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Capítulo VIII – Um Presente Distante Personagens: Blazi - Jovem de 22 anos, trabalha numa empresa de animes criado por si. Katara – Namorada do Blazi, enfermeira. Karina – Uma senhora de meia-idade porém ainda com aspecto jovem e é enfermeira. Paul – Senhor com cerca de 40 anos, médico. -----------------------------------------------------------------------------------------------------------------

-Blazi, querido. De certeza que queres isso? – Questionou a Katara. -Sim. Sinto que é algo que temos de fazer, de hoje não passa, e não te preocupes, tudo correrá bem. – Respondeu o Blazi muito calmamente com um sorriso harmonioso e sincero. -Como queiras. Espero que tenhas razão e que realmente corra tudo bem. Horas mais tarde… -Olá pai. Olá mãe. – Disse a Katara. – Este é o meu namorado, o Blazi, e como prometido, estamos aqui para jantarmos todos juntos. -Olá minha senhora. – Cumprimentou o Blazi muito gentilmente quase fazendo uma vénia em sinal de respeito. -Olá meu rapaz. Muito prazer em conhecer-te. – Respondeu Karina. – É certo que ainda temos muito tempo para nos conhecermos, mas … tenta causar boa impressão junto do meu marido, ele é muito exigente. -Muito obrigado pelo conselho, minha senhora. – Agradeceu o Blazi amavelmente. -Entrem. O jantar está quase pronto. – A Katara entrou em casa dos pais seguidas do Blazi e ambos se sentaram à mesa, esperando o jantar. Era uma sala de jantar muito espaçosa e confortável, com as paredes em creme e com o candelabro preto de estilo gótico a iluminar toda a sala, com dois sofás cremes em pele, um enorme ecrã LCD e uns belos cortinados num tom de amarelo claro suave, que davam à sala um tom acima de luminosidade e um pormenor muito interessante devido aos seus desenhos simples em padrão, por fim era de notar também na sala uma lareira com um ar rústico que mesmo apagada transmitia uma sensação calorosa a quem está presente na sala.


Minutos mais tarde Karina entrou na sala de jantar com a refeição, colocando-a em cima da mesa e sentando-se. -Ora muito boa noite aos dois. – Retorquiu Paul antes de começar o jantar. – Vejo que finalmente decidiste aparecer meu rapaz. O que me tens a dizer? – Perguntou Paul ao Blazi. -Muito boa noite senhor. Se está a perguntar o motivo da minha presença, digo-lhe muito sinceramente que estou aqui para conhecer as origens da Katara, para os conhecer melhor. – Respondeu o Blazi tremendamente nervoso, tentando ser o mais educado possível. -Até aí não me estás a trazer informação nova, mas continuemos. Como te chamas e o que fazes da vida? – Perguntou o pai da Katara começando agora o “interrogatório” de uma forma mais directa. -Eu chamo-me Blazi, sou filho de um casal de pessoas muito simples, que apesar de morarem na cidade, cresceram no campo. Quanto à minha ocupação, sou estudante de enfermagem de terceiro ano, tal como a sua filha. -É bom saber que queres exercer uma profissão tão digna e bela como a enfermagem. – Comentou Karina, olhando discretamente para o marido com um sorriso em sinal de aprovação. -Muito boa profissão, meu rapaz. Muito bem, penso que é melhor começarmos o jantar antes que a comida arrefeça demasiado. – Parecia que finalmente o interrogatório já tinha terminado e que tudo estava a correr muito bem, porém este era apenas o início de uma longa refeição familiar. -Blazi, já que vais ser enfermeiro não te importas que te faça uma quantas questões relacionadas com a saúde, pois não? – Perguntou o senhor Paul, tentando incutir algum medo. -Claro, esteja à vontade, pergunte sobre o que quiser. -Deixa estar, fica para altura, apenas queria ver até onde ia o teu “à vontade”. – Afirmou o pai da Katara com um sorriso muito aberto mas ligeiramente falso. – O que te motivou a entrar no mundo da enfermagem? – -Muito sinceramente, eu tinha várias profissões dentro da área das ciências que gostaria de exercer e enfermagem era uma delas e foi aquela para a qual o curso entrei, não foi tanto um sonho, mas si um gosto que se transformou numa oportunidade, oportunidade essa de que não me arrependo minimamente de ter aproveitado, estou a gostar imenso o curso, todo o conhecimento, a honra da profissão, a ética envolvida e melhor que tudo isto, sinto-me realizado enquanto futuro enfermeiro em estágio. -É bom saber isso. Nesta profissão, se não se está nela por devoção e vocação não vale apena, é preciso gostar realmente do que se faz e se te sentes realizado enquanto futuro enfermeiro, então sinto-me feliz por isso. – Comentou a senhora Karina de forma pertinente e entusiasta. -Sim, concordo plenamente contigo querida. – Consentiu o pai da Katara. – Já agora, pretendes permanecer cá no país ou emigrar para o estrangeiro? -Ora … se quer que lhe diga, gostaria de ir para o estrangeiro, mas tendo em conta que talvez mude de rumo, a possibilidade de querer permanecer cá aumenta. -Como assim “mudar de rumo”? – Questionou o senhor Paul muito intrigado a declaração do Blazi.


-É que … eu estou a adorar enfermagem e tenciono acabar o curso e exercer honradamente a profissão, porém um sonho que eu tenho é criar uma empresa de animes e enriquecer a fazer algo que eu goste ainda mais do que a enfermagem, que é desenhar. -O quê? Não deves estar a pensar realizar esse sonho, era só o que faltava, ninguém enriquece assim, apenas trarás desgraça e tristeza à minha filha. -Pai, pára! Todos temos os nossos sonhos e eu acredito nos sonhos do Blazi. – Defendeu a Katara indo contra os ideais do pai. -Ainda bem que acreditas, porque eu não. Apenas aceito que ele namora contigo se ele se tornar enfermeiro e exercer somente essa profissão, ou medicina claro, de outra maneira não aceito. – Justificou-se o senhor Paul. -Mas pai, nem sabes se ele talento ou não. -O que interessa isso? Se ele pensa que apenas está contigo para usar o nosso dinheiro para criar a sua estúpida empresa que mais tarde ou mais cedo irá à falência, então está muito enganado. -Querido, tem calma. Não sabes os meios e capacidades do rapaz. – Tentou também a mãe da Katara defender o Blazi. -Não querida. Está decidido. – Retorquiu firmemente o senhora Paul, pondo um fim à discussão. -Senhor Paul, não quero faltar-lhe ao respeito nem lançar ainda mais discussão, mas tudo o que eu consegui até hoje foi por esforço e dedicação, não precisei nem nunca hei de precisar do seu dinheiro, prefiro morar debaixo da ponte do que precisar do seu dinheiro e quem sabe da minha vida sou eu, se eu quiser montar a empresa de animes é comigo, e quem sabe da vida da Katara é ninguém mais se não ela. -Tu fazes como quiseres e bem entenderes desde que não vejas mais a minha filha e fica por aqui o jantar, agradeço-te que saias desta casa se não te importas, e enquanto a minha filha morar connosco quem manda sou eu. – Disse o pai da Katara muito irritado. -Com certeza, saio já, nem eu permaneço onde não me querem, mas também digo-lhe já, arrepender-se-á disto. – Foi assim que o Blazi terminou o jantar em casa dos pais de Katara, tendo saído “porta fora” muito calmamente, seguido pela Katara. -Blazi! Calma! Não ligues ao meu pai, ele é mesmo assim, ele apenas quer meu bem. – Disse a Katara tentando tranquilizar o companheiro. -Não te exaltes mulher. – Respondeu o Blazi soltando uma gargalhada. – Eu sei que o teu pai apenas quer o teu bem, mas era escusado ter reagido assim, vê-se mesmo que ele não me conhece, não sabe do que sou capaz, mas também não posso censura-lo pelas suas idiossincrasias opostas às minhas uma vez que cada um é como é. Neste momento o que mais me importa é não te perder, a partir daí tudo é apenas um extra. -É claro que não me vais perder seu tonto, estamos juntos nisto até ao fim. 2 Anos mais tarde… - Senhor Paul. É uma honra encontra-lo dois anos depois. Como tem passado? – Perguntou o Blazi sarcasticamente. -Tenho passado bem, vejo que a minha filha preferiu continuar contigo, ela é que sabe. Ao que parece lá acabaste por criar a tal empresa.


-Sim, consegui, mas não foi graças a si. Foi com a ajuda do meu primo e estamos a ter imenso sucesso, mas agora pergunto-lhe, depois de ter visto que consegui o que queria ainda duvida de mim e de ser bom para a sua filha? -Eu disse que a empresa iria à falência mais tarde ou mais cedo, apenas ainda não foi, mas não me preocupo muito; quanto à minha filha podes continuar com ela, fá-la feliz, mas estou de olho em ti, não te descuides uma vez que seja. – Sugeriu o senhor Paul muito cautelosamente. -Também não teria outra hipótese senão aceitar que fiquemos juntos uma vez que consegui aquilo que o senhor tanto duvidado, e digo-lhe mais, eu e a katara vamos casar, já só falta marcar a data. -Tudo bem, meu rapaz. Mas estarei sempre de olho em ti. – Disse o pai da Katara. Horas mais tarde, depois da Katara sair do emprego e ir para casa do o Blazi… -Como correu o encontro com o meu pai? – Perguntou a Katara. -Correu bem, eu até lhe disse que íamos casar e ele não reclamou muito. – Respondeu o Blazi rindo-se. -Mas nós vamos casar? – Questinou a Katara muito surpreendida. -Katara, queres casar comigo? -AH! SIM! Claro. – Aceitou a Katara muito alegre. – Só acho é que és maluco ao teres ido falar com o meu pai sem saber se eu aceitava. -Ai podias não aceitar? Desculpa então, mas se é assim desmarca-se já tudo. – Disse o Blazi um pouco ofendido. -Não. Parvo, é claro que quero mas ir logo directamente ao meu pai, ainda por cima logo a ele, nem foi à minha mãe. -Eu sei que foi arriscado, mas há que arriscar de vez em quando. – Comentou o Blazi muito confiante. -Concordo, amanhã depois de eu sair do trabalho vamos marcar a data, pode ser? – Perguntou a Katara ansiosa por poderem marcar a data e realizarem a cerimónia. -Claro que pode, mas agora está na hora de nos deitarmos. Até amanhã. Na manha seguinte o Blazi despede-se da Katara, já à espera que esta saia do trabalho para irem marcar o casamento, porém este não chega sequer a ligar novamente o carro, um bandido puxa pela Katara e mata-a em frente ao hospital, deixando que os sonhos e planos de futuro do Blazi e da Katara se escapassem que nem areia por entre os dedos.

Continua…


O Crime Perfeito - Capitulo VIII