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Estados de Alma


Estados de Alma Alunos do Curso Profissional Animador Sociocultural 2011/2014

BIBLIOTECA ESCOLAR DA ESM


Titulo: Estados de Alma Autores: Alunos do Curso Profissional - Animador Sociocultural 2011/2014

Ilustração: Luís Hermenegildo Prefácio: Professora Isabel Narra Pisa Edição: Biblioteca Escolar da Escola Secundária de Moura

Março 2014


Índice PREFÁCIO ………………………………………………….

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PARTE I – Angústia Existencial ……………………………..

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1. A Tristeza ……………………………………………………… 2. A Dor do Presente …………………………………………… 3. Monotonia …………………………………………………….. 4. A Vida …………………………………………………………. 5. O Meu Mundo Secreto …………………………………….... 6. Momentos de Solidão ……………………………………...... 7. O Desespero …………………………………………………... 8. O Leve Pensar do Passado…………………………………. 9. A Angústia ……………………………………………………... 10. A Melancolia ………………………………………………….. 11. O Sofrimento …………………………………………………. 12. Mundo Solitário ………………………………………………

10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21

PARTE II – A Nostalgia da Infância ………………………... 22 13. 14. 15. 16. 17. 18. 19. 20.

Infância Adormecida………………………………………… Outrora Menino ……………………………………………… As Crianças ………………………………………………….. Alegria Infantil ………………………………………………. A Nostalgia da Infância ……………………………………. O Sorriso ……………………………………………………… Ser Criança …………………………………………………… Doce Infância …………………………………………………

PARTE III – O Sonho ……. …………………………………… 21. Sonhos Maravilhosos ……………………………………… 22. Pura Ilusão …………………………………………………… 23. Infância Risonha …………………………………………… 24. Imaginação …………………………………………………… 25. Quero Voltar a Sonhar ………………………………………. 26. Sonho Alcançado………………………...………………….. 27. Sonhos ………………………………………………………… 28. Sonhei, Sonhei, Sonhei … ………………………………….

24 25 26 27 28 29 30 31 32 34 35 36 37 38 39 40 41


Prefácio

É inerente à própria condição humana a necessidade imperiosa de se expressar e de se relacionar com os outros, exteriorizando os mais diversos sentimentos e emoções, através de uma sensibilidade mais ou menos apurada, consoante as especificidades de cada um e as suas circunstâncias vivenciais. Na verdade, cada ser humano é único, peculiar na sua forma de sentir, agir e comunicar neste grande palco da vida, estabelecendo teias relacionais diversas e enriquecedoras, cabendo à palavra um papel bastante relevante. Nem sempre a escrita resulta de um ato voluntário, de uma vontade intrínseca, mas sim de um estimulo exterior, sob a forma de uma atividade de escrita proposta numa aula de Português, como tantas vezes acontece, não fosse a Escola o espaço privilegiado, por excelência, da construção do Saber. Tal foi o caso destes alunos do 3º ano do curso profissional – Animador Sociocultural da Escola Secundária de Moura. Na sequência do estudo da Poesia Ortónima Pessoana, os alunos foram “convidados” a elaborar um poema, versando sobre uma das seguintes temáticas – A Angústia Existencial, A Nostalgia da Infância e O Sonho. Porém, o desafio não se ficava por aqui. Com efeito, era necessário que eles viajassem no tempo e no espaço, um século atrás e imaginassem ser o próprio Fenando Pessoa, no sentir no pensar. Como facilmente se depreende, instalou-se alguma apreensão inicial nos olhares da maioria dos alunos, pois sabiam de antemão que, à semelhança de F. Pessoa, deveriam adotar a técnica literária do fingimento poético, “outrar-se”.

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Ser Pessoa, sendo na realidade outra pessoa bem distinta, não era, certamente, uma tarefa fácil para os jovens do século XXI, cujas mentalidades possuem janelas bem rasgadas para esta Aldeia Global que vive a um ritmo desenfreado, onde a tecnologia impera e as palavras perdem, por vezes, parte da forte carga significativa que as reveste. Não obstante a heterogeneidade da turma, todos os alunos aceitaram o desafio e deitaram mãos à obra. Após um apelo à imaginação e já com os sentimentos e as sensações à flor da pele, estes entraram, de imediato, no processo criativo e elaboraram poemas surpreendentes à luz da escrita pessoana, sem perder de vista a Estética Modernista, podendo, assim fazer uso legítimo do versilibrismo. Na verdade, estes alunos estavam longe de imaginar que os seus textos poéticos poderiam ser dignos de compilação e publicação, um culminar feliz e inesperado para o qual muito contribuiu a Biblioteca Escolar, valorizando as atividades de escrita desenvolvidas na Escola, numa articulação sempre desejável e profícua. Importa frisar que este livro de poesia, intitulado Estados de Alma, apresenta uma estrutura tripartida. Assim, na primeira parte, figura um conjunto de poemas dominado pelo sofrimento, o tédio, a monotonia, o desespero e a grande dor de pensar tão característicos de Fernando Pessoa; a segunda parte engloba composições poéticas centradas na infância, na nostalgia que esta acarreta e no desejo de recuperar o tão precioso “Paraíso perdido”; por fim, a terceira parte dá-nos conta de um leque de poemas, onde o sonho surge como uma evasão, uma forma de atenuar a angústia existencial que aniquila o eu lírico. Em suma, esperemos que este livro seja o desbravar de um terreno literário, o mais fértil possível, para os nossos jovens, ao longo da sua vida. Isabel Narra Pisa 7


I A Angústia Existencial

A poesia é o fervilhar das nossas sensações, o aflorar das nossas emoções e o despertar dos nossos sentimentos mais recônditos


A Tristeza Nesta manhã de chuva, Relembro todos os momentos obscuros, Não conseguindo esquecer, Nem sequer ultrapassar esses Muros.

Estes Momentos de Escuridão, Que carrego sobre mim, Nem sei que vontade me dão, Mas deito lágrimas sem fim.

Nos pensamentos perdida, Longas são as horas vazias, Horas de triste melancolia, Estática de tanta apatia.

E é nesses momentos, Que tento relembrar, Que a vida não é fácil, E é difícil de conquistar.

Ana Rita Fialho

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A Dor do Presente

Ah! Como a vida me castigou! A minha alegria, ternura, dor … Tudo o que tenho, eu dou E mesmo assim, ele me deixou.

Ajudei, lutei e nunca falhei Porém, com a falsidade eu me deparei. A verdade é que sempre amei E, como um mau perdedor, eu calei.

Abateram-me todos os dias E deixaram-me ser gozada Ontem, hoje e amanhã Assim me senti e sentirei abandonada.

Interrogava-me e pensava: Como pode o ser humano ser capaz De destruir tudo o que o rodeava? Oh! Por favor, deixem-me em paz. Milene Oliveira

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Monotonia

Todos os dias são iguais Os mesmos sons, os mesmos sítios As mesmas cores, os mesmos ruídos A mesma gente. Monotoníssimo!

Fartei-me do cantar dos pássaros Dos candeeiros e dos embaraços Até dos trilhos por onde passam As pessoas que por eles avançam.

Preciso de qualquer coisa Para mudar o meu dia a dia. Vai-te embora Monotonia. Quero-te fora da minha vida.

Luís Hermenegildo

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A vida

Meus Amigos, está chegando a hora Em que a tristeza aproveita para entrar E nós vamos ter que ir embora Para a vida lá fora saborear.

A vida é algo que se tornou irreal. Muitos são os pensamentos Que vivem no coração E que ninguém leva a mal Porque arrastam muita paixão.

As pessoas lá fora vão entristecendo Contudo a vida teima em continuar. Esta resume-se a dois dias Por isso, vamos aproveitar.

Luís Barão

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O Meu Mundo Secreto Tento o meu mundo mudar. Tanta dor, tanto anjo morto! Não perco a vontade de lutar Mas há muito que não tenho conforto.

O meu anjo é forte Protegido estou Não temo perder o norte Mas até a minha alma ele raptou.

Perdida minha alma está É procurada por DEUS Salva ela ficará Quando encontrada p’los meus.

Coloco a minha armadura E entro noutra dimensão Esta busca que perdura Para apaziguar o meu coração.

Paulo Godinho

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Momentos de Solidão Há momentos de solidão Que parecem não ter fim, Na imensidão do vazio Sinto a angústia dentro de mim.

A solidão Faz-nos perder o juízo, A noção do caminho a seguir, E a esperança de sermos mais.

Tudo perde o sentido, Na alegria e no amor, Nesta hora de dor.

Ninguém me entende Nos momentos de aflição. Ninguém compreende Os sentimentos do meu coração.

Tânia Carrasco

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O Desespero Sinto melancolia dentro de mim, Esperando que a aula chegue ao fim. Oxalá este momento de reflexão Dê origem a alguma inspiração.

Tenho um módulo para fazer E o desespero já começa a aquecer. Sou um aluno pouco trabalhador Mas a professora quer Que eu trabalhe como um trator.

Se o poema eu não realizar Para o exame tenho que rezar. As três estrofes estou a terminar Felizmente, a aula está a acabar.

João Carrasco

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O Leve Pensar do Passado

O leve pensar do passado Que permanece sem querer partir É como um pássaro anilhado Que jamais poderá sair.

O sonho de uma nova vida que entristece quem não a sonha Mata quem a idealiza Quando não a concretiza.

Raiva que me mata o interior Tristeza de não poder esquecer Irei voltar atrás E viver a vida sem sofrer.

O sonho é algo já esquecido Como um projeto não realizado O medo de ficar perdido E um dia não ser amado.

Milene Oliveira

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A Angústia Por ti sofro e espero Por tanto te querer. Sem ti desespero E desconheço o meu ser.

A tua saudade aperta Quando não estás por perto Sei que a distância não te afeta Pois para mim és um livro aberto.

Quando não sorris Tenho vontade de chorar. Eu sem ti … Sou a praia sem o mar.

De repente, fecho os olhos E vejo que tudo está parado. Afinal, choro por aquela Que me tem magoado.

Gonçalo Marta

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Melancolia A andorinha voa Solta-se a alegria Porém, não é à toa Que fica alguma melancolia.

O dia está escuro Triste e chuvoso Dia que não vale ouro Porque está demasiado ventoso.

A minha vida não é bela… Nem sempre gosto dela. Não consigo aceitar Viver sem amar.

Estou desesperado Cansado, só e abandonado. Volta novamente Amor! E traz intacto o meu coração. Álvaro Faria

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O Sentimento Às vezes pergunto-me O que vim eu cá fazer? Até me questiono Se mereço viver.

Ao mesmo tempo lembro-me De todos os momentos vividos Não excluindo também Os sentimentos sentidos.

Entre a angústia e a dor Surge a felicidade e o amor Sentimentos contraditórios Que só me vêm descompor.

Todos sabem criticar E também magoar, Mas os verdadeiros Ficam para nos ajudar.

Ana Rita Fialho

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Mundo solitário O vento leve a soprar Neste mundo medonho É algo que não vai acordar Quem vive um grande sonho. Com tantas desilusões O destino é incerto. Num mundo de escuridões Eu vagueio num deserto. Quando o sol desaparecer E a lua começar a brilhar Vem ver E ouve-me a pensar. Com o mundo na mão Tudo parece fascinante Poucos falam com o coração Nesta vida alucinante. Da infância eu recordo Com saudade e tristeza Momentos passados De grande pureza e beleza. Gonçalo Perfeito

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II A Nostalgia da Infância

A leitura propicia viagens fantásticas e inusitadas, num permanente convite à Imaginação, à Descoberta e à Evasão.


Infância Adormecida

Quando eu era criança Tudo era bem diferente Eu tinha muita confiança E não me faltava esperança.

O meu pensamento era positivo O meu olhar era terno e amigo Hoje, penso negativo E só vejo o inimigo.

O grande desejo de retroceder Todos os dias está em mim Eu chorando ao amanhecer … Ah! Quero ficar, mas também desaparecer.

Sou mulher e sofro de saudade Daquilo que sentia na infância Em nada via maldade Hoje, é tudo uma enorme crueldade. Milene Oliveira

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Outrora Menino Menino, o menino que eu era Jogando ao pião numa tarde de primavera. Sempre me diverti muito naquela rua, Ela era minha, não era tua.

Oh Campo verde! Verde alface! A ceifeira ceifa e mostra a sua face, Eu fico a olhar para ela, Como se ela fosse a mais bela.

Hoje, estou aqui sozinho Percorrendo este longo caminho. Será que lá chegarei? Ao destino que eu nunca encontrei?

Pedro Santos

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As Crianças

As crianças brincando na rua Eu em casa à janela A pensar, olhando para a lua Na cabeça, uma bela Cinderela.

As saudades apertam A infância mais longe Até que um dia ela volte Esperarei eternamente.

A solidão é grande Maior do que eu queria Espero poder um dia Encontrar aquela Alegria.

Miguel Quaresma

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Alegria Infantil

Criança tem que ser criança Pular, correr e brincar. Não há no mundo maior tristeza Do que a criança pela infância não passar.

É tempo de infância. É tempo de sorrir. É tempo de florir.

Oh! Crianças! Deixem-nas vir.

Cátia Gonçalves

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A Nostalgia da Infância

Quando eu era pequenino Tudo tinha outra magia Era tão bom ser menino! Hoje, tanta nostalgia!

Queria voltar a ser criança Sem ter nenhuma preocupação Antes tinha tanta esperança Para encontrar qualquer solução.

O trabalho é a melhor opção Que eu devo escolher Para não ver a desilusão Que me pode um dia acolher.

João Sebastião

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O Sorriso Dá-me um sorriso daqueles Que não te servem de nada Como se dá às crianças Uma caixa esvaziada.

Dá-me um sorriso a brincar, Dá-me uma palavra a sorrir, Eu conseguirei ser feliz Só de te ver e ouvir.

Dá-me uma mão, Dá-me uma certeza, Dá-me uma razão, Para ver a tua beleza.

António Moreira

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Ser Criança Quando era pequenino À hora de acordar Chamava pelo paizinho Para me levantar. Depois de despachado Para a escola eu ia Assobiando e saltando Eu sempre sorria. Brincava e corria Nos recreios da escola Não me recordo do que fazia Nem onde deixava a sacola. À tardinha, de regresso Voltava à casinha Minha mãe, nunca me esqueço Pela mão me trazia. Os trabalhos, eu fazia Sentado na escrevaninha Cansado e aborrecido ficava Ui! Eu bem sei o que queria! Com a noite quase a chegar Uma história era contada Onde o cavaleiro andante Salvava a princesa encantada.

Daniel Rosa 30


Doce Infância Que saudades daqueles dias! Jogava à bola e corria, corria No inverno, nas manhãs frias Era uma grande alegria.

Na Infância eu sorria Nas brincadeiras com os amigos Nessa altura, eu não sofria Pois não tinha inimigos

Sinto um aperto no coração Porque tudo isso já passou Todos os dias sinto a desilusão Porque a minha infância acabou

Dia a dia tudo foi mudando A rotina de vida não é a mesma Antes com quedas andava chorando E hoje em dia vou vagueando. José Lucas 31


III O Sonho

O livro é uma fonte inesgotável sempre a jorrar conhecimentos, vivências e emoções.


Sonhos Maravilhosos Sonhos por realizar Toda a gente os tem Não me cansarei de sonhar Pois um dia lá chegarei.

No palco da idealização Todos têm direito a voar Com garra e determinação Um dia os resultados vão chegar.

O sonho por vezes é traiçoeiro Difícil de concretizar É como um amor passageiro Que nem deu para idealizar.

Determinada tenciono ser Sonhadora será uma faceta minha. Obstáculos hei de vencer E a vitória será minha. Márcia Machado

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Pura Ilusão Quando era pequenina, O sonho predominava. O tempo passou E reparei que ele se apagava.

Quando me apercebi Já não havia volta a dar Porém, cheguei à conclusão Que não devia parar de lutar.

Quando somos pequenos Tudo parece ser perfeito Mas quando crescemos Tudo parece ter defeito.

Eu era tão feliz ! … E feliz continuarei a ser Apesar das contrariedades Não vou deixar de viver. Ana Rita Fialho

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Infância Risonha Não estejas triste. Volta à tua infância feliz. Relembra belos momentos Que estão guardados dentro de ti.

Sê feliz com aquilo que és Não imites ninguém Pois no mundo, único és E um dia serás alguém.

Infância risonha, onde estás? Por favor, volta novamente.

Pedro Palma

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Imaginação O sonho é uma bela ilusão É como uma canção É ter esperança É ver a beleza num mundo de solidão.

O sonho é apenas uma idealização Imaginação de um desejo Desejo inalcançável Como a tal canção.

Sonhar é ter esperança É viver para além do possível É esconder a realidade dos nossos olhos Mas quem sonha, cansa-se.

Sonhar cansa a Alma e o Coração Cansa os olhos e a imaginação Porque no fim de contas Não passa de uma mera Ilusão.

Jéssica Valério

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Quero Voltar a Sonhar

Teria passado a vida Atormentado e sozinho Se os sonhos n達o fizessem Parte do meu caminho.

Umas vezes s達o de noite Outras, em pleno sol Surgem devagarinho Como o andar do caracol.

Entre o sono e sonho Numa viagem sem fim Estava t達o feliz Que n達o cabia em mim.

Pedro Lobito

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Sonho Alcançado O sonho da infância Tornou-se realidade Outrora, algo impossível Hoje, tudo é verdade.

A vida eu enfrento Sem medo de a viver No fim do meu percurso Nada terei deixado por fazer.

A vida que vivi Não foi uma idealização Foi algo marcante Que me ficou no coração.

Ana Nunes

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SONHOS Sonha sempre que quiseres Porque só se tem uma vida E nem sempre existe a chance De fazer aquilo que mais queres.

Amor para tornar a vida doce Amizade para torná-la alegre Tristeza para fazê-la humana E esperança para ser feliz.

Acredita que vale sempre a pena. Segue os teus sonhos Com coragem e emoção Deixa-te guiar pelo coração.

Tiago Pão Duro

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Sonhei, Sonhei, Sonhei … Um dia no meio do nada Dei por mim de olhos fechados E bastante desanimada AH! Sonhava com uma criança abandonada.

Triste, sozinho, abandonado Assim estava o menino no meu sonho Mostrava dor por nunca ter sido amado Mas sofria sozinho e calado

Vi nele aquilo que fui Uma criança sem condições Por dentro eu me destrui Só ficava alegre com belas canções

Sonhei, sonhei, sonhei …. E vi uma criança que queria o que eu quis Um carinho que sempre desejei Mas que a boca nunca diz.

Milene Oliveira

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BIBLIOTECA ESCOLAR DA ESCOLA SECUNDÁRIA DE MOURA

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