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De Stijl na Bauhaus

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O Movimento

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A Revista De Stijl

EDI Ç ÃO I | PORTO ALEGRE, 20 DE DEZEMBRO DE 2014 | R$ 1,75

O MOVIMENTO QUE CONQUISTOU O MUNDO


| PORTO ALEGRE, 20 DE DEZEMBRO DE 2014 |

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LEITOR

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\\ POR BRUNO BIRLEM

O “FLAT DESIGN” DE 1917 Corria o ano de 1917. A Revolução Russa derruba a autocracia do seu Estado e colocou no poder o Partido Bolchevique. Ainda respirando a poeira da primeira guerra mundial e ainda se adaptando com as mudanças da Revolução Industrial, A Rússia foi o que chamamos hoje de “Método NorteCoreano” de administrar um País. O governo era opressivo, ao contrário da democracia que implorava o povo russo. Muitas manifestações tomaram conta do País, até a derrubada da Monarquia Russa. Esse foi o principal fato do ano de 1917. Mas a Revista O Estilo não se preocupa com o que foi importante para o mundo, e sim para o nosso mundo, detalhista e imprevisível,t que chamamos de Design. Convido os amigos leitores a viajarem aos Países Baixos. Pouco tempo após o perído “Bauhausiano”, onde ainda podemos notar diversas inspirações do movimento que vi-

rou uma das principais escolas do mundo. Foram nos Países Baixos que Theo Van Doesburg e Piet Mondrian inclinavam-se numa disputa de linhas diagonais. Conhecido também como Neoplasticismo, o De Stijl nasceu de uma publicação. Inclusive atualmente é muito comum a confusão da Revista De Stijl com o movimento artístico Neoplasticismo, devido a grande influência que a publicação teve no movimento. Aproveitem cada sílaba deste material para entender melhor um dos principais movimentos artísticos de todos os tempos e crie relações com o atual “Flat Design”: Cores chapadas e linhas retas.

Boa leitura!

EXPEDIENTE

SUMÁRIO

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Carta ao Leitor // O Flat Design de 1917

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De Stijl na Bauhaus

Editor Chefe: Bruno Espíndola Birlem Direção Geral: Neto Fagundes Jornalista Responsável: Batista

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Matéria de Capa // Onde Começou // Arquitetura

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Matéria de Capa // Influências // Consequências

Direção de Arte: Hans Donner Fotografia: Leonardo Da Vinci Diagramação: Xuxa

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Colunistas // Bauhaus // Arts & Crafts // Dadaísmo

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A Revista De Stijl


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\\ POR MÁRIO ALBERTO

DE STIJL NA BAUHAUS “Mistura expressionista” é a ideia que as pessoas tinham da atividade bauhausiana. Cada um fazia o que lhe apetecia. Muito longe de qualquer disciplina rígida”. — assim as críticas de Doesburg. Doesburg fundara o movimento De Stijl juntamente com Piet Mondrian em 1917. Em Abril de 1921, Doesburg transferiu a sua residência para Weimar, pois esperava ser aqui contratado como professor. Em Fevereiro de 1922, Doesburg anunciava um novo curso De Stijl para jovens artistas. A sua estada em Weimar, de 1921 a 1922, Doesburg enviou uma carta de solidariedade à Bauhaus, ameaçada politicamente, resumiu uma vez mais a sua anterior crítica à Bauhaus: a falta de um “princípio geral”. Um tal princípio geral começara, contudo, a desenvolver-se nesses anos. Nas aulas Gropius procurava um “denominador comum” da arquitetura; no ateliê, as formas elementares e as cores primárias foram transformadas no ponto de partida do “design”. As ideias professas na Bauhaus e as noções de Doesburg eram em parte idênticas, mas a crítica deste à Bauhaus e as claras formas construtivas dos produtos De Stijl provocaram e aceleraram, na altura, a viragem da Bauhaus para um novo estilo. A Bauhaus precisava criar “formas típicas que simbolizassem o mundo exterior”,

exigia Gropius em 1922. Pouco depois começou com a propaganda insaciável de um novo slogan: “Arte e técnica, uma nova unidade”. Com isso deu ao trabalho da Bauhaus uma divisória totalmente nova, pois em 1919 dizia-se: “Arte e artesanato — uma nova unidade”. Esta viagem que Gropius já tinha planejado antecipadamente e objetivamente, e que começou a implantar gradualmente, tem uma importância capital na história da Bauhaus. Esta escolhia assim um campo de trabalho para o seu objetivo: “design” contemporâneo para a produção industrial, um campo pelo qual quase ninguém se tinha interessado antes. Para aqueles que se tentavam adaptar à Idade da Máquina, a expressão Bauhaus depressa representou tudo o que era oposto à actividade artesanal e decorativa. O que prova que em nenhuma fase da história, a Bauhaus foi um sistema rígido, mas sim um sistema sempre aberto a responder com flexibilidade às circunstâncias ocasionais e lições de experiências. Estas reformas e a nomeação de Moholy marcam uma nova etapa na história da Bauhaus.

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Cadeira Conceito De Stijl


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MATÉRIA DE CAPA

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O MOVIMENTO QUE CONQUIS Conflito entre líderes do movimento De Stijl sobre o uso de linhas diagonais ganha força. As influências e consequências do movimento e a história da revista que conquistou o mundo. Confira nesta reportagem especial: Casa com Conceito De Stijl

ONDE COMEÇOU_ No início do século XX, Holanda, Alemanha e Rússia ocuparam a vanguarda na evolução do design gráfico internacional. O De Stijl começou em 1917, nos Países Baixos, quanto Mondrian, Van Doesburg e o arquiteto Bart Van Leck lançaram a revista que deu o nome ao movimento. A revista, de tiragens pequenas, foi o eixo de coesão dos artistas, apresentando ideias e teorias sobre a nova concepção artística apresentada. O auge do movimento foi entre 1921 e 1925, quando Van Doesburg convidou artistas de toda parte e fez várias conferências pela Europa para divulgar seu movimento. Essas palestras ajudaram também a intensificar a tendência idealista da escola de Design industrial Bauhaus, onde Doesburg lecionou. Em 1925, o

ARQUITETURA_ movimento começou a perder forças com a saída de Mondrian. Houve um conflito entre ele e Van Doesburg acerca do uso das linhas diagonais que Doesburg passou a fazer. Para Mondrian, os ângulos retos eram os pilares da teoria neoplástica. O De Stijl foi um dos mais idealistas movimentos do século XX e um dos grandes marcos da arte moderna, chamado de “O mais puro dos movimentos abstratos”. O objetivo era desvenciliar a pintura do campo de representação e abraçar o abstracionismo total, procurando a síntese das obras de arte. O De Stijl se caracterizava pelo caráter quase religioso de seus membros, que acreditavam que existia uma lei que regiam a expressão artística e que viam em sua arte um modelo para relações harmoniosas julgadas possíveis para indivíduos e sociedade.

Na arquitetura e desenho industrial, a influência do De Stijl foi ainda mais longe. Com o intercâmbio com o Bauhaus, o ideal neoplástico ficou imensamente popular, criando inúmeras peças em escala industrial inspiradas no estilo holandês. Esse estilo é visto como algo moderno, voltado para o futuro. Algumas pelas, como a Cadeira de Rietveld, são associadas a uma atitude voltada para o futuro.


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\\ POR PABLO FREITAS

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\\ POR JOAQUINA FERREIRA

TOU O MUNDO INFLUÊNCIAS E CONSEQUENCIAS_ Ao injetar sólido embasamento teórico em suas obras – pinturas, construções, esculturas, entre outros – os Neoplasticistas radicalizaram e renovaram a arte moderna. Os ecos do modo neoplástico de encarar a arte são sentidos até os dias de hoje em inúmeras áreas.

sença quase santa tiveram grande influência no crescimento de outros movimentos abstratos”. Suas composições únicas, imediatamente reconhecíveis, entraram, em certa medida, no imaginário popular e foram apropriadas pela indústria cultural (um fenômeno interessante é a profusão de livros, não necessariamente relacionados à arte, cujas capas imitam as famosas composições de Mondrian). Dessa forma, com tal apelo visual extremamente peculiar, podemos compreender porque Piet Mondrian tornou-se um ícone muito maior do que seus companheiros no Stijl – ícone esse tão grande e impactante que superou até mesmo a fama do próprio movimento.

No campo da pintura, Mondrian permanece na panteão dos grandes pintores do século XX, influenciando múltiplas gerações e correntes abstratas contemporâneas. Ao romper com a arte figurativa e renegá-la, promovendo o salto subseqüente de uma concepção estética cujas origens podem ser traçadas na pintura cubista, o holandês amplificou a vitalidade da pintura abstrata e ajudou-a a ser vista com seriedade e admi- Na arquitetura e desenho indusração. Como afirma H.B Chipp, trial, a influência do Stijl talvez “suas idéias profundas e sua pre- tenha ido mais longe ainda. Com o intercâmbio entre o movimento e a Bauhaus, o ideal neoplástico tornou-se imensamente popular, com produção e consumo em escala industrial de infindáveis peças diretamente inspiradas pelas propostas do grupo holandês, que adquiriram um caráter ‘moderno’, voltado para o futuro. Até hoje, obras como a Poltrona de Rietveld são imediatamente associadas a uma atitude voltada para o futuro,

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Uma das Obras de Mondrian

sendo comum ver até mesmo em filmes de ficção científica cenários recheados de elementos neoplásticos como forma de realçar o aspecto ‘futurista’ do ambiente. O legado do Stijl se faz presente até em áreas insuspeitas e improváveis como a música pop – em 2000, o duo americano de blues -rock White Stripes lançou um álbum denominado De Stijl, cuja capa é composta por uma foto dos integrantes em um ambiente diretamente inspirado pelo movimento holandês – blocos lisos vermelhos e brancos e hastes pretas. Imagens: Wikipedia. Co-Produção Gráfica: Dona Alzira


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COLUNISTAS #BAUHAUS #ARTS&CRAFTS

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#DADAÍSMO

\\ POR NUNES

\\ POR MAROLLI

\\ POR BIRLEM

A Staatliches-Bauhaus foi uma escola de design, artes plásticas e arquitetura de vanguarda na Alemanha. A Bauhaus foi uma das maiores e mais importantes expressões do que é chamado Modernismo no design e na arquitetura, sendo a primeira escola de design do mundo. A escola foi fundada por Walter Gropius em 25 de abril de 1919, a partir da reunião da Escola do Grão-Duque para Artes Plásticas . A intenção primária era fazer da Bauhaus uma escola combinada de arquitetura, artesanato, e uma academia de artes, e isso acabou sendo a base de muitos conflitos internos e externos que se passaram ali. A maior parte dos trabalhos feitos pelos alunos nas aulas-oficina foi vendida durante a Segunda Guerra Mundial. A Bauhaus tinha sido grandemente subsidiada pela República de Weimar. Após uma mudança nos quadros do governo, em 1925 a escola mudou-se para Dessau, cujo governo municipal naquele momento era de esquerda. Uma nova mudança ocorre em 1932, para Berlim, devido à perseguição do recém-implantado governo nazista. O principal campo de estudos da Bauhaus era a arquitetura (como fica implícito até pelo seu nome), e procurou estabelecer planos para a construção de casas populares baratas por parte da República de Weimar. O diretor de publicações e design era Herbert Bayer.

Arts & Crafts surgiu na Inglaterra, na segunda metade do século XIX. Defendia o artesanato criativo como alternativa à mecanização e à produção em massa e pregava o fim da distinção entre o artesão e o artista. Fez frente aos avanços da indústria e pretendia imprimir em móveis e objetos o traço do artesão-artista, que mais tarde seria conhecido como designer. Foi influenciado pelas ideias do romântico John Ruskin e liderado pelo socialista e medievalista William Morris. Durou relativamente pouco tempo, mas influenciou o movimento francês da art nouveau e é considerado por diversos historiadores como uma das raízes do modernismo no design gráfico, desenho industrial e arquitetura. De acordo com Tomás Maldonado, o Arts & Crafts foi uma importante influência para o surgimento posterior da Bauhaus, que assim como os ingleses do século XIX, também acreditavam que o ensino e a produção do design deveria ser estruturado em pequenas comunidades de artesãos-artistas, sob a orientação de um ou mais mestres. A Bauhaus desejou, assim, uma produção de objetos feito por poucos e adquirido por poucos, nos quais a assinatura do artesão tem um valor simbólico fundamental. De forma ampla, a Bauhaus herda a reação gerada no movimento de Morris contra a produtividade anônima dos objetos da revolução industrial.

Dizem que os loucos são dadaístas. E que os dadaístas são loucos. Mentira. Mentira porque o período onde foi criado o movimento “Dadá” sucedeu a Primeira Guerra Mundial. E quem seriam os loucos nessa história? Os que fazem arte ou os que fazem guerra? O dadaísmo é presente na atualidade com muita intensidade e, principalmente no Design, usamos do Dadá para fazermos nossos brainstormings e rafs. É nele onde surgem aviões, lâmpadas e smartphones. É dele que surgem Thomas, Da Vinci e Jobs. Porque ser louco é uma virtude que só os loucos sabem. E se assim for o nome, loucos são os principais nomes da história mundial. Ninguém lembrará – ou quisera – os nomes dos militares que mataram dezenas, centenas e milhares de inocentes também loucos na guerra. Mas lembrarão dos principais artistas, inventores; lembrarão inclusive dos melhores alunos da sala de aula. Dos melhores funcionários da empresa. Dos amigos mais geniais da roda. Se loucura é ser bom, que o mundo seja mais louco. Se não-ser louco é ser marechal, que todos se explodam juntos na próxima guerra mundial. E a pergunta hipócrita que não se cala: quem seriam os loucos nessa história? Os que fazem arte ou os que fazem guerra? A resposta está dentro de cada um.


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DE STIJL

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A REVISTA DE STIJL

Simulação de uma edição da Revista De Stijl

A revista “De Stijl” foi uma publicação iniciada em 1917 por Theo van Doesburg e alguns colegas que viriam a compor o movimento artístico conhecido por Neoplasticismo, movimento estético que teve profunda influência sobre o design, artes plásticas e sobre a poesia. Devido à influência dos textos da revista, que muitas vezes assumiam um aspecto de manifesto, o próprio movimento neoplástico (e mais tarde, o Elementarismo) é confundido com o nome da revista. Também costuma-se chamar o seu grupo criador pelo título da publicação. Entre seus colaboradores estavam, além de Doesburg, o pintor Piet Mondrian, o designer de produto Gerrit Rietvield, entre outros. Um dos mais idealistas movimentos artísticos do século XX, o Stijl (ou Neoplasticismo, nome dado por Piet Mondrian à sua filosofia artística) foi um dos grandes marcos da arte moderna, o “mais puro dos movimentos abstratos”. O movimento, de origem e essência neerlandesa, permaneceu ativo e coeso por menos de quinze anos, mas sua influência pode ser sentida até hoje, particularmente nos campos da pintura e arquitetura.

Arrancando a pintura do campo da representação e abraçando o abstracionismo total, objetivando a síntese das formas de arte, o Stijl caracterizou-se pelo fervor quase religioso de seus partidários, que acreditavam existir leis que regem a expressão artística e que viam em sua arte um modelo para relações harmoniosas julgadas possíveis para indivíduos e sociedade.

PIET MONDRIAN_ Na pintura, Mondrian permanece como um dos principais pintores do século XX, influenciando múltiplas gerações e correntes abstratas. Ele rompeu e renegou a arte figurativa, promoveu um salto de uma concepção estética com origens no cubismo e ajudou a pintura abstrata a ser vista com admiração e seriedade. Suas composições únicas entraram no imaginário popular e foram apropriadas pela indústria cultural, até hoje vemos design de capas de livros influenciadas por suas obras.

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O estilo  

Trabalho Senai