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de sua exuberância, são, na realidade, uma expressão da ilusão. :i?stes dramas anormais da visão nos leva a um mundo alegórico, mas, quando voltamos à realidade, é com um certo despertar estimulado pelas pinturas. Quanto à escultura, a escultura de espelho "sui-generis" de Kazuo YUHARA traz em si uma violenta expressão crítica. Quando andamos ao redor de suas esculturas, quase cúbicas, quer queiramos ou não, somos levados a defrontar nossa própria imagem. Ao mesmo tempo, a imagem real refletida nela é diferente daquela diretamente vista, e somos então forçados a uma nova percepção da realidade. Estas esculturas funcionam como a essência da ilusão; são os severos juízes do mundo contemporâneo, ou seja, existem como que para contar o futuro da nossa era. Tomio MIKI, conhecido por longo tempo como o artista obcecado pela orelha, vem ao mesmo tempo estudando as novas e diferentes formas da escultura. Na atual exposição apresenta o seu mais recente modo de sentir a forma do cubismo, numa composição com placas transparentes de vidro. Ao mesmo tempo, as longas e finas placas de vidro estendidas no chão, em forma de "T", levam o espectador a um encontro com o Japão, como se estivesse seguindo as pedras de um caminho que vai dar num templo shintoista. A principal função de suas obras pode-se dizer que é a cura e purificação do espírito adoentado, que aflige o homem contemporâneo, inclusive o próprio artista. As curvas originais das linhas e da superfície encontradas na escultura de madeira de Toshiyuki MOGAMI fazem-nos lembrar as formas curvas vistas comumente nas espadas e navios tradicionais do Japão e nos tetos de templos e santuários. Pode-se dizer que sua criação é um exemplo de modernização superior de um sentido original espontâneo da beleza tradicional. Esta é um dos tipos de "salvação". Além disso, seu trabalho compôsto de três pilhas de blocos de madeira elevando-se para o alto, celebra a vitalidade folclórica do Japão, o país da madeira. Tadao Ogura

Japan, having already observed centennial of its modernization and especially since the end of the Second World having witnessed the development of creative and original contemporary art, has great pleasure in participating, through the seven young artists selected, in the much to be congratulated Tenth Sao Paulo Biennial. The contemporary age is one of rockets flying to the moon; computers taking the place of human mental activity in many areas; the expansion of technology and the information expIosion. It is commonplace knowledge that artists in using newly developed techniques and materiaIs are creating new information and bringing about a radical change in the world of art. In our highly méchanized society with its dehumanizing tendencies the artist has the mission of pursuing the crises of humanity and, moreover, of resisting them and protesting agáinst them. There is good reason for the theme of "Art and Man" in contrast to that of "Art and Technology." The work of all the participating Japanese painters on this occasion is to wre5tle directly with the contemporary image of mano Is it not true that the work of the contemporary artist, which either directly or indirect1y pursues the problem of the various alienated or disorganized images of man, is in alI cases an expression of the poignant prayer for the recovery and re-establishment of humanity? The catalyst which caused Keiji USAMI, previously engrossed in super-complicated informe space, to tum to the theme of the contemporary crisis of the human image was doubtIess the escaIation of the Vietnam War and the demonstrations of Japan's student Zengakuren. The humans who appear in his paintings are all expressed as silhouettes without heads, frantically attempting to escape. Although bound together in human solidary, they are deprived of their humanity and subjectivity by the supreme directives of a highly mechanized society and its politics. AlI the more does his highly refined beauty of form and color echo the poignant human tragedy.

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Profile for Bienal São Paulo

10ª Bienal de São Paulo (1969) - Catálogo I  

Primeira parte do Catálogo da 10ª Bienal de São Paulo (1969).

10ª Bienal de São Paulo (1969) - Catálogo I  

Primeira parte do Catálogo da 10ª Bienal de São Paulo (1969).

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