final do projeto

PARTIDO ARQUITETÔNICO

54


5.7 CORTES R. PEDRO IVO

PRAÇA PIO XII

ESCADARIA

BRISES 2º PVTO

+8 1º PVTO MEZANINO

0 TÉRREO

CORTE A-A’

0m

5m

10m

15m

R. FELIPE SCHMIDT

R. TEN. SILVEIRA 2º PVTO 1º PVTO

+4 MEZANINO

0

TÉRREO SUBSOLO

CORTE B-B’

0m

R. PEDRO IVO

5m

10m

15m

PRAÇA PIO XII PRAÇA

2º PVTO

+8

1º PVTO

+4

MEZANINO TÉRREO

0

SUBSOLO

CORTE C-C’ 55

0m

PARTIDO ARQUITETÔNICO

5m

10m

15m


5.8 MATERIAIS E TECNOLOGIA

N

esta etapa de par do, com a evolução de uma volumetria e com os estudos realizados que envolvem a resolução constru va cabe destacar alguns materiais e tecnologias escolhidas para o projeto. Modulação e Estrutura: A modulação pré estabelecida no projeto segue um padrão bi direcional, onde os espaçamentos entre pilares possuem um vão menor de 7,5 metros e um vão maior de 9 metros (Fig.5.8), sendo resolvida e construída com laje nervurada (Fig.5.9). Sistema esse que reduz o peso próprio da estrutura, vence grandes vãos e possui uma versa lidade esté ca, onde as formas podem também ficarem a vista ou serem preenchidas com material isolante.

PROTEÇÃO SOLAR: Através dos estudos de insolação realizados é possível verificar a necessidade de sistemas de proteção solar na fachada Leste da edificação, sendo a escolhida brises metálicos móveis. Estes brises são instalados em estruturas metálicas ou diretamente na estrutura de concreto.

9

Fig.5.10: Perspec va da fachada leste e o brise.

Fig.5.11:Exemplo de brise a ser u lizado.

7,5 Fig.5.8: Recorte da estrutura e sua modulação

AECWEB

Fig.5.12: Croqui esquemá co da fachada leste e os brises.

Fig.5.9: Exemplo de Laje Nervurada

PARTIDO ARQUITETÔNICO

56


5.9 ESTUDO DE INSOLAÇÃO E ENTORNO

A

pós a evolução da volumetria proposta, foram realizados estudos de insolação para verificar quais fachadas necessitariam de brises, ou outros pos de proteção contra a insolação. Desta maneira, com auxílio do primeiro estudo realizado na etapa de análise da área, foi possível verificar que a Ala mais a Leste, fica desprotegida, necessitando assim de brises. Com a simulação computacional e com a colocação do volume proposto com o entorno, é possível verificar que por conta do alto gabarito das edificações ao redor, há durante boa parte do ano um sombreamento nas demais faces do volume proposto. Além disso, a massa de vegetação existente no terreno auxilia no sombreamento da praça proposta no projeto.

Fig.5.13: Volume inserido com o entorno construído.

Fig.5.14: Volume inserido com o entorno construído.

SOLSTÍCIO DE INVERNO - 21/JUNHO

09 HORAS

12 HORAS

Fig.5.15: Perspec vas com sombreamento no Sols cio de Inverno em 3 horários.

15 HORAS

SOLSTÍCIO DE VERÃO - 21/DEZEMBRO

09 HORAS

12 HORAS

Fig.5.16: Perspec vas com sombreamento no Sols cio de Verão em 3 horários.

57

PARTIDO ARQUITETÔNICO

15 HORAS


5.10 PERSPECTIVAS DO PROJETO

Fig.5.17: Perspec va da fachada leste

Fig.5.18: Perspec va com acesso da Rua Tenente Silveira em foco

Fig.5.19: Perspec va da fachada norte

Fig.5.20: Perspec va da fachada sul

PARTIDO ARQUITETÔNICO

58


Fig.5.21: Perspec va da praça central

Fig.5.23: Praça central proposta

Fig.5.24: Perspec va vista da Rua Pedro Ivo

59

PARTIDO ARQUITETÔNICO

Fig.5.22: Vão do mezanino


Fig.5.25: Perspec va aérea

Fig.5.26: Perspec va aérea

Fig.5.27: Perspec va aérea vista do 2º pavimento

Fig.5.28: Acessos pelo mezanino e praça central

PARTIDO ARQUITETÔNICO

60


Fig.5.30: Vão do mezanino

Fig.5.29: Perspec va vista da Rua Felipe Schmidt

Fig.5.32: Perspec va vista da Rua Tenente Silveira

61

PARTIDO ARQUITETÔNICO

Fig.5.31: Térreo com acesso e o mezanino


6.CONSIDERAÇÕES FINAIS

A

través das pesquisas e l e va n ta m e n t o s d e d a d o s realizados para a fundamentação deste trabalho foi possível notar o crescimento na demanda de atendimentos básicos para imigrantes que aqui chegam em busca de uma melhor condição de vida, de um novo sonho. Embora a demanda seja alta e os prognós cos apontem em um crescimento ainda maior nos próximos anos e décadas, o poder público é pouco atuante, criando uma grande lacuna de atendimento a estas populações que aqui chegam desassis das de qualquer apoio ou orientação básica. Essa ineficiência do Estado cria não somente mais uma classe desfavorecida e marginalizada da cidadania, mas cria um problema urbano sem resposta. Milhares de imigrantes sem o mínimo de orientação, sem moradia, sem estudo, sem trabalho, sem perspec vas, somando números de uma população que aumenta e não sai da e sta g n a ç ã o . M a s a o b u s c a r d a d o s e informações sobre este tema foi possível verificar que nossa legislação trata sobre este tema, garan ndo aos imigrantes igualdade de direitos aos cidadãos brasileiros, embora esta não seja a realidade. A importância do tema, ligado com a possibilidade de conferir cidadania as populações imigrantes na Grande Florianópolis e assim inseri-los na sociedade de modo digno foram os pontos principais na escolha do tema e na evolução deste trabalho. Com os dados levantados e com uma análise mais aprofundada no tema, foi possível chegar a um resultado de uma edificação que seja um ponto formador de cidadania e um ponto central e de apoio aos imigrantes que vivem na Grande Florianópolis. A edificação conta com serviços de diversas modalidades, desde os de ordem burocrá ca, como documentações, como encaminhamento ao Sistema de Saúde Público e conta com programas de ensino de língua portuguesa, informá ca e cursos profissionalizantes para imigrantes. Todo este programa destacado no

trabalho está conectado a cidade, com o uso do térreo livre e criando no terreno ponto de passagem e de estar para todos os que assim desejarem. A criação de uma praça no terreno promove integração dos imigrantes na comunidade e vice e versa. A integração foi levada em consideração não somente no programa de necessidades, contemplando as a vidades primordiais que os imigrantes precisam para serem integrados dignamente na sociedade, mas também nas premissas projetuais, criando um espaço totalmente integrado a cidade. Com base nas informações já discorridas neste trabalho e com o par do proposto será possível dar con nuidade neste projeto no Trabalho de Conclusão de Curso II, aperfeiçoando o programa, volumetria, materiais e na elaboração do projeto de arquitetura do Centro de Apoio e Integração ao Imigrante.



CONSIDERAÇÕES FINAIS

62


REFERÊNCIAS CHING, Francis D.K. Sistemas Estruturais Ilustrados: Padrões, sistemas e projeto. 2.ed. Porto Alegre: Bookman, 2015. CORRÊA, Roberto Lobato. O espaço urbano. São Paulo. Á ca, 1995. DOYAL, Len; GOUGH, Ian. A Theory of Human Need. London: Palgrave, 1991.

VEIGA, Eliane Veras. Florianópolis: Memória Urbana. 3 ed. Florianópolis.Fundação Franklin Cascaes, 2010.

GEHL, Jan. Cidades para Pessoas; tradução Anita Di Marco. 3.ed.São Paulo: Perspec va, 2015.



Grupo de Apoio ao Imigrante e Refugiado de Florianópolis e Região (GAIRF). Novos Imigrantes e Refugiados na Região da Grande Florianópolis: Observações preliminares sobre suas experiências e demandas. Florianópolis, 2015. HERTZBERGUER, Herman. Lições de Arquitetura. 2.ed. São Paulo: Mar ns Fontes, 1999. McAULIFFE, Marie. World Migra on Report 2018. Interna onal Organiza on for Migra on, 2018. MEKARI, Danilo. "A vistas listam oito desafios das populações migrantes nas cidades brasileiras". ArchDaily Brasil. Disponível em: <h ps://www.archdaily.com.br/br/802547/a vistas-listam-oito-desafios-das-populacoesmigrantes-nas-cidades-brasileiras> Acesso em 13 de Abril de 2018 Plano Diretor de Urbanismo de Florianopolis - Lei Complementar 482. Prefeitura Municipal. Florianópolis. 2014. STOTT, Rory. "Como a imigração definirá o futuro da arquitetura e do urbanismo" ArchDaily Brasil. Disponível em: <h ps://www.archdaily.com.br/br/791111/c omo-a-imigracao-definira-o-futuro-daarquitetura> Acesso em 07 de Abril de 2018.

63

TAVARES, Rosana Carneiro. O sen mento de pertencimento social como um direito social. Caderno de Pesq. Interdisc. em Ci-s. Hum-s., Florianópolis, Santa Catarina, jan/jun 2014.

REFERÊNCIAS

Profile for Bernardo Marengo

(TCC I - ARQ&URB) CENTRO DE APOIO E INTEGRAÇÃO DO IMIGRANTE EM FLORIANÓPOLIS/SC  

Trabalho de Conclusão de Curso I de Arquitetura e Urbanismo da UNISUL.

(TCC I - ARQ&URB) CENTRO DE APOIO E INTEGRAÇÃO DO IMIGRANTE EM FLORIANÓPOLIS/SC  

Trabalho de Conclusão de Curso I de Arquitetura e Urbanismo da UNISUL.

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