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'Livro

Para a civilização ocidental, a técnica de imprimir teve início na Europa do século xv. Não resta dúvida de que a cidade do México, fundada por volta do ano de 1325, erguida numa ilha do Lago Texcoco, para servir de capital do Império Asteca, foi a primeira, ao tempo do vice-rei Dom Antônio de Mendonça, a possuir, no NÔvo Mundo, uma tipografia, "a instancias de los obispos", como escreve Icazbalceta. "Entrou a tipografia no Nôvo Mundo, diz Carlos Rizzini, oitenta e oito anos após inventada, em 1533, pela sua porta mais civilizada: a cidade do México". Com efeito, várias culturas indígenas se desenvolveram em terras mexicanas. Há indícios dum povoamento, muito antigo, que teve como centro de irradiação o Lago Texcoco, com o florescimento da cultura Teotihuacán, de que pirâmides e outros grandiosos monumentos são típicos representantes. Embora não conhecessem o ferro, os animais de carga, a roda, os astecas possuíam alto nível cultural e uma literatura bastante rica. Estando em Madri um daqueles "obispos", Dom João de Zumárraga, fêz ver a Calros V (1500-1558) quão útil e conveniente seria para a cidade americana uma imprensa "e um moinho de papel e pessoas que pudessem sustentar a arte". Com a anuência do imperador, seguiu para o México, em 1533, o impressor Estêvão Martin e, naquele mesmo ano, aparecia, talvez, o primeiro livro publicado nas Américas: a Escala espiritual, de São João Clímaco, seguindo-lhe, em 1537, a Doctrina, de Frei Toríbio Motolínia, livros dos quais não restam quaisquer vestígios. A oficina de Estêvão, ao que parece, teve curta duração, porque, em 1539, o célebre impressor alemão João Cromberg, então radicado em Sevilha, conseguindo de Dom Antônio de Mendonça o monopólio da impressão em geral e da venda de livros, abriu uma tipografia no México, dela se encarregando um italiano, João Paoli - depois Juan Pablo - que logo fêz publicar a Breve y más compendiosa doctrina christiana en lengua mexicana y castellana, geralmente considerado o livro inaugural da América. A êste, seguiu-se, dado a público em 1540, um Manual de adultos, o segundo livro lançado em terras do Nôvo Mundo. Na América do Sul, a letra de fôrma apareceu em 1654. Um piemontês, Antônio Ricciardi, que fÔra sócio de Pedro Ocharte, genro de Juan Pablo, estabeleceu-se no Peru, cuja capital era o mais importante centro cultural do continente, e, sob os auspícios da Real Audiência de Lima, propôs-se a lançar o seu primeiro incunábulo: Doctrina christiana y catecismo para instrucci6n de los indios. Informa-nos Carlos Rizzini que a tiragem dessa obra fôra interrompida "para estampar-se uma Pragmatica sôbre a mudança do calendário, pelo que êste é realmente o primeiro impresso sul-americano". No Brasil, a impressão de livros teve comêço, embora precanssimo, ainda no período colonial. O primeiro trabalho aqui impresso, na tipografia de Antônio Isidoro da Fonseca, foi a Relação da entrada de Frei Antônio do Destêrro, bispo do Rio de Janeiro, em 1747, composta .pelo juiz-de-fora Luís Antônio Rosado da Cunha, tipografia que, logo, acabou sendo seqüestrada pela metrópole, então temerosa da divulgação de idéias na Colônia. Foi com a fundação da Imprensa Régia, por Dom João VI, em 1808, que a publicação de livros principiou a ter alguma significação. "A vinda de Dom João VI, com tôda a sua cÔrte, numa época de decadência da vida colonial ( ... ) foi certamente, pelas suas fecundas conseqüências - escreve Fernando de Azevedo - um acontecimento político do maior alcance para o Brasil, sob todos os aspectos". Criador de instituições, Dom João VI fundou museus, abriu escolas, inaugurou bibliotecas. Estimulou, por tôdas as formas, a produção econÔmica e intelectual. A pouco-:'e pouco, foi-se transformando a fisionomia urbana do

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10ª Bienal de São Paulo (1969) - Catálogo I  

Primeira parte do Catálogo da 10ª Bienal de São Paulo (1969).

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Primeira parte do Catálogo da 10ª Bienal de São Paulo (1969).

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