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Reportaje. Cabo Verde en Londres

sempre sol, da praia, da comida e da cultura”, afirma, orgulhosa mas tímida. “Eu gostava de ir a São Vicente”, adita Tiffany, que não conhece a terra dos seus pais. Numa mesa atrás do grande U do pequeno salão central encontra-se uma mulher animada e sorridente, com enorme cabelo encaracolado, preto e brilhante, e um vestido cinzento, simples mas elegante. É Sandra Carvalho. Nunca esteve em Cabo Verde, mas fala crioulo. E porquê? Aprendeu com os avós, na Lisboa de Santa Catarina. Trabalha em Londres como cozinheira num lar de idosos, tem dois filhos e está casada com um cabo-verdiano. Foi uma grande viajante, sempre nas saias de sua mãe, que a levou, sobretudo, a muitas das ilhas Canárias, como Tenerife, Lanzarote, Gran Canaria e La Palma, onde acha que terá sido a única ou uma das escassas mulheres mulatas da ilha. “Olhe que ali, nos Los Llanos de Aridane, toda a gente me conhecia como A negra”, e ri-se com gargalhadas contagiantes.

muito calorosas, acolhedoras”. Acompanha-a à guitarra, Janichell Santos, engenheiro biotécnico de 29 anos. Natural de Santo Antão, passou primeiro por Bragança (Portugal) e todos os anos dá uma escapadela à sua terra. “Conseguir um trabalho é a chave”, explica para fazer-me compreender o que o levou a deixar a sua terra. “Isso dá-te estabilidade financeira, emocional, permite-te criar uma família e ajudar os teus – e tudo isso consigo em Londres, por isso estou aqui”.

Hoje Filomena Lopes, admiradora de Cesária Évora, Mayra Andrade e Lura, entre outras estrelas do seu país, canta morna e coladera Neste pedaço de Cabo Verde em Londres há sempre música ao vivo. Hoje Filomena Lopes, admiradora de Cesária Évora, Mayra Andrade e Lura, entre outras estrelas do seu país, canta morna e coladera. Filomena esteve primeiro em Portugal, mas já está há 22 anos em Londres, com filhos de 17 e 29 anos, trabalhando na Fundação Delfina, que acolhe artistas vindos de todo o mundo. É do Mindelo e a sua família de Santo Antão. Há apenas três meses visitou a sua terra, onde garante que “as pessoas são mais

A fria noite londrina e os desertos jardins de Shakspeare Walk nem sonham com o enorme calor que solta este ínfimo universo cabo-verdiano, cheio de vida, música, sabores, símbolos e lembranças a mais de 5000 quilómetros da terra que os viu nascer. E assim acontece, desde há 4 anos, no primeiro sábado de cada mês, graças ao trabalho voluntário de Alda, Jonas e um grupo de homens e mulheres entusiastas.

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