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Iugoslávia Comissário: MIODRAG B. PROTIC ExposiçãO organizada pela Comission Federale pour les Relations Culturalles avec L'Etranger, BELGRADO.

As Bienais mundiais, em primeiro lugar a Bienal de São Paulo, tem posição especial na política da apresentação da arte iugoslava. Do início de' sua atividade até hoje, em sua maioria, os artistas iugoslavos, mais conhecidos, expuseram suas obras em São Paulo onde mereceram críticas favoráveis e muitos dêles prêmios: Lubarda, Hegedusic, Stupica, Debenjak, Vozarevic, J. Buic, etc. A exposição iugoslava atual, acrescenta a essa lista os nomes de cinco artistas de grande nomeada que aqui se apresentam pela primeira vez: Stojan Celic, Toma Sijakovic Sijak, Halil Tikvesa, Vojin Bakic, Drago Trsar. O sexto, Ordan Petlevski, já expôs na Bienal de São Paulo. Representando o resumo conciso e indicação para o nível das concepções, esta seleção proporciona uma visão precisa dos movimentos atuais da arte moderna iugoslava. Nela figuram tendências que vão do informal de Ordam Petlevski ao classicismo de Stojan Celic, da síntese minimal atual - se posso assim dizer - da obra de Drago Trsar à escultura programada construtivista de Vojin Bakic, do quadro-objeto de Toma Sijakovic à figuração feérica do gravador Halil Tikvesa. Stojan Celic (1925) apresenta suas paisagens associativas "abstratas" de acentuada forma geométrica e superfícies pictóricas puras, que não admitem impulsos momentâneos mas registram, entretanto, o movimento da luz, da forma e da linha, movimento êsse, próprio da natureza. Hoje em dia, quando as fôrças da incerteza, da negação e da destruição mostram-se tão acentuadas, a pureza e clareza de seus quadros não representam apenas os valores estéticos mas também as qualidades éticas. Celic acredita na ação construtiva, na ordem, na medida, na criação artística. A expressão da atmosfera e da idéia de sua obra - apresentando um classicismo próprio da estrutura um pouco movimentada e que segundo Valéry, vem sempre depois do romantismo - surge como uma inquietação consciente, subjugada e formalmente sistematizada de modo brilhante. Diferentemente de Celic, Ordan Petlevski (1930), laureado na Bienal dos Jovens de Paris 1959, demonstra uma posição existencial aberta e segue o processo essencial da vida e da natureza, da construção e destruição da matéria e da forma, ao pintar plantas negras, visões e protuberâncias, massacres e os memento-mori. Conserva em seus quadros a lembrança do táto sensorial de velhos bordados populares, de pergaminhos antigos e mapas. A seqüência do movimento no espaço, de suas formas ovais, orgânicas e vegetais e a própria maneira de qualificar êste espaço, desvendam os reflexos e sombras do sobrenatural. Se acrescentarmos ainda a inteligente execução técnica e seu savoirfaire - qualidades que comprovam e tornam presente a neurose existencial dêsse artista - teremos o croquis da personalidade artística de Ordan Petlevski. Halil Tikvesa (1935) mantém em suas gravuras a meiguice fantasmagórica de um mundo lírico com paisagens imaginárias com riachos de sonho e barquinhos, céus, sinais, margens, "elementos do vento", quartos encantados de outrora com figuras graciosas que vivem no clima amoroso dos espaços íntimos do poeta que "os tinha poeticamente materializado". Toma Sijakovic (1930) coloca-se entre os pintores e os escultores com a série de "moussandres - quadros que evoluíram para objetos, cuja construção téc-

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10ª Bienal de São Paulo (1969) - Catálogo I  

Primeira parte do Catálogo da 10ª Bienal de São Paulo (1969).

10ª Bienal de São Paulo (1969) - Catálogo I  

Primeira parte do Catálogo da 10ª Bienal de São Paulo (1969).

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