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Introdução


1. Apresentação dos Intervenientes Para a que a realização deste Projecto de Intervenção se torna-se possível foi necessário o apoio de vários intervenientes. O projecto “Treinar vs Ensino do futebol” teve como principal interveniente e criador, Vitor Urbano. Para que se torna-se então a sua aplicação possível teve a coordenação e o supervisionamento do técnico Sérgio Balão, sendo este um pilar essencial para o desenvolvimento e bom funcionamento do mesmo numa fase inicial. Embora os dois intervenientes referidos a cima tenham sido os mais activos e decisivos na realização do Projecto, existiram ainda outros intervenientes que embora de maneiras diferentes, se tornaram também bastante importantes. Como coordenador dos escalões de formação do Olímpico do Montijo, o Sr. XXXXXXXX foi bastante importante numa fase inicial de adaptação ao meio em que me iria inserir, apoiando sempre que necessário na integração e comunicação com todos os funcionários do clube. De realçar também o técnico Joel XXXXX, treinador principal de Benjamins C, que sempre se mostrou interessado e disponível para contribuir na realização do Projecto com os seus conhecimentos e experiência. Embora os quatro intervenientes referidos tivessem sido ao longo do período de estágio os mais activos e preponderantes no resultado final deste Projecto, existiram ainda inúmeros outros que embora não obtendo tanto destaque foram também importantes em várias fases, desde o “roupeiro”, o responsável pelo departamento médico, até à “Sra. do café”, ajudando desde sempre a uma óptima integração do estagiário no local de residência.

1.1. Instituição de acolhimento – Clube Olímpico do Montijo O clube Olímpico do Montijo foi fundado no ano de 2007, após a dissolvência do antigo Clube Desportivo do Montijo no final da época de 2006/2007, sendo o Sr. Pedro Nuno Santos o actual presidente do clube. O OM é uma associação sem fins lucrativos, que apenas se dedica à prática de futebol sénior e juvenil, acumulando também uma função importante de integração social. Sendo que o futebol é o único desporto promovido actualmente no clube, este integra activamente a Federação Portuguesa de Futebol e também a Associação de Futebol de Setúbal. Apesar do seu recente “nascimento”, em 2007, o OM tem conseguido alcançar diversos objectivos traçados aquando da sua criação. Entre eles, a constante aposta na qualidade da formação dos seus jovens atletas, a credenciação de todos os seus técnicos, o forte desenvolvimento do futebol sénior e também na aquisição e melhoramento das suas infra-estruturas desportivas. Nos seus três anos de constante desenvolvimento, a nível desportivo, já foram alcançados alguns feitos desejados, como a subida da equipa sénior à 3ª divisão nacional e também a formação de jovens atletas que conseguiram depois de evoluir no OM transitar e dar óptimas referências em clubes de maior dimensão. Todos estes feitos têm conseguido de certa forma voltar a trazer o antigo “orgulho aldeano” pelo clube do Montijo. Actualmente, todos os intervenientes no bom funcionamento do clube têm bem traçados os objectivos gerais do clube, sendo estes a aposta constante no melhoramento


das condições para a formação de excelência para os seus jovens atletas e também na consolidação da equipa de seniores no futebol nacional.

1.2. Serviço no qual foi realizado o Projecto de Intervenção O Projecto de Intervenção por mim desenvolvido foi aplicado no clube Olímpico do Montijo, mais concretamente no departamento de formação, escalão de Benjamins. Tendo como fundamento e estrutura a formação do jovem atleta na prática do futebol.

1.2.1.

Departamento de Formação

A formação do jovem atleta é uma das grandes prioridades do OM, assim sendo, todo o seu departamento de formação tem sofrido diversas mudanças para que seja possível providenciar aos seus atletas o melhor e mais completo desenvolvimento na prática desportiva e também a nível pessoal. Actualmente existem vários técnicos activos no clube, e embora nem todos tenham usufruído da possibilidade de se credenciar com uma licenciatura, o clube desde cedo tem tentado unir esforços para que todos os técnicos recebam formação técnica e pedagógica para que a formação dos seus jovens seja uma formação de excelência. Desde cedo, quando um jovem atleta ingressa no clube, são transmitidos diariamente não só valores e conhecimento a nível desportivo, mas também de carácter pessoal. Este foi um dos aspectos mais importantes que consegui salientar aquando da minha chegada ao clube, pois o principal objectivo do clube a nível de escalões jovens não é centrado nas vitórias desportivas, mas sim no correcto desenvolvimento dos atletas tanto na prática desportiva como no seu desenvolvimento pessoal. Na presente época desportiva, o OM orientou cerca de 160 atletas (desde o escalão de Benjamins até ao de Juniores) na sua formação desportiva e pessoal. O clube tem ainda como objectivo a criação de melhores condições físicas e humanas para que este número possa rapidamente ser multiplicado.

1.3. Local de Intervenção O Projecto de Intervenção – “ Treino vs Ensino do futebol “ realizou-se no complexo desportivo do clube Olímpico do Montijo, no Campo da Liberdade. Este campo tem a sua localização na Rua da Aviação, Montijo. O complexo desportivo dispõe de um campo de futebol 11 com relvado sintético e outro com terra batida, vários balneários, posto médico, secretaria, entre outras infraestruturas necessárias ao bom funcionamento do clube. No caso especifico da aplicação do Projecto, os locais mais utilizados foram o campo de futebol 11 sintético (aplicação prática) e também a secretaria).

Figura 1. Campo da Liberdade

Figura 2. Fachada do Complexo

Figura 3. Vista lateral do Campo


1.4. Intervenientes no Projecto de Intervenção Para que a realização deste Projecto se torna-se possível, vários intervenientes colaboraram, e com eles foi-me possível aprender e estabelecer ligações de aprendizagem e cooperação bastante positivas. Ao longo de todo o tempo em que foi realizado o PI, alguns dos mais activos intervenientes foram: O coordenador das camadas jovens do OM, XXXXXXX, que me auxiliou bastante nos primeiros contactos com a organização, e também no esclarecimento do modo de funcionamento da mesma. O técnico cooperante, Sérgio Balão, que desde o inicio mostrou grande interesse pelo Projecto auxiliando sempre que necessário na formulação de planos de treino com sugestões pertinentes e também permitiu uma excelente integração no ceio da equipa. O técnico da equipa de Benjamins C, Joel XXXXX, foi um elo também com bastante importância pois sempre que pertinente, interagia no sentido de consolidar todo o trabalho que estava a ser realizado, tanto na preparação de sessões de treino, como também na realização das mesmas. Entre vários outros intervenientes, pode-se também referir o técnico responsável pelos guarda-redes e também de outros escalões de formação. Os atletas acabaram por ser também especiais intervenientes, pois foi com eles que o Projecto ganhou forma e se desenvolveu, permitindo adquirir experiência prática e ao mesmo tempo desenvolver na prática todos os conhecimentos adquiridos ao longo da licenciatura.


2. Projecto de Intervenção O Projecto “Treino vs Ensino do futebol”, desenvolvido pelo discente, teve como entidade acolhedora o clube Olímpico do Montijo, e surgiu através de um problema identificado num grande número de técnicos que treinam equipas maioritariamente a nível distrital. Apesar do grande desenvolvimento que o treino do jovem atleta no futebol tem sofrido, ainda existem muitos treinadores no activo que não possuem muitas qualificações comprováveis para exercerem esse mesmo cargo, e por isso o treino que é direccionado para jovens acaba por ser de qualidade insuficiente. Quando as qualificações dos treinadores se resumem muitas vezes apenas à sua prática como atletas, ou apenas por gosto da modalidade, o tipo de abordagem que é realizado durante todas as etapas de planificação/aplicação das sessões de treino não é a mais adequada. Este tipo de treino acaba por ser exclusivamente direccionado para o desempenho, acabando assim por denegrir a correcta e completa formação do jovem atleta. Desta forma, o principal objectivo do Projecto seria verificar os resultados obtidos no desenvolvimento dos atletas na prática, tentando planificar as sessões de treino para que estes aprendessem realmente o jogo do futebol na sua essência, e não que apenas fossem treinados como “máquinas” para alcançar a vitória a qualquer custo. Acrescentando também que toda esta planificação permitiria que toda a sua aprendizagem se torne muito mais consistente, pois iria ser baseada em conceitos científicos, conseguindo assim usufruir de métodos de treino com cariz pedagógico correctamente aplicado, respeitando sempre o nível de maturação de cada atleta. Para a realização do Projecto “Treino vs Ensino do futebol” foram traçados alguns objectivos gerais: Identificar os níveis de desenvolvimento técnico, táctico e físico dos atletas. Desenvolver planos de treino sistematizados que permitissem aos atletas desenvolver de forma progressiva e consistente as competências técnico tácticas do futebol. Contribuir para o desenvolvimento físico e psicológico dos atletas, de forma a melhorar tanto o seu desenvolvimento na prática desportiva como na sua vida pessoal. O intervalo de tempo em que decorreu o Projecto foi de 25 de Fevereiro a 10 de Junho de 2011, e foi aplicado numa equipa de Benjamins com 18 atletas com 10 anos de idade. O Projecto teve o seu horário de realização distribuído da seguinte forma: Sessões de treino realizadas à Segunda, Terça e Quinta-feira entre as 18h e as 19h30. Horas de residência realizadas à Segunda e Quinta-feira entre as 17h e as 18h.


3. Descrição da Realização Técnica Para que o Projecto de Intervenção pudesse ter validade prática e consequentemente resultados positivos, foi necessário adoptar uma metodologia bem definida e estruturada para que todo o desenrolar da acção mantivesse uma coerência positiva com o objectivo do projecto. Desta forma, o plano metodológico traçado foi dividido nas seguintes fases: Fase I – Avaliação inicial dos atletas; Fase II – Planeamento, organização e componentes motoras e técnicas I; Fase III – Planeamento, organização e componentes motoras e técnicas II; Fase IV – Planeamento, organização e componentes técnicas e tácticas I; Fase V – Planeamento, organização e componentes técnicas e tácticas II; Fase VI – Avaliação final e comparação com os resultados da avaliação inicial dos atletas.

3.1. Fase I – Avaliação inicial dos atletas Nesta primeira fase, existiam dois objectivos principais, conseguir cativar os atletas e criar uma relação de confiança e à vontade com os mesmos, e realizar avaliação inicial de forma a conseguir obter resultados concretos da situação actual de cada um deles. As componentes básicas do futebol foram os aspectos fundamentais a retirar da avaliação inicial, tal como, capacidade motora, técnica e táctica. Para a realização desta avaliação inicial foi necessário criar uma grelha de avaliação que através da execução de vários exercícios permitisse a avaliação dos itens pretendidos. Esta grelha foi formulada e analisada em conjunto com o técnico cooperante Sérgio Balão, pois através do prévio conhecimento que possuía dos atletas permitiu que a sua formulação fosse ainda mais adequada à classe em questão. De salientar também que toda a sua planificação teve alguns pontos importantes a ter em conta, como por exemplo, o nível de maturação da generalidade dos atletas e também o cuidado de não planificar exercícios demasiado complexos/específicos, devido a se tratar de jovens atletas em fases preparatórias de aprendizagem. As avaliações foram realizadas nos dias 1 e 3 de Março, para que se pudesse dividir os atletas em dois grupos de forma a facilitar e também creditar mais precisão na observação realizada. A observação foi realizada pelo estagiário em conjunto com o técnico Joel XXXXXXXX através de observação directa com registo na grelha de avaliação. Após a análise dos resultados obtidos foi possível verificar que a grande maioria dos atletas evidenciava um nível insuficiente no capítulo de coordenação motora, e alguns deles também apresentaram bastantes dificuldades em realizar exercícios mais técnicos. Apesar de se ter revelado um grupo bastante homogéneo, alguns dos atletas demonstraram um bom nível de desenvolvimento em diversos itens avaliados. Todo este processo, permitiu, uma realização mais criteriosa e específica de todo o planeamento das seguintes fases. Desta forma, tornou-se possível adaptar as sessões às necessidades dos atletas em questão, permitindo que estes atingissem assim níveis de aproveitamento positivos durante as fases seguintes.


3.2. Fase II - Planeamento, organização e componentes motoras e técnicas I Nesta segunda fase, deu-se então inicio à fase principal da aplicação do Projecto de Intervenção, pois foi a partir desta fase que se procurou dar uma solução positiva ao problema encontrado. Durante a planificação desta fase, através da análise realizada anteriormente, o objectivo principal seria trabalhar através de exercícios simplificados e lúdicos princípios básicos de componentes motoras, assim como a coordenação durante a realização de várias tarefas. Com o decorrer desta fase, foi também inserido o desenvolvimento de movimentos técnicos bastante simples, para que os atletas se pudessem sentir mais confiantes e também reforçar algumas das componentes já dominadas. Outro dos factores a ter em conta, foi a planificação de exercícios que permitissem um desenvolvimento multilateral dos atletas, visto que são jovens atletas, evitou-se sempre a realização de exercícios que motivassem uma especialização precoce. Para melhor se compreender o trabalho realizado nesta fase, apresenta-se um esquema base das sessões realizadas: Aquecimento dinâmico (Exercícios lúdicos com manipulação de bola) Exercícios dinâmicos entre os atletas (Coordenação motora) Exercícios de coordenação com bola (Coordenação motora/técnica) Exercícios de coordenação com finalização (Desenvolvimento técnico e motor) Para que os exercícios fossem realizados segundo as necessidades dos atletas surgiu a necessidade de adaptar os exercícios de forma lúdica e dinâmica, para que estes conseguissem alcançar a prestação desejada. Todas as sessões práticas tiveram uma duração máxima de 1h30.

3.3. Fase III – Planeamento, organização e componentes motoras e técnicas II Toda esta terceira fase foi constituída à semelhança da anterior, sendo que a única diferença constituiu no desenvolvimento de exercícios de complexidade superior, para que se pudesse exigir um pouco mais das capacidades desenvolvidas até à data pelos atletas. Durante este período do planeamento do Projecto, os atletas começaram a mostrar um maior entrosamento entre si, e também um maior à vontade com o tipo de exercício realizado. Com estes factores a evidenciarem-se foi possível visualizar uma melhor prestação geral do grupo, demonstrando assim que o planeamento estava a decorrer como previsto.


3.4. Fase IV – Planeamento, organização e componentes técnicas e tácticas I Com o desenrolar das duas fases anteriores, nesta fase quatro, foi introduzida nas sessões de treino a componente táctica, em detrimento da motora, embora esta se mantivesse sempre presente durante o resto das sessões. Para a introdução de componentes tácticas nas sessões, o planeamento desta fase foi baseado não só nas avaliações iniciais realizadas, mas também através da análise do desenvolvimento conseguido durante as duas fases transactas. Desta forma, foi possível implementar de forma progressiva interacções entre os atletas, tornando-se esta fase não só essencial para a introdução a várias componentes tácticas mas também para fomentar a interacção e o bom relacionamento entre todos os atletas. O desenvolvimento das componentes tácticas foi conseguido inicialmente através de simples exercícios lúdicos de interacção entre todos os atletas, permitindo assim avançar de forma célere para exercícios em que esta componente pudesse ser aplicada em exercícios específicos do futebol. Para melhor se compreender o trabalho realizado nesta fase, apresenta-se um esquema base das sessões realizadas: Aquecimento dinâmico (Exercícios lúdicos com interacção entre atletas) Exercícios dinâmicos entre os atletas (Fomentação do espírito de grupo) Exercícios com bola entre equipas (Aumentar o nível de interacção entre pequenos grupos) Exercícios de finalização em grupo com condicionantes (Adaptar algumas componentes tácticas básicas a exercícios de finalização) Após algumas reuniões informais com o técnico cooperante, concordou-se que a melhor abordagem para a inserção da componente táctica nas sessões de treino, considerando que se tratava de jovens atletas, seria através de interacções simples entre os atletas para que estes conseguissem de forma involuntária assimilar algumas componentes essenciais na iniciação da abordagem táctica. Nesta fase foi novamente importante ter em especial atenção a forma que era adoptada para a planificação dos exercícios, sendo que estes teriam de ser realizados com o objectivo de conseguir um desenvolvimento multilateral dos atletas, e nunca uma especialização precoce.

3.5. Fase V – Planeamento, organização e componentes técnicas e tácticas II Toda esta quinta fase foi constituída à semelhança da anterior, sendo que a única diferença constituiu no desenvolvimento de exercícios de complexidade superior, para que se pudesse exigir um pouco mais das capacidades desenvolvidas até à data pelos atletas. Durante este período do planeamento do Projecto, os atletas começaram a mostrar um maior entrosamento entre si, e também um maior à vontade com o tipo de exercício realizado. Com estes factores a evidenciarem-se foi possível visualizar uma melhor prestação geral do grupo, demonstrando assim que o planeamento estava a decorrer como previsto.


3.6. Fase VI – Avaliação final e comparação com os resultados da avaliação inicial dos atletas Nesta última fase de planeamento, foi realizada uma nova observação dos atletas com a mesma grelha utilizada na primeira fase. A utilização de uma grelha idêntica à da primeira fase teve como objectivo poder realizar uma comparação directa com os resultados da avaliação inicial, de forma a simplificar e clarificar os dados retirados da mesma, podendo assim aferir a evolução de uma forma exacta. Esta observação foi novamente realizada através da divisão dos atletas em dois grupos, e igualmente com o apoio do técnico Joel XXXXXXX, sendo o registo efectuado através de observação directa. A avaliação final foi realizada nos dias 7 e 9 de Junho. Após a conclusão da avaliação final e do tratamento dos dados, foram criados vários gráficos referentes aos resultados obtidos nas duas avaliações de forma a permitir uma análise mais exacta. Por último, procedeu-se à correlação entre os gráficos obtidos o que resultou num gráfico que descrevia a evolução de cada atleta. Através da análise de todos esses dados, e por fim, do gráfico evolutivo, tornou-se possível verificar com maior critério e exactidão o sucesso do Projecto de Intervenção.


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