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Número 31 • Avicultura

Fotos: Ievgeniia Mukhamet, silverjohn

Uma revista da

Ração para frangos com estresse por calor Photo: fotostorm

Photo: Tanteckken

O problema das endotoxinas

Qual é o problema das minhas aves? Parte 7: Gota aviária


Editorial À espera do verão Com a chegada da primavera no hemisfério norte, as atenções voltam-se para as férias de verão e para as maneiras de enfrentar o calor excessivo no aviário. O calor seco por si só pode ser facilmente enfrentado, mas à medida que a umidade aumenta, maiores são as dificuldades. Mesmo nos países que supostamente não são úmidos com o tempo quente, a umidade pode ser superior à esperada e isso pode piorar a situação. Os resultados do estresse provocado pelo calor podem incluir diminuição da ingestão de ração e diminuição do desempenho das reprodutoras, frangos de corte e poedeiras, incluindo supressão imunitária e, eventualmente, morte. Nesta edição, o Dr. Tan aborda o problema do estresse provocado pelo calor e formas de aliviar através do manejo e de fatores nutricionais. A indústria da avicultura está mais alerta para os efeitos sobre o desempenho resultantes das endotoxinas de ocorrência natural; produzidas pela ruptura das paredes celulares de bactérias Gramnegativas existentes no intestino. Outro aspeto do estresse provocado pelo calor é que um aumento da temperatura interna do corpo de apenas 1-2 °C em algumas espécies aumenta a permeabilidade da membrana intestinal, possivelmente através do enfraquecimento das tight junctions. Isto pode resultar na entrada de mais endotoxinas para o sistema sanguíneo. O tema das endotoxinas é abordado no segundo artigo pelo Dr. Schaumberger. Por fim, na secção “Qual é o problema das minhas aves”, abordamos os fatores nutricionais que podem influenciar no aumento da gota aviária e que podem ter importância particular no período de postura inicial das poedeiras comerciais.

Andrew ROBERTSON Gerente Técnico de Avicultura

Science & Solutions • Número 31


Foto: AndreyGorulko

Índice Ração para frangos criados em estresse por calor: Fitogênicos para aves com estresse provocado pelo calor

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Tanto nos climas mais quentes como nos mais frescos, os aditivos para ração de aves com fitogênicos ajudam a diminuir os impactos negativos do estresse causado pelo calor. Por Justin TAN, DVM

Endotoxinas e o seu impacto negativo na avicultura

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Os lipopolissacarídeos podem diminuir a resposta do sistema imunitário e o desempenho das aves. A adsorção pode ser uma solução viável. Por Simone Schaumberger, PhD

Cut & Keep

Checklist

Qual é o problema das minhas aves?

Parte 7: Gota aviária

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Uma lista de verificação útil para diagnóstico de sintomas, causas e soluções. Science & Solutions é uma publicação mensal da BIOMIN Holding GmbH, distribuída gratuitamente aos nossos clientes e parceiros. Em cada número, Science & Solutions apresenta temas sobre os mais recentes conhecimentos científicos em nutrição e saúde animal com destaque especial para uma espécie (aves, suínos ou ruminantes) em cada trimestre. ISSN:2309-5954 Se desejar obter uma cópia digital e mais informações, visite: http://magazine.biomin.net Se desejar obter cópias de artigos ou assinar Science & Solutions, contate-nos no e-mail: magazine@biomin.net Editora-chefe: Ryan Hines Colaboradores: Andrew Robertson, Simone Schaumberger, Justin Tan, Luca Vandi Gráficos: GraphX BIOMIN Pesquisa: Franz Waxenecker, Ursula Hofstetter, Paolo Doncecchi Editora: BIOMIN Holding GmbH Industriestrasse 21, 3130 Herzogenburg, Austria Tel: +43 2782 8030 www.biomin.net Impresso na Áustria por: Johann Sandler GesmbH & Co KG Impresso em papel ecológico: Austrian Ecolabel (Österreichisches Umweltzeichen) ©Copyright 2016, BIOMIN Holding GmbH Todos os direitos reservados. Nenhuma parte da presente publicação pode ser reproduzida sob qualquer forma para fins comerciais sem a autorização escrita do detentor dos direitos autorais, exceto em conformidade com as disposições da Copyright, Designs and Patents Act 1998 [Lei relativa aos Direitos Autorais, Desenhos e Patentes de 1998]. Todas as fotografias incluídas na presente publicação são propriedade de BIOMIN Holding GmbH ou foram usadas sob licença.

Uma revista da BIOMIN

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Ração para frangos com calor Fitogênicos para aves com estresse provocado pelo calor Por Justin TAN, Diretor de Vendas e Marketing Regional, Ásia-Pacífico

Temperaturas ambientais elevadas resultam numa diminuição do desempenho e numa diminuição dos lucros para os produtores. Casos extremos provocam sofrimento e morte em todas as espécies avícolas. Os aditivos com fitogênicos ajudam a diminuir os impactos negativos do estresse provocado pelo calor ao exercer um efeito anti-inflamatório e antioxidante nas aves.

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Science & Solutions • Número 31


O

s produtores avícolas deparam-se freqüentemente com o desafio do estresse provocado pelo calor sazonalmente ou durante todo o ano. As aves criadas em países quentes e úmidos originalmente foram criadas e selecionadas, para os climas frescos da Europa e da América do Norte. A criação de aves fora da sua zona de conforto térmico pode impedir o atingimento de todo o seu potencial genético. Os produtores de climas mais quentes ou de zonas mais frescas que ajustam as temperaturas dos aviários ao seu próprio nível de conforto, e não ao das suas aves, devem considerar o impacto que o estresse provocado pelo calor tem nos seus plantéis.

Para qualquer etapa e qualquer espécie, o estresse provocado pelo calor ocorre quando as aves têm dificuldade para equilibrar a produção de calor corporal e a perda de calor corporal. Na zona termoneutra ilustrada na Figura 1, as aves

Uma revista da BIOMIN

Foto: MaXPdia

Ultrapassar o limite crítico

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Fitogênicos para aves com estresse provocado pelo calor

Figura 1. As conseqüências do estresse provocado pelo calor Temperatura crítica mais baixa

Temperatura crítica mais alta

• O comportamento normal regula a perda de calor

Respiração ofegante lenta

bar29

Perda de calor Respiração ofegante rápida Fadiga física › › ›

Aumentando a temperatura ambiental

Figura 2. Percentual de Postura e temperatura do aviário 50

100 90 % desempenho diário

70

40

60

35

50 40

30

30

25

20

Temp. do aviário

45

80

20

10 0

15 23 25 27 29 31 33 35 37 39 41 43 45 47 49 51 53 55 57 59 61 63 Idade em semanas n Controle

n Digestarom®

Fonte: BIOMIN

conseguem perder calor a uma taxa controlada modificando o respetivo comportamento. Neste ponto, não existe estresse provocado pelo calor e a temperatura corporal permanece constante. Atingindo a temperatura crítica, as aves começam a ofegar para dissiparem ativamente calor corporal. Considera-se que Tabela 1. Medidas para combater o estresse provocado pelo calor Disponibilizar uma ventilação apropriada para o número de aves Reduzir a densidade populacional Isolamento térmico para evitar aumento calor pela ensolação Posicionar ventiladores de modo a otimizar a velocidade do vento e a circulação de ar Utilização de painéis de pad coolings Manter o balanço eletrólitico Fornecer suplementos vitamínicos Fonte: BIOMIN

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› › ›

› › ›

ofegar é uma resposta normal ao calor, mas à medida que as temperaturas continuam a aumentar, a taxa de ofegação aumenta em concordância. Se a produção de calor for superior à perda de calor máxima em termos de intensidade (estresse agudo provocado pelo calor) ou durante períodos prolongados (estresse crônico provocado pelo calor), a taxa de mortalidade do lote começa a aumentar. A temperatura corporal dos frangos deve permanecer muito perto dos 41 °C. Se a temperatura corporal subir acima dos 45 °C, o percentual de mortalidade aumenta rapidamente.

Estratégias para combater o estresse provocado pelo calor

É possível adotar várias medidas para impedir o estresse provocado pelo calor (Tabela 1). Existem várias ferramentas que podem ser adotadas através da nutrição para reduzir o estresse por calor. O estresse provocado pelo calor induz alterações desfavoráveis na microbiota bacteriana. A suplementação de probióticos com multiplas cepas pode enriquecer a diversidade da microbiota no jejuno e no ceco da ave, restaurando o equilíbrio microbiano e mantendo a sua estabilidade natural. A restrição temporária de alimento antes da exposição ao calor pode melhorar a resistência térmica dos frangos. A restrição de alimento reduz a produção de calor, reduz o aumento da temperatura corporal e diminui a mortalidade dos frangos. Contudo, esta estratégia também pode resultar numa diminuição da taxa de crescimento, num período de crescimento mais longo e num atraso da idade para abate. O programa de alimentação dupla consiste em outra estratégia combater o estresse por calor, que inclui uma ração proteíca durante a fase mais fresca e uma dieta rica em energia durante a fase mais quente do dia. O programa mantém um equilíbrio nutricional através de uma proporção adequada das duas dietas. Durante uma fase de estresse provocado pelo calor, a alimentação dupla diminui a temperatura corporal e a mortalidade. Nas poedeiras, uma restrição de alimentação parcial ou um regime de alimentação controlado diminui os efeitos nocivos do estresse provocado pelo calor no desempenho da postura. Mudar a freqüência da alimentação de duas para apenas uma vez por dia também favorece o desempenho das poedeiras. A melhor hora para alimentar o plantel será à tarde, perto do pôr-do-sol.

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Justin TAN Diretor de Vendas e Marketing Regional, Ásia-Pacífico

Máxima perda de calor A aves não conseguem controlar a temperatura do corpo

Morte provocada pelo calor

› › ›

Figura 3. Parâmetros de ensaio e resultados do estudo sobre estresse provocado pelo calor em poedeiras comerciais Controle

Digestarom®

Diferença absoluta

Semanas do ensaio

n

41

41

% Postura

%

86.9

89.2

Ovos produzidos

n

249.5

256.0

+ 6.5

Média de ovos sujos

%

9.88

9.80

- 0.08

Média de ovos trincados Consumo de ração Peso médio dos ovos Massa dos ovos produzidos

+ 2.3

%

0.64

0.65

+ 0.01

g/ave/dia

114

107

-7

g

62.71

63.01

+ 0.3

kg/galinha/287d

15.65

16.13

+ 0.48

2.10

1.91

- 0.19

Conversão alimentar (CA) Fonte: BIOMIN

As dietas das poedeiras são geralmente fareladas, mas considere utilizar peletizada durante o verão. Embora o consumo de ração possa não ser afetado pela peletização da ração, a produção de ovos, a eficiência da ração e a ingestão de água podem ser significativamente aumentadas. O aumento do consumo de água e a melhor digestibilidade da ração são provavelmente responsáveis pelo efeito positivo da ração peletizada.

Fitogênicos para combater o estresse provocado pelo calor

Os aditivos com fitogênicos para rações (PFA) conseguem diminuir as conseqüências negativas do estresse provocado pelo calor. Realizou-se recentemente na Alemanha um estudo com um plantel de aves da raça Lohmann Brown Classic cuja postura ocorreu durante os meses de verão, numa época de temperaturas elevadas. As aves foram divididas em dois grupos, sendo o grupo controle alimentado com uma ração basal, enquanto o grupo teste foi alimentado com a mesma ração basal, mas incluiu Digestarom® Poultry (um aditivo com fitogênico) com uma taxa de inclusão de 150 g por tonelada de ração. O ensaio foi realizado num plantel com aves com idades compreendidas entre as 23 e as 63 semanas. Os efeitos do aditivo fitogênico durante o período de stress provocado pelo calor são apresentados na Figura 2 (página 4). O grupo de frangos alimentados com Digestarom® nas rações teve um desempenho consistentemente melhor do que o grupo controle ao longo das 41 semanas de produção,

Uma revista da BIOMIN

mantendo um pico uniforme no período de estresse provocado pelo calor, não obstante se terem registrado temperaturas mais elevadas no aviário, devido a um isolamento e ventilação menos eficientes no edifício antigo em comparação com o do grupo controle. A percentual de postura médio do grupo do Digestarom® foi de 89,2 % em comparação com 86,9 % do grupo controle, representando um aumento de 2,3 % na taxa de postura. Também se verificou uma melhoria na conversão alimentar de 19 pontos nas aves alimentadas com Digestarom®, associada a valores mais elevados da massa e do peso médio dos ovos (Figura 3). O retorno sobre o investimento foi de 1:7.

Conclusão

O Digestarom® ajudou positivamente o plantel de poedeiras comerciais a manter a postura durante o período de estresse provocado pelo calor. As aves alimentadas com Digestarom® apresentaram uma melhora taxa de postura, uma melhor conversão alimentar, uma rentabilidade mais elevada, um retorno sobre o investimento mais elevado e um melhor estado de saúde, sem registros de surtos de quaisquer doenças. Devido ao seu modo de ação cientificamente comprovado e benefícios únicos para as aves, o Digestarom® ajudou a combater com sucesso o estresse provocado pelo calor, comprovando mais uma vez o seu potencial como aditivo para rações da próxima geração para uma nutrição avícola inovadora e contribuindo para o aumento dos lucros do produtor.

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Foto: JeffHower

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Endotoxinas e o seu impacto negativo na avicultura Por Simone Schaumberger, Diretora de Produto, Gerenciamento de Riscos de Micotoxinas

As endotoxinas, presentes em todos os ambientes avícolas, representam uma verdadeira ameaça que pode prejudicar o sistema imunitário e o desempenho dos animais. Uma solução de gerenciamento do risco de (mico)toxinas multi-estratégia pode combater as endotoxinas e as micotoxinas.

A

s endotoxinas fazem parte da membrana exterior da parede celular de todas as bactérias Gram-negativas (p. ex., E. coli, Salmonella, Shigella, Pseudomonas) e são libertadas das paredes celulares das bactérias através de excreção ou da ruptura bacteriana. Estas toxinas, também designadas lipopolissacarídeos (LPS) devido à sua estrutura, consistem num lípido e num polissacarídeo (Figura 1). Embora existam várias fontes naturais de endotoxinas, por exemplo, o ar, a poeira, os alimentos, a água e as fezes, a principal fonte é o trato gastrointestinal.

Figura 1. Endotoxina bacteriana Gram-negativa (lipopolissacarídeo, LPS)

Contaminação com endotoxinas porque é motivo de preocupação

Exposição do plantel

Uma revista da BIOMIN

lipídeo A n

Subunidade de (exterior) (interior) oligossacarídeos oligossacarídeo nuclear O-específicos

para que se consiga uma saúde e desempenho adequados dos animais. Em anos recentes, surgiram novas preocupações relacionadas com fatores nutricionais, ambientais e sociais que podem perturbar a função de barreira e/ou aumentar a exposição aos lipopolissacarídeos. Essa exposição a endotoxinas pode resultar em sinais clínicos ou sub-clínicos que, em última instância, afetam a produção avícola. O choque séptico está freqüentemente relacionado com a infecção por bactérias Gram-negativas patogênicas que produzem lipopolissacarídeos. Contudo, a presença de lipopolissacarídeos no sangue também pode dever-se a problemas metabólicos ou na barreira relacionados com a microflora intestinal. Considerando que muitos dos fatores variam de ave para ave, uma combinação de fatores no seu todo resulta em impactos distintos num plantel. As mudanças de dieta desempenham um papel importante. Por exemplo,

Foto: Sebastian Kaulitzki

A s a ve s e s t ã o e x p o s t a s a o s lipopolissacarídeos ao longo de toda a vida. Em aves saudáveis, o intestino e outros epitélios, como a pele ou os pulmões, representam uma barreira eficaz que impede a passagem de lipopolissacarídeos para o fluxo sanguíneo. Contudo, depois de lá estarem, as endotoxinas podem potencializar fortes respostas imunitárias, despertando os sistemas imunitários das aves e prejudicando o desempenho dos animais. Uma resposta imunitária muito pronunciada pode provocar choque séptico. Recentes investigações revelam que a exposição a lipopolissacarídeos através das poeiras do ambiente prejudica a resposta imunitária nos animais e pode diminuir a resistência contra insultos patogênicos. Por estes motivos, é fundamental um maior cuidado quanto à exposição a endotoxinas

Glicolipídeo nuclear Cadeia de polissacarídeos O-específicos

A exposição a endotoxinas pode resultar em sinais clínicos ou sub-clínicos que, em última instância, afetam a produção avícola.

7


Endotoxinas e o seu impacto negativo na avicultura

Figura 2. Teor de endotoxinas nas moelas (EU/mL) de 400 336a

350 300

[EU/mL]

250 200

143b

150 100

antibióticos levanta preocupações relacionadas com a resistência aos antibióticos e também relacionadas com a mudança na microflora intestinal e a plausível liberação de lipopolissacarídeos no lúmen intestinal resultante da morte de bactérias Gram-negativas. Além disso, as micotoxinas como o deoxinivalenol são também muito conhecidas por perturbarem a barreira intestinal. A diversidade de fatores relacionados com a exposição a lipopolissacarídeos ajuda a explicar os diferentes impactos nas aves.

Reduzir os LPS nas aves

50 0 n Controle n Mycofix® Select Fuente: BIOMIN

constatou-se que mudar as aves de uma dieta à base de milho para uma dieta à base de centeio-trigo-cevada aumenta os níveis de lipopolissacarídeos no soro do sangue juntamente com marcadores inflamatórios. Outros fatores podem contribuir significativamente para problemas associados a endotoxinas. Por exemplo, no verão, temperaturas elevadas nas unidades avícolas podem produzir estresse provocado pelo calor. Em outras espécies de animais, foi bem determinado que um aumento de 1 – 2 °C na temperatura corporal afeta as proteínas das tight junctions do intestino, aumentando assim a permeabilidade intestinal e permitindo a entrada de mais lipopolissacarídeos para o fluxo sanguíneo. Atualmente, estuda-se se o mesmo mecanismo se aplica à avicultura. Em alguns países, o uso sub-terapêutico

Realizou-se um ensaio com o objetivo de investigar a influência de um desativador de micotoxinas multi-componentes (Mycofix® Select) sobre o desempenho e o estado de saúde de frangos de carne alimentados com rações naturalmente contaminadas com micotoxinas num ambiente com elevada pressão de agentes patogênicos (E. coli). Neste estudo a campo, foram investigados mais de 600.000 frangos de carne (Ross ou Hubbard) com um dia de idade. Os animais localizavam-se em três núcleos diferentes. Em cada núcleo, compararam-se dois aviários simultaneamente (controlo vs Mycofix®). Em cada ciclo de produção, as aves foram mantidas até os 35 dias de idade. A ração continha uma mistura de micotoxinas consistindo em B-tricotecenos, tais como deoxinivalenol (200 ppb), fumonisinas (470 ppb) e zearalenona (75 ppb). Além dos parâmetros de desempenho, foram colhidas amostras do conteúdo intestinal para vigilância da carga de endotoxinas. A Figura 2 ilustra os resultados da concentração de endotoxinas no conteúdo do estômago de frangos de corte no final do ensaio.

Conclusão

Ambiente e exposição a endotoxinas

Photo: r_drewek

Embora a principal via de exposição a lipopolissacarídeos no setor avícola seja o trato gastrointestinal, a concentração de endotoxinas no ar e nas poeiras não deve ser ignorada. Os níveis de endotoxinas no ar são um aspeto importante para os animais e para os trabalhadores do setor avícola. As concentrações mais elevadas de endotoxinas existentes no ar em instalações de produção animal foram registadas em explorações avícolas entre 310 e 1090 ng/m3 de ar. Isto reforça a importância de uma boa limpeza diminuindo os níveis de poeiras, e de medidas específicas para proteção dos trabalhadores, por exemplo, uso de máscara de respiração.

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A adição de um desativador de micotoxinas multi-componentes revelou-se eficaz no combate a desafios de baixos níveis de micotoxinas em combinação com a pressão de E. coli. O desempenho global dos frangos de corte foi melhorado; a carga de endotoxinas no intestino baixou e os efeitos negativos de E. coli foram reduzidos. Estes resultados reforçam a importância de se combaterem os efeitos das endotoxinas para proteger a saúde das aves e a melhorar o seu desempenho.

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Cut & Keep

Checklist

Qual é o problema das minhas aves? Parte 7: Gota aviária/Insuficiência renal

A gota aviária é uma conseqüência das lesões renais que podem ocorrer devido a inúmeras causas que conduzem à acumulação de ácido úrico/uratos nos túbulos renais e camadas serosas do coração, fígado, mesentério, sacos-aéreos ou peritônio.

D

evido à sua complexa etiologia, a doença é difícil de ser diagnosticada; contudo, os sinais mais comuns são desidratação, palidez das cristas, depressão e tumefação e vermelhidão das patas, prejudicando o movimento das aves. Em poedeiras, onde a prevalência é maior, a gota aviária pode resultar em taxas de mortalidade até 50 %, sendo os animais com 19 – 35 semanas os mais afetados. As causas desta condição são diversas (ver tabela à direita), incluindo o gerenciamento e/ou a nutrição, e passando pela presença de agentes patogênicos e/ou micotoxinas na ração. Em termos de nutrição, deve prestar-se uma atenção especial ao equilíbrio cálcio/ fósforo, sódio e vitamina D3. Em geral, qualquer condição que favoreça um aumento do ácido úrico no sangue potencializa a precipitação no tecido e, conseqüentemente, o desenvolvimento de gota. Um excesso de cálcio na dieta com reduzido teor de fósforo resulta na precipitação de cristais de sódiourato e pirofosfato de cálcio (pseudogota). Nas aves mais jovens, pode observar-se gota devido à intoxicação com sódio com níveis de sódio superiores a 0,4 % na água e 0,8 % na ração. Do mesmo modo, elevados níveis de vitamina D3 podem aumentar a absorção de cálcio do intestino, favorecendo a formação e a deposição de cristais de urato. Também relacionados com a nutrição estão níveis de proteínas que, se forem superiores a 30%, provocam a produção de ácido úrico, resultando em cargas excretórias nos rins. Simultaneamente, os sulfatos reduzem a reabsorção de cálcio, provocando uma excreção excessiva de cálcio pela urina. Este fato favorece a gota, tal como qualquer outro fator que contribua para a alcalinidade da urina. A privação de água enquadra-se nesta categoria, já que provoca um aumento da concentração de ácido úrico e de outros minerais no sangue e, posteriormente, nos rins e na urina. O vírus da doença de Gumboro (IBDV) e/ ou a bronquite infeciosa podem aumentar a mortalidade na presença de lesões renais pré-existentes. Em termos de contaminação das rações com micotoxinas, as aflatoxinas nefrotóxicas (Afla), ocratoxina A (OTA) e citrinina são as que representam maiores preocupações. A insuficiência da função renal que resulta da ação destas micotoxinas reduz a excreção de ácido úrico e resulta na acumulação de ácido úrico no organismo.

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Lista de verificação

Ação de correção

Causa potencial MICOTOXINAS: Ocratoxina A (OTA), citrinina, aflatoxinas (Afla) • Positivo para Afla, citrinina e/ou OTA em matérias-primas (ELISA) ou ração (HPLC) • Matérias-primas de um(a) fornecedor/ região com histórico de contaminação por micotoxinas • Histopatologia: Verificar outros órgãos-alvo para estas micotoxinas (p. ex., rins, fígado)

• Verificar níveis de contaminação médios • Utilização de Mycofix® com um nível de dosagem correto • Evitar que os silos de ração/água sejam contaminados por alimento deteriorado, úmido ou bolorento

• Declínio do desempenho geral do plantel Causa potencial: NUTRIÇÃO: Cálcio, sódio, vitamina D3 • Nível de minerais e vitaminas nas dietas

• Nível correto de minerais e vitamina D3 • Controlar a utilização de farinha de peixe (rica em sal) • Controlar o teor total de cloreto de sódio na ração (<0,3 % )

Causa potencial: NUTRIÇÃO: Proteína • Nível de proteína nas rações

• Nível correto de proteína nas rações

Causa potencial: GERENCIAMENTO: Privação de água • Observar o comportamento dos animais para compreender a causa da privação de água • Procedimentos de transporte e vacinação • Número de Bebedouros, posição e barreiras que podem impedir o acesso.

• Melhorar as condições de transporte das aves (acesso a água) • Ajustar o número, a posição e o acesso aos bebedouros • Evitar a sobrelotação • Corrigir obstruções nos bicos

• Químicos adicionados à água (desinfetantes, sulfato de cobre, etc.) podem resultar na recusa da água, desidratação e gota Causa potencial: AGENTES PATOGÊNICOS: Doença de Gumboro (IBDV) • As titulações de anticorpos maternos são muito baixas em pintos com um dia de idade

• Adaptar o programa de vacinação às exigências da situação do campo em cada área em particular/epidemiologia • Aumentar o nível de biossegurança

Causa potencial: AGENTES PATOGÊNICOS: Bronquite infecciosa (IB) • Testes laboratoriais para confirmar a presença do coronavírus num esfregaço ou amostra de tecido

• Adaptar o programa de vacinação às exigências da situação de campo em cada área em particular/epidemiologia Bibliografia disponível se solicitada

Para mais informações, visite www.mycotoxins.info ISENÇÃO DE RESPONSABILIDADE: Esta tabela inclui conselhos gerais sobre os assuntos relacionados com avicultura que afetam com maior freqüência as aves de produção e que podem estar relacionados com a presença de micotoxinas na alimentação. As doenças e problemas avícolas incluem, entre outros, os que são indicados nesta tabela. A BIOMIN não aceita qualquer responsabilidade ou responsabilização resultante ou de algum modo associada à utilização desta tabela ou de seu respectivo teor. Antes de agir com base no teor desta tabela, você deverá obter os conselhos diretamente do seu veterinário.

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