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Número 14

Cabo Verde

ENCANTOS DA ILHA DO SAL RUBEN SANCA - CABOVERDIANOS EN LONDRES - ELDERS MADEIRA LILIANA PIMENTEL - JOSÉ CABRAL - NEUZA - KATU - MUNDINHO QUERIDO


Editorial

BEM-VINDO É com muito gosto que o recebemos a bordo. Aproveitamos mais esta oportunidade para o pôr ao corrente das nossas últimas atividades e planos para os próximos meses. Estes primeiros meses de 2019 têm sido muito intensos, sendo muito entusiasmante manter a nossa média mensal em 600 voos, oferecendo a diversidade de 7 rotas domésticas aos nossos clientes. Nos primeiros 3 meses do ano tivemos algumas perturbações, consequência da já habitual Bruma Seca, mas essas questões foram ultrapassadas, com a preciosa colaboração de todos e a ajuda dos nossos passageiros. Endereçamos, portanto, uma palavra de grande apreço à nossa equipe pelo cuidado que tem demonstrado nestas situações. Nestes últimos meses, colaborámos com o Carnaval de São Vicente e com a festa das Bandeiras, sem dúvida ocasiões muito especiais para Cabo Verde, e estivemos em permanente coordenação com as organizações. Criámos voos especiais e participámos na divulgação destas festas, tanto a bordo dos nossos aviões como na nossa página oficial do Facebook, que neste momento já conta com 30.000 seguidores. É com muito gosto que constatamos que 2.700 passageiros responderam ao nosso último inquérito de satisfação a clientes. Esta participação tem sido essencial para melhorar os nossos serviços. É bom ver que subimos em todos os níveis, em relação ao inquérito anterior. Sem dúvida, temos ainda muito para trabalhar, mas é bom ver que estamos no bom caminho e que podemos contar com sua colaboração. Estamos a programar muito atentamente a época alta do verão e continuamos a trabalhar arduamente para satisfazer as necessidades dos nossos passageiros. Esperamos mais uma boa época alta para Cabo Verde, o que seria um sinal muito bom para todos nós. No campo da ação social, o nosso programa Sorrisos Verdes continua a fazer visitas e a trazer alegria a vários jardins de infância. Seguindo o nosso protocolo com o Ministério da Educação, equipámos mais duas escolas de Cabo Verde com salas multimédia, desta vez em São Nicolau e no Maio. Muito mais está para vir. Contamos vê-lo mais vezes a bordo, trabalhamos para si, a pensar na sua segurança, com a nossa fiabilidade, pontualidade e regularidade. Bom voo e até breve, Luís Quinta

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SUMÁRIO 8 Ruben Sança Entrevista

12 Casa Londres Reportaje

23 Isla de Sal Aventura

30 José Cabral Cultura

STAFF DIRETOR Juan Manuel Pardellas director@barabaracomunicacion.com REDAÇÃO Paula Albericio redaccion@barabaracomunicacion.com COLABORADORES NESTE NÚMERO Dai Varela, Naomi-Vera Cruz, Juan José Ramos Melo, Nadine Fortes, SAPO Cabo Verde DIREÇÃO CRIATIVA E MAQUETE great · greatttt.com · estudio@greatttt.com TRADUTOR Tiago Alves FOTO DE CAPA Fotolia ILUSTRAÇÕES David Ferrer

BINTER Pedro Agustín del Castillo · Presidente Rodolfo Núñez · Vice-presidente Alfredo Morales · Conselheiro Delegado Noelia Curbelo · Relações Institucionais e Comunicação SIGA-NOS NO WEBSITE E NAS REDES SOCIAIS www.binter.cv · Facebook · Twitter · Instagram NT Cabo Verde é uma produção de BARA-BARA 3.0 SL exclusiva para BINTER. BARA-BARA 3.0 SL. C/Puerto Escondido, 5. Sexto Izquierda. 38002 Santa Cruz de Tenerife (Islas Canarias. España) (922 897 517). BINTER e BARA-BARA 3.0 SL não se responsabilizam pelos conteúdos publicitários nem pelas opiniões manifestadas pelos colaboradores nos seus artigos. Todos os direitos reservados. Proibida a reprodução, edição ou transmissão total ou parcial por qualquer meio e em qualquer suporte, sem autorização expressa por escrito de BARA-BARA 3.0 SL. IMPRESSÃO Gráficas Sabater SL. Com assistência técnica de 2informática.

FOTOGRAFIAS Dai Varela, Emily Maye, Juan Álvaro, @vaidosadmais, Zé Pereira, Mundinho Querido PUBLICIDADE Canárias · 34 922 897 517 publicidad@barabaracomunicacion.com Cabo Verde · +238 2614 915 comercial@eme.cv

Na revista NT utilizou-se papel reciclado oriundo de florestas de gestão sustentável

FEITO NAS CANÁRIAS


África tem nome de mulher

Por Dai Varela Fotografia por Dai Varela

DINA SALÚSTIO

Dina Salústio é uma escritora cabo-verdiana que acompanha o seu tempo e que não nega seu gosto em fazer parte das lutas nos problemas e preocupações das pessoas. Iniciou-se em 1980 a escrever para a rádio, altura em que também publicava nos periódicos nacionais. Só depois viria a publicar em livro a obra “Mornas eram as Noites” (1992), uma coletânea de seus artigos pelos jornais e revistas, o romance “A Louca de Serrano” (1998) e os livros infantojuvenis “Estrelinha Tlim-Tlim” (1998) e “O Que os olhos não veem” (2002), em coautoria com Marilene Pereira. Mais tarde publica o romance “Filhas do Vento” (2009) e a coletânea de contos “Filhos de Deus” (2018). No início de maio deste ano lançou o romance intitulado

“Veromar”. Autora condecorada pelo Presidência da República com a 1ª classe da Medalha do Vulcão (Cabo Verde 2010) pelo seu contributo às letras, Dina Salústio é vencedora do Prémio PEN Clube Galícia ‘Rosalía de Castro’ (Espanha 2016), na categoria de Literatura de Língua Portuguesa. Recentemente o seu livro “A Louca de Serrano” (2018) recebeu o Prémio PEN de Tradução para Língua Inglesa do PEN Clube Inglês, na tradução “The Madwoman of Serrano”. Contudo, Dina Salústio aponta como um dos maiores prémios vivenciar a reação do seu leitor ou assistir a uma dramatização de um conto, um poema ou uma parte dum livro seu pelos jovens estudantes. Um prémio que a emociona e lhe arranca lágrimas.

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Planeie a sua próxima visita a Cabo Verde

SÃO VICENTE Carnaval (janeiro/fevereiro) Mês do Teatro (março) Festas Juninas (junho) Festa de São João (24 junho) Festival da Lajinha (junho) Festival Gastronómico Kavala Fresk (julho) Summer Jazz Festival (agosto) Festival Internacional de Música da Baía das Gatas (agosto) Mindelact. Festival Internacional do Teatro (novembro) Festa de S. Silvestre (dezembro)

SANTO ANTÃO Santo António das Pombas (13-14 junho) Ribeira das Patas – Porto Novo (23 junho) Festival 7 Sóis 7 Luas (junho) Festas Juninas (junho)

SÃO NICOLAU Carnaval (13 fevereiro) Sodad - Festival d`Morna (abril) Festival de Atum (agosto) Feira Gastronómica “Gostos e Sabores do Parque (5 e 6 de agosto)

BRAVA Santa Cruz (3 maio) Festas de São João (23 de junho) Festas Juninas (junho)

FOGO Festa da Bandeira de São Filipe (abril/ junho) Festa São Filipe (abril/ maio) São João. Vila de Igreja (24 junho) Festas de São Lourenço (10 agosto) Santa Catarina (25 novembro)

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*Com os contributos de KimZé Brito, Samara Dionis, Pilar Ureña, Juan Manuel Pardellas, Direção Geral do Turismo e Transportes (Ministério do Turismo e Transportes).

SAL Carnaval. Mandingas (janeiro/ fevereiro) Carnaval (fevereiro) Palmeira (19 março) EXPOTUR - Feira de Turismo de Cabo Verde (maio/ junho) Festival Nacional de Teatro “Sal Encena” (junho) Alto de São João (23 junho) Hortelã (23 junho) Pedra de Lume. Santo Antonio (julho) Festival da Literatura Mundo (julho) Festival de Música de Santa Maria (15 setembro) Cabo Verde International Film Festival (outubro)

BOA VISTA Festival Music Contest (julho) Festival da Praia de Cruz (agosto) Maratona Boa Vista (agosto) Festival da Morna (outubro)

MAIO Tabanca (19 março) Noite Garoupa & Poesia (26 agosto) Festival de Beach Rotcha (setembro) Nossa Senhora da Luz (8 setembro)

SANTIAGO Festival Santo Amaro Abade (janeiro) Carnaval (13 fevereiro) Festa de Cinza (14 fevereiro) Festival Internacional da Lusofonia de Conto de Estórias (março) Festival Um Concelho Três Ritmos - Sta. Cruz (março/ abril) Festival Grito Rock (março/ abril) Atlantic Music Expo – AME (abril) Kriol Jazz Festival (abril)

Festival Ribeira da Barca (maio) Festival da Gamboa (19 maio) Tabanka (junho) Festival Badja ku Sol (julho) Festival Praia de Areia Grande - Sta. Cruz (julho) Festival da Calheta de São Miguel (15 agosto) Calheta de São Miguel. Batuko e Funaná (29 setembro) Festival do Milho (1 novembro) Festival de Santa Catarina (novembro) Noite Branca (dezembro)

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Entrevista. Ruben Sanca

Por Naomi Vera-Cruz Fotografía por Emily Maye

“NÃO VOU PERMITIR QUE O SUCESSO DA MINHA CARREIRA SEJA JULGADO PELA QUANTIDADE DE MEDALHAS QUE GANHEI” Ruben Sança é um dos mais bem-sucedidos atletas de Cabo Verde. O maratonista prepara agora a sua participação nos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020, mas pensa também no seu futuro fora das pistas. Além de uma empresa de treino online de atletas – a Lowell Running Company -, criou a Fundação Sança que, combinando atividades desportivas e educação, espera oferecer oportunidades de um futuro melhor aos jovens de Cabo Verde. cendo-me uma bolsa de Solidariedade Olímpica para suportar algumas das despesas do meu treino. A bolsa permite-me viajar para competições, comprar equipamentos, contratar um técnico adequado e pagar serviços médicos ou de emergência. Acredito que mais deste tipo de assistência é necessário não só para mim, mas para outros em Cabo Verde. Dou muito crédito ao Comité Olímpico de Cabo Verde por continuar a fazer grandes esforços na busca de recursos para treinos, conferências e eventos que podem ajudar a desenvolver o desporto em Cabo Verde.

Ruben, aos 32 anos é um atleta que continua de olhos postos nas grandes competições mundiais, nomeadamente nos Jogos Olímpicos de Tóquio, em 2020. Como está a correr a preparação para alcançar esta que é a mais desejada de todas as provas? Atualmente estou treinando para me qualificar para a maratona dos Jogos Olímpicos de Tóquio. A janela de qualificação para os jogos abriu a 1 de janeiro deste ano e encerrará em junho de 2020. Para que eu me qualifique para os JO tenho que executar o tempo necessário. Embora esta competição só aconteça a cada quatro anos, o meu treino continua sendo o mesmo que tem sido durante toda minha carreira. No entanto, a programação das minhas corridas pode mudar para permitir que eu selecione as corridas em que eu acho que tenho as melhores oportunidades de me qualificar para os JO.

Mas falta ainda mais de 1 ano até os JO 2020. Quais os seus objetivos até lá? Meu principal objetivo é primeiro chegar aos JO 2020. Não sou candidato a uma medalha, mas acredito que a minha história virá a inspirar muitos futuros atletas cabo-verdianos que, em algum momento, poderão tornar-se candidatos a medalhas. Como país, temos que aprender a dar pequenos passos e estabelecer grandes metas, mas temos que ter paciência. Eu gostaria de bater meu recorde nacional na maratona e elevar o nível para as futuras gerações.

É um atleta bolseiro da Solidariedade Olímpica para os Jogos Olímpicos de Tóquio, o que isso significa? Estou extremamente grato pelo apoio do Comité Olímpico Internacional, forne8


Entrevista. Ruben Sanca

Pretendia participar na Maratona de Dubai, que teve lugar a 25 de janeiro, mas não conseguiu. O que impediu que competisse nessa prova?

Pretende também ajudar no desenvolvimento da nova geração de atletas em Cabo Verde. Fará isso a partir dos Estados Unidos ou regressará a Cabo Verde?

Infelizmente, não consegui correr a maratona de Dubai. Devido a um pequeno contratempo no treino tive que mudar o plano de competições, pensando no melhor. Estou bem e treinando duro na esperança de que, em breve, farei uma maratona.

Ainda não estou completamente certo de para onde o futuro me levará. No entanto, estou aberto a novas oportunidades que possam surgir. Como atleta com 20 anos de experiência já viajei por quase 20 países, conseguindo vários diplomas universitários e certificados e tornando-me fluente em vários idiomas. Acredito por isso que posso ser um grande trunfo para o meu país. Estou disposto a trabalhar de uma forma que possa ajudar o desenvolvimento socioeconómico de Cabo Verde, seja através do desporto ou por outros meios.

Está já numa faixa etária (32 anos) em que habitualmente os atletas começam a preparar a retirada das pistas. Foi guiado por esta ideia que, em 2016, fundou a empresa de treino online chamada "Lowell Running Company" (www. LowellRunning.com), nos EUA?

Sei também que está a trabalhar na criação de uma organização sem fins lucrativos - a Sança Foundation, Inc - para ajudar crianças em Cabo Verde a encontrar um equilíbrio entre o atletismo e a educação escolar. Como pensa conseguir isso tudo?

Sim. Logo será o fim da minha carreira competitiva, mas gostaria de continuar envolvido no atletismo. Sou um técnico certificado nos Estados Unidos e recentemente fundei a empresa chamada Lowell Running Company , na cidade de Lowell, onde frequentei a universidade. Somos um grupo de 4 treinadores e, em 2018, já treinámos mais de 100 atletas de todo o mundo por meio do treinamento online de maratona. Temos uma comunidade online onde ajudamos os corredores a aprender sobre a maratona e aconselhamos os atletas que competem ao mais alto nível.

A Fundação Sança serve para ajudar as gerações mais jovens de Cabo Verde. Enquanto estudava nos Estados Unidos, pude observar como o desenvolvimento de atividades desportivas para jovens pode provocar mudanças em toda uma comunidade. Acredito que Cabo Verde

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precisa apostar em iniciativas desportivas e educacionais como meios para o desenvolvimento socioeconómico. Precisamos criar uma nova mentalidade de "atleta-atleta" como forma de dar esperança a nossa juventude. No entanto, percebo que, para que isso aconteça, precisamos de recursos. Precisamos de treinamento para o nosso capital humano, tanto quanto de equipamentos reais tangíveis. Para que tudo isso aconteça, também precisamos das pessoas certas, que liderem a organização no estabelecimento de parcerias, na criação de redes de contactos, em oportunidades de bolsas de estudo de patrocínio e muito mais. Acredito que estou numa posição agora onde posso ser uma grande ajuda para essa visão e sinto que é minha responsabilidade agir.

resultados nas provas de resistência. Acredita que um dia alcançaremos o ouro nos Jogos Olímpicos? É realmente difícil dizer isso com total certeza. Acho que às vezes tendemos a subestimar o resto do mundo por não termos o conhecimento adequado. No atletismo temos feito um tremendo progresso em Cabo Verde nos últimos 15 anos. No entanto, acho que ainda há um longo caminho para nós fazemos, pois estamos apenas começando a arranhar a superfície. Temos que mudar a nossa mentalidade sobre o atletismo. Precisamos ensinar os nossos jovens sobre disciplina antes de pedirmos que eles ganhem medalhas. Não podemos continuar a medir o sucesso do atletismo em Cabo Verde simplesmente pela quantidade de medalhas que ganhamos. Esse não é o objetivo principal de nenhum desporto.

Esse é o seu maior sonho, ou tem outros tão ou mais ambiciosos? A Fundação Sança tem uma posição muito alta na minha lista de prioridades. Eu gostaria de ouvir e me conectar com qualquer pessoa que esteja disposta a ajudar, sejam consultores, patrocinadores, colaboradores e as próprias crianças. Eu realmente acho que vamos conseguir algo grande para Cabo Verde através desta fundação e estou muito feliz por estar mostrando o caminho. Atletas cabo-verdianos têm tido bons

Então, não se vê como o atleta que nos dará o ouro olímpico? Meu objetivo não é ganhar uma medalha. Meu objetivo é inspirar as futuras gerações. Acho que neste momento é o melhor que posso fazer. Treinarei duro? Claro que sim. Vou competir até o final? Absolutamente. No entanto, não vou permitir que o sucesso da minha carreira seja julgado pela quantidade de medalhas que ganhei.

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Reportaje. Cabo Verde en Londres

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Por Juan Manuel Pardellas Fotografia por Juan Álvaro

CACHUPA AOS PÉS DO BIG BEN

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Reportaje. Cabo Verde en Londres

Como cada primeiro sábado do mês, um grupo de minorcas cor café, de cabelo encaracolado, corre sem parar ao pé de uma bandeira de Cabo Verde, sob o olhar atento de Alda Lopes e Jonas da Silva. As paredes brancas do local comunitário em Milton Gardens Community Hall enchem-se de bandeiras de Cabo Verde, fotografias de espetáculos anteriores, de morna, furaná e de artistas populares destas ilhas do atlântico africano. Um projetor ligado a um PC lança imagens dum jogo de futebol dos Tubarões, enquanto se ouve furaná a abrir. Três mesas compridas, dispostas em forma de um grande U, reúnem o grupo dos convidados. É uma pequena representação da comunidade cabo-verdiana em Londres, quem nasceu nalguma das dez ilhas ou em qualquer lugar da Europa e da América, mas de pais ou avós cabo-verdianos. Contam-se mais de 4.000 em todo o Reino Unido, mas pensa-se que realmente sejam muitos mais. A própria Alda Lopes nasceu em Angola, de pais de Santiago e Brava. Como coordenadora desta casa de Cabo Verde em Londres tenta promover a cultura de seu país entre os seus, para conservar os laços com a terra de origem mas, sobretudo, para a divulgar entre outras comunidades britânicas, europeias ou mundiais.

Vestido com uma camisola e chapéu com as cores de Cabo Verde, Jonas da Silva, o presidente do grupo, é há 22 anos condutor dos populares autocarros vermelhos de dois andares. Agora até já é formador de novos chauffeurs. Nasceu no Mindelo (São Vicente) e de dois em dois anos volta à sua terra, com a mulher e os filhos de 19 e 14 anos. Diz-nos “adoro o clima e personalidade da nossa gente, humildes, amáveis, sempre com um sorriso na cara”, e tem saudades de uma cerveja Strela bem fresquinha e de peixe na grelha. Mesmo assim, também reconhece que, sendo difícil deixar a terra em que se nasceu, “é mais fácil encontrar em Londres um bom trabalho: há mais oportunidades, também para os filhos”. A sua ligação às ilhas é permanente. Deita a mão ao bolso traseiro das calças e mostra, orgulhoso, os bilhetes de avião para o Mindelo, em fevereiro. Nos seus planos de futuro conta-se, sem dúvida, “reformar-me na minha terra”.

“Olhe que ali, nos Los Llanos de Aridane, toda a gente me conhecia como A negra”, e ri-se com gargalhadas contagiantes “Enquanto os nossos filhos estiverem aqui não estarão pelas ruas a fazer outras coisas”, confidencia-me num canto, longe da música e do rebuliço dos que já enchem o salão e degustam produtos locais como cachupa, biscoito de banana e cuscuz. “Aquilo [Cabo Verde] é muito mais tranquilo, as coisas vão a um ritmo mais lento, com mais alegria”. Com três filhos de 30, 19 e 13 anos, reconhece que é muito mais rápido e simples encontrar trabalho em Inglaterra, acima de tudo na hotelaria. De facto, já se sente meio cabo-verdiana meio britânica, com casa própria, trabalho e as crianças na escola.

Num canto, isolados, conversam duas amigas adolescentes. Jacil da Silva y Tiffany Fernandes têm 13 anos, desfrutam de um pequeno prato de cachupa e de umas empadas de carne enquanto conversamos. A primeira diz à segunda como as praias da Praia são bonitas. “Gosto muito do clima, há 14


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Reportaje. Cabo Verde en Londres

sempre sol, da praia, da comida e da cultura”, afirma, orgulhosa mas tímida. “Eu gostava de ir a São Vicente”, adita Tiffany, que não conhece a terra dos seus pais. Numa mesa atrás do grande U do pequeno salão central encontra-se uma mulher animada e sorridente, com enorme cabelo encaracolado, preto e brilhante, e um vestido cinzento, simples mas elegante. É Sandra Carvalho. Nunca esteve em Cabo Verde, mas fala crioulo. E porquê? Aprendeu com os avós, na Lisboa de Santa Catarina. Trabalha em Londres como cozinheira num lar de idosos, tem dois filhos e está casada com um cabo-verdiano. Foi uma grande viajante, sempre nas saias de sua mãe, que a levou, sobretudo, a muitas das ilhas Canárias, como Tenerife, Lanzarote, Gran Canaria e La Palma, onde acha que terá sido a única ou uma das escassas mulheres mulatas da ilha. “Olhe que ali, nos Los Llanos de Aridane, toda a gente me conhecia como A negra”, e ri-se com gargalhadas contagiantes.

muito calorosas, acolhedoras”. Acompanha-a à guitarra, Janichell Santos, engenheiro biotécnico de 29 anos. Natural de Santo Antão, passou primeiro por Bragança (Portugal) e todos os anos dá uma escapadela à sua terra. “Conseguir um trabalho é a chave”, explica para fazer-me compreender o que o levou a deixar a sua terra. “Isso dá-te estabilidade financeira, emocional, permite-te criar uma família e ajudar os teus – e tudo isso consigo em Londres, por isso estou aqui”.

Hoje Filomena Lopes, admiradora de Cesária Évora, Mayra Andrade e Lura, entre outras estrelas do seu país, canta morna e coladera Neste pedaço de Cabo Verde em Londres há sempre música ao vivo. Hoje Filomena Lopes, admiradora de Cesária Évora, Mayra Andrade e Lura, entre outras estrelas do seu país, canta morna e coladera. Filomena esteve primeiro em Portugal, mas já está há 22 anos em Londres, com filhos de 17 e 29 anos, trabalhando na Fundação Delfina, que acolhe artistas vindos de todo o mundo. É do Mindelo e a sua família de Santo Antão. Há apenas três meses visitou a sua terra, onde garante que “as pessoas são mais

A fria noite londrina e os desertos jardins de Shakspeare Walk nem sonham com o enorme calor que solta este ínfimo universo cabo-verdiano, cheio de vida, música, sabores, símbolos e lembranças a mais de 5000 quilómetros da terra que os viu nascer. E assim acontece, desde há 4 anos, no primeiro sábado de cada mês, graças ao trabalho voluntário de Alda, Jonas e um grupo de homens e mulheres entusiastas.

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Turismo. Notícias

A EMBAIXADORA DE ESPANHA EM APOIO A MOÇAMBIQUE

CAPLAN NEVES VENCE CONCURSO NACIONAL DE DRAMATURGIA

Caplan Neves venceu a 2ª edição do Concurso Nacional de Dramaturgia, com o O Cheiro dos Velhos, informou Mindel Insite. A edição contou com 18 candidaturas de cinco ilhas: São Vicente, Brava, Santiago, Santo Antão e São Nicolau. O Cheiro dos Velhos foi a escolha do júri, constituído por José Luís Peixoto (poeta e dramaturgo português), Mariana Faria (leitora do Camões I.P. e vogal da Cátedra Eugénio Tavares de Língua Portuguesa na Universidade de Cabo Verde) e Olavo da Luz (cineasta e agente cultural cabo-verdiano).

A embaixadora de Espanha em Cabo Verde, María Dolores Ríos Pese, juntamente com outras representantes diplomáticas, participou num almoço de beneficência de apoio a Moçambique, organizado pela primeira-dama de Cabo Verde, Lígia Fonseca, que aderiu à mobilização de ajuda ao seu país de origem, após os furacões.

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Uma equipa de investigadores canários e cubanos, coordenados pelo catedrático de Zoologia da Universidade de Oviedo Jesús Ortea, fará um inventário exaustivo da biodiversidade em Cabo Verde, enquanto prepara um livro sobre as lesmas marinhas deste arquipélago, segundo o jornal canário La Provincia. Numa entrevista a Efe Jesús Ortea explica que o projeto decorrerá em julho e agosto na ilha do Sal, com o patrocínio da Fundação Mirpuri, envolvida na recuperação dos habitats marinhos e na proteção do ambiente, particularmente pela eliminação dos plásticos descartáveis. O projeto terá gestão logística de Nuno Marques da Silva e Manta Diving Center, um centro de mergulho único no trabalho de proteção e recuperação do ambiente, que afundou dois barcos para criar os primeiros recifes artificiais em Cabo Verde, uma experiência que poderia ser replicável nas Canárias. O catedrático participou numa vintena de projetos de investigação e em mais de 40 campanhas de biodiversidade marinha nas Canárias, Cuba, Cabo Verde, Costa Rica, Galápagos, Martinica ou Guadalupe.

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Naturaleza. Cotovia de raso

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por Juan José Ramos Melo @JuanjoRamosEco

A COTOVIA DE RASO A cotovia de Raso é uma ave de cores terrosas e pequeno tamanho, exclusiva de Raso, um ilhote desabitado de apenas 7 quilómetros quadrados de superfície, pertencente às Desertas de Cabo Verde, um grupo de três ilhotas formado por Santa Luzia, Raso e Branco. É uma espécie adaptada à extrema aridez e aos ventos dominantes que açoitam este ilhéu vulcânico, onde sobrevive alimentando-se de pequenos insetos e das sementes que brotam das escassas plantas que o povoam. Foi descoberta em 1897 pelo explorador, ornitólogo e oficial do exército britânico Boyd Alexander, que realizou numerosas expedições pelo continente africano, descrevendo para a ciência várias espécies de aves. Foram encontrados restos fósseis da cotovia de Raso nas ilhas de Santo Antão, São Vicente, Santa Luzia e Branco, onde provavelmente viveram até à chegada dos primeiros povoadores humanos, no século XV. Depois dos primeiros humanos chegaram alguns dos predadores mais temidos pelas espécies de aves endémicas de ilhas oceânicas, como os gatos, as ratazanas, os ratos, as cabras, os porcos e os cães, autênticos exterminadores da biodiversidade insular. A cotovia encontra-se catalogada como correndo perigo crítico de extinção pela União Internacional para a Conservação da Natureza, já que a sua população mundial se limita às poucas aves que vivem em Raso, que podem variar entre 250 e 1000 exemplares, em função das escassas épocas de chuvas, sendo muito mais abundante depois dos anos chuvosos devido à disponibilidade de alimento, água e de erva alta para refugiar-se dos predadores. Pela sua rareza e escassez é uma das espécies de aves mais procuradas pelos observadores de aves que viajam pelo mundo. Alguns destes chegam a Cabo Verde para observá-la ou fotografá-la e poder inscrevê-la nas suas listas pessoais. Mas não sem antes ter solicitado ao Governo de Cabo Verde as autorizações pertinentes e ter contactado algumas das organizações locais que trabalham na sua conservação. A cotovia de Raso é um verdadeiro motivo de orgulho para os cabo-verdianos e a sua conservação um enorme desafio e responsabilidade.

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Aventura. Isla de Sal

Por Nadine Fortes Fotografía por @vaidosadmais

ENCANTOS DA ILHA DO SAL “Sal kê Temper”, expressão muito usada para descrever a intensidade da ilha e que, cá por mim, evoca muito bem esse pequeno paraíso em Cabo Verde. Aproximadamente 35 min de voo, o tempo que se demora para chegar vindo das outras ilhas. O tempo em que a ansiedade e as expectativas ocupam a nossa mente imaginando o que se irá encontrar. E a ilha não dececiona. Praias paradisíacas, águas cristalinas, paisagens exóticas, uma variada culinária e resorts all inclusive, cinco estrelas, de frente para o mar, eis algumas das coisas que cruzarão o caminho de quem por lá passar. Sim, já conhecia a ilha, mas é impossível controlar as emoções a cada vez, há sempre coisas novas a serem exploradas. Dicas para aproveitar ao máximo esse paraíso dos elementos. Ah, e não podemos deixar de fora o shark experience, já se imaginou bem pertinho dos tubarões? E há ainda o banho nas salinas para purificar a alma.

Faça amizade com as pessoas da ilha A simpatia, boa disposição e aquela morabeza do nosso povo ajudá-lo-ão a conhecer gente nova e a programar melhor a sua estadia e a experiência na ilha. Vão certamente mostrar-lhe a sua cidade numa perspetiva bem diferente daquela a que o turista normal tem acesso.

Experimente a comida local Saia da sua zona de conforto e experimente nova gastronomia, desde os mercados de rua até ao restaurante ‘xpto’ que sempre desejou conhecer. Garanto uma explosão de sabores digna da nossa culinária. Recomendo um peixinho grelhado num dos restaurantes à beira-mar. Que maravilha !

Uma visita guiada mais profunda e autêntica, como assistir à chegada dos pescadores ao pontal com os botes carregados de peixe fresco, as acrobacias na área, os surfistas sendo levados ao sabor

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Aventura. Isla de Sal

Visite mercados Haverá lugar mais genuíno do que mercados e lojas típicas? Os ícones turísticos também podem ser interessantes, mas os locais frequentados pelo pessoal da ilha têm outro charme. São onde encontrará a verdadeira autenticidade. Para mim, os mercados são a alma de qualquer cidade. E já reparou que não há melhor lugar para desafiar a plenitude dos sentidos? E retratá-los em imagens… fotográficas e mentais. Um passeio pela pedonal de Santa Maria permitirá um contacto com o nosso artesanato, nossas especiarias e vestuários típicos. Vagueie pela cidade fora de horas É uma perspetiva completamente diferente da cidade. Conhecerá a vida noturna da ilha onde se escutam diferentes ritmos musicais a cada esquina, desde música ao vivo aos DJs locais. Ou então perceberá como tudo parece diferente, com as ruas desertas. Terá oportunidade de olhar e admirar o céu. Sentar-se à beira-mar e escutar os cantos do oceano enquanto a cidade dorme também tem o seu encanto. Vá até à Praia de Santa Maria e entenderá… As imagens falam mais um pouco desse lugar onde o sol beija a nossa pele e o mar limpa a nossa alma, porque afinal, quando viajamos, queremos maravilhar-nos e surpreender-nos. Que o riso saia solto, que as lagrimas sejam de alegria, que cheiro seja de momentos inesquecíveis e o gosto…a emoções vividas!

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QUÉ COMER O peixe fresco que chega diariamente ao Pontão é, sem dúvida, a estrela: garoupa – um peixe branco tipo mero –, cachorrinha – um atum pequeno –, bicas – cavalas –, além de lagostas, percebes e outras delicias. Restaurante Odjo d’Agua: literalmente sobre o mar, oferece música e os melhores pratos. O seu tártaro de atum é um must, e os seus jantares de grelhados na praia também são muito divertidos. Barrakuda ou Fisherman são outras boas opções para degustar o melhor peixe fresco. Restaurante Le Privé: este restaurante francês irá surpreendê-lo, considerado o melhor da ilha, num tranquilo jardim com música ao vivo. NO TE PUEDES PERDER Uma excursão em catamarã na baía de Santa Maria. Snorkelling nas suas águas turquesa, ou o desafio de um dia de mergulho Um banho nas águas das Salinas, ou um passeio a cavalo na praia. Uma excursão em fun quad para descobrir as paragens mais singulares Inicie-se no desporto na moda na famosa Kite Beach, em outubro ou novembro, com ventos ainda moderados. Mais informação: www.canariasviaja.com

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Gatronomia. Chef

Por Dai Varela Fotografia arquivo pessoal

CHEFE ELDERS MADEIRA

Chefe Elders Madeira define-se inicialmente como “um grande comedor”, que desde cedo foi criado numa casa virada para a cozinha porque seus pais foram donos de dois restaurantes. Em 2012 naturalmente escolheu formar-se em Culinária no Cambridge Culinary School of Arts (Massachusetts – EUA) e foi distinguido com o prémio de melhor aluno do ano letivo, pelas suas receitas baseadas em fusões. O seu prato de final de curso foi um bacalhau com natas feito dentro de um pimentão, com salada chinesa e mandioca africana. Apesar dos elogios, considera que ainda não conseguiu demonstrar o que realmente gosta de fazer e ainda encara a arte do comer como uma bela aprendizagem. A sua vertente criativa nas áreas da música, rádio e TV complementa-se com a culinária. Por agora tem surpreendido os amigos em ambientes privados com as suas receitas originais.

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Gastronomia. Notícias

VIA LIVRE PARA IMPORTAR CARNE DA ARGENTINA A Direção Geral de Agricultura, Silvicultura e Pecuária do Ministério da Agricultura e Ambiente do Governo de Cabo Verde confirmou a aceitação do certificado sanitário para a importação de carne suína da Argentina. A Argentina ocupa o 11º posto como fornecedor de alimentos de Cabo Verde. Em 2017, a Argentina exportou ao país africano 26.708 toneladas de produtos agroindustriais num montante total de 5 milhões U$S. 97,9% das exportações da Argentina a este destino são agroindustriais, destacando-se produtos como milho, moluscos e tabaco.

VISITA TÉCNICA DO ITC A INSTALAÇÕES MARÍTIMAS DE CABO VERDE NO QUADRO DO PROJETO NAUTICOM Técnicos dos Departamentos de Água e Computação do Instituto Tecnológico das Canárias, no quadro do projeto NAUTICOM, reuniram-se recentemente com os gerentes da Marina do Mindelo e o Sport Fishing Clube de Cabo Verde, com o objetivo de conhecer as atividades que oferecem nas suas instalações e analisar diferentes ações para a otimização da gestão da água, o uso eficiente da energia e a adaptação das tecnologias da informação e a comunicação na sua atividade.

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Gastronomía. Liliana Pimentel

Por Dai Varela Fotografia do arquivo pessoal

ENTRE O NEGÓCIO E A PAIXÃO PELA GASTRONOMIA Liliana Pimentel, cabo-verdiana nascida em Palmeira (ilha do Sal), é uma apaixonada pela cozinha. Formada em gastronomia (Brasil), desde 2009 abraçou a pastelaria e desde há cinco anos dedica-se inteiramente ao Atelier Pimentel, uma paixão que a realiza profissionalmente. Atualmente não pondera nenhuma outra opção que não o seu Atelier situado em Palmarejo (cidade da Praia). A intenção é agregar valor ao que já fazem, inovar, crescer, ser referência de qualidade e

trabalhar para que seu menu seja o mais variado, criativo e inclusivo possível. A meta é poder atender a pessoas vegetarianas, diabéticas e que tenham intolerância aos produtos normalmente usados em pastelaria. Para Liliana esta é uma área em que vale a pena investir. Mesmo existindo diversas pastelarias na cidade, acredita que ainda falta reinventar a pastelaria cabo-verdiana. A sua especialidade é recriar receitas, retrabalhar aquilo que há muito se faz da mesma forma.

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Gastronomia. Creole-food and arts restaurant

CREOLE-FOOD AND ARTS RESTAURANT

História e autenticidade. Assim é marcada a variada gastronomia crioula, que tem resistido ao tempo, reinventando-se e despertando os mais adormecidos paladares. A variedade de ingredientes do mar sustenta a rica cozinha crioula, proporcionando agradáveis surpresas aos apreciadores de peixe e marisco. Sob o lema #Konxinozguentis, o Restaurante Creole surge numa fusão entre a comida e a arte, unindo numa experiência única a culinária cabo-verdiana à de outros

países de gastronomia crioula como as Ilhas Mauricias, Seychelles ou Haiti. Com um novo menu de sua autoria, o Chef José Teixeira e a sua equipa têm como foco enriquecer estas ilhas, apelidadas de Dez Grãozinhos de Terra. Requinte, originalidade e arte unidos à riqueza marinha e à base da cozinha popular cabo-verdiana, num ambiente que emana a verdadeira essência desta nossa terra Kretxeu.

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Cultura. José Cabral

Por Dai Varela Fotografías por Zé Pereira

JOSÉ J. CABRAL PUBLICA ACUSHNET AVENUE (PELOS CAMINHOS DE CHIQUINHO) José J. Cabral, autor, natural de Fajã de Baixo (ilha de São Nicolau) acaba de lançar a sua mais recente obra, ACUSHNET AVENUE (Pelos Caminhos de Chiquinho). Lançamento que fez questão de que acontecesse na Casinha do Caleijão (São Nicolau), em vista do simbolismo desta. Basta lembrar que se trata da casa onde nasceu Baltasar Lopes da Silva, e serviu de inspiração à casa de Chiquinho, descrita nas primeiras páginas do romance homónimo: “Como quem ouve uma melodia muito triste, recordo a casinha em que nasci no Caleijão”. Estava consciente do risco de não ter público, dada a localização, já que era preciso percorrer centenas de metros na escuridão, no meio do nada, para se chegar a umas ruínas abandonadas, sem energia elétrica nem casas. Além disso, se as pessoas já pouco assistem a apresentações no centro da Ribeira Bra-

va, muito menos lá. Mas nem por isso. De vários locais muitos juntaram-se à comunidade do Caleijão que se vestiu de gala para receber Chiquinho e, por extensão, cantar os parabéns a Baltasar Lopes, no dia em que completaria 112 anos. ACUSHNET AVENUE (Pelos Caminhos de Chiquinho) segue o itine-

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Cultura. José Cabral

rário de Chiquinho - personagem criada pelo escritor Baltasar Lopes - desde dos seus 20 anos quando foi convocado para a emigração para os Estados Unidos da América (EUA). A propósito, Baltasar Lopes escreveria aquele que viria a ostentar o estatuto de primeiro romance genuinamente cabo-verdiano, Chiquinho, há 72 anos, e tinha a pretensão de fixar nos EUA para apreender a imigração de cabo-verdianos naquele país e assim ficcionar o resto da vida de Chiquinho. Infelizmente, por várias razões não o pôde fazer.

O autor confessa que esteve tentado a “matar” Chiquinho, ou seja, a terminar o romance com ele já velhinho no fim da vida, mas decidiu conclui-lo com Chiquinho aos 79 anos de idade, ainda rijo. Isto porque acredita que o símbolo do ser cabo-verdiano não deve morrer nunca, antes perpetuar-se. De tal forma que não se escusaria a escrever daqui a uns anos um novo romance com Chiquinho a desfilar, fidalgo e rascão por Caleijão, aos 150, 200 anos. Cabral reconhece a enorme responsabilidade e desafio dar continuidade a uma obra iniciada por Baltasar Lopes. Contudo, afirma não pretender de forma alguma substituí-o. é um romance tão emblemático que, 72 anos depois da publicação, ainda ninguém ousara sequer continuá-lo.

72 anos depois é revelado o itinerário de Chiquinho, desde que partiu de Preguiça (ilha do Sal), rumo aos Estados Unidos da América, em 1930 -

Admite também que muitos possam ser tentados a procurar em José J. Cabral a mestria de Baltasar Lopes na arte de aportuguesar o crioulo e, eventualmente, ficarem desiludidos mas, avança, isso já será problema do leitor. Cabral garante que seu papel foi de, no seu estilo próprio, dar continuidade à “chiquinhagem” sem nunca se armar em Baltasar.

Eis que José J. Cabral decide dar continuidade ao trabalho e ajudar Baltasar Lopes na realização do sonho não realizado em vida. Um ano e meio foi quanto precisou para escrever uma obra que, espera, faça Baltasar Lopes feliz onde estiver. Neste livro Chiquinho rompe com o protótipo do cabo-verdiano emigrado nos EUA, por uma razão muito simples: emigra com o 7º Ano dos Liceus e, sendo uma pessoa instruída, tenta entrar na Universidade. Não conseguindo porém, segue o caminho do mar e ascende a capitão. Abandona o mar para se tornar empresário e editor na cidade de New Bedford.

Foi assim que, na quietude de São Nicolau, não lhe foi difícil refletir, recriar e escrever. Publicar já não foi assim. Antes, bem mais complicado. O próprio lançamento quase não acontecia, ou esteve para fazer-se sem livros. Valeu a prestação muito providencial de funcionários da secção de cargas da BINTER - Cabo Verde que, apesar do avião se encontrar cheio, tudo fizeram para embarcar as duas caixas que permitiram, à última hora, ter livros para a apresentação. Chiquinho e Baltasar Lopes certamente agradecem.

Ganha dinheiro e, contrariamente aos que regressavam a Cabo Verde já caducos para morrer, regressa aos 52 anos ainda no vigor da vida determinado a ajudar a sua terra crescer.

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Cultura. Neuza

Por SAPO CV

“O MAIOR PALCO DO MUNDO É CABO VERDE” “Badia di Fogo”, a alcunha imposta pelos meninos do bairro de Lém-Ferreira, onde cresceu, na cidade da Praia, antigamente não lhe despertava sorrisos. Hoje é o título do seu segundo álbum, dado a conhecer ao público em dezembro do ano passado. Em Cabo Verde para apresentar o mais recente trabalho, Neuza de Pina conversou com o SAPO Muzika sobre o disco “Badia di Fogo”.

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Cultura. Neuza

O título de uma das quatro composições que Neuza de Pina assina no novo trabalho, produzido por Kaku Alves, empresta o nome ao segundo álbum da cantora. “Badia di Fogo” , uma alcunha que lhe deram em criança pelo facto de ser filha de mãe foguense mas ter nascido na cidade da Praia.

positores que existem em Cabo Verde e sendo o povo cabo-verdiano tão exigente, não tinha a confiança necessária (para incluir temas próprios) ”, desabafa com um sorriso. ‘Badia di Fogo’, ‘Izilda’, tema que homenageia a falecida mãe da artista, ‘Barra pó’, que fala da educação muito rígida do avô, e ‘Armanda’, que conta história de uma colega que se suicidou, são as quatro composições de Neuza no segundo álbum. Além dos temas referidos, o álbum conta com seis canções, cinco das quais inéditas, da autoria de nomes como Júlio Correia, Neves e Romeu di Lurdis. O álbum traz igualmente uma colaboração com um amigo de longa data, Michel Montrond, intitulado "Subi Cutelo". Neuza, que sempre admirou o artista do Fogo, assistia a muitos shows de Michel a cantar na ilha do vulcão. “Tinha vontade de falar com ele, mas tinha vergonha. Hoje, dizemos que somos ‘compadres sem afilhados”.

“Brigava muito, não gostava do nome. A minha mãe dizia-me que tinha de aceitar a minha condição (…) Escrevi a música para vermos que as coisas más que nos acontecem no passado podem transformar-se em arte. Antes chorava com o nome, hoje não”.

“Tinha vontade de falar com ele, mas tinha vergonha. Hoje, dizemos que somos ‘compadres sem afilhados” -

Focada na promoção do segundo trabalho, Neuza ambiciona “dar continuação ao trabalho dos grandes mestres da cultura cabo-verdiana, alguns já falecidos, e levar a música cabo-verdiana mais longe”. “Sou muito fã de Zeca Nha Reinalda e Ramiro Mendes”, declara, e acrescenta que gostaria de gravar ou um dia vir a colaborar com estes dois grandes nomes da música cabo-verdiana.

Depois de alguns tempos mais calmos a nível profissional (a cantora foi mãe há menos de um ano), o novo álbum traz uma Neuza mais madura, nas palavras da própria artista, mas como sempre amante da música tradicional, principalmente da ilha do Fogo, uma ilha ‘muito rica musicalmente’. “O primeiro disco foi bem recebido, gostaria que o segundo também fosse”, revela a artista que reside atualmente nos Estados Unidos da América, mas faz questão de dizer: “Para mim, o maior palco do mundo é Cabo Verde”.

Agenda Dois meses depois do lançamento do álbum, Neuza diz que o feedback do público tem sido positivo. Além das apresentações que tiveram lugar nas ilhas de Fogo e São Vicente e ainda na cidade da Praia, na semana passada, Neuza vai levar o álbum a Lisboa, Paris, e ainda Angola e Itália, onde vai atuar pela primeira vez. A cantora vai igualmente divulgar o trabalho nos EUA.

Quatro temas da autoria de Neuza O segundo trabalho marca a estreia de Neuza como compositora. No total de 10 faixas, quatro são da sua autoria. “No primeiro disco, com todos os com-

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Cabo Verde avanza. Katu

Por SAPO CV

KATU, JOVEM ENGENHEIRA TRANSFORMA UMA PAIXÃO EM PEQUENO NEGÓCIO

que tem pelas plantas, levou a que a jovem natural de Santiago começasse a idealizar um projeto. Demorou alguns meses até obter um produto final que tivesse qualidade para ser comercializado. Assim, em novembro do ano passado (2018), nascia o ‘Katu’. O nome é derivado do cato, “uma planta protetora que limpa o ambiente”, com uma adaptação ao crioulo de Santiago, segundo explica a mentora do projeto. O produto final são peças como vasos, mini e médios, que, por exemplo, podem servir para pôr plantas, para apoios para joias, copos ou ainda velas. Este último item surge numa parceria com a associação local Lumiarte, que preenche os vasos com velas de aromas diversos.

Engenheira civil de formação, Maria João Lima diz que sempre foi adepta de decoração e uma amante de plantas. Resolveu juntar o betão à paixão pelo verde e, passados dois anos, o hobby transformou-se num projeto real, o ‘Katu’ – ‘peças em betão feitas à mão em Cabo Verde’. Foi há cerca de dois anos que esta engenheira começou a ter ideias sobre objetos que poderia criar com betão. Na altura trabalhava no departamento de qualidade da empresa encarregada das obras de remodelação do Aeroporto Internacional Nelson Mandela, na Praia. Diz que sempre foi adepta de decoração de interiores e que gosta de personalizar as prendas que oferece aos amigos. Tudo isto, aliado à paixão

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Cultura. Mundinho Querido

Por Naomi Vera-Cruz Fotografías por Mundinho Querido

DE DUPLO A ACTION DIRECTOR Os filmes de ação têm muitos fãs em Cabo Verde. O que muitos não sabem é que há um cabo-verdiano de gema, Mundinho Querido, que já faz parte da história deste género cinematográfico. À beira dos 40 anos de idade, 20 dos quais como duplo em filmes sobretudo europeus e asiáticos, investe agora na carreira de coordenador de duplos e de action director. Um dos últimos filmes em que Mundinho Querido atuou foi “Missão Impossível 6”, protagonizado por Tom Cruise. Mas porque os louros passados não satisfazem o ego nem pagam as contas, o duplo cabo-verdiano está a criar uma nova carreira. “Agora sou sobretudo coordenador de duplos, o que implica, por exemplo, prepará-los para cada filme e ter encontros com realizadores a fim de definirmos como filmar as cenas de ação, de modo a parecerem realistas”, conta Mundinho Querido.

Há duplos que prolongam a carreira até os 60 anos de idade mas, para Mundinho, o momento certo para mudar de rumo é agora. “Não quero deixar que primeiro o meu corpo se “estrague” todo para depois me retirar, poderá ser tarde demais”, afirma. Além disso, “sinto que já não sou igual. Sinto dores articulares, quando me lesiono demoro mais tempo a recuperar … Por isso, estou a agarrar outras oportunidades dentro desta área para proteger a mim mesmo e à minha família ”.

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Cultura. Mundinho Querido

Mundinho Querido garante entretanto que não se arrepende de nada. “Nunca na minha disse ´quero ser duplo’. As coisas foram acontecendo e acabei fazendo carreira nessa área, alcançando resultados que considero importantes”. Durante as filmagens de “Missão Impossível 6”, conta o duplo, “punha-me às vezes a pensar: ‘Estou ao lado de Tom Cruise, o ator que, quando era mais jovem, via em “Top Gun”. Não tenho o papel que ele tem, mas estou satisfeito com o que consegui”.

Mundinho Querido também sonhou trabalhar um dia nos Estados Unidos da América. “Lá os duplos ganham mais, recebem uma percentagem dos lucros dos filmes em que participam”, explica o duplo cabo-verdiano. Mas para entrar nesse mercado é preciso cumprir uma série de provas e modalidades quase profissionais, como mergulho e artes marciais, em apenas três anos, e ainda é preciso morar nos EUA e pagar cerca de 4 mil euros para obter uma autorização de trabalho. Por isso, desistiu desse sonho. Ademais, o centro do cinema são cada vez menos os Estados Unidos da América, onde os lucros de bilheteira diminuem a cada ano, e cada vez mais a Ásia, particularmente a China e a India, que é o país que mais filmes produz.

“Lá os duplos ganham mais, recebem uma percentagem dos lucros dos filmes em que participam” -

Action director? Quem sabe, um dia …

“Uma vez ou outra” passou-lhe pela cabeça trocar a carreira de duplo pela de ator, almejando ser protagonista de um grande filme de ação, mas preferiu manter-se fiel à sua identidade de especialista em cenas que exigem força e destreza física. Diz Mundinho Querido “na verdade, os duplos olham muitas vezes para os atores como flores muito sensíveis, e não querem ser vistos assim, já que enfrentam vários perigos, muitas vezes até de morte”.

Recentemente, Mundinho e os World Stunt, a empresa de duplos que cofundou, foram convidados a participar na produção de “Hai Phuong”, filme que tem como protagonista a atriz Veronica Ngo, que também participou na sequela de “Guerra das Estrelas”. “Convidaram-nos para ir ao Vietnam para organizar toda a parte de ação do filme, o que implicava criar a coreografia, a pré-visualização e ainda sermos nós próprios os realizadores da parte de ação do filme”, conta Mundinho Querido. “Aceitámos, mas com um pouco de medo.

Por isso lamenta a forma como muitas vezes o trabalho dos duplos é desvalorizado. “É o rosto do ator que aparece no ecrã e, por isso, o mérito do que fazemos vai para ele. Ninguém lê os nomes que aparecem no fim dos filmes”, afirma Mundinho. Por isso, feito o convite, o duplo cabo-verdiano está disposto a trabalhar ao lado do presidente da federação francesa da classe, Laurent Demiannof, por melhor reconhecimento e remuneração.

Era a primeira vez que assumíamos uma responsabilidade como essa… E, devido a certas circunstâncias, acabei por ser o action director”, conta Mundinho Querido, já seduzido pela perspetiva de uma nova carreira. “É um trabalho muito interessante, já aprendi muita coisa, mas preciso aprender mais. Se surgir uma nova oportunidade de ser action director com certeza vou aproveitá-la”, admite o duplo.

O sonho de ser ator

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