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Capa


ssa edição da Revista Biomedi-

área, e mesmo estando longe de ser algo pro-

cina News é muito especial, pois

fissional é feita com muita vontade e empenho.

vou poder compartilhar com to-

Ainda nesta edição, além de ficar sa-

dos vocês um pouco mais sobre a

bendo um pouco mais sobre o blog, vocês po-

história do blog Biomedicina Pa-

derão

ler

matérias

interessantes

e

drão e como ele chegou aos seus cinco anos de

informativas escritas por biomédicos e tam-

idade.

bém estudantes de biomedicina, que aceitaQuero aproveitar esse espaço para agra-

ram meu convite prontamente para deixar a

decer a cada um de vocês que vêm acessando,

revista ainda melhor. Há também notícias e di-

comentando, criticando, dando ideias e suges-

cas para você ficar ainda mais informado e por

tões. Esse sucesso (assim considero) só é pos-

dentro dos assuntos mais recentes.

sível graça a vocês. Tudo que faço é pensando

E por fim, como nas edições anteriores,

em como posso ajudar o nosso curso e nossa

vocês poderão ter acesso a resumos e artigos

profissão a chegar a um patamar em que este-

científicos, enviados pelos próprios leitores do

jamos satisfeitos e muito mais felizes com

blog que, inclusive, me surpreenderam com a

nosso trabalho e papel na sociedade. Um

quantidade de trabalhos enviados, deixando

exemplo disso é essa revista, que é mais um ca-

ainda mais difícil a tarefa de escolher apenas

nal de comunicação e divulgação para nossa

alguns. Espero que gostem. Boa leitura!


O

S. pyogenes é uma bactéria considerada problema de saúde pública, sendo responsável pelo surgimento de infecções comuns em crianças e jovens, como faringite e escarlatina. Em indivíduos com predisposição genética, no entanto, essas infecções podem levar à febre reumática e à doença reumática cardíaca. Após aproximadamente 20 anos de estudos sobre o S. pyogenes, pesquisadores brasileiros obtiveram nos Estados Unidos o deferimento da patente de um composto eficaz contra a bactéria, que poderá se transformar em vacina. Segundo a pesquisadora Luiza Guilherme, do Instituto do Coração (InCor), eles já têm patentes concedidas e emitidas na República Popular da China, na Coreia do Sul e no Japão, assim como um processo em andamento na Índia para obtenção da patente do composto. O composto é chamado de StreptInCor e se mostrou eficaz na indução de resposta imune e seguro quando ministrado em animais sadios. Isso significa que a substância desencadeou anticorpos capazes de combater a infecção, sem originar reações autoimunes. Os testes de laboratório para o desenvolvimento de uma vacina já foram finalizados e o grupo do InCor se prepara para iniciar ensaios em humanos. Recentemente, as pesquisas sugeriram que o composto também tem potencial para uso terapêutico e poderá ser usado no tratamento de indivíduos que desenvolvam doenças sérias como consequência da infecção.

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Estudos in vitro com leucócitos de pessoas que manifestaram a doença reumática cardíaca mostraram que o mesmo composto, em dosagem diferente, ativa as células T reguladoras. O efeito terapêutico foi avaliado em células de sangue periférico de pacientes com doença reumática cardíaca, e não em modelo animal, por causa da dificuldade de reproduzir a doença em camundongos ou ratos. Os estudos com a bactéria começaram com a análise dos mecanismos de desenvolvimento dessas doenças e se concentraram na busca de epitopos – fragmentos mínimos da bactéria capazes de induzir uma resposta imunológica ao se ligar aos receptores de uma célula. A equipe identificou um epitopo com elevado potencial de proteção na proteína M, o principal antígeno da S. pyogenes, localizada na parede externa da bactéria. Injetado em diversos animais – entre eles, camundongos transgênicos, que expressam moléculas do sistema leucocitário humano (HLA) de defesa –, o StreptInCor induziu a produção de anticorpos e levou a criação da memória imunológica contra qualquer cepa da bactéria. Depois de um ano de acompanhamento, os animais não apresentaram nenhum efeito deletério no coração nem em qualquer outro órgão. De acordo com a pesquisadora, a busca por uma vacina contra a infecção pela S. pyogenes é feita em apenas dois outros países: Estados Unidos e Austrália. Mas a abordagem da pesquisa brasileira é única.

Fonte: Thereza Venturoli/Agência FAPESP


RESIDÊNCIA MULTIPROFISSIONAL EM SAÚDE O que é

Bolsa

A residência profissional em saúde é uma modalidade de ensino em nível de pós-graduação lato sensu, que se caracteriza como treinamento em serviço sob supervisão de profissionais habilitados. Abrange as seguintes profissões: Biomedicina, Ciências Biológicas, Educação Física, Enfermagem, Farmácia, Fisioterapia, Fonoaudiologia, Medicina Veterinária, Nutrição, Odontologia, Psicologia, Serviço Social e Terapia Ocupacional. A medicina não entra nessa categoria, pois possui programa de residência específico.

O residente recebe uma bolsa no valor de R$ 2.976,26 (são descontados impostos), cedida pelo Ministério da Saúde e da Educação. A dedicação deve ser exclusiva para o programa, não podendo o aluno trabalhar em outro local.

Carga horária O programa de residência multiprofissional tem duração de dois anos, 60 horas por semana, sendo a carga horária total de 5.760 horas. O aluno participará de 80% da carga horária com atividades práticas e 20% com atividades teóricas sendo supervisionado por um profissional que trabalha no local onde acontece a residência e um tutor, que é um docente de uma instituição de ensino superior. O residente tem direito a uma folga semanal e 30 dias de férias por ano.

Área de concentração A área de concentração da residência para o biomédico dependerá da instituição que está oferecendo as vagas. Alguns exemplos são: urgência e emergência, saúde da criança, patologia, hematologia e hemoterapia, infectologia, entre outras. Forma de ingresso A forma de ingresso em um programa de residência multiprofissional é através de concurso público, realizado pela instituição que está oferecendo as vagas. Alguns dos requisitos são: diploma de graduação, no nosso caso, Biomedicina; estar inscrito no conselho, no nosso caso, CRBM; dedicação exclusiva e não ter vínculo empregatício.

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Por Thassia Mariane Teodoro, acadêmica de Biomedicina, criadora do blog Biomedicina em Ação.

A

Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA) é uma doença neurodegenerativa e incapacitante, caracterizada por fraqueza muscular secundária devido à morte dos corpos celulares de neurônios motores no córtex, tronco cerebral e medula espinal. Cinco a dez por cento dos casos são familiares, com um padrão de herança mendeliana autossômica dominante. Possui etiologia e patogenicidade idiopáticas, porém estudos sugerem como causas a morte celular por agressão autoimune nos canais de sódio e incremento do cálcio intracelular, infecção viral, estresse oxidativo, dano por radicais livres, neurotoxidade por glutamato e disfunção das mitocôndrias ou do mecanismo de transporte axonal, além da participação de células acessórias, como a microglia, que vem sendo estudada clinicamente. A maioria das doenças crônicas neurodegenerativas que deixam pacientes acamados, compromete sua capacidade intelectual. Entretanto, pelo fato de que há somente o comprometimento de neurônios que levam os impulsos nervosos até a musculatura estriada esquelética, na ELA as funções sensoriais e intelectuais ficam preservadas. Talvez esse não comprometimento do intelecto seja a questão mais difícil dessa doença, já que o paciente está ligado a tudo o que acontece ao seu redor, mas não consegue se expressar com palavras ou gestos. Na ELA, a clínica é um tanto quanto complexa, crônica e progressiva. Os pacientes geralmente têm idade superior a 40 anos, com maior incidência da doença no sexo masculino, em indivíduos brancos, que praticam atividade física muito intensa, ou ainda que tenham sofrido choque elétrico ou trauma mecânico.

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Pode evoluir causando debilidade e atrofia progressiva da musculatura respiratória e dos membros, pela incapacidade do neurônio enviar impulsos aos músculos, espasticidade, distúrbios do sono, estresse psicossocial e sintomas de origem bulbar como disartria e disfagia, ou ventilação mecânica permanente. O quadro pode evoluir ao óbito do paciente em um período de três a quatro anos após o início dos sintomas (dois a três anos após o diagnóstico definitivo), por comprometimento da musculatura respiratória e dos membros. O único tratamento existente possui um caráter paliativo e inespecífico, uma vez que não há conhecimento de uma terapia eficaz para evitar a evolução da doença. Dentre as inúmeras drogas já testadas, recomenda-se o uso oral do Riluzol, um inibidor da via glutamatérgica capaz de retardar a progressão da doença, ainda assim em apenas alguns meses. Com base nas drogas anti-inflamatórias testadas e pela suspeita da etiologia relacionada a infecções, pesquisas com terapia celular de infusão de células-tronco hematopoiéticas estão progredindo, mas ainda nada concreto pode ser afirmado. No entanto, a descoberta da mutação do gene SOD1 em uma pequena porcentagem dos pacientes com ELA, por Siddique e colaboradores, permitiu que se identificasse a forma genética da doença, verificando que esta se comporta do mesmo modo nos 97% a 98% dos pacientes sem a mutação. Espera-se que a compreensão do mecanismo de degeneração do neurônio motor nos pacientes com mutações de SOD1 explique porque os neurônios degeneram em pacientes sem a mutação.


UMA SEGUNDA OPINIaO

AS

infecções do trato urinário (ITUs) são umas das infecções mais frequentes, geralmente causadas por bactérias intestinais que invadem o trato urogenital pela uretra. Um grupo de pesquisadores, liderado por cientistas da University of Bonn Medical Center descreveu um novo mecanismo imunoregulatório que controla a defesa contra as ITUs, envolvendo os neutrófilos. Os neutrófilos são particularmente efetivos no combate aos micro-organismos, especialmente bactérias. O mecanismo pelo qual essas células agem deve ser muito bem controlado para que haja danos colaterais o mínimo possível ao tecido atingido. Sabe-se que os macrófagos fazem parte deste processo, produzindo mensageiros químicos que influenciam várias células imunológicas. Apesar disso, como essa regulação de neutrófilos acontecia era desconhecida. O time de pesquisadores agora descobriu que esta regulação acontece através de dois tipos de macrófagos, que têm funções diferentes. Um tipo de macrófago está presente em todos os tecidos e exerce função de sentinela. Assim que os patógenos penetram, são detectados por esses sentinelas que disparam um alarme, através da

liberação de moléculas mensageiras, as quimiocinas, que atraem os neutrófilos para o tecido infectado -- nesse caso, para a bexiga. Adicionalmente, os macrófagos sentinelas também atraem o outro tipo, chamado de macrófago auxiliar. Ele ajuda a reconhecer que há uma infecção e começa a liberar outras quimiocinas, o que permite que os neutrófilos alcancem a bactéria na parte infectada do tecido. Esse mecanismo é seguro pois as células de defesa só penetram nas partes infectadas se houver real perigo, preservando o restante do tecido. A comunicação entre esses dois tipos de macrófagos acontece através do Fator de Necrose Tumoral (TNF). É por isso que na terapia de doenças como artrite reumatoide, em que utilizam-se drogas bloqueadoras de TNF, infecções bacterianas, incluindo ITUs, são geralmente observadas. Os achados dos pesquisadores agora explicam o porquê: se esse mensageiro é bloqueado, os macrófagos não podem mais comunicar entre si, e por essa razão, os neutrófilos não são enviados ao sítio de infecção. Esses resultados estão sendo publicados no periódico Cell.▪

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startup americana, chamada µBiome, desenvolveu um kit que, a partir de 89 dólares, pretende decifrar seu microbioma, as bactérias que formam sua microbiota, e relacionar os resultados com a base de dados do projeto Microbioma Humano do NIH, dos Estados Unidos. Além de saber sobre seu microbioma você contribui para o crescimento dessa base de dados. COMO FUNCIONA O kit contém tubos para coletar amostras de várias partes do corpo como intestino, genitais, pele, boca e nariz. A pessoa também tem que responder um questionário sobre sua saúde, estilo de vida e outros dados. Depois de coletadas as amostras, o kit é enviado de volta ao laboratório da empresa, onde é analisado. Seus resultados são correlacionados com a base de dados do projeto e você fica sabendo quais são as bactérias mais comuns da sua microbiota, assim como, quais problemas estão associados com seu tipo de microbioma. OBJETIVOS O que eles querem saber é até onde o estilo de vida das pessoas afeta essa microbiota e até onde a genética influencia nos resultados. Como estão no começo das análises, eles ainda não têm todas essas respostas, mas em breve será publicado um artigo com todos os resultados obtidos.

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A empresa utiliza o aparelho HiSeq 2500 da Illumina™ que sequencia o gene ribossomal 16S presente no DNA bacteriano, o que permite a classificação do gênero, e às vezes, a espécie da bactéria. O aparelho também filtra o material genético de humanos e outros organismos. Como é o mesmo método utilizado em muitos estudos da área, fica mais fácil comparar os resultados com estudos anteriores.

Descubra que tipo de pessoas têm o microbioma parecido com o seu.

Entenda como seu microbioma compara-se com pesquisas científicas de última geração.

Aprenda o que acontece com seu microbioma quando você está doente e quando está saudável.


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A

ssim que comecei a jornada pelo mundo da biomedicina em 2008 queria mais informações sobre minha futura profissão. Foi aí que percebi que não havia muita coisa disponível ao meu alcance para tirar minhas dúvidas, principalmente na internet. Quando cheguei ao segundo semestre uma professora começou a falar um pouco sobre o papel do biomédico na imagenologia. Achei incrível o que disse, mas ela não tinha todas as respostas para minhas dúvidas. Então comecei a pesquisar e achei algumas informações e vi que elas poderiam ser úteis para meus colegas de classe. Procurei uma forma de compartilhar essas informações e descobri que criar um blog seria uma ótima maneira. Como já tinha feito um bom curso de informática, foi fácil entender Biomedicina News // 10

como funcionava e logo já estava familiarizado com a ferramenta. Comecei então a reunir e criar alguns posts sobre a biomedicina. Biomedicina Padrão, esse foi o nome escolhido, após muitas outras alternativas. O termo “Padrão” foi influenciado pelo nome da minha faculdade e de um laboratório bem conhecido em Goiás, mas o blog não tem e nunca teve nenhuma ligação com essas instituições. O próximo passo seria divulgá-lo para meus colegas de sala. Para fazer isso imprimi o endereço eletrônico do blog em um papel e distribuí na minha sala. Aproveitei esse espaço on-line para também deixá-los informados quanto aos assuntos do nosso curso, como data de provas,


horário das aulas, cursos e eventos da área e alguns materiais extras que poderiam ajudar a fixar melhor o conteúdo passado em sala de aula. E foi assim por aproximadamente seis meses. Nessa época o Twitter começou a fazer sucesso no Brasil e decidi experimentar a rede social para ver como funcionava. Descobri que era uma ferramenta ótima de divulgação, mas ao mesmo tempo desafiadora, pois limitava-me aos 140 caracteres. Mesmo assim me tornei um usuário assíduo e comecei a divulgar tudo o que publicava no blog, assim como seguir estudantes de biomedicina, que também seguiam de volta o perfil (@biomedicina) do blog. E para minha surpresa o número de seguidores foi crescendo significativamente. Foi nesse momento que a ficha caiu: as minhas dúvidas eram as mesmas que as da maioria dos estudantes que acessavam o blog. Vi então que aquele blog podia ir além da minha sala de aula, como na ideia original, e ajudar mais pessoas de todos os lugares do Brasil. Minha vontade de procurar e reunir mais informações só aumentou desde então. A próxima etapa foi deixar o blog mais “profissional”, já que a responsabilidade estava aumentando, com o número de acessos crescendo a cada dia. Para fazer isso busquei um layout melhor, comprei o domínio biomedicinapadrao.com, busquei uma ferramenta melhor para a edição dos textos e imagens, e aos poucos o blog foi ficando com uma cara diferente. Após o Twitter chegou a vez do Facebook ter seu “boom” no Brasil, e claro, não poderia ficar de fora. Rapidamente criei uma

página do blog na rede social, como mais uma forma de divulgação e interação para a biomedicina. Hoje em dia a atividade no Facebook é muito maior do que a do Twitter. Sempre buscava os melhores assuntos dentro da biomedicina, principalmente aqueles que via nas aulas, como uma forma de reforçar o que tinha aprendido. Quando tinha uma dúvida sobre alguma coisa ia atrás das respostas e, depois de aprender, colocava no blog, pois tinha certeza que poderia ser a mesma dúvida de muitos. Procurava também vídeos e materiais extras para ajudar a fixar melhor o conteúdo, pois existem disciplinas que exigem muito da sua imaginação já que muita coisa que ocorre em nosso corpo e com micro-organismos não são de fácil visualização e com as figuras e vídeos ilustrativos o conteúdo era melhor assimilado. Além da parte acadêmica propriamente dita, fui atrás de mais conteúdo para o blog. Comecei a conhecer e conversar com estudantes de diversos lugares do Brasil e debater sobre a biomedicina e o biomédico. Outro marco importante foi conhecer profissionais biomédicos renomados e poder conversar e fazer amizade com eles. De que outra forma poderia conhecer tantos colegas de curso e profissão senão pelo blog? Assim, sempre que possível convidava um deles para conceder entrevista ao blog e contar mais sobre a sua área de atuação. Nada melhor do que saber de um profissional que já está na área quais são as vantagens e desvantagens, requisitos, dicas, situação do mercado de trabalho

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e muito mais. O primeiro entrevistado foi o biomédico mais famoso do Brasil, Dr. Roberto Figueiredo, também conhecido como Dr. Bactéria. Logo após vieram outros biomédicos, das mais diversas áreas, falar um pouco de sua trajetória profissional e como conseguir habilitar-se em tais áreas. Outra utilidade que achei para o blog foi a divulgação de eventos de biomedicina. Vários encontros locais, regionais e nacionais foram e ainda são divulgados. Cursos de extensão e minicursos também sempre foram divulgados, já que são de extrema importância na formação acadêmica e ainda contam pontos no seu currículo na hora de uma seleção de emprego ou pós-graduação. Além disso tudo, ainda há as notícias em geral relacionadas com a biomedicina, posts para descontrair, wallpapers para download, enquetes para interagir, desafios para pensar, curiosidades e muito mais. O mundo da biomedicina, nosso mundo, em um só lugar. Vagas de emprego e estágios também começaram a ser divulgadas, já que havia uma reclamação constante de pessoas com relação a falta de emprego na biomedicina. Percebi que há muitas vagas por aí, às vezes pode não ser o emprego dos seus sonhos, mas pode ser um caminho para você chegar lá. E cada dia que passa mais e mais vagas são anuncia-

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das, muitas vezes com uma remuneração que não faz jus aos anos de estudos e dedicação à profissão, mas apesar disso a expectativa é que essa situação mude anos após ano, com o biomédico ganhando mais e mais destaque. Justamente por causa disto, recentemente o site VAGAS (vagas.com), um dos maiores da categoria, e o blog fizeram uma parceria para a divulgação das vagas para profissionais e estudantes. Essa revista que você está lendo foi mais uma forma que encontrei de trazer um conteúdo novo e exclusivo a vocês. Uma maneira de ajudar na divulgação da biomedicina, além de divulgar trabalhos acadêmicos e científicos. Tudo começou como um teste, mas novamente fui surpreendido pela quantidade de acessos e pelo feedback positivo, o que me incentivou a continuar ano após ano.

APRENDIZADO Quando comecei com o blog achava que a internet era uma terra sem dono, sem lei e poderia fazer qualquer coisa. Por isso costumava copiar textos na íntegra de outras fontes e nem mesmo citava a fonte. Após esses cinco anos aprendi que dá muito trabalho produzir um conteúdo, para alguém simplesmente copiar e levar o crédito. Hoje em dia todos os posts do blog são originais, têm fontes e referências, e os mais

antigos estão passando por um processo de atualização. Sem dúvidas o blog contribuiu ainda mais para que eu me tornasse um profissional melhor e mais responsável. Foi através dele que hoje tenho amigos que me ajudaram e ajudam nessa jornada. De colegas de sala de aula, professores a profissionais renomados, agradeço a todos por todo apoio. Agradeço em especial aos dois primeiros que acreditaram no meu trabalho, a biomédica papiloscopista Raquel Vaz e o biomédico perfusionista Jeffchandler B. Oliveira, pois aprendi muito com eles. Sem esquecer dos meus amigos, hoje também todos biomédicos, Ludyanne, Rodolfo, Aline e Tamires. Espero que vocês gostem do trabalho que venho desenvolvendo e que possamos contribuir com nossa profissão para que cada dia ela fique mais forte e reconhecida. Somente unidos conseguiremos mudanças, e se o blog for um lugar onde possamos nos unir, já valeu a pena todo meu esforço.


Por Brunno Câmara

e você está estudando para algum concurso público na área da saúde ou está esperando algum edital ser publicado, sabe que a legislação do Sistema Único de Saúde (SUS) é matéria sempre presente nas provas, de norte a sul do Brasil, representando aproximadamente 25% do valor das provas. Geralmente os cursos de graduação da saúde têm em sua grade curricular matérias relacionadas com essa legislação, mas muitas vezes não damos a devida importância ao conteúdo ou ele é muito extenso e complexo. Acaba que, logo após passarmos por essas matérias, praticamente nos esquecemos muitas coisas, pois damos ênfase nas matérias mais específicas da profissão. Outro problema muito relatado é a falta do ensino da legislação do SUS durante a graduação, pois algumas faculdades não a colocam na grade curricular do curso. Recentemente participei do processo seletivo da residência multiprofissional em saúde do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Goiás. A primeira fase consiste em uma prova objetiva com 50 questões, sendo que 15 destas são de conhecimentos em saúde pública.

Para estudar esse assunto usei o livro Legislação do SUS – 451 Questões Comentadas, Editora Impetus, de autoria do enfermeiro Rômulo Passos, especialista em Saúde Coletiva pela Universidade Federal da Bahia. O livro é bem organizado, separado por assunto, com 451 questões comentadas de provas de mais de 150 concursos públicos recentes e mais de 60 institutos, juntamente com várias questões elaboradas pelo próprio autor. A obra ainda é estruturada com centenas de esquemas para memorização e revisão dos temas. O que mais gostei no livro é a possibilidade de simular a realização de uma prova, e caso você erre pode ver os motivos do erro e aprender realmente, lendo as excelentes explicações de cada questão. Com todas essas qualidades não me resta outra opção senão recomendar esse excelente livro a quem pretende concorrer uma vaga nos concursos públicos da área da saúde Brasil a fora. Você o encontra em diversas livrarias, como a Livraria Saraiva, com a média de preço de R$ 55,00. Vale a pena!

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Por Jeffchandler Belém de Oliveira, Biomédico perfusionista e Professor universitário Biomedicina é uma das profissões mais jovens na esfera da saúde, como tal, apresenta enormes desafios como o desconhecimento para a população leiga, bem como, para os demais colegas de profissões já estabelecidas e com áreas bem definidas. Soma-se a este fato o grande avanço tecnológico na saúde ocorrido nas últimas décadas onde a força de trabalho humano vem sendo substituída por métodos mais precisos e velozes (Análises Clínicas / Automação laboratorial). Biomedicina News // 14

Estas mudanças não deram tempo para a formação e alocação de recursos humanos, ficando o Biomédico com campo reduzido em sua área mãe, que passou a não disponibilizar tantas e tão boas possibilidades no mercado de trabalho. Outro fator que chama atenção é a grande quantidade de cursos de graduação para a área visando o crescente mercado da formação de “doutores”, mas que na realidade forma em sua maioria profissionais tecnicistas com uma visão estreita das potencialidades da profissão e sem


corpo docente com visão holística da área de saúde, que se apresenta com tantas particularidades, que apenas a forma clássica de ensino informativo exploratório não são suficientes para preparar jovens para um mercado cada vez mais seletivo onde a procura por diferenciais é tão valorizada. No entanto, é necessário pensar em como é o perfil do aluno das graduações na atualidade, onde as políticas públicas de inclusão das últimas décadas se preocuparam apenas em tornar as faculdades/universidades depósitos de alunos bem heterogêneos e com qualidades e deficiências distintas para que as instituições formem profissionais com senso crítico, ético, científico, político e que sejam “vencedores”. Na formação de grandes profissionais, necessita-se de boa formação na escola secundária e principalmente no ciclo básico, pois muitas das disciplinas do curso são de extrema complexidade e o problema não está na disciplina em si, mas nas deficiências educacionais primárias apresentadas pelos alunos na graduação, onde não tem-se o tempo de corrigir falhas e não é o foco da formação profissional. Outro ponto que destaco é a relação de consumo entre as escolas e os acadêmicos, onde motivados pela sensação de que todo brasileiro tem direitos (mas não deveres) além da formação psicológica da geração Y, que representa boa parte dos egressos da faculdade. Por este prisma muitas instituições de ensino por vários motivos tendem a ser menos rígidas na formação. Gerou-se então o terceiro ciclo que é o da especialização, onde milhares de promessas são feitas para a salvação da carreira, por instituições e empresas “especializadas” que fazem campanhas fortes de mídia, alegando muito tempo de mercado e número de alunos formados e assim atraindo mais e mais alunos, tudo baseado num plano de publicidade e comercial. Para o aluno realmente interessado numa área de atuação julgo interessante pesquisar, principalmente pelos consumidores de cursos de especialização, fazendo uma minuciosa pesquisa

com questionário quanto a todo curso e o cumprimento das promessas feitas pelo departamento comercial, além da análise do contrato. Com prévia e minuciosa pesquisa sobre a área escolhida de especialização. Assim, o sucesso em uma das mais de 30 áreas de especializações disponíveis depende de muito planejamento e correções de deficiências educacionais, com foco na capacidade de empreender, o que requer vários cursos de extensão nas áreas de carreira, gestão e conhecimentos sobre mercado de saúde. As possibilidades de sucesso dentro da Biomedicina são enormes, desde que você se planeje com cuidado e fique atento às possibilidades e oportunidades. O mercado de trabalho está ávido por profissionais qualificados o que não necessariamente são títulos e mais títulos vazios. Além do que, não se explora a capacidade empresarial dos profissionais Biomédicos que pode ser seu grande diferencial na gestão de inúmeros negócios na esfera da saúde. Uma grande ajuda para o sucesso individual, seria os conselhos fortes sem amarras e preconceitos, com profissionais comprometidos no crescimento da área e uma normatização nas grades curriculares dos cursos em andamento, além de termos mais nomes de referência em diferentes atuações para servir de exemplos para as futuras gerações. E segundo Cortella: “O grande desafio humano é resistir à sedução do repouso, pois nascemos para caminhar e nunca para nos satisfazer com as coisas como estão. A insatisfação é um elemento indispensável para quem, mais do repetir, repetir, repetir, deseja criar, inovar, refazer, modificar, aperfeiçoar. Assumir esse compromisso é aceitar o desafio de construir uma existência menos confortável, porém ilimitada e infinitamente mais significativa e gratificante.”

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Uma Trajetória

Biomédica Por Luiz Guilherme Hendrischky, acadêmico de Biomedicina, criador da página “Vida de Biomédico”

A

partir do momento em que você decidiu fazer parte do universo biomédico, muitas dúvidas surgiram. Eu sei disso, não precisa falar nada. Para a maioria de nós ingressar em um curso desconhecido não é fácil, e aquela velha história de familiares e amigos perguntando em quase todos os encontros “o que é Biomedicina?” tornou-se uma realidade. Pior que isso, ouvir comentários desagradáveis de indivíduos comparando o seu curso com o dele e dizendo que não há futuro pra você, SAIA LOGO... NÃO TEM EMPREGO... FAÇA OUTRA COISA... já aconteceu, né? E ali está você, no centro de um buraco escuro, tão silencioso que até conseguimos escutar o sangue passar pelos capilares. A dúvida acaba se tornando a sua melhor amiga, pois, por meio dela, é possível planejar futuras

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(e possíveis) rotas de fuga. Fugir ou permanecer? Desistir no primeiro problema é uma das opções? A cada pôr-do-sol, você ainda está lá... em uma queda livre ao desconhecido. O estudante conseguiu, permaneceu lá... à espera de uma simples resposta. Começou a entender o que era a Biomedicina, a área começou a fazer sentido. Passou pelo primeiro semestre, pelo segundo, derrapou no terceiro... mas continuou ali, não desistiu e permanecer é motivo de satisfação. Quem sou eu na Biomedicina? Posso ser um simples universitário ou posso ser alguém que fará a diferença? Droga, mais perguntas. Ao passar do tempo, o processo de amadurecimento já está avançado, as dúvidas que antes pareciam ser impossíveis de responder desapareceram sem esforço. É, você está chegando lá... o topo da montanha não

possui mais nuvens, é possível ver a luz. Não é a luz do buraco, o estudante saiu dele sem perceber. Sabem como se chama essa luz? SUCESSO. Fazer a diferença em uma profissão não é tirar as melhores notas, ter os amigos mais legais. Na verdade, fazer a diferença é entender o PORQUÊ você é DIFERENTE. Os seus objetivos não foram destruídos por terceiros, permanecer lá foi uma opção totalmente SUA. Mas, então, se sou diferente, o sucesso é garantido? A resposta é NÃO. O caminho para o sucesso pode ser encontrado dentro de cada um de vocês. Imaginem que a vida tem GPS e que o esforço, a dedicação e o estudo lhe ajudarão a encontrar a melhor rota para o destino final. Agora, olhe para si mesmo e responda: quem eu quero ser?


IMPORTÂNCIA DA BIOLOGIA MOLECULAR NA TRIAGEM DE DOADORES DE SANGUE Lacerda, J.V., Souza, K.L, Albuquerque, A.C.C. | Faculdade Asces, Caruaru-PE Contato: jessy.vasconcellos@hotmail.com INTRODUÇÃO: Os testes sorológicos utilizados pelos bancos de sangue para triagem de infecções transmitidas por transfusão, apesar de serem altamente específicos, podem ocasionar resultados falso-negativos devido ao período de janela imunológica correspondente ao início da infecção e o aparecimento dos anticorpos no sangue. São utilizados testes sorológicos para triagem de HIV, hepatite B e C, HTLV I e II, sífilis e doença de chagas. A mais recente metodologia aplicada na triagem de doadores de sangue é a metodologia do NAT (Nucleic Acid Amplification Test) que utiliza a técnica de biologia molecular de PCR (Polimerase Chain Reaction) para amplificar e detectar o material genético viral presente no plasma do indivíduo infectado. OBJETIVO: Relatar a importância da biologia molecular na triagem de doadores de sangue. METODOLOGIA: O estudo foi desenvolvido mediante levantamento bibliográfico dos últimos 10 anos, nas bases de dados Scielo e Pubmed, onde foram utilizados 9 artigos para elaboração deste trabalho. RESULTADOS: A partir da década de 1980, com a descoberta do HIV, a segurança do sangue doado passou a ser prioridade, e com isso ocorreu a necessidade de aumento da sensibilidade dos testes de triagem. Os testes sorológicos, baseados na detecção de anticorpos, possuem uma janela imunológica para o HIV e o HCV de 16-20 e 70 dias, respectivamente. Já as técnicas de biologia molecular, que amplificam e detectam o RNA viral presentes no plasma do indivíduo infectado, apresentam redução da janela imunológica de 10-12 e 10 dias para o HIV e HCV, respectivamente. A Portaria nº262/2002 do MS, de 5 de fevereiro de 2002, tornou obrigatória a realização de testes de amplificação e detecção de ácidos nucléicos - NAT - para HIV e HCV, em todas as amostras de sangue de doadores. Essa tecnologia foi desenvolvida há mais de treze anos e hoje é comum em países da Europa, Estados Unidos, Japão e Austrália. Trata-se de um teste que além de possuir uma alta sensibilidade, é também capaz de confirmar infecções em casos de sorologia indeterminada. CONCLUSÃO: Todos os estudos deixam claro que a biologia molecular tornou-se uma importante ferramenta de triagem por detectar a presença do vírus circulante e não a resposta do anticorpo para o vírus. A necessidade de incorporação do NAT nos bancos de sangue se justifica por sua habilidade de reduzir o período de janela imunológica entre a infecção e a descoberta, propiciando uma maior qualidade dos hemocomponentes e, consequentemente, maior segurança transfusional. Palavras-chave: Biologia molecular, NAT, PCR, Banco de sangue

CARACTERÍSTICAS DO CÂNCER DE PRÓSTATA E SUA ASSOCIAÇÃO COM O ANTÍGENO PROSTÁTICO ESPECÍFICO Caldas, R. T. de A., Gonçalves, J. de S., Braga, L. G. O., Cavalcante, I. B., Martins, A. E. S. Faculdades Integradas de Patos, Patos-PB | Contato: tecio.raul@hotmail.com INTRODUÇÃO: O Câncer de Próstata é o câncer mais comum em homens no Brasil e o sexto mais comum no mundo. É considerado um câncer da terceira idade pelo acometimento homens acima de 50 anos. Possui uma evolução lenta com sintomatologia de obstrução do trato urinário e retenção urinária. Entretanto, nos últimos anos com a descoberta do PSA muitos casos têm sido identificados devido ao importante recurso de diagnóstico precoce, que ajuda no tratamento de maneira adequada como também na avaliação do tumor e controle na resposta terapêutica. OBJETIVOS: Descrever as características do carcinoma prostático, como também mostrar sua associação com o PSA. MATERIAIS E MÉTODOS: Realizar uma revisão bibliográfica com artigos atuais retirados da internet por meio de consultas em sites, com o intuito de descrever os principais pontos do tema abordado. RESULTADOS E DISCUSSÃO: No Brasil há um grande aumento no número de casos de Câncer de Próstata, isso se deve a eficácia do diagnóstico precoce utilizando o PSA. Por outro lado, o PSA não garante a redução da mortalidade pelo carcinoma, e sim, fornece condições para um tratamento adequado e monitoramento do tumor. CONCLUSÃO: O Câncer de Próstata é o segundo câncer com maior incidência no Brasil, perdendo apenas para o câncer de pele não melanoma, dessa forma se faz necessário que todos os homens acima de 50 anos realizem o teste de triagem facilitando assim seu tratamento e posterior cura. Palavras-chave: Câncer, Próstata, PSA

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IDENTIFICAÇÃO DE Staphylococcus aureus ISOLADOS A PARTIR DE PACIENTES HOSPITALIZADOS EM JUNDIAÍ, SP E VERIFICAÇÃO DO PERFIL DE RESISTÊNCIA Smaniotto, A., Moura, C. | Universidade Paulista, Jundiaí-SP Contato: desmani@outlook.com INTRODUÇÃO: O Staphylococcus aureus possui uma notável habilidade de adquirir resistência a antimicrobianos. Apesar da disponibilização de novos antibióticos, o surgimento das cepas resistentes tem se apresentado um constante desafio terapêutico, sendo o uso inapropriado dos medicamentos um dos motivos pelo aumento do número de resistências encontradas dentro e fora dos hospitais. OBJETIVO: Detectar as amostras resistentes aos principais antibióticos e também a resistência induzida a clindamicina, que produz halos característicos nessas cepas, que comprovam sua resistência. MATERIAIS E MÉTODOS: Foram analisadas 45 amostras provenientes da urina, secreção vaginal, secreção ocular, secreção da epiderme da perna e hemocultura, sendo 40 confirmadas em ágar manitol como Staphylococcus aureus, e realizado antibiograma em placa com os antibióticos mais relevantes na clínica afim de verificar o perfil de resistência dessas amostras conforme seus halos de inibição. RESULTADOS: Ao menos 27,5% das amostras apresentaram resistência a 3 fármacos, tendo a classe dos beta lactâmicos o maior índice de inativação da ação do antimicrobiano. Os índices obtidos neste estudo estão nos padrões encontrados na literatura, tendo índices de alerta para a clínica. CONCLUSÃO: A indicação é que a conduta terapêutica seja baseada nos perfis de resistência bacteriana, sendo a seleção do fármaco feita de forma empírica baseada nas características do agente etiológico e sua sensibilidade, um resultado sensível ao antibiograma nem sempre garante o sucesso clínico, mas o resultado resistente diminui consideravelmente as chances de cura da infecção. Palavras-chave: Staphylococcus aureus, Resistência induzida, Saúde pública, Antimicrobianos

AVALIAÇÃO DA QUALIDADE DE CONCENTRADOS DE HEMÁCIAS EM UM BANCO DE SANGUE PRIVADO Ribeiro, M. | Universidade Federal de Goiás, Goiânia-GO Contato: maisaribeiro22@hormail.com O concentrado de hemácias (CH) é o hemocomponente mais utilizado na hemoterapia humana. No entanto a presença de glóbulos brancos nos produtos hemoterápicos pode provocar reação transfusional e ser capaz de transmitir agentes infecciosos. Uma vez que o processo de desleucotização por filtração parece não modificar a qualidade funcional dos componentes sanguíneos, torna-se necessário reunir evidências objetivas de que os filtros utilizados reduzem eficazmente o número de leucócitos, não provocando hemólise exagerada ou perda de função celular. Dessa forma o objetivo deste estudo foi avaliar o desempenho dos filtros utilizados para leucorredução de concentrados eritrocitários e o impacto da filtração sobre a viabilidade celular do hemocomponente remanescente. Um estudo retrospectivo dos registros da gerência da qualidade do Hemolabor, Goiânia, foi realizado abordando o período de Janeiro de 2011 a Junho de 2012. Os parâmetros de qualidade dos CH leucorreduzidos, como quantidade de leucócitos residuais, hematócrito, hemoglobina, grau de hemólise e contaminação bacteriana do produto remanescente foram os parâmetros analisados, considerando como referência de qualidade as normas preconizadas pela RDC 57/2010 da ANVISA. Os dados foram coletados a partir do sistema informatizado, TASY-Hemoterapia administrado pelo setor de Controle de Qualidade (CQ) do Banco de Sangue Hemolabor, Goiânia (GO). Um total de 193 unidades de CH foram avaliadas, sendo 98 filtradas por filtro In Line e 95 por filtro flex BioR 01 Plus BS PF. Todas as unidades de CH apresentaram número de leucócitos residuais abaixo de 5x106 /un, 4% (8/193) dos CH apresentou grau de hemólise maior que 0,8%, sendo que, 87,5% (7/8) haviam sido filtradas por filtro Flex BioR 01 Plus BS PF (p<0,05). Do total de 193 unidades de CH, 190 foram avaliadas quanto ao teor de hemoglobina cuja mediana foi 61,9 g/unidade (40,6 – 80,8). Comparando o desempenho do filtro In Line e do filtro Flex BioR 01 Plus BS PF, a mediana da concentração de hemoglobina foi, respectivamente, 58,74 g/unidade (40,6 – 74,70) para o filtro In Line (n=95) e 68,70 g/unidade (50,60 – 80,80) para o filtro flex BioR 01 Plus BS PF (n=95) (p<0,05). A mediana do valor do hematócrito (n=193) foi de 63% (28,6 % – 79,0%), sendo que para o filtro In Line (n=98) foi de 55% (28,6% – 66,0%) e para o filtro flex BioR 01 Plus BS PF (n=95) 72% (60,0 – 79,0) (p<0,05). A análise microbiológica evidenciou 98,5% de negatividade, sendo que os resultados positivos encontrados (3/193) foram devido à contaminação das amostras analisadas e não das unidades de CH de origem. As unidades de CH leucorreduzidas por filtro In Line apresentaram valores dos parâmetros menores que o as unidades de CH leucorreduzidas por filtro flex BioR 01 Plus BS PF, devido a filtração ser realizada previamente ao processamento e estocagem e pelo acréscimo de solução aditiva SAG-Manitol ao conteúdo. Os resultados mostram a eficácia de ambos os filtros pois apresentaram conformidade com os valores determinados pela legislação, embora o filtro In Line tenha apresentado menor grau de hemólise. Palavras-chave: Leucorredução, Concentrado de hemácias, Banco de Sangue, Controle de qualidade

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DETECÇÃO DE BACTÉRIAS PATOGÊNICAS COM RISCOS A SAÚDE HUMANA ISOLADAS DA GAIVOTA (AVES, LARIDAE) Larus dominicanus Schlemper, J.C., Ebert, L. A., Pelisser, M. R. | Faculdade Metropolitana de Blumenau, Blumenau-SC Contato: julic@brturbo.com.br INTRODUÇÃO: As gaivotas são animais que habitam as regiões costeiras do mundo todo, se habituando a viver em conjunto com o ser humano. Sua capacidade de percorrer grandes distâncias aliada a fontes de alimentos de fácil obtenção levam a contaminação desse animal pelas mais diversas bactérias, tornando-a uma contaminante do meio ambiente e do homem. OBJETIVO: O presente estudo teve como objetivo isolar bactérias patogênicas da espécie de gaivota Larus dominicanus nos arquipélagos de Tamboretes e Moleques do Sul no litoral de Santa Catarina, aplicando testes de suscetibilidade a antibióticos através de antibiograma. METODOLOGIA: A pesquisa foi realizada através da coleta de fezes com a utilização de swabs estéreis contendo meio de cultura próprio para transporte. Seguindo para laboratório, onde houve semeaduras em meios seletivos e aplicação de testes bioquímicos e sorológicos para obtenção de resultados sobre presença de bactérias potencialmente patogênicas aos seres humanos. RESULTADOS: Das amostras avaliadas, observou-se a presença de diversas espécies de bactérias, totalizando 27 bactérias de 10 gêneros distintos de Gram negativas. Cerca de 38% das bactérias identificadas foram Escherichia coli, seguidas de Shigella spp. 27%, Enterobacter aerogenes 12%, Salmonella tiphy e Salmonella enteretidis paratyphi A 8%. Houve presença de Proteus vulgaris, Klebsiela pneumoniae, Salmonella cholerae suis, Enterobacter agglomerans e Leclercia adecarboxylata representando 7% das amostras. No isolamento em meio seletivo para Gram positivos, obteve-se 7 bactérias pertencentes a 3 gêneros distintos. Staphylococcus aureus 58%, Staphylococcus epidermidis 28% e Enterococcus spp. 14% das amostras. CONCLUSÃO: Observou-se em geral que a maioria das bactérias mantinha-se sensível aos antibióticos utilizados. A pesquisa revelou uma gama ampla de bactérias, entre elas, Salmonella spp. ao qual é um dos contaminantes de alimentos e causadora da febre tifoide e gastroenterites. A presença de diversas espécies de bactérias revela a necessidade de profilaxias mais eficientes para evitar que este animal se torne vetor e transporte para diversas regiões bactérias patogênicas, ocasionando risco de contaminação aos humanos e a carga bacteriológica permanente comum do ambiente. Palavras-chave: Gaivotas, Bactérias, Patogênicas

MIELOMA MÚLTIPLO - DOS SINTOMAS AO DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO Silva, C. A., Barbosa, L. C., Lopes, I. C. R. | Universidade de Uberaba, Uberaba-MG Contato: isabel.lopes@uniube.br INTRODUÇÃO: O Mieloma Múltiplo trata-se de uma neoplasia maligna de origem medular causada pela intensa proliferação descontrolada de plasmócitos. De etiologia desconhecida, apresenta como principal manifestação clinica a destruição óssea. OBJETIVO: O objetivo deste trabalho foi descrever a fisiopatologia do Mieloma Múltiplo, abordando alterações clínicas e laboratoriais, e formas de tratamento, entre elas a quimioterapia, o transplante de medula óssea e a utilização da talidomida. METODOLOGIA: Foi realizado um estudo descritivo de revisão bibliográfica onde foram utilizados artigos científicos publicados nos últimos dez anos. DISCUSSÃO: As células neoplásicas que causam o Mieloma Múltiplo têm como característica secretar proteína monoclonal no sangue ou na urina. Ocorre mutação nos genes que produzem as imunoglobulinas, que perdem sua função de anticorpo. O diagnóstico é feito através de exames laboratoriais e de imagem. O tratamento é baseado no estádio em que se encontra a doença. CONSIDERAÇÕES FINAIS: O Mieloma Múltiplo é uma doença de difícil diagnóstico, já que manifesta os sintomas quando a doença já se encontra em um estádio de difícil tratamento, que varia de acordo com o protocolo adotado entre paciente e médico, entre eles estão a quimioterapia e o transplante de medula óssea. O uso da talidomida é bastante eficaz no tratamento de pacientes que não respondem ao tratamento padrão. É uma medicação usada na fase inicial da terapia, pré e pós-transplante. Sua eficácia se baseia no seu efeito antiangiogênico e através de medidas profiláticas seus efeitos colaterais podem ser reduzidos. Palavras-chave: Mieloma Múltiplo, Talidomida, Tratamento do mieloma, Diagnóstico do mieloma

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CONTROLE DE QUALIDADE EM LABORATÓRIOS DE ANÁLISES CLÍNICAS Silva, A. C. A., Freitas, A. C. A., Cunha, W. F. Faculdade Presidente Antônio Carlos, Bom Despacho-MG Contato: aninharaujo19@hotmail.com RESUMO - Os laboratórios de análises clínicas desempenham papel fundamental na saúde, através do diagnóstico pela realização de variados exames e testes que direcionam corretamente o tratamento do paciente e administração de medicamentos. Assim, a qualidade na realização dos procedimentos é que garante resultados confiáveis e é um diferencial para os laboratórios. O foco de todos os laboratórios deve ser satisfazer as necessidades de seus clientes promovendo a garantia da qualidade de seus serviços, desde uma equipe capacitada até a emissão de um laudo correto e seguro. Isso pode ocorrer com a capacitação de seus funcionários, calibração e manutenção de equipamentos, exames e laudos. Porém, para que se alcance uma qualidade de excelência, é necessário um controle rígido, capaz de identificar todas as falhas existentes e eliminá-las, e até mesmo as que estão propensas a acontecer, a fim de minimizar os problemas e garantir a qualidade. Todas as áreas tanto internas quanto externas devem ser inspecionadas e relatadas em folha e deve possuir também o Procedimento Operacional Padrão (POP) que deve estar disponível aos profissionais. Palavras-chave: laboratório, qualidade, controle.

ABSTRACT - Clinical laboratories play key role in health through the diagnosis by conducting various examinations and tests that properly direct patient care and administration of medications. Thus, the quality in procedures is that it ensures reliable results and is a differential for laboratories. The focus of all laboratories must meet the needs of its clients by promoting quality assurance of its services from a qualified team to issue a correct and safe award. This can occur with the training of their employees, calibration and maintenance of equipment, tests and reports. However, in order to reach the ultimate in quality, you need tight control, able to identify all existing faults and eliminate them, and even those that are likely to happen in order to minimize problems and ensure quality. All both internal and external areas should be inspected and reported on sheet and should also possess the Standard Operating Procedure (SOP) that should be available to professionals. Keywords: laboratory, quality, control.

INTRODUÇÃO O laboratório de análises clínicas deve garantir que os resultados emitidos em seus laudos estejam de acordo com a patologia e a clínica dos clientes. Com isso, ele assegura um resultado idôneo, contribuindo para diagnóstico e tratamento do paciente³. É necessário que ocorra controle de todas as etapas do processo de realização dos exames, envolvendo fase pré-analítica, analítica e pós-analítica4. A garantia da qualidade de todas as fases pode ser conseguida por meio da padronização de cada uma das atividades envolvidas, desde o atendimento ao paciente até a liberação do laudo. Com isso, pode-se alcançar a qualidade que se almeja e, com a gestão da qualidade, garanti-la4. O Laboratório Clínico deve dispor de instruções escritas e atualizadas das rotinas técnicas implantadas, um requisito que deve ser seguido de acordo com a Resolução 302 que determina exigências para o funcionamento do laboratório¹. A fim de promover e assegurar a qualidade, foram criados o Departamento de Inspeção e Credenciamento da Qualidade (DICQ) da Sociedade Brasileira de Análises Clínicas (SBAC), e o Programa Nacional de Controle de Qualidade (PNCQ). Esses sistemas são utilizados para atender às necessidades

de ampla e melhor avaliação dos laboratórios clínicos. Assim, torna-se importante caracterizar o controle de qualidade por ser um sistema que proporciona as condições necessárias para a melhoria, implementação e para que seja mantida a qualidade das atividades laboratoriais, com o intuito de atingir a satisfação do cliente resolvendo não conformidades e promovendo um diagnóstico seguro e eficaz². MATERIAL A partir do século XX, os conceitos de qualidade passaram por uma evolução, a qualidade dependia de esforços dos responsáveis pelos produtos, processos e serviços, para que fossem avaliados, pois esse era o diferencial para alcançar a satisfação dos consumidores7. A preocupação em produzir em abundância e cada vez melhor, fez surgir às primeiras iniciativas pela qualidade no fim da década de 50. Neste contexto, a indústria brasileira se desenvolveu e observou a interação de seus setores, nessa evolução da qualidade das indústrias, incluindo os laboratórios clínicos7.

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O termo qualidade vem sendo empregado e utilizado há muitos anos, desde o surgimento da primeira atividade voltada à prestação de serviços a uma comunidade em geral ou a um indivíduo isolado. A preocupação está sempre em ganhar a credibilidade das pessoas e garantir cada vez mais um rendimento satisfatório. A primeira ação para a qualidade interna de laboratório clínico foi realizada nos Estados Unidos, em 1947, por Bellk e Sunderman, que empregaram um pool de soro humano para comparar as análises de um grupo de laboratórios. Esse é uma forma alternativa de controle, já padronizada, e bastante utilizada que permite avaliar a precisão7. Em 1950 houve o aprimoramento do controle interno, realizado por Levey e Jennings, foi realizada a representação gráfica dos resultados de cada dia, atividades denominadas de Programas de Controle de Qualidade, hoje chamados de Controle Interno e Externo da Qualidade7. No Brasil, os programas de controle de qualidade foram introduzidos na década de 70, com o Programa Nacional de Controle de Qualidade (PNCQ) da Sociedade Brasileira de Análises Clínicas (SBAC) e do Programa de Excelência para Laboratórios Clínicos (PELM) da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica (SBPC). Para avaliação mais ampla dos laboratórios clínicos, existe no Brasil o Departamento de Inspeção e Credenciamento da qualidade – DICQ, da SBAC e o Programa de Acreditação de laboratórios Clínicos – PALC, da SBPC². O Ministério da Saúde afirma que a qualidade nos serviços de saúde está definido em cinco eixos prioritários, sendo eles: alto nível de excelência profissional, uso eficiente de recursos, mínimo de risco e alto grau de satisfação para o cliente e impacto final na saúde5. Segundo a RDC 302, controle de qualidade, são técnicas e atividades operacionais utilizadas para monitorar o cumprimento dos requisitos da qualidade especificados. Define também o controle interno: “procedimentos conduzidos em associação com o exame de amostras de pacientes para avaliar se o sistema analítico está operando dentro dos limites de tolerância pré-definidos”; e controle externo: “atividade de avaliação do desempenho de sistemas analíticos através de ensaios de proficiência, análise de padrões certificados e comparações interlaboratoriais¹. Sistemas da qualidade reconhecem e minimizam os erros, fornecendo critérios para avaliar o desempenho do laboratório, obtendo resultados confiáveis e seguros. Assim, esse sistema implantado tem que garantir a qualidade dos resultados, apresentar iniciativas para eliminar as causas de não conformidade e prevenir a ocorrência das não conformidades encontradas6. Todos os esforços devem ser realizados com verificação e busca assídua do erro através de auditorias e controles de qualidade, para que sejam produzidos laudos com alta especificidade, exatidão e Biomedicina News // 24

sensibilidade, a fim de favorecer o diagnóstico, tratamento e prognóstico correto das doenças7. Atualmente, o monitoramento e a manutenção do desempenho laboratorial foram consideravelmente aumentados por imposição de sistemas reguladores internos e externos pelos poderes de fiscalização e licenciamento, como documentado e requisitado na RDC 3027. Existe também o sistema de Levey-Jennings, um gráfico em que o eixo x representa as corridas analíticas, realizadas diariamente, e o eixo y representa os valores da média e desvios padrão do material de controle utilizado e as regras de Westgard, essas regras são boas para descobrir e interpretar alterações discretas que ocorrem nos dados de controle, além de proporcionar uma interpretação mais estruturada, o que possibilita uma melhor detecção de erros10. O termo controle de qualidade refere-se aos programas existentes em um laboratório para avaliar, continuamente, a qualidade analítica, monitorar a execução dos testes do dia a dia, detectando erros, corrigindo problemas antes da liberação do laudo e garantir a efetividade dos processos analíticos com qualidade5. Um sistema de controle de qualidade não pode ser somente implantado e dado como pronto para uso no modelo em que se encontra, necessita de ampliações, modificações, aprofundamentos e alterações necessárias, principalmente no Procedimento Operacional Padrão e Instrução de Trabalho, documentos que regulamentam de maneira clara, objetiva e precisa todas as atividades do laboratório, sendo aprovados e colocados à disposição do corpo técnico e de apoio5. A qualidade engloba mais do que simplesmente o controle da qualidade que é a melhoria contínua. Existem ainda os processos de gestão, melhoria e garantia da qualidade. A garantia da qualidade corresponde ao conjunto de todas as atividades planejadas que vão garantir a qualidade do serviço, atendendo a determinadas condições e satisfazendo as necessidades do paciente. A gestão da qualidade refere-se ao apoio e a disponibilização de recursos, que são estratégias definidas pela diretoria do laboratório, que determina as coordenadas e administra o laboratório. A melhoria da qualidade consiste em o laboratório ser capaz de atender e se adequar aos requisitos da qualidade4. Um bom programa de qualidade é aquele que identifica as falhas e suas causas nas etapas pré-analítica, analítica e pós-analítica e ainda busca o aperfeiçoamento da exatidão, precisão, sensibilidade e especificidade4. Verifica-se a qualidade de um laboratório a partir de controles internos e externos de qualidade. O controle interno testa o funcionamento dos processos e a validade dos testes e o controle externo faz uma comparação interlaboratorial¹¹. O controle interno é um controle intralaboratorial, feito pelo próprio laboratório com testes de


amostras-padrão, representação em gráficos e avaliações¹¹.

um exame, e essa padronização tem por finalidade prevenir, detectar, identificar e corrigir erros.

Os sistemas de controle interno da qualidade mais empregados são: Sistema de Controle de Levey-Jennings e o Sistema de Controle através das Regras Westgard. O Sistema de Controle de Levey-Jennings é um dos sistemas mais usados para controle da qualidade nos laboratórios. Passou a ser empregado no laboratório a partir de técnicas de controle para as indústrias. Usa-se a média e o desvio-padrão de uma série de resultados de controle que são plotados em gráfico6, 10. O controle externo é um sistema de controle interlaboratorial, onde análises de alíquotas do mesmo material são realizadas e seu resultado é comparado com a média do seu grupo, avaliando a exatidão. Essa média para cada analito é calculada usando os resultados enviados pelos laboratórios e é a melhor maneira de ajustar a exatidão dos métodos quantitativos6, ¹¹. O teste de proficiência é outro tipo de programa de controle externo, consiste de amostras múltiplas de valor desconhecido que são enviadas periodicamente aos laboratórios para realização de ensaios. Os laboratórios são agrupados por métodos e aparelhos e os resultados são comparados com os dos outros participantes, a avaliação é feita e enviada ao laboratório6, ¹¹. Os fatores pré-analíticos são difíceis de monitorar e controlar devido a sua maioria poder ocorrer fora do laboratório, é considerada também a etapa sujeita a maior ocorrência de erros (46 a 68%). Assim, considerando os fatores que podem afetar os resultados, o laboratório deve fornecer instruções escritas ao paciente sobre seu preparo para evitar prováveis erros nessa fase, bem como o adequado transporte biológico coletado ao laboratório6. As inúmeras variáveis analíticas de um exame laboratorial devem ser minuciosamente controladas para assegurar que os resultados sejam precisos e exatos. A fase analítica consiste na realização dos testes e na interpretação dos resultados7. Antes da implantação dos métodos analíticos, eles devem ser analisados com relação à confiabilidade como precisão, exatidão, sensibilidade, especificidade e linearidade, e à praticidade como tipo e características da amostra, duração do ensaio, reagentes usados, equipamentos, custos e segurança pessoal6. A etapa pós-analítica é executada após a realização do exame que envolve análise e cálculos dos resultados, liberação do laudo e armazenamento do material. Os resultados, na forma de laudos, representam os produtos do laboratório clínico, que devem assegurar a qualidade de seus produtos, sendo entregue legível e com sigilo. Para se obter qualidade é preciso padronização de todos os processos envolvidos na execução de

Muitas falhas são causadas pela falta de informação e preparo dado ao paciente. Para minimizar essas ocorrências e outros interferentes na execução de todas as etapas de um exame, é fundamental o desenvolvimento de estratégias e a correta orientação ao paciente, deixando informado sobre todos os interferentes que podem ocorrer e quais são as medidas que ele precisa tomar antes da coleta. As diversas variáveis pré-analíticas devem ser controladas de forma a preservar a representatividade e a integridade do espécime diagnóstico. Portanto, a padronização de procedimentos com foco no controle e minimização dos erros pré-analíticos é essencial para a obtenção de resultados confiáveis. Identificar e quantificar as fontes de erro associados ao laudo laboratorial também é de fundamental importância, pois são baseadas nas informações reportadas nestes documentos que o corpo clínico acompanha seus pacientes9. MÉTODOS Estudo de caráter observacional e transversal, realizado com laboratórios de análises clínicas de algumas cidades de Minas de Gerais. O trabalho foi iniciado com a coleta de dados através da realização de um questionário com perguntas relacionadas ao controle interno e externo de qualidade desses laboratórios. A coleta de dados ocorreu no período de junho a agosto de 2013. Para iniciar a coleta de dados foi assinado um termo de consentimento livre e esclarecido para, em seguida, fazer a entrega do questionário que foi preenchido pelo responsável técnico do laboratório. Foram entregues nove formulários em laboratórios de análises clínicas de diferentes cidades, entre elas: Abaeté, Divinópolis, Pitangui e Belo Horizonte, não houve critérios de seleção dos laboratórios. Os dados obtidos na pesquisa foram inseridos em planilhas do programa Microsoft Excel. Análises de consistência foram realizadas para determinar erros de digitação e informação, que depois de conferidos com os questionários originais foram corrigidos. Em seguida, foram realizadas análises estatísticas e obtenção dos resultados. RESULTADOS Foram estudados nove laboratórios de análises clínicas sendo estes divididos entre as cidades de Abaeté, Belo Horizonte, Divinópolis e Pitangui. Através da análise dos dados nos questionários, pode-se perceber que todos os laboratórios apresentam Procedimento Operacional Padrão (POP) e manual de normas. Os controles de qualidade interno realizados nos laboratórios estudados apresentam diferenças entre si, considerando o tamanho, estrutura e Biomedicina News // 25


especialidades dos laboratorios, por exemplo, os laboratórios de grande porte realizam controle interno em todas as áreas perguntadas (Bioquímica, Imunologia, Parasitologia, Hematologia e Microbiologia), os de médio porte realizam controle somente em Bioquímica e Hematologia e de pequeno porte, em Bioquímica. Quanto aos registros dos controles de qualidade realizados, 77,8% declararam realizar o registro, 11,1% declararam que não realizam o registro e 11,1% preferiram não fornecer a informação. Em relação ao controle externo de qualidade, a maioria dos laboratórios (55,6%) declararam realizar apenas através do Programa Nacional de Controle de Qualidade (PNCQ) da Sociedade Brasileira de Análises Clínicas (SBAC), 11,1% declaram realizar apenas através do Programa de Excelência para Laboratórios Clínicos (PELM) da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica (SBPC), 11,1% declararam realizar através do PNCQ e PELM e 22,2% declararam não realizar nenhum tipo de controle externo de qualidade. A auditoria interna também é de suma importância para que um laboratório possua uma boa qualidade e isso também foi perguntado aos entrevistados. Entre os laboratórios entrevistados, 44,4 % declaram realizar auditoria interna, 33,3 % declararam não realizar e 22,2 % não responderam à pergunta. Para que o laboratório possa funcionar legalmente, ele necessita de alvará sanitário, 66,7 % dos laboratórios possuem alvará sanitário atualizado e 33,3 % possuem alvará sanitário desatualizado a mais de um ano. DISCUSSÃO Segundo Berlitz (2010), melhorar continuamente os processos deve ser foco primordial de qualquer organização, visto que estas iniciativas deveriam, em última análise, oferecer melhores produtos ou serviços aos clientes, visando minimizar os riscos a vida dos pacientes, atitude essa materializada no fornecimento de informações diagnósticas consistentes e fidedignas. Uma organização altamente confiável é aquela que controla de forma adequada todos os seus processos, sendo capaz de evidenciar possíveis falhas, assim que elas ocorrem e estando preparada para atuar prontamente sobre elas, minimizando suas principais consequências indesejadas. No laboratório clínico, os clientes desejam resultados laboratoriais condizentes com seu estado clínico e disponíveis em menor prazo possível. Todos os processos no laboratório, portanto, devem estar alinhados para atender adequadamente a todas estas necessidades. Em relação a resultados exatos e precisos, todas as fases do processo de análises clínicas devem estar padronizadas e atuando de forma esperada para garantir resultados adequados clinicamente. Isso é demonstrado através de POPS, controle de

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qualidade interno, auditoria interna, calibração dos aparelhos presentes no laboratório. Na fase analítica, procedimentos eficazes de controle de qualidade são essenciais para garantir a adequação do resultado fornecido pelo laboratório, assim, como o cliente deseja resultados fidedignos, assegurar o real atendimento dessa necessidade é primordial e somente é garantido por procedimentos de controle de qualidade. A maioria dos laboratórios estudados apresenta controle externo e interno de qualidade e realizam auditoria interna. O sistema de controle de qualidade empregado na maioria dos laboratórios clínicos não atende perfeitamente a essa necessidade, na maioria deles as padronizações do controle de qualidade em vigor procuram atender a legislação existente ou normas de certificação ou acreditação. (MOTTA, 2003). O controle externo da qualidade ou controle interlaboratorial é altamente recomendado num programa de controle de qualidade, sendo exigência da RDC 302 e visa à padronização dos resultados de laboratórios diferentes pela comparação de análises de alíquotas do mesmo material. Alguns laboratórios apresentam mais de um programa e isso mostra a vontade de possuir uma boa acreditação6,11. Em todos os laboratórios pesquisados existe o manual de normas e POP’s para os procedimentos e atividades que são realizadas, sua importância consiste em oferecer de forma coesa e segura as etapas de um ensaio analítico com fins diagnósticos ou como simples guia de conduta interna. Todas as atividades do laboratório devem ser documentadas através de Instruções de Trabalho (IT) ou Procedimento Operacional Padrão (POP), aprovadas e colocadas à disposição do corpo técnico e de apoio6, 11. A rigorosa execução do sistema de controle da qualidade fornece resultados confiáveis e de alta utilidade. Um afrouxamento na abordagem do programa, com um equivalente abrandamento no manuseio e avaliações das amostras, provoca redução na confiabilidade dos resultados. Dessa forma, as técnicas de controle devem estar orientadas para o aumento da segurança dos resultados, pelo aperfeiçoamento da exatidão, pela precisão, pela sensibilidade e especificidade de cada método11. CONCLUSÃO Embora existam diversos programas de acreditação, nem todos os laboratórios fazem parte de algum desses programas e nem seguem corretamente a RDC 302, muitas vezes conhecem mas não fazem o uso das regras de Westgard e nem do sistema de controle de Levey-Jennings. Apesar de estarmos em pleno século XXI, a Vigilância Sanitária deveria ser mais atenciosa, mesmo que ainda façam vistorias frequentes existem alguns pontos falhos com relação aos sistemas de qualidade de alguns estabelecimentos que mantém


apenas controles externos sem se preocupar muito com os controles internos e outros até possuem controles tanto internos quanto externos, mas que deixam de estar regularizados, por exemplo, pela falta de alvará sanitário ou que possuem e está desatualizado, existem muitos também que não realizam capacitação dos funcionários. A legislação existe, mas não é atendida como deveria, um laboratório mesmo com bons programas de acreditação e sistemas de controle modernos muitas vezes carecem em outros pontos e não significa que por estar no mercado há muito tempo que seja a melhor opção. Considera-se que a qualidade ainda é um tema deixado de lado, muitos não possui a preocupação de com ela se desenvolver, os sistemas de controle devem ser bem observados para que sempre haja atendimento de excelência aos pacientes, oferecendo cada vez mais uma qualidade melhor, qualidade essa que engloba todos os sentidos.

12 - SILVA, MM; GARCIA, KS. Controle Interno de Qualidade. X Congresso Brasileiro de Biomedicina. Goiás, Goiânia, Nov. 2006. 13 - TAVORA, P. Treinamento para Aplicação do Roteiro de Inspeção em Laboratórios de Análises Clínicas e Postos de Coleta Laboratorial. Paraná, Curitiba. 14 - Wallin, O. et al, Plebani e Carraro, Lippi G. et al. Fontes e freqüências de erro no processamento do espécime diagnóstico. 15 - OLIVEIRA, L. GABRIEL; Programa de Acreditação de Laboratórios Clínicos, ed. 53, Ano V, Fev. 2009.

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LEUCEMIA MIELÓIDE CRÔNICA: REVISÃO BIBLIOGRÁFICA SOBRE OS DIFERENTES MÉTODOS DE DIAGNÓSTICO Jesus, R. M. S., Oliveira, J. B. Faculdade Alfredo Nasser, Aparecida de Goiânia-GO Contato: jeff.aleron@gmail.com RESUMO - O presente trabalho fez uma revisão bibliográfica sobre os diferentes métodos de diagnóstico da Leucemia Mielóide Crônica (LMC), e realiza uma análise comparativa entre as diferentes metodologias utilizadas no diagnóstico da doença. A LMC é uma doença mieloproliferativa caracterizada pelo acúmulo de leucócitos na medula óssea, estando presente em 95% dos casos o cromossoma Philadelphia (Ph), e representa cerca de 20% de todos os casos de leucemias, sendo mais comum em adultos do sexo masculino. Devido à grande necessidade de se obter o diagnóstico preciso da doença, vários métodos foram desenvolvidos com esse propósito, entre os mais adotados estão: Hemograma, Mielograma e Biopsia da medula óssea, PCR e Imunofenotipagem, sendo que em maior parte dos casos o resultado de um simples hemograma serve como direcionamento aos demais exames. Todos esses métodos em conjuntos se faz um diferencial no diagnóstico da doença, sendo de grande importância a realização de análises comparativas entre os diferentes métodos para obter resultados cada vez mais confiáveis. Palavras-chave: Leucemia Mielóide Crônica, Método de Diagnóstico ABSTRACT - This paper has reviewed the literature on the different methods of diagnosis of chronic myeloid leukemia (CML), and performs a comparative analysis between the different methodologies used in the diagnosis of disease. CML is a myeloproliferative disease characterized by the accumulation of bone marrow leukocytes, present in 90 % of cases the Philadelphia chromosome (Ph), representing about 20 % of all cases of leukemia. Due a great need to obtain an accurate diagnosis of the disease, various methods have been developed for this purpose, among the most used are: PCR, Immunophenotyping and Cytochemistry, bone marrow, bone marrow biopsy and morphologic analysis of peripheral blood, and in most cases the result of a simple blood test used direction as the other methods on these sets exams. All these methods together make a differential diagnosis of the disease, being of great importance to conduct comparative analysis between different methods to obtain even more reliable results. KEYWORDS: Chronic Myeloid Leukemia, Method of Diagnosis

METODOLOGIA O estudo foi feito por meio de pesquisa bibliográfica, com levantamentos de dados através de livros, artigos, publicações em revistas científicas, dissertações. A pesquisa bibliográfica tem uma abordagem metodológica, através do método exploratório, proporcionando maior conhecimento sobre o tema proposto, uma vez que a pesquisa qualitativa exploratória facilita a compreensão do assunto e permite o aprofundamento do conhecimento relativo aos aspectos considerados relevantes ao assunto pesquisado. A coleta de dados para este trabalho foi realizada na biblioteca da Faculdade Alfredo Nasser localizada na cidade de Aparecida de Goiânia – GO e uma busca em bases de dados virtuais em saúde, como BIREME, MEDLINE e SCIELO, e também através de artigos científicos e revistas de origem eletrônica. INTRODUÇÃO A Leucemia é uma doença hematológica que envolve os leucócitos, caracterizada por uma proliferação desordenada e acúmulo de células hematopoiéticas na medula óssea e sangue periférico, comprometendo a produção normal de leucócitos,

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hemácias e plaquetas, sendo compreendida em duas fases: aguda e crônica, e classificada de acordo a linhagem predominante das células diferenciada, linfoide ou mieloide (HEMORIO, 2009). A Leucemia Mielóide Crônica é uma doença mieloproliferativa clonal, e se caracteriza por uma hiperplasia medular e periférica da linhagem mieloide, com predomínio de granulócitos em diferente estágio de maturação. Foi a primeira doença genética hematológica adquirida catalogada, resultado de uma translocação recíproca entre os braços longos dos cromossomas 9 e 22, dando origem a um cromossoma alterado, denominado cromossomo Philadelphia(Ph), o qual foi descoberto por dois cientistas da cidade de Filadélfia na Pensilvânia em 1960, estando presente em 95% dos casos de LMC, e os demais casos podem apresentar translocações em diferentes regiões em outros cromossomos, como 34 e 11. (MONTENEGRO et al, 2008; HAMERSCHLAK, 2012). Durante a translocação recíproca entre os cromossomos, ocorre uma fusão entre a porção BCR do gene localizado no cromossoma 22 com a porção ABL do gene localizado no cromossoma 9, dando origem a um gene híbrido, o oncogene BCR/ABL, que


direciona a síntese de uma proteína quimérica de caráter enzimático desregulada (p210), com intensa atividade de tirosina quinase, que aumenta proliferação das células e resistência destas ao processo de apoptose , prolongando seu tempo de vida na circulação, podendo se infiltrar em diversos órgãos e tecidos (ALMEIDA et al, 2009;MONTENEGRO et al, 2008). As causas dessas alterações genéticas são desconhecidas, porém uma corrente científica acredita que exposição a altas doses de radiação ionizante pode desencadear essas alterações, isso com base em estudos com sobreviventes japoneses da bomba atômica de Hiroshima e Nagasaki no Japão em 1945, que tiveram um aumento da incidência de LMC de maneira significativa, assim como pacientes submetidos a tratamento de radioterapia (HEMORIO, 2009). A LMC apresenta três fases evolutivas distintas: Fase Crônica (FC), Fase Acelerada (FA) e Fase Blástica (FB). A FC, fase inicial da doença, apresenta uma leucocitose com capacidade maturativa, sendo a maior parte dos casos assintomática, mas caso apresente sintomas, os mais comuns são: fadiga, fraqueza, emagrecimento e anorexia, sendo essa fase facilmente controlada através da quimioterapia. Já a FA, representa um agravamento da fase anterior, conhecida também como fase de transformação, apresentando um maior número de células blásticas leucêmicas, que implica no aparecimento de mais sintomas como: dor óssea e Esplenomegalia. E por último a FB, considerada a fase mais agressiva da doença por apresentar um quadro clínico semelhante o da Leucemia Mielóide Aguda (LMA), onde há uma perda significativa da maturação celular e aumento extremo dos blastos, sendo esta resistente a terapia medicamentosa convencional e de pior prognóstico à sobrevida do paciente (INCA, 2003; HEMORIO, 2009). Sobre o ponto de vista epidemiológico, a LMC apresenta uma incidência de aproximadamente 2 casos para cada 100 mil habitantes por ano, e corresponde aproximadamente 20% de todos os casos de leucemias, com maior frequência em adultos do sexo masculino, sendo comum o diagnóstico em paciente com idade igual ou superior à 50 anos, e menos de 10% em pacientes com idade inferior a 20 anos (Bortolheiro, Chiattone, 2008). MÉTODOS DE DIAGNÓSTICO LABORATORIAL

Devido à complexidade e diversidades dos quadros em pacientes com LMC, tanto no aspecto clínico como no laboratorial, tornou-se de grande importância a utilização de critérios para o diagnóstico da doença mediante a aplicação de uma rede de exames com diferentes metodologias, tais como: Hemograma, mielograma e biópsia da medula óssea, Imunofenotipagem, citogenética e PCR. Todos esses

dados em conjunto são necessários para fechar o diagnóstico e caracterizar as fases evolutivas da doença (INCA, 2003; PIER, 2008). HEMOGRAMA O hemograma é um exame de triagem que analisa os elementos do sangue de maneira quantitativa e qualitativa, e se divide em três partes: Eritrograma, Leucograma e Plaquetograma. A parte do Eritrograma avalia a série vermelha, os eritrócitos, responsáveis pelo transporte de gases no organismo, onde é avaliada sua quantidade, morfologia, hematócrito e hemoglobina. Já o Leucograma estuda a série branca, os leucócitos, responsáveis pela defesa do organismo, e avalia sua morfologia, realizando uma contagem total dessas células com dados absolutos e em percentual. A parte de Plaquetograma avalia as plaquetas, células que fazem parte do processo de coagulação do sangue, e estuda sua quantidade e morfologia (FAILACE, 2009). O hemograma é um dos exames mais realizados dentro da rotina laboratorial, e através de seus dados é possível obter informações sobre distúrbios hematológicos. Na maioria dos pacientes com LMC, o hemograma foi o exame que serviu para direcionar às demais metodologias de investigação. O hemograma desses pacientes é caracterizando basicamente por uma leucocitose com desvio à esquerda e presença de várias formas de maturação, trombocitose, e quando presente, a anemia é discreta e os eritrócitos são normocíticos e normocrômicos. Porém, esses valores variam de acordo com cada fase da doença (FAILACE, 2009). A FC da doença cursa com hiperplasia de capacidade maturativa, seguido de uma leucocitose entorno 12-1.000X109/L com mediana 100x109/L, desvio à esquerda com aparecimento de granulócitos imaturos como mieloblastos, promielócitos, mielócitos, metamielócitos, e predomínio de neutrófilos maduros ou em processo de maturação. Os blastos geralmente estão abaixo de 2%, há presença de basofilia e eosinofilia na proporção de 15 a 20%, podendo apresentar monocitose abaixo de 3%, e a plaquetometria é variável entre o normal e valores superior a 1.000X109 /L, não sendo comum trombocitopenia nessa fase, sendo considerada a fase benigna da doença, pois suas manifestações no sangue periférico são facilmente controladas pela terapia medicamentosa (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2011; HEMORIO, 2009). A fase Acelerada (FA) é marcada por uma elevação persistente da leucometria, com blastos ≥15%, e valores ≥30% de promielócitos, basofilia ≥20%, e 10% a 19% de mieloblastos, presença de trombocitopenia persistente com valores abaixo de 100x109/L, não relacionado à quimioterapia, em alguns casos trombocitose com valores de plaquetas acima 1.000x109/L, também não relacionado à terapia (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2011; INCA, 2003). A Fase Blástica (FB) é considerada a fase mais agressiva da doença e de pior prognóstico, apresenta Biomedicina News // 29


valores ≥ 30% de blastos, com esplenomegalia e infiltração extra medular das células blásticas em outros órgãos, como: baço e fígado (INCA, 2003). É utilizada associação de alguns desses critérios laboratoriais para determinar a transição entre as fases evolutivas da doença. O aumento persistente da leucometria e esplenomegalia associado com a evolução citogenética clonal está relacionado com a transição da FC para a FA, assim como basofilia ≥ 20% associado com valores de 10% a 19% de mieloblastos está para transição entre a FA e a FB. Apesar de ocorrerem mudanças nesses critérios de associação, é recomendado que seja considerado como uma evolução da doença (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2011). Figura 1- Esfregaço sanguíneo de paciente com LMC mostrando células em diferente estágio de maturação.

Fonte: Academia de Ciência e Tecnologia

A LMC é confundida por muitos com as chamadas Reações leucemoides, que também costuma apresentar quadros de leucocitose que chega a ultrapassa 25.000 a 30.000/mm3, porém as causas dessas alterações normalmente são infecções e síndromes inflamatórias, e as alterações hematológicas desaparecem após a correção da causa, o que não ocorre tão facilmente nas LMC (NEVES, MERISIO, 2010). A distinção entre a LMC e Reações leucemoides é dada basicamente pela presença de esplenomegalia no exame físico, fosfatase alcalina dos neutrófilos diminuída, leucocitose > 100.000/mm3 com desvio a esquerda, presença significativa de blastos, basofilia e presença do cromossoma Ph (NEVES, MERISIO, 2010).

Tabela 1- Diferenças no diagnóstico entre LMC e Reações leucemoides. Pesquisa

LMC

Reação leucemoide

Exame físico

Assintomática ou esplenomegalia, febre, fraqueza, anorexia.

Infecção, carcinoma, inflamação

Sangue periférico

Leucócitos >100.00/mm com desvio à esquerda, grande número de blastos, basofilia, eosinofilia, presença de acantócitos, eritroblastos e policromatofilia, plaquetometria normal ou aumentada.

Leucócitos <50.000/mm com predomínio de formas maduras, pouco blastos, sem basofilia, plaquetometria normal.

Medula óssea

Hiperplásica com relação leuco-eritroblástica 20:1, basofilia, grande números de megacariócitos e aumento de fibrose.

Sem hiperplasia, relação leuco-eritroblástica 5:1, sem basofilia, megacariócitos normais.

Fosfatase alcalina dos neutrófilos Ácido úrico

Diminuída

Aumentada

Aumentado

Normal

Cariótipo

Cromossomo Philadelphia

Normal

Fonte: (NEVES, MERISIO, 2010) MIELOGRAMA E BIÓPSIA DA MEDULA ÓSSEA A medula óssea é um tecido líquido de consistência viscosa existente no interior dos ossos, onde se originam os componentes do sangue. O mielograma e a biópsia da medula óssea são técnicas realizadas quase que simultaneamente para obtenção de amostras na investigação de anormalidades hematológicas desse tecido. O mielograma consiste na punção da Biomedicina News // 30

medula óssea por meio de uma agulha específica que penetra no interior do osso, normalmente da crista ilíaca ou do externo, para extração do líquido que será analisado pelo microscópio em esfregaço corado. Já a biópsia da medula óssea baseia-se da extração de fragmentos da parte interna do osso medular, utilizando outro tipo de agulha para obtenção do material, que também será analisado em lâminas através da microscopia (LORENZI, 2003).


O mielograma de pacientes na FC revela uma hiperplasia devido à intensa proliferação dos granulócitos e precursores, com uma relação granulócitoseritroblastos de aproximadamente 20:1 com diferenciação preservada, menos de 5% de blastos, aumento do número de megacariócitos, em alguns casos eosinofilia. A FA apresenta um aumento do número de blastos que fica entre 10 a 19% e pode apresentar displasia. Já na FB, as células blásticas ultrapassam 20% (CHAUFFAILLE, 2010). A biópsia da medula óssea apresenta-se também com hiperplasia à custa da proliferação dos granulócitos, grande número de megacariócitos, porém, são menores que o normal e hipolobulados. O aumento das fibras de reticulina é presente em cerca de 40% dos pacientes, e aumenta seus valores na FA juntamente com megacariócitos. A FB é definida pelo aumento significativo de blastos (CHAUFFAILLE, 2010). Figura 2 -Mielograma e Biópsia da medula óssea na LMC.

lulas nesse feixe de luz são identificadas por um detector óptico que permite diferenciar as células pelo seu tamanho e grânulos internos. Além dessa análise, esse método utiliza anticorpos monoclonais marcado com uma substância fluorescente (fluorocromos) capaz de reconhecer os mesmos antígenos produzidos pelas células clonais. Esses fluorocromos presente no anticorpo ligado as células, absorvem as luz emitida pelo citômetro e devolve em um comprimento de onda maior e específico, sendo que cada um desses fluorocromos dispõe de um padrão e absorção e emissão, que são separados por filtros seletivos pelos receptores ópticos em até três cores de luz, permitido assim a análise simultânea de dois a três antígenos. Detectores específicos convertem a luz captada pelos receptores óticos em impulsos elétricos que são convertidos em sinais digitais, e logo depois codificados por um sistema de informática capaz de fornecer esses dados em diferentes formas de análises, como por exemplo; o histograma e o Dot plot, representados na figura 3 (PIER, 2008). Figura 3- Representação esquemática do citômetro de fluxo.

Mielograma

Figura 4- Representação de um histograma e Dot plot.

Biópsia da medula óssea Fonte: LIGA DE PATOLOGIA-UFC

IMUNOFENOTIPAGEM A Imunofenotipagem é um exame que detecta e quantifica antígenos presente na superfície do citoplasma e núcleo das células leucêmicas, utilizando a citometria de fluxo, que permite a determinação simultânea de diversas propriedades físicas proveniente de partículas isoladas em suspensão, nesse caso, as células, tornando-o um método rápido e objetivo no diagnóstico de doenças hematológicas (PIER, 2008). A citometria de fluxo é um método que analisa as propriedades em suspensão proveniente das células, que são orientadas num fluxo laminar e interceptadas separadamente por um feixe de laser, onde as alterações produzidas pela presença das cé-

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O método de citometria de fluxo realiza a análise das células alteradas e as define de duas maneiras: Baseando-se no tamanho e complexidade da estrutura interna, e na identificação da população de células coradas com anticorpos monoclonais específicos, e as caracteriza de acordo com a linhagem celular, maturação, anormalidades, e expressão de antígenos anormais. Esses anticorpos monoclonais

foram previamente testados, padronizados e designados como CD (cluster of differentiation), sendo que cada CD pode representar um grupo de anticorpos que reconhecem o mesmo antígeno produzido por diferentes clones de células, com o objetivo de definir as linhagens leucocitárias e seus diferentes estágios de maturação (PIER, 2008).

Tabela 2 - Exemplos de antígenos utilizados pela técnica de citometria de fluxo. CD

Anticorpos monoclonais

Células que expressam

CD33

LEUM9 MY9 P3HL90 WM54

Células mieloide e monocítica

CD41

Pit-1 P2 5B12

Megacariócitos e plaquetas

CD117

c-kit

Células mieloides precursoras

CD71

T9

Células eritroides, precursores linfoides

CD15

LEU M1 80H5 CD3-1

Células mielocíticas e monocíticas

Fonte: (PIER, 2008).

CITOGENÉTICA A citogenética é parte da genética que estuda os cromossomos, e se divide em citogenética clássica, molecular e citomolecular. Na LMC, a citogenética clássica utiliza a cultura de células para pesquisa do cromossomo Ph, sendo este detectado em 90 a 95% dos indivíduos com LMC por meio dessa técnica. São utilizadas preferencialmente as células da medula óssea, por esta em constate processo de divisão celular, e logo após é realizada uma seleção das células que se encontra período de metáfase na mitose celular. Essas células passam por um processo de lavagem, nutrição e incubação, e em seguida é feito o preparo de lâminas com esse material. Essas lâminas são coradas com corante Giemsa, dispondo do método de bandeamento G, considerado o de melhor escolha para diagnóstico da LMC, e então são analisadas no mínimo 20 células em metáfase, com auxílio do microscópio de fluorescência, onde os cromossomos apresentam corados com bandas claras e escuras e assim são diferenciados individualmente, sendo que a presença de no mínimo 4 cromossomos Ph+ podese considerar o diagnóstico positivo para LMC. Porém, o cromossoma Ph não é patognômico da LMC,

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pois também se faz presente em aproximadamente 25% dos indivíduos com Leucemia linfoide Aguda (MONTENEGRO et al, 2008). A técnica de PCR baseia-se na síntese in vitro de copias complementar aos segmentos específicos do DNA alvo, utilizando a enzima DNA polimerase capaz de reconhecer o par de oligonucleotideos de fita simples (primers), utilizados como iniciadores do processo de amplificação. Estes primers são sintetizados artificialmente para delimitar a região especifica a ser copiada, e a partir desse ponto é iniciada a amplificação sequencial dos nucleotídeos complementares ao DNA alvo até se obter vários segmentos da sequência desejada. Na LMC, essa técnica oferece resultados quantitativos dos transcritos BCR/ABL, e apresenta uma alta sensibilidade e especificidade, sendo utilizada na maioria das vezes como um teste confirmatório, e assim, garantir a total inexistência do cromossomo Ph, uma vez que, paciente Ph- apresenta um pior prognóstico e uma menor sobrevida que os Ph+ (MONTENEGRO et al, 2008; ANTONINI et al, 2004).


Tabela 3- Quadro comparativo entre os diferentes métodos de diagnóstico da LMC. Exame

Metodologia

Achados laboratoriais

Sensibilidade / especificidade

Hemograma

Contagem por impedância

Leucocitose>100.00/mm3, desvio à esquerda, blastos, eosinofilia, trombocitose.

Baixa

Imunofenotipagem

Citometria de fluxo

Identificação positiva em diferentes grupos de CD.

Alta

Citogenética clássica

Bandeamento G

Presença do cromossoma Philadelphia.

Alta

Estudo Molecular

PCR

Presença dos transcritos do rearranjo BCR/ABL.

Alta

Mielograma

Punção aspirativa

Hiperplasia medular, relação leucoeritroblástica 20:1, aumento de megacariócitos, e presença de blastos.

Moderada/Baixa

Biópsia da medula óssea

Biópsia

Hipercelularidade, aumento de megacariócitos e fibra reticulina, presença de blastos.

Moderada/Baixa

Fonte: (CHAUFFAILLE, 2010; MONTENEGRO et al, 2008; PIER, 2008; FAILACE, 2009).

CONCLUSÃO O presente estudo sobre os diferentes métodos de diagnóstico da LMC foi realizando com propósito de revisar e divulgar informações sobre os diversos testes laboratoriais que são necessários para obter o diagnóstico da doença. Esses testes variam desde um simples exame de rotina como o hemograma, até as mais modernas metodologias de diagnóstico (Imunológica e molecular), como a Imunofenotipagem e PCR, que apresentam um elevado grau de sensibilidade e especificidade se comparado aos outros métodos, porém, não mais importante, pois a necessidade de sua realização depende das informações extraídas dos outros exames, o que sugere uma análise comparativa dos resultados obtidos entre as diferentes metodologias para garantir um diagnóstico mais rápido e preciso. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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Revista Biomedicina News 4ª edição  

Edição especial de aniversário de 5 anos do blog Biomedicina Padrão.

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