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Uruguai Comissário:

ANGEL KALENBERG

Exposição organizada pela Comisión Nacional de BeIlas Artes, MONTEVIDf:O.

A análise, a experiência, a pesquisa, constituem o denominador comum desta remessa, integrada por uma Sala Especial em homenagem a José Cúneo Perinetti, e pelas obras de Agustín Alamán, Nelson Ramos e Antonio Slepak. í!.stes quatro artistas não esgotam a diversidade de tendências da vanguarda uruguaIa. Mostram, isso sim, algumas de suas mais fortes manifestações. Talvez as de maior originalidade. Agustín Alamán, experimentando o emprêgo dos novos materiais atingiu o campo das estruturas pneumáticas, que utiliza os cloratos de polivinil, procescessados industrialmente. O objeto, a escultura, a structure gonflable aqui exposta, é vertical, é transparente, é móvel. O· material não é nobre. É efêmero. É o "ballon rouge", o retorno ao jôgo lúdico da infância, do passado; é o módulo, a vivenda, quiçá, do futuro: É, também uma das formas da arte de hoje. Nelson Ramos explora, por sua vez, a problemática da percepção espacial. Um ambiente (que não é mais ·do que um "environment") é, por definição comumente habitável. Éste, o de Ramos, consiste num volume cúbico monocromo (ou acromo) percorrido em todo o desenvolvimento de suas paredes por uma linha que, com o deslocamento do espectador, vai realizando transformações visuais que geram condições não comuns d~ habitabilidade. O limite de referência do participante faz crise: a situação visual é nova e mutável, e dá origem a uma inédita experiência perceptiva. Antonio Slepak desenvolve suas pesquisas no terreno da imagem. Ali aparece como a versão, op, dos quadros seriados do pop Warhol. A imagem de cada um de seus quadros é a conseqüência da multiplicação, a repetição serial de uma mesma imagem (com muito sutÍs e, por vêzes, imperceptíveis variações). O contemplador percebe0 conjunto como uma estrutura única (o negro como figura e o branco como fundo ou vice-versa) na qual não perdem sua diferenciada identidade as imagens individuais que o·compõem. Em todo caso, a multiplicidade leva a descortinar a singularidade, a peculiaridade, a poesia de cada uma das imagens que lhe dão origem. Em 1958, aos setenta anos de idade, José Cúneo revelou-se contemporâneo: rompe com a figuração (que criara sua fama) e começa a explorar a arte informal. Esta atitude de radical negação não foi apenas excêntrica. Já em suas "Lunas" e "Ranchos" (1928), dos quais mostramos dois exemplos, nota-se que seu sistema expressivo é abstrato. Se despojássemos suas grandes telas de então das alusões anedóticas (a lua, o rancho) . ficaria em evidência um sábio suporte abstrato. Agora, definitivamente liberado, revela uma nova dimensão de sua aguda sensibilidade de artista. Angel. Kalenberg

El análisis, la experiencia, la pesquisa, constituyen el denominador común de esta remesa, integrada por una Sala Especial en homenaje a José Cúneo Peri· netti, y por la obras cl,e Agustin Alemá, Nelson Ramos y Antomo Slepak. Estos

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10ª Bienal de São Paulo (1969) - Catálogo I  

Primeira parte do Catálogo da 10ª Bienal de São Paulo (1969).

10ª Bienal de São Paulo (1969) - Catálogo I  

Primeira parte do Catálogo da 10ª Bienal de São Paulo (1969).

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