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um transporte fluvial comum. Junto com aqueles passageiros havia sonhos, esperanças e a certeza de dias melhores. No leme o comando traz a segurança, Uma conversa informal, um dominó pra distrair. O caboclo pensa na Maria que deixou no tapirí com os curumins. O barquinho vai cortando águas. Na imponência das bandeiras ele vai à procura de um grande ajuri que a hora é chegada. Lá vai o barquinho; grandioso é o sonho da tua tripulação. Ainda acenam fazendo que está tudo bem. Vão senhores de seus tempos a procura de novos tempos, novas águas, novos sonhos.... É como dizem por lá: inté mais ver.

LAVADEIRAS DA BEIRA DO RIO As lavadeiras da beira do rio são sorridentes e bem dispostas. Mas não é nada fácil lavar baciadas de roupas usando a força dos punhos. Entretanto é comum ver homens e mulheres, cuidando de suas vestimentas; se não é cantando é assobiando. O importante é lavar o cueiro sujo do menino novo e a roupa suja do trabalho no campo. Na maioria das comunidades onde ainda não tem distribuição de água canalizada, as lavadeiras esfregam, escovam e dão porretadas com seus famosos porretes; a água do rio faz o resto, levando para bem longe o que foi lavado. As lavadeiras também lavam sonhos e estendem esperanças de dias melhores, afinal nunca se sabe o que tem dentro dos rios. Assim fica registrado que as lavadeiras da beira do rio são mães e filhas da Amazônia, gente que cuida de seus afazeres domésticos. São felizes assim, demonstrando asseio apesar do estilo de vida humilde. Simpáticas, elas nos desejam boa viagem e deixam em aberto o dia em que quisermos voltar. Nos despedimos desejando sucesso e força para enfrentar o dia-a-dia de ser lavadeiras da beira do rio. O TREM DE TODAS AS HORAS - MEU RIO, MINHA CANOA! Enquanto nas grandes cidades a luta pra comprar o carrão zero km é o sonho de muitos, no meio rural a velha e preciosa canoa é o sonho de consumo dos interioranos. Seja ela movida a remo, motor rabeta ou motozinho de centro, é necessário ter pelo menos uma no porto, mesmo aquele quem já tem um motor quinze ou um quarenta. A canoa mais parece um complemento do corpo do ribeirinho, que um

Umas e outras do beiradão  
Umas e outras do beiradão  

Autor: Arivelto Marical e Paulo Cabral Barboza Junior

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