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Foto: Rafaela Marques

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Linha do Tempo Veja como as mudanças climáticas trazem surpresas e mudam o cenário local a cada ano. Você vai se surpreender com essa FOTOREPORTAGEM que mostra problemas causados tanto pela cheia quanto pela seca, mas que proporcionam visões únicas.

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Memória

As construções mais imponentes e luxuosas da cidade que muito tem a contar do passado são mostradas nessa reportagem, em que é possível conferir um pouco mais sobre a história urbanística de Manaus. 8

Entrevistamos Renan de Freitas

Um dos principais estudiosos amazonenses fala sobre a formação social na Amazônia

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Foto: Arquivo Pessoal

Foto: Delber Bittencourt

Conheça as experiências das pessoas, cujas profissões revelam a cara do povo manauara, que para vencer na vida procuram aliar talento à criatividade. Alguns herdaram a profissão dos pais, outros a própria vida se encarregou de mostrar o caminho a ser traçado e hoje, independente de estarem nas ruas, no mercado ou em feiras, eles são sinônimos da cultura amazônica.

Foto: Divulgação

Jornal Laboratório do curso de Jornalismo - Ano 3 - Edição 11 - Março de 2011

A cara de quem faz a HISTÓRIA


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Jornal Expressão

Manaus 21 de Março de 2011

Jornal Expressão

Manaus 21 de Março de 2011

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Expediente Reitora Maria Hercília Tribuzy de Magalhães Cordeiro Pró-Reitora Acadêmica Leny Xavier Louzada Pró-Reitor Administrativo José Frota Diretor Financeiro Fernando Martins Diretora de Ensino e de Graduação Maria Izolda de Oliveira Barreto Diretor de Pós-Graduação e Pesquisa Tristão Sócrates Baptista Cavalcante Diretora de Extensão Júlia Cristina Silveira Camilotto Coordenadores Curso de Comunicação Prof. Gustavo Soranz Gonçalves Prof. Márcio Pessoa Jornalista Responsável Prof. Leila Ronize Mtb 179-AM Edição Kelly Melo Projeto Gráfico e Diagramação Kleiton Renzo www.r3nzo.com Redação Bruno Tadeu Camila Henriques Diácara Ribeiro Karina Emmanuelle Willian Pereira Fotografia Délber Bittencourt Rafaela Marques Bruno Lima Ana Beatriz Bezerra EXPRESSÃO é o Jornal Laboratório do curso de Jornalismo do UniNorte, elaborado pela Agência Experimental de Comunicação (Agex). Endereço Rua Hauscar de Figueiredo, 290 Centro Manaus Amazonas CEP 06020-190 Fone (92) 3212-5053 Edição nº 11 Março de 2011

Editorial

Entrevista

Manaus, a Paris dos trópicos

“Estamos pensando sobre nós mesmos, com idéias nossas”

No mês de outubro, Manaus comemorou 341 anos. São quase três séculos e meio de muitas histórias para contar, de transformações que elevou a cidade de uma mera vila no meio da selva à um dos principais centros urbanos do Brasil. A terra que já foi conhecida como a Paris dos Trópicos, por causa da forte influência européia, que recebeu durante o período de colonização, foi chamada também de Belle Époque, em alusão ao crescimento que a cidade gozava no período auge do Ciclo da Borracha. Pensando nisso, o Expressão faz uma homenagem à terra dos Manaós para relembrar momentos históricos que cercam esta cidade. Nesta edição, você vai conferir uma entrevista com o cientista social Renan de Freitas Pinto, que tam-

bém é historiador, professor e escritor. Ele fala sobre a formação social da cidade, dos principais problemas herdados da colonização e das influências que o manauara recebe até hoje. Uma leitura indispensável para quem quer ter uma visão mais crítica do assunto. Qual é a cara do Manauara? Suas principais características, seus desafios diários, suas conquistas? Conheça a história de quem faz a história, através da reportagem que retrata as principais profissões exercidas pelas pessoas da terra. Você vai saber como eles chegaram nessa posição e o que eles tiveram que enfrentar para se estabelecer na vida. Além disso, você também vai relembrar dois momentos que marcaram Manaus nos últimos dois anos

e que surpreenderam a muitos: a cheia de 2009, que deixou várias famílias desabrigadas e a seca de 2010, que deixou diversos lares isolados. Os dois lados da moeda são abordados através de uma fotoreportagem, para que através da imagem, você, leitor, possa refletir e meditar. Confira ainda um artigo produzido pelo estudante de jornalismo Délber Bittencourt, onde ele chama a atenção para falta de interesse do Manauara, no que diz respeito ao centros culturais, os quais são abertos ao público diariamente, mas que registram mais visitais de turistas do que da comunidade local. E para saber mais e ficar por dentro de tudo o que o Expressão organizou, você precisa ir a fundo e se debruçar nesta edição. Boa leitura!

“Pacú, Curimatã, Tambaqui, Cará e Tucunaré... bem fresquinho, minha patroa!”. A garganta de Pedro Pereira, 57, é “afiada” na hora de gritar as qualidades de sua mercadoria. Pedro Pereira é feirante e pescador desde os oito anos. Ele conta a sua história na reportagem de Karina Emanuelle.

Manaus: Os patrimônios e sua população | Délber Bittencourt é acadêmica do 4º período de Jornalismo no UniNorte.

Nos últimos tempos são visíveis muitas publicidades que demonstram o amor pela nossa cidade e pelo nosso estado, “o orgulho de ser amazonense” ou de produtos que visam o carinho do manauara pela sua cidade. Mas, será que esse carinho, esse amor pela capital e suas histórias são realmente fortes? Infelizmente, de dez filhos da terra, oito, pelo menos, visitaram mais de três patrimônios da capital. Outros, apenas visitaram os espaços mais conhecidos, como o Teatro Amazonas, Instituto Nacional de Pesquisas na Amazônia (INPA), Parque do Mindú, Centro Cultural Povos da Amazônia (CCPA) e os festivais culturais, como o Boi Manaus. O mais incrível é que existem diversos espaços históricos que ficam próximos do cidadão e, mesmo assim, são pouco visitados, como o Palacete Provincial, localizado no Centro, em frente à Escola Estadual Dom Pedro II. Não faz muito tempo que o Palacete foi reformado, mas

já está carente da visita da população e das instituições de ensino da capital. Os guias que trabalham no Palacete declaram que, durante a semana, de cada 20 pessoas que visitam o espaço, 16 são de fora e apesar

Manaus é uma cidade com ampla e diversificada tradição cultural. Os nordestinos que migraram para cá, no fim do Século XIX e início do Século XX, atraídos pelo Ciclo da Borracha, também contribuíram para a formação da cultura. Sem

“Manaus possui uma ampla rede de teatros, casas de shows, espetáculos e extensas atividades culturais. A falta de interesse e de informação em conhecer a história local é que causa o baixo comparecimento da população nesses espaços”

de a mídia divulgar, incentivando o comparecimento do manauara, a situação não mudou nada de lá para cá. O Palacete Provincial não é o único que sofre com esse tipo de problema. Outros pontos turísticos também passam pela mesma situação: a carência de visitas, o que leva ao fechamento e ao abandono do local.

contar com a forte presença da cultura indígena. Manaus possui uma ampla rede de teatros, casas de shows, espetáculos e extensas atividades culturais. A falta de interesse e de informação em conhecer a história local é que causa o baixo comparecimento da população nesses espaços.

| Kelly Melo

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m comemoração ao aniversário de Manaus, o Expressão entrevistou um dos principais pensadores amazonenses, sobre a formação social na Amazônia da atualidade. Ernesto Renan Melo de Freitas Pinto, apesar de ser graduado em Língua e Literatura Inglesa, pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM), é Mestre em Sociologia, pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRS), e Doutor em Ciências Sociais, pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP). Atualmente é professor do Departamento de Ciências Sociais da UFAM e possui experiência na área de Sociologia, com ênfase em Sociologia do Desenvolvimento, onde atua nos temas: Amazônia, Pensamento Social, História das Idéias, Desenvolvimento Regional e Pensamento Social na Amazônia e Fundamentos Filosóficos das Ciências Humanas. Renan de Freitas Pinto é membro e ex-presidente da Câmara Amazonense do Livro e Leitura (CALL), bem como autor de importantes trabalhos científicos sobre a região, tais como “A Sociologia de Florestan Fernandes”, de 2008, “Vozes da Amazônia: Investigação sobre o pensamento social brasileiro”, de 2007, “Viagem das Idéias” e “O Diário do Padre Samuel Fritz”, de 2006, e “Amazônia: a natureza dos problemas e os problemas da natureza”, de 2005. Quer ficar inteirado do que o professor Renan pensa da formação social de Manaus? Então continue a leitura! JORNAL EXPRESSÃO - Em “Viagens das idéias”, o senhor explica que a construção do pensamento social do Amazonas é essencialmente europeu. Hoje, ainda é possível sentir esse reflexo? RENAN FREITAS PINTO - Nós aprendemos a pensar sobre nós mesmos a partir das ideias dos outros, ou seja, das ideias que os outros formularam sobre nós. A situação já não é a mesma. Um conjunto de trabalhos, especialmente ligados à pós-graduação, indica que já estamos pensando sobre nós mesmos com ideias nossas. JE – Que trabalhos são esses? RFP - São exemplos desse processo obras como “A Invenção da Amazônia”, de Neide Gondim, “A Ilusão do Fausto” de Edinéia Mascarenhas Dias, e “As metamorfoses da Amazônia, de Marilene Correa. JE - Partindo dessa premissa, a história do Amazonas e, consequentemente, de Manaus, também foi construída a partir de um olhar europeu? RFP - Não apenas a história de Manaus, mas a cidade em si, foi concebida a partir de ideias oriundas, principalmente, da Europa. Sobre isso, basta ler os livros de Otoni Mesquita, em especial o último: “La Belle Vitrine”. JE - Em algum momento da história, os colonizadores tentaram “esconder” os traços e obras his-

tóricas dos povos indígenas? RFP - A nossa história é baseada no silêncio desses povos. As suas culturas, apesar de serem formadoras de todo nosso legado cultural, são vítimas de uma ausência de reconhecimento, não possuindo assim registro significativo. JE - De modo geral, como podemos classificar a construção da história da cidade? RFP - A cidade teve vários momentos em sua formação. O primeiro foi um aldeamento indígena, organizado por missionários em associação com uma fortaleza militar. Em seguida, uma modesta aglomeração urbana destituída dos elementos que, já nessa época, marcavam os núcleos urbanos do ocidente. Os viajantes registraram o aspecto tosco dessa aglomeração que estava na origem de Manaus. JE – O que sobrou dessa época?

RFP - Hoje, poucos vestígios restaram desse período que antecede a arquitetura pretensiosa do ciclo da borracha. As poucas casas estão na Rua Frei José dos Inocentes. JE - Manaus tem vários momentos marcantes, de luta e de glória. Mas em sua opinião, qual é o mais impactante? RFP - Não concordo que Manaus tenha momentos de luta e glória, a não ser que consideremos os acontecimentos como a cabanagem, que aqui tiveram uma ressonância bem menor. JE - Manaus já foi conhecida como “Belle Époque” e “Paris dos Trópicos”. E hoje, como o senhor denominaria a cidade? RFP - Uma cidade que desconhece a sua própria história e maltrata de forma brutal o pouco que resta do seu patrimônio arquitetônico e urbanístico. Esses conceitos devem ser relativizados, porque a

(Manaus é) uma cidade que desconhece a sua própria história e maltrata de forma brutal o pouco que resta do seu patrimônio arquitetônico e urbanístico.

Foto: Acervo Pessoal

Diretor Executivo Josemir Silva

cultura e a arte europeia tiveram apenas pálidos reflexos em nossa vida cultural, especialmente se formos considerar os movimentos de vanguarda, que eram vigorosos na Europa e que aqui, por exemplo, ninguém oferece qualquer tipo de registro. JE - Que tipo de manifestações artísticas prevalecia naquela época? RFP - O que predominava aqui era o neoclassicismo e, na melhor das hipóteses, alguns traços do movimento impressionista, na pintura local da época. Estávamos fracamente antenados com os movimentos estéticos que estavam acontecendo mundo a fora. JE - Há poucos dias, Manaus completou 341 anos. Mas é verdade que existe uma outra “idade”? Explique um pouco mais... RFP - Isso depende do ponto de vista que estamos considerando. Podemos dizer que a cidade possui várias histórias, algumas delas desconhecidas, como seria o caso da história indígena de Manaus. Entretanto, alguns trabalhos de mestrado e doutorado das universidades estão envolvidos com o problema grave da memória e do esquecimento que envolve a história cultural, etno-história, história oral e a redescoberta das tradições míticas indígenas que não morreram e que se refazem constantemente, muitas vezes sob as nossas vistas.


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Manaus 21 de Março de 2011

Manaus 21 de Março de 2011

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Especial

Manaus: entre a cheia e a seca dos rios-mares

Fortes e ao mesmo tempo impressionantes, as paisagens que se formam com o fênomeno são encantadoras | Eliena Monteiro & Kelly Melo Araújo Fotos: Rômulo

Foto: Rômulo Araújo

| cheia

O reflexo da açã o do homem. S erá que as pess ciclo da nature oas conseguem za ou a conseq perceber que o uência da degra belos cenários. fato pode ser u dação ambienta m espelho de d l? É interessante uas situações: o notar que apesa r dos transtorn os, a cheia crio u

a por cu da cidade, ficou tomad os tic rís tu os in st de s ai um dos princip órico. A Praia da Ponta Negra, iam registrar o fato hist er qu m bé m ta o, gr Ne frescarem nas águas do

riosos que, além de se

re -

Em 2009, o Negro atingiu a sua maior cota, superando o registro de 1953, quando o rio chegou a medir 29,69m. Ruas foram inundadas, casa alagadas e comércios interditados. A saída para driblar a natureza foi improvisar. Nos cantos das ruas, barreiras de saco e seixo se transformaram em passarela para que as pessoas continuassem suas atividades ‘normais’.

Fotos: Rômulo Araujo

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ois períodos marcam a história de Manaus todos os anos: a cheia e a seca. Entretanto, de 2009 para cá, os dois momentos surpreenderam, batendo todos os recordes de alta e a baixa do nível da águas.


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Manaus 21 de Março de 2011

Manaus 21 de Março de 2011 19 de Outubro de 2010

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Especial Comportamento

Manaus: entre a cheia e a seca dos rios-mares

Fortes e ao mesmo tempo impressionantes, as paisagens que se formam com o fênomeno são encantadoras | Eliene Monteiro & Kelly Melo

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| seca

Fotos: Délber Bittencourt

penas um ano após a maior cheia, Manaus sofre, em 2010, a maior seca. O local que antes abrigava casas flutuantes, agora abre espaço para restos de embarcações naufragadas. É como se o ambiente tivesse se transformado em uma cidade fantasma.

As pegadas na argila refletem o esforço para atravessar o qu e restou

do Rio. O Negro

virou barro.


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Manaus 21 de Março de 2011

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Manaus 21 de Março de 2011

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História

Manaus e a herança da colonização europeia Fotos: Divulgação

Dois canhões de bronze e outros dois de ferro. Os objetos bélicos que guarneciam as cortinas do Forte de São José da Barra do Rio Negro foram os primeiros, de vários, desembarcados pela primeira leva de europeus que aportaram em Manaus, em 1669

PRAÇAS: Área de lazer em estilo clássico à céu aberto. Percebe-se a preocupação dos projetistaas com o espaço para recreações e áreas verdes | Alan Charles Chaves

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lém da fortaleza, a colonização européia influenciou na construção de edifícios imponentes e residências luxuosas, tudo, com o requinte e toque do continente de origem. A herança deixada pelos imigrantes pode ser percebida e admirada durante um turismo urbano, ainda nos dias atuais. Não seria demais falar que ao caminhar pelo Centro Histórico de Manaus temos a sensação de estar passeando pelas ruas da Europa. A paisagem formada por prédios, praças, monumentos, templos religiosos, museus e estabelecimentos comerciais que mistura passado e presente, nos remete a um tempo que marcou época. Residências As primeiras edificações pertencentes aos “donos da borracha” possuíam luz elétrica e sistema de água encanada e esgotos. O período de luxo em plena selva amazônica durou entre 1890 e 1920, gozando

de tecnologias que outras cidades do Sul e Sudeste do Brasil ainda não possuíam, tais como bondes elétricos. O Centro Cultural Palácio Rio Negro de Manaus é o maior exemplo de residências construídas no início do século XX, em estilo eclético, sendo propriedade particular do comerciante da borracha, alemão Walde-

mar Scholz. Outro destaque é o edifício conhecido como ‘Castelinho’, que, embora não esteja inserido no perímetro da área central da cidade, é dono de uma beleza e história singular. Localizado no bairro de Adrianópolis, o imóvel foi construído em1906, sendo a única residência edificada com recursos governamentais, que, curiosamente,

pertencia ao coronel Adolpho Lisboa, que na época, exercia seu terceiro mandato a frente da Prefeitura. Templo religioso Seu interior é marcado por painéis e vitrais europeus, bem ao estilo da época, construída sob a direção de Gesualdo Marchetti de Lucas, em 1888, o prédio da Igreja de São Se-

Ponte Benjamim Constant foi restaurada entre os anos de 2009 e 2010, mas hoje já está depredada e sem luz

No passado, os bondinhos trafegavam pela Ponte Benjamin Constant

Palácio da Cultura foi erguido para sediar a justiça amazonense

bastião, localizada no Largo de mesmo nome, faz parte de um complexo onde abriga a Praça São Sebastião e o Teatro Amazonas, tem estilo neoclássico, com alguns elementos medievalistas.

conhecido como Palacete Garcia, para abrigar o Tesouro Provincial. Construído originalmente em um único bloco, o Palacete da Província, como ficou conhecido, foi inaugurado em 1875. Até o ano de 2004 funcionava como prédio do Comando Geral da Polícia Militar do Estado. Agora reformado, voltou a ser o Palacete Provincial.

Monumento a Abertura dos Portos Feito em mármore, granito boveno e bronze, o Monumento assinala à Abertura dos Portos do Rio Amazonas ao Comércio Mundial, em 07 de setembro de 1867. Inaugurado em 1900, é uma obra do escultor Domênico de Angelis em estilo neoclássico, também localizado na Praça São Sebastião, em frente ao Teatro Amazonas e a Igreja de São Sebastião. Ponte Benjamim Constant A ponte metálica Benjamin Cons-

tant é um dos marcos históricos de Manaus, situada no bairro da cachoeirinha, na entrada sul, construída no período de 1892 a 1895 com peças todas importada da Inglaterra. As obras foram supervisionadas pelo engenheiro Frank Hirst Hebblethwait. Das pontes metálicas que existem em Manaus, a da Cachoeirinha é a mais imponente, sendo completamente reconstruída em 1938 durante o governo de Álvaro Maia. Mas foi na gestão do governador Eduardo Braga (2004) que a ponte foi totalmente reformada voltando ao estilo original, com luzes que à noite, lembra a ponte da europa. Palacete Provincial A primeira notícia que se tem dessa edificação é de 1867, foi quando o presidente da província relatou a compra do prédio em construção,

CASTELINHO longe da área central, é visita obrigatória para turistas

Teatro Amazonas O projeto arquitetônico escolhido foi de autoria do Gabinete Português de Engenharia e Arquitetura de Lisboa, em 1883. A pedra fundamental só foi lançada em 1884. Foram trazidos arquitetos, construtores, pintores e escultores da Europa para a realização da obra. A decoração interna ficou ao encargo

de Crispim do Amaral, com exceção do salão nobre, área mais luxuosa do prédio, entregue ao artista italiano Domenico de Angelis. O teatro foi finalmente inaugurado no dia 31 de Dezembro de 1896, se tornando a mais imponente obra da colonização européia. Palácio da Justiça Este prédio, inaugurado em 1900, fez parte do plano de monumentalização da cidade, traçado pelo governador Eduardo Ribeiro que, em 1893, desapropriou o terreno e no ano seguinte assinou o contrato de construção com a firma Moers & Morton. A obra, concluída por José Gomes da Rocha, no governo de Ramalho Júnior, possui traços da arquitetura francesa, influenciando muitas das construções da cidade.

PALACETE PROVINCIAL de comando militar à museu histórico


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Manaus 21 de Março de 2011

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Manaus

História de quem é a cara de Manaus Mais do que a composição étnica e os traços culturais, conhecer o manauara é notar a fé, a simplicidade e a criatividade com que vive Fotos: Rafaela Marques

| Karina Emanuelle

mem das vestes brancas e toquinha na cabeça, se tornando um exímio vendedor. No rio, ele liga o motor e se destina ao lugar certo, atento as intuições de bom conhecedor das águas escuras. Pescador desde os oito anos, sendo o mais velho de uma sequência de oito irmãos, Pedro assumiu a tarefa de seguir os passos de seu pai e professor, que com atenção e zelo, o ensinou a manusear o caniço, o arpão, a zagaia e ainda flechar o peixe. Pedro se divide em uma rotina dura. Das 3h da manhã às 14h, ele assume o papel de vendedor. “Amola” a garganta e grita para chamar a freguesia. Com a faca na mão e muitas vezes sem olhar, ele passa o metal no pescado e começa a “ticar”. Perde-se a conta de quantos peixes são ticados por minuto, tamanha a agilidade do vendedor que mais parece um altofalante. Quando o relógio marca 15h, é hora de bater em retirada e rumar para Paricatuba. A viagem dura cerca de 4h30. Quando chega aos arredores do Rio Negro é só jogar a rede e esperar. Mas em tempos de seca, o jeito é espantar os peixes na beira do rio. Só assim, é possível retornar com os isopores cheios. Em mais de 40 anos na vivência das águas escuras, Pedro guarda as boas histórias e relata que como toda profissão, ser pescador tem lá seus perigos. “A cobra é um perigo. Mas o jacaré é que é perigoso mesmo. Se

ele pega a gente, ele aleija, ‘tora’ braço e ‘tora perna’. Quando a gente encontra um, a gente tira fora”, diz. As noites mal dormidas são evidentes no rosto de Pedro, que já contempla as marcas profundas da idade. Marcas também influenciadas pela profissão, que ao mesmo tempo, rouba a companhia da família e oferece momentos de diversão e felicidade, que só ele é capaz de entender.

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Camelô, a profissão do argumen-

As miudezas estão espalhadas por toda a banca. Sentada, mas com os olhos atentos ao movimento está Joana Xavier, 61, abanando-se com um amarelado jornal. A cada curioso que se aproxima, ela se levanta e começa o jogo da persuasão, aprimorado após 40 anos de muito treinamento. Transformar o perguntador em cliente, é sua missão. Filha de agricultores, Joana conheceu os campos de roçado desde cedo. Não teve acesso aos bancos da escola e as poucas letras que sabe, montam seu nome. Aos 18 anos, decidiu ser vendedora. Com mochilas nas costas e nos braços, Joana ainda carregava garrafas de suco nas mãos. Andava horas pelas ruas do Centro, na tentativa de comercializar calcinhas e cuecas e de oferecer um copo de refresco a um rosto estranho. Foram anos não muito agradáveis, onde as pernas foram suas melhores aliadas.

Ela conheceu o artesanato debaixo das seringueiras do avô

Conseguir uma barraquinha, foi motivo de comemoração. Enfim,

Todos os dias é a mesma coisa. D. Joana sai bem cedo de casa para conseguir vender alguma coisa e assim levar o sustento para casa

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omo qualquer trabalhador, todos os dias eles saem de suas casas com destino ao “ganha pão”. O sustento é o maior objetivo, mas a satisfação de se fazer o que gosta não tem preço. Alguns herdaram a profissão dos pais, outros a própria vida se encarregou de mostrar o caminho a ser traçado. São muitas as histórias dos mais de 1,7 milhão de manauaras que personificam a cidade, pois não há como falar de um lugar se não citarmos aqueles que o constroem todos os dias. Artesã: as mãos que criam Escamas e ossos de peixe, penas de galinhas e pedaços de madeira,

normalmente, encontram seu destino nas latas de lixo. Mas o artesanato produzido por Ivone Duque, 57, dá vida e cor a essas inutilidades. Araras, tucanos, piranhas, colares e brincos indígenas, tiaras personalizadas e até biquínis de cuia são alguns dos resultados do trabalho da artesã que carrega nas mãos as cicatrizes de mais de 30 anos de atividades. De fala mansa, ela conta que conheceu o artesanato ainda nova, nos pés de seringueira do sítio dos pais, em Janauari (Iranduba, a 22 KM de Manaus). Eles produziam colares simples e depois vendiam aos turistas, que visitavam o local, por apenas R$ 1. Quando completou 16 anos, Ivone

atravessou o Rio Negro visando melhores condições de vida. Em Manaus, ela estudou e formou-se professora. Por sete anos se viu envolta de pagelas e provas, mas, nas horas vagas, dedicava-se a a criação de novas peças artesanais. A carreira nas salas de aula não rendeu o suficiente para suprir todas as suas necessidades, mesmo lecionando em dois expedientes. Então abandonou o Magistério e seguiu a carreira de artesã. Decidida pelo ramo da arte, Ivone se juntou a um grupo de 50 mulheres, e juntas deram início ao artesanato de penas coloridas. A idéia deu certo e a mostra dos trabalhos ganhou reconhecimento nacional e internacional.

Para divulgar as suas obras, a artesã viajou por todos os estados do Brasil e carimbou o passaporte passando pelo Chile, Argentina e Peru. “Quando as pessoas compram algo que eu faço e acham bonito, me engrandece mais do que qualquer quantia em dinheiro. É muito gratificante”, comenta. Hoje, com o olhar cansado, sentada em frente a sua barraca e atenta as palavras-cruzadas em suas mãos, Ivone guarda a vontade de permanecer trabalhando até quando puder manusear a tesoura, a faca e a agulha. Pescador, a profissão que transpassa gerações Na feira, ele assume o papel do ho-

O ofício ele aprendeu com o pai, quando ainda era criança, há mais de 40 anos nos rios do Amazonas

um lugar seu. Lugar esse onde podia expor suas vendas, sem se preocupar com o peso dos objetos. Há quatro anos, ela fica lá... sentada, esperando os olhares indagadores de quem busca um preço mais em conta, e ter a possibilidade de demonstrar o pensamento rápido com os números. Habilidade adquirida ao longo do anos de profissão, que lhe impôs a necessidade de conhecer as operações matemáticas. Todos os dias Joana sai de casa para trabalhar sem saber que tempo vai enfrentar ou quem vai conhecer. Se terá que amarrar a barraca debaixo de um temporal ou se recorrerá a uma toalhinha nos ombros, para enxugar o calor que lhe cai na face. Mas, de uma coisa ela tem certeza: “Vou continuar vendendo até quando Deus precisar de mim. Quando ele me chamar, eu vou. Por enquanto eu ‘tô’ aqui, trabalhando”, dessalta, demonstrando sua fé.


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Manaus 21 de Março de 2011

Foto: Divulgação

Dica de DVD

Eleições 2010 gação

Fotos: Divul

Dilma Rousseff

O dia 31/10/2010 ficou marcado na história brasileira não só por se tratar do dia em que os brasileiros elegeram mais um presidente, mas sim, porque uma mulher foi escolhida, pelo voto direto e popular, para assumir o País. Dilma Rousseff é a nova presidente do Brasil.

As cigarras gostam de cantar. Muitos acreditam que elas cantam até morrer. Mas os especialistas dizem que o canto é feito pelo macho para atrair as fêmeas para o acasalamento. Em ambientes urbanos, como Manaus, elas não cantam mais. E como era a cidade quando elas catavam?

Omar Aziz

No Amazonas, as eleições 2010 foram tranqüilas. Omar Azziz se reelegeu para o Governo do Amazonas com mais de 63% dos votos. Foi um dos melhores resultados dos últimos anos.

Aniversário

Foto: Divulga

ção

Em outubro, Manaus comemorou 341 anos. A data foi festejada com muito fogos e ao som do ritmo local, o Boi Bumbá. Durante três noites no Sambódromo, o manauara tirou os pés do chão, em mais uma edição do Boi Manaus.

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iv Foto: D

ENEM O Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), principal porta de entrada para as universidades do país, pode ser suspenso este ano. O motivo foram as falhas operacionais encontradas nas provas amarelas. Agora, os estudantes devem aguardar até serem remarcas nova data para aplicação das provas.

Cinema

Artistas locais, nacionais e internacionais, mais uma vez, marcam presença no Amazonas Film Festival, que aconteceu entre os dias 5 a 11 de novembro, em Manaus. Este ano, o evento foi levado para cinco municípios do estado. Destaque para a produção Amazonense, que vem logrando bons resultados na produção cinematográfica.

Foto: D iv

ulgação

“Quando cantavam as cigarras” é o título do documentário que conta a história de Manaus nas décadas de 1950 a 1980. O filme reúne cenas importantes da ecologia, do cinema, do Teatro Amazonas, do futebol, da música e do rádio. Além disso, conta com a participação de nomes do cenário local como Kátia Maria, Joaquim Marinho, Baby Rizzato, Oscar Ramos, entre outros. O trabalho é resultado de uma pesquisa liderada pelo historiador amazonense Manoel Callado que, em uma hora e dezesseis minutos, o espectador é convidado a viajar pela cidade dos Manaós. O filme também retrata os tempos em que um grupo (críticos de cinema, artistas, escritores, locutores, etc.) chamado “o clube da madrugada”, se reunia para pensar sobre a sociedade amazonense. O 1º Festival Norte do Cinema Brasileiro, de 1969, que homenageou Silvino Santos, também é relembrado no documentário. Silvino foi um dos primeiros cineastas a filmar a Amazônia. A arte, a história e ecologia se casam em “Quando cantavam as cigarras”. O DVD está disponível na Livraria Valer.

Eliena Monteiro Estudante de Jornalismo


Jornal Expressão Ed. 11