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Dia do Cidadão com Deficiência 3 de dezembro de 2012

Agrupamento de Escolas de Santa Catarina E.B. 2,3 João Gonçalves Zarco


Agrupamento de Escolas de Santa Catarina E.B. com valência de 1º ciclo João Gonçalves Zarco Departamento de Educação Especial Biblioteca Escolar/ Centro de Recursos Educativos Março de 2013


Dia do CidadĂŁo com DeficiĂŞncia 3 de dezembro de 2012

3


Índice

Introdução

página 5

Parte I – Desenhos e textos dos alunos

página 6

Parte II – Personagens e autores referem os seus problemas (excertos)

página 50


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Introdução

Este livro reúne trabalhos dos alunos da EB 2,3 com valência de 1º ciclo João Gonçalves Zarco que participaram na comemoração do Dia do Cidadão com Deficiência, no dia 3 de dezembro de 2012. Nesse dia, o Departamento da Educação Especial propôs que as turmas passassem pela Biblioteca Escolar, assistissem a alguns vídeos e produzissem textos ou fizessem desenhos sobre o que tinham visto e sentido. São alguns desses textos e desenhos que agora se apresentam, organizados de uma forma que mistura um pouco turmas e idades, palavras e ilustrações, mas que parecem fazer sentido assim. Na segunda parte do livro, apresentam-se alguns excertos retirados de obras de literatura juvenil e de uma autobiografia. Algumas personagens e até mesmo um escritor revelam-nos as suas dificuldades na escola e no seu relacionamento com os outros. No final do livro, disponibilizamos os endereços eletrónicos dos vídeos que foram apresentados.

Guilhermina Puga (professora do Ensino Especial) Margarida Machado (professora do Ensino Especial) Isabel Raposo (professora bibliotecária)


Parte I

Desenhos e textos dos alunos

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As pessoas com deficiências não são menos que os outros. São como nós. Devíamos ajudá-los em vez de julgá-los.

Daniela Oliveira – 7º A

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“Mude suas palavras. Mude seu mundo”.


As pessoas são lindas e todas iguais.

Dia e noite eu não vejo nada. Só escuridão vejo.

Inês Monteiro – 9º A

Ninguém é diferente. Somos todos iguais. Achas que eu queria ser assim? A única coisa que tenho para ser feliz são os amigos e a família pois com eles posso contar!

P.S. Sou cego.

Catarina Sousa – 9º A

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“Não ganhei todas as vezes que lutei, mas perdi todas as vezes que deixei de lutar”.

Joana Moreira – 9º B

Por mais problemas que tenhas, nunca desistas.

João Faria – 9ºB

Devemos dentro

conhecer

as

pessoas

por

e não por fora.

Manuel Perdigão – 9º B

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Na deficiência tens de ter muita paciência.

Mariana Cordeiro – 6º A

Não tenho um pé, Não tenho uma mão, Mas ainda tenho uma coisa: Um coração.

Maria Aguiar – 6º A

Por fora somos diferentes, mas por dentro somos todos iguais. Não julgues as pessoas pela aparência, pois até podes saber o seu nome mas não sabes a sua história.

Rita Melo – 9º B

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A deficiência Não é para sempre Com todos a ajudar Vamos a deficiência apagar.

Gonçalo Cortinhas – 6º A

Gozar não custa, Mas ajudar é uma ação justa.

Beatriz Neves - 6º A

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A deficiência não nos vai abrandar. Nós somos como um carro de corrida: Nada nos vai parar.

Leonardo Reis – 6º A

As pessoas deficientes precisam de ajuda e de amigos para terem uma vida feliz.

Diana Freitas – 6º A

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O cego não pode ver O surdo não pode ouvir As pessoas são iguais Não podem desistir.

A vida é igual Para toda a gente Não podemos descriminar Temos de pôr um fim.

Somos todos iguais. Ninguém tem o direito de tratar uma pessoa mal porque acha que é superior a essa pessoa. Temos de ajudar essas pessoas porque no final de tudo somos irmãos.

Maria Eduarda de Andrade – 9º A

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As pessoas deficientes são tão humanas como nós. Não devemos gozar com elas só porque não têm pernas, braços, são cegas…por outras palavras, só porque são diferentes. As pessoas deficientes podem ter tantas ou mais qualidades que nós. Eu até conheci uma pessoa deficiente que foi campeã nacional de natação em 2008. Há deficientes físicos (por exemplo, sem braços, sem pernas…) e deficientes psicológicos (por exemplo, com dificuldades de aprendizagem); estes, por exemplo, necessitam de mais ajuda mas podem vir a ser melhores ou iguais a nós). Não devemos gozar com eles.

Leonor Caetano – 6º A


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Não devemos julgar as pessoas só pelo aspeto por fora, podemos não ter uma perna, um braço, ter doenças mentais, mas lá no fundo somos todos iguais, todos temos sentimentos. Não devemos maltratar pessoas só por serem diferentes, mas sim tratá-las igual a nós. José Casquilho - 9º A

As pessoas com necessidades especiais só querem ser iguais, apesar de certas pessoas as tratarem como diferentes. Elas só nos mostram que têm força e coragem, porque julgar é fácil mas ninguém nunca se pôs no lugar delas. Ter uma deficiência e mesmo assim levar uma vida normal só prova uma coisa: elas são as melhores.

Laís – 9º A


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Posso ser deficiente mas tenho sentimentos Posso não conseguir ver mas tenho talentos Posso não conseguir escrever mas posso ler Posso não conseguir ouvir mas não vou desistir

Quero ser feliz, ter tudo o que sempre quis! Não é só por eu não ter as mesmas condições físicas que as pessoas normais que eu não vou deixar de lutar.

Não julgue ninguém pelo exterior mas sim pelo interior.

Liliana Silva – 9º A


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Um deficiente é Uma pessoa normal Mas é tratado de uma maneira Muito especial

Carla – 9º A


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Nós podemos achar que a vida é muito difícil e não paramos para pensar que há pessoas, seres humanos como nós, que sofrem de deficiências e mesmo assim são capazes de fazer o mesmo que nós, sem desistirem. Ao mesmo tempo, eles dão-nos uma moralidade de vida: com tantas dificuldades, eles estão sempre de pé, sempre a lutarem pela felicidade!

Elizabete dos Santos Mendes – 9º A


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Não é por sermos pessoas normais que vamos ou podemos gozar e desprezar as pessoas que têm deficiências e que no seu dia-a-dia têm e sentem dificuldades em lidar com este tipo de situação. Não vale a pena desprezá-las, pois estas pessoas são humanas como nós e elas têm sentimentos fortes, por dentro, que por vezes são destruídos pelo simples gozo de uma pessoa fria e sem coração.

Rosymerie – 9º A


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Devemos aceitar as pessoas como são. Joel Verdades – 9º B

~

Devemos conhecer as suas histórias antes de criticar, pois não temos esse poder.

Jéssica Marques – 9º B


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Todos nós somos iguais por dentro e por fora e todos nós conseguimos realizar os nossos objetivos se lutarmos.

Cátia Vieira – 9º B


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Todos somos capazes de realizar sonhos, basta querermos e termos confiança em nós próprios. Mas todos precisamos de sentir o apoio das pessoas, todos precisamos de ouvir palavras de apoio, todos precisamos de sentir que temos alguém que goste de nós. Todos temos o direito de viver, todos temos direitos iguais, pelo menos assim deveria ser, porque todos temos sentimentos e não existe ninguém no mundo que goste de se sentir inferior e sem o mínimo significado. Ninguém gosta de ver pessoas a realizar sonhos e fazer o que gosta e nos dizerem a nós que não o podemos fazer pois somos “diferentes”. Apesar de algo diferente que possa existir em nós, somos todos seres humanos e todos deveríamos ser tratados de igual forma.

Marisa Galiano – 9º B


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Todos somos diferentes mas todos somos iguais. O estado físico ou mental não define como a pessoa é. Todos temos sonhos e com esforço todos somos capazes de os concretizar, mas sempre precisamos de uma motivação para atingirmos os nossos objetivos, e o que a muitos de nós falta é essa motivação, o que nos leva a desistir do que mais queremos. Alguns são forçados a ter essa motivação por consequência de um acidente ou algo parecido mas a verdade é que são os nossos exemplos, são esses que muitas vezes nos mostram que vale a pena lutar e que somos capazes de sonhar, capazes de vencer tal como eles venceram. Tenho muito orgulho naqueles que têm a vida interrompida devido a um acidente e não desistiram. Então porque é que nós, que temos capacidades suficientes para concretizar todos os nossos objetivos, não o fazemos? Onde está a nossa motivação? Porque só damos valor à vida quando temos a vida interrompida? O problema da nossa sociedade é querer muito sem nada fazer, os sonhos só estão na cabeça de quem acredita que pode torná-los realidade. Então, se falhares mil vezes e não voltares a tentar, nunca vais saber se podias conseguir.

Letícia – 9º B


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Nunca podemos dizer que as Pessoas deficientes são menos do que as outras. São as mesmas pessoas Só com uma doença. Temos de as encorajar a dar a volta por cima.

Bruna Maceiras – 7º A

Eu admiro estas pessoas porque, apesar de não terem ou uma perna ou um braço, ou terem outros problemas, conseguem amar e perdoar, apesar das imensas dificuldades por que passam.

Ana Conde – 7º A


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Câncer

Posso ter câncer, Mas felicidade não me falta. Se quiser posso correr, Mas divertimento não me falta.

Estou com os meus amigos, Pois estão todos comigo. Os maus não são amigos, Pois eles não estão comigo.

Posso ser chingado Mas quero todos ao meu lado. Posso ter uma cara deficiente, Mas estou sempre contente.

Luckeny Alberto – 7º A


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O que vi foi que, mesmo sendo deficiente, isso não nos impede de nada. A deficiência não é impedimento de fazer nada. Bruno Santos – 7º A

Eu tenho pena destas pessoas porque elas têm de fazer tudo sozinhas e algumas não têm ninguém para ficar com elas e por isso são muito independentes. Eu admiro-as muito.

Joana Ferreira- 7º A


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As pessoas são todas iguais Os deficientes são iguais a toda a gente. O único problema é que eles ou não têm pernas, ou braços, ou têm trissomia 21. Mas eles são iguais às outras pessoas. Às vezes precisam de ajuda e ninguém as ajuda, põem-nas de parte. Os deficientes podem ser tão felizes como nós, com os seus amigos.

Nélia – 7º A


Eu tenho uma grande admiração por estas pessoas que, mesmo tendo uma deficiência física ou mental, têm uma grande força de vontade.

Telma – 7º A

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Parte II

Personagens e autores referem os seus problemas (excertos)


Handicap

Se calhar sem as quatro rodas é mais fácil. É mais fácil divertirmo-nos. É mais fácil movermo-nos, é mais fácil é também mais fácil conquistar os rapazes. Mas eu acho que as quatro rodas servem para conhecer totalmente a vida e para saber enfrentá-la e vencer.

Alice Sturiale , O Livro de Alice, Editorial Presença

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«(…). Oliver ofereceu-se para me ajudar à hora do almoço na biblioteca. ─ Podias ditar-me o que queres dizer. Eu escrevia e tu copiavas ─ sugeriu. Fizemos isso durante um bocado, mas tornou-se chato e eu, às vezes, confundia e copiava as palavras mal. ─ Eu não sou estúpida, sabes? ─ disse com determinação, empurrando o caderno para o lado. ─ Eu sei. És disléxica ─ respondeu Oliver. ─ Isso quer dizer que não sou capaz de escrever como deve ser? ─ É isso. Devias ter uma ajuda especial. ─ Não quero ter ajudas especiais. Sim, disléxica. Foi o que me chamaram na última escola. Mas só nessa. Como é que se escreve isso?» Jacqueline Wilson, O Crisântemo, o Golfinho e a Estrela, Editorial Presença (p.121)

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«Deambulei entre as prateleiras, pegando neste livro e naquele, folheando para ver as imagens. Sabia ler, mais ou menos, mas detestava aqueles blocos impressos. As palavras serpentavam nas páginas e não faziam sentido. Olhei para ver se Mr. Harrison estava a ver-me, mas ele estava mergulhado no seu jornal. Ajoelhei-me e fui avançando para os livros de crianças. (…). ─ O que estás a ler? ─ Nada! ─ respondi, enfiando rapidamente os livros na prateleira. Mas era só o Owly Morris. Ele não ia meter-se comigo por eu estar a ver livros de desenhos.»

Jacqueline Wilson, O Crisântemo, o Golfinho e a Estrela, Editorial Presença (p.64)


«─ Porque é que estás a olhar para mim, Dolphin?─ perguntou, extremamente irritada. ─ Continua já com o teu trabalho. De todos os alunos és quem mais precisa de treinar a escrita. Tentei escrever. Era capaz de inventar todo o tipo de histórias, mas a torrente de palavras na minha cabeça não abrandava para poder copiá-las para a folha. As poucas que acabavam no papel apresentavam letras que se moviam em todas as direções, por isso metade das palavras estavam escritas de trás para a frente. Miss Hill acabou por fazer um traço vermelho a cortarme a página e mandou-me repetir tudo. (…)»

Jacqueline Wilson, O Crisântemo, o Golfinho e a Estrela, Editorial Presença (p.121)

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«Eu não compreendia. Esta incapacidade de compreender remontava tão longe na minha infância que os meus familiares criaram uma lenda para datar a sua origem: a aprendizagem do alfabeto. Sempre ouvi dizer que precisei de um ano inteiro para aprender a letra a. A letra a, num ano. O deserto da minha ignorância começava antes do intransponível b. ─ Não entremos em pânico, daqui a vinte e seis anos ele dominará perfeitamente o alfabeto. Assim ironizava o meu pai para afugentar os seus próprios receios. (…).»

Daniel Pennac, Mágoas da Escola, Porto Editora

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«Eu era, portanto, um mau aluno. Na minha infância, chegava todos os dias a casa perseguido pela escola. As minhas cadernetas refletiam a censura dos professores. Quando não era o pior da turma, era o penúltimo. (Bravo!) Impenetrável à aritmética primeiro, à matemática em seguida, profundamente disortográfico, refratário à memorização das datas e à localização de pontos geográficos, inapto para a aprendizagem das línguas estrangeiras, considerado preguiçoso (lições não estudadas, trabalhos de casa por fazer), levava para casa notas lamentáveis que nem a música, uma qualquer atividade desportiva ou extracurricular, de resto, conseguia remediar.»

Daniel Pennac, Mágoas da Escola, Porto Editora


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Endereços eletrónicos dos vídeos apresentados

http://www.youtube.com/watch?v=cdmYvRlwQ0A&feature=related http://www.youtube.com/watch?v=iNqnS-t8qtw&feature=related

http://www.youtube.com/watch?v=uTUx7eALObI&feature=related http://www.youtube.com/watch?v=mkJT6cULBY8&feature=related ou http://www.youtube.com/watch? v=I4KlGCIjsuI&feature=related http://www.youtube.com/watch?v=_8S27Uvd2yg http://www.youtube.com/watch?v=BjzPEeGdORY&feature=fvwrel

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Livro dia do cidadão com deficiência  

Textos e desenhos dos alunos da EB 2,3 com valência de 1º ciclo João Gonçalves Zarco a propósito do Dia do Cidadão com Deficiência 2012

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