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Nº 1 | Outubro de 2010

Farma Júnior

Química Verde é aplicada na indústria farmacêutica divulgação

A Química Verde busca o desenvolvimento de produtos menos agressivos ao homem e ao ambiente

SEMCO volta a ser organizada após 3 anos

Rosário Hirata fala sobre suas atividades na FCF

FCF discute alteração do título da graduação

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divulgação

arquivo farma júnior

arquivo pessoal

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Editorial

Olá, caro leitor!

Expediente Farma Júnior Consultoria

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A Farma Júnior Consultoria (FJ) dá as boas-vindas ao seu mais novo meio de comunicação digital: o BIOATIVO. Sim, a partir de agora você receberá informações sobre saúde, ciência e tecnologia num formato mais dinâmico e moderno, em compasso com o mundo ao seu redor. Não seja mais um dentro dele: informe-se, atualize-se, leia o BIOATIVO! Este veículo, apesar de novo, é um irmão do periódico Princípio Ativo (PA), jornalzinho que começou a circular dentro da FJ na década de 90, sendo elaborado e produzido apenas por seus membros naquela época. As edições mais antigas tinham como focos o Movimento Empresa Júnior (MEJ), o ambiente interno da FJ e novas pesquisas nas Ciências Farmacêuticas. Com o tempo, percebeu-se que essas informações não deveriam ser divididas apenas entre os membros da FJ, mas sim compartilhadas, divididas entre todos aqueles que delas pudessem depender. Foi nesse momento que nasceu a idéia do PA, com o intuito de agregar bagagem de conhecimento aos alunos da FCF. Escrever não é algo simples, elaborar uma matéria pautada apenas em fontes fidedignas muito menos. Surgiu, então, a

parceria entre a FJ e a Jornalismo Júnior, empresa júnior de Jornalismo da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP. A afinidade proporcionada pelo MEJ, o trabalho em conjunto e o aprendizado proporcionado aos dois lados nessa troca foi de extrema importância para o avanço do PA durante todos esses anos. Algumas dificuldades surgiram com o tempo. Nem todas as gráficas se preocupam com prazos e nem todos os contratempos podem ser corrigidos em tempo hábil quando se depende de muitos recursos externos para se realizar um projeto. Por que não inovar, então? Pois é, inovamos. E aqui estamos, com essa nova cara, mas ainda buscando trazer o melhor conteúdo para você. Aproveite essa primeira edição. Ótima leitura! Alex da Silva Gerente de Portfólio Gestão 2010

Diretoria: Alex da Silva, Beatriz Souza, Karina Oshima, Mayara Ramos, Paulo de Moraes, Raquel Pinheiro, Vanessa Miyake, Vivian Conceição. Responsável pelo BioAtivo: Alex da Silva. Presidente: Raquel Pinheiro. Endereço: Av. Prof. Lineu Prestes, 580 - Centro de Vivência, sala 14, Cidade Universitária. Contato: (11) 7175-4879 // farmajr@usp.br Produzido por:

Jornalismo Júnior ECA-USP

Edição: Patrícia Chemin. Equipe: André Cavalieri, Beatriz Montesanti, Juliana Malacarne, Paulo Fávari. Projeto Gráfico: equipe de Comunicação Visual da Jornalismo Júnior. Contato: (11) 3091-4085 // jjr@usp.br // @jjunior


Institucional

FJ volta a organizar a SEMCO Próxima edição terá um coordenador exclusivo e já está em fase de planejamento Paulo Fávari

palestras de patrocinadores, pois o público esperava serem de cunho mais científico que comercial. A promessa é de que para a próxima edição a parte científica seja mais trabalhada. “Agora que temos um conhecimento de como as coisas ocorrem, iremos procurar as rebarbas e apará-las, mas principalmente começar o planejamento antes. Aliás, já estamos começando e teremos um coordenador geral separado da SEMCO”, finaliza Mayara. arquivo farma júnior

A Farma Júnior promoveu a Semana de Cosmetologia (SEMCO) no último mês de setembro. O evento buscou aproximar alunos de Farmácia, Química e outros cursos da área. Durante os seis dias de palestras e workshops, 70 pessoas se inscreveram e cerca de 250 passaram pelo bloco 13A da Faculdade de Ciências Farmacêuticas. A SEMCO havia tido sua última edição em 2006. Para mudar isso, desde o final de 2008 a Farma Jú-

Farma Júnior, a Comissão Organizadora teve uma grande oportunidade de aprender e ver o conhecimento adquirido no planejamento aplicado durante o evento. “Eu sinto que minha tarefa como líder foi recompensada porque eles me mostraram isso, me mostraram a capacidade de serem autônomos nas tarefas! Estavam tão compenetrados que me surpreenderam!”, completa. A principal crítica à SEMCO foi a quebra de expectativa quanto às

Eu sinto que minha tarefa como líder foi recompensada.”

nior vem se reestruturando e, agora, com a casa em ordem, pôde voltar a realizar o evento. Porém, foi como se a SEMCO tivesse nascido do zero, já que ninguém da Comissão Organizadora (CO) havia participado da organização da edição anterior do evento. Os integrantes da CO contataram palestrantes e patrocinadores, organizaram a divulgação e as inscrições e planejaram o orçamento. Segundo Mayara Munhóz de Assis Ramos, Diretora de Eventos da

Detalhe do cartaz do evento organizado pela Farma Júnior arquivo farma júnior

Mayara Ramos, Diretora de Eventos da FJ

Participantes da SEMCO mostram seus certificados

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Notícias

FCF discute mudança de título Conselho Federal de Farmácia quer padronizá-lo, acabando com título de bioquímico Beatriz Montesanti

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A FCF, contrariando o Conselho Federal de Farmácia (CFF), luta para manter o título de farmacêuticobioquímico. O embate teve início em 2002, quando o CFF decidiu padronizar o nome dos cursos relacionados à área, de forma que alunos formados em diferentes unidades de ensino levariam apenas o título de farmacêutico em seus diplomas. Tal decisão decorreu das mudanças nas diretrizes curriculares instituídas, no mesmo ano, pelo Conselho Nacional de Educação, que definiu a formação generalista do farmacêutico. “Antigamente, existia a formação em três anos, e posteriormente o aluno podia estudar mais um período na área de seu interesse”, explica o professor doutor Jorge Mancini Filho, diretor da FCF. A partir de 2004, a FCF começou a implementar o currículo de formação generalista, de quatro anos, porém não realizou alterações quanto ao título dos formados. De acordo com o diretor, o farmacêutico se enquadra na formação de bioquímico, e tem plenas condições de exercer a atividade, dada a forte relação do curso com conteúdos de biologia e química. “Aqui nosso currículo é consistente, o farmacêutico formado nessa casa tem todo o direito de dizer-se também bioquímico”, afirma.

A discussão voltou à tona no ano passado, quando o CFF determinou que o título de farmacêutico-

O farmacêutico formado nessa casa tem todo o direito de dizer-se também bioquímico.” Jorge Mancini Filho, Diretor da FCF-USP bioquímico seria concedido apenas àqueles que tenham concluído o curso de Especialização Profissional em Análises Clínicas, credenciado pelo Conselho. Logo após, a FCF consultou a reitoria da Universidade quanto ao tema e foi realizado o reconhecimento de curso junto ao Conselho Estadual de Educação (CEE), que garantiu a manutenção do título de farmacêutico-bioquímico aos alunos que concluírem o curso até 2014. O decreto do CFF não implica em mudanças na grade curricular propriamente. No que acarretaria, portanto, a mera subtração do título “bioquímico” dos diplomas? “A princípio nada, continuariam as mesmas atribuições dadas a um farmacêutico”, explica a professora doutora Elfriede Marianne Bacch, chefe do Departamento de Farmácia. “Porém a longo prazo correríamos o risco de perder algumas

dessas atribuições, que não são exclusivas do nosso campo”, conclui. Ou seja, o nome explicita algumas atribuições dadas ao curso e que, uma vez “aparentemente” perdidas, poderiam ocasionar a redução do campo de atuação para os graduados, que o dividiriam com mais profissionais. “Seria um grande prejuízo da formação de um profissional muito capacitado para contribuir com a sociedade”, comenta Mancini. “Continua um grande ponto de interrogação, não sabemos se realmente deveremos mudar ou não”, diz a professora. Mas, nada deve ser

Continua um grande ponto de interrogação, não sabemos se realmente deveremos mudar ou não.” Elfriede Bacch, chefe do Departamento de Farmácia mudado até 2014, quando ocorrerá o próximo reconhecimento de curso. Até lá, a faculdade tem o direito de manter o nome, que é o mesmo há mais de 50 anos. Por enquanto, as universidades permanecem nesse limbo jurídico de prazos, decisões e conseqüências. “A partir de 2014, precisaremos de uma nova orientação”, diz o diretor, “mas pretendemos manter o nome.”


Pesquisa

Química Verde auxilia a farmácia Apesar de recentes no Brasil, estudos nessa área são desenvolvidos na FCF

O homem tem cada vez mais consciência da importância e da magnitude das implicações dos seus atos. Há uma crescente preocupação com o futuro do planeta e com a forma pela qual podemos intervir para que este seja, então, mais próspero. A sustentabilidade surgiu como um conceito essencial no desenvolvimento de novos produtos e novas técnicas de produção. Nesse cenário, os fundamentos da Química Verde aparecem como reflexo da ânsia por meios de fabricação que sejam menos agressivos ao meio ambiente. A professora doutora Cristina Northfleet de Albuquerque, professora da FCF, conversou com a redação do BioAtivo e explicou como

divulgação

André Cavalieri

a Química Verde auxilia a indústria farmacêutica. Segundo a professora, a necessidade de uma produção “limpa” vem de encontro, sobretudo, à evolução mercadológica e à legislação ambiental. “O mercado vê com bons olhos produtos que não agridem o meio ambiente. Toda investida industrial com essa característica é positiva para uma diferenciação mercadológica. As leis ambientais, por sua vez, exigem uma adequação para liberação e comercialização de produtos industrializados”, afirma Cristina de Albuquerque.

Sustentabilidade em alta

O que é a Química Verde? A Química Verde é definida, segundo a IUPAC (International Union of Pure and Applied Chemistry), como “a criação, o desenvolvimento e a divulgação

aplicação de produtos e processos químicos para reduzir ou eliminar o uso e a geração de substâncias nocivas à saúde humana e ao ambiente”. A professora conta que, no Brasil, o envolvimento com os conceitos da Química Verde é recente e que somente alguns grupos científicos dedicam-se a essa área. Os principais promotores de eventos e pesquisas empregando os princípios desse campo são o Departamento de Química da USP, o Departamento de Química da Universidade Federal de São Carlos - ambos do estado de São Paulo (SP) - e o Instituto de Química da Universidade Federal de Pelotas, no Rio Grande do Sul.

No campo farmacêutico Há uma necessidade atual de realizar uma produção “limpa”

Dentro do campo farmacêutico, é possível observar uma evolução

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Pesquisa bastante ampla em todas as facetas do âmbito profissional. A farmoquímica é uma das áreas mais importantes. Ela está relacionada à síntese de fármacos clássicos ou novos. Os conceitos de química verde não poderiam ser desconhecidos, visto que esse campo está estreitamente ligado à química fina.

O mercado vê com bons olhos produtos que não agridem o meio ambiente.” Cristina de Albuquerque, professora da FCF-USP Um exemplo importante a respeito da aplicação da Química Verde na indústria farmoquímica é o prêmio recebido, em 2002, pela industrial farmacêutica Pfizer. “A Pfizer recebeu um prêmio pela re-

definição e modificação dos processos de produção da sertralina, um dos antidepressivos mais prescritos no mundo. Uma síntese, mais eficiente, dobrou o rendimento total, reduziu o uso dos materiais de partida, eliminou o emprego ou geração de aproximadamente 800 toneladas por ano de substâncias tóxicas, diminuiu o consumo de água e energia, e ainda ampliou as medidas de segurança dos trabalhadores da indústria”, conta a professora Cristina.

nados processos de síntese.

[A Química Verde é] a criação, o desenvolvimento e a aplicação de produtos e processos químicos para reduzir ou eliminar o uso e a geração de substâncias nocivas à saúde humana e ao ambiente.”

Pesquisa na FCF

Definição da IUPAC sobre a Química Verde

Alguns estudos no Laboratório de Síntese e Otimização de Fármacos da FCF já estão sendo iniciados. A pesquisa intenciona modificar as condições operacionais e a aplicação de técnicas adequadas e menos agressivas ao meio ambiente. Entre elas, é possível citar o uso de microondas e ultra-som em determi-

Englobando desde metodologias de prevenção até a redução de materiais e energias envolvidas no processo produtivo, a Química Verde surge como uma maneira eficaz de se buscar melhorias na obtenção de fármacos e diminuir possíveis danos ambientais. divulgação

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A Química Verde busca a fabricação de produtos menos agressivos ao meio ambiente


Raio-X

Rosário e seu trabalho na FCF Aulas, Comissão de TCC e Campanha de Diabetes são algumas de suas atividades arquivo pessoal

Juliana Malacarne A professora Rosário Hirata é uma figura bastante conhecida na FCF. Afinal, desempenha diversas funções: dá aulas em três disciplinas de graduação (Fisiopatologia III, Bioquímica Clínica, Controle de Qualidade em Análises Clínicas e Toxicológicas) e três de pós-graduação (Biologia Molecular em Análises Clínicas, Marcadores Moleculares na Doença Renal Crônica e Farmacogenômica Cardiovascular). Até junho deste ano, foi coordenadora das atividades da Comissão de Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) na FCF, além de trabalhar em diversos projetos na área de pesquisa em Biologia Molecular Aplicada e Farmacogenética, entre outros.

O relacionamento com os alunos de graduação é estimulante e desafiador, tanto nas disciplinas quanto nas atividades extracurriculares.” Rosário Hirata, professora da FCF-USP Por já ter participado da comissão de TCC, ela dá algumas dicas que podem ajudar na hora de organizar o trabalho. Primeiro, escolher

A professora Rosário Hirata em uma viagem para a Espanha uma área das ciências farmacêuticas para desenvolver o projeto. Procurar um orientador pela lista de professores da FCF, que se encontra no Manual de TCC. E depois, apresentar o projeto às comissões de ética (humana, animal, produtos químicos perigosos) para que ele possa ser aprovado. A professora Rosário coordena a Campanha de Diabetes da FCF junto com o professor Mario Hiroyuki Hirata, que idealizou e implementou a primeira edição da Campanha em 1998, quando a FCF completou 100 anos. Neste ano, a X Campanha de Diabetes foi realizada entre os dias 19 e 21 de outubro, e atendeu aproximadamente 950 pessoas de várias faixas etárias. Na realização da campanha participam alunos

da FCF que fazem exame de glicemia e orientam sobre a diabetes e sua prevenção. De acordo com a professora Rosário, “para os graduandos que realizam a campanha é uma atividade extracurricular muito enriquecedora que possibilita o contato com o público e a percepção da atuação do profissional da saúde”. Estando tão envolvida com a faculdade, é claro que a relação com os alunos é fundamental. Para ela, “o relacionamento com os alunos de graduação é estimulante e desafiador, tanto nas disciplinas quanto nas atividades extra-curriculares. Além de cumprir com os conteúdos das disciplinas, procuramos trocar idéias que possam melhorar o aprendizado.”

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Diversão - Mais alguma idéia para tornar as pessoas vegetarianas? Doença da vaca louca Gripe aviária Gripe suína

- Nós ouvimos falar há anos sobre “energia alternativa”, mas eu não tinha ideia que ela seria água do mar.

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Ilustrações: Dan Piraro http://bizarrocomic.blogspot.com


BioAtivo - 1ª Edição