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FAVELAS: MARKETING EM BIBLIOTECAS Daniela Kanno Vieira Maria Aparecida Lemos de Souza Faculdade Integradas Teresa D’Ávila - FATEA, Biblioteconomia Faculdade de Lorena Abstract: The project aims to encourage slum dwellers to use the local intelligence unit properly, through participation in courses, lectures, film open, reading to children and seminars. The library must have a way to entertain people in the community for this cultural center, emphasizing its importance within the community for this will be used as a form of marketing attraction. Keywords: Marketing; Public Library; Unit Information; Slum; Social Project. Resumo: O projeto tem como objetivo incentivar os moradores de favelas a utilizar a unidade de informação local adequadamente, através de participação em cursos, palestras, cinema aberto, leitura para crianças e seminários. A biblioteca deve ter uma forma de entreter as pessoas da comunidade para esse centro de cultura, ressaltando sua importância dentro da comunidade; para isso será usado o marketing, como forma de atrativo. Palavras-chave: Marketing; Biblioteca Pública; Unidade de Informação; Favelas; Projeto Social ______________________________________________________________________________

1. INTRODUÇÃO Esse projeto apresenta as diversas formas que uma favela pode ser vista, através dos seus problemas e das suas virtudes culturais. Para uma unidade de informação ser posta em uma comunidade carente, é preciso haver um meio de divulgação, um "chamado" para a comunidade se voltar a ela, e ver que biblioteca não é somente lugar de silêncio. O objetivo desse projeto é

divulgar a importância da Unidade de Informação para a comunidade em que está localizada. Para que isso ocorra, é preciso haver uma grande intervenção na comunidade, mostrando os benefícios que uma biblioteca pode levar a ela. Dentre eles está o apoio para a divulgação cultural, como música, teatro, dança e poesia. Integrar a comunidade na biblioteca, fazendo dela uma instituição beneficiadora para os projetos sociais do próprio povo que irá frequentá-la,

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sendo também um meio de divulgar seus costumes e culturas locais para a grande imprensa. 2. FAVELA: CONCEITO E SURGIMENTO Segundo o dicionário mini-Aurélio, favela é "conjunto de habitações populares, em geral, toscamente construídas e usualmente deficientes de recursos higiênicos". Porém, segundo a Enciclopédia do Millenium, a favela "É instalada, normalmente, em regiões onde existem equipamentos públicos, como escolas e hospitais, e que estejam próximas ao local de trabalho ou onde haja oportunidades de emprego aos seus moradores". Portanto, o termo favela pode entrar em contradição. Sabemos que a realidade brasileira de 'favela' é uma realidade tristonha, onde chega mais perto da definição do dicionário Aurélio. Não há equipamentos públicos, como escolas e hospitais, e muito menos há possibilidades de empregos para seus moradores. A realidade de favela em outros países como a Califórnia, EUA, é totalmente diferente do Brasil. Lá, a favela é considerada zona que fica em volta da cidade, onde se concentram grandes e belas casas. A primeira favela do Brasil, oficialmente, foi no Rio de Janeiro, em 1897, no Morro da Providência, quando cerca de 10 mil soldados desembarcaram na antiga capital do país, vindos da Guerra dos Canudos, na Bahia. Essa é a história mais conhecida. Porém, há quem diga que já existiam outros "barracos" na cidade antes disso, ainda em 1897, alguns meses antes dos soldados desembacarem na Providência. O local seria o morro de Santo Antônio, também no Centro. É difícil aceitar quais das duas versões estão corretas, pois hoje o morro de Santo Antônio foi derrubado, para que construíssem o aterro do Flamengo, nas décadas de 1950 e 1960. Tudo indica que os moradores do Morro da Providência chamavam o morro de "Morro da Favela", pois era uma referência a um morro do mesmo nome que existia em Canudos, recoberto por um arbusto também chamado "favela". Em 1903, o governo carioca baixa uma lei que proíbe a construção de cortiços, mas tolera a construção nos morros desabitados. A lei facilita a aglomeração de pessoas nos morros do Rio de Janeiro, ocupados pelas pessoas sem moradia. Em 1947, o Rio já tinha cerca de 120 favelas, onde morava em torno de 14% da população do Rio de Janeiro. A partir da década de 50, a favela começa a ser vista como "problema". Na época da ditadura militar, foram destruídas cerca de 80 favelas; os

140 mil desabrigados vão para conjuntos habitacionais ou constroem novas favelas. Nos anos 80, com o término da ditadura militar, a lei permite a construção de barracos nos morros da cidade. No fim da mesma década havia em torno de um milhão de pessoas vivendo nas 545 favelas em toda a cidade. Em 2005 o governo aposta no programa Favela-Bairro, que faz obras de urbanização em mais de cem comunidades pobres. Segundo um estudo feito pelo IPP (Instituto Pereira Passos), de 1999 a 2008, o aumento das áreas faveladas aumentou 3,4 milhões de m². O número de favelas no Rio de Janeiro passou de 750 em 2004, para 1020 em 2009. A favela no Brasil é vista de várias formas: 1. Local de marginais - Precisa-se acabar com as favelas para acabar com os marginais; 2. Local de conseguir votos - Como hoje, a favela abriga mais de um milhão de pessoas, elas são propícias para os políticos, em época de eleição; 3. Resultado do processo de migração - Os moradores que estão se "adaptando" no meio urbano, encontram o lugar "ideal" para lembrarlhes o campo, e para ter uma interação "justa", em uma casa de alvenaria, familiarizando-se com os serviços urbanos, para que no futuro se incorporem ao mercado de trabalho e à cidade. 2.1 PROBLEMAS DAS FAVELAS Não podemos deixar de citar os vários problemas que se pode encontrar dentro de uma favela. Eis alguns. 2.1.1 FOME A expressão de fome, no sentido duradouro que uma pessoa ou população sofre, passou a ser utilizada em 1940, a partir de estudos de Josué de Castro (médico, sociólogo e geógrafo, nasceu em 1908 em Pernambuco). Ele começou a levantar questões políticas e econômicas; até então esse assunto pertencia à área médica. MONTEIRO, citado por ADAS, diz que "(...) Têm fome aqueles cuja alimentação diária não aporta a energia requerida para a manutenção do organismo e para o exercício das atividades ordinárias do ser humano. Sofrem de desnutrição os indivíduos cujos organismos manifestam sinais clínicos provenientes da inadequação quantitativa (energia) ou qualitativa (nutrientes) da dieta ou

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decorrentes de doenças que determinem o mau aproveitamento biológico dos alimentos ingeridos." E completa que "(...) Fome e desnutrição tampouco são conceitos equivalentes uma vez que, se toda fome leva obrigatoriamente à desnutrição, nem toda desnutrição se origina da deficiência energética das dietas, sobretudo na população infantil". Causada principalmente pelo desemprego, não somente a fome, mas a desnutrição tornou-se rotina diária em muitos barracos de favelas. Muitos pais, por não conseguirem um emprego fixo - por causa de estudo, ou outras dificuldades, partem para o crime para não deixar que a família passe dificuldades. 2.1.2 SEGURANÇA Vemos como é a segurança nos morros das grandes metrópoles. Vivemos hoje o drama do tráfico, balas perdidas e da troca de tiros com a Polícia. Há várias “ideias” para que isso se resolva. Uma delas é a desfavelização. Segundo algumas fontes, a desfavelização seria a solução ideal para que a segurança nas grandes cidades reinasse. Segundo essas fontes, para que aconteça a paz nas favelas é preciso que haja um extermínio de traficantes por meio de matança e demolição. No dia 14 de setembro de 2008, o site G1 (vinculado à Rede Globo de Televisão) mostra o drama vivido pelas boas famílias, vizinhas ou integrantes dos morros. Os “vizinhos” das favelas usam um tipo de proteção chamado blindagem arquitetônica. Essa proteção é relativamente cara para os padrões da classe média, porém a procura aumentou de 20 a 30%. Para ser utilizado esse método, é preciso haver um estudo a fim de saber se o peso do material não afetará a estrutura da construção. Essa blindagem pode durar muitos anos e é feita com chapas de aço e vidro. Segundo o site, “De acordo com o presidente da Associação Brasileira de Blindagem, Christian Conde [...] ‘O Brasil é um dos países onde mais se usa blindagem. Agora, já tem o prédio blindado até em favela. Por isso, já somos referência na produção e instalação de blindagens’”. 2.1.3 TRÁFICO DE DROGAS Algumas fontes classificam bebidas alcoólicas e cigarros como drogas. A lei diz que somente o que é proibido, encaixa-se na categoria “drogas”. Porém, o fato de uma substância ser

considerada legal ou ilegal não está ligado às suas propriedades químicas e os riscos que ela traz à saúde. Um critério muito popular é achar que somente o que é químico, o que vem de laboratórios, e o que é passado por processos sintéticos é droga. Existem diversos tipos de drogas, dentro dela, as Drogas Psicotrópicas: são aquelas que atuam no cérebro, modificando nossos sentidos (pensamento, ação e tato). Dentro desse tipo de droga, podemos dividir três grandes grupos: depressoras, estimulantes e as perturbadoras. As depressoras diminuem a atividade cerebral. A pessoa que usa esse tipo de droga fica mais lenta, mais “desligada”. As drogas estimulantes aumentam a atividade do cérebro, deixando a pessoa mais agitada. E as drogas perturbadoras, que não deixam o cérebro mais “lento” e nem mais “rápido”. O cérebro passa a funcionar fora de seu normal, ou seja, a pessoa fica com a mente perturbada. Esse terceiro grupo de drogas recebe o nome técnico de perturbadoras da atividade do SNC. Drogas depressoras: álcool etílico, tranquilizantes, solventes ou inalantes e outros; Drogas estimulantes: cocaína, crack, nicotina e outros; Drogas perturbadoras: anticolinérgicos e outros.

Anfetaminas, maconha,

Segundo ARBEX JR, “Em 1991, quase 10 milhões de pessoas, população equivalente à da cidade de São Paulo, consumiram maconha nos Estados Unidos, e 1,9 milhão consumiu cocaína, de acordo com cálculos feitos pelo governo americano. Esse número, segundo cifras oficiais, vem diminuindo desde 1986, quando Washington decidiu radicalizar o combate ao narcotráfico”. E completa que “No Brasil não há uma estimativa confiável sobre o número de consumidores ou viciados, nem sobre as camadas da população que são mais atingidas pelo comércio de drogas. Mas a existência de pelo menos 100 mil traficantes no país sugere as dimensões do comércio de drogas”. Do ponto de vista econômico, a cocaína é a droga mais “importante”. Segundo uma entrevista concedida à Revista Super Interessante, Carlos Roberto Alves de Andrade, da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado do Departamento de Narcóticos de São Paulo, afirma que “Até chegar à boca [de fumo], o usuário tem que andar na favela. Ele é

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avaliado e nem percebe. Se os seguranças pensarem que ele é um policial disfarçado, atiram”.

locais). Na primeira etapa, eles trabalharão com cinco comunidades: Alemão, Cidade de Deus, Rocinha, Maré e Cantagalo.

2.1.4 SAÚDE

O site contém as seguintes seções: Galeria de Fotos, onde contém fotos das comunidades estudadas; Gramophone, que contém músicas produzidas nos morros; E Por Falar em Favela, onde publicam notícias publicadas pela grande imprensa, veiculadas décadas atrás; Sopa de Números, que é útil para comparar a situação das favelas no passado e no presente; Favelário, onde tem a interessante origem dos nomes das favelas cariocas; e Fio de Tempo, que traz a cronologia dos acontecimentos históricos que afetaram e afetam as pessoas das comunidades. Há também uma seção somente para Depoimentos e Especiais, que são sustentadas por vários autores “anônimos”.

O presidente Eurico Gaspar Dutra, desde que assumiu o governo, em 1946, teve como prioridade a organização racional dos serviços públicos. Mas a situação deixada pelo governo anterior, emperraram as reformas desejadas por ele. O plano Salte (elaborado em 1948), tinha por objetivo a melhoria dos sistemas de saúde, alimentação, energia e transporte, mas não chegou a ser posto totalmente em prática. Assim, os jornais denunciavam que o sistema de saúde continuava como na ditadura militar. Somente em maio de 1953, no segundo período presencial de Getúlio Vargas, foi criado o Ministério da Saúde. A nova pasta contou com verbas irrisórias no decorrer da década de 1950, confirmando todo o descaso do governo com a saúde do povo. O que vemos nas favelas hoje é a mesma situação de descaso de 50 anos atrás, com doentes, mortos e transmissores de doenças. 2.1.5 PROSTITUIÇÃO Segundo o Dicionário Online Priberam da Língua Portuguesa, “prostituição” é “atividade de quem obtém lucro através da oferta de serviços sexuais”. Meninas novas, com a intenção de ganhar dinheiro, muitas vezes para ajudar sua família ou ter satisfação pessoal utilizando drogas, tornam-se prostitutas, ficando “à disposição” de DST’s – Doenças Sexualmente Transmissíveis. 2.2 PROGRAMAS E PROJETOS SOCIAIS Há quem diga que favela é local somente de tristeza e medo, mas há pessoas que tem outros pontos de vista, como esses citados abaixo. 2.2.1 FAVELA TEM MEMÓRIA – RIO DE JANEIRO Tem o objetivo de recuperar e construir a memória das favelas do Rio de Janeiro, por meio de relatos pessoais, resgatando experiências coletivas de participação política, religiosa ou associativa. Buscam parcerias com instituições e centros de memória. A equipe de trabalho do Projeto é constituída de correspondentes comunitários que já trabalharam na área de comunicação (organizações, rádio e jornais

2.2.2 FAVELA É HORIZONTE, MG

ISSO

BELO

É uma ONG que surgiu com o fruto do Guia Cultural de Vilas e Favelas, idealizado pela antropóloga Clarice Libânio, e publicado em 2004. O objetivo da ONG é proporcionar a cidadania a partir do apoio e divulgação da arte e cultura da periferia. A ONG também promove geração de renda para artistas e previne a minimização da violência, melhorando o acesso ao mercado cultural. Como continuidade ao Guia de Libânio, foi criado o projeto Banco da Memória, que registra as manifestações culturais nas favelas de Belo Horizonte. Há também um boletim eletrônico quinzenal, um jornal impresso bimestral, assessoria de imprensa para eventos e grupos culturais e envio de pautas para os principais veículos de comunicação estaduais. A ONG virou referência para a imprensa na busca de fontes sobre os artistas da periferia. A ONG também se tornou editora especializada em lançamentos editoriais de moradores de vilas e favelas, contendo livros de bolso, livros sobre a economia popular urbana, publicações e pesquisas sobre design e moda na favela. A entidade estruturou um Núcleo de Audiovisual, que conta com a elaboração de vídeos para os artistas das favelas, com oficinas de desenho animado e documentário. E contam também com parceria com a Rádio Inconfidência, para a gravação, distribuição e assessoria de artistas de vilas e favelas.

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2.2.3 OBSERVATÓRIO DE FAVELAS – RIO DE JANEIRO Foi criado em 2001, e desde 2003 é uma organização da sociedade civil de interesse público. Foi fundado e é composto por pesquisadores e profissionais oriundos de espaços populares. Ela tem a missão e objetivo a avaliação de políticas públicas voltadas para a superação das desigualdades sociais. O Observatório atua em três áreas: Comunicação e Cultura, Desenvolvimento Territorial e Direitos Humanos. Há um acervo online com produções do Observatório e sobre ele.

2.2.5 CINE FAVELA – SÃO PAULO Formado por um grupo de moradores da favela de Heliópolis. O primeiro trabalho, feito em 2001, resultou em um longa metragem chamado “Uma gota de sangue”, da qual todos os participantes (atores, produção e ajudantes) são pessoas da comunidade. O Cine Favela é uma ramificação da Associação Cultural Artística de Heliópolis e Sacomã – ACAHS – e realiza anualmente desde 2005, festivais de curta metragem com participação de pessoas da comunidade, e de outras periferias da Grande São Paulo. Na sede da Organização, oferecem cursos gratuitos de dança, teatro e música.

2.2.4 VIVA FAVELA – RIO DE JANEIRO Foi criado em julho de 2001 e tem como metas a inclusão digital, a democratização da informação e a redução da desigualdade social. Conta com a ajuda de jornalistas e correspondentes comunitários. Com um olhar de dentro da favela, o projeto mostra a opinião das pessoas da comunidade sobre a intensa cultura, criatividade e potencial para vencer a luta do dia-a-dia. O projeto Viva Favela possui vários serviços comunitários, como oficinas gratuitas, conferências, estágio voluntário, seminários e encontros relacionados ao tema. Prêmios do Viva Favela: * 2001 - Melhor projeto de inclusão digital, International Wireless Communication Association. * 2004 - Prêmio Telemar de Inclusão Digital. 2005 - Documentary Photography Distribution Grant, da Open Society Institute (Fundação George Soros, NY). * 2007 - Finalista do prêmio internacional Stokholm GKP, de projetos de Tecnologia da Informação para o Desenvolvimento (ICT4D). Participou da cerimônia de premiação na Malásia. * 2008 - Finalista do Stokholm Challenge Award, recebeu o Diploma por Excelência no uso da Tecnologia da Informação (participou da cerimônia em Estocolmo).

2.2.6 BELEZA PURA – RIO DE JANEIRO O site se insere no portal Viva Favela, e é feito para as mulheres das favelas e periferias brasileiras. Fala-se de moda, de direitos femininos, saúde, dicas de economia doméstica, temas mais polêmicos, e apresenta modelos e atrizes de comunidades. 2.2.7 ECOPOP – RIO DE JANEIRO Foca a questão ambiental partindo da chamada Agenda Marrom, que é aquela que fala dos problemas urbanos, como falta de saneamento básico, lixo, poluição do ar e das águas. Possui um link chamado ABC ambiental, com 50 verbetes para os que iniciam a viagem da linguagem técnica; o link Conexão Verde possui autores anônimos e famosos falando sobre o tema, de forma simples e direta; em Especiais, abre-se espaço para denúncias de problemas como o lixo clandestino e falta de saneamento básico; em Cambitolândia, o tema é tratado de maneira divertida, com dicas e informações para pesquisa. 2.2.8 FOTO FAVELA – RIO DE JANEIRO Site que reúne fotos do cotidiano das favelas, procurando mostrar uma visão particular de moradores da própria comunidade. Também vinculado ao Viva Favela.

* 2009 - Prêmio Ponto de Mídia Livre, do Ministério da Cultura, Governo Federal (Brasil).

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As missões-chave da biblioteca pública relacionadas com a informação, a alfabetização, a educação e a cultura são as seguintes: 3. A BIBLIOTECA PÚBLICA 3.1 CONCEITO DE BIBLIOTECA PÚBLICA Uma biblioteca é um espaço privilegiado de acesso ao livro, à informação e ao conhecimento de todos os gêneros, que contribui para o desenvolvimento dos indivíduos de uma comunidade, na leitura e escrita, essenciais à emancipação e ao protagonismo. Os serviços que a biblioteca oferece, deve ser de acesso livre a qualquer pessoa, independente de sexo, religião, idade ou classe social. É essencial que os suportes e tecnologias estejam disponíveis em elevada qualidade e adequadas às necessidades e condições locais. 3.2 MANIFESTO DA UNESCO BIBLIOTECAS PÚBLICAS

SOBRE

A liberdade, a prosperidade e o desenvolvimento da sociedade e dos indivíduos são valores humanos fundamentais. Só serão atingidos quando os cidadãos estiverem na posse da informação que lhes permita exercer os seus direitos democráticos e ter um papel ativo na sociedade. A participação construtiva e o desenvolvimento da democracia dependem tanto de uma educação satisfatória, como de um acesso livre e sem limites ao conhecimento, ao pensamento, à cultura e à informação. A biblioteca pública - porta de acesso local ao conhecimento - fornece as condições básicas para uma aprendizagem contínua, para uma tomada de decisão independente e para o desenvolvimento cultural dos indivíduos e dos grupos sociais. Este Manifesto proclama a confiança que a UNESCO deposita na Biblioteca Pública, enquanto força viva para a educação, a cultura e a informação, e como agente essencial para a promoção da paz e do bem-estar espiritual nas mentes dos homens e das mulheres. Assim, a UNESCO encoraja as autoridades nacionais e locais a apoiar ativamente e a comprometerem-se no desenvolvimento das bibliotecas públicas. 3.3 MISSÕES DA BIBLIOTECA PÚBICA

Criar e fortalecer os hábitos de leitura nas crianças, desde a primeira infância; Apoiar a educação individual e a auto-formação, assim como a educação formal a todos os níveis; Assegurar a cada pessoa os meios para evoluir de forma criativa; Estimular a imaginação e criatividade das crianças e dos jovens; Promover o conhecimento sobre a herança cultural, o apreço pelas artes e pelas realizações e inovações científicas; Possibilitar o acesso a todas as formas de expressão cultural das artes do espectáculo; Fomentar o diálogo inter-cultural e a diversidade cultural; Apoiar a tradição oral; Assegurar o acesso dos cidadãos a todos os tipos de informação da comunidade local; Proporcionar serviços de informação adequados às empresas locais, associações e grupos de interesse; Facilitar o desenvolvimento da capacidade de utilizar a informação e a informática; Apoiar, participar e, se necessário, criar programas e actividades de alfabetização para os diferentes grupos etários. 3.4 FINANCIAMENTO, LEGISLAÇÃO E REDES Os serviços da biblioteca pública devem, em princípio, ser gratuitos. A biblioteca pública é da responsabilidade das autoridades locais e nacionais. Deve ser objecto de uma legislação específica e financiada pelos governos nacionais e locais. Tem de ser uma componente essencial de qualquer estratégia a longo prazo para a cultura, o acesso à informação, a alfabetização e a educação. Para assegurar a coordenação e cooperação das bibliotecas, a legislação e os planos estratégicos devem ainda definir e promover uma rede nacional de bibliotecas, baseada em padrões de serviço previamente acordados. A rede de bibliotecas públicas deve ser concebida tendo em consideração as bibliotecas nacionais,

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regionais, de investigação e especializadas, assim como com as bibliotecas escolares e universitárias. 3.5 FUNCIONAMENTO E GESTÃO Deve ser formulada uma política clara, definindo objectivos, prioridades e serviços, relacionados com as necessidades da comunidade local. A biblioteca pública deve ser eficazmente organizada e mantidos padrões profissionais de funcionamento. Deve ser assegurada a cooperação com parceiros relevantes, por exemplo, grupos de utilizadores e outros profissionais a nível local, regional, nacional e internacional. Os serviços têm de ser fisicamente acessíveis a todos os membros da comunidade. Tal supõe a existência de edifícios bem situados, boas condições para a leitura e o estudo, assim como o acesso a tecnologia adequada e horários convenientes para os utilizadores. Tal implica igualmente serviços destinados àqueles a quem é impossível frequentar a biblioteca. Os serviços da biblioteca devem ser adaptados às diferentes necessidades das comunidades das zonas urbanas e rurais. O bibliotecário é um intermediário activo entre os utilizadores e os recursos disponíveis. A formação profissional contínua do bibliotecário é indispensável para assegurar serviços adequados. Têm de ser levados a cabo programas de formação de potenciais utilizadores de forma a fazê-los beneficiar de todos os recursos. 3.6 IMPLEMENTAÇÃO DO MANIFESTO Todos os que em todo o mundo, a nível nacional e local, têm poder de decisão e a comunidade de bibliotecários em geral são instados a implementar os princípios expressos neste Manifesto. Este Manifesto foi preparado em cooperação com a Federação Internacional das Associações de Bibliotecários e de Bibliotecas (IFLA) e aprovado pela UNESCO em Novembro de 1994. 4. MARKETING INFORMAÇÃO

EM

UNIDADE

DE

Assim como nas empresas comerciais, uma biblioteca também precisa fazer o seu marketing. O desinteresse das pessoas para esse tipo de

instituição é grande, pois há um preconceito, de que a biblioteca é local de depósito de livros velhos, aonde as pessoas vão para a bibliotecária pedir silêncio. Um modo de mudar essa visão de biblioteca é a própria unidade fazer seu próprio marketing. Para isso poderia estar sendo usada a estratégia de inovação, lançando novos produtos que chamem a atenção da comunidade que ela atende. Como o público alvo seria uma favela, a biblioteca poderia estar inovando nessa área, dando palestras, cursos e leituras voltados aos problemas da própria comunidade, sem se esquecer de não fixar a ideia somente nisso, pois a comunidade, querendo ou não, reconhece os problemas que ela própria possui. Para isso, a biblioteca deve focar o lado cultural e criativo da favela, como música, teatro, apresentações a outras comunidades, poesia e outras artes mais variadas, ressaltando o que há de mais belo na favela, apoiando moralmente e divulgando seu trabalho. A estratégia de presença também é interessantíssima, pois para algumas pessoas biblioteca é sinônimo de local escuro e frio, onde se guarda coisas velhas. É preciso mudar essa visão, colocando a biblioteca como um local divertido, alegre, onde as pessoas adquirem não somente informação, mas se sentem acolhidas, seja pelos profissionais que ali trabalham, seja pelo ambiente, ou seja somente pelos materiais que a biblioteca possui. É também muito importante todos os profissionais que ali trabalham estarem diretamente ligados ao público, desenvolvendo um relacionamento pessoal, sempre sabendo identificar a pessoa pelo nome, pois assim ela se sente mais valorizada num espaço em que as pessoas vão “somente pegar um livro”. Para que tudo isso aconteça, a principal atividade é o planejamento de marketing. Se o profissional não estiver à frente de sua instituição, conhecendo-a como um todo, e sabendo valorizar seu produto, ninguém mais o valorizará. O planejamento vai desde uma entrevista usual com o usuário, onde o profissional conhece mais a fundo os problemas que a instituição possui, passando pelo planejamento escrito, onde ele analisará juntamente com sua equipe as medidas que devem ser tomadas para a solução do problema, até chegar à grande tacada de marketing, onde ele executará seu plano. Depois de todo o planejamento e resultado, é importante o bibliotecário fazer um relatório de todos os planos traçados e todos os resultados

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alcançados. Para isso, ele deve estar tomando nota de tudo o que acontece no decorrer do planejamento, para que as informações não se tornem falsas, escritas apenas com a memória do profissional. 5. CONCLUSÃO Pudemos perceber que a favela, por mais que possa parecer um ambiente que contenha violência, fome e outros problemas sociais, é uma comunidade viva, onde as pessoas se empenham em ajudar umas às outras, por meio de projetos sociais e/ou vontade própria. O bibliotecário é uma peça fundamental em comunidades carentes, onde ele pode incentivar a convivência dos moradores com a cultura local e a cultura externa, por meio de várias atividades, como cinema, leitura, palestras e cursos. Para que o bibliotecário seja visto de uma forma diferente pelos moradores dessas comunidades, é preciso haver um chamativo para a unidade de informação. Esses chamativos podem variar, utilizando-se um marketing usual, onde a cada dia alimenta-se essa “vontade” do usuário em estar na biblioteca, ou um marketing “de momento”, onde o bibliotecário planeja uma jogada maior, mas a ação que ele executa é efetuada em apenas um instante – mas que chame ainda mais a atenção do usuário. O marketing usual deve ser feito. A conquista do usuário é um processo difícil e lento e todos os funcionários da biblioteca devem ter essa consciência. Primeiramente os profissionais da referência, onde lidam diretamente com o público. Estes devem ser prestativos, ágeis e atender a todas as expectativas do usuário. Os outros profissionais devem ficar atentos com suas ações e seus comportamentos diante do usuário, pois todos sabem que “a primeira impressão é a que fica”. Todos devem sempre estar de bom humor, com os olhos e ouvidos atentos a qualquer objeção de qualquer usuário. O marketing “de momento” é aquele que é planejado meses antes, para ser executado de uma só vez. Uma palestra, um curso ou um seminário são formas de atrativo ao usuário. A biblioteca, como todos sabem, é um local conhecido pelo seu silêncio, tranquilidade – e na visão de outros, pela sua monotonia – e isso deve ser mudado. A biblioteca deve ser fonte de informação confiável, fonte de atividades diferentes e principalmente fonte de refúgio dos mais criativos. Ela pode, e deve ser instrumento de criação, de inspiração, de desenvolvimento e de divulgação.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ADAS, M. A fome: Crise ou escândalo?. São Paulo: Moderna, 2004. p. 15 ARBEX JR, J. Narcotráfico: Um jogo de poder nas Américas. São Paulo: Moderna, 2003. BERTOLLI FILHO, C. História da saúde pública no Brasil. São Paulo; Ática, 2006. FAVELA. In: ENCICLOPÉDIA do Millennium. São Paulo: DCL, 2005. FAVELA. In: MINI AURÉLIO: o dicionário da Língua Portuguesa. Curitiba: Positivo, 2004. FRANÇA, R.; SOARES, R. Uma prova de fogo. In: Veja, São Paulo, n. 43, p. 107, 28 out. 2009. MARLATT, B.C. Drogas: Mitos e verdades. São Paulo: Ática, 2005. NAVARRO, R. Qual foi a primeira favela do Brasil?. Mundo Estranho, São Paulo, [s.d.]. Disponível em: <http://mundoestranho.abril.com.br/cotidiano/ pergunta_287294.shtml.> Acesso em: 28 out. 2009. PROSTITUIÇÃO. In: DICIONÁRIO da Língua Portuguesa. Lisboa: Priberam Informática, 1998. Disponível em: <http://www.priberam.pt/DLPO/> Acesso em: 29 out. 2009. RODRIGUES, A.M. Favelas. In: _____. Moradia nas cidades brasileiras. São Paulo: Contexto, 1988. SILVA, J.C. Como é o tráfico na favela?. Super Interessante, São Paulo, out. 2004. Disponível em: <http://super.abril.com.br/cotidiano/comotrafico-favela-444895.shtml>. Acesso em: 28 out. 2009.

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UNESCO, Manifesto sobre Bibliotecas Públicas, 1991. Disponível em: <http://archive.ifla.org/VII/s8/unesco/port.htm > Acesso em: 29 out. 2009 SITES CONSULTADOS http://desfavelizacao.wordpress.com/category/u rbanismo/page/2/ Acesso em: 25 out 2009 http://www.observatoriodefavelas.org.br Acesso em: 25 out 2009 http://www.cinefavela.org.br/ Acesso em: 25 out 2009 http://www.favelaeissoai.com.br Acesso em: 25 out 2009 http://www.favelatemmemoria.com.br/# Acesso em: 26 out 2009 http://www.vivafavela.com.br Acesso em: 26 out 2009 http://www.fotofavela.com.br/ Acesso em: 26 out 2009 http://www.fotofavela.com.br/ Acesso em: 27 out 2009 http://www.belezapura.org.br/ Acesso em: 29 out 2009 http://www.ecopop.com.br/ Acesso em: 31 out 2009

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Favelas: Marketing em bibliotecas  

O projeto tem como objetivo incentivar os moradores de favelas a utilizar a unidade de informação local adequadamente, através de participaç...

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