Issuu on Google+

Professora ValĂŠria Paiva

1


Professora ValĂŠria Paiva

2


Doenças que se podem transmitir sexualmente • Primeiras doenças de transmissão sexual reconhecidas Úlcera mole ou cancróide. Gonorreia. Granuloma inguinal. Linfogranuloma venéreo. Sífilis.

• Doenças de transmissão sexual mais recentemente reconhecidas Cervicite por Chlamydia. Piolho-ladro (pediculose púbica). Candidíase genital (geralmente não transmitida por via sexual). Herpes genital. Verrugas genitais. Infecção por VIH e SIDA. Molusco contagioso. Uretrite não gonocócica (em geral uma infecção por Chlamydia ou micoplasma). Sarna. Tricomoníase.

• Doenças ocasionalmente transmitidas por via sexual Amebíase. Infecção por Campylobacter. Infecção causada por citomegalovírus. Giardíase. Hepatite A e B. Salmonelose. Shigellose.

Professora Valéria Paiva

3


INTRODUÇÃO

As doenças de transmissão sexual (venéreas) são as que se transmitem frequentemente, senão em todos os casos, de pessoa a pessoa através do contacto sexual. Professora Valéria Paiva

4


Podem ser transmitidas por: • Vírus

• Bactérias

Professora Valéria Paiva

5


Podem ser transmitidas por: • Parasitas

• Fungos

Professora Valéria Paiva

6


• Podem causar: Feridas ; Corrimentos ; Bolhas ; Verrugas

• Podem evoluir para: Infertilidade Infecção Neonatais Mal Formação Congénita Aborto Câncer Morte Professora Valéria Paiva

7


• Como a actividade sexual dá oportunidade para que os microrganismos encontrem novos hospedeiros, uma grande variedade de microrganismos infecciosos podem transmitir-se deste modo. • Eles englobam desde vírus microscópicos (por exemplo, o vírus da imunodeficiência humana) até insectos visíveis (por exemplo, o piolho-ladro ou púbico). • O contágio em algumas doenças venéreas não exige penetração genital.

Professora Valéria Paiva

8


• Apesar de as referidas afecções serem o resultado das relações sexuais vaginais, orais ou anais com uma pessoa infectada, ocasionalmente podem ser transmitidas ao beijar ou manter um contacto corporal íntimo.

• Certos agentes de doenças de transmissão sexual podem ser transmitidos através dos alimentos e da água ou então das transfusões de sangue, dos instrumentos médicos contaminados ou das agulhas utilizadas pelos toxicodependentes.

Professora Valéria Paiva

9


Incidência • As doenças venéreas figuram entre as infecções mais frequentes do mundo. Nos países ocidentais, o número de pessoas com estas afecções aumentou de forma estável desde a década de 50 até à década de 70, mas de um modo geral estabilizou-se na década de 80. No final da década de 80, contudo, aquele número começou a aumentar de novo em muitos países, particularmente os casos de sífilis e de gonorreia. • Mais de 250 milhões de pessoas em todo o mundo infectam-se cada ano com gonorreia. Quanto à sífilis, os números indicam 50 milhões de pessoas em todo o mundo. Outras doenças de transmissão sexual, como a tricomoníase e o herpes genital, são provavelmente mais frequentes, mas, como os médicos não têm a obrigação de as comunicar aos organismos públicos, os seus números são menos fiáveis. Professora Valéria Paiva

10


• Actualmente, os tratamentos curam rapidamente a maioria as doenças de transmissão sexual e evitam que se propaguem. Contudo, certos microrganismos mais antigos, resistentes aos medicamentos, disseminaram-se amplamente, em parte devido ao transporte aéreo. Essa mobilidade foi parcialmente responsável pela rápida propagação do vírus da imunodeficiência humana (VIH). • O controlo das doenças venéreas depende de fomentar as práticas sexuais seguras e oferecer boas instalações médicas para o seu diagnóstico e tratamento. É fundamental educar as pessoas e explicar-lhes como evitar a propagação destas doenças, especialmente fomentando o uso do preservativo. • Outro aspecto do controlo é a localização do contágio. Os médicos tentam localizar e tratar todos os contactos sexuais da pessoa infectada. As pessoas que tenham sido tratadas são novamente examinadas para se ter a certeza de que estão curadas. Professora Valéria Paiva

11


Classificação • Tradicionalmente cinco doenças foram classificadas como de transmissão sexual: a sífilis, a gonorreia, a úlcera mole, o linfogranuloma venéreo e o granuloma inguinal. • Contudo, muitas outras se transmitem sexualmente, incluindo o herpes genital, a hepatite, o Molluscum contagiosum, o piolho - púbico , a sarna e a infecção pelo VIH, que causa a SIDA.

• Outras, como a salmonelose e a amebíase, transmitem-se por vezes durante a actividade sexual, mas em geral não são consideradas doenças de transmissão sexual. Professora Valéria Paiva

12


• As doenças venéreas geralmente são agrupadas segundo os sintomas e sinais que produzem. Tanto a sífilis o herpes genital como o cancróide provocam úlceras (feridas) sobre a pele ou nas membranas que cobrem a vagina e a boca. • Tanto a gonorreia como as infecções clamidiais causam uretrites (inflamação e secreção da uretra) nos homens, cervicite (inflamação e secreção do colo uterino) e infecções pélvicas nas mulheres e infecções oculares nos recém-nascidos.

Professora Valéria Paiva

13


Gonorreia A gonorreia é uma doença de transmissão sexual causada pela bactéria Neisseria gonorrhoeae, que infecta o revestimento mucoso da uretra, do colo uterino, do recto e da garganta ou da membrana branca (conjuntiva) dos olhos. A bactéria pode propagar-se através da corrente sanguínea para outras partes do corpo, especialmente a pele e as extremidades. Nas mulheres, pode subir pelo tracto genital para infectar as membranas que se encontram dentro da bacia, causando dor pélvica e problemas reprodutivos. Professora Valéria Paiva

14


Sintomas • Nos homens, os primeiros sintomas costumam aparecer de 2 a 7 dias depois da infecção. Começam com queixas ligeiras na uretra, seguidas, poucas horas depois, de uma dor fraca ou intensa ao urinar e uma secreção de pus proveniente do pénis. • O homem tem uma necessidade imperiosa e frequente de urinar, que piora à medida que a doença se estende à parte superior da uretra. O orifício do pénis pode adoptar uma cor vermelha e inchar.

Professora Valéria Paiva

15


• Nas mulheres, os primeiros sintomas costumam surgir entre 7 e 21 dias após a infecção. As mulheres infectadas não apresentam habitualmente sintomas durante semanas ou meses e a doença só se descobre depois de se ter diagnosticado a mesma afecção no seu parceiro masculino e ela ser examinada por ter estado em contacto com ele. • Se aparecerem sintomas, costumam ser ligeiros. Contudo, algumas mulheres têm sintomas graves, como uma necessidade frequente de urinar, dor ao urinar, secreção vaginal e febre. • O colo uterino, o útero, as trompas de Falópio, os ovários, a uretra e o recto podem ser infectados e provocar uma grande dor pélvica ou queixas durante o coito. O pus, que aparentemente provém da vagina, pode provir da cérvix, da uretra ou das glândulas próximas do orifício vaginal. Professora Valéria Paiva

16


• As mulheres e os homens homossexuais que mantêm relações sexuais por via anal podem contrair gonorreia rectal. A doença pode causar mal-estar à volta do ânus e secreções provenientes do recto. • A zona que rodeia o ânus torna-se vermelha e fica em carne viva, enquanto as fezes se cobrem de muco e pus. Quando o médico examina o recto com um anuscópio (tubo de visualização), é possível distinguir muco e pus sobre a parede do mesmo. • O sexo oral com uma pessoa infectada pode causar gonorreia na garganta (faringite gonocócica). Em geral, a infecção não provoca sintomas, mas em certos casos produz dor de garganta e mal-estar ao engolir. Professora Valéria Paiva

17


• Se os humores infectados entrarem em contacto com os olhos, pode verificar-se uma infecção externa do olho (conjuntivite gonocócica). • Os recém-nascidos podem infectar-se com gonorreia através da sua mãe no momento do parto, o que lhes provoca edema de ambas as pálpebras e uma descarga de pus proveniente dos olhos. • Nos adultos costumam verificar-se os mesmos sintomas, mas em regra só um olho é infectado. Se a infecção não receber tratamento, pode originar cegueira. • A infecção vaginal nas crianças e raparigas pequenas costuma ser o resultado de um abuso sexual por parte de adultos; porém, em casos raros pode resultar da manipulação de objectos caseiros infectados. Professora Valéria Paiva

18


• Os sintomas compreendem irritação, vermelhidão e inflamação da vulva, com secreção de pus proveniente da vagina.

• A jovem refere habitualmente queixas na zona vaginal ou uma sensação dolorosa ao urinar. • O recto também pode ficar inflamado e as secreções podem manchar a sua roupa interior.

Professora Valéria Paiva

19


Diagnóstico • O diagnóstico é feito de imediato ao identificar-se a bactéria (gonococo) ao microscópio. Em mais de 90 % dos homens infectados, diagnostica-se através de uma amostra da secreção uretral. • Contudo, este diagnóstico só se consegue fazer em 60 % das mulheres infectadas utilizando uma amostra da secreção cervical. • Se não se descobrem bactérias ao microscópio, esta secreção é enviada ao laboratório para a sua cultura. • Se o médico suspeitar de que existe uma infecção da garganta ou do recto, colhem-se amostras dessas zonas para efectuar uma cultura. • Apesar de não existir uma análise de sangue para detectar a gonorreia, é possível colher uma amostra de sangue para diagnosticar se a pessoa também tem sífilis ou uma infecção causada pelo vírus da imunodeficiência humana (VIH). Algumas pessoas têm mais de uma doença de transmissão Professora Valéria Paiva 20 sexual.


Tratamento

A gonorreia trata-se habitualmente com uma única dose de ceftriaxona intramuscular ou então com uma semana de antibióticos orais (em geral doxiciclina).

Se a gonorreia se tiver dispersado através da corrente sanguínea, o doente recebe habitualmente tratamento num hospital, em regra com antibióticos endovenosos.

Dado que a infecção com Chlamydia é frequente tanto nos homens como nas mulheres com gonorreia e é difícil de diagnosticar, os doentes recebem um tratamento de uma semana com doxiciclina ou tetraciclina ou então uma dose única de azitromicina, outro antibiótico de acção prolongada.

Se os sintomas recorrem ou persistem no final do tratamento, podem colher-se amostras para cultura no laboratório, com o fim de se certificar de que o doente está curado.

Nos homens, os sintomas de uretrite podem reaparecer, causando uma doença chamada uretrite pós-gonocócica.

É quase sempre provocada por Chlamydia e outros microrganismos que não respondem ao tratamento com ceftriaxona e ocorre particularmente em doentes que não seguem o esquema de tratamento. Professora Valéria Paiva

21


Complicações da gonorreia • Numa complicação rara da gonorreia, a infecção propaga-se pela corrente sanguínea para uma ou várias articulações que, como consequência, incham e doem terrivelmente, limitando o movimento. • A infecção da corrente sanguínea também pode favorecer a formação de pontos cheios de pus na pele, o aparecimento de febre, uma sensação de mal-estar geral ou dor em várias articulações, que passa de uma para a outra (síndroma da artrite-dermatite). • O interior do coração pode ser infectado (endocardite). A infecção da cobertura do fígado (periepatite) produz uma dor semelhante à da afecção da vesícula biliar. • Estas infecções são tratáveis e raramente se revelam mortais, mas a recuperação da artrite e da endocardite pode ser lenta. Professora Valéria Paiva

22


Sífilis A sífilis é uma doença de transmissão sexual causada pela bactéria Treponema pallidum. • Esta bactéria penetra no organismo através das membranas mucosas, como as da vagina ou da boca, ou então através da pele. • Horas depois chega aos gânglios linfáticos e em seguida propaga-se por todo o organismo através do sangue. • A sífilis também pode infectar um feto durante a gravidez, causando defeitos congénitos ou outros problemas. Professora Valéria Paiva

23


• O número de afectados com sífilis atingiu o seu ponto máximo durante a Segunda Guerra Mundial, para depois cair de forma espectacular até à década de 60, quando os índices começaram a subir novamente. • Durante este período, um grande número de casos de sífilis surgiu entre homens homossexuais. Essas taxas permaneceram relativamente estáveis até meados da década de 80, porque, devido à epidemia de SIDA e à prática de sexo seguro, a incidência entre eles decresceu. Como consequência, o número geral de pessoas com sífilis também diminuiu. • No entanto, esta redução foi seguida por um rápido incremento de casos entre consumidores de cocaína, principalmente entre as mulheres ou os seus filhos recém-nascidos. • Recentemente, os programas de controlo voltaram a reduzir a incidência em alguns países desenvolvidos. • Uma pessoa que tenha sido curada de sífilis não fica imune e pode voltar a infectar-se. Professora Valéria Paiva

24


Sintomas Os sintomas costumam começar de 1 a 13 semanas depois do contágio; a média é de 3 a 4 semanas. A infecção com Treponema pallidum passa por vários estádios: o primário, o secundário, o latente e o terciário.

A infecção pode durar muitos anos e raramente provoca lesões cardíacas, cerebrais ou a morte.

Professora Valéria Paiva

25


Estádio primário No estádio primário, aparece uma ferida ou úlcera indolor (sifiloma, também designado por cancro) no local da infecção, geralmente sobre o pénis, a vulva ou a vagina. O cancro também pode aparecer no ânus, no recto, nos lábios, na língua, na garganta, no colo uterino, nos dedos ou, raramente, noutras partes do corpo. Em regra, manifesta-se uma única ferida, mas por vezes podem ser várias. Professora Valéria Paiva

26


Estádio secundário O estádio secundário inicia-se com uma erupção cutânea, que costuma aparecer de 6 a 12 semanas após a infecção. Cerca de 25 % dos infectados ainda têm uma ferida que está a sarar durante esta fase. Aquela erupção pode durar pouco tempo ou então prolongar-se durante meses. Mesmo que a pessoa não receba tratamento, habitualmente desaparece. No entanto, pode aparecer de novo semanas ou meses mais tarde. No estádio secundário, são frequentes as úlceras na boca que afectam mais de 80 % dos doentes. Cerca de 50 % apresentam gânglios linfáticos inflamados em todo o corpo e aproximadamente 10 % têm inflamação nos olhos. Esta inflamação habitualmente não causa sintomas, embora, por vezes, o nervo óptico se inflame e então a visão torna-se turva. Professora Valéria Paiva

27


Aproximadamente 10 % apresenta inflamação nos ossos e articulações, que causa muitas dores. A inflamação renal pode fazer com que se encontrem proteínas na urina e a do fígado pode provocar icterícia. Um número reduzido de pessoas sofre uma inflamação da membrana que reveste o cérebro (meningite sifilítica aguda), que se traduz em dor de cabeça, rigidez da nuca e, por vezes, surdez. Ocasionalmente, surgem formações algo salientes (condilomas planos) em que a pele se junta a uma membrana mucosa, por exemplo, nos bordos internos dos lábios e da vulva e nas zonas húmidas da pele. Estas lesões extremamente infecciosas podem achatar-se e adoptar uma cor rosa-escura ou cinzenta. O pêlo costuma cair em tufos, dando uma aparência de «roído por traças». Outros sintomas incluem sensação de mal-estar (indisposição), perda de apetite, náuseas, vómitos, fadiga, febre e anemia. Professora Valéria Paiva

28


Estádio latente Uma vez que a pessoa recuperou do estádio secundário, a doença entra num estádio latente em que não se verificam sintomas. Esta etapa pode durar anos ou décadas ou durante o resto da vida. Durante a primeira parte do estádio latente, por vezes as úlceras recidivam.

Professora Valéria Paiva

29


Estádio terciário Durante a terceira etapa (estádio terciário), a sífilis não é contagiosa. Os sintomas oscilam entre ligeiros e devastadores. Podem aparecer três tipos principais de sintomas: sífilis terciária benigna, sífilis cardiovascular e neurossífilis. A sífilis terciária benigna é muito rara na actualidade. Em vários órgãos aparecem formações chamadas gomas, que crescem lentamente, saram de forma gradual e deixam cicatrizes. Estas lesões podem aparecer em quase todo o corpo, mas são mais frequentes na perna mesmo abaixo do joelho, na parte superior do tronco e no couro cabeludo. Os ossos podem ser afectados, provocando uma dor profunda e penetrante que se costuma agravar à noite. Professora Valéria Paiva

30


A sífilis cardiovascular costuma aparecer de 10 a 25 anos depois da infecção inicial. O doente pode desenvolver um aneurisma (enfraquecimento e dilatação) da aorta (a principal artéria que sai do coração) ou uma insuficiência da válvula aórtica. Estas perturbações podem causar dor no peito, insuficiência cardíaca ou morte. A neurossífilis (sífilis do sistema nervoso) afecta cerca de 5 % de todos os sifilíticos não tratados.

As três classes principais são a neurossífilis meningovascular, a neurossífilis parética e a neurossífilis tabética. Professora Valéria Paiva

31


Diagnóstico O médico suspeita de que uma pessoa tem sífilis a partir dos seus sintomas. O diagnóstico definitivo baseia-se nos resultados das análises laboratoriais e no exame objectivo. Utilizam-se dois tipos de análises de sangue.

O primeiro é uma análise de controlo, como a chamada VDRL (iniciais de «laboratório de investigação de doenças venéreas») ou RPR (de «reargina rápida do plasma»). Estas análises são fáceis de fazer e não se revelam dispendiosas. Em certos casos dão resultados falsos positivos, mas têm a vantagem de se tornarem negativas quando se repetem depois de um tratamento correcto. Professora Valéria Paiva

32


É possível que o médico precise de repetir este tipo de exames, porque os resultados podem ser negativos nas primeiras semanas de sífilis primária. O segundo tipo de análise de sangue, que é mais exacto, detecta anticorpos contra a bactéria que causa a sífilis; contudo, uma vez que se obtenha um resultado positivo, os seguintes serão sempre positivos, mesmo depois de um tratamento bem sucedido. Uma destas provas, chamada FTA-ABS, utiliza-se para confirmar que o resultado positivo de uma análise de controlo é realmente causado pela sífilis.

Nos estádios primário e secundário, é possível diagnosticar a doença colhendo uma amostra de líquido de uma úlcera da pele ou da boca e identificando as bactérias ao microscópio.

Professora Valéria Paiva

33


Também se pode utilizar a análise de pesquisa de anticorpos efectuada sobre uma amostra de sangue. Para a neurossífilis, efectua-se uma punção lombar para realizar uma pesquisa de anticorpos. No estádio latente, a sífilis só se diagnostica através de provas de anticorpos efectuadas com amostras de sangue ou líquido espinhal (liquor). No estádio terciário, diagnostica-se a partir dos sintomas e do resultado de uma pesquisa de anticorpos.

Professora Valéria Paiva

34


Tratamento e prognóstico Dado que as pessoas com sífilis nos estádios primário e secundário transmitem a infecção, devem evitar o contacto sexual até que elas e os seus parceiros sexuais tenham completado o tratamento. No caso da sífilis no estádio primário, todas as pessoas com quem tenham mantido relações sexuais nos três meses anteriores correm perigo. Com a sífilis no estádio secundário, todos os parceiros sexuais do último ano podem ter-se contagiado. Estas pessoas precisam de ser controladas com uma análise de pesquisa de anticorpose, se o resultado for positivo, devem receber tratamento.

Professora Valéria Paiva

35


A penicilina, que em geral é o melhor antibiótico para todos os estádios da sífilis, é habitualmente administrada por via intramuscular durante o estádio primário, aplicando-se na nádega de uma só vez. Nos casos de sífilis no estádio secundário, aplicam-se duas injecções adicionais com intervalos de uma semana. A penicilina também se utiliza em casos de sífilis latente e no estádio terciário, apesar de poder ser necessário um tratamento endovenoso mais intenso.

As pessoas alérgicas à penicilina podem receber doxicilina ou tetraciclina oral durante 2 a 4 semanas.

Professora Valéria Paiva

36


Mais de metade das pessoas com sífilis nos seus primeiros estádios, especialmente no estádio secundário, desenvolve uma reacção (chamada reacção de Jarisch-Herxheimer) de 2 a 12 horas depois do primeiro tratamento. Julga-se que esta é o resultado da morte súbita de milhões de bactérias. Os sintomas compreendem: sensação de mal-estar, febre, dor de cabeça, sudação, arrepios com tremores e um agravamento temporário das úlceras sifilíticas. Em ocasiões raras, as pessoas com neurossífilis podem ter convulsões ou sofrer de paralisia.

Professora Valéria Paiva

37


As pessoas com sífilis nos estádios latente ou terciário devem ser examinadas com intervalos regulares uma vez acabado o tratamento. Os resultados das análises aos anticorpos costumam ser positivos durante muitos anos, por vezes durante toda a vida. Isso não indica que exista uma nova infecção. Também se efectuam outros exames para verificar se não existem novas infecções. Depois do tratamento, o prognóstico para os estádios primário, secundário e latente da sífilis é excelente. Porém o prognóstico é mau nos casos da sífilis terciária que afecte o cérebro ou o coração, já que as lesões existentes são, em geral, irreversíveis. Professora Valéria Paiva

38


Sífilis do sistema nervoso Cerca de 5 % de todas as pessoas com sífilis não tratada desenvolvem neurossífilis ou sífilis do sistema nervoso, mas estes casos são raros nos países desenvolvidos. A neurossífilis meningovascular é uma forma crónica de meningite. Os sintomas dependem de ser o principal órgão afectado o cérebroou de a doença atacar tanto o cérebro como a espinal medula. Quando o cérebro fica afectado, os sintomas compreendem dor de cabeça,vertigem, falta de concentração, cansaço e falta de energia, dificuldade em conciliar o sono, rigidez da nuca, visão turva, confusão mental, convulsões, tumefacção do nervo óptico (papiledema), anomalias nas pupilas, dificuldade em falar (afasia) e paralisia de uma extremidade ou de metade do corpo. Professora Valéria Paiva

39


• Quando tanto o cérebro como a espinal medula ficam afectados, os sintomas incluem uma dificuldade crescente em mastigar, engolir e falar; • debilidade e atrofia dos músculos do ombro e do braço; paralisia lentamente progressiva com espasmos musculares (paralisia espástica); • incapacidade para esvaziar a bexiga e inflamação de uma secção de espinal medula que progride para uma perda de controlo da bexiga e uma paralisia repentina, enquanto os músculos permanecem relaxados (paralisia flácida). A neurossífilis parética (também chamada a paralisia do louco) começa gradualmente como uma série de alterações de comportamento nas pessoas que têm mais de 40 ou 50 anos. Estas pessoas lentamente tornam-se dementes.

Professora Valéria Paiva

40


Os sintomas podem incluir convulsões, dificuldade em falar, paralisia temporária de metade do corpo, irritabilidade, dificuldade em se concentrar, perda de memória, discernimento defeituoso, dores de cabeça, dificuldade respiratória, fadiga, letargia, deterioração da higiene pessoal e dos hábitos de se arranjar, mudanças de humor, perda de força e energia, depressão, delírios de grandeza e falta de perspicácia.

A neurossífilis tabética (tabes dorsal) é uma doença progressiva da espinal medula que começa gradualmente. Em geral, o primeiro sintoma é uma dor intensa e pungente nas pernas que aparece e desaparece de forma irregular. A pessoa não tem estabilidade ao andar, especialmente na escuridão, e pode andar com os pés afastados, por vezes pisando com força.

Professora Valéria Paiva

41


Como a pessoa não consegue sentir quando a bexiga está cheia, a urina acumula-se e produz uma perda de controlo da bexiga e repetidas infecções do tracto urinário. É frequente que o homem se torne impotente. A pessoa pode ter tremores na boca, na língua, nas mãos e em todo o corpo. A caligrafia torna-se trémula e ilegível. A maioria das pessoas com neurossífilis tabética são delgadas e o seu rosto tem um aspecto triste. Têm espasmos de dor em vários órgãos, especialmente no estômago. Estes podem causar vómitos. Espasmos igualmente dolorosos podem afectar o recto, a bexiga e a laringe (zona vocal). Devido à falta de sensibilidade nos pés, podem aparecer úlceras abertas nas suas plantas. Estas podem penetrar profundamente e atingir mesmo o osso subjacente. Como a pessoa perde a sensação de dor, as articulações podem Professora Valéria Paiva 42 ficar lesionadas.


PEDUCULOSE - Infestação de piolhos A infestação por piolhos (pediculose) provoca comichão intensa e pode afectar praticamente qualquer zona da pele. Os piolhos são insectos sem asas, visíveis, que se transmitem facilmente de pessoa para pessoa através do contacto corporal ou depois de partilhar roupa e outros elementos pessoais. Os piolhos que se encontram na cabeça são muito semelhantes aos que se localizam no corpo, mas na realidade são espécies diferentes. Os piolhos que se encontram na zona púbica têm o corpo mais largo e curto que os das outras duas espécies.

Professora Valéria Paiva

43


A sua forma arredondada torna-os semelhantes às ladilhas (origem da denominação popular destes parasitas). Os piolhos da cabeça e do púbis vivem directamente na pessoa; no entanto, os piolhos corporais também costumam encontrar-se nas peças de vestuário que estão em contacto com a pele.

Os piolhos da cabeça transmitem-se por contacto pessoal e pela partilha de pentes, escovas, chapéus e outros objectos pessoais. A infestação estendese, por vezes, às sobrancelhas, às pestanas e à barba. Os piolhos da cabeça são um tormento para as crianças de idade escolar, seja qual for o seu estrato social. Os piolhos do corpo não se transmitem tão facilmente com os da cabeça. Costumam infestar as pessoas cuja higiene é deficiente e as que vivem em espaços limitados ou em instituições sobrelotadas. Estes piolhos podem transmitir doenças como o tifo, a febre das trincheiras e a febre recorrente. Os piolhos do púbis, que infestam a zona genital, transmitem-se normalmente durante as relações sexuais. Professora Valéria Paiva

44


Sintomas A infestação por piolhos provoca comichão intensa. O coçar insistente causa escoriações da pele, que se podem complicar com infecções bacterianas. Por vezes, os gânglios linfáticos da parte posterior do pescoço inflamamse em virtude de uma infestação do couro cabeludo. As crianças mal se apercebem da presença de piolhos na sua cabeça ou só sentem uma ligeira irritação no couro cabeludo. A comichão que os piolhos do corpo provocam é geralmente mais intensa nos ombros, nas nádegas e no abdómen. Os piolhos do púbis provocam comichão à volta do pénis, da vagina e do ânus. Professora Valéria Paiva

45


Aspecto dos piolhos Estas ilustrações mostram os diversos aspectos dos três tipos de piolhos. Os piolhos medem até 3 mm de comprimento.

Piolho da cabeça

Piolho do corpo

Professora Valéria Paiva

Piolho púbico

46


Diagnóstico A fêmea do piolho põe ovos brilhantes, branco-acinzentados (lêndeas), que se podem ver como glóbulos minúsculos que se fixam firmemente nos pêlos. Os piolhos do corpo adultos e os seus ovos encontram-se não só nos pêlos do corpo, mas também nas costuras das peças de vestuário que estão em contacto com a pele. Os piolhos do púbis espalham umas manchas minúsculas de cor pardacenta (excrementos dos piolhos) na roupa interior, na zona em que estão em contacto com os órgãos genitais e o ânus. Os piolhos do púbis são particularmente difíceis de encontrar e podem aparecer como pequenas manchas azuladas sobre a pele. Ao contrário dos outros piolhos, as lêndeas aparecem na base dos pêlos, muito perto da pele. Professora Valéria Paiva

47


Tratamento Das medicações contra os piolhos, a permetrina é a mais segura, eficaz e agradável de usar. O lindano (que se pode aplicar sob a forma de creme, de loção ou de champô) também cura as infestações por piolhos, mas não é apropriado para as crianças devido ao facto de em situações excepcionais poder causar complicações neurológicas. Por vezes utiliza-se também a piretrina. Todos estes medicamentos podem ser irritantes e todos eles requerem uma segunda aplicação 10 dias depois para eliminar os piolhos recém-nascidos.

Professora Valéria Paiva

48


Ovos do parasita Os ovos do parasita têm o aspecto de pequenos glóbulos aderentes firmemente ao cabelo.

Professora Valéria Paiva

49


A infestação das pestanas e das sobrancelhas é difícil de tratar; habitualmente os parasitas são retirados com pinças. A gelatina de petróleo simples pode eliminar ou debilitar os piolhos instalados nas pestanas. Se as fontes de infestação (pentes, chapéus, peças de vestuário e roupa de cama) não são desinfectados por aspiração, lavagem e passagem a vapor ou por limpeza a seco, os piolhos podem persistir neles vivos e voltar a infestar a pessoa.

Professora Valéria Paiva

50


Candidíase genital

A candidíase genital é uma infecção causada por uma levedura (fungo) que afecta a vagina ou o pénis; é habitualmente causada por Candida albicans. O fungo Candida normalmente reside na pele e nos intestinos. A partir destas zonas pode propagar-se para os órgãos genitais. A Candida não é habitualmente transmitida por via sexual. Professora Valéria Paiva

51


Sintomas e diagnóstico As mulheres com candidíase genital costumam ter prurido ou irritação na vagina e na vulva e, ocasionalmente, uma secreção vaginal. A irritação é habitualmente incómoda, mas a secreção é ligeira.

A vulva pode ficar vermelha e inflamar-se. A pele pode ficar em carne viva e, em certos casos, gretar. A parede vaginal cobre-se de uma substância semelhante a um queijo branco, mas pode também ter um aspecto normal.

Professora Valéria Paiva

52


Os homens não apresentam habitualmente sintomatologia, mas a extremidade do pénis (a glande) e o prepúcio (nos homens não circuncisos) por vezes irrita-se e dói, especialmente depois do coito. Às vezes aparece uma pequena secreção proveniente do pénis. A sua extremidade e o prepúcio podem adoptar uma cor avermelhada, apresentar pequenas ulcerações ou vesículas com crosta e estar cobertos por uma substância semelhante a um queijo branco. Um diagnóstico imediato é possível, colhendo amostras da vagina e do pénis e examinando-as ao microscópio. Estas também podem ser cultivadas.

Professora Valéria Paiva

53


Tratamento Nas mulheres, a candidíase é tratada lavando a vagina com água e sabão, secando-a com uma toalha limpa e depois aplicando um creme antimicótico que contenha clotrimazol, miconazol, butoconazol ou tioconazol e terconazol. Alternativamente, administra-se quetoconazol, fluconazol ou itraconazol por via oral. Nos homens, o pénis (e o prepúcio nos circuncisos) deve ser lavado e seco antes de se colocar um creme antifúngico (que contenha, por exemplo, nistatina). Em certos casos, as mulheres que ingerem contraceptivos orais devem deixar de os usar vários meses durante o tratamento da candidíase vaginal, porque podem fazer piorar a infecção. Certas mulheres que correm o risco de contrair candidíase vaginal, como as imunodeprimidas ou as que tomaram antibióticos durante muito tempo, podem necessitar de um fármaco antimicótico ou outra terapia de prevenção. Professora Valéria Paiva 54


Condiloma ou HPV ( Papiloma Vírus Humano) As verrugas genitais (Condylomata acuminata) são lesões localizadas na ou à volta da vagina, no pénis ou no recto, causadas por papilomavírus transmitidos sexualmente.

As referidas verrugas são frequentes e causam preocupação porque têm um aspecto repulsivo; podem superinfectar-se com bactérias e talvez indiquem que o sistema imunológico não funciona bem. Nas mulheres, os papilomavírus tipos 16 e 18, que afectam o colo do útero mas não formam verrugas nos órgãos genitais externos, podem causar cancro cervical. Este e outros tipos de papilomavírus podem provocar displasia intraepitelial cervical (demonstrada por um resultado anormal num esfregaço de Papanicolau) ou cancro da vagina, da vulva, do ânus, do pénis, da boca, da faringe ou do esófago. Professora Valéria Paiva

55


Sintomas e diagnóstico Estas lesões costumam formar-se nas superfícies húmidas e quentes do corpo. Nos homens, as zonas mais frequentes do corpo são a cabeça e o corpo do pénis e debaixo do prepúcio (se o pénis não foi circuncidado). Nas mulheres, formam-se na vulva, na parede vaginal, no colo do útero e na pele que rodeia a área vaginal. As verrugas genitais podem aparecer na zona que rodeia o ânus e no recto, especialmente nos homens homossexuais e nas mulheres que praticam sexo anal.

Professora Valéria Paiva

56


As verrugas geralmente aparecem de 1 a 6 meses depois da infecção e começam como pequenas protuberâncias moles, húmidas e de cor rosada ou vermelha. Crescem rapidamente e podem desenvolver pedúnculos. Na mesma zona costumam aparecer numerosas verrugas e as suas superfícies ásperas conferem-lhes a aparência de uma pequena couve-flor. Podem crescer rapidamente nas mulheres grávidas, nos imunodeprimidos (por exemplo, porque estão doentes com SIDA ou porque efectuaram um tratamento com fármacos imunossupressores) e nos que apresentam inflamação na pele.

Professora Valéria Paiva

57


Estas lesões genitais costumam ser diagnosticadas pela sua aparência. Contudo, podem ser confundidas com úlceras que aparecem no segundo estádio da sífilis.

As verrugas de aspecto estranho ou persistentes podem ser extraídas cirurgicamente e analisadas ao microscópio para se ter a certeza de que não são cancerosas. As mulheres que têm verrugas no colo deverão fazer o esfregaço para a prova de Papanicolau regularmente.

Professora Valéria Paiva

58


Tratamento Nenhum tratamento é completamente satisfatório. As verrugas genitais podem ser eliminadas por laser, crioterapia (congelamento) ou cirurgia, utilizando anestesia local.

Os tratamentos com substâncias químicas, como resina podófila ou toxina purificada ou ácido tricloroacético, são aplicados directamente sobre as verrugas. No entanto, este sistema pressupõe efectuarem-se várias aplicações ao longo de semanas ou meses, costuma queimar a pele circundante e falha com bastante frequência. As verrugas na uretra são tratadas com medicamentos anticancerosos, como tiotepa e fluorouracilo. Professora Valéria Paiva

59


Alternativamente, estas podem ser eliminadas da uretra através de uma cirurgia endoscópica (um procedimento no qual se utiliza um tubo de visualização flexível com acessórios cirúrgicos). Actualmente, está-se a estudar a aplicação de injecções de interferão alfa directamente na verruga como um tratamento possível, mas ainda se desconhece a sua utilidade. As verrugas genitais reaparecem com frequência e necessitam de novo tratamento. Nos homens, a circuncisão ajudará a evitar as recorrências. Todos os parceiros sexuais devem ser examinados e tratados, se for necessário. Condilomas acuminados

Professora Valéria Paiva

60


O herpes genital é uma doença de transmissão sexual da zona genital (a pele que rodeia o recto ou as áreas adjacentes), causada pelo vírus do herpes simples.

Herpes genital

Existem dois tipos de vírus do herpes simples, chamados VHS-1 e VHS-2. O VHS-2 costuma transmitir-se por via sexual, enquanto o VHS-1 em geral infecta a boca. Ambos os tipos podem infectar os órgãos genitais e a pele que rodeia o recto ou as mãos (especialmente os leitos das unhas) e podem ser transmitidos a outras partes do corpo (como a superfície dos olhos). As úlceras herpéticas não se infectam habitualmente com bactérias, mas algumas pessoas com herpes têm também dentro das úlceras outros microrganismos transmitidos por via sexual, como por exemplo os agentes da sífilis ou da úlcera mole. Professora Valéria Paiva

61


Sintomas Os sintomas do primeiro surto (primário) iniciam-se de 4 a 7 dias depois da infecção. Costumam ser prurido, formigueiro e dores. Depois aparece uma pequena placa avermelhada, seguida de um grupo de bolhas pequenas e dolorosas. Estas rompem-se e fundem-se para formar úlceras circulares, que em geral são dolorosas e se cobrem de crostas em poucos dias. O afectado pode ter dificuldade em urinar e, em certos casos, sente dor ao andar. As úlceras saram em aproximadamente 10 dias, mas podem deixar cicatrizes. Os gânglios linfáticos da virilha costumam aumentar levemente de tamanho e apresentam sensibilidade ao tacto. O primeiro surto é mais doloroso, prolongado e generalizado do que os seguintes, podendo causar febre e mal-estar. Professora Valéria Paiva

62


Nos homens, as vesículas e as úlceras podem aparecer em qualquer parte do pénis, incluindo o prepúcio se não houve circuncisão. Nas mulheres, aparece na vulva, dentro e fora da vagina e no colo. Quem tem relações sexuais anais pode apresentar as referidas lesões à volta do ânus e no recto. Nos imunodeficientes, como os infectados com o vírus da imunodeficiência humana (VIH), as úlceras do herpes podem ser graves, propagar-se a outras áreas do corpo, persistir durante semanas ou mais e, em raras ocasiões, tornar-se resistentes ao tratamento com aciclovir.

Professora Valéria Paiva

63


As lesões tendem a reaparecer nas mesmas zonas e em outras adjacentes, porque o vírus persiste nos nervos pélvicos próximos e reactiva-se para reinfectar a pele. O VHS-2 reactiva-se melhor nos nervos pélvicos. O VHS-1 reactiva-se melhor nos nervos faciais, onde provoca o herpes labial. De qualquer forma, qualquer dos dois vírus pode causar doença em ambas as áreas.

Uma infecção anterior com um destes vírus concede uma imunidade parcial para o outro, fazendo com que os sintomas do segundo sejam mais ligeiros.

Professora Valéria Paiva

64


Diagnóstico O médico suspeita da presença de herpes baseando-se nos sintomas do doente. É possível estabelecer um diagnóstico de imediato examinando amostras das úlceras ao microscópio.

Para confirmação, enviam-se amostras das mesmas para sua cultura em laboratórios especiais. Os resultados estão disponíveis num prazo de 48 horas. As análises de sangue podem mostrar uma evidência de infecções passadas ou então sugerir que existe uma recente, se se confirmar que os anticorpos estão a aumentar. Professora Valéria Paiva

65


Tratamento Nenhum tratamento cura o herpes genital, mas pode reduzir a duração de um surto. O número destes surtos pode reduzir-se aplicando uma terapia contínua com doses baixas de medicamentos antivirais. O tratamento é mais eficaz se se iniciar rapidamente, em regra dois dias depois do aparecimento dos sintomas. O aciclovir ou os fármacos antivirais relacionados podem ser administrados por via oral, ou então em forma de creme directamente sobre as lesões. Os antivirais reduzem a propagação do vírus vivo a partir das lesões, diminuindo desta forma o risco de contágio. Também podem reduzir a gravidade dos sintomas durante o surto inicial. Contudo, mesmo o tratamento precoce do primeiro ataque não evita as recorrências. Os doentes com história de herpes podem contagiar os seus parceiros sexuais, sobretudo porque podem não se dar conta de que estão a passar por outro surto. Professora Valéria Paiva 66


Complicações do herpes genital Cerca de 3 a 12 dias depois do primeiro aparecimento das vesículas (ou bolhas) na área genital, o vírus do herpes pode espalhar-se a outras partes do corpo. Contudo, as complicações graves são raras. A membrana que cobre o cérebro (meninges) pode ficar infectada, o que causa vómitos, dor de cabeça e rigidez da nuca. A espinhal medula pode ser infectada e isso provoca debilidade nas pernas. Os nervos da zona pélvica também poder ser afectados, o que causa dor temporária, obstipação, incapacidade de urinar e, nos homens, impotência.

Apesar de ser raro, o vírus pode propagar-se através da corrente sanguínea à pele, às articulações, ao fígado e aos pulmões, particularmente nos recém-nascidos ou nas pessoas com um sistema imunitário deficiente. Professora Valéria Paiva

67


A mais frequente das complicações do herpes genital é o reaparecimento das vesículas, que em regra ficam confinadas a um lado do corpo e são menos intensas do que no surto inicial. A pessoa pode sentir mal-estar e comichão, formigueiro ou dor na zona afectada antes de cada acesso. O risco de recidiva na zona genital é maior com o VHS-2 do que com o VHS-1. No entanto, o índice de recidiva varia grandemente. Em algumas pessoas os surtos repetem-se com frequência durante muitos anos. As bolhas podem recorrer e ultrapassar a zona genital até chegar às nádegas, à virilha ou às coxas Professora Valéria Paiva

68


Linfogranuloma venéreo LGV

O linfogranuloma venéreo é uma doença de transmissão sexual causada por Chlamydia trachomatis, uma bactéria de crescimento intracelular. O linfogranuloma venéreo é causado por variedades de Chlamydia trachomatis diferentes das que provocam inflamação da uretra (uretrite) e do colo (cervicite). Ocorre geralmente nas zonas tropicais e subtropicais.

Professora Valéria Paiva

69


Sintomas e diagnóstico Os sintomas começam aproximadamente de 3 a 12 dias após a infecção. No pénis ou na vagina aparece uma pequena bolha indolor cheia de líquido. Em geral, esta converte-se numa úlcera que sara rapidamente e costuma passar despercebida. Mais tarde, os gânglios linfáticos da virilha de um ou de ambos os lados podem aumentar de volume e tornar-se sensíveis ao tacto. A pele que cobre a zona infectada adquire uma temperatura mais elevada e torna-se avermelhada. Se não se tratar, podem aparecer orifícios (fístulas) na pele que os cobre. Estes orifícios descarregam pus ou líquido sanguinolento e geralmente curam-se, mas podem deixar uma cicatriz e recorrer. Professora Valéria Paiva

70


Outros sintomas incluem febre, mal-estar, dor de cabeça e das articulações, falta de apetite e vómitos, dor de costas e uma infecção do recto que produz secreções purulentas manchadas de sangue.

Depois de episódios prolongados ou repetidos, os vasos linfáticos podem obstruir-se e isso faz com que o tecido se inflame. A infecção rectal causa ocasionalmente cicatrizações que redundam num estreitamento do recto. O médico suspeita desta doença baseando-se nos seus sintomas característicos. O diagnóstico pode ser confirmado mediante uma análise de sangue que identifique anticorpos contra a Chlamydia trachomatis.

Professora Valéria Paiva

71


Tratamento Se for começado no início da doença, o tratamento com doxiciclina, eritromicina ou tetraciclina oral durante 3 semanas produz uma cura rápida. Posteriormente, o médico deve confirmar regularmente que a infecção está curada. Além disso, faz-se o possível por identificar todos os parceiros sexuais da pessoa infectada para que também sejam examinados e tratados.

Professora Valéria Paiva

72


Tricomoníase A tricomoníase é uma doença de transmissão sexual da vagina e da uretra causada por Trichomonas vaginalis, um organismo unicelular com um flagelo semelhante a um chicote. Apesar de a Trichomonas vaginalis poder infectar o tracto geniturinário tanto dos homens como das mulheres, os sintomas são mais frequentes entre as mulheres. Cerca de 20 % delas sofrem tricomoníase vaginal durante os seus anos férteis. Nos homens, o organismo infecta a uretra, a próstata e a bexiga, mas só raras vezes causa sintomas. Em algumas populações, as Trichomonas podem ser responsáveis por todos os casos de uretrite não gonocócica. O organismo é mais difícil de detectar nos homens do que nas mulheres. Professora Valéria Paiva

73


Sintomas Nas mulheres, a doença costuma começar com uma secreção espumosa de cor verde-amarelada proveniente da vagina. Em algumas, a referida secreção é apenas ligeira. A vulva (os órgãos genitais femininos externos) pode estar irritada e dorida e é possível que o coito também cause dor. Nos casos graves, a vulva e a pele que a rodeia inflamam-se, bem como os lábios. Os sintomas são dor ao urinar ou um aumento na frequência das micções, que se assemelham aos de uma infecção da bexiga.

Professora Valéria Paiva

74


Os homens com tricomoníase não manifestam habitualmente sintomas, mas podem infectar as suas parceiras sexuais. Alguns apresentam uma secreção proveniente da uretra que é espumosa e semelhante ao pus, sentem dor ao urinar e precisam de o fazer com frequência. Os referidos sintomas costumam ter lugar de manhã cedo. A uretra pode sofrer uma ligeira irritação e por vezes aparece humidade no orifício do pénis. A infecção do epidídimo, que causa dor testicular, é muito frequente. A próstata também se pode infectar, mas o papel das Trichomonas não é muito claro. Estas infecções são as únicas complicações conhecidas da tricomoníase nos homens. Professora Valéria Paiva

75


Diagnóstico No caso das mulheres, o diagnóstico geralmente estabelece-se em poucos minutos, examinando uma amostra da secreção vaginal ao microscópio. Também se efectuam habitualmente análises para outras doenças de transmissão sexual. Nos homens, as secreções provenientes da extremidade do pénis devem ser colhidas de manhã, antes de urinar. Estas examinam-se ao microscópio e envia-se uma sua amostra ao laboratório para cultura. Uma cultura da urina também pode ser útil, porque é mais provável que se detectem Trichomonas que não se encontraram no exame ao microscópio. Professora Valéria Paiva

76


Tratamento Uma única dose de metronidazol cura até 95 % das mulheres infectadas, desde que os seus parceiros sexuais recebam tratamento simultaneamente. Como não se sabe com certeza se uma única dose é eficaz nos homens, costuma-se tratá-los durante 7 dias. Se for tomado com álcool, o metronidazol pode causar náuseas e vermelhidão da pele, assim como uma diminuição no número de glóbulos brancos e, nas mulheres, uma maior susceptibilidade às infecções vaginais por leveduras (candidíase genital).

Provavelmente será melhor evitar o metronidazol durante a gravidez, pelo menos durante os 3 primeiros meses. As pessoas infectadas que mantêm relações sexuais antes de a infecção estar curada, provavelmente contagiam os seus parceiros. Professora Valéria Paiva

77


É sexualmente transmissível e desenvolve-se em silêncio, mas com consequências graves

Clamídia

A clamídia passa pelo aparelho reprodutor feminino com pezinhos de lã mas pode causar infertilidade. Para preveni-la, basta um preservativo.

O nome vem-lhe da bactéria que dá origem à doença – a “chlamydia trachomatis”, responsável pela infecção de cerca de 90 milhões de pessoas em todo o mundo, todos os anos. Em Portugal também, embora não haja estudos que permitam diagnosticar a implantação da doença, que, aliás, não é de declaração obrigatória. Professora Valéria Paiva

78


Ela é, no entanto, uma das doenças sexualmente transmissíveis mais frequentes, distinguindo-se pelo modo silencioso como “ataca” o organismo, sobretudo o feminino mas também o masculino. E essa discrição advém do facto de não existirem sintomas específicos da clamídia – em 75% das mulheres e 50% dos homens infectados ela manifesta-se mesmo de uma forma assintomática. Na ausência de sinais que nos levem a suspeitar da presença da doença, é preciso estar alerta para algumas manifestações da infecção: • dores abdominais persistentes (do tipo moinha, na parte inferior da barriga) • corrimento vaginal anormal (com aspecto de pus, amarelo e espesso) • pequenas e esporádicas perdas de sangue, ardor vaginal ou ao urinar. Professora Valéria Paiva

79


Na mulher, �� frequente a infecção do colo do útero, mas pode haver também envolvimento do útero e das trompas. Já no homem, a clamídia provoca habitualmente uma inflamação da uretra, o canal que faz a ligação entre a bexiga e a extremidade do pénis, para saída da urina. A clamídia é uma infecção bacteriológica de evolução lenta, pelo que normalmente o tempo de incubação mínimo é de uma semana. Só então se começam a manifestar os primeiros sintomas, caso os haja.

Professora Valéria Paiva

80


Cancro mole

O que é? O Cancro Mole (Ulcus molle) é uma infecção sexual muito contagiosa causada pela bactéria Haemophilus Ducreyi e também pode ser denominada Úlcera Mole, Cancro Venéreo Simples, Cancro sifílitico mole, Cavalo e Cancróide.

É uma infecção endémica das regiões tropicais e subtropicais e facilita a transmissão do VIH. Transmissão É exclusivamente transmitida através do contacto sexual com uma pessoa infectada, podendo ser transmitida desde o início das lesões até à sua cicatrização. Professora Valéria Paiva

81


Sintomatologia

A infecção tem um período de incubação entre 3 a 14 dias (contudo, pode chegar às 3 semanas), aparecendo depois bolhas pequenas e dolorosas que rompem em 2 ou 3 dias, formando úlceras superficiais. As bolhas podem aumentar de tamanho e unir-se entre si. O Cancro mole tem uma base mole, avermelhada, muito doloroso, com fundo purulento amarelo-esverdeado, sangra facilmente, de forma irregular e com dimensões entre 1 e 50 mm. É muito frequente, especialmente no sexo masculino, os gânglios linfáticos da virilha ficarem muito sensíveis, aumentando de tamanho e unindo-se, formando um abcesso, que acaba por rasgar-se, derramando o pus sobre a pele. No homem, localiza-se essencialmente na glande do pénis, escroto ou lados do pénis; Na mulher, pode apresentar múltiplas lesões nos pequenos e grandes lábios. São raras lesões extra-genitais. Professora Valéria Paiva

82


Diagnóstico O diagnóstico desta infecção baseia-se no seu aspecto clínico e nos resultados das análises quanto a outras causas de úlcera. São recolhidas amostras de pus de uma lesão, isola-se a bactéria, procede-se ao cultivo e depois analisa-se com o microscópio e técnicas de bioquímica. Tratamento Os tratamentos mais rápidos parecem ser os mais eficazes. É administrado um antibiótico ao doente. Com uma seringa elimina-se o pus acumulado nos gânglios linfáticos inflamados. Após o tratamento o doente deve ser controlado pelo médico durante pelo menos três meses, para que se certifique que a doença está curada. Professora Valéria Paiva

83


Fontes • • • • • • • • • • • •

http://www.adolescencia.org Farmácias Portuguesas – colaboração de alguns estabelecimentos Pesquisador de imagens do GOOGLE Centro de Aconselhamento e Detecção Precoce do VIH / SIDA Grupo Tecnifar – Farmacêutica Laboratório Shering – Plough Farma Organon Portuguesa, Lda (representante PT Shering) Associação Nacional de Farmácias (ANF) Sociedade Portuguesa de Ginecologia Liga Portuguesa contra o Cancro Centros de Saúde Areal Editores

Professora Valéria Paiva

84


Doenças Sexualmente Transmissíveis