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ambiental desses povoamentos, constituindo-se em uma oportunidade de ouvir essa gente. As histórias que seguem contam uma parte desse registro. Hoje a iniciativa tem continuidade com o nome de Programa Água para Todos. Nem com piti de bodó significa que o caboclo não desiste tão fácil de suas opiniões.

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OS RELATOS DE UMA EXPERIÊNCIA COM RIBEIRINHOS

O FURA DEDO A saga da equipe do PROCHUVA desta vez estava no município de Manaquiri, na comunidade Piauí do Janauacá. Como era de costume, nosso primeiro contato era com o presidente/liderança ou o vice do lugar. Mas naquele momento nenhum deles se encontravam, nem o líder religioso, nem o professor. Ficamos por quase 40 minutos a procura de alguém que representasse a comunidade para que nos ajudasse a identificar as casas dos comunitários, pois as casas eram na sua maioria flutuantes e distantes uma das outras. Resolvemos então parar em uma delas para obtermos mais informações, sendo recebidos por uma jovem comunitária a quem falamos da nossa peregrinação em encontrar algum representante da comunidade. Perguntei a ela: - Vocês têm Agente Comunitário de Saúde (ACS)? Ela me respondeu com desconfiança: - Nós não temos isso aqui não moço! Fiz outra pergunta: - Vocês têm por aqui agente de saúde? A jovem responde: - De jeito nenhum moço! Insisti e voltei a perguntar: - Quem é que cuida das pessoas quando estão doentes e faz prevenção de doenças aqui? A jovem então respondeu com uma vontade real de nos ajudar: - Ah! O senhor tá falando do fura dedo, do homem que fura o dedo da gente quando nós temos febre. Ele mora ali naquela casa verde e branca, até ele tá lá! A equipe rapidamente ligou o nome dado pela jovem à pessoa do agente de saúde, que também colhia lâminas para fazer exames de malária. A jovem nos ajudou e muito a fazermos nosso trabalho e o agente também. Valeu fura!

Umas e outras do beiradão  
Umas e outras do beiradão  

Autor: Arivelto Marical e Paulo Cabral Barboza Junior

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