Page 11

OLHARES DE ÁGUIAS - CASA PALAFITA DO CABOCLO Com concentrada visão o caboclo observa o movimento do ar, da terra e da água, refletindo a conhecida frase do grande poeta português Fernando Pessoa - da minha aldeia consigo ver o mundo. O caboclo com olhos de águia também ver de forma natural e respeitosa seu mundo. Sem ambição e sem ódio, ele sabe que é muito pequeno fisicamente perante o mundo. Mas, o que tem dentro dele o torna grande: Ele é do tamanho do que ver. No seu mundo não há espaço para passo maior que perna. Por vontade própria opta em ficar bem longe das guerras, das ambições que destrói coisas belas. O ribeirinho ver da janela o verde da vida, o cardume que passa, o vôo da garça, o boto que bóia. A canoa que passa, o prateado da lua na maresia do rio. No terreiro o cachorro corre, a galinha cacareja. A florida mangueira e a flor de laranjeira da janela, nosso ribeirinho ver. Sente o vento que sopra livre e forte, causando a fúria do rio sem cor. O banzeiro às vezes chega a assustar até quem já é acostumado com ele. O caboclo não ver a hora de o tempo passar para que ele vá olhar se caiu na rede o seu alimentar. A boca da noite chega e é hora de jantar. Come cedo por mode a carapanã não incomodar. Da janela, pela manhã, o caboclo se revigora com a harmonia que tem com a natureza. COISAS DO INTERIOR - EU TAVA DE BRINCADEIRA Era costume até algum tempo atrás nas comunidades rurais, os pais mais velhos, quando não dava pra ir por algum motivo, deixarem suas filhas moças irem às festas em outras comunidades desde que a localidade fosse perto e acompanhadas por alguém adulto e de confiança. Essa história foi contada pelo povo de lá e dizem que foi fato real, numa comunidade próxima ao município de Manacapuru, onde teria acontecido uma grandiosa festa já tradicional naquela época, e todas as comunidades circunvizinhas foram convidadas a participarem desse grandioso e esperado evento. Um personagem bastante conhecido por ser um cabra trabalhador e de confiança, ficou responsável de acompanhar 10 moças de famílias para a festa dançante. Bodoroca, como era apelidado, se arrumou e todo perfumado pegou uma canoa grande com capacidade para doze pessoas adultas e saiu porto a porto dando uma de canoa lotação, certo que cada uma das belas moças também tinha seus remos e iriam ajudá-lo a remar até o local da festa. Chegaram e encostaram no porto da comunidade em festa, e, guardando os remos em lugar seguro, subiram. Bodoroca sempre deixavam as moças à

Umas e outras do beiradão  
Umas e outras do beiradão  

Autor: Arivelto Marical e Paulo Cabral Barboza Junior

Advertisement