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simples objeto de locomoção. Um acoplamento que casa perfeitamente com a habilidade e agilidade de remar, e que vai se direcionando com auxílio da quilha. Lá vai o canoeiro pegar mais um banzeiro... Nas águas barrentas minha canoa passa fazendo caminhos; O trem de todas as horas vai e vem e a cuia tira a água que sempre tem. O curumim é habilidoso na arte de remar, afinal isso não é pra qualquer um, tem que ter afinidade e praticar muito. No meu rio minha canoa vai a passeio ou a negócio; ela é a identidade do ribeirinho. SAI DAQUI MENINO - COISAS DE MENINO DO MUNICÍPIO DE NHAMUNDÁ A equipe do PROCHUVA avança para a comunidade Sapucaia de Cima no período da seca. Em virtude disso nosso possante quarentão ficou impossibilitado de entrar no igarapé que dá acesso à localidade. Nosso experiente piloteiro ficou às margens do lago do Aduacá enquanto o restante da equipe encarou cinco horas e meia de ida e volta na pernada até à comunidade, e ainda tivemos 10 minutos de carona em uma canoa que suportava duas pessoas e éramos três. Conosco havia o comunitário que nos arranjou o casco para atravessarmos um laguinho de 400 metros de extensão e um metro e meio de profundidade até o tucupi de jacaré; e dos grandes. Mas de acordo com as providências divinas, deu pra chegar por volta de 11h30min a uma casa isolada, onde fomos recebidos por um casal muito simpáticos que nos deram água, e aproveitamos para descansar um pouco debaixo de uma árvore. Foi aí que o Sr. Julinaldo nos fez o convite de almoçarmos junto com eles. Em virtude de não termos levado comida por causa do peso, porque no almoço oferecido tinha até guisado de carneiro e para não fazer desfeita, aceitamos. Assim, deixamos o tucunaré assado de lado e preferimos comer o guisado, que por sinal estava uma delícia. Ao final agradecemos ao casal e elogiamos a refeição... Mas, um curumim de nove anos, filho do casal, abriu a boca e disse: - “É... o papai achou o carneirinho enforcado em rede de malhadeira ontem e ele já tava fede!”. Seu Julinaldo imediatamente disse: “nada curumim, sai daqui menino. Mulher, leva esse menino daqui, tá se metendo na conversa de gente grande”. Nós fingimos que não ouvimos nada, agradecemos por tudo e saímos em direção ao nosso objetivo. O mais interessante era a cara dos pais do curumim olhando pro pestinha depois que ele falou aquilo. Realmente o que vale é a intenção, e a carne tava realmente saborosa.

Umas e outras do beiradão  
Umas e outras do beiradão  

Autor: Arivelto Marical e Paulo Cabral Barboza Junior

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