Page 147

Malásia Comissário:

FRANK SULLIVAN

Exposição organizada pela National Art Gallery, KUALA LUMPUR.

A Malásia sente orgulho e prazer por ser tão amàvelmente convidade como "guest country" para a X Bienal de S. Paulo. Sentimo-nos particularmente felizes, visto o convite coincidir com os festejos extraordinários de Vigésimo Aniversário da Fundação Bienal, que tornou a cidade de São Paulo internacionalmente conhecida como organizadora e fomen~dora da mais elevada exibição de arte. Posso afirmar, com plena verdade, que os artistas da Malásia estão profundamente honrados com a oportunidade que lhes foi dada, nesta tão altamente significativa Bienal. Esta é a primeira vez que a Malásia entra na arena da competição internacional. Talvez se pergunte por que a Malásia reagiu com o calor do seu entusiasmo. A resposta é simples. Nas belas artes, a Malásia é ainda um neófito entre as outras nações, pois nosso desenvolvimento, nesse setor, começou, apenas, há vinte anos. Através dos séculos, a música, a canção, a poesia e a rica variedade folclórica têm sido parte integral do patrimônio malaio. Estranha e infelizmente, êste não foi o caso das belas artes, como a pintura e a escultura. Os artistas malaois, portanto, estão numa posição invejosa pois não têm a vantagem e nem a desvantagem de uma longa tradição nas belas artes, seja para vivê-las seja para aprimorá-las. Desta forma, não é nenhum surprêsa que a arte, na Malásia, se diferencie pelo seu alto grau de individualidade e variedade, pois de fato, é muito rica nos seus elementos: uma sociedade profundamente cosmopolita e multi-racial, onde se pratica, na verdade, a democracia. Sejam malaios, chinêses ou indianos, os seus artistas pensam·e trabalham juntamente, em prol da arte. Cáda nova situação evoca uma pronta resposta. Cada nôvo ano descobre novos talentos. A presença da Malásia na X Bienal reflete, ao mesmo tempo, êstes dois aspectos: a nossa exibição é de 59 trabalhos de 22 importantes artistas, todos, com uma só exceção, executados nos últimos três anos. A exibição também revela que, embora os nossos artistas tenham a consciência de que vivem no torrão malaio, abrem totalmente as janelas ao mundo exterior. O que temos a dizer sôbre a arte, e assim pensamos, é uma contribuição para todo o mundo, refletindo o vigor e a felicidade de nosso ser, tão distinto e diferente como distinta e diferente é a nossa nação. Por isso a pintura em batik é um presente da Malásia para o mundo. Confiamos em que todos os que gostam das artes, vejam, com prazer, na X Bienal de São Paulo, os trabalhos apresentados pelos artistas da Malásia. Ao fazê-lo, desejamos expontaneamente exprimir os sentimentos de amizade e boa vontade para com o povo da Nação-Irmã, o Brasil. Como a nossa terra, está situado em ambos os lados do Equador, sendo assim nações de terras ardentes, de coração quente. Frank Sullivan

127

Profile for Bienal São Paulo

10ª Bienal de São Paulo (1969) - Catálogo I  

Primeira parte do Catálogo da 10ª Bienal de São Paulo (1969).

10ª Bienal de São Paulo (1969) - Catálogo I  

Primeira parte do Catálogo da 10ª Bienal de São Paulo (1969).

Profile for bienal