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Cultura. Mundinho Querido

Mundinho Querido garante entretanto que não se arrepende de nada. “Nunca na minha disse ´quero ser duplo’. As coisas foram acontecendo e acabei fazendo carreira nessa área, alcançando resultados que considero importantes”. Durante as filmagens de “Missão Impossível 6”, conta o duplo, “punha-me às vezes a pensar: ‘Estou ao lado de Tom Cruise, o ator que, quando era mais jovem, via em “Top Gun”. Não tenho o papel que ele tem, mas estou satisfeito com o que consegui”.

Mundinho Querido também sonhou trabalhar um dia nos Estados Unidos da América. “Lá os duplos ganham mais, recebem uma percentagem dos lucros dos filmes em que participam”, explica o duplo cabo-verdiano. Mas para entrar nesse mercado é preciso cumprir uma série de provas e modalidades quase profissionais, como mergulho e artes marciais, em apenas três anos, e ainda é preciso morar nos EUA e pagar cerca de 4 mil euros para obter uma autorização de trabalho. Por isso, desistiu desse sonho. Ademais, o centro do cinema são cada vez menos os Estados Unidos da América, onde os lucros de bilheteira diminuem a cada ano, e cada vez mais a Ásia, particularmente a China e a India, que é o país que mais filmes produz.

“Lá os duplos ganham mais, recebem uma percentagem dos lucros dos filmes em que participam” -

Action director? Quem sabe, um dia …

“Uma vez ou outra” passou-lhe pela cabeça trocar a carreira de duplo pela de ator, almejando ser protagonista de um grande filme de ação, mas preferiu manter-se fiel à sua identidade de especialista em cenas que exigem força e destreza física. Diz Mundinho Querido “na verdade, os duplos olham muitas vezes para os atores como flores muito sensíveis, e não querem ser vistos assim, já que enfrentam vários perigos, muitas vezes até de morte”.

Recentemente, Mundinho e os World Stunt, a empresa de duplos que cofundou, foram convidados a participar na produção de “Hai Phuong”, filme que tem como protagonista a atriz Veronica Ngo, que também participou na sequela de “Guerra das Estrelas”. “Convidaram-nos para ir ao Vietnam para organizar toda a parte de ação do filme, o que implicava criar a coreografia, a pré-visualização e ainda sermos nós próprios os realizadores da parte de ação do filme”, conta Mundinho Querido. “Aceitámos, mas com um pouco de medo.

Por isso lamenta a forma como muitas vezes o trabalho dos duplos é desvalorizado. “É o rosto do ator que aparece no ecrã e, por isso, o mérito do que fazemos vai para ele. Ninguém lê os nomes que aparecem no fim dos filmes”, afirma Mundinho. Por isso, feito o convite, o duplo cabo-verdiano está disposto a trabalhar ao lado do presidente da federação francesa da classe, Laurent Demiannof, por melhor reconhecimento e remuneração.

Era a primeira vez que assumíamos uma responsabilidade como essa… E, devido a certas circunstâncias, acabei por ser o action director”, conta Mundinho Querido, já seduzido pela perspetiva de uma nova carreira. “É um trabalho muito interessante, já aprendi muita coisa, mas preciso aprender mais. Se surgir uma nova oportunidade de ser action director com certeza vou aproveitá-la”, admite o duplo.

O sonho de ser ator

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NT CV 14  

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