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operação que tem encetado paulatinamente”. As mais novas parcerias com o continente africano ajudam a consolidar essa posição. A autora lança o debate sobre o paradigma das relações de cooperação Sul-Sul na conquista do desenvolvimento. De acordo com a mesma, “A Cooperação China-África assume duas modalidades: uma multilateral, que abrange o conjunto dos países envolvidos nos Fóruns de Cooperação, e uma bilateral, que concerne ao relacionamento que a China desenvolve com cada um deles”. Sobre esta última modalidade, dedica especial atenção às relações entre a China e Angola. “O ponto de partida incide na política externa chinesa e a sua projecção de poder em África, uma vez que o país asiático assume-se como principal agente de intervenção numa cooperação que se quer mutuamente benéfica”, advoga Dilma Esteves. Especialistas nos domínios da Economia e Finanças afirmam que actualmente os únicos países que podem ultrapassar a China no volume de investimentos em Angola são os Estados Unidos da América e o Japão. Em finais de 2007, a China somava um volume anual de investimentos em Angola a rondar os 2 biliões de dólares, com mais de 30 empresas presentes neste país. Só nesse ano, o governo chinês concedeu um empréstimo de aproximadamente 300 milhões de dólares, que estão a ser aplicados na recuperação do caminho de ferro de Luanda, em redes de energia eléctrica, água potável para a capital, na expansão das telecomunicações em diferentes províncias, assim como na edificação de escolas e hospitais. O novo empréstimo de 2 billiões de dólares comprova o alargamento dos financiamentos a projectos de cariz económico e social. Outro factor que beneficiou a participação chinesa em Angola, segundo fontes governamentais deste país, foi o financiamento obtido pelo gover-

no angolano em condições favoráveis, numa altura em que o país encontrou entraves na aquisição de apoio para o processo de reconstrução nacional.

(RE)CONSTRUÇÃO EM ANGOLA A construção civil é um dos principais segmentos em que é investida grande parte da soma das linhas de crédito abertas por Pequim para Angola. O país africano conta com um Gabinete de Reconstrução Nacional (GRN), administrado directamente pela Casa Militar da Presidência da República, e tem por missão gerir os milhões da China em Angola. O país asiático posicionou centenas de técnicos e milhares de operários em Angola. Nos dias que correm, Pequim e as empresas chinesas são responsáveis pelo financiamento e construção de várias obras públicas como o novo aeroporto internacional de Luanda e a reconstrução das principais vias rodoviárias e ferroviárias do país. De salientar que o novo aeroporto é o maior em território africano, com uma área de construção de 160.000 m2. Por seu lado, a rede eléctrica e a recuperação e construção de edifícios, como hospitais e prédios governamentais, em Luanda, também contam com uma forte presença de investimentos e empresas chineses. Fontes oficiais sublinham um esforço contínuo por parte dos governos dos dois países, sob a égide dos mecanismos de cooperação institucional existentes, para o aprofundamento e ampliação das relações de cooperação. A reconstrução é uma prioridade do governo angolano, que tem adoptado uma postura de abertura no mundo dos negócios. Outros campos para os quais está visada a injecção de investimentos são a agricultura e pe-

cuária, saneamento, formação, indústria extractiva e de transformação. A estabilidade macroeconómica de Angola tem sido um dos primordiais atractivos para os investidores, que já começam a deslocar os seus investimentos para o interior do país. Os números reflectem esta orientação: em 2006, cerca de 88% dos investimentos estavam concentrados em Luanda; em 2007 este percentual caiu para 77%, uma redução de 11 pontos percentuais. Por outro lado, a China tem-se revelado um importante mercado para a exportação de produtos angolanos, particularmente petróleo. No ano passado as exportações do petróleo angolano atingiram uma cifra de 2,1 biliões de dólares, tornando Angola no maior exportador africano para a China. O governo chinês aprofunda, presentemente, as reformas económicas, mediante o aumento da população, objectivando a melhoria das condições de vida dos seus cidadãos e promovendo o desenvolvimento económico e social equilibrado e sustentado. Paradoxalmente, volvido meio século após a proclamação da República Popular da China, o país permanece considerado por muitos analistas como um “outsider”, isto é, um elemento que não se enquadra nos padrões comportamentais da esfera internacional. Uma tendência que a China quer manifestamente ver invertida. A China poderá dentro de duas a três décadas equiparar-se com os Estados Unidos da América no domínio mundial. Todavia, para cumprir esse desígnio, terá de aceitar e dar resposta a importantes desafios de índole predominantemente económica, tais como: a manutenção do seu desenvolvimento global; o desequilíbrio de riqueza entre as gentes do litoral e do interior; o acesso ao petróleo; e, a possível construção de um bloco económico asiático.

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