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CLARA AZUL BONINA Abner Viana

Clara! És Clara, Clara Azul Bonina, És Bonina, És Penina! És Flor! Vieste Pelas Correntes Azuis, os Azuis do Bojador. II Ah! a Dor, a Dor, a Dor... Essa Dor Salgada do Mediterrâneo, Por Águas Que te Levaram Por Toda a Ibéria, E Dessas Águas, Transpassaste Além-Aflição. III O Que És? És Duas? És Uma? Carregaste Tuas Hamsás, Trouxeste Tuas Rezas, E de Andarilhar Errante, És Portugal, És Espanha, És Marrocos, Não Importa o Que És, És Única! És Multidão! IV Na Travessia ao Atlântico, Entre Brisas e Tempestades, Tu Cultivaste as Esperanças Para as Terras de Além-Mar, E no Ermo do Teu Coração, Proferiste Tua Fé! Pois, Sem Medo, Cruzaste as Correntes Salgadas e Doces. V Quando Cantante Amazonheceu o Sol, Peregrinaste Por Todo o Inferno Verde em Busca da Árvore Que Chora, Que Chorava, e Que Chorou o Sumo Áureo de Seiva Leitosa, Ora Vagaste na Epopeia, Ora a Epopeia Vagou Por Tuas Entranhas Nos Tantos Ofícios. VI Hoje, Ainda És Dona do Tempo: Dos Doces e Dos Amargos Ressalgados, Dos Costumes aos Sabores, os Teus São os Mais Presto-Vivace, Prezaste Tua Fragrância Zênite Num Êxodo Por Várzeas e Igapós,


Esse Foi o Aroma Que Fundiu as Duas Águas. VII Oh Pedra Estrangeira, Das Tuas Entranhas Deste a Luz a Milhares Incontáveis, Tua Descendência Foi Orvalhada de Bençãos Desde o Hermon ao Gan-Éden, e Para Todo o Sempre Com o Óleo de Aaron Bendigaste Tuas Crias, Porque Foi Assim Que o Teu D'us Avinu Te Abençoou. VIII Oh Clara! És Clara, de Iluminante Azul-Mar, Por Entre Rendas Finas e Formosas, És Pedra Preciosa! És Menina, És Penina e És Mulher! És Clara Azul Bonina.

Clara Azul Bonina  

Autor: Abner Viana