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EU JÁ FUI EM MARAÃ

Matheus Cavalcante Celani

Eu já fui em Maraã. Era bem quando criança principalmente as minhas idas para lá por conta de relações quase conterrâneas de minha mãe com aquele punhado de terra quase perdido no Rio Japurá. Sou natural de outro município, Tefé, que inclusive têm limites territoriais com aquele por uma comunidade chamada Capivara, mais próxima deste, ainda que pertencente a Maraã. Em Maraã trago lembranças latentes de saudosismo por conta de um menino que corria no meio da rua e debaixo da chuva sem importa-se em ser importunado pela civilização automóvel. É possível uma cidade existir depois das partidas? Nunca mais voltei lá. Eu voltarei, é claro. Pois voltar é, ainda que verbo, antes palavra palavra que sucede, em lógica, a partida... Salvo morte. Havia um jumento. Um jumento que era possível vê-lo na praça defronte a igreja da Nossa Senhora da Conceição, padroeira daquele município, dona do destino daquelas crenças. Havia um jumento. Não há mais. Havia na primeira avenida, a vinte e cinco de março, fileiras de árvores de tentos-carolina que coloravam a grama abaixo delas com o rubor de suas sementes, qual colhíamos em garrafas. Eu queria as escadarias do mercado municipal para banhar-me naqueles dias que eu não sabia que um dia eu cresceria E que crescer quase sempre significa esquecer o que era. É que em Maraã a cidade pouco está para o lugar


Em Maraã a cidade são os Venturas, as Dianas, as Antônias, os Paletós, os Juarez, os Cafés, Euclides e Raimundas Maraã não está. Maraã é. É o Paraná do Jaraqui, o Lago do Macaco, o Igarapé do Manoel É o Bom Futuro, Fortaleza, Tocaia. É o Rio Ati Paraná.

Eu já fui em Maraã  
Eu já fui em Maraã  

Escrito por Matheus Cavalcante Celani

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