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Chipre Comissário: ToNY P. SPITERIS Exposição organizada pelo Cultural Service nistry of Education, NICOSIA

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~ sempre difícil para um pequeno país apresentar-se no plano internacional, horizonte de confronto onde é lícito comparar e julgar. Depois das Bienais de Veneza e dos Jovens de Paris é que os artistas cipriotas tentam sua chance, outra vez, na grande manifestação de S. Paulo. A seleção foi feita com a intenção de apresentar diferentes pesquisas empreendidas pela geração atual. Há poucos anos um grupo, aliás de tendências diversas, consciente das novas aspirações, quis perturbar as águas estagnadas de um realismo fora de modo e abrir uma janela para o mundo de hoje. Esta pequena "revolução palaciana" opôs-se aos barbas-azuis da arteriosclerose acadêmica. Mas o curso da história não pára. Todos os expositores vivem e trabalham em Chipre. Devem sua formação a estudos feitos no estrangeiro e a freqüentes viagens nas quais puderam informar-se e documentar-se em relação às mais recentes pesquisas. Alguns quebraram todos os élos com o passado. Outros, ao contrário, falando, embora, uma linguagem moderna, guardam o espírito de sua terra natal sem, entretanto, cair no pitoresco folclore. ~ o caso de Y orko Skotinos que, inspirando-se numa herança arcaica, exalta em grandes composições e em linguagem delirante e sobrenatural, as virtudes de sua terra. Terra cuja história uma das mais antigas do Mediterrâneo está entranhada no pintor. Num salto de 8.000 anos, prosseguiu em seus sonhos de anulação de tempo e espaço. Realidades de outrora, ídolos das deusas dadivosas ou dos soberbos cavaleiros, são projetados em um espaço-fundo, simbolisando o eterno. Imagens mutiladas pelo tempo, moldadas na terra, pedras desgastadas pelo vento e pela água, ossos e esqueletos esbranquiçados, lavados pelas noites brancas (1. Cayrol), fantasmagoria apocalítica que quebra o espêlho para satisfazer esta necessidade consubstanciaI ao homem, de viver no infinito. As pinturas de Costas Joachim mantêm, igualmente, élos mnemônicos de sua terra natal: libertação e franqueza dramáticas, preponderância do contôrno sôbre a massa, jôgo luxuriante de estruturas vegetais. Passando de uma figuração, transposta do homem e de seu meio-natureza, pôde decantar, por eliminação, formas essenciais, após continuadas pesquisas. Seu estilo, pessoal e original prevalece-se de um grafismo barroco no qual os negros serpenteiam com harmonia e liberdade nos grandes espaços brancos. Em outros casos, a bicromia brinca sôbre contrastes cinza-brancos guardando ao mesmo tempo a textura formal. Mundo particular êste de Joachim que prende o interêsse pelo seu lirismo e leva a imaginação a caminhos raramente percorridos. Skotinos e Joachim devolvem os écos inquietos de seus corações e sentimentos. Em tudo diferentes dos dois seguintes artistas, nos quais prevalecem a lógica e o cálculo. Libertação absoluta e rigor geométrico caracterizam a obra de Stelios Votsis. Linha negra disciplinada, desenvolvendo-se continuadamente, interrompida, por vêzes, por um traço cinzento assinalando a pausa provisória do diálogo entre as formas. Desenho de um purismo absoluto e organização da imagem sempre regida por um construtivismo equilibrado em altura. Ao nosso espírito chega apenas a canção clara da linha que zombando das regras preconcebidas, proporciona uma euforia musical, um som do qual compasso algum escapa. A trama e o lugar onde se integra (prêto sôbre branco absoluto) propõe

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10ª Bienal de São Paulo (1969) - Catálogo I  

Primeira parte do Catálogo da 10ª Bienal de São Paulo (1969).

10ª Bienal de São Paulo (1969) - Catálogo I  

Primeira parte do Catálogo da 10ª Bienal de São Paulo (1969).

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