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A REGIÃO GANHOU UMA NOVA VIDA!

#03 JANEIR0’11 Publicação Mensal 1€

ANTÓNIO

« QUERO CONTINUAR A MINHA VIDA EM BAIÃO JUNTO DA MINHA FAMÍLIA E DO MEU GADO »

VIVER EM COMA

OS TESTEMUNHOS DE QUEM ESTEVE NA FRONTEIRA ENTRE A VIDA E A MORTE

FUTEBOL AMERICANO

OS LUMBERJACKS QUE CONQUISTARAM PORTUGAL

GEOCACHING

A NOVA CAÇA AO TESOURO

ELVIO SANTIAGO

A INFÂNCIA SOFRIDA DO CANTOR PAREDENSE


PUBLICIDADE

22

pág

04 EDITORIAL 05 ENFOQUE. As últimas novidades

de literatura, ensino, desporto...

06 CULTURA. O Génio escritor. 08 MÚSICA. Cintura - A revelação

dos jovens músicos de Penafiel.

1 ANO

a oferecer excelentes

sabores

10 REPORTAGEM. Os testemunhos

de quem já esteve em coma.

13 EU SOU. Pedro Ferreira, o investigador. 14 DESPORTO. Conheça o mundo do

Futebol Americano.

16 REPORTAGEM. Quando a solidão

se transforma em dor.

20 TRADICIONAL. Um sorriso e uma

fotografia à La Minute.

22ENTREVISTA. Conheça melhor o António,

vencedor da Casa dos Segredos.

25 DIRECTÓRIO. As lojas que

procura.

28 REPORTAGEM. A caça ao tesouro

dos tempos modernos: Geocaching.

30 GLAMOUR & SEDUÇÃO

As tendências, a moda, o glamour.

34 VIDAS. Conheça a infância sofrida

do cantor Elvio Santiago.

36 REPORTAGEM. Casar de Inverno em

tempo de crise pode ser a melhor solução.

38 COORDENADAS. Desfrute do que a vida

tem para lhe oferecer na Estalagem de Porto Antigo.

40 OPINIÃO. Reflexões da

sociedade

42 ACONTECE ESTE MÊS. As

melhores festas, as exposições, os concertos.

43 ASSINA. Receba a Bibonorte

programação 21 Janeiro

Noite Latina {15€ P/Pessoa}

22 Janeiro

Jantar

Comemorativo {17€ P/Pessoa}

29 Janeiro

Noite de Fados {17€ P/Pessoa}

Especialidades diferentes todos os dias. Surpreenda-se. RESERVE JÁ A SUA MESA

em casa.

Rua Rainha D. Mafalda - S. Nicolau Marco de Canaveses Tlf :: 255 534 420


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FICHA TÉCNICA Director BRUNO COUTO PINTO brunopinto@bibonorte.com Colaboradores Ana Silva, Diogo Nogueira, Joana Vales, Juliana Afonso, Maria Teresa Pires, Sónia Mendes. Fotografia Manuel Madureira, Ângela Azevedo, Bruno Pinto. Edição e Propriedade Joana Isabel Vales REDAÇÃO, PUBLICIDADE E ADMINISTRAÇÃO Rua Manuel Pereira Soares 4630-296 Marco de Canaveses ASSINATURAS bibonorte@bibonorte.com PUBLICIDADE geral@bibonorte.com tlm. 931 147 023 DESIGN E PAGINAÇÃO Bruno Couto Pinto

Novo ano, desejos renovados, vontades crescentes. 2011 chega em força com doze meses que prometem ser repletos de novidades, reconhecimentos, cultura e descobertas. No terceiro mês da BIBONORTE temos que agradecer a todos os que têm apoiado este novo projecto e que nos têm dado força para continuar com mais histórias, mais vidas e mais região. No primeiro mês do ano fomos descobrir aqueles que andam de GPS na mão numa verdadeira caça ao tesouro. Tínhamos que reconhecer o trabalho do jovem investigador no Japão. Não esquecemos os nossos mais velhos e como a idade é muitas vezes sinónimo de solidão. Estes são apenas alguns dos temas que temos para si. Prometemos continuar com a criatividade gráfica, com a investigação nos textos, com uma equipa que dá voz aqueles que estão esquecidos. Prometemos não desiludir as expectativas. Um 2011 com sabor a chocolate e com sorriso fácil é o nosso desejo para o novo ano. Bruno Pinto (Director)

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BIBONORTE . JANEIRO . 2011

IMPRESSÃO Publigraff Av. Professor Doutor Carlos Mota Pinto, nº122 4630-208 Marco de Canaveses Preço (iva incluído) €1,00 Periodicidade Mensal Tiragem: 8000 DEPÓSITO LEGAL 319061/10 REGISTO ERC 125971


ENFOQUE LAZER

Hotel em Paredes O Paredes Hotel Apartamento*** é um novo espaço situado no Vale do Sousa, pensado para as viagens de negócio, de lazer e viagens desportivas. Apoio de lavandaria, restaurante, bar, salas de reuniões e Ginásio são apenas alguns dos serviços disponíveis.

MÚSICA

GASTRONOMIA

Camarata 3

Aos fins-de-semana

A banda de Amarante constituída por António Navega, João Cravo, Rolando Babo, Manuel Pinto e Fábio Carneiro tem dado cartas no mercado musical. Com um rock alternativo têm conquistado um vasto clube de admiradores. www.myspace.com/camarata3

Entre 8 de Janeiro e 5 de Junho, os Fins-de-Semana Gastronómicos vão marcar presença em 72 municípios, com a participação de mais de 1000 restaurantes. Consolidar laços afectivos e culturais entre os turistas e o Porto e Norte é o grande objectivo.

LITERATURA

“Vidas” Filomena Silva e Nuno Garcia apresentaram em Penafiel o livro “Vidas”. O carácter pedagógico percorre todo o livro envolto de uma história que pretende aprofundar a importância das relações familiares no que diz respeito à formação e construção de cada personalidade, especialmente nas crianças.

AMBIENTE

Mais Trutas Os rios Ovil e Teixeira, em Baião, foram repovoados com milhares de trutas. Crianças, associações de caçadores e pescadores, associações ambientais e representantes de autarquias de freguesia participaram na acção que pretende a preservação do ambiente de Baião, o concelho com maior percentagem de áreas verdes em todo o distrito do Porto.

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Eça de Queiroz

CULTURA

O Génio

José Maria Eça de Queiroz é um dos nomes mais importantes da literatura portuguesa. A originalidade, o realismo descritivo, a crítica social e a riqueza de estilo marcaram as suas obras. Escritor, ensaísta, jornalista epistológrafo, político e chefe de família, Eça deixou o seu legado de talento. por Ana Silva fotografia Ângela Azevedo

«

Zé Fernandes, vou partir para Tormes. Álea jacta est!», dizia Eça de Queiroz no romance “ A Cidade e as Serras”. E foi para Tormes que fomos, seguindo as pegadas de Jacinto, personagem central do romance, em busca de Eça de Queiroz. A paisagem faz as honras da casa e a imaginação coloca o poeta no nosso caminho. É na Casa da Vila Nova, actual Fundação Eça de Queiroz

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que encontramos Maria da Graça Salema de Castro, que foi casada com um neto de Eça. Os quase 91 anos dão-lhe a sabedoria e as inúmeras histórias que nos captam a atenção e nos saciam a curiosidade. Veio de África aos 18 anos e três anos depois casava com o neto do escritor. Antes de entrar para a família confessa que «não sabia nada sobre Eça de Queiroz». Com o tempo começou a conhecer o poeta que apelida de «génio».

«O que me surpreende sempre é que ele é um génio. Era uma pessoa cheia de habilidades, de ideias e um óptimo chefe de família», conta. Recorda que nas fotografias com os colegas dos «Vencidos da Vida» Eça aparecia sempre com um ar altivo, já com a família o ar era de ternura. «Quando a esposa lhe pedia para trazer ‘chapeuzinhos’ de palha para os filhos ele levava sempre», relembra.


De todos os livros o que mais gosta é do Crime do Padre Amaro. «É preciso mesmo ser um génio para tirar de uma cidade desinteressante uma obra daquelas. Na altura não foi muito apreciado nem muito bem visto. Apesar de ter um padre bom [padre Fernando] os outros não

Maria da Graça

o eram. A crítica foi bastante feroz», explica. Quando escreveu o Primo Basílico a receptividade foi bem diferente. «As pessoas gostaram muito e nessa altura Eça ficou muito triste porque achava o Crime do Padre Amaro melhor». Eça nunca chegou a estar permanentemente em Tormes mas passava sempre por Baião nas suas estadias por Portugal. Tinha um sonho. «Trazer a família de férias a Tormes» mas esse sonho nunca passou de uma Utopia. «A casa estava muito degradada. Ele pensava que só era preciso pedra e madeira e que podia ser fácil mas nunca chegou a conseguir», revela Maria da Graça. «Mas os caseiros

que lá vivem há trinta anos, dormem em catres, comem o caldo à lareira, e usam as salas para secar o milho» descrevia Eça em a Cidade e as Serras. Maria da Graça conta que «Eça nunca foi rico. Podia ter ganho muito dinheiro quando foi cônsul em Havana, com a cana do açúcar. Mas em vez disso, mandou para Portugal todas as descobertas que fez sobre as falsas promessas que os fazendeiros faziam a quem lá trabalhava», relata a neta de Eça. Quando Maria Eça de Queiroz de Castro, última filha do poeta, faleceu, o filho Manuel Pedro e Maria da Graça ficaram com a Casa e com dois terços do espólio do escritor. Decidiram então criar uma fundação de forma a «manter viva a memória de Eça de Queiroz, perpetuando e divulgando a sua obra». Assim, em 9 de Setembro de 1990 nascia a Fundação Eça de Queiroz. Aqui, respira-se literatura a memória mantêm-se viva. Do estrangeiro surgem novos dados sobre a vida e obra de Eça. São muitos os Queirosianos espalhados pelo mundo. O Brasil reúne o maior número de admiradores das obras do escritor. Isabel Pires de Lima, ex-ministra da cultura escrevia que « O projecto cultural da Fundação Eça de Queiroz tem como objectivo a divulgação e promoção nacional e internacional da figura e da obra do maior nome do romance português oitocentista e visa simultaneamente contribuir para o desenvolvimento da região onde está instalada» De facto, são várias as actividades realizadas para levar o nome de Eça ainda mais longe tais como programas na área da edição, da formação, do turismo cultural, da gastronomia queirosiana, do desenvolvimento rural e da oferta de espaço e serviços diversos.

Fundação Eça de Queiroz Quinta da Vila Nova, Tormes Santa Cruz do Douro – Baião Tlf:. 254882120 E-mail:. info@feq.pt


MÚSICA

“Nó da gravata” é um dos temas da nova novela da TVI, “Sedução”. Hélder, Tavares e Eduardo são os membros da banda penafidelense “Cintura”, que atinge assim o reconhecimento do grande público. Um arquitecto, um empresário e um professor empresário juntaram as suas influências musicais numa só voz para que qualquer pessoa possa ouvir a sua música, cantada em português. por Sónia Mendes

Há quantos anos é que os Cintura existem? Começamos a dar os primeiros acordes em 2003. Na altura formado apenas pelo teclista Hélder de Carvalho e o baterista Bruno Tavares. Desde do início procuramos uma sonoridade diferente explorando melodias ao piano. Os membros mantêm-se desde do início? O projecto começou comigo (Hélder) e com o Tavares em 2003 e em 2007 entrou o Eduardo para o modo trio. Como surgiu o nome da banda? O nosso produtor sugeriu “CINTURA”, e poucos dias depois, achamos que tudo fazia sentido. Se há preto também há branco, se há dia também há noite, se há verdade também há mentira. A cintura relaciona as partes e as partes somos nós, mas onde há nós também há vós e este conjunto de relações não acaba enquanto houver música. Quais as vossas influências musicais? Hélder: Sting e Jamie Cullum, Alicia Keys e Bjork, Muse e Gorillaz para saber que fazer e o que não fazer. Tavares: “punk” e “grunge” até chegar à “pop”, ao “jazz” e à “bossanova”. Eduardo Peixoto: “tudo o que seja bom e bem tocado”. Quando começaram a tocar qual era o vosso sonho? Quando começamos a tocar pensamos em fazer apenas música que nos dissesse realmente alguma coisa. Também é verdade que pensamos que qualquer pessoa possa ouvir o que fazemos, e quando isso acontece em grande escala, quer dizer que o nosso

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trabalho é reconhecido e isso é muito bom. O que se passa à nossa volta é que as pessoas se identificam com as letras, com a musicalidade, com a mensagem, cada um interpreta à sua maneira, cada pessoa identifica-se com o que ouve, ou não. Optam por cantar em português. Porquê? O desafio aumenta quando se escreve em português. É a nossa língua, fazia todo o sentido cantar em português. Como tentam marcar a diferença? Obviamente, trabalhamos para ser diferentes, mas hoje em dia isso é praticamente impossível. O que nos faz ter uma sonoridade diferente é a exclusão de guitarras e utilizarmos instrumentos de cordas na generalidade dos temas. Como se preparam para os concertos? Ensaios, ensaios e mais ensaios, levamos muito a sério este trabalho. Quantas horas ensaiam? Umas boas horas semanais, normalmente quatro a cinco ensaios por semana. Como são os vossos concertos? Depende sempre do espaço, do público, do nosso próprio estado emocional, tudo isso condiciona cada concerto. Mas em todos tentamos que haja empatia com o público e sempre com sentido em crescendo. Pensam algum dia integrar uma voz feminina? Não dizemos nunca, mas neste momento não faz parte dos nossos planos.


O MAIOR SONHO SERIA PODER VIVER DA MÚSICA QUE FAZEMOS

Tem sido fácil conciliar a vossa profissão com a música? Nem sempre é fácil, mas quando se corre por gosto, não se cansa. Onde é que gostavam de dar um concerto? Eduardo – Palco principal Paredes de Coura (à meia-noite) Tavares – Coliseu do Porto Hélder – Rock in Rio Uma situação caricata que tenha acontecido num concerto? Hélder: Lembro-me de um concerto, em que tínhamos projecções a passar numa tela lateral, o tema chamava-se “Sapatos Vermelhos” e durante cerca de 3 minutos o vídeo mostrava umas pernas de uma mulher com os respectivos sapatos altos vermelhos, enquanto tocamos o tema, mais de metade do público, não estava a olhar para o palco mas sim para a tela. (Risos) Qual é a vossa relação com a Internet e com as redes sociais? Nos últimos anos, temos assistido a uma rápida evolução tecnológica, o que nos obriga a estar atentos e utilizar necessariamente estas novas formas de comunicação. É a forma mais rápida de chegar a cada um e isso é muito importante. Acreditam que as redes sociais são uma mais-valia na comunicação entre artistas e fãs? Claro que sim Privilegiam esta forma de comunicação? Todas as formas de comunicação são importantes, desde que não desvirtuem a informação que queremos dar. Têm um tema na novela da TVI “Sedução”. Como surgiu a participação?

Tínhamos enviado um CD promocional, com o “Nó da gravata” e alguns meses depois surgiu o convite. Passado tanto tempo não estávamos à espera e foi uma surpresa muito boa. Em que é que se inspiraram para a música “Nó da gravata”? Hélder: Lembro-me que nesse dia não estava muito bem e me sentia um pouco só. Enquanto escrevia pensava na sorte em ter alguém ao nosso lado. O vosso primeiro EP está cá fora. Qual tem sido o feedback do público? Tem sido bastante positivo. Além de gostarem dos temas, também chegam a comentar o design do disco. Gostam da simplicidade e da cumplicidade da imagem com o conteúdo. Tem-se falado da possibilidade de virem a gravar um álbum nos EUA. Como estão a correr as negociações? Não há qualquer negociação de gravação. Há sim, um contrato de promoção com TJC communications (BMI). Dessa forma, foi possível CINTURA estar nos principais sites de vendas online, como por exemplo, iTunes, Amazon, Napster, eMusic, entre outros. Quais os projectos para o futuro? Vamos continuar a fazer música, vídeos, e queremos muito dar o máximo de concertos. Qual o vosso maior sonho? O maior sonho seria poder viver da música que fazemos. Pedia-vos uma mensagem para os vossos seguidores. O simples facto de gostarem de um tema que seja dá-nos força para continuar em sentido ascendente. Muito Obrigado


REPORTAGEM

A vida

em coma AS CÉLULAS CEREBRAIS SÃO

MUITO SENSÍVEIS

BASTAM 4 A 5 MINUTOS SEM OXIGÉNIO PARA MORREREM

O estado de coma continua a ser um enigma. O que sente o paciente? Há uma luz? Conseguem ouvir? Como ressuscitar alguém nesse estado? As perguntas sucedem-se e a ciência tenta desvendar o apagão cerebral. por Ana Silva fotografia Bruno Pinto

O coração continua a bater, o sangue circula, a respiração mantém-se mas o cérebro não responde. Em coma é assim que se vive, sem consciência do que está acontecer e do que se passa à volta. Quem experimentou este sono profundo fala de como voltaram a viver quando acordaram de novo para a vida.

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M

auro de Sousa tinha 14 anos quando tudo aconteceu. «Estava em casa dos meus avôs quando se deu uma fuga de monóxido de carbono de um esquentador. Como não se sentia o cheiro ninguém se apercebeu e as coisas sucederam-se», conta. Recorda que foi no dia 1 de Janeiro de 1997 quando o cérebro apagou. «Na altura eu estava na casa de banho e ouvi os meus avôs preocupados porque o meu primo e a minha irmã tinham desmaiado. A uma altura só ouvi como um despertador quando está acabar as pilhas. Achei estranho e de repente apaguei», recorda Mauro, agora com 27 anos. Foi transportado para o Hospital de Santo António no Porto. Esteve em coma dois dias, tempo suficiente para mudar a forma de estar na vida. «Foi tudo muito confuso, a passagem para o coma e o coma em si. Lembro-me de vozes, das pessoas dizerem para eu não adormecer, das luzes, da sirene da ambulância e depois era como se fosse um sonho». «Confuso» é a palavra que mais usa para relatar o estado de coma. «É como se estivéssemos dentro de uma máquina de lavar, é um turbilhão de coisas ao mesmo tempo», acrescenta. Diz que ouvia as pessoas a falar «e ficava muito nervoso porque a minha cabeça di-

Mauro de Sousa

zia para me deixarem em paz mas o meu corpo não reagia». O diagnóstico era muito reservado e os pais temeram o pior. O filho de apenas 14 anos podia nunca mais recuperar. «Quando acordei chamaram a minha mãe e disseram-lhe para ela se ir despedir de mim porque eu podia não passar daquela noite. Só me lembro da minha mãe ir ao quarto, começar a chorar e

sair a correr», confessa. Esteve na ‘sala de ressuscitação’. Nesse dia foi o único que ficou neste mundo. «Estava muita gente, foi no dia da passagem de ano, muita gente em coma alcoólico, eu consegui mas os outros não». Acordou de forma natural mas o regresso fez-se com amnésia. «Quando acordei fizeram-me perguntas e eu só sabia o meu nome e idade.

Não conheci o homem que estava ao meu lado». O homem era o pai. Esteve internado duas semanas, um período difícil para Mauro. As visitas que não conhecia, as memórias que não tinha, o cansaço, as transfusões de sangue e os tratamentos para limpar o organismo fizeram com que o regresso ao dia-adia fosse feito de forma gradual. Apesar de na altura ter apenas 14 anos, a forma de estar na vida mudou. «Esta experiência deu-me mais energia para aproveitar a vida, para fazer mais coisas, tornei-me mais aventureiro», confessa. Se tem medo que volte acontecer? «Tenho. Fiquei com mais sensibilidade para as botijas de gás, fogão, esquentadores. Sempre que chego a casa reparo se cheira a gás. Agora nunca me fecho em sítios com esquentador ligado». Mauro recuperou e não teve sequelas graves. A memória foi a única coisa que saiu afectada. «Noto que depois do que passei, é mais difícil estar concentrado e fiquei com a memória mais curta. Esqueço-me facilmente das coisas».

«É como se estivessemos dentro de uma máquina de lavar, é um turbilhão» PUBLICIDADE


Ó

Albino Pinto

A

lbino Pinto, 23 anos, vinha da escola no dia em que foi atropelado. Tinha sete anos quando uma moto veio contra ele. «Eu ia com os meus colegas da escola para casa quando um rapaz de moto veio contra mim e atropelou-me». Depois disso não se recorda de nada. «Pelo que me dizem, a minha sorte foi ter sido socorrido logo por um médico que ia a passar porque se não tivesse sido assistido no local do acidente tinha, certamente, morrido». Albino Pinto esteve no Hospital de Santo António, em coma durante 16 dias. «Na altura era muito novo, só tinha sete anos mas não me lembro de nada desses 16 dias e não senAO ACORDAR tia nada», diz « Não me lembrava Albino. A mãe esteve sempre das pessoas, foi ao seu lado. «A como se estivesse minha mãe fia dormir durante 16 cou no hospital o tempo dias » todo. Dormia numa cadeirita ao lado da minha cama sempre na esperança que eu acordasse». Mas quando Albino acordou também não conhecia ninguém. «Não me lembrava das pesso-

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as. Foi como estivesse estado a dormir durante aqueles dias. Não fazia ideia do que tinha acontecido. A minha mãe estava lá comigo quando eu acordei e não a reconheci», explica. Depois do acidente, Albino ficou em cadeira de rodas e fez vários tratamentos até voltar a andar. «Fiquei com sequelas, principalmente no pé e na perna. Na altura, fiquei paralisado do lado direito mas depois recuperei. Apesar de ter melhorado hoje ainda sinto que os movimentos do meu braço são muito mais lentos e limitados». O regresso à escola fez-se devagar. Os primeiros tempos «foram muito difíceis» mas depois a vida foi voltando ao normal. Albino soube quem o atropelou naquele dia em que ia para casa. «O rapaz que veio contra mim era meu vizinho. Ele disse que não me tinha visto e veio contra mim. Foi um acidente». Tal como Mauro também Albino sente que hoje, devido a esta experiência, é uma pessoa diferente. «Apesar de ser muito novo quando tudo aconteceu influenciou a minha forma de estar na vida. Tenho muito cuidado quando ando de carro e fico muito mais atento quando ando na estrada».

scar Gomes, neurocirurgião e professor universitário, explica que o estado de coma acontece quando «existe uma lesão nos hemisférios cerebrais ou no tronco cerebral». Quando o paciente entra em coma «deixa de ter noção da relação com o meio envolvente». «Não é verdade dizer que estar em coma é como estar morto porque a pessoa continua a respirar, a fazer a digestão, a transpirar, as vezes tem reflexos de tosse ou pode mesmo reagir à dor», afirma o neurocirurgião. O coma é causado pela perturbação grave do funcionamento cerebral devido a traumas crânio-encefálicos, acidentes vasculares cerebrais, tumores, distúrbios metabólicos, envenenamentos ou asfixia. As lesões provenientes do estado de coma são avaliadas tendo em conta o número de dias. Assim, através da escola de coma de Glasgow, escala neurológica, é possível registar o nível de consciência de uma pessoa de forma a realizar uma avaliação inicial e também após o traumatismo craniano. O valor é utilizado no prognóstico do paciente e na previsão de eventuais sequelas. Quando se pergunta se é possível as pessoas que estão em estado de coma sentirem ou ouvirem o neurocirurgião esclarece que «quando sentem que estão a entrar em coma perdem a consciência e a realidade fica distorcida. Isto porque a função cerebral foi alterada. Em coma as pessoas perdem a noção com o meio envolvente». Óscar Gomes esclarece que as «células cerebrais são muito sensíveis e bastam 4 a 5 minutos sem oxigeno no cérebro para morrerem não sendo assim recuperáveis». São certamente muitas as pessoas que já estiveram em coma, mas a incerteza do que se passa com o cérebro vai continuar. O estado de coma é uma fronteira silenciosa entre a vida e a morte.

Óscar Gomes (Neurocirurgião)


EU SOU

L

icenciado em Engenharia Biotecnológica pelo Instituto Politécnico de Bragança, Pedro Ferreira é o mais recente motivo de orgulho da família. Nascido há 29 anos em Penafiel, o jovem investigador prepara-se para iniciar uma nova etapa na sua fulgurante carreira. Depois de uma etapa na Suécia preparase para viajar para o Japão em Março de 2011, para continuar os seus trabalhos de investigação na Malária, área em que se especializou. Regressar a Penafiel não está nos planos mais próximos devido à falta de oportunidades que o país oferece aos investigadores, embora a memória esteja repleta de boas recordações dos tempos vividos na sua terra natal. Até aos 18 anos foi um jovem empenhado nas actividades desportivas e culturais penafidelenses, sem nunca esquecer o lado curioso que o levou para a ciência que hoje o apaixona. Que recordações tem de Penafiel? Tenho muitas recordações e as pessoas também se lembram de mim desse tempo em que vivi em Penafiel. Por isso, também ficam contentes quando sabem que eu estou a fazer algo diferente e importante. Até aos 18 anos envolvi-me em actividades desportivas e culturais o que fez com que também ficasse mais conhecido. As pessoas não me conhecem pelo que faço na ciência mas sim pelo que era aqui. É como ter duas personalidades. Como surgiu o gosto pela ciência? Eu sempre fui muito curioso e muito da ciência parte dessa curiosidade em saber mais, em nunca desistir, em procurar coisas novas. Esta vertente da minha personalidade é que me fez ir pelo caminho da ciência. A ida para a Suécia como é que se proporcionou? Eu fiz um estágio em Lisboa e a minha supervisora tinha um colega que estava lá. Depois tentou-se arranjar alternativa para eu ir para lá. Consegui uma bolsa europeia e em 2004 fui para o Instituto Karolinska na Suécia. Como descreve a passagem pela Suécia? Muito muito trabalho e diário. A ciência quando

Pedro Ferreira “Eu gostaria muito de contribuir para a minha região mas num futuro a curto prazo a minha carreira profissional não passa por voltar a Portugal”

é feita por gosto não cansa. Para mim este trabalho é diário, não há férias. É impossível não querer saber sempre mais, ler, estar informado, é impossível não pensar na ciência. Qual é a sua especialização? Acabei agora o doutoramento em doenças infecto-contagiosas. Sou especializado em Malária e é onde quero ficar. Se um dia, por algum motivo, sair da Malária então gostaria de me especializar em tuberculose, HIV ou Dengue. São áreas que me atraem muito. Qual é a maior dificuldade no mundo da ciência? A percepção de todo o sistema. É uma busca diária por fundos. São precisas bolsas de investigação e acaba por ser uma busca incessante por apoios. Há sempre aquela dúvida se as bolsas acabarem como vamos desenvolver o nosso trabalho de investigação. Pensa voltar a Penafiel? Tanto eu como outros investigadores que estão no estrangeiro gostariam de estar na sua terra com a família e amigos mas a única forma de fazer algo diferente é indo para fora. Neste momento, em Portugal nem é tanto o financiamento mas sim os maus hábitos diários de investigação a diferentes níveis quando comparados com o que se faz no estrangeiro. São precisas pessoas para dar alma à investigação. Eu gostaria muito de contribuir para a minha região mas num futuro a curto prazo a minha carreira profissional não passa por voltar a Portugal. Qual foi o seu maior desafio? Foi ter estado no Bangladesh e conhecer a realidade do país mais pobre do mundo. Quando deixamos os tubos de ensaio e entramos em contacto com a vida das pessoas, com as dificuldades diárias é muito diferente. Acaba por nos dar mais motivação para continuarmos a investigar e conseguir ajudar quem precisa. Quais os projectos para o futuro? Terminei oficialmente o meu trabalho na Suécia mas continuarei ligado. Em Março, vou para o Japão continuar o meu trabalho de investigação em Malária. Lá vamos estabelecer um triângulo entre a Suécia, Portugal e Japão com o objectivo de conciliar o melhor das três partes e fazer investigação dentro da Malária e contribuir assim para o conhecimento desta doença. PUBLICIDADE


DESPORTO

S K C A J R E B M U L CONQUISTAM

PORTUGAL

«Lumberjacks, Lumberjacks, Lumberjacks» é o grito de guerra que ecoa no Complexo Desportivo de Paredes. São quarenta e reúnem-se três vezes por semana para treinar Futebol Americano, um desporto que também já é um bocadinho europeu. por Sónia Mendes fotografia Bruno Pinto

Em Portugal são cinco as equipas e, Paredes tem uma das melhores. Os Lumberjacks, os lenhadores, começaram em Paços de Ferreira mas a «falta de apoios» levou-os até Paredes. Chegaram há quatro anos e estão para ficar.

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quipados a rigor, com material quase blindado, jogam durante três horas. Os gritos de guerra são constantes. Os nomes inscritos nas camisolas, as técnicas e as palavras de incentivo são feitas na língua de sua majestade. Quem está na bancada pode achar que é um desporto violente mas André Silva, conhecido por Bota, garante que «é um desporto de contacto, com uma agressividade totalmente controlada». André começou a jogar há cinco anos

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e nunca mais parou. Deixou o basquetebol e abraçou o futebol americano. As nódoas negras são uma realidade mas nada que não passe. «As lesões são mais no início, depois aprendemos técnicas e já não acontecem com tanta facilidade. Como eu costumo dizer ‘incha, desincha e passa’», afirma o jovem estudante de fisioterapia. ‘Bota’ sonha um dia levar o seu nome à selecção nacional ou a um campeonato do mundo. Os quarenta atletas ainda são poucos. «Os jogos duram três horas e temos

que rodar entre nós porque é muito intenso e desgastante». Diogo Ribeiro, 23 anos, estuda criminologia e é no campo que liberta o espírito. Define o desporto que pratica como «um xadrez com pessoas de peso». O trabalho de equipa é essencial para que tudo funcione. Qualquer pessoa pode praticar, no saco só tem que ter «espírito de equipa e vontade de avançar». Engane-se quem pense que este é um desporto só para homens de peso. As raparigas também são bem-vindas e


JOGADORES Se queres ser um jogador de Futebol Americano, junta-te aos Lumberjacks.

não é só para apoiar na bancada. Os Lumberjacks já contaram com duas mulheres e existe a possibilidade de organizar uma equipa feminina. Fernando Campos é o treinador e está na equipa há dois anos. Em campo é rigoroso mas as palavras de incentivo também são uma constante. Fernando já jogava futebol americano numa equipa do Porto. «Surgiu a oportunidade de apoiar o projecto e avancei», conta. O treinador de 26 anos considera que o Futebol Americano ainda é um desporto «desvalorizado». «Acho que não nos dão a atenção que merecemos. O ano passado tivemos uma liga portuguesa muito boa e não fomos muito valorizados», confessa. Jogadas e mais jogadas, todas de curta duração. Com 11 jogadores, de cada equipa, dentro de campo cada jogador tem uma tarefa atribuída para a jogada seguinte. As estratégias são complexas e as tácticas sucedem-se. O objectivo é somar mais pontos. A principal jogada é entrar na área ao fundo do campo adversário [endzone] com a posse da bola [touchdown]. O capacete, as ombreiras, protecção para anca, coxas e dentes, joelheiras e coquilha garantem a segurança dos jogadores. Material esse que ronda os 250/300 euros. Um investimento que garante a protecção durante treinos e jogos. Para o futuro, Fernando Campos deseja «conseguir estabelecer bases, em Paredes, e ganhar o apoio da sociedade». Estuda no Porto e vem três vezes por semana a Paredes treinar os Lumberjacks. Um esforço que garante valer a pena. «Sem sacrifícios não há glória e eu estou sempre disponível». A equipa de Paredes foi nomeada como melhor equipa, melhor jogador e melhor treinador pela revista Jogada do Mês. Uma distinção que agrada ao treinador mas não o deixa «a pensar nisso». «Uma t-shirt, uns calções e umas sapatilhas são o suficiente para virem experimentar», acrescenta Diogo, o Fatman. Em Paredes, no complexo desportivo, joga-se Futebol Americano.

Regras do Futebol Americano > Cada equipa tem dois grupos de jogadores: a defesa e o ataque que jogam alternadamente. Há onze jogadores para cada sistema: quando a equipa ataca, os jogadores são comandados pelo ‘quarterback’; quando defende, entram outros jogadores, com a missão de impedir a progressão do ataque adversário. > O campo tem 100 jardas de comprimento (91,4 metros). A partida é dividida em 4 partes de 15 minutos cada. > O objectivo do jogo é avançar com a bola até ao fim do campo adversário (end zone), de forma a conseguir o touchdown (ao estilo do ensaio no râguebi). > A equipa que ataca tem 4 tentativas para avançar no mínimo 10 jardas, por via aérea ou terrestre. Sempre que o conseguir volta a ter quatro tentativas para progredir 10 jardas. Se falhar, perde a bola para o adversário. Quando entra na end zone adversária concretiza o touchdown e ga-

nha 6 pontos. Além disso tem direito de tentar um ‘extra point’ que pode valer 1 ou 2 pontos, dependendo da jogada escolhida. > A outra forma de pontuar passa pela tentativa de ‘field goal’, que consiste num remate de bola parada para passar entre os postes adversários. Em caso de conversão, a jogada vale 3 pontos. Quem é o quarterback? (quadrado preto) > O ‘quarterback’ é o estratega ofensivo das equipas de futebol americano. É o líder da equipa ofensiva e tem como missão escolher e iniciar todas as jogadas ofensivas. Pode fazê-lo através de passes longos, entrega imediata da bola a um colega de equipa ou tentar, ele próprio, uma progressão em velocidade. Para ser bem sucedido, o ‘quarterback’ necessita de uma boa linha ofensiva, que tem de o proteger das investidas da defesa adversária. Caso contrário, será um alvo fácil para placagens.

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REPORTAGEM

A Solidão dói ... Solidão procura solidão e, quanto mais uma pessoa se isola mais sozinha quer ficar. A solidão passa a ser a companhia de sempre, o rosto fica cinzento cravado de sofrimento, o coração bate por bater e o dia é apenas mais um de uma tristeza profunda. por Joana Vales fotografia Ângela Azevedo Um cenário deprimente que é a triste realidade de muitos. O número de pessoas que vivem sozinhas, sem família ou companheiro(a) é cada vez maior. E esta não é uma realidade apenas das grandes cidades. Fechados entre 4 paredes olham o tempo que já foi deles, um tempo onde a idade não era desprezada. Têm filhos, netos, bisnetos mas vivem, muitas vezes, sozinhos, esquecidos por quem deram a vida. Outros, perderam os companheiros com quem partilharam todas as angustias e felicidades e, a partir desse dia, a solidão entrou pela casa dentro.

«SÃO MUITOS OS IDOSOS QUE VIVEM SEM RETAGUARDA FAMILIAR» SOLIDÃO Abandonados pelos familiares são cada vez mais os idosos que vivem esquecidos no tempo.

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«

Aproximo-me da noite, o silêncio abre os seus panos escuros, e as coisas escorrem, por óleo frio e espesso. Esta deveria ser a hora, em que me recolheria, como um poente, no bater do teu peito, mas a solidão, entra pelos meus vidros, e nas suas enlutadas mãos, solto o meu delírio» Um poema que retrata bem a solidão de Cid Cardoso. Tem 84 anos, 7 filhos, 9 netos e 8 bisnetos. Vive sozinho na casa onde todos os cantos têm memórias. Esteve casado com Maria durante 60 anos e 349 dias. Faleceu há dois anos e desde aí, uma parte de Cardoso também morreu. «Os meus filhos tratam-me muito bem mas não é a mesma coisa», diz Cardoso visivelmente emocionado. Conta-me como a mulher adoeceu e como durante quatro anos cuidou dela. «A minha mulher começou a ficar doente e deixou de andar. Durante quatro anos esteve numa cama e eu estava sempre ali ao lado dela. Vivia para ela», desabafa. Depois de Maria deixar Cardoso, a casa passou a ser muito grande e a solidão entranhava-se em tudo quanto era sítio. «Não conseguia estar todo o dia em casa. Sentia-me muito sozinho, estava sempre com pensamentos que me deixavam ainda pior, sentia uma tristeza muito grande», conta. No dia em que a solidão começou a tomar conta de Cardoso, decidiu que queria ir para o Centro de Convívio e Apoio à Juventude e Idosos de Santa Leocádia (Cecajuvi). Os filhos con-

Cid Cardoso

cordaram e Cardoso passa agora o dia com os amigos. «Aqui estou bem. Tenho amigos e vamos falando, não pensamos tanto no nosso sofrimento». O pior é quando chega a noite. «O problema é quando vamos para casa. Lá a solidão é muito grande. Dói muito entrar e não a ver. Os meus filhos levam-me a comida e estão ali a falar um bocadinho. Depois a minha companhia é a televisão». As lágrimas enchem os olhos sempre que fala de Maria e da tristeza que sente quando chega a casa. Mas, a possibilidade de ir para um Lar não lhe agrada. «Para já não. Enquanto os meus filhos me ajudarem eu vou ficando na minha casa até ao dia em que Deus decidir que chegou a minha hora». Liliana Soares é a directora técnica da instituição que dá apoio a cerca de 59 idosos. Até ela chega o conhecimento de muitos casos de solidão e de abandono por parte das famílias. Uma realidade que a revolta e que não compreende. «Há, sem dúvida, abandono por parte de algumas famílias e esse abandono é muitas vezes feito quando estão a viver na mesma casa», relata a educadora social. Liliana sabe que as festas são períodos de tristeza para este idosos. «Notamos que nessa altura quando enviamos convite para as famílias, são poucas as que estão presentes. As vezes eles [idosos] já nem querem levar porque sabem que ninguém vem».

Liliana Soares (Directora Técnica Cecajuvi)

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lcindo Florim tem 83 anos e está no Lar da Santa Casa da Misericórdia do Marco de Canaveses há seis. A morte da mulher com quem esteve casado durante 54 anos,empurrou-o para uma solidão difícil de combater. O único filho está nos EUA. Apesar de terem uma boa relação já não se vêem há dois anos. Sozinho em casa, foi uma sobrinha que o acolheu. «Estive em casa da minha sobrinha mas sabe como é, em casa dos outros não podemos fazer ou dizer o que queremos». Voltou para a sua casa de sempre mas a ausência da mulher le-

vou-o para o Lar». A solidão está amarrada a Alcindo. «Aqui tem muita gente e tratam-me bem mas sinto sempre muita solidão», afirma. «Penso muitas vezes em fugir mas para onde? Sabe, tenho muitas saudades da minha casa e da minha mulher. A solidão dói todos os dias», acrescenta Alcindo que revê as memorias emocionado. O que mais queria era «ter a mulher de volta» mas como sabe que não é possível, sonha com o dia em que o filho volte para Portugal. Alcindo Florim


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m Paredes a solidão também se faz sentir nos mais idosos. Para ajudar a combater essa dor, o município instalou cerca de cinquenta aparelhos de tele-assistência. Através de uma pulseira ou colar, os idosos podem carregar no botão e ouvir uma voz do outro lado, seja em caso de emergência seja apenas para ter companhia. «Esta iniciativa surgiu para tentar dar resposta às necessidades do concelho já que se verifica situações de isolamento, principalmente, na 3ª idade. Este é um serviço [tele-assistência] que fica 100 por cento a cargo do município, sendo que as chamadas e montagem ficam na ordem dos 15 euros por mês por cada utente», explica Hermínia Moreira, Vereadora da Acção Social da Câmara de Paredes. 8.381 é o número de idosos, do conce-

lho de Paredes, com mais de 65 anos, representando assim 10 por cento de toda a população. Segundo a vereadora, para além do projecto da tele-assistência está a ser desenvolvido um projecto intergeracional com o objectivo de combater o isolamento nos mais velhos. «Juntamente com o Banco de Voluntariado estamos a articular um projecto que envolva jovens e idosos para que estes se sintam menos sós», explica. Maria Olinda, 80 anos, vive sozinha. Solteira e sem filhos a família mais próxima esqueceu-a. É nos vizinhos que vê a família de amor. «São eles a minha família. Os meninos são como se fossem meus netos». Durante o dia vê as horas passar. É mais um dia com o terço na mão. «Estou para aqui. Rezo muito por aqueles que não têm tempo para o fa-

zer», diz Olinda. Diz que nunca usou o aparelho de tele-assistência mas o facto de saber que se precisar pode usar dá-lhe mais segurança. Carregou no botão para mostrar. Do outro lado surgiu uma voz bem-disposta capaz de afastar a solidão que ali se vive. De São Pedro – Centro Social da Sobreira- vem o carinho diário. «Elas vêm cá trazer o lanche e fazem-me sempre uma festa». Para Manuela Jorge, Presidente da direcção do Centro Social, «existem muitos casos de solidão e de abandono por parte das famílias». «A maior parte dos idosos não tem retaguarda familiar. A família existe mas não está presente», refere.

Hermínia Moreira (Vereadora Acção Social)

Daniela (Técnica), Maria Olinda, Manuela Jorge (Presidente da Direcção do Centro Social da Sobreira)

M

argarida, como quer ser chamada, tem 79 anos e vive sozinha. Os cinco filhos «têm a vida deles» e não podem estar com a mãe. «Sinto-me muito sozinha. Perdi o meu marido e os meus filhos não têm tempo para mim. É muito triste, sempre tive a casa cheia e agora sou só eu e as minhas memórias», desabafa. Ir para um lar está fora de hipótese, pelo menos para já. «Não quero ir. Aqui estou sozi-

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nha mas tenho as minhas coisas. Lá morro», conta. Os cinco filhos e os netos vivem a poucos quilómetros da casa onde nasceram e cresceram mas demasiado longe do colo de Margarida. Ainda assim, Margarida nunca diz que os filhos a abandonaram. As desculpas que arranja para justificar a ausência dos filhos são muitas. Não têm tempo, trabalham muito, querem vir mas não podem, são apenas algumas.

Tem consciência que caiu na solidão por opção dos filhos mas não quer admitir. O último desejo de Margarida «é ter a companhia dos filhos». Um sonho simples mas que pode nunca vir a ser realizado.Cid, Alcindo, Olinda e Margarida têm duas coisas em comum: a idade e a triste solidão. As crianças todos as protegem já os idosos, esses ficam esquecidos como se não tivessem mais nada para dar. Sim, a solidão dói.


As‘janeiras’

Boas noites, meus senhores, boas noites vimos dar, vimos pedir as Janeiras, se no-las quiserem dar. Viva lá, senhor António na folhinha do loureiro; viva o senhor da casa que é um grande cavalheiro. Menina que está lá dentro assentada na cortiça; dê pr’a cá uma chouriça.

Em Janeiro a música anda de porta em porta Cantar as janeiras é uma tradição que vem do tempo dos Romanos e que ainda se mantém viva de norte a sul de Portugal. No mês de Janeiro as vozes entoam para dar as boas vindas ao novo ano e afastar os maus espíritos. Com o decorrer dos anos a tradição foi passando de geração em geração e os grupos são cada vez mais diversificados. Crianças, jovens e adultos reúnemse numa só voz para dar continuidade a esta tradição ancestral. De casa em casa

Levante-se lá, senhora, do seu banquinho de prata; venha dar-nos as Janeiras que está um frio que mata. levam as músicas que ensaiaram e esperam que os donos tragam as janeiras. No passado, as janeiras representavam castanhas, nozes, maças, chouriço, morcela. Hoje em dia, por comodidade, dá-se chocolates e dinheiro. No final, quando as vozes já aparentam algum cansaço, o grupo divide o resultado ou então, comem todos juntos aquilo que receberem. Um momento de convívio que leva muita gente a afinar a voz e a distribuir música.

Vinde –nos dar as Janeiras, Se no-las houverdes de dar, Somos romeiros de longe, Não podemos cá voltar. Boas festas, santas-festas, Está a alba a “arruçaar”, Venham-nos dar as Janeiras, Que temos muito para andar PUBLICIDADE

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TRADICIONAL

Salte para o ‘cavalinho’ e dê-me um sorriso

A fotografia à moda antiga

Os tempos evoluem e a tecnologia também. Vamos acompanhando o ritmo do mundo, adaptamo-nos, trocamos o antigo pelo novo. Mas um bocadinho por esse país fora existe quem mantenha a tradição de uma boa foto à La Minuta. por Ana Silva fotografia Ângela Azevedo

A

lberto Gomes, de 76 anos, vinha ao longe em direcção à sua máquina, antiga muito antiga, como quem já está atrasado. “Vamos lá tirar um retrato à moda antiga, a preto e branco”, disse de imediato com ar de quem está mais do que preparado para o fazer. Um retratista de feira com máquina e cavalo que representa uma espécie extinta. Uma figura do passado que continua no presente. O cenário mantem-se como há cem anos atrás. A anacrónica máquina

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fotográfica e o cavalinho de madeira, estrategicamente colocado alguns metros à frente. “ A máquina é mesmo muito antiga mas o cavalinho já foi substituído algumas vezes. Este aguenta bem com duas pessoas”, diz. Em Penafiel tem o lugar cativo. É junto ao largo da feira que dispara a máquina como forma de manter recordações. Alberto percorre o país de lés a lés há 62 anos tirando retratos à la Minuta. A esposa, Iracema Rocha de 71 anos e o filho, José Gomes de 26, seguem-lhe os passos. Vivem numa caravana com liberdade para conhe-

cer gentes das terras portuguesas. O gosto veio do pai que também era retratista. Os passos de Alberto terão, certamente, continuidade. “Tenho cinco raparigas e outros tantos rapazes mas só um é que seguiu o

SEMPRE NA MODA Alberto Gomes continua a ser requisitado para fazer casamentos e eventos sociais.


HÁ 62 ANOS A FOTOGRAFAR À LA MINUTA

meu gosto”, confessa. “Retratista à Lá minuta. Deslocagem a qualquer parte do país para satisfazer feiras de antiguidades. O bom retrato à moda antiga a preto e branco e outros inventos com direito a um cache de deslocação”, é este o cartão-de-visita de Alberto Gomes. E, são muitas as festas e casamentos onde Alberto marca presença. “Já fotografei muitas figuras públicas como a Fátima Lopes, o Camacho Costa e no outro dia fiz um casamento onde estava o Teixeira dos Santos”, afirma orgulhoso. O evoluir dos tempos fez com que os retratistas à la

Minuta saíssem de moda mas na era da fotografia digital ainda há quem vá buscar novamente esta arte antiga. “Faço muitos casamentos. Faço tudo o que está na montra”, diz ao mesmo tempo que aponta para a lateral da máquina onde se pode ver fotografias com corações. Quanto a preços, esses variam conforme o tamanho. “Os dois retratos mais pequenos ficam por 10 euros e os maiores por 12 euros”. Confessa que com a crise económica a procura diminuiu mas ainda “há quem procure”.

“Já estive na televisão”, informa como prova de profissionalismo e reconhecimento. Desde dos 14 anos na alquimia dos ácidos, Alberto Gomes continua a fazer tudo à mão e no próprio momento. Do negativo faz nascer recordações que se perpetuam no futuro. Por Penafiel, Marco de Canaveses, Paredes e Amarante…o retratista à La Minuta vai continuar a marcar presença. “Faça o favor de se sentar no cavalinho, porque sem cavalo não à fotografia, para tirarmos o melhor retrato à moda antiga”.


ENTREVISTA

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CASA DOS SEGREDOS DAVID ANTÓNIO TROUXE A VITÓRIA DA CASA DOS SEGREDOS PARA BAIÃO E FOI RECEBIDO POR UM MAR DE GENTE. por Joana Vales fotografia Manuel Madureira

A

ntónio tem 29 anos, é de Baião, e ficou conhecido pela participação no reality show da TVI, Casa dos Segredos. Habituado ao ar livre e à vida no campo, António não teve problemas em estar fechado durante três meses numa casa vigiada. Um talho, uma pizzaria e um bar de alterne foram os negócios em que António tentou a sua sorte.

O SEGREDO

«O bar de alterne foi o pior período da minha vida »

Do último fez segredo e garantiu vitória. Chegou a Baião a guiar dois bois e foi recebido por centenas de pessoas. A Deusa Grega que tanto procura ainda não apareceu mas António continua atento. A Bibonorte esteve à conversa com o grande vencedor da primeira edição da Casa dos Segredos.


CONCORREU PARA PAGAR AS DIVÍDAS, REVELOU UM SEGREDO POLÉMICO E ARRECADOU A VITÓRIA. Ficou surpreendido com a vitória? Por um lado fiquei um pouco surpreendido mas quando decidi concorrer à Casa dos Segredos o meu objectivo foi sempre conseguir ganhar o concurso. Tive sempre muita fé e senti desde do primeiro dia dentro da Casa que ia ganhar. Não tive segredos para ganhar a casa dos segredos, fui sempre eu próprio. Se não tivesse ganho, quem gostaria que tivesse sido o vencedor? Qualquer um deles podia ter sido o vencedor deste programas mas se não tivesse sido eu, gostava que tivesse sido o meu amigo Zé Miguel. Quando ele saiu da casa foi complicado para mim porque éramos muito próximos.

O Zé Miguel fez questão de estar cá hoje para o receber. É um amigo para a vida? Sim, o Zé Miguel é um grande amigo que quero manter para o resto da minha vida. É como um irmão para mim. Fico muito orgulhoso de ele estar na minha terra. Do que sentiu mais saudades nos tempos em que passou na Casa dos Segredos? Senti muitas saudades da minha mãe, dos meus amigos, do meu gado, da minha terra. Foram três meses fechado dentro de uma casa e as saudades de cá de fora eram muitas. Como é o António longe das câmaras? António longe das câmaras é igual com as câmaras à beira. É sempre o mesmo António. Enquanto estive na casa nunca deixei de ser quem sou, uma pessoa simples. O que vai fazer com o prémio? O prémio já tem o dinheiro destinado. Vai direitinho para a Caixa Agrícola. Tenho uma

dívida de 125 mil euros e assim esse dinheiro vai ser uma grande ajudar para amortizar a minha dívida. É um apoio que me vai ajudar a ficar mais desafogado. Porque acha que foi tão difícil para os seus colegas descobrirem o seu segredo? Foi difícil porque é um segredo que não tem nada a ver com a minha personalidade, com a minha pessoa por isso não era evidente em mim. Foi um bom segredo que também fez de mim um bom concorrente. Quando começaram a surgir pistas sobre o meu segredo comecei a ficar preocupado e tinha que tentar sempre desviar “o bar de alterne” de mim e consegui muitas vezes. Como surgiu o bar de alterne? O bar de alterne foi uma fase muito má da minha vida e um segredo que guardei durante muito tempo. Na altura, pensei que este negócio me ia ajudar a melhorar a minha vida mas enganei-me. Foi um mau negócio que só durou três se-

manas. Chegaram a pensar que era Padre. O que acha que os levou a pensar isso? Acho que foi por verem os meus princípios, por verem que sou uma pessoa simples e verdadeira. Nunca iam associar o bar de alterne a mim porque viam uma pessoa pura. O pensarem que era padre era mais evidente do que o meu verdadeiro segredo. Algumas pessoas comparam-te ao Zé Maria do Big Brother. Acha que é realmente um novo Zé Maria? Quero deixar bem claro que eu não tenho nada a ver com o Zé Maria do Big Brother. O Zé Maria é o Zé Maria eu sou o António. São personalidades diferentes e não temos nada a ver um com o outro. Acha que contribuiu para levar o nome de Baião mais longe? Sim, de certa maneira sim. O facto de eu ser de Baião e de se ter falado do nome da minha terra enquanto estive no programa ajudou a que esta


zona ficasse mais conhecida. Como tem sido o regresso à normalidade? É a primeira vez que eu estou a pisar Baião e estou a ser super bem recebido. Em Lisboa tem sido assim, em todo o lado que passo tem sido assim. Muita gente a dar-me apoio e isso deixa-me muito satisfeito porque sinto que as pessoas gostam de mim e estão comigo. Estava à espera desta recepção tão calorosa por parte das pessoas? Não estava à espera mas estou mesmo muito feliz. Estão aqui centenas de pessoas, de Baião, de Irivo, de Vila Real, do Marco de Canaveses e até de Évora. Estou mesmo muito muito contente. Nunca imaginei um dia ter tanta gente à minha volta e dar-me os parabéns a dizerem que gostaram muito da minha prestação dentro da casa. É muito bom. Como reagiu à notícia que lhe tinham construído um telheiro para guardar os seus animais? Fiquei muito surpreendido e muito contente por saber que me fizeram uma oferta que eu precisava mesmo. Era uma grande preocupação que eu tinha porque os animais estavam ao frio e à chuva e isso não era nada bom para eles. Abrir outro negócio pode ser uma hipótese a partir de agora?

Não, abrir outros negócios está fora de hipótese seja em que ramo for. Agora quero voltar à minha vida e ir aproveitando o que surgir. Mas negócios não. Continua à procura da Deusa Grega? Estou sempre à procura da minha Deusa grega. (risos) Tem-se falado de um amor do passado que quer recuperar… Não tenho só um amor, como toda a gente tenho vários amores na minha vida. Falou-se na possibilidade de ir para a Suíça com a Andreia. Essa ideia mantém-se? Quero deixar bem claro que essa foi uma hipótese que surgiu dentro da casa dos segredos em conversa com a Andreia mas, uma vez que a vida me está a proporcionar novos horizontes, está fora de hipótese ir para a Suíça. O que vai fazer daqui para a frente? Vou continuar a minha vida normal aqui em Baião e vou ver as oportunidades que podem aparecer. Se as portas se abrirem, depois da minha vitória, quero aproveitar o que podem trazer da melhor maneira possível. Qual é o seu sonho? O meu sonho já o estou a viver. Agora é deixar continuar e aproveitar ao máximo.

José Magalhães é Presidente da Junta de Freguesia do Gôve há quatro mandatos e o apoio ao amigo David, como António é conhecido em Baião, foi incondicional. Ficou surpreendido com a participação do António na Casa dos Segredos? De início fiquei muito surpreendido porque só soube que ele ia participar no dia em que foi apresentado ao país. Depois com o decorrer do programa as minhas ideias iam no sentido que ele ia ser um dos finalistas. Com o mérito e empenho de todos, foi possível a vitória brilhante que deu nome a Baião e à freguesia de Gôve.

Alguma vez duvidou da possibilidade do António ser o vencedor da primeira edição da Casa dos Segredos? Tive receio que ele não conseguisse vencer quando deram a ajuda para construir o telheiro para os animais. Fiquei triste porque pensei que com a construção do telheiro e com o dinheiro que tinha lá dentro, esse ia ser o prémio final. Mas quando me apercebi da sua vitória tive dificuldades em conter a alegria. Foi uma óptima forma de começar o ano.

O que achou da sua participação? Conhecendo o António, que para mim é David, como conheço foi ele próprio sempre. Os momentos mais solitários que ele tinha dentro da casa eram próprios dele. Considero que teve uma óptima prestação.

Como viu o segredo do António? Para mim não era novidade, eu já sabia desse segredo. Até porque quando os segredos foram divulgados eu disse logo que aquele era o segredo do António. Eu sabia e muita gente aqui em Baião também sabia.

Acha que o António contribuiu para o conhecimento desta terra? Tenho a certeza que sim. Teve uma óptima prestação, as pessoas gostam dele e é conhecido por todo Portugal. Por isso, sendo ele mais mediático também a terra de onde ele é fica mais conhecida por todos.

Para além do António quem era o seu concorrente preferido? O Zé Miguel, sem dúvida. Se o António não tivesse ganho, gostaria que tivesse sido o nosso conterrâneo Zé Miguel.

Como acha que vai ser a vida do António daqui para a frente? Penso que o António vai ser ele mesmo, com o seu lado. Ele dá mais ao gado que tem do que a ele próprio. Certamente que não vai mudar a sua forma de ser.


DIRECTÓÓORIO AMARANTE Adesco 255431283 Alta Costura Maria França 255491684 Ápia Flores e Decoração 255437550 Artesanato São Gens 255482224 Associação a Terra dos Homens 255433954 Atlético Clube de Vila Meã 255735116 Banda Musical de Amarante 255425591 Bebé Automóveis 255440677 Bordados Bordalix 255491386 Brincalay 255437866 C.P.S. 255437820 Café Espanhol 255491923 Cardoso & Peixoto 255432878 Casa dos Arraiolos 255496835 Princesa do Tâmega 255432182 Tâmega Club 255432552 Doçaria Mário 255424044 Singer 255432517

BAIÃO Acribaimar 255542309 Arquipeme 255552604 Associação Empresarial de Baião 255541689 Auto Barreiro 254882841 Auto Reparadora Baionense 255541105 Baião&Madureira 255551018 Carrosel d ´arte 254888031 Casa da Juventude de Chavães 255542984 Cecajuvi 255551920 Cooperativa Cultural de Baião 255542246 Dolmen Artesanato 255542311 MARCO DE CANAVESES Academia 7 255535349 AEMarco 255539210 Alpendutex 255611811 Altino´s formação de condutores

255589380 Associação de Solidariedade A Telha 255534393 Auto Serão 255580720 Bébétêxtil 255539710 Best Clothes 255611113 Cantariarte 255619657 Caradonna 255532769 Discoteca Mima 255532365 Eiró Seguros 255511936 Florista Albertina Monteiro 255532634 Irmãos Lourenço 255531585 PAREDES Academia de Estudo de Baltar 224153034 Acção Continua 255781387 Água é vida 255783003 Auto Pneumática 255781041 Bricoparedes 255780380 Brochado & Paulo 255783757 Caffécel 255781030

Clínica Podologia de Paredes 255784761 Criados Mudos 255871295 Equilibrio Total 255783513 Body Place 255777282 PENAFIEL Academia de Estudos Luís de Camões 255215656 Associação Coro Gregoriano 255723535 Associação Empresarial de Penafiel 255712730 Caricy Arte 255733179 Clube de Basquetebol de Penafiel 255723108 Exacta e Jóia 255212117 Fatinela 255212117 Filomarketing 255718050 Forum di Donna 255215283 Ibéria Records 255215176 Vanity 919606460 Madu Cabeleireiros 255213315 PUBLICIDADE

Um Sabor com Requinte

Venha conhecer esta casa que é muito mais do que um restaurante.

O restaurante Albufeira do Tâmega espelha a gestão de um rosto humano que se caracteriza pela experiência com cartas dadas no mundo da restauração. Empreendedor e dinâmico, Álvaro Gil contou sempre com o apoio da esposa e de uma equipa de profissionais qualificados e juntos fizeram a mudança e garantiram o sucesso. Depois do Relax Burguer, do Relax Snack e do Relax Rio surgiu a necessidade de lançar um espaço diferente. Há um ano, a cidade de Marco de Canaveses ficou mais rica no que à gastronomia diz respeito. Com vista para o rio Tâmega foi possível criar um espaço único para os apreciadores

de qualidade. Um restaurante moderno e elegante, acolhedor e convidativo a todos os que passam. Os três ambientes d i s t i n t o s v ã o d e e n c o n t ro à s necessidades dos diferentes tipos de clientes. Camaleão como ele só, o Albufeira do Tâmega consegue reunir a brisa do rio, apetecível no Verão, e o calor da Lareira tão desejado nos meses frios de Inverno. A variedade é o cartãode-visita desta casa única no Marco de Canaveses. A selecção de marisco é diversa e o peixe fresco marca a diferença. À qualidade da oferta junta-se ainda uma garrafeira de elevado recorte.

Rua Rainha D. Mafalda - S. Nicolau Marco de Canaveses | Tel :: 255 534 420


Um desfile com Alma

O T-Bowling, no Marco de Canaveses, foi o espaço que reuniu numa só noite moda, glamour, beleza e diversão. Mais de 800 pessoas deixaram-se envolver pelo espírito do mundo da moda e assistiram ao desfile apresentado por Raul Gonçalves, actor da primeira série dos Morangos com Açúcar. Os modelos que iluminaram a passerelle foram seleccionados entre centenas de adultos e crianças num casting promovido pela Agência Space Milan Models. O pronto-a-vestir Charme destacou a colecção Outono/Inverno com marcas tão conhecidas como a Guess Jeans, Guess by Marciano, Naf Naf, entre muitas outras. A Masterline revelou as tendências desportivas através da marca Joma. As cores, os tecidos e as formas cativaram a assistência

que se mostrou fiel ao longo de todo o desfile. Liso ou encaracolado, solto ou apanhado, os cabelos esvoaçaram a cada movimento. Lurdes Cabeleireira fez do cabelo uma exposição de beleza. A maquilhagem e todo o trabalho estético ficou nas mãos de Beauty Stetik and Spa. Na plateia esteve presente uma personalidade bem conhecida do público, Zé Miguel, ex-concorrente da Casa dos Segredos, que fez questão de assistir ao desfile e até deu alguns autógrafos. Na Copacabana Gelataria e Creperia os modelos deliciaram-se com as especialidades da casa. No final do desfile a noite continuou animada num ambiente de pura descon-

Zé Miguel marcou presença.


PUBLIREPORTAGEM

Organização: tracção e lazer, já habitual no T-Bowling. Jogos, serviço de mesa, bar, música ao vivo todas as quartas-feiras, karaoke, noites temáticas e tardes de matiné aos domingos são apenas alguns dos serviços que pode encontrar no T-Bowling no Marco de Canaveses.

T-BOWLING: Zona Industrial - Tuías | 918 413 640 CHARME: R. Amália Rodrigues,157 |255 532 864 MASTERLINE: Rua Manuel Pereira Soares, 323| 255 105 928 BEAUTY STETICK & SPA: R. Amália Rodrigues,185| 917 155 528 LURDES CABELEIREIRA: R. Eusébio da Silva Ferreira,8 | 255 521 930 COPACABANA: Av. Gago Coutinho,193| 255 523 280 Fotografias:

Imagem de Luz

Charme pronto-a-vestir


REPORTAGEM

GEOCACHING

“ Caça ao Tesouro” «HÁ QUEM FAÇA CENTENAS E ATÉ MILHARES DE QUILÓMETROS PARA ENCONTRAR UMA CACHE» O ‘geocaching’, já é praticado por cerca de dez mil pessoas em Portugal. O mundo rendeu-se a esta nova forma de aventura. Podemos chamar “caça ao tesouro” dos tempos modernos já que os praticantes, os geocachers, procuram o tesouro, a ‘cache’, com a ajuda de um sistema de navegação que é o GPS. A Bibonorte foi à procura deste tesouro. por Sónia Mendes fotografia Ângela Azevedo


A

ndam em volta de coordenadas e seguem as indicações de um mapa moderno. Procuram o tesouro escondido e encontram outros desconhecidos. Fazem quilómetros à conta de uma aventura. Pelo caminho, acrescentam à lista terras que não conheciam, paisagens de cortar a respiração, lugares de encanto. Para Agostinho Ferreira, geocacher desde2007, o verdadeiro objectivo é a descoberta de locais novos com interesse histórico, cultural e paisagístico. Qualquer pessoa pode entrar no jogo e apenas necessita de um GPS, a inscrição na página de internet que disponibiliza as coordenadas das ‘caches’ e muito espírito de aventura. Em Portugal já existem mais de dez mil praticantes. Quem não conhece este jogo dos tempos modernos não se apercebe da procura pelas caches, muitas vezes, em sítios de grande movimento. Os geocachers têm que ser discretos. Agostinho, que usa como ni«O GEOCACHING ckname É VICIANTE. sherlock, já enconQUANDO SE trou 627 COMEÇA É caches e para ele DIFÍCIL PARAR» o mais interessante é a «partilha de locais de interesse que existem pelo mundo fora». Graças à Caça ao Tesouro, já encontrou locais que nunca pensou conhecer. Manuel Alves, o Eter Lusitano, é geocacher há 5 anos. Já encontrou 3000 caches e tem 210 colocadas na zona do Tâmega e Vale do Sousa. «Tenho algumas caches escondidas no Marco de Canaveses, Baião, Felgueiras. Têm de ser colocadas em sítios estratégicos. Tenho sempre cuidado de colocar em locais em que os geocachers para as encontrarem tenham que ver ou os monumentos ou as paisagens», explica Manuel.

aquela ‘cache’ deixam o registo da data, nome do ‘geocacher’ e comentário sobre a descoberta. “Podemos encontrar pequenos brindes e deixar outros em substituição”, explicou o ‘geocacher’. Mas existem também outro tipo de brindes, as chamadas ‘geocoins’ ou ‘travel bugs’. Segundo Manuel, estes objectos podem ser retirados da ‘cache’ mas, ao contrário dos outros brindes, estes itens têm de ser deixados em outras ‘caches’. O geocaching reúne assim o gosto pela aventura, a natureza e a descoberta de locais que fazem parte do «turismo encapotado». Os geocachers ficam assim a conhecer o melhor de cada local onde vão à procura de um tesouro que não é mais do que uma aventura.

Manuel Alves e Agostinho Ferreira

Desconhece ao certo o número de praticantes existentes na região, mas afirma que “cada vez há mais”. Espanha foi o local mais longínquo onde foi “de propósito” para uma fazer ‘cachada’, mas garante que há quem faça centenas e até milhares de quilómetros. Quando vão de férias vão sempre ver as coordenadas. «Antes de ir vou sempre ao site ver. Já viu o que era irmos e depois ver que estivemos mesmo perto de uma cache e não a encontramos?», diz Sherlocks. «Quem está neste jogo não consegue ir para lado nenhum sem o GPS. É muito viciante» acrescenta Manuel Alves. Os ‘geocachers’ procuram caixas que podem ter os mais diversos tamanhos e formatos. Segundo Manuel, lá dentro encontram um ‘log book’, que “pode ser um pedaço de papel, um bloco de notas ou um livro”, onde as pessoas que encontraram

NÚMEROS Em Portugal existem mais de 10.000 Geocachers. PUBLICIDADE


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VIDAS Elvio Santiago tem 20 anos e uma história de vida que lhe dá a maturidade de muitos mais. Ficou conhecido pela música «Vou-te deletar do meu orkut», divulgada pelo humorista Herman José, mas a vida DESTE JOVEM PAREDENSE nem sempre foi um mar de rosas. por Joana Vales

E

Elvio Santiago A Infância Sofrida 34

BIBONORTE . JANEIRO . 2011

lvio nasceu numa família de ex-reclusos com um historial de droga e aos 3 meses foi adoptado. Vítima de múltiplas chantagens por parte da mãe biológica, Elvio cresceu entre uma mãe que o rejeitava e uma mãe adoptiva que o amava. Apesar da infância difícil, o jovem de Paredes lutou e conquistou o sonho da música. É da música que quer fazer modo de vida mas não põe de parte a vontade de voltar a estudar, de tirar um curso. Das críticas, das «brincadeiras de mau gosto» e do passado fala com alguma dor. Elvio abriu o livro da sua vida sem receio. «Nasci numa família muito pobre mesmo. Tínhamos muitos problemas económicos e não só. Os meus pais e quase toda a minha família mais próxima são ex-reclusos», conta. Aos três meses foi adoptado por um casal «que não podia ter filhos». «Sei que uma vez a minha mãe adoptiva foi à mercearia e estavam a falar da minha família e de mim. Disseramlhe que ela me podia ajudar já que os meus pais não tinham condições para me criar». E assim foi. Aos três meses Santiago deixava os pais e os irmãos e ia para uma nova família. Mas a mãe biológica não facilitou a saída. «Foi


«Os meus pais biológicos e

quase toda a

minha família mais próxima são ex-reclusos» muito complicado porque ela era muito interesseira e fazia muita chantagem. Se a minha mãe adoptiva não lhe desse o que ela queria, ela dizia que me tirava», recorda. Aos 15 anos as chantagens já não o afectavam tanto. «Aí já me impunha e não cedia ao que ela queria». Hoje, com 20 anos fala para os pais adoptivos mas não tem «nenhuma relação de amor com eles». «O meu pai separou-se da minha mãe há cinco anos e entretanto ela arranjou um companheiro de quem teve as minhas irmãs gémeas. Se eu passar na rua pelo meu pai tenho aquela conversa de conhecidos mas sempre muito distante. Quando ele me pede dinheiro eu não dou mas se for comida até dou. Não sinto amor pelos meus pais biológicos», confessa. Uma rusga a casa dos pais levou 16 pessoas presas por posse de droga. Nessa altura os nove irmãos foram para casa dos pais adoptivos. «Quando a minha mãe foi presa os meus irmãos estiveram em casa dos meus pais

adoptivos mas depois a família começou a inventar coisas e eles foram para outros familiares onde o ambiente era mau», conta. É com os pais de coração que tem contado em todas as lutas que foi travando na vida. Foram eles que lhe deram colo, mimo e o ajudaram a realizar o sonho de ser cantor. «Os meus pais sempre me apoiaram. São eles que me têm ajudado em tudo. Tenho muito orgulho em ter crescido com eles», desabafa. Elvio Santiago considerase «uma pessoa simples, sem manias e super normal». Hoje diz ser feliz e ter tudo o que precisa. «São poucas as vezes em que sou adulto mas são mais as vezes em que sou criança», diz com uma gargalhada. A música surgiu quando era pequeno. Aos 4 anos já «cantarolava aqui e ali» mas foi aos 15 que decidiu que queria a música. «Estabeleci contac-

to com alguns artistas e consegui um valioso, o do Alexandre Faria. A partir daí gravei o tema ‘Amar como Jesus Amou’ de José Cid e depois gravei também um tema em versão masculina de Ana Malhoa. Em 2007 gravei o tema ‘Voute Deletar do meu Orkut’». E foi com este último tema que Elvio saiu do anonimato e começou a conquistar um lugar no mundo da música. Herman José deu uma ajuda com a promoção da música no programa da SIC “Roda da Sorte”. A divulgação levou ao reconhecimento mas também a duras críticas. «Com esse tema fui muito criticado e alvo de brincadeiras maldosas. A Antena 3 fez críticas muito pesadas à minha música, no youtube um grupo de jovens fez um vídeo a gozar com a música e com o artista e alguns comentários magoaram-me imenso», revela Elvio Santiago.

«Não sinto amor pelos meus pais biológicos»

Com o tempo foi aprendendo a «lidar com isso» e em 2009 lançava o tema ‘Vou-te bloquear do meu hi5’. No início confessa que a música não lhe dizia nada. «Não gostava da música do Orkurt mas teve sucesso. A ideia de fazer uma segunda versão, mais portuguesa, foi minha». Santiago diz-se apreciador de música ligeira e latina. «Gosto de tudo o que dê vontade de dar um pezinho de dança». Apesar dos espinhos que foi encontrando na vida, Elvio Santiago conseguiu mostrar força e talento. A preparar um novo álbum, o jovem paredense vai dando música. 2011 promete ser um ano de projectos também com a participação como figurante especial na novela da TVI, Espírito Indomável.

MÚSICA Elvio ficou conhecido pela música ‘Vou-te deletar do meu orkut’ e contou com o apoio de Herman José.


REPORTAGEM

CASAR

inverno

no

Com muitos ou poucos convidados, moderno ou tradicional, o casamento continua na moda. Porque permite anunciar a felicidade, porque se tornou a consagração do casal e do sentimento amoroso, o momento do enlace fica registado para o resto da vida. por Teresa Pires fotografia Ângela Azevedo

A palavra crise entra-nos pela casa dentro todos os dias. É tema de conversa, é motivo de depressão. O melhor é deixar-se envolver na bolha do casamento e experimentar este antídoto que nos dá uma promessa de eternidade no século do efémero. Casar de Inverno pode ser uma boa solução para fazer um casamento mágico e poupar algum dinheiro.

P

edro e Marília conheceram-se há um ano. Casaram no dia 31 de Dezembro de 2010 com uma festa surpresa. Só os pais é que sabiam que o dia era de casamento. Os amigos, esses pensavam que iam para uma festa surpresa ao noivo dado que este tinha terminado o doutoramento. O tema escolhido foi o Moulin Rouge. A noiva não quis um casamento tradicional. O vestido curto, preto e branco e os acessórios vermelhos são prova disso. «Nunca idealizei o casamento de forma tra-

Marília e Pedro

36

BIBONORTE . JANEIRO . 2011

NAS QUINTAS De Inverno consegue-se poupar entre 10 a 15 euros por pessoa.

dicional. Por isso também decidimos que ia ser assim, diferente e alternativo», diz Marília. Casaram apenas pelo civil, às 10h30 do dia 31 de Dezembro, com os pais como únicas testemunhas. «Teve que ser cedo porque de tarde a conservatória estava fechada», diz Pedro enquanto solta uma gargalhada. Os amigos foram ter ao Bar, em Penafiel, como estava combinado. Chegaram, viram o vídeo dos melhores momentos dos dois, e souberam que afinal estavam num casamento.


A

Elisabete Pinto

E

lisabete Pinto e Hugo de 28 e 30 anos conheceram-se há quase quatro anos. Foi um amigo em comum que os apresentou. As primeiras conversas faziam adivinhar o que se seguia. «Nessa noite falamos imenso. Havia sempre tema de conversa entre nós. Passado 15 dias começamos a namorar. Senti que foi a outra metade de mim que apareceu», conta Elisabete com a felicidade estampada no rosto. Vivem juntos há dois anos e o pedido de casamento veio em Agosto. «Um dia fomos ao Porto e estávamos a passear na praia. Ele ajoelhase, tira o anel e pede-me em casamento». Hugo fez tudo como manda a tradição. Porque hoje o casamento deixou de ser uma obrigação e passou a ser um desejo. Com o anel no dedo e a certeza de que queriam partilhar o amor para o resto da vida, começaram os preparativos. A quinta foi a primeira preocupação. «Quando começamos a procurar, se fosse para o Verão, já só havia disponibilidade para 2012. A quinta que gostamos tinha em Fevereiro, então decidimos por essa data». Confes-

sa que o facto de «ser mais barato» também foi tido em conta. «Acaba por ser muito vantajoso porque oferecem os mesmo serviços que no verão mas a preços mais reduzidos. Fazem quase um desconto de 10 a 15 euros por pessoa. O que poupamos na quinta já pode ficar para a ajuda da Lua-de-mel», diz Elisabete. O frio não assusta Elisabete que acredita que «no Inverno o casamento até tem mais magia e as fotografias ficam mais bonitas». Gosta de ser chamada de «noiva de Inverno» uma vez que as pessoas a apelidam de «corajosa». Apesar dos pais de Elisabete e de Hugo estarem divorciados, o jovem casal continua a acreditar no amor e que o casamento é para o resto da vida. «Acreditamos que o casamento é para sempre mas é claro que tem que haver um esforço dos dois lados para nos compreendermos e nos adaptarmos um ao outro». É na Igreja de Sobretâmega, no Marco de Canaveses, que vão casar. As 14h00 os 110 convidados vão estar presentes para testemunhar o amor dos dois.

ndreia e Jaime, de 25 anos, namoram há 6 e decidiram dar o grande passo no dia em que festejam o aniversário de namoro. 5 de Fevereiro é a data em que vão reunir 250 convidados na Igreja de S. Miguel, em Entre-osRios. O desejo de casar já vinha há algum tempo mas quiseram primeiro acabar o curso. Ela é economista, ele engenheiro de segurança no trabalho. A viagem a Veneza tinha um propósito para Jaime: pedir Andreia em casamento. E foi no meio da ponte de Rialto que Jaime pediu à sua cara metade que ficasse ao lado dele todos os dias das suas vidas. Casar foi um passo que consideraram necessário. «Chega a uma altura da vida que temos de definir etapas e este passo fazia todo o sentido. É um contrato, uma responsabilidade», afirma Jaime. Confessam que sempre desejaram casar de Inverno. «É muito mais romântico

Andreia e Jaime

casar de Inverno do que de Verão», diz Jaime. Sendo Andreia economista o facto de casar no mês em que começou a namorar com Jaime é uma «grande vantagem». «Como temos um restaurante sabemos bem que com o calor há certas comidas que não ficam tão boas, as bebidas ficam sempre quentes e com o calor as pessoas nem estão tão bem. E para além disso, a nível de quintas, fotografo, floristas, temos mais oferta e a preços mais reduzidos». Para o futuro têm muitos planos. Ter um filho e adoptar outro é um dos desejos. O casamento é assim uma equipa. A sombra do divórcio já não arrefece os candidatos ao «amor para sempre». O casamento já não é considerado uma prisão mas sim um quadro protector, que oferece a melhor segurança em caso de tempestade. Sim, o casamento ainda está na moda.


CCOORDENADAS

Nas Encostas do Rio Douro Até lá chegar absorva o mais que puder. Deixe a paisagem invadir os seus olhos e sinta a brisa do rio douro. por Ana Silva fotografia Manuel Madureira

D

obra-se e redobra-se. Corta-se e recorta-se. Assim é a brincadeira ente a terra e a água. Chegamos a Cinfães e o ondular das águas do Douro fazem-nos ir ao encontro da Estalagem de Porto Antigo. É numa antiga casa senhoral, que pertenceu ao explorador africano Serpa Pinto, que encontramos um momento de lazer que se estende por todo o nosso corpo. Renovada e com uma decoração moderna oferece o conforto necessário para uma estadia inesquecível. Viver o Bom O bar convida a apreciar o bom da vida e a relaxar. Deixe-se ficar por este recanto que transpira ambiente. As luzes, as cores de fogo, as imagens e o silêncio fazem querer ficar mais um pouco. Sente-se, leia

um pouco ou simplesmente olhe. O Olhar As amplas janelas fazem o corpo ceder ao descanso e desfrutar de um rio que se mistura com o verde envolvente. Um repouso que dificilmente esquecerá. Os 23 quartos oferecem um ambiente mais intimista com uma vista esplêndida para a albufeira do rio. Momentos de pausa que acolhem os desejos mais escondidos. A varanda aberta toca o infinito e os raios de sol dão-nos os bons dias com toda a energia necessária para aproveitar tudo o que for possível. Degustação Perfeita Mas há mais prazer que é revelado nos sabores mediterrânicos a provar no restaurante do hotel. A boa gastronomia re-

gional toca-nos a boca com um paladar único. Um por do sol visto daqui pode ser a melhor companhia para um jantar memorável. Aventura Venha de barco e pare na marina fluvial. Por terra ou por rio o que interessa é chegar. No Verão o ambiente é de festa. A piscina, as actividades aquáticas, as caminhadas mantêm viva a diversão. No Inverno desfrute da paz e da tranquilidade. Passe pelo pequeno rio Bestança, o segundo menos poluído da Europa, e sinta a natureza no seu pleno esplendor. Mantenha o corpo em forma. Use e abuse do ginásio. Depois prepare-se para regressar ao universo real com a energia renovada, após uma massagem relaxante. Aproveite e desfrute o bom da vida.


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Feche os olhos e sinta o vazio da calma e da tranquilidade A sensação de fuga e prazer é o refúgio secreto.

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ARTIGOS DE OPINIÃO

HIPER (DES)ACTIVIDADE

O”

“ A INTOLERÂNCIA AO COMPORTAMENT

Hoje em dia ouvimos falar de forma mais ou menos sensacional, como boato popular, o termo Hiperactividade. Parece tratar-se de falta de conhecimento ou de cultura populacional e técnica, na medida em que constatamos diariamente à vulgarização do conceito supramencionado. Falar de Hiperactividade, não é só falar de falta de limites ou de regras. É sim, abordar com delicadeza o comportamento da criança ou a postura dos educadores na relação com a criança. Neste sentido seria fácil realçar os modelos educativos utilizados na actualidade, onde a falta de tempo para educar e ensinar, e a gratificação de carinho, regras e afecto surgem recompensados com o materialismo que tanto classifica o século XXI. Pois é, mas esse materialismo que muitas vezes serve de solução para desculpar a impaciência ou até o aborrecimento do choro de uma criança culmina muitas das vezes em comportamentos abusivos e desobedientes demonstrados por estes. Este é o fulcro da questão, pois a educação não se compra nem se vende, simplesmente se dá quando também nós a conseguimos dar. Este, é então o momento onde a intolerância de determinados comportamen-

tos que a criança manifesta, ou porque não ouve o “Não”, ou porque sempre que chora lhe dão o que quer ou porque apenas é prendado para não incomodar, dá lugar à impossibilidade de os progenitores conseguirem controlar os seus comportamentos, sendo facilmente colmatado como tratando-se de Hiperactividade. Aqui recorre-se então ao boato popular de que os “ miúdos” sobre o qual os adultos não têm o mínimo controlo, são todos hiperactivos, sendo na verdade carentes de regras, limites e educação. Neste sentido, a importância dos técnicos indicados emerge como a cura e compreensão de tal comportamento demonstrando a sua omnipotência. A excitação motora, ou a manipulação das figuras parentais, ou a desconcentração nas actividades exigidas a estes “miúdos” não serve por si só como desculpa aos erros educativos que hoje em dia vamos assistindo, mas sim, como o mais usual para recorrer aos técnicos no sentido de eles próprios concertarem aquilo que de mal se vai vivendo e partilhando no dia-a-dia de todos nós.

José Carlos Freitas

( Psicólogo Clínico )

DISLEXIA E AGORA? A dislexia é uma perturbação neurológica da capacidade de leitura, para a qual até à data ainda não foi desenvolvida nenhuma “cura”. A oferta terapêutica existente é o treino e desenvolvimento de competências no sentido de contornar o problema. Para um disléxico a leitura deste texto pode ser uma tarefa árdua, ao ponto de chegar exausto ao fim. O disléxico não possui nenhum atraso ou comprometimento a nível intelectual, visual ou auditivo, muito pelo contrário, por vezes apresenta aptidões bastante desenvolvidas em certas áreas do raciocínio. No entanto manifesta uma incapacidade neurológica ao nível do processamento dos sons das palavras, trocando, por exemplo, o pre por per, o nh por lh, o ch por x ou j, e também algumas letras como o b pelo d, o t pelo p, etc. Muitas pessoas vivem a vida inteira sem saberem que padecem deste problema. Passaram uma infância escolar dolorosa em que não foram capazes de acompanhar o nível de leitura dos colegas, sendo muitas vezes estigmatizados, gozados e frustrados,

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BIBONORTE . JANEIRO . 2011

daí grande parte das vezes manifestarem um baixo desempenho escolar. Imagine a tarefa de responder a uma pergunta de interpretação sobre um texto quando se demora imenso tempo a ler o mesmo, de seguida ter que organizar o pensamento/resposta e escrevê-lo, com uma consequente enorme dificuldade na escrita. Complicado, não é? Os seguintes sinais de alerta, entre outros, devem ser tidos em conta, quando se demonstrarem desajustados ao desenvolvimento do aluno: atraso na aquisição da linguagem; dificuldade em construir frases com sentido, memorizar canções infantis e em aprender algumas letras; factores hereditários; dificuldade em associar letras a sons; bastantes dificuldades na leitura; muitos erros na escrita. Cabe aos pais e educadores ter especial atenção no sentido de perceberem quando estão na presença de um caso de dislexia, procurando de seguida apoio especializado.

Rui Madureira

( Psicólogo )


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BIBONORTE . JANEIRO . 2011

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ACONTECE ESTE MÊS

BIBO DESTAQUE

Cantadores de Janeiras A tradição mantém-se com os cantares de Janeiras um pouco por toda a região.

AMARANTE 7 a 8 de Janeiro MEMÓRIAS E DESAFIOS Comemoração do aniversário 25 anos de história da Serra do Marão 10 de Janeiro CINEMA “O castelo andante” 10h00 Biblioteca Municipal 12 de Dezembro HORA DO CONTO 10h15 Biblioteca Municipal 14 de Janeiro CINECLUBE “Presente de Morte” 21h30 Cinema Teixeira de Pascoaes 15 de Janeiro CINEMA “Viagens ao centro da terra” 15h00 Biblioteca Municipal 17 de Janeiro CINEMA “Abelha Maia 1” 10h00 Biblioteca Municipal 26 de Janeiro TEATRO “Teatro de Fantoches na Biblioteca” 10h15 Biblioteca Municipal 29 de Janeiro VII ENCONTRO DE CANTARES DE JANEIRAS Tâmega Park

BAIÃO 4 a 16 de Janeiro EXPOSIÇÃO “Os grandes protagonistas do nosso passado” 18h00 Posto de Turismo

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BIBONORTE . JANEIRO . 2011

5 de Janeiro CANTAR DOS REIS 22h00 Praça do Município 21 de Janeiro LIVRO Apresentação do Livro “Assembleia da República - da Constituinte à Actualidade” José António Costa Ferreira 17h00 Paços do Concelho de Baião 29 de Janeiro CANTADORES DE JANEIRAS Encontro concelhio de Cantadores de Janeiras 21h30 Mosteiro de Santo André de Ancede

MARCO DE CANAVESES 9 de Janeiro 24º ENCONTRO DE CANTARES DE JANEIRAS Organização do Rancho Folclórico 15h00 na Casa do Povo de Vila Boa do Bispo 9 de Janeiro CONCERTO DE ANO NOVO Coros/Ballet/Orquestra Artâmega 16h00 no Auditório do Centro Paroquial de Fornos 15 de Janeiro APRESENTAÇÃO DO LIVRO “SONETOS” “Palavras Agridoces” de Osvaldo Pinho 15h00 Auditório Municipal 19 de Janeiro AUDIÇÃO DA CLASSE DE PIANO Artâmega 18h00 Centro Pastoral de Vila Boa de Quires 24 a 29 de Janeiro SEMANA DAS CORDAS E DAS TECLAS

Artâmega Centro Pastoral de Vila Boa de Quires 25 de Janeiro CORTA-MATO INTER-ESCOLAS MUNICIPAIS 10h00 Complexo do Estádio Municipal 29 e 30 de Janeiro FINS-DE-SEMANA GASTRONÓMICOS 29 de Janeiro ESCOLAS MUNICIPAIS DE FUTSAL 09h30 Escolas Municipais de Fornos, Várzea de Ovelha e Aliviada, Santo Isidoro, Vila Boa de Quires, Favões, Várzea do Douro, Magrelos e Sande. 29 de Janeiro INAUGURAÇÃO DE EXPOSIÇÃO “Anne Frank – Uma história para hoje” 16h00 Escola Secundária do Marco de Canaveses

PAREDES 3 de Janeiro a 1 de Fevereiro EXPOSIÇÃO DE PINTURA “Paredes meias com a Maça” Arnaldo Macedo Câmara Municipal de Paredes 15 Janeiro Teatro ao Palco “O Fantasma de Elizabete” Grupo de Teatro Amador de Sobrosa 21h30 Salão da Junta de Freguesia de Rebordosa

PENAFIEL 1 a 31 de Janeiro EXPOSIÇÃO “Deixem-me observar as estrelas”

Eduardo Luís Chaves 5 de Janeiro OFICINA DE LEITURA “Avós contam contos” Biblioteca Municipal 6 a 20 de Janeiro Cantar as Janeiras 8 de Janeiro EM FAMILIA NA BIBLIOTECA “O yoga do riso” Biblioteca Municipal 8 de Janeiro EXPOSIÇÃO “Eurico- Surrealismo e Zen” Eurico Gonçalves Museu Municipal 12 de Janeiros SÉTIMA ARTE “Por água abaixo” Biblioteca Municipal 19 de Janeiros SÉTIMA ARTE “Madagáscar 2” Biblioteca Municipal 21 de Janeiro LITERATURA “Uma vida como tantas outras” Daniela Cunha Alves 26 de Janeiro SÉTIMA ARTE “Histórias de vegetais” Biblioteca Municipal


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BIBONORTE_03  

A BIBONORTE foi conhecer o vencedor da Casa dos Segredos, António.