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GERAL

LENÇÓIS PAULISTA, 28 DE JANEIRO DE 2012

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MÃO DE OBRA

Coletoras de lixo residencial quebram tabu de trabalho masculino na cidade Fotos: Billy Mao

Grupo feminino de coletoras de lixo se opõe a estudo do Dieese e diz que população respeita trabalho pesado Billy Mao, com Tânia Morbi Uma pesquisa feita pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), na cidade de São Paulo, mostra pela primeira vez o perfil dos trabalhadores do setor de limpeza pública urbana e aponta também que a indiferença e a descriminação são os principais problemas enfrentados pelos cerca de cem mil trabalhadores do setor na cidade. A pesquisa, encomendada pelo sindicato que representa os trabalhadores do setor de limpeza, apontou que 86% desses profissionais já sofreram discriminação por conta da atividade e que a discrimi-

nação contra garis, em 95% dos casos, tem origem nos transeuntes. O levantamento divulgado na terça-feira, dia 24, no entanto, revela informações diferentes dos depoimentos ouvidos durante a semana pelo jornal Sabadão. Os relatos das quatro trabalhadoras, da única equipe de coletoras de lixo doméstico de Lençóis Paulista formada exclusivamente por mulheres indicam que o porte da cidade, a rotina no trabalho e a qualidade do serviço oferecido favorecem para que não haja descriminação ou desprezo por parte da população. O grupo foi formado em agosto do ano passado. Re-

giane, Andréia, Aline e Aparecida, ou Cidoca, como é chamada, trabalhavam como serviços gerais, que inclui a varrição de ruas, e acabaram se tornando amigas. No começo, contam, as pessoas estranhavam o fato de mulheres estarem à frente do trabalho pesado. Hoje, garantem, são bem tratadas pela população. “No começo ofereciam água, acho que porque estranhavam em ver mulheres no serviço. Pensavam que a gente era mais frágil”, conta uma delas. Diariamente, as servidoras iniciam o trabalho por volta das 10h. O término do serviço acontece quando acaba a coleta, sem hora marcada. No começo da semana sempre é mais demorado, já que a quantidade de lixo é maior, acumulado durante o fim de semana. Para dividir o fardo, as coletoras revezam o trabalho entre a coleta de porta em porta, quando os sacos de lixo são reunidos nas esquinas das ruas, e o despejo no caminhão que recolhe o material. Quando o volume é muito pesado, as trabalhadoras fazem a coleta juntas. “O trabalho é pesado, a gente anda muito”, dizem. Mesmo assim, a equipe garante que vale a pena.

ELAS | Equipe feminina de coleta dos resíduos residenciais trabalham em seu próprio rítmo pelas ruas da cidade

A baixa autoestima apontada pela pesquisa do Dieese, comum entre os trabalhadores do setor, na cidade de São Paulo, também não ocorre entre o grupo de coletoras. Regiane, por exemplo, faz o curso de Pedagogia na Faculdade Anhanguera, em Agudos, e quer ser professora. As demais demonstram estar satisfeitas

com o serviço, principalmente porque é possível cuidar da casa e da família, sempre antes de vestir o uniforme que identifica sua profissão. O trabalho realizado pelo Dieese foi reunido no livro “Perfil dos trabalhadores em Asseio e Conservação e Limpeza Urbana de São Paulo”. O sindicato que representa

a categoria em São Paulo pretende usar o resultado da pesquisa para exigir campanhas públicas de valorização da categoria. Uma das medidas em estudo no sindicato é a implantação de uma tarja no uniforme com o nome do trabalhador, como meio de valorizar e melhorar sua autoestima.

Prefeitura investe R$220 mil em máquina para varrer rua Equipamento será usado em ruas próximas à Facilpa e pode tomar o espaço de trabalho de pelo menos 10 pessoas; apesar de estimativa, dado não foi comprovado na prática, enquanto operadoras aprendem a conduzir equipamento A prefeita Izabel Lorenzetti apresentou na quinta-feira, dia 26, a mais nova aquisição da frota municipal, uma máquina de varrer ruas, que pretende modernizar um dos serviços mais bem avaliados pela população lençoense, a limpeza urbana. O diretor de Meio Ambiente Benedito Martins e outros funcionários da diretoria participaram da apresentação no recinto José Oliveira Prado (Facilpa). A máquina modelo MC 50, que utiliza diesel como combustível e custou cerca de R$ 220 mil, tem tecnologia alemã, mas foi desenvolvida na Europa. Tem capacidade para varrer e absorver uma carga de até 500 litros de lixo. Inicialmente será usada em pontos e horários específicos da cidade, como as avenidas Marino de Sanctis,

Tânia Morbi

TECNOLOGIA | Para o diretor Benedito Martins o investimento em tecnologia que colabore com o homem é bem vindo

Chute na canela

VÃO |

Estacionar no centro da cidade é problema sério para motoristas. Principalmente porque muitos não estacionam do jeito que deveriam, deixando um vão muito grande entre os veículos e tirando uma possível vaga para outros carros. Na rua Dr. Antonio Tedesco esse fato é frequente e está na hora dos motoristas ficarem atentos com o próximo.

Padre Salústio Rodrigues Machado e Papa João Paulo II, quando o fluxo de veículos for menor. A máquina deverá trabalhar brevemente também no recinto de exposições José Oliveira Prado, durante a Facilpa. A idéia, de acordo com o diretor, é reduzir o número de varredores nesses locais, para que possam fazer a varrição convencional em outros locais da cidade. Duas agentes de limpeza serão responsáveis por pilotar o equipamento. De acordo com Dito, o modelo escolhido não é o mais moderno disponível no mercado, mas funciona melhor no tipo de asfalto existente em Lençóis, superando imperfeições, como lombadas e depressões. Testes de um equipamento do mesmo modelo, realizados

na cidade de Paulínia, demonstraram que a máquina de varrer ruas percorre cerca de 12,5 mil metros quadrados por hora. Em Lençóis, ele deve trabalhar oito horas por dia, mas o diretor ressalva que sua capacidade de percurso ainda precisa ser mais bem avaliada. Valdete Ribeiro Correa, que varre as ruas da cidade há mais de três anos, e Sueli Correia de Almeida, que está no serviço há quatro meses, serão treinadas para pilotar a máquina. “Vai melhorar porque a gente vai sair do sol e vai ser bem mais rápido para trabalhar também. Eu que ficava na avenida (Padre Salústio), para cima da 9 de Julho, isso ela sozinha faz em uma hora e meia. Então vai fazer bem mais rápido o nosso serviço”, afirmou Valdete.

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LAMA |

Na rua Uananas, no Jardim Itamarati, toda e qualquer água que desce da parte alta do bairro, para por ali. Tanto para pedestres, quanto para motoristas, é um transtorno. Basta uma chuvinha para acumular água e lama na esquina. O problema vem de longa data e até agora nada foi feito para soluciona-lo. Até quando?

Sabadão_18  

Jornal semanal de Lençóis Paulista