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Biblioteca Municipal Dr. Alexandre Alves Série. 01 N. 06

fevereiro 2014

www.biblioteca.cmmangualde.pt

NOVO ANO NOVOS LIVROS LANÇAMENTOS EM 2014 »3

Leya deixa de publicar Saramago

LOBO ANTUNES - Prémio Literária Nonino 2014 Golpada Americana

» 13

Exposição

»3

“PERCURSO” Pedro Ferreira

Curta-metragem Daniel Sousa nomeada para os Óscares

O filme de animação “Feral”, de Daniel Sousa foi no-

meado para os Óscares.

Vence nas contas de uns Globos de Ouro pulverizados

»3

»7 Uma iniciativa da Biblioteca para Avós » 17

Patente de 2 de dezembro a 31 de janeiro, na Biblioteca Municipal Dr. Alexandre Alves. » 11

CONTEÚDOS EDITORIAL..............................................................................................................2 NOTÍCIAS ...............................................................................................3 LEYA DEIXA DE PUBLICAR SARAMAGO.....................................................................3 NOVO ANO, NOVOS LIVROS.......................................................................................3 CURTA-METRAGEM DO PORTUGUÊS DANIEL SOUSA NOMEADO PARA OS ÓSCARS.....3 DESTAQUES DO MÊS.................................................................................4 “A MÁQUINA DE FAZER ESPANHÓIS” - VALTER HUGO MÂE......................................4 “PERDIDO POR XANGAI” - PEDRO PAIXÃO..................................................................4 “GUIA PARA UM FINAL FELIZ” - MAYHEW QUICK........................................................4 “A RAPARIGA QUE ROUBAVA LIVROS” - MARKUS ZUSAK........................................4 “O DIÁRIO DE UM BANANA - O EMPLASTRO” - JEFF KINNEY............................................5 “FADA ORIANA” - SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDERSEN........................................5 CONTO DO MÊS........................................................................................5 “QUE AGUACEIRO” - RAQUEL SAIZ ...............................................................................5

POESIA.................................................................................................6 FLORFELA ESPANCA....................................................................................................6 CINEMA.........................................................................................7 GOLPADA AMERICANA VENCE NAS CONTAS DE UNS GLOBOS DE OUURO PULVERIZADOS....7 MUSICA..........................................................................................8 MAESTRO CLAUDIO ABBADO MORREU AOS 80 ANOS.........................................8 GISELA JOÃO NO CENTRO CULTURAL DE BELÉM...................................................8 TEATRO...........................................................................................9 CAVAQUINHOS E RETORNADOS, SHAKESPEARE E ALMADA NO TEATRO VIRIATO.......9 PINTURA.........................................................................................10 PEDRO CALAPEZ.....................................................................................................10 EXPOSIÇÕES / ATIVIDADES......................................................................11 “PERCURSO”.................................................................................11 “ALÉM DA IMAGINAÇÃO”............................................................................................12

“CICLO DE CINEMA CNE NA BIBLIOTECA”....................................................................12 “DAS IMAGENS, DAS PALAVRAS.............................................................................12 ANTÓNIO LOBO ANTUNES...................................................................13 PROJETOS......................................................................................17 “ESPAÇO INTERNET”....................................................................................................26 FOI HISTÓRIA.......................................................................................18 ACONTECEU..............................................................................25 “PHALO NATURALMENTE, EM LIBERDADE“...........................................................25 ÙLTIMA..........................................................................................26 TOP LEITORES...........................................................................................................26 EM MARÇO............................................................................................26 “TIMORLESTE - BELLEFOTO”.......................................................................................26 “A ARTE DO COLECCIONISMO”....................................................................................26

PEDRO CALAVEZ “ Arte é apenas arte, na medida em que se relaciona com a história da arte e a maneira pela qual os indivíduos a sentem.” » 10


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EDITORIAL

Depois dos balanços e recomeços a que o mês de Janeiro nos obriga, eis a chegada de fevereiro, o mais curto dos meses, mas não menos expressivo. Durante o mês de Fevereiro a Biblioteca Municipal acolhe duas exposições de pintura nos seus espaços habituais; no Átrio Pedro Ferreira e na Sala Polivalente Alzira Ferreira. Para além das nossas sugestões literárias destacaremos três temas que partem de dias comemorativos, com significado especial para as comunidades. Assim, a partir de dia 10 de Fevereiro e até final do mês, a Biblioteca Municipal, enquanto instituição que contribui para a inclusão e massificação da literacia digital, e, no âmbito do Dia da Internet mais Segura, alia-se ao Centro Internet Segura, para proceder à sensibilização dos utilizadores partindo do tema deste ano, “Juntos vamos criar uma internet melhor”. Para o público jovem e adulto a biblioteca fará uma abordagem personalizada, no momento em que cada utilizador se inscreve para aceder à informação.

FICHA TÉCNICA Equipa da biblioteca

Cada abordagem pode variar de acordo com o nível de interesse manifestado ou com as dúvidas colocadas aos técnicos da Biblioteca. Para as crianças do 1º ciclo, estão previstas sessões de grupo que decorrerão nas manhãs de 11, 12, 14 e 18 de Fevereiro. Mas não daremos apenas atenção às questões da internet. Vamos também assinalar o Dia Mundial da Rádio, celebrado a 13 de Fevereiro. Declarado o dia Mundial da Rádio em 2011 pela UNESCO, a data foi celebrada pela primeira vez em 2012 e assinala o dia em que a United Nations Radio emitiu pela primeira vez, em 1946, um programa em simultâneo para um grupo de seis países.A rádio continua a ser o meio de comunicação social que atinge as maiores audiências, continuando a adaptarse às novas tecnologias e a novos equipamentos. É um meio bastante útil para a população, seja como ferramenta de apoio ao debate e comunicação, na promoção cultural ou em casos de emergência social. Para os profissionais de comunicação social é uma plataforma para divulgarem factos e histórias.A rádio acompanhou os principais acontecimentos históricos mundiais e hoje continua a ser um meio de comunicação fundamental. Este meio de comunicação social adaptou-se à era digital e continua a ser um meio fiável para a população, que recebe a informação na hora, sendo uma das características mais positivas da rádio. Neste contexto, no dia 13 de Fevereiro será improvisado um Estúdio de Rádiono átrio da Biblioteca Municipal, a partir do qual haverá interacção com o público, música e informação. Contamos com todos os nossos utilizadores para que esta actividade seja mais um conjunto de momentos diferentes na nossa Biblioteca. Para finalizar, não deixaremos de assinalar o Dia de S. Valentim com as nossas sugestões literárias e com o afecto e simpatia que temos por todos os utilizadores deste serviço. Este dia, embora com maior significado para os casais amorosos, não deixa de ser mais um dia em que devemos privilegiar o amor e o respeito pelos outros.


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Leya deixa de publicar Saramago

Biblioteca Municipal Dr Alexandre Alves | FEVEREIRO 2014

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NOTÍCIAS in Público 22/01/2014

Fundação José Saramago está em contacto com “várias editoras” e não descarta a hipótese de ser ela mesma a publicar a obra do Nobel português. anunciado por comunicado o rompimento da relação contratual da sua subsidiária Editorial Caminho com as herdeiras do escritor — a filha, Violante Saramago Matos, e a viúva, Pilar del Río —, José Sucena escusou-se a avançar detalhes quanto aos motivos do fim de uma relação editorial iniciada há 35 anos, com a publicação de A Noite (1979). “Todos os contratos têm um início e um fim. Quando chegam ao fim, podem voltar a discutir-se os termos e não chegámos a acordo”, explicou. “Foi um divórcio por mútuo acordo em que as partes não têm que discutir motivos em tribunal.”

José Saramago A Fundação José Saramago deverá anunciar

no princípio da próxima semana a nova editora do Nobel português, disse esta quarta-

feira ao PÚBLICO o administrador da fundação, José Sucena. Contactado pouco depois de a Leya ter

Novo ano, novos livros de Teolinda Gersão, Miguel Esteves Cardoso e Isabel Allende

in Sol 09/01/2014

O grupo Porto Editora anunciou hoje, em Lisboa, que serão publicados, este ano, novos títulos de Teolinda Gersão, Miguel Esteves Cardoso, João Pedro Marques e Isabel Allende, entre os 82 que conta editar. O primeiro título do ano será um livro de contos de Miguel Miranda, “A Fome do Licantropo e Outras Histórias”, que, segundo Manuel Alberto Valente da Porto Editora (PE), se trata de “um conjunto de 35 [contos], ordenados alfabeticamente, que funciona como um mostruário de profissões menos habituais”. Entre os novos títulos figura “O Estranho Caso de Sebastião Moncada”, um romance histórico de João Pedro Marques, cuja acção se passa no Porto, no século XIX, durante as Guerras Liberais. Na área do romance histórico será editado, ainda este mês, “A Rainha dos Sipaios”, de Catherine Clément, que narra uma história lendária, de meados do século XIX, que ainda hoje é lembrada pelos indianos, a da rainha de Jhansi, no centro da Índia. A rainha, viúva, de 30 anos, que morreu na guerra enfrentando os colonialistas ingleses, vestida de homem, as rédeas do cavalo entre os dentes, uma espada em cada mão e um colar de pérolas ao pescoço. “O Jogo de Ripper” é o título do novo romance da chilena Isabel Allende e, de Miguel Esteves Cardoso, serão publicadas “Novas Crónicas” e reeditadas“As minhas aventuras na República Portuguesa” A PE inicia este ano a publicação das obras de Dashiell Hammett (1894-1961), que Manuel Alberto Valente apontou como “um dos grandes fundadores do romance policial”. Deste autor será publicado“O Homem Sombra”e“A Maldição dos Dain”. De outro autor destacado, Richard Ford, de 69 anos, será editado “Canadá”. Richard Ford é o único autor norte-americano galardoado com um prémio Faulkner, um Pulitzer e um PEN. O norte-americano tornou-se conhecido com obras como “O Jornalista Desportivo”, editado em Portugal pela Teorema em 1986, “O Dia da Independência”, prémio Pulitzer, publicado pela mesma

No comunicado emitido pela Leya lê-se apenas: “As herdeiras de José Saramago e a Editorial Caminho informam que não foi possível chegar a acordo sobre as condições contratuais que permitiriam continuar a publicar, nesta editora, a obra do escritor. Antes, o Expresso, que avançou a notícia, publicou no seu site como sendo um comunicado o que seriam, na verdade, conteúdos de uma comunicação interna da editora: “Fez-se tudo quanto se pôde para continuar a merecer a honra de editar José Saramago. Mas tal não foi infelizmente possível.”

À hora em que a notícia foi conhecida, Pilar del Río manteve-se incontactável e Violante Saramago Matos recusou prestar declarações, dizendo ser Sucena o porta-voz nesta questão. O administrador da fundação diz que a instituição está a fazer “diligências no sentido de encontrar uma editora que sirva a Saramago e a quem Saramago sirva”, “uma editora ao nível da grandeza do homem e da obra”. Reconhecendo a situação de mercado privilegiada da Leya, que publica não só em Portugal mas também no Brasil, em Angola e Moçambique, ressalvou: “É verdade, mas há mais editoras.” Sucena avançou também com a hipótese de ser a própria fundação a assumir, de agora em diante, a publicação de Saramago. “É uma hipótese. A fundação já editou vários livros, quatro, se não estou em erro. Temos a estrutura e conhecimento muito profundo de Saramago.”

Curta-metragem do português Daniel Sousa nomeada para os Óscares

editora, em 1998, ou“A última oportunidade”, saído em 1997, com a chancela da Relógio d’Água. A Sextante Editora, do grupo PE, prosseguirá a publicação das obras do autor russo Alexandr Soljenitsine, do qual “Zacarias Escarcela” será publicado pela primeira vez em Portugal, com tradução directa do original de António Pescada. Nesta editora também sairá o novo romance de Teolinda Gersão, “Passagens”, anunciou João Rodrigues, desta chancela. O original chegou recentemente à editora e, segundo João Rodrigues, “aborda a vida, a morte e o sentido que faz a nossa passagem por este mundo”. O editor afirmou que a escritora poderá ter sido influenciada pela morte de sua mãe, no ano passado, para escrever este romance. Em 2013, a escritora publicou “As Águas Livres”, também na Sextante. Pelo romance “A cidade Ulisses”, Teolinda Gersão recebeu, no ano passado, o Prémio da Fundação António Quadros. A obra já tinha já arrecadado, em 2012, o Prémio Ciranda. Vasco David, da Assírio & Alvim, outra chancela do grupo PE, destacou a publicação, este ano, de “A Misericórdia dos Mercados”, de Luís Filipe Castro Curta-metragem Feral Mendes, e de“As Leis da Fronteira”, de Javier Cercas. O filme de animação “Feral”, de Daniel Sousa, realNesta editora serão reeditadas obras de Eugénio de Andrade e de Sophia de Mello Breyner Andre- izador português nascido em Cabo Verde, está nomeado para o Óscar de melhor curta-metragem sen. De Eugénio de Andrade serão publicados “Vé- de animação, anunciou hoje a Academia de Cinspera da Água”, “Escrita da Terra e outros epitáfios” ema dos Estados Unidos. e ainda “Aquela Nuvem e Outras”, que regressa aos “Feral” conta a história de um menino selvagem, escaparates do público infanto-juvenil, com as ilustrações de Cristina Valadas. A obra, lançada nos anos uma criança que se tenta adaptar à civilização, 1980, na Asa, foi ilustrada originalmente por Júlio depois de ter sido encontrada num bosque, onde Resende, seguindo-se depois Jorge Colombo, na cresceu. versão publicada pelo Círculo de Leitores. Este é o sexto filme de Daniel Sousa e soma mais De Sophia, falecida há dez anos, serão editados os“Contos Exemplares”,“Dia do Mar”e“Cristo Ciga- de uma dezena de prémios entre os cerca de quarenta festivais de cinema onde foi exibido, nomeno”. A poetisa integrará também uma antologia adamente o de Annecy (França), onde recebeu três de poetas católicos portugueses do século XX, distinções em 2013. que está a ser organizada por José Tolentino Mendonça e Pedro Mexia.

in Sol 16/01/2014

No Cinanima 2012, em Espinho, conquistou o prémio RTP2 “Onda Curta”. Daniel Sousa nasceu em Cabo Verde em 1974, cresceu em Portugal e em 1986 mudou-se com a família para os Estados Unidos, onde vive. O realizador, que integra o colectivo Handcranked Films Projects, formou-se na Rhode Island School of Design, onde atualmente dá aulas, depois de já ter leccionado na Universidade de Harvard ou no Art Institute de Boston. A cerimónia dos Óscares está marcada para 02 de março, em Los Angeles (Califórnia), com apresentação de Ellen DeGeneres.


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DESTAQUES DO MÊS “A Máquina de Fazer Espanhóis” Valter Hugo Mãe

Esta é a história de quem, no momento mais árido da vida, se surpreende com a manifestação ainda de uma alegria. Uma alegria complexa, até difícil de aceitar, mas que comprova a validade do ser humano até ao seu último segundo. a máquina de fazer espanhóis é uma aventura irónica, trágica e divertida, pela madura idade, que será uma maturidade diferente, um estádio de conhecimento outro no qual o indivíduo se repensa para reincidir ou mudar. O que mudará na vida de antónio silva, com oitenta e quatro anos, no dia em que violentamente o seu mundo se transforma? valter hugo mãe nasceu em Saurimo, Angola, no ano de 1971. Licenciado em Direito, pós-graduado em Literatura Portuguesa Moderna e Contemporânea. Vive em Vila do Conde. Publicou três romances: o apocalipse dos trabalhadores (2008), o remorso de Baltazar serapião, Prémio José Saramago (2006) e o nosso reino (2004). A sua obra poética está revista e reunida no volume folclore íntimo (2008). valter hugo mãe é vocalista do grupo musical Governo (www.myspace.com/ogoverno) e esporadicamente dedica-se às artes plásticas.

“Perdido por Xangai” Pedro Paixão

A narração de uma viagem registada a vários níveis: física, psíquica e histórica. Nela se conjugam descobertas e aventuras pessoais, meditações sobre a condição humana e sobre a diferença de modos de vida, reflexões sobre a convicção comunista e o regime chinês em particular. Assim, o narrador pode passar de espectador de uma luta de grilos numa ruela de Xangai, a tentar compreender o fascínio que o povo chinês tem tradicionalmente pelo o jogo, à ocupação chinesa do Tibete e ao desaparecimento do Panchen Lama. É por isso um livro que compreende informação, emoção e detalhes da forma de vida oriental no seu embate com o ocidente, na nova capital do planeta: Xangai. Os textos são ilustrados por uma série de fotografias originais captadas pelo autor nas suas viagens àquela cidade chinesa.

“A Rapariga Que Roubava Livros” Markus Zusak

“Guia para Um Final Feliz” Mathew Quick

Pat Peoples está de regresso ao mundo da normalidade da vida familiar em casa de seus pais após ter permanecido numa instituição psiquiátrica devido a um traumatismo grave. Da memória deste fervoroso adepto dos Eagles de Philadelphia desapareceu uma participação do clube no Super Bowl e a demolição do antigo estádio. Ninguém, lá em casa, lhe fala de Nikki, a sua mulher, e até o seu novo terapeuta parece incitá-lo ao adultério. Tudo assume um aspeto cada vez mais estranho. Como a pouco e pouco se vai revelando, anos da sua vida tinham-se pura e simplesmente apagado. Apesar disso, Pat não se deixa desviar daquela que acredita ser a missão de autoaperfeiçoamento. Guia para Um Final Feliz é uma narrativa vibrante e intensa que nos oferece uma visão refrescante sobre sentimentos de perda, depressão e amor. É também um magnífico romance de estreia que foi adaptado ao cinema e que chega a Portugal a 10 de Janeiro 2013, na mesma data em que estreia o filme.

Quando a morte nos conta uma história temos todo o interesse em escutá-la. Assumindo o papel de narrador em A Rapariga Que Roubava Livros, vamos ao seu encontro na Alemanha, por ocasião da segunda guerra mundial, onde ela tem uma função muito activa na recolha de almas vítimas do conflito. E é por esta altura que se cruza pela segunda vez com Liesel, uma menina de nove anos de idade, entregue para adopção, que já tinha passado pelos olhos da morte no funeral do seu pequeno irmão. Foi aí que Liesel roubou o seu primeiro livro, o primeiro de muitos pelos quais se apaixonará e que a ajudarão a superar as dificuldades da vida, dando um sentido à sua existência. Quando o roubou, ainda não sabia ler, será com a ajuda do seu pai, um perfeito intérprete de acordeão que passará a saber percorrer o caminho das letras, exorcizando fantasmas do passado. Ao longo dos anos, Liesel continuará a dedicar-se à prática de roubar livros e a encontrar-se com a morte, que irá sempre utilizar um registo pouco sentimental embora humano e poético, atraindo a atenção de quem a lê para cada frase, cada sentido, cada palavra. Um livro soberbo que prima pela originalidade e que nos devolve um outro olhar sobre os dias da guerra no coração da Alemanha e acima de tudo pelo amor à literatura.


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“O diário de um banana - O emplastro” Jeff Kinney

Biblioteca Municipal Dr Alexandre Alves | FEVEREIRO 2014

DESTAQUES DO MÊS “A Fada Oriana”

Sophia de Mello Breyner Andresen elas nascem da nossa capacidade de atribuir vida, vontade e intenções ao mundo da natureza.

para aqui com “Querido Diário” isto e “Querido Diário” aquilo. Felizmente para nós, o que o Greg diz e o que realmente faz são duas coisas muito diferentes.

Em A Fada Oriana, encontramos o dom da proteção sobre os seres mais frágeis que vivem numa floresta, encontramos as tão humanas oscilações entre a solidariedade, o sentido da responsabilidade e o egoísmo e a vaidade. Encontramos, como é próprio de muitos contos tradicionais e para a infância, as peripécias de uma luta entre o bem e o mal.

Sinopse

Não é fácil ser criança. E ninguém sabe isso melhor do que o Greg Heffley, que se vê aprisionado na escola preparatória, onde fracotes minorcas dividem os corredores com miúdos mais altos e malvados que já fazem a barba. Em O Diário de um Banana, o autor e ilustrador Jeff Kinney apresenta-nos um herói improvável. Como o Greg diz no seu diário: Não esperem que eu me ponha

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«O amor está no ar… Mas será que vai apanhar o Greg? A Festa de São Valentim na escola do Greg está a deixá-lo em parafuso. Por mais que se esforce, não consegue convencer nenhuma miúda a acompanhá-lo, e está a ver que vai ter de ir sozinho. O seu amigo Rowley também não tem par, mas isso não lhe serve de grande consolo. De repente, a sorte parece bater-lhe à porta, e o Greg consegue finalmente encontrar um par para a festa, o que quer dizer que o Rowley é o único desemparelhado. Só que muito pode acontecer numa noite... No fim, quem vai ter sorte ao amor e quem vai ser O EMPLASTRO?» Este livro é 7.º volume da série O Diário de um Banana, a coleção infantojuvenil mais vendida em Portugal.

“Livro indicado pelas Metas Curriculares para o trabalho da Educação Literária no 5.º ano e recomendado pelo Programa de Português para o mesmo ano de escolaridade, para leitura orientada na sala de aula - Grau de dificuldade III. Dizia Sophia que as fadas são seres da natureza. Queria com isto lembrar que

CONTO DO MÊS “QUE AGUACEIRO” Raquel Saiz Ilustração: Maja Celija

Plano Nacional de Leitura Livro recomendado para o 3º ano de escolaridade, destinado a leitura autónoma. O senhor Manuel levantou-se, como todos os dias; lavou a cara, vestiu-se… e ao sair à rua… caiu-lhe uma princesa na cabeça! É que há dias em que as leis da natureza não funcionam: há dias em que o amor cai do céu. Lirismo, ironia e normalidade absoluta, para marcar com grande sentido de humor a revisão do tema «princesa» dos contos tradicionais (aquela que conhece o príncipe e por ele se apaixona para toda a vida). A autora aproveita um lugar-comum para nos fazer reflectir acerca dos valores e dos sentimentos humanos, e sublinhar a importância da convivência entre diferentes - que são ao mesmo tempo iguais. A ilustradora croata Maja Celija, que se apresenta pela primeira vez ao público português, oferece-nos um estilo expressionista e contundente, com evidente sentido de humor. As suas imagens têm grande força comunicativa, reflectindo e enriquecendo o carácter irónico e humorístico do texto de Raquel Saiz.


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POESIA “PERDIDAMENTE” Ser poeta é ser mais alto, é ser maior Do que os homens! Morder como quem beija! É ser mendigo e dar como quem seja Rei do Reino de Áquem e de Além Dor! É ter de mil desejos o esplendor E não saber sequer que se deseja! É ter cá dentro um astro que flameja, É ter garras e asas de condor! É ter fome, é ter sede de Infinito! Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim... É condensar o mundo num só grito! E é amar-te, assim, perdidamente... É seres alma, e sangue, e vida em mim E dizê-lo cantando a toda a gente! Florbela Espanca

Obras publicadas

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Florbela Espanca

Florbela Espanca nasceu em Vila Viçosa, a 8 de Dezembro de 1894, sendo baptizada, com o nome de Flor Bela Lobo, a 20 de Junho do ano seguinte, como filha de Antónia da Conceição Lobo e de pai incógnito. É em Vila Viçosa que se desenrola a sua infância. Em Outubro de 1899, Florbela começa a frequentar o ensino pré-primário, passando a assinar Flor d’Alma da Conceição Espanca (algumas vezes, opta por Flor, e outras, por Bela). Em Novembro de 1903, aos sete anos de idade, Florbela escreve a sua primeira poesia de que há conhecimento, «A Vida e a Morte», mostrando uma admirável precocidade e anunciando, desde já, a opção por temas que, mais tarde, virá a abordar de forma mais complexa. Ainda no mesmo ano, Florbela começa a escrever uma poesia sem título, o seu primeiro soneto. Conclui a instrução primária em Junho de 1906, entrando para o actual sexto ano de escolaridade em Outubro do mesmo ano. No ano seguinte, Florbela aponta os primeiros sinais da sua doença, a neurastenia; além disso, escreve o seu primeiro conto, «Mamã!». Em 1908, Antónia Lobo, a mãe de Florbela morre vítima de neurose, após o que a família se desloca para Évora, para Florbela prosseguir os seus estudos no Liceu André Gouveia, com o chamado Curso Geral do Liceu, cuja sexta classe (próxima do 10º ano actual) completa em 1912. Entretanto, em 1911, começa a namorar com Alberto Moutinho, mas acaba por se afastar deste, em virtude de uma nova paixão por José Marques, futuro director da Torre do Tombo. Após romper com este, no ano seguinte, Florbela reata o namoro com Alberto Moutinho e, a 8 de Dezembro, uma vez emancipada, casa com ele, pelo civil, aos 19 anos. Em 1914, apesar de algumas dificuldades económicas, o casal muda-se para o Redondo, na Serra d’Ossa, onde abre um colégio e lecciona. Numa festa do colégio, Florbela recita, pela primeira vez, versos seus em público. É no ano seguinte que Florbela inicia o seu caderno «Trocando Olhares», que completa ao longo de cerca de um ano e meio. Em 1916, a revista «Modas e Bordados» publica o soneto «Crisântemos», cheio de alterações ao original, e Florbela torna-se amiga da directora e da sub-directora da revista, Júlia Alves, com quem, aliás, inicia correspondência. Alguns meses depois, torna-se colaboradora do jornal «Notícias de Évora», e desiste de um projecto intitulado «Alma de Portugal», um livro de acentuada carga patriótica, e que conteria as partes «Na Paz» e «Na Guerra». Em 1917, após ter regressado a Évora, Florbela completa o actual 11º ano do Curso Complementar de Letras, com catorze valores; apesar de querer seguir essa área, acaba por se inscrever, em Outubro, na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, o que a obriga a mudar-se para Lisboa, onde começa a contactar com a vida boémia. Na sequência de um aborto involuntário,

Poesia Clepsydra. Lisboa, Lusitânia Ed. Ana de Castro Osório, 1920, 1a edição (Há edição fac-símile publicada pela Ecopy em 2009) Clepsidra. Lisboa, Atica, Ed. João de Castro Osório, 1945, 1956 (reimp.) Clepsidra e Outros Poemas, Ed. João de Castro Osório, Lisboa, Atica 1969 Caderno Poético de Camilo Pessanha, Macau, Edição dos Serviços de Educação e Cultura da Biblioteca Nacional de Macau, 1985. Clepsydra - Poemas de Camilo Pessanha, São Paulo, Editora da UNICAMP, 1992. Ensaios e Traduções Kuok Man Kan To Shu – Leituras Chinesas (livro escolar, em colaboração com José Vicente Jorge). Macau, Editora da Tipografia Mercantil de N. T. Fernandes e Filhos, 1915. Catálogo da Colecção de Arte Chinesa Oferecida ao Museu Nacional. Macau, Imprensa Nacional, 1916 (exemplar, com dedicatória, oferecido a José Vicente Jorge).

em 1919, Florbela tem de se mudar para Quelfes, perto de Olhão, onde apresenta os primeiros sintomas sérios de neurose. Pouco depois, o seu casamento desfaz-se e Florbela decide ir para Lisboa prosseguir o curso, separando-se do marido, e passando a conhecer a rejeição da sociedade. Em Junho de 1919, depois de alguma correspondência trocada com Raul Proença, sai a lume o «Livro de Mágoas»; posteriormente, completa o terceiro ano de Direito. No ano seguinte inicia «Claustro das Quimeras»; simultaneamente, passa a viver com António Guimarães, em Matosinhos, com quem se casa em 1921, após o primeiro divórcio. De volta a Lisboa, em 1923, Florbela vê publicado o «Livro de Soror Saudade», mas tem de se mudar rapidamente para Gonça, perto de Guimarães, para se tratar de um novo aborto. Assim, Florbela separa-se do marido, que pede o divórcio, oficializado em 1924; isso leva a que a família de Florbela não lhe fale durante dois anos, o que a abala muito. Em 1925, depois de se ter mudado para a casa de Mário Lage em Esmoriz, casa com ele, pelo civil e, depois, pela Igreja. Dois anos depois, enquanto Florbela traduz romances

franceses para a Livraria Civilização no Porto, e prepara «O Dominó Preto», o seu irmão falece, o que a torna uma mulher triste e desiludida e inspira «As Máscaras do Destino». Enquanto a relação com o marido se desgasta progressivamente, a neurose de Florbela agrava-se bastante; é neste período que, possivelmente, se apaixona pelo pianista Luís Maria Cabral, a quem dedica «Chopin» e «Tarde de Música»; talvez por isso, tenta suicidar-se. Em 1929, Florbela passa por Lisboa, onde lhe é recusada a participação no filme «Dança dos Paroxismos», de Jorge Brum do Canto, e segue para Évora, onde, em 1930, começa a escrever o seu «Diário do Último Ano». Passa, então a colaborar nas revistas «Portugal Feminino» e «Civilização», e trava conhecimento com Guido Battelli, que se oferece para publicar «Charneca em Flor». Já em Matosinhos, Florbela revê as provas do livro, depois da segunda tentativa de suicídio, em Outubro ou Novembro, período em que a neurose se torna insuportável e lhe é diagnosticado um edema pulmonar. A 8 de Dezembro, dia do nascimento e do primeiro casamento, Florbela suicida-se, cerca das duas horas, com dois frascos de Veronal.

Homenagem aos Aviadores que Completaram o 1o Raid Aéreo Lisboa-Macau. Macau, 1924. Oito Elegias Chinesas. Lisboa, Edições Descobrimento, 1931 (separata). China, Estudos e Traduções, Lisboa, Agência Geral das Colónias, 1944. Camões nas Paragens Orientais (em colaboração com Wenceslau de Moraes). Porto, Tipografia Mendonça, , 1951., (inclui o ensaio “Macau e a Gruta de Camões”). Testamento de Camilo Pessanha, Lisboa, Bertrand Editora, 1961. Cartas a Alberto Osório de Castro, João Baptista de Castro e Ana de Castro Osório (organização de Maria José Lancastre). Lisboa, Imprensa Nacional, 1984. Contos, Crónicas, Cartas Escolhidas e Textos de Temática Chinesa, Lisboa, Publicações Europa-América, 1988. Camilo Pessanha – Prosador e Tradutor, organização, prefácio e notas de Daniel Pires; IPOR / ICM, 1992


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CINEMA

Golpada Americana vence nas contas de uns Globos de Ouro pulverizados

in Público 13/01/2013

Os cerca de 90 votantes dos Globos de Ouro,

a associação de jornalistas estrangeiros com base em Hollywood, distribuíram os prémios pelas várias estrelas que convidaram para uma festa de domingo à noite. Sem surpresas, os favoritos da aritmética, os mais nomeados 12 Anos Escravo e Golpada Americana venceram o prémio de melhor filme dramático e o de melhor filme de comédia, respectivamente, mas foi este último que ganhou no final das contas – os prémios para as suas actrizes, Amy Adams e Jennifer Lawrence, deram-lhe o maior número de Globos da cerimónia. Os prémios para os actores, realizadores e argumentos preencheram o puzzle variado de uma noite que tocou a quase todos. Com os habituais momentos de descontracção que caracterizam o evento, os 71.ºs Globos de Ouro tiveram aspersores a molhar a passadeira vermelha, piadas das anfitriãs Amy Poehler e Tina Fey sobre Justin Bieber ou sobre como George Clooney preferiu flutuar no espaço “do que passar mais tempo com uma mulher da sua idade”, uma Jacqueline Bisset entaramelada e Emma Thompson de saltos altos na mão, copo na outra, a apresentar o prémio de melhor argumento – que iria para Spike Jonze pelo filme Her, em que Joaquin Phoenix se apaixona pela voz do seu sistema operativo digital e que se estreia em Portugal a 30 de Janeiro. É que se os Globos à distância funcionam como o verdadeiro pontapé de saída para a temporada de prémios de Hollywood, à lupa revelam objectivos sobretudo promocionais tanto para as estrelas quanto para a Associação da Imprensa Estrangeira de Hollywood – e gostam de ser descritos como um jantar borbulhante, recheado de muitas estrelas, que acaba por nomear sempre para garantir uma noite cintilante. (Vejam-se alguns pontos negros no currículo dos Globos, como as nomeações para o olvidável O Turista, que levou Angelina Jolie e Johnny Depp ao evento para serem alvo do apresentador dessa edição, Ricky Gervais, ou distinções mais datadas, como o prémio de nova estrela dado a Pia Zadora em 1981.) Numa noite de buffet e que os críticos sublinham que acontece num ano particularmente suculento na qualidade dos seus filmes, os prémios foram então espalhados pelas várias mesas da cerimónia: Golpada Americana, o filme de David O. Russell sobre um grupo de burlões e a operação do FBI que os tenta armadilhar, sai como vencedor, mas o facto de a Associação de Imprensa Estrangeira dividir as categorias entre drama e comédia/ musical permite dar também um troféu a Steve McQueen por 12 Anos Escravo, um dos grandes favoritos da temporada. Cada um dos dois filmes estava nomeado em sete categorias. “Estou um pouco em choque”, disse o realizador britânico sobre o prémio de melhor drama para o seu filme sobre um negro livre que é raptado e tornado escravo, “não estava à espera”. Mas o prémio de melhor realizador foi para o mexicano Alfonso Cuarón por Gravidade, o único Globo para outro dos filmes mais nomeados e distinguidos nesta época de prémios. Tal como não se esperava que Woody Allen estivesse no Hotel Beverly Hilton para receber o seu Prémio Cecil B. DeMille de carreira (foi recebido pela sua amiga e eterna Annie

Hall, Diane Keaton), não foi surpresa quando Cate Blanchett recebeu o prémio de melhor actriz dramática pelo último filme do realizador, Blue Jasmine. E se Amy Adams recebeu o seu primeiro Globo pelo protagonismo em Golpada Americana (estreia-se dia 23 em Portugal) batendo nomeadas como Meryl Streep (August: Osage County – Um Quente Agosto), Leonardo DiCaprio recebeu o seu primeiro

Realizador. O efeito dos Globos de Ouro, que em 2013 foram entregues já depois de serem conhecidas as nomeações para os Óscares (este ano são anunciadas depois, na quintafeira dia 16), foi um ingrediente fundamental na narrativa sobre o filme de um comeback kid que não fora reconhecido pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas. Argo acabaria por ganhar o Óscar de Melhor Filme.

os seus próprios filmes e não ser ditados pelo studio system”. Ainda quanto aos Globos, na televisão, a despedida de Breaking Bad venceu na categoria de melhor série dramática e melhor actor em drama (Bryan Cranston). O telefilme de Steven Soderbergh Por Detrás do Candelabro conquistou o galardão de melhor telefilme/ mini-série, distinguindo como melhor actor Michael Douglas. O prémio de melhor série de comédia foi entregue à estreante Brooklyn Nine-Nine, com Andy Samberg a vencer também o galardão de melhor actor nesta categoria. A série de Lena Dunham, Girls, cuja terceira temporada se estreou na noite dos Globos na HBO, foi uma das derrotadas da noite. Amy Poehler passou de apresentadora para vencedora na comédia, com o seu primeiro Globo por Parks and Recreation, acompanhada por Robin Wright, distinguida pelo papel de mulher do protagonista de House of Cards, a série fenómeno do serviço de streaming Netflix, que não teve qualquer outro prémio. Lista de vencedores:

Globo por uma comédia com O Lobo de Wall Street, o seu quinto filme realizado por Martin Scorsese. E não escondeu a ironia misturada com surpresa – “Nunca adivinharia que ganharia [o Globo] de melhor actor numa comédia” – por competir com outros “cómicos” como Christian Bale, nomeado na mesma categoria, mas por Golpada Americana. Primeiros troféus para McConaughey e Leto Os papéis fisicamente transformadores de Matthew McConaughey e Jared Leto, protagonista e actor secundário, respectivamente, em O Clube de Dallas (estreia-se esta semana, dia 16, em Portugal), uma história sobre a sida nos anos 1980, deram-lhes os Globos na secção dramática, os seus primeiros troféus nessas categorias. Se o prémio para Leto, que não fazia um filme há seis anos, era esperado, entre os protagonistas estavam Robert Redford (All Is Lost) ou Tom Hanks (Capitão Phillips), estrelas muito cortejadas pelos Globos, o que tornou a vitória de McConaughey mais valiosa. Completamente ignorados foram Nebraska, Filomena (de Stephen Frears, e que se estreia a 6 de Fevereiro em Portugal), Capitão Phillips e August: Osage County – Um Quente Agosto (estreia-se a 27 de Fevereiro). O melhor filme de animação foi Frozen: O Reino do Gelo, e o melhor estrangeiro foi A Grande Beleza, de Paolo Sorrentino (já consagrado nos Prémios do Cinema Europeu como Filme do Ano, Melhor Realizador, Melhor Actor e com estreia em Portugal marcada para 20 de Fevereiro), um dos nove finalistas para a mesma categoria nos Óscares – cujas nomeações são conhecidas esta quinta-feira. A busca nos Globos de Ouro por indicadores para a noite que mais interessa, a de 2 de Março, é uma constante. No ano passado, por exemplo, Argo venceu o Globo de melhor filme dramático e o seu realizador, Ben Affleck, não estava nomeado para o Óscar de Melhor

Nomeações para os Óscares A real força dos Globos sente-se na frente promocional, porque não só permite fazer novos cartazes com prémios dourados para os filmes vencedores, como prolongar a estadia de alguns filmes nas salas – em Portugal, o início do ano é forte em estreias dos filmes oscarizáveis, com alguns dos títulos mais referidos a estrearem-se até finais de Fevereiro para tentar capitalizar o buzz dos Óscares. E note-se que se os Globos são votados por não mais do que 90 jornalistas, na sua maioria freelancers que cobrem o sector em Hollywood, os Óscares são votados pelos pares. Por produtores, executivos de estúdios, realizadores ou actores – e estes últimos perfazem a maioria dos cerca de 6000 votantes que já escolheram quem será nomeado no dia 16 e que estará na cerimónia de Março. “Por isso, o que os membros de um destes grupos pensam não fornece necessariamente qualquer pista verdadeira sobre o que os membros do outro grupo pensam ou querem”, defende esta segunda-feira Scott Feinberg, analista de prémios de cinema da revista especializada Hollywood Reporter. Se esta semana chegam as nomeações para os Óscares, as guildas de actores, produtores, realizadores e argumentistas têm as suas cerimónias nos dias 18, 19, 25 de Janeiro e 1 de Fevereiro, respectivamente. Os britânicos BAFTA são entregues a 16 de Fevereiro. Até Março, celebra-se então um ano rico que, depois de mais um Verão de blockbusters e superfilmes, nas suas últimas semanas viu emergir “um dilúvio de obras-primas”, como disse ao Observer Husam Sam Asi, um dos votantes dos Globos. “Uma celebração do cinema americano que não víamos há algum tempo”, acrescenta, citando como exemplos Nebraska ou 12 Anos Escravo, cujos realizadores Alexander Payne e McQueen “conseguiram fazer

Cinema Melhor drama: 12 Anos Escravo Melhor comédia/musical: Golpada Americana Melhor realizador: Alfonso Cuaron (Gravidade) Melhor actor de drama: Matthew McConaughey (O Clube de Dallas) Melhor actriz de drama: Cate Blanchett (Blue Jasmine) Melhor actor de comédia/musical: Leonardo DiCaprio (O Lobo de Wall Street) Melhor actriz de comédia/musical: Amy Adams (Golpada Americana) Melhor actor secundário: Jared Leto (O Clube de Dallas) Melhor actriz secundária: Jennifer Lawrence (Golpada Americana) Melhor filme estrangeiro: La Grande Belezza (Itália) Melhor filme de animação: Frozen Melhor argumento: Spike Jonze (Her) Melhor banda sonora: Alex Ebert (All Is Lost) Melhor música original: Ordinary Love de U2 (Mandela: Longo Caminho para a Liberdade) Televisão: Melhor série dramática: Breaking Bad Melhor actor de drama: Bryan Cranston (Breaking Bad) Melhor actriz de drama: Robin Wright (House of Cards) Melhor série de comédia: Brooklyn Nine-Nine Melhor actor de comédia: Andy Samberg (Brooklyn Nine-Nine) Melhor actriz de comédia: Amy Poehler (Parks and Recreation) Melhor minissérie/telefilme: Por Detrás do Candelabro Melhor actor de minissérie/telefilme: Michael Douglas (Por Detrás do Candelabro) Melhor actriz de /minissérie/telefilme: Elisabeth Moss (Top of the Lake) Melhor actor secundário de série/mini-série/ telefilme: Jon Voight (Ray Donovan) Melhor actriz secundária de série/mini-série/ telefilme: Jacqueline Bisset (Dancing on the Edge) Prémio Carreira Cecil B. DeMille: Woody Allen


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MÚSICA

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in Público 05/12/20

MAESTRO CLAUDIO ABBADO MORREU AOS 80 ANOS

in Sol 20 de janeiro 2014

O maestro italiano Claudio Abbado, de 80 anos,

considerado um dos maiores artistas do mundo, morreu hoje na sua casa em Bolonha, no norte de Itália, anunciou uma colaboradora próxima, citada pela agência francesa de notícias AFP. Attilia Giuliani, amiga pessoal do maestro e presidente da sua associação de fãs -- os “Abbadiani” - adiantou ter confirmado a notícia com “um dos médicos pessoais” de Claudio Abbado. Claudio Abbado, que foi nomeado senador vitalício em Itália em agosto do ano passado, exerceu o cargo de director musical do teatro La Scala, em Milão, tendo também sido principal regente das orquestras sinfónicas de Londres, de Berlim e de Chicago. O maestro, que costumava defender que “a cultura é tão essencial à vida quanto a água”, foi também director musical da Ópera de Viena. A reacção do presidente da Câmara de Florença foi uma das primeiras a surgir, quando Matteo Renzi escreveu na rede social Twitter sobre a “generosidade [do mastro] para com Florença” e lembrou a sua “grandeza extraordinária”. Claudio Abbado já estava doente e os seus concertos com a Orquestra Mozart de Bolonha, que dirigia há alguns anos, tinha sido cancelados em Dezembro devido às suas condições de saúde. Claudio Abbado foi director do Scala entre 1968 e 1986, antes de ter sido nomeado maestro principal da Orquestra Sinfónica de Londres e, depois, director musical da Ópera de Viena. O maestro foi nomeado, em Agosto do ano passado, senador vitalício pelo Presidente da República de Itália, Giorgio Napolitano, “pelos seus méritos”, mas Abbado renunciou ao subsídio que iria receber como senador, dedicandoo ao financiamento de bolsas de estudo para jovens músicos. Muito longe do estereótipo de maestro tirano,

Claudio Abbado lançou centenas de discos, quer de música lírica, quer de música clássica do século XX. Nascido em Milão em Junho de 1933, Abbado provinha de uma família de músicos, tendo começado os seus estudos na sua cidade natal, apesar de, depois, os ter completado em Viena, quando, em 1957, foi acompanhado e formado pelo maestro austríaco Hans Swarowsky. O maestro entrou no La Scala em 1960, onde foi elogiado pelo seu desempenho na ópera de

Giacomo Manzoni “Atomtod”, em 1965, e aí se manteve como director musical até 1986. De convicções esquerdistas, Abbado deu vários concertos em fábricas e escolas porque considerava que isso poderia abrir o mundo à música clássica. A partir de 1971, tornou-se também presença regular na Filarmónica de Viena e, entre 1979 e 1988, regeu a Orquestra Sinfónica de Londres, onde foi elogiado pelos concertos do seu compositor favorito: Gustav Mahler.

Abbado foi ainda director musical da Staatsoper de Viena entre 1986 e 1991 e recebeu o prestigioso título de director musical geral da capital austríaca (“Generalmusikdirektor”). Eleito mastro principal da Filarmónica de Berlim pelos seus pares em Outubro de 1989, depois da morte do seu antecessor Herbert von Karajan, foi aí que trabalhou até 2002. “Eu não sou o patrão, trabalhamos juntos”, costumava dizer sobre os músicos da orquestra de Berlim.

GISELA JOÃO NO CENTRO CULTURAL DE BELÉM

Gisela João arrebata público do CCB com primeiro grande concerto em Lisboa. Mais que ter nascido, eis uma estrela que já brilha alto. No palco do CCB, minutos antes da chegada de Gisela João e dos seus músicos, há um cenário simples que a fadista de Barcelos percorrerá, aparentemente sem plano certo, durante cerca de hora e meia. Naquele que foi o seu primeiro grande concerto em Lisboa, Gisela surge perante o público de forma discreta, quase tímida, segundos depois de Ricardo Parreira (guitarra portuguesa), Francisco Gaspar (baixo) e Nélson Aleixo (viola), sentando-se recatadamente junto a um espelho. O quadro é sereno e, exceção feita ao curto vestido da minhota, podia ter sido retirado de qualquer década da segunda metade do século XX. O que dali para a frente sucede é, de igual forma, intemporal. À medida que mergulha em cada canção do seu álbum homónimo, lançado no ano passado e aclamado pela crítica, Gisela João entrega-se de uma forma incrivelmente física e visceral; a força do repertório que canta em disco é a coluna vertebral do espetáculo, tão assente nos fados melancólicos e sofridos que lhe servem como uma luva, como na alegria

contagiante dos malhões e corridinhos. Mas a magia que dali decorre, e que deixou o CCB a gritar por mais, é mérito de uma intérprete (e performer) cuja intensidade não nos lembramos de ver por cá nos últimos anos - e não nos referimos apenas a fado, uma vez que, depois desta noite, parece-nos justo afirmar que a voz de Gisela transcende géneros musicais, tanto como nacionalidades e até sexos (notável a sua versão de “Não Venhas Tarde”, de narrador ostensivamente masculino). Dona de uma imagem jovem (“Hoje não trouxe saltos altos, para me sentir poderosa entrei logo rasteirinha”, brincou, referindo-se às sapatilhas que levava calçadas), e conhecida pela postura informal e descontraída fora de palco, em cima dele a cantora não brinca, não cede um milímetro. Enquanto entre canções a voz lhe chegou a falhar (o último verso de “Meu Amigo Está Longe” eclipsou-se porque a letra de Ary dos Santos para Amália lhe dá vontade de chorar, “e eu não gosto de largar lágrimas de crocodilo”), durante a interpretação das mesmas o fogo nunca se

apagou. Se Gisela estava nervosa, e acreditamos que sim - afinal, não é todos os dias que se atua no Grande Auditório do CCB, cheio de gente de todas as gerações - a ansiedade só se refletiu nas intervenções bem-humoradas e sem rede (“Valha-me Deus, senhor!”, ex-

clamou, quando, depois de “Maldição”, um fã berrou “És linda, mulher maldita!”). Tudo o resto foi marcado por uma concentração notável, essencial para impedir que a fogosidade e a sofreguidão de Gisela desviassem o concerto do seu rumo triunfal.


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TEATRO

Cavaquinho e retornados, Shakespeare e Almada no Teatro Viriato

Público 06/01/2014

Teatro de Viseu apresenta programação para o primeiro trimestre de 2014, em que assinala os 15 anos de actividade.

A primeira apresentação pública do novo disco de Júlio Pereira, Cavaquinho.pt, e a estreia nacional de uma produção própria sobre as memórias dos retornados das ex-colónias portuguesa, o regresso ao universo de Shakespeare, na passagem dos 450 anos do seu nascimento, e a continuação da aposta no trabalho do coreógrafo André Mesquita como Artista Residente são os pontos relevantes da agenda do Teatro Viriato para o início do novo ano. Apresentada esta segunda-feira de manhã em conferência de imprensa, a programação de Janeiro a Março do teatro viseense propõese “evitar as concessões à simples política de animação”, apostando antes na continuidade de “uma política cultural de serviço público”, disse ao PÚBLICO, por telefone, Paulo Ribeiro, director artístico do teatro - função que começou a desempenhar em Janeiro de 1999, depois de a sua companhia se ter tornado residente neste espaço. “Fazer coisas que estruturem a cidade e a sociedade” de forma aberta à participação da população local também como parte integrante da programação é o objectivo da agenda do Viriato, que continua a integrar a rede 5 Sentidos, que em 2009 reuniu cinco estruturas culturais no país mas actualmente já agrupa o dobro, numa malha que vai de Guimarães a Torres Novas, de Estarreja a Ponta Delgada, passando também por Porto e Lisboa. O programa do Viriato para 2014 vai

começar com música, num duplo concerto no fim-de-semana de 17 e 18 de Janeiro. Na primeira noite, Júlio Pereira faz a estreia do seu novo disco, Cavaquinho.pt, que é também um livro, e ainda uma forma de dar visibilidade à recém-criada Associação Museu do Cavaquinho, e do seu projecto de ver este instrumento da música e da cultura popular reconhecido pela Unesco como Património Imaterial da Humanidade. A 18, a cantora cabo-verdiana Carmen Souza apresenta um concerto recheado de sonoridades afro-cubanas e outras fusões rítmicas universais. Ainda na música, o imaginário africano permanecerá presente no concerto de Kimi Djabaté (26 de Fevereiro), intérprete guineense de balafon descendente de músicos mandinga, e actualmente radicado em Lisboa. O projecto Reportório Osório, que reúne a música de Luís Cardoso com a escrita de Luís Fernandes (12 de Fevereiro); o concerto A Fortaleza, com que Teresa Salgueiro actualiza as canções do seu primeiro disco depois dos Madredeus, O Mistério (22 de Março); e uma parceria com o Jazz ao Centro (Coimbra) através de um concerto e do lançamento do disco colectivo Pedra Contida (26 de Março) completam a agenda musical do Viriato para os três primeiros meses do ano. No teatro, o destaque vai para a estreia nacional de Retornos, Exílios e Alguns que Fi-

caram (31 de Janeiro), uma coprodução com o Teatro do Vestido (Lisboa) e com texto original e dramaturgia de Joana Craveiro. Esta autora, que já no ano passado criou para o Viriato a peça Esta é a minha cidade e eu quero viver nela (estreada em Junho), está actualmente a trabalhar sobre as memórias dos retornados das ex-colónias portuguesas em África após a independência, e que foram realojados em Viseu, entre 1975-91. Retornos será, de resto, apresentado no Solar do Vinho do Dão, um dos lugares que na época serviram para realojar os retornados. Ainda no teatro, os 450 anos do nascimento de Shakespeare serão evocados através de dois espectáculos em itinerância nacional: As You Like It (Como Queiram), produção do Arena Ensemble com encenação de Beatriz Batarda, que esta quinta-feira, dia 9, tem estreia nacional no Teatro São Luiz, em Lisboa (e chegará a Viseu a 7 de Fevereiro); e Coriolano, encenação de Nuno Cardoso, uma coprodução com o Teatro Nacional D. Maria II, que tem também estreia no mesmo dia na capital (no Viriato, a 28 de Fevereiro). E Diogo Infante recitará o Sermão de Santo António aos Peixes (9 de Janeiro), na versão encenada por Cucha Carvalheiro. Também para futura circulação pela rede 5 Sentidos, mas desta vez com estreia no Viriato, será a nova criação que João Sousa Cardoso fará sobre textos de Almada Negreiros, em par-

ceria com a cantora Ana Deus e o actor Ricardo Bueno, mas também com a participação de desempregados residentes em Viseu, que estão a ser convidados a entrar no espectáculo. A peça chama-se MIMA-FATÁXA e tem estreia agendada para 14 de Fevereiro. Fausta, a partir do romance O Banquete, de Patrícia Portela, uma produção do Centro de Artes e Espectáculos de Viseu (14 de Março), e A Caminhada dos Elefantes, criação de Inês Barahona e Miguel Fragata (para o Dia Mundial do Teatro, 27 de Março), são outras produções teatrais que subirão ao palco do Viriato. Na dança, assinala-se a passagem por Viseu da criação de Tiago Guedes, A Dança (22 de Fevereiro), estreada na Culturgest, em Lisboa, em Dezembro passado; mas também a produção de Rui Horta para a Casa da Música, Danza Preparata (7 de Março), sobre a peça Sonatas e Interlúdios, de John Cage, e estreada no Porto em Abril de 2013. Paulo Ribeiro anunciou ainda que André Mesquita continuará a ser, em 2014, Artista Residente no Teatro Viriato, dando sequência ao trabalho que o coreógrafo nascido em Setúbal (1979) aí iniciou no ano passado, e de que resultou já a criação Salto (estreada em Novembro).


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PINTURA

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PEDRO CALAPEZ

QUICK FACTS Nome:

Pedro Calavez

Ocupação: Pintor

Data de nascimento: FEVEREIRO 24, 1953

Educação:

Escola Superior de Belas Artes Lisboa

Local de Nascimento: Lisboa

“Um dia na vida de AB” - Prémio Nacional de Artes gráfico de Madrid 2006

“Muro contra Muro” - Centro de Arte de Burgos

Pedro Calapez nasceu em Lisboa a 24 de Fevereiro de 1953. Estudou na Escola Superior de Belas Artes de Lisboa e afirmou-se como pintor na primeira metade da década de 80, em exposições como Depois do Modernismo e Arquipélago. Mantendo-se à margem da voragem situacionista e da expressividade escatológica que marcaram o então chamado “regresso à pintura”, Calapez empreendeu um percurso pautado pelo rigor metodológico no qual o desenho é a prática fundadora. Produzindo pinturas por incisão, próximas da tradição da gravura, o autor interessa-se sobretudo pelo tratamento pictórico/arquitectónico do espaço. A arquitectura é uma das referências organizadoras da obra de Calapez, mas esta arquitectura, riscada à superfície do suporte, apresenta caminhos, fachadas, ou pontos de fuga que se contradizem, criando paisagens inverosímeis. Uma arquitectura que remete para a cenografia, ao funcionar como um empilhar de fragmentos cuja aparência teatral insinua um espaço de representação. Calapez engloba na lógica cenográfica não apenas as referências arquitectónicas mas conjuntos de objectos que poderiam servir como adereços ou objectos de cena. Mas esta é uma cenografia residual, abandonada pelos actores, a narrativa e o drama que algum dia a terão habitado. Ao longo da última década a vocação arquitectónica materializou-se numa obra como Muro contra Muro (1994) em que os painéis pintados são instalados na galeria sob a forma de corredores que determinam, de modo directo, o percurso e as condições de visibilidade para o observador. O mesmo

tipo de efeito de controlo do olhar revelase numa série de objectos recentes: cubos abertos, sem face superior, com as paredes interiores pintadas que surgem como “caixas de pintura” que aprisionam o espaço do visível. No mesmo período desenvolve-se uma nova linha de trabalho do artista. A apetência pelas texturas e pela criação de paisagens manifesta-se agora através da prática cada vez mais desenvolta de uma pintura abstracta que se deleita nos prazeres do exercício de aplicação das tintas e da gestão dos jogos de cores. Muitas vezes estas pinturas tomam a forma de painéis que reunindo múltiplos elementos de modo a ocupar o espaço de uma parede instauram, uma vez mais, um diálogo privilegiado com o espaço e a luz que as acolhe. Alexandre Melo, sociólogo e crítico de arte

in «Arte e Artistas em Portugal» Maio 2007

Exposições individuais (selecção) - Histórias de objectos, Casa de la Cittá, Roma, Carré des Arts, Paris e Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa (1991); - Petit jardin et paysage, Capela Salpêtriére, Paris (1993); Memória involuntária, Museu do Chiado, Lisboa (1996); Campo de Sombras, Fundació Pilar i Joan Miró, Mallorca (1997); - Studiolo, INTERVAL-Raum für Kunst & Kultur, Witten (1998) - Madre Agua, Museo MEIAC, Badajoz e Centro Andaluz de Arte Contemporáneo, Sevilha (2002); - Obras escolhidas, CAM- Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa (2004);

CGAC-Centro Galego de Arte Contemporáneo, Santiago de Compostela, Lugares de pintura, CAB-Centro de Arte Caja Burgos (2005). Exposições colectivas (selecção) - Bienal de Veneza (1986) - Bienal de São Paulo (1987 e 1991) - 10 Contemporâneos, Museu de Serralves, Porto (1992); - Perspectives, Centre d’art contemporain, Marne-La-Vallée (1994); - Depois de Amanhã, Centro Cultural de Belém, Lisboa (1994); - Ecos de la materia, Museo Extremeño e Iberoamericano de Arte Contemporáneo, Badajoz (1996); - Tage Der Dunkelheit Und Des Lichts, Kunstmuseum Bonn (1999); - “Argumentos de futuro”, Caja San Fernando, Sevilha, Fundación ICO, Madrid; EDP.ARTE, Museu de Serralves, Porto (2001); - “Del Zero al 2005. Perspectivas del arte en Portugal”, Fundación Marcelino Botín, Santander (2005); - Beaufort Inside-Outside, Trienal de Arte Contemporânea, PMMK Museum, Ostende (2006).


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EXPOSIÇÕES / ATIVIDADES

“PERCURSO”

Pedro Ferreira

Exposição Pintura e Desenho Organização:

Biblioteca Municipal Dr. Alexandre Alves

Informações e contactos: Biblioteca Municipal Dr. Alexandre Alves e Gabinete de Gestão e Programação do Património e Cultura Pedro Ferreira nasceu em fevereiro de 1974 na cidade de Viseu. Desde muito cedo demonstrou ter uma grande sensibilidade pela arte executando aos 4 anos de desenho a lápis sobre papel intitulado “Um carro esbarrado”. Autodidata, iniciou-se em 1989 na pintura a óleo com a sua primeira obra, um óleo intitulado “Psephotus Varius” . Durante vários anos manteve-se no anonimato, até que um dia, à mesa de um café, alguns amigos conhecedores da sua obra o incentivaram a expor, dando assim a conhecer

alguns dos seus trabalhos que guardava em casa. A 8 de julho de 2002, conjuntamente com ouro autor, deu-se finalmente a conhecer ao grande público através dos seus trabalhos que quase na sua totalidade, foram inspirados numa grande paixão que o autor tem por papagaios. Desde 2004, tem vindo a desenvolver o seu potencial artístico nas vertentes do Movimento Pictórico.

“ALÉM DA IMAGINAÇÃO”

Alzira Ferreira

Exposição de Pintura Organização: Gabinete de Gestão e Programação do Património e Cultura. Informações e contactos: Biblioteca Municipal Dr. Alexandre Alves e Gabinete de Gestão e Programação do Património e Cultura

É uma mostra é composta por um conjunto

de trabalhos em que a pintura conjuga os traços a uma temática predominantemente paisagística numa sequência cromática caracterizada pela suavidade. Alzira Ferreira já fez várias exposições nos espaços de Mangualde e tem um atelier na cidade mangualdense. Recentemente, no passado mês de dezembro, orientou workshop de pintura das figuras do presépio na Biblioteca Muncipal.


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EXPOSIÇÕES / ATIVIDADES

CICLO DE CINEMA CNE NA BIBLIOTECA

AGENDA Hora do conto Que Aguaceiro

Raquel Saiz & Maja Celija

07 de fevereiro | 10:30 14 defevereiro | 10:30 21 de fevereiro | 10:30 28 de fevereiro | 10:30

Ateliers de ilustração e expressão escrita Cinema, musica internet

Hórario da Biblioteca

“Internet Segura”

12, 13, 15 e 18 fevereiro Sensibilização sobre “Internet Segura” dirigida a crianças do 1º Ciclo

Clube de leitura

06 de fevereiro | 21:00 25 de fevereiro | 21:00 Retrato de Dorian Gray de Oscar Wilde

Biblioteca para avós 1vista por mês | Locais

O ciclo de Secções “50º Aniversário do Agrupamento 299 Mangualde - Sessões de Cinema” assinala os 50 anos do Agrupamento 299 de Mangualde do Corpo Nacional de Escutas. O preço dos bilhetes é de 2,00 € e estarão á venda no Posto de Turismo da Câmara Municipal de Mangualde e junto dos Escuteiros de Mangualde. Os fundos são destinados a uma viagem dos jovens do agrupamento ao país onde o escutismo nasceu, Inglaterra.

“Hotel Transylvania” 25 e 26 de fevereiro “Epic” 29 de março No Auditório da Biblioteca Municipal Dr. Alexandre Alves, pelas 21h00.

“Das imagens… Das palavras” Sábado, 08 de Fevereiro de 2014 |21h00 Biblioteca Municipal de Mangualde

• Centro Social Paroquial de Abrunhosa-aVelha • Centro Social de Fornos de Maceira Dão • Centro Paroquial da Cunha Baixa • Lar de Nossa Sr.ª do Amparo • Lar Morgado Cruzeiro • Centro Social Cultural da Paróquia de Mangualde • Centro Paroquial de Santiago de Cassurrães • Centro Social Paroquial de Chãs de Tavares • Associação de Solidariedade Social de Contenças de Baixo

Livros sobre rodas 1vista por mês | Locais

EB1 de Abrunhosa do Mato; EB1 de Abrunhosa-a-Velha; EB1 de Cubos; EB1 de Cunha Baixa; EB1 de Moimenta do Dão; EB1 de Tibaldinho; EB1 Mangualde n.º 1; EB1 Santa Luzia; JI de Abrunhosa do Mato; JI de Casal Mendo; JI de Cubos; JI de Cunha Baixa; JI de Moimenta do Dão; JI de Tibaldinho; JI Mangualde n.º 1

Doces Leituras 01 de fevereiro » 28 fevereiro Pastelaria Secretus José Luiz Passos

Auditório 08 de fevereiro | 21h00 - “Das imagens... Das palvras” - Amarte 25 de fevereiro - Ciclo de cinema CNE “Hotel Transcylvania” 26 de fevereiro - Ciclo de cinema CNE “Hotel Transcylvania”

Exposições “Além da Imaginação” Alzira Ferreira 01 de fevereiro » 28 de fevereiro Hórario da Biblioteca

No próximo dia 08 de Fevereiro a Amarte comemora o seu primeiro aniversário com a apresentação de um espectáculo produzido pelos

seus departamentos de teatro e de dança. Em palco estarão os alunos da amarte assim como os alunos de artes do espectáculo da Escola Secundária Felismina Alcântara. O espectáculo é gratuito, aberto a todas as idades e será apresentado ao público no auditório da Biblioteca Municipal de Mangualde pelas 21h00h.

“Percurso” Pedro Ferreira 01 de fevereiro » 28 fevereiro Hórario da Biblioteca

“Das imagens… Das palavras”

Amarte 8 de fevereiro | 21h00


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António Lobo Antunes

Prémio Literária Nonino 2014

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Lobo Antunes entre os vencedores do Prémio Nonino in Expresso 10/01/2014

António Lobo Antunes é um dos quatro vencedores da edição deste ano do Prémio Nonino. Este galardão já premiou Jorge Amado e Amin Maalouf.

António Lobo Antunes é um dos quatro vencedores do Prémio Literário Internacional Nonino 2014. Os outros três galardoados são a palestiniana Suad Amiry, o filósofo francês Michel Serrres e o psiquiatra e escritor italiano Giuseppe dell’Aqua. O júri internacional foi presidido pelo Nobel da Literatura Nobel V.S. Naipaul e também integrado pelo realizador Ermanno Olmi, o escritor Claudio Magris, o ensaísta Edgar Morin e a a investigadora Fabiola Giannotti, vencedora do Nonino 2013. O prémio vai ser entregue a 25 janeiro, na sede da destilaria onde se produz a grappa Nonino, em Ronchi di Percoto. A obra de António Lobo Antunes tem sido traduzida em Itália pela editora Feltrinelli. Os motivos da escolha do júri O júri considera que a escrita de Lobo Antunes “é uma canção atormentada de um rebelde desassossegado que, de uma forma polifónica, destrói a sintaxe”. A palestiniana Suad Amiry nasceu em Damasco, filha de pais palestianos. O júri vê-a como “mulher da culltura palestina que sempre se bateu pela paz. Na busca das raízes fundou o

Centro Riwaq para a Conservação da Arquitetura em Ramallallah, para defender e catalogar o extraordinário património artístico da Palestina e, através dele, a tradição e memória do seu povo, indispensáveis para a construção do futuro possível”. O psiquiatra e escritor italiano Giuseppe Dell’Acqua foi distinguido pelo seu trabalho de transformação e posterior encerramento dos hospícios psiquiátricos, e pela defesa dos direitos da pessoa humana, que durante muito tempo foram ignorados pela forma como era encarada a saúde mental. O filósofo francês Michel Serres foi distinguido por ser um “humanista no sentido puro e profundo do termo. Senhor de um pensamento poético nas diversas áreas do saber, dedica uma especial atenção filosófica ao amor, esperança e respeito que se deve ter pela geração do futuro. A destilaria Nonino foi fundada em 1897. Começou por uma empresa familiar que produzia grappa [aguardente]. Em 1977 criou um prémio literário que se tornou internacional em 1984. Este prémio já distinguiu autores como Jorge Amado, Javier Marias, Claude LéviStrauss e Amin Maalouf.


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António Lobo Antunes Escritor português nascido a 1 de setembro de 1942, em Lisboa. Licenciado em Medicina e especializado em Psiquiatria, exerceu atividade clínica durante a guerra colonial em Angola, e, posteriormente, em Lisboa, no Hospital Miguel Bombarda. Acabou posteriormente por consagrarse quase exclusivamente ao ofício da escrita, vontade expressa desde os princípios da sua adolescência. Como ele próprio afirmou, tirou a especialidade de psiquiatria por considerar que tem parecenças com a literatura. Nos primeiros livros publicados explorou a experiência da Guerra Colonial e com Os Cus de Judas conseguiu um sucesso notável, tornando-se um dos mais traduzidos e internacionalmente reconhecidos romancistas portugueses contemporâneos, tendo sido o convidado de honra do “Carrefour des Littératures” realizado em maio de 2002. A partir desse romance - conclusão de uma trilogia de inspiração autobiográfica que, com Conhecimento do Inferno e Memória de Elefante, descrevia uma descida aos infernos, desde a experiência da guerra colonial até à perda do amor e ao regresso a um mundo de loucos - Lobo Antunes aperfeiçoou, durante a década de oitenta, uma cada vez maior desenvoltura na subversão das convenções narrativas quer do ponto de vista temático quer formal, o que culminaria com o fulgurante sucesso de Auto dos Danados, editado em 1985, obra galardoada com o Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores. O constante cruzamento de vozes e a multiplicação dos pontos de vista; o livre encadeamento dos substratos temporais; a desarticulação da sintaxe narrativa; a metaforização insólita e frequentemente erotizada das descrições; a auto-referencialidade e intertextualidade; a versatilidade de articulação de diversos registos de linguagem e a utilização de um léxico sem censuras, frequentemente agressivo e injurioso; ou a individualização de anti-heróis através dos quais se perspetiva uma realidade abjeta, social, histórica e moralmente degradada, são alguns dos traços que consubstanciaram, desde então, a novidade trazida pela novelística de António Lobo Antunes. Ao mesmo tempo, a autognose cruel do país pré e pós-revolucionário é feita com uma violência e negatividade tais que visam, não o lirismo de uma revolta impotente, mas, pelo contrário, tocando o humor

negro, a anulação de qualquer sentimentalismo na dessacralização das imagens de um passado recente e na análise lúcida da loucura e desmoronamento coletivos. O Auto dos Danados é outra das suas obras que mereceu o grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores de 1986. A memória do passado serviu de pretexto para a reflexão sobre as relações humanas em Tratado das Paixões da Alma (1990) e a sua visão pessimista da vida confirmou-se com A Morte de Carlos Gardel (1994). Em 1996 foi publicado Manual dos Inquisidores, e, em 1997, O Esplendor de Portugal. Em 1999 escreveu Exortação aos Crocodilos, romance com que foi proposto para o Prémio No-

bel da Literatura, e, em 2000, Não Entres tão Depressa Nessa Noite Escura. Na edição dos prémios União Latina de 2003, o escritor foi distinguido com o prémio de Literatura pelo conjunto da sua obra, que foi definida pelo presidente do júri como “a voz mais expressiva” da realidade portuguesa. Em reconhecimento do seu valor, foi também galardoado com o Jerusalem Prize 2004. No ano de 2004, pelo seu livro Boa Tarde às Coisas Aqui em Baixo (2003), foi galardoado com o prémio Fernando Namora. Ainda no mesmo ano lançou um novo livro, intitulado Eu Hei de Amar uma Pedra, apresentado durante a comemoração dos seus 25 anos de carreira no Teatro S. Luiz, em Lisboa. No dia da cerimónia de entrega do

prémio Fernando Namora (2004), a 25 de janeiro de 2005, organizada no Teatro Auditório do Casino Estoril, Lobo Antunes foi condecorado pelo Presidente da República Jorge Sampaio com a Grã-Cruz da Ordem de Santiago, a mais importante condecoração portuguesa atribuída às áreas de letras, artes e ciências. Ainda no mesmo ano, em fevereiro, foi homenageado com o Jerusalem Prize 2005, pelo conjunto da sua obra. Posteriormente, foi galardoado com o Prémio Ibero-Americano de Letras José Donoso (Chile, 2006), o Prémio Camões (2007) e, em 2008, os prémios Terenci Moix (Espanha) e FIL de Literatura/Juan Rulfo, um dos mais importantes do panorama literário latino-americano.


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“Quinto Livro de Crónicas” António Lobo Antunes Sinopses Compilação de pequenos textos publicados na revista Visão em que o autor aborda temas do foro pessoal, quase como o espelho de uma reflexão interior ou do que lhe vai na cabeça e na alma combinando autobiografia e ficção de forma criativa. Sendo muito mais acessíveis ao público do que os romances do autor, estas crónicas não descuram uma forte componente literária.

Obras publicadas Memória de Elefante Os Cus de Judas Conhecimento do Inferno Explicação dos Pássaros Fado Alexandrino Auto dos Danados As Naus Tratado das Paixões da Alma A Ordem Natural das Coisas A Morte de Carlos Gardel Manual dos Inquisidores O Esplendor de Portugal Livro de Crónicas Exortação aos Crocodilos Não Entres Tão Depressa Nessa Noite Escura

1979 1979 1980 1981 1983 1985 1988 1990 1992 1994 1996 1997 1998 1999 2000

Que farei quando tudo arde? Segundo Livro de Crónicas Boa Tarde às Coisas Aqui em Baixo Eu Hei-de Amar Uma Pedra Terceiro Livro de Crónicas Ontem Não Te Vi Em Babilónia O Meu Nome é Legião O Arquipélago da Insónia Que Cavalos São Aqueles Que Fazem Sombra no Mar? Sôbolos Rios Que Vão Quarto Livro de Crónicas Comissão das Lágrimas Não É Meia Noite Quem Quer Quinto Livro de Crónicas Caminha Como Numa Casa em Chamas

2001 2002 2003 2004 2006 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2011 2012 2013 2014

Prémios Prémio Franco-Português | 1987 (“Cus de Judas”) (Prémio instituído pela embaixada de França em Lisboa, no valor de duzentos mil escudos e atribuído a obras traduzidas para a língua francesa nos últimos cinco anos.) Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores | 1985 (“Auto dos Danados”) Prémio Melhor Livro Estrangeiro publicado em França | 1997 (“Manual dos Inquisidores “)

Prémio Tradução Portugal/Frankfurt | 1997 (“Manual dos Inquisidores”) France-Culture | (“A Morte de Carlos Gardel”) Prémio de Literatura Europeia do Estado Austríaco | 2000

Prémio União Latina | 2003 Prémio Ovídio da União dos Escritores Romenos | 2003 Prémio Fernando Namora | 2004 Prémio Jerusalém | 2005 Prémio Camões | 2007 Prémio José Donoso | 2008 atribuído pela Universidade de Talca, Chile

Prémio Juan Rulfo | 2008 Prémio Terenci Moix | 2008 Prémio Clube Literário do Porto | 2008


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PROJETOS

ESPAÇO INTERNET O livre acesso à Internet, oferecido pelas bibliotecas e serviços de informação, contribui para que as comunidades e os indivíduos atinjam a liberdade, a prosperidade e o desenvolvimento. As barreiras para a circulação da informação devem ser removidas, especialmente aquelas que favorecem a desigualdade, a pobreza e o desespero. Manifesto da Federação Internacional de Associações de Bibliotecários e Instituições (IFLA) sobre a Internet

ESPAÇOS– Espaço Internet Este serviço permite a utilização de computadores quer para fins de lazer como para auto - formação, pesquisa de informação, acesso à internet, e realização de trabalhos. Os postos de trabalho estão localizados nas três salas de leitura havendo uma maior concentração na Sala do Espaço Internet e Audiovisual. Por razões de rentabilização de recursos humanos, físicos, tecnológicos e informáticos, o actual serviço internet, integra a vertente de acesso às tecnologias de informação e comunicação presente nas Bibliotecas de Leitura Pública, bem como o serviço lançado através da mediada 2.1 do Programa Operacional Sociedade de Informação. O Espaço Internet de Mangualde, a funcionar na Biblioteca Municipal, é um espaço de apoio ao uso da Internet, que contempla uma vertente pedagógica, dinamizada através de acções de formação específicas e de sensibilização que visam o aproveitamento, a utilização e a apropriação plena das tecnologias de informação e comunicação (TIC’s) por parte do cidadão. Promove na sua intervenção, a divulgação e informação sobre as iniciativas desenvolvidas no âmbito da sociedade da informação, aos mais diversos níveis, procurando integrá-las e articulá-las ao nível local. Desta forma, pretende-se contribuir para a formação e certificação básica dos cidadãos, no que diz respeito ao uso das tecnologias de informação, em especial a Internet. Para aceder a este serviço, cada utente deve possuir um Nº de utilizador/leitor que lhe permitirá não só o acesso a este como também a outros serviços disponibilizados pela Biblioteca Municipal. A utilização é gratuita e destinase a toda a população, sem limite de idades.Os utilizadores deverão reger a sua permanência de acordo com as normas de civilidade exigíveis e com as regras do próprio serviço. O Espaço Internet dispõe de animadores/ monitores para o apoio técnico ao utente, e a quem cabe a gestão do tempo disponível por utilizador, em função do número de utiliza-

Espaço Internet

dores presentes. Esses animadores/monitores estão devidamente habilitados para organizarem sessões de formação do uso da Internet, acesso a serviços públicos de Internet, bem como acções de dinamização das novas tecnologias. A utilização dos computadores organiza-se em períodos de trinta minutos, findos os quais, entrará quem estiver em primeiro lugar na fila de espera. Podem ser utilizados para a realização de trabalhos, pesquisa de informação, email ou simplesmente lazer. Atualmente, e para além do uso dos postos de trabalhos existentes nas várias salas da

Biblioteca Municipal, é possível ao utilizador usufruir do acesso à internet a partir do seu próprio portátil, tablet ou smartfhone uma vez que a Câmara Municipal disponibiliza rede Wireless para esse fim. No dia 11 de Fevereiro comemora-se o Dia Europeu da Internet Mais Segura. Este dia éorganizado a nível europeu pela REDE INSAFE (rede de cooperação dos projetos que promovem a sensibilização e a consciencialização para uma utilização mais segura da Internet pelos cidadãos) e em Portugal pelo Centro Internet Segura, coordenado pela Fundação Para a Ciência e Tecnologia.

Brevemente disponivel, com novo layout e novas funcionalidades

Este ano, o Centro Internet Segura pretende, em conjunto com a Rede de Espaços Internet, Associações de Desenvolvimento Local, Centros de Inclusão Digital, Bibliotecas Municipais e outras instituições que contribuem para a inclusão e massificação da literacia digital, celebrar o Dia Europeu da Internet Mais Segura, com o tema “Juntos vamos criar uma Internet melhor”. A Biblioteca Municipal Dr. Alexandre Alves associa-se a esta iniciativa através da disponibilização de informação e acções de sensibilização personalizadas dirigidas aos seus utilizadores.

www.biblioteca.cmmangualde.pt


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FOI HISTÓRIA ...

01 FEV 02 FEV Assis Pacheco

João César Monteiro

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norte-americana. Tinha um apreciável círculo de amigos, como Pablo Picasso, , Georges Braque, Derain, Juan Gris, Apollinaire, Francis Picabia, , Ernest Hemingway e James Joyce, isso apenas para citar alguns. Mrs. Stein era realmente genial e escreveu “Autobiografia de Alice B. Toklas”, livro fundamental da vanguarda dos anos 1910, 20 e 30. Com estilo muito próprio, a narrativa conta como jovens artistas e escritores vindos das mais diversas partes do mundo se encontram em Paris e detonam novos caminhos para a arte.

João César Monteiro Fernando Santiago Mendes de Assis Pacheco

Fernando Santiago Mendes de Assis Pacheco nasceu em Coimbra, 1 de Fevereiro de 1937, morreu em Lisboa, 30 de Novembro de 1995, foi um jornalista, crítico , tradutor e escritor português. Licenciado em Filologia Germânica pela Universidade de Coimbra, viveu nesta cidade até iniciar o serviço militar, em 1961. Filho de pai médico e de mãe doméstica, era seu avô materno galego (e casado com uma lavradeira da Bairrada) e seu avô paterno roceiro em São Tomé. Enquanto jovem, foi ator de teatro (TEUC e CITAC) e redator da revista Vértice, o que lhe permitiu privar de perto com o poeta neorrealista Joaquim Namorado e com poetas da sua geração, como Manuel Alegre e José Carlos de Vasconcelos. Publicou a primeira obra em Coimbra, com o patrocínio paterno, não obstante se encontrar, na altura, em África. Cuidar dos Vivos é o título do livro de estreia - poemas de protesto político e cívico, com afloramento dos temas da morte e do amor. O tema da guerra em África voltaria a impor-se em CâuKiên: Um Resumo (1972), ainda que sob “camuflagem vietnamita”, livro que em 1976 conheceria a sua versão definitiva: Katalabanza, Kilolo e Volta. Nunca conheceu outra profissão que não fosse o jornalismo: deixou a sua marca de grande repórter no Diário de Lisboa, na República, no JL - Jornal de Letras, Artes e Ideias, noMusicalíssimo e no Se7e, onde foi director-adjunto. Foi também redactor e chefe de Redacção de O Jornal, semanário onde durante dez anos exerceu crítica literária, e colaborador da RTP. Traduziu para português obras de Pablo Neruda e Gabriel García Márquez. Casou a 4 de Fevereiro de 1963 com Maria do Rosário Pinto de Ruella Ramos (27 de Julho de 1941), filha de João Pedro de Ruella de Almeida Ramos e de sua mulher Germana Marques Vieira Pinto, de quem teve cinco filhas e um filho. Principais obras: Cuidar dos Vivos (poesia), 1963 CâuKiên: Um Resumo (poesia), 1972 (republicado em 1976 com o título Katalabanza, Kilolo e Volta) Walt (novela), 1978 Memórias do Contencioso e Outros Poemas (poesia), 1980 A Musa Irregular (antologia poética), 1991 Retratos Falados (colectânea de entrevistas), 2001 Respiração Assistida (poesia), 2003 Memórias de um Craque (crónicas), 2005

João César Monteiro Santos (Figueira da Foz, 2 de Fevereiro de 1939 — Lisboa, 3 de Fevereiro de 2003) foi um cineastaportuguês. Integrou o grupo de jovens realizadores que se lançaram no movimento do Novo Cinema. Irreverente e imprevisível, fez-se notar como crítico mordaz de cinema nos anos sessenta. Prossegue a tradição iniciada por Manoel de Oliveira (Ato da Primavera) ao introduzir no cinema português de ficção o conceito de antropologia visual — Veredas e Silvestre —, tradição amplamente explorada no documentário por outros cineastas portugueses como António Campos, António Reis, Ricardo Costa, Noémia Delgado ou, mais tarde e noutro registo, Pedro Costa. Segue um percurso original que lhe facilita o reconhecimento internacional. Várias das suas obras são representadas e premiadas em festivais internacionais como o Festival de Cannes e o Festival de Veneza (Leão de Prata: Recordações da Casa Amarela) Pertence a uma família da burguesia rural, anticlerical e anti-salazarista. Aos quinze anos, para prosseguir os estudos liceais, transferese com a família para Lisboa, a “capital do Império”, tendo estudado no Colégio Moderno, de onde seria expulso. É dos poucos cineastas associados ao movimento do novo cinema que não prossegue estudos universitários. A propósito, o seu alter-ego, no filme Fragmentos de um Filme Esmola (1973), explica-se assim: «A escola é a retrete cultural do opressor». Começa a trabalhar como assistente de realização de Perdigão Queiroga. Em 1963, graças a uma bolsa da Fundação Calouste Gulbenkian, vai para a Grã-Bretanha estudar naLondonSchoolofFilmTechnique. De volta a Portugal, em 1965, inicia a rodagem do que viria a ser a sua primeira obra: Quem espera por sapatos de defunto morre descalço. O filme só será concluído cinco anos depois, como média-metragem. A sua obra, polémica e dificilmente classificável, caracteriza-se pelo lirismo, em forma de filmes-poema. A sua veia satírica como realizador tem sido objecto de estudo para portugueses e estrangeiros, críticos e académicos. João César Monteiro, que tem sérios detractores, é conhecido como um dos mais importantes realizadores portugueses.

03 FEV

Gertrude Stein

Gertrude Stein (3 de fevereiro de 1874, Pittsbur��������������������������������������������� gh, Estados Unidos - 27 de julho de 1946, Paris, França) foi uma escritora, poeta e feminista

Gertrude Stein

Picasso vinha da Catalunha, Joyce da Irlanda, ela própria vinha da América, Nijinski era russo, havia vários franceses, como Cocteau, Apollinaire, Matisse. É bom lembrar que, apesar do nome, o livro foi escrito por Miss Stein, tendo como porta-voz Alice B. Toklas, sua companheira durante vinte e cinco anos. Compondo um interessante painel das três primeiras décadas deste século: “Gertrude Stein e o irmão visitavam frequentemente os Matisse que constantemente retribuíam as visitas. De vez em quando Madame Matisse convidava-os para almoçar, o que acontecia principalmente quando recebia alguma lebre de presente. Lebre estufada feita por Madame Matisse à moda de Perpignan era algo fora do comum. Tinha também vinho de primeira, um pouco pesado, mas excelente”. Durante esse tempo Miss Stein e sua companheira Alice viveram no número 27, rue de Fleurus. Este endereço se tornaria lendário e um importante ponto de encontro desses “gênios”. Gertrude Stein seria a primeira a pendurar em sua parede pinturas de Juan Gris, Matisse e Picasso. Mais tarde romperia com muitos deles, inclusive com Picasso, por quem manteve grande afeição. Antes porém, posaria noventa e três vezes para que o artista malagueño desse por finalizado o seu retrato: “Mas em nada se parece comigo, Pablo” disse ela. “Mas certamente vai parecer Gertrude, certamente...” respondeu o pintor. O rompimento dos dois se daria apenas em 1927, por ocasião da morte de Juan Gris. Gertrude acusou Picasso de não ter estimado Gris o bastante, ele retrucou e os dois tiveram um belo e histórico bate-boca. Miss Stein adorava fazer provocações. A palavra génio exercia mesmo uma influência considerável em sua vida. Afinal era uma escritora de estilo bastante peculiar e engenhoso, a inventora da escrita automática. Assim os intelectuais de seu tempo perguntavam se ela era mesmo gênio ou não passava de uma impostora. Ela dava o troco: ”Ser gênio exige um tempo medonho, indo de um lugar a outro sem nada fazer”, ou então: ”um gênio é um gênio, mesmo quando nada faz”. Com a Primeira Guerra Mundial Miss Stein e Alice viveram a sua aventura alistando-se no F.A.F.F, um Fundo de proteção aos americanos que então viviam na Europa, dando folga a seus embates artísticos e literários, a aventura é narrada na Autobiografia. Após a guerra a vida vol-

tou ao normal mas tudo já estava transformado para sempre, inclusive e principalmente Paris. Não tanto a fachada e a arquitetura da cidade, mas as pessoas e o ritmo da vida. Segundo a própria autora, suas principais referências são Cézanne e Flaubert, sendo, no entanto, seus textos cheios de repetições intencionais, como em uma espécie de “gagueira mental”, geradores de um sem sentido muito próximo dos trabalhos dadaístas. É possível extrair algum sentido de seus poemas, de acordo com uma “gestalt”, porém, parecem eles muito mais a experimentos sonoros. O efeito, às vezes, é próximo do efeito da leitura de um poema surrealista, embora a técnica de composição seja completamente diferente, lembrando, por vezes, a poesia mais conhecida de E. E. Cummings. Os seus poemas são, muitas vezes extensos, embora nunca cedam à lógica, explorando, além das repetições de vocábulos, o uso de palavras monossilábicas, assemelhando-se a poemas em prosa.

04 FEV Charles Augustus Lindbergh

Charles Lindbergh

Charles Augustus Lindbergh (Detroit, 4 de fevereiro de 1902 — Haway, 26 de agosto de 1974) foi um pioneiro da aviação note-americana e ficou famoso por ter feito o primeiro vôo solitário transatlântico sem escalas em avião, em 1927, embora O primeiro vôo transatlântico a ser de fato realizado foi feito pelos brasileiros João Ribeiro de Barros, Newton Braga e João Negrão, no mesmo ano, porém em 28 de abril de 1927, ou seja, 23 dias antes de Lindbergh. Nascido em 1902, Charles Lindbergh era filho de Charles A. Lindbergh (que fora congressista de 1907 a 1917) e Evangelyne Lodge. Com 18 anos de idade ingressou no curso de engenharia da Universidade de Wisconsin. Dois anos depois, abandonou o curso. Lindbergh partiu do Condado de Nassau, Estado de Nova Iorque, EUA, em direção a Paris, França, em 20 de maio de 1927, tendo pousado na capital francesa no dia seguinte. O avião usado por Lindbergh chamava-se “The spirit of Saint Louis”. O vôo de Lindbergh tomou 33 horas e 31 minutos. O feito de Lindbergh deu a ele o “Prêmio Orteig”, de 25 mil dólares, em oferta desde 1919. Sua chegada a Paris foi triunfal. E a comemoração quase acabou em tragédia. Recebido calorosamente pelos parisienses, o piloto quase foi sufocado pela multidão que se aglomerava para cumprimentá-lo.


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05 FEV

Hermitage

Hermitage

A 5 de fevereiro de 1852 é inaugurado o Museu Hermitage em São Petersburgo, na Rússia. O Hermitage é um museu localizado às margens do rio Neva, em São Petersburgo, na Rússia. É um dos maiores museus de arte do mundo e sua vasta coleção possui itens de praticamente todas as épocas, estilos e culturas da história russa, européia, oriental e do norte da África, e está distribuída em dez prédios, situados ao longo do rio Neva, dos quais sete constituem por si mesmos monumentos artísticos e históricos de grande importância. Neste conjunto o papel principal cabe ao Palácio de Inverno, que foi a residência oficial dos Czares quase ininterruptamente desde sua construção até a queda da monarquia russa. Organizado ao longo de dois séculos e meio, o Hermitage possui hoje um acervo de mais de 3 milhões de peças. O museu mantém ainda um teatro, uma academia musical e projetos subsidiários em outros países. O núcleo inicial da coleção foi formado com a aquisição, pela imperatriz Catarina II, em 1764, de uma coleção de 225 pinturas flamengas e alemãs do negociante berlinense Johann Ernest Gotzkowski.

06 FEV António Vieira

António Vieira

António Vieira nasceu em Lisboa, 6 de fevereiro de 1608 , morreu em Salvador - Brasil, 18 de julho de1697, mais conhecido como Padre António Vieira , foi um religioso, filósofo, escritor e oradorportuguês da Companhia de Jesus. Uma das mais influentes personagens do

século XVII em termos de política e oratória, destacou-se como missionário em terras brasileiras. Nesta qualidade, defendeu infatigavelmente os direitos dos povos indígenas combatendo a sua exploração e escravização e fazendo a sua evangelização. Era por eles chamado de “Paiaçu” (Grande Padre/Pai, em tupi). António Vieira defendeu também os judeus, a abolição da distinção entre cristãosnovos (judeus convertidos, perseguidos à época pela Inquisição) e cristãos-velhos (os católicos tradicionais), e a abolição da escravatura. Criticou ainda severamente os sacerdotes da sua época e a própria Inquisição. Na literatura, os seus sermões possuem considerável importância no barroco brasileiro e português. As universidades frequentemente exigem a sua leitura. Nascido em lar humilde, na Rua do Cónego, perto da Sé, em Lisboa, foi o primogénito de quatro filhos de Cristóvão Vieira Ravasco, de origem alentejana cuja mãe era filha de uma mulata ou africana, e de Maria de Azevedo, lisboeta.

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FOI HISTÓRIA ...

ligação com a nave-mãe. Bruce McCandless esteve duas vezes no espaço e na primeira delas em 1984, a bordo daChallenger, na missão STS-41-B, fez o primeiro teste em órbita com o experimento que ajudou a desenvolver, tornando-se o primeiro astronauta da história a andar no espaço completamente livre. Na sua segunda missão, STS-31, em abril de 1990, fez parte da tripulação da Discovery que colocou em órbita o telescópio espacial Hubble.

08FEV Barragem do Alqueva

Bruce McCandlessII

Barragem do Alqueva

Bruce McCandlessll

Bruce McCandlessII (Boston, 8 de junho de 1937) é um astronauta norte-americano e foi o primeiro homem a caminhar no espaçosem estar ligado à nave-mãe, durante a missão STS-41-B, da nave espacial Challenger, em 7 de fevereiro de 1984. McCandless formou-se em ciência pela Academia Naval dos Estados Unidos, recebendo treinamento de piloto de combate, e conseguiu um doutorado em engenharia elétrica na Universidade de Stanford em 1965. No começo dos anos 1960, serviu como piloto da marinha, baseado nos portaaviões USS Forrestal e USS Enterprise, onde se encontrava durante a crise dos mísseis de Cuba em outubro de 1962. Em abril de 1966, foi um dos dezenove oficiais selecionados pela NASA para o treinamento de astronauta e suas primeiras missões foram a de fazer parte da equipe de apoio da Apollo 14 e a de piloto reserva da primeira missão Skylab; nesta época, McCandless foi também um dos principais colaboradores do desenvolvimento da Unidade Portátil de Manobra, um novo experimento que permitiria aos astronautas realizarem atividades extra-veiculares no espaço sem

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As comportas da Barragem do Alqueva, no Rio Guadiana, em Portrugal, são encerradas, tendo inicio o enchimento em 8 de fevereiro de 2002. A Barragem de Alqueva é a maior barragem portuguesa e da Europa Ocidental, situada no rio Guadiana, no Alentejointerior, perto da aldeia de Alqueva. A construção desta barragem permitiu a criação do maior reservatório artificial de água da Europa. Possui uma altura de 96 m acima da fundação e um comprimento de coroamento de 458 m2 . A capacidade instalada de produção de energia elétrica começou por ser de 260 MW, tendo sido alvo de um reforço de potência que permitiu ampliar a capacidade do empreendimento para 520 megawatts (MW) (desde 15/10/2012), com dois grupos geradores reversíveis, que deverão produzir anualmente 381 gigawatts hora (GWh). A albufeira atinge, à cota máxima, os 250 km², sendo o maior lago artificial da Europa Ocidental (há vários outros bem maiores na Rússia e Ucrânia). Foi construída com o objetivo de regadio para toda a zona do Alentejo e produção de energia elétrica, para além de outras atividades complementares. Diversas infraestruturas dosistemaglobalencontram-se já construídas (barragem de Pedrógão, infraestrutura 12, Aldeia da Luz) e muitas outras em fase avançada de projeto. Em Outubro de 2012, entrou em serviço o Reforço de potência da Barragem do Alqueva, constituído por uma nova central com dois grupos geradores reversíveis, com 130 MW de potênciacada um, duplicando a potência instalada da Barragem.

09FEV Bill Haley

Bill Haley & His Bill Haley ou Willian John Clifton (6 de julho de 1925 - 9 de fevereiro de 1981) foi um músico de rock androll. Ele é creditado por muitos, o primeiro a popularizar este tipo de música no início dos anos 1950 com seu grupo Bill Haley & His Comets e a canção “Rock AroundtheClock”. Halley nasceu em HighlandPark, Michigan e foi criado na Pensilvânia. Em 1946, ele formou seu primeiro grupo profissional, uma banda country chamada DownHomers, depois da qual ele passou a seguir carreira solo. Haley lançou inúmeros compactos country nos anos 40, sem sucesso, enquanto trabalhava de músico itinerante e DJ. Em 1951 ele e sua nova banda TheSaddlemen resolveram tocar em outro estilo, gravando versões das músicas “Rocket 88” e “Rock thisJoint” de JackieBrenston& Delta Cats (na verdade música composta e executada por Ike Turner &The Kings ofRhythms, com JackieBresnton que assume os vocais nessa gravação era saxofonista dessa banda). O sucesso relativo alcançado por elas convenceu Haley de que ele poderia ser um roqueiro famoso. Em 1952 o Saddlemen passou a se chamar Bill Haley&HisComets e, em 1952 a composição de Haley, “Crazy Man Crazy” tornou-se o primeiro rock a entrar nas paradas de sucesso americana. Em 1953 uma canção chamada “Rock AroundtheClock” foi composta para Haley, mas ele só conseguiria gravá-la em 12 de abrilde 1954. Inicialmente não obteve sucesso, mas Haley logo alcançaria fama mundial com sua versão de “Shacke, ratleandgo” de Big Joe Turner, que venderia milhões de cópias. Haley e sua banda foram primordiais ao divulgar a música conhecida como “Rock andRoll” entre o público branco, depois de anos considerada como um movimento underground. Quando “Rock AroundtheClock” apareceu na trilha sonora do filme BlackBoardJungle, encadeou uma revolução musical que abriu as portas para talentos comoElvis Presley. Haley continuou a emplacar sucessos nos anos 50, como “SeeYou Later Alligator”, e estrelou o primeiro musical cinematográfico de rock androll. Sua fama logo seria ultrapassada nos EUA pelo mais famoso e mais sexy Elvis, mas Haley continuaria a ser um grande astro na América Latina e na Europa pelo resto de sua carreira. Seus últimos shows foram na Áfricaem 1980. Ele foi incluído no Hall da Fama do Rock andRoll em 1987. Os Comets originais de 1954/55 ainda continuam se apresentando ao redor do mundo. Embora na faixa etária dos 70 aos 82, a banda não mostra sinais de cansaço e recentemente lançou um DVD ao vivo. Haley faleceu em sua casa no Harlingen, Texas em 1981.


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11 FEV 10 FEV Garry Kasparov

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escolas, hospitais e outras construções ficaram destruídos após o terremoto e estima-se que 80% das construções de Porto Príncipe foram destruídas ou seriamente danificadas. O número de mortos não é conhecido com precisão.

Frederick Banting

George Gershwin

Garry Kasparov

Garry Kasparov, campeão mundial de xadrex, perde o primeiro de seis jogos contra o Super-Computador DeepBlue o mais potente dos computadores da I.B.M. em 10 de fevereiro de 1996, Kasparov venceu o embate alcançando 3 vitórias e dois empates. Garry Kasparov, nascido Garry Kimovich Weinstein, Baku, 13 de abril de 1963) é um Grande Mestre e ex-campeão mundial de xadrez, escritor e ativista políticonascido na República Socialista Soviética do Azerbaijão, União Soviética (atual Azerbaijão). É considerado por muitos o maior xadrista de todos os tempos. Kasparov foi o jogador mais novo a se tornar campeão mundial de xadrez em 1985, quando tinha 22 anos.6 Manteve o título mundial oficial da Federação Internacional de Xadrez até 1993, quando uma disputa com a FIDE levou-o a criar uma organização rival, a Professional Chess Association. Ele continuou a vencer o Campeonato Mundial de Xadrez Clássico até ser derrotado por Vladimir Kramnik em 2000. Garry também é largamente conhecido por ser o primeiro campeão mundial de xadrez a perder uma partida para um computador, quando perdeu para o Deep Blue em 1997. As conquistas de Kasparov incluem ser classificado como o número um do mundo de acordo com o rating ELO quase continuamente de 1986 até sua aposentadoria em 2005 e por sustentar a classificação mais alta de todos os tempos, de 2851.Ele mantém, também, o recorde de Chess Oscars, tendo recebido o prémio onze vezes. Entre 1984 e 1990, Kasparov foi membro do Comité Central de Komsomol e membro do Partido Comunista da União Soviética.Ele anunciou sua aposentadoria do xadrez profissional em 10 de março de 2005, para dedicar seu tempo à política e à escrita. Formou o movimento United Civil Front, e tornou-se membro do The Other Russia, uma coalizão de oposição à administração deVladimir Putin. Ele foi candidato para presidente nas eleições de 2008, mas depois desistiu. Embora altamente considerado, no Oriente, como um símbolo de oposição a Putin, o apoio de Kasparov na Rússia era fraco. Em 14 de abril de 2007 Kasparov foi preso com quase outras 200 pessoas ao participar num protesto contra o Kremlin, e ficou detido por cerca de dez horas, além de ter sido multado em mil rublos. Em novembro do mesmo ano, foi novamente preso, num protesto contra Vladimir Putin e ficou detido desta vez por cinco dias.

Frederick Banting

Em 11 de fevereiro de 1922 o cirurgião canadiano Frederick Banting e o seu assistente Charles Best anunciam uma das mais revolucionárias descobertas da medicina moderna: o uso de insulina no tratamento da Diabetes. Em agosto de 1921 tinham alcançado os primeiros resultados conclusivos, quando deram uma substância extraída dos Ilhéus de Langerhans (chamada Insulina) a cães diabéticos, os níveis altos de açúcar no sangue baixaram. Seis semanas depois, a Insulina isolada foi testada pela primeira vez: um rapaz com 14 anos que estava a morrer de diabetes. Uma injecção fez baixar o nível de açúcar e eliminou da urina os sinais da doença. Bating e Best publicaram um primeiro sobre a descoberta passado um mês. Em 1923, o Prémio Nobel da Medicina a Bating e outro médico também estudioso da matéria Jonh Macleod, cujas investigações conduziram a esta descoberta.

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George Gershwin

Em 12 de janeiro de 2010, um terramoto de proporções catastróficas, com magnitude sísmica 7,0 na escala de magnitude de momento (7.3 na escala de Richter ), atingiu o país a aproximadamente a 22 quilometros da capital, Porto Príncipe. Em seguida, foram sentidos na área múltiplos tremores com magnitude em torno de 5.9 graus. O palácio presidencial, várias

Em 3 de fevereiro, o Premiê Jean-Max Bellerive afirmou que: “já passa de 200 mil o número de óbitos, e o número de sem abrigo pode chegar aos três milhões”. Diversos países disponibilizaram recursos em dinheiro para amenizar o sofrimento do país mais pobre do continente americano. O presidente norte-americano Barack Obama, afirmou logo após a tragédia que o povo haitiano não seria esquecido, obrigando a comunidade internacional a refletir sobre a responsabilidade dos países que exploraram e abandonaram o Haiti. Segundo as Nações Unidas, o sismo foi o pior desastre já enfrentado pela organização desde sua criação em 1945.

13 FEV “Chuck”

Charles Yeager

Ghandi inicia em 13 de janeiro um jejum contra a divisão da Índia entre hindus e muçulmanos Gandhi teve grande influência entre as comunidades hindu e muçulmana da Índia. Costuma-se dizer que ele terminava rixas comunais apenas com sua presença. Gandhi posicionou-se veementemente contra qualquer plano que dividisse a Índia em dois estados, o que efetivamente aconteceu, criando a Índia - predominantemente hindu - e o Paquistão - predominantemente muçulmano. No dia da transferência de poder, Gandhi não celebrou a independência com o resto da Índia, mas ao contrário, lamentou sozinho a partilha do país em Calcutá. Gandhi tinha iniciado um jejum no dia 13 de janeiro de 1948 em protesto contra as violências cometidas por indianos e paquistaneses. No dia 20 daquele mês, sofreu um atentado: uma bomba foi lançada na sua direção, mas ninguém ficou ferido. Entretanto, no dia 30 de janeiro de 1948, Gandhi foi assassinado a tiros, em Nova Déli, por Nathuram Godse, um hindu radical que responsabilizava Gandhi pelo enfraquecimento do novo governo ao insistir no paga-

mento de certas dívidas ao Paquistão. Godse foi depois julgado, condenado e enforcado, a desrespeito do último pedido de Gandhi que foi justamente a não-punição do seu assassino. O corpo do Mahatma foi cremado e suas cinzas foram lançadas no rio Ganges. É significativo sobre a longa busca de Gandhi pelo seu deus o facto das suas últimas palavras serem um mantra popular na conceção hindu de um deus conhecido como Rama:”Hai Ram!” Este mantra é visto como um sinal de inspiração tanto para o espírito como para o idealismo político, associado a uma possibilidade de paz na unificação.

14 FEV

Salman Rushdie

Salman Rushdie

Salman Rushdie estreou-se na literatura em 1975 com o romance Grimus. Dono de um estilo próprio e dominando excelentes técnicas de narração, Rushdie já era um autor consagrado quando venceu o Prémio Booker em 1981 com a obra Os Filhos da Meia-Noite. Tornou-se incomparavelmente mais famoso após a publicação do livro Versículos satânicos , em 1989 (que condenava o Islão por perseguição contra várias religiões cristãs e hindus), que causou controvérsia no mundo Islâmico, devido a este livro ter sido considerado ofensivo ao profeta Maomé. A 14 de Fevereiro de 1989, a fatwa ordenando a sua execução, foi proferida pelo Aiatolá Ruhollah Khomeini, líder do Irão, chamando o seu livro de “blasfémia contra o Islão”. Para além disso, Khomeini condenou Rushdie pelo crime de “apostasia” - fomentar o abandono da fé islâmica - o que de acordo com a Hadith é punível com a morte. Isto porque Rushdie comunicava através do romance que já não acreditava no Islão. Khomeini ordenou a todos os “muçulmanos zelosos” o dever de tentar assassinar o escritor, os editores do livro que soubessem dos conceitos do livro e quem tomasse conhecimento de seu conteúdo, conforme a fatwa. Devido a este fatos Rushdie foi forçado a vivier no anonimato por muitos anos. A obra infanto-juvenil Haroun e o Mar de Histórias foi escrita pelo autor como uma forma de explicar ao seu filho por que razão tinha perdido a liberdade de expressão. Com o seu primeiro romance pós-fatwa, intitulado O Último Suspiro do Mouro, foi vencedor do Prémio Whitebread.


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15 FEV

Nat King Cole

tarristas, Gonçalo Paredes e António Paredes, começou a estudar guitarra portuguesa aos quatro anos com o seu pai, embora a mãe preferisse que o filho se dedicasse ao piano; frequenta o Liceu Passos Manuel, começando também a ter aulas de violino na Academia de Amadores de Música. Na sua última entrevista, recorda: “Em pequeno, a minha mãe, coitadita, arranjou-me duas professoras de violino e piano. Eram senhoras muito cultas a quem devo a cultura musical que tenho”. Em 1934, a família muda-se para Lisboa, o pai era funcionário do BNU e vem transferido para a capital. Abandona a aprendizagem do violino para se dedicar, sob a orientação do pai, completamente à guitarra. Carlos Paredes fala com saudades desses tempos: “Neste anos, creio que inventei muita coisa. Criei uma forma de tocar muito própria que é diferente da do meu pai e do meu avô”.

Nat King Cole

Nat King Cole, nome artístico de Nathaniel Adams Coles, (Montgomery, 17 de março de 1919 — Santa Mónica, 15 de fevereirode 1965) foi um cantor e músico de jazz norteamericano, pai da cantora Natalie Cole. O apelido de “King Cole” veio de uma popularcantiga de roda inglesa conhecida como Old King Cole. A sua voz marcante imortalizou várias canções, como: Mona Lisa, Stardust, Unforgettable, Nature Boy, Christmas Song, “Quizás, Quizás, Quizás”, entre outras, algumas das quais nas línguas espanhola e portuguesa. As suas músicas românticas tinham um toque especial junto a sua voz associada ao piano, tornando-o assim um artista de grande sucesso. Sua então revolucionária formação piano, guitarra e baixo ao tempo das big bands tornou-se popular para trios de jazz. Nat King Cole aprendeu a tocar piano na igreja onde seu pai era pastor. Desde criança ele esteve ligado à música, tocando junto ao coral da mesma igreja. Cole lutou contra o racismo durante toda a sua vida, recusando-se sempre a cantar em plateias comsegregação racial. Por ter um hábito de fumar diariamente três maços de cigarro, o cantor morreu vítima de cancro. Encontra-se sepultado no ForestLawn Memorial Park (Glendale), Glendale, Los Angeles, nos Estados Unidos. Um de seus últimos trabalhos foi no filme CatBallou, onde canta a balada da personagem título, interpretada por Jane Fonda.

16 FEV

Carlos Paredes

Carlos Paredes nasce em 16 de fevereiro de 1925. Filho do famoso compositor e guitarrista, mestre Artur Paredes, neto e bisneto de gui-

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profundamente, pela sua simplicidade». Recebeu um reconhecimento especial por “Os Verdes anos”. Tocou com muitos artistas, incluindo Charlie Haden, Adriano Correia de Oliveira e Carlos do Carmo. Escreveu muitas músicas para filmes e em 1967 gravou o seu primeiro “Guitarra Portuguesa”. Quando os presos políticos foram libertados depois do 25 de Abril de 1974, eram vistos como heróis. No entanto, Carlos Paredes sempre recusou esse estatuto, dado pelo povo. Sobre o tempo que foi preso nunca gostou muito de comentar. Dizia «que havia pessoas, que sofreram mais do que eu!». Ele é reintegrado no quadro do Hospital de São José e percorre o país, atuando em sessões culturais, musicais e políticas em simultâneo, mantendo sempre uma vida simples, e por incrível que possa parecer, a sua profissão de arquivista de radiografias. Várias compilações de gravações de Carlos Paredes são editadas, estando desde 2003 a sua obra completa reunida numa caixa de oito CDs. A sua paixão pela guitarra era tanta que, conta que certa vez, a sua guitarra se perdeu numa viagem de avião e ele confessou a um amigo que «pensou em se suicidar». Uma doença do sistema nervoso central (mielopatia), impediu-o de tocar durante os últimos 11 anos da sua vida. Morreu em 23 de Julho de 2004 na Fundação Lar Nossa Senhora da Saúde em Lisboa, sendo decretado Luto Nacional.

17 FEV

Moliere Carlos Paredes

Carlos Paredes inicia em 1949 uma colaboração regular num programa de Artur Paredes na Emissora Nacional e termina os estudos secundários num colégio particular. Não chega a concluir o curso liceal e inscreve-se nas aulas de canto da Juventude Musical Portuguesa, tornando-se em 1949 funcionário administrativo do Hospital de São José. Em 1958, é preso pela PIDE por fazer oposição a Salazar, é acusado de pertencer ao Partido Comunista Português, do qual era de facto militante, sendo libertado no final de 1959 e expulso da função pública na sequência de julgamento. Durante este tempo andava de um lado para o outro da cela fingindo tocar música, o que levou os companheiros de prisão a pensar que estaria louco - de facto, o que ele estava a fazer, era compor músicas na sua cabeça. Quando voltou para o local onde trabalhava no Hospital, uma das ex-colegas, Rosa Semião, recorda-se da mágoa do guitarrista devido à denúncia de que foi alvo: «Para ele foi uma traição, ter sido denunciado por um colega de trabalho do hospital. E contudo, mais tarde, ao cruzar-se com um dos homens que o denunciou, não deixou de o cumprimentar, revelando uma enorme capacidade de perdoar!» Em 1962, é convidado pelo realizador Paulo Rocha, para compor a banda sonora do filme Os Verdes Anos: «Muitos jovens vinham de outras terras para tentarem a sorte em Lisboa. Isso tinha para mim um grande interesse humano e serviu de inspiração a muitas das minhas músicas. Eram jovens completamente marginalizados, empregadas domésticas, de lojas - Eram precisamente essas pessoas com que eu simpatizava

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Moliiere

Jean-Baptiste Poquelin, mais conhecido como Molière (Paris, 15 de janeiro de 1622 — 17 de Fevereiro de 1673), foi um dramaturgo francês, além de actor e encenador, considerado um dos mestres da comédia satírica. Teve um papel de destaque na dramaturgia francesa, até então muito dependente da temática da mitologia grega. Molière usou as suas obras para criticar os costumes da época. É considerado o fundador indirecto da Comédie-Française. Dele, disse Boileau: Dans le sac ridicule où Scapin s’enveloppe je ne reconnais plus l’auteur du Misanthrope - (“No saco ridículo onde se envolve Escapino, não reconheço mais o autor de O Misantropo”). Como encenador, ficou também conhecido pelo seu rigor e meticulosidade.

18 FEV

Carlos Lopes

Carlos Lopes

Carlos Alberto de Sousa Lopes (Vildemoinhos, 18 de Fevereiro de 1947) é um exatleta e campeão olímpico português, um dos melhores da sua geração e uma referência mundial do atletismo de longa distância. Lopes sobressaiu tanto nas provas de pista, como nas de estrada e no corta-mato (cross-country). Foi vencedor da Medalha Olímpica Nobre Guedes em 1973. A família Lopes era modesta. Carlos começou a trabalhar como servente de pedreiro, ainda não tinha onze anos, para ajudar a sustentar a casa de família. Mais tarde, foi empregado de mercearia, relojoeiro e contínuo. Enquanto adolescente, Lopes ambicionava jogar futebol no Lusitano de Vildemoinhos, o clube da sua aldeia. O clube rejeitou-o por ser excessivamente magro. Como ele próprio contou mais tarde, o atletismo surgiu por acaso. Numa correria com amigos, durante a noite, ao voltar de um baile (correndo em parte para afastar o medo que o vento uivante lhes fazia), Carlos Lopes foi o primeiro, batendo um grupo de rapazes da sua idade que treinavam regularmente e já se dedicavam ao atletismo. Foi nesse grupo de adolescentes que nasceu a ideia de criar um núcleo de atletismo no Lusitano de Vildemoinhos. A primeira prova oficial de Lopes foi numa corrida de São Silvestre; tinha dezesseis anos. Lopes ficou em segundo lugar, pese embora a presença de corredores bem mais experientes. Pouco tempo depois, ganhou o campeonato distrital de Viseu de crosse, e quase de seguida foi terceiro no Campeonato Nacional de Corta-mato para juniores. Essa classificação, levou-o pela primeira vez ao Cross das Nações, em Rabat, Marrocos. Lopes foi o melhor português, em 25º lugar. Lopes tinha então dezessete anos. Em 1967, Carlos Lopes foi recrutado pelo Sporting Clube de Portugal, de Lisboa. A ida para Lisboa, deveu-se tanto a razões desportivas, como à promessa de um melhor emprego como serralheiro. É no Sporting que encontra o treinador da sua vida,


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FOI HISTÓRIA ...

Mário Moniz Pereira. Moniz Pereira foi o mentor de várias gerações de atletas portugueses de fundo e meio-fundo. Em 1975, Carlos Lopes e alguns outros atletas do Sporting passam a treinar duas vezes por dia. Lopes era dispensado do seu emprego (entretanto foi contínuo no jornal Diário Popular e num banco) na parte da manhã. Entrava-se assim, na era do semiprofissionalismo. Em 1976, Lopes ganha pela primeira vez o Campeonato do Mundo de Corta-Mato, que nesse ano se realizava em Chepstown, no País de Gales. Como mais tarde viria a demonstrar, Lopes fez uma corrida demonstrando uma enorme auto-confiança, mostrando resistência, sentido táctico e muito boa ponta final (sprint). Carlos Lopes, que já tinha estado sem glória nos Jogos de Munique em 1972, era uma das maiores esperanças portuguesas para os Jogos Olímpicos de Montreal, no Verão de 1976. Lopes teve, aliás, a honra de ser o porta-bandeira da equipa portuguesa durante a cerimónia inaugural. Na final dos 10 000 metros, Carlos Lopes forçou o andamento desde o início. Seguindo as instruções de Moniz Pereira, a táctica era a de rebentar com a concorrência (ou com ele próprio). De facto, Carlos Lopes iniciou o último meio quilómetro bem adiantado do pelotão. Mas não ia só. Lasse Viren, da Finlândia, tinha sido o único a conseguir acompanhar Lopes. Nas últimas centenas de metros, Viren atacou forte, ultrapassou Lopes e ganhou a medalha de ouro. Lopes foi segundo e teve de se contentar com a prata. O finlandês era um atleta de excepção, e ganhou também o ouro nos 5 000 metros. Era a primeira vez, desde há décadas, que Portugal conquistava uma medalha olímpica, e a primeira vez no atletismo. Em 12 de Agosto, Carlos Lopes venceu a prova de maratona nos Jogos de 1984, tornando-se o primeiro português a ser medalhado com o ouro nos Jogos Olímpicos. A prova foi rápida, e a marca atingida (2h9m21s) foi recorde olímpico até aos Jogos Olímpicos de Pequim em 2008.

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Lee Marvin

Alguns de seus papéis marcantes foram nos filmes como “The Dirty Dozen” (1967), “The Man Who Shot Liberty Valance” (1962), “CatBallou” (1965), “Sargento Riker” (1968) e dezenas de filmes ocidentais e militares, às vezes como herói e, muitas vezes como um vilão. Lee Marvin nasceu em Nova York, e foi nomeado em honra do general confederado Robert E. Lee, que era seu primo em primeiro grau. Incorrigível como um jovem, ele foi expulso de várias escolas, até que se alistou no Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos, no início da Segunda Guerra Mundial. Indo para combate, Lee Marvin foi ferido em junho de 1944 durante a Batalha de Saipan, e passou o resto da guerra em convalescença na cidade de Nova York. Saindo do corpo militar no final da guerra, ele conseguiu trabalho como aprendiz de encanador, e ao reparar um vaso sanitário em um teatro, foi convidado à substituir um ator doente durante um ensaio. Lee Marvin ficou apaixonado pelo teatro, e quando retornou para Nova York, estudou interpretação e começou a representar pequenos papéis em produções teatrais. Depois de ficar um bom tempo representando pequenos papéis na televisão, Lee Marvin se mudou para Hollywood, onde começou a fazer papéis de bandidos e policiais, principalmente como um “extra”. Após algum tempo, conseguiu um papel principal em “EightIronMen” (1952), tornandose com esta representação um ator notado em Hollywood, sendo com isso a ocorrência de ofertas para que representasse melhores papéis em filmes. Lee Marvin teve uma temporada de muito sucesso como um detetive da polícia na série de televisão “M Squad” (1957-1960). O seu Óscar só veio de seu duplo papel como um pistoleiro bêbado e seu irmão gêmeo sem nariz na comédia ocidental, “CatBallou” (1965). Em 1969 Lee Marvin representou um garimpeiro de ouro bêbado, chamado “Ben Rumson”, na comédia, “Paint YourWagon”, um dos poucos filmes em que ele canta, sendo que a canção que Lee Marvin canta no filme, chamada “Wandering Star”, foi lançada separadamente após o filme, sendo sucesso de rádio, o que lhe rendeu um disco de ouro, que o surpreendeu tanto quanto o público. Lee Marvin também é lembrado por uma briga judicial, quando seu relacionamento de muitos anos com a actriz Michelle Triola rompeu-se e ela o processou, requerendo direitos em sua propriedade. Ela ganhou o direito de processá-lo, mas acabou perdendo o caso. Em Dezembro de 1986, Lee Marvin passou por uma cirurgia intestinal, depois de sofrer dores abdominais, enquanto em seu aos arredores da cidade de Tucson, Arizona (EUA). Os médicos do “Tucson Medical Center”, onde Lee Marvin estava internado, disseram então que havia uma inflamação do cólon, mas que nenhuma malignidade foi encontrada. Lee Marvin morreu de um ataque cardíaco, depois de ser hospitalizado por mais de duas semanas por causa de uma gripe.

Vitorino Nemésio

e foi sepultado em Coimbra. Pouco antes de morrer, pediu ao filho para ser sepultado no cemitério de Santo António dos Olivais, em Coimbra. Mas pediu mais: que os sinos tocassem o Aleluia em vez do dobre a finados. O seu pedido foi respeitado. Filho de Vitorino Gomes da Silva e Maria da Glória Mendes Pinheiro, na infância a vida não lhe correu bem em termos de sucesso escolar, uma vez que foi expulso do Liceu de Angra, e reprovou o 5.º ano, fato que o levou a sentir-se incompreendido pelos professores. Do período do Liceu de Angra, apenas guardou boas recordações de Manuel António Ferreira Deusdado, professor de História, que o introduziu na vida das Letras. Com 16 anos de idade, Nemésio desembarcou pela primeira vez na cidade da Horta para se apresentar a exames, como aluno externo do Liceu Nacional da Horta. Acabou por concluir o Curso Geral dos Liceus, em 16 de Julho de 1918, com a qualificação de dez valores. A sua estadia na Horta foi curta, de Maio a Agosto de 1918. A 13 de Agosto o jornal O Telégrafo dava notícia de que Nemésio, apesar de ser um fedelho, um ano antes de chegar à Horta, havia enviado um exemplar de Canto Matinal, o seu primeiro livro de poesia (publicado em 1916), ao director de O Telégrafo, Manuel Emídio. Apesar da tenra idade, Nemésio chegou à Horta já imbuído de alguns ideais republicanos, pois em Angra do Heroísmo já havia participado em reuniões literárias, republicanas e anarco-sindicalistas, tendo sido influenciado pelo seu amigo Jaime Brasil, cinco anos mais velho (primeiro mentor intelectual que o marcou para sempre) e por outras pessoas tal como Luís da Silva Ribeiro, advogado, e Gervásio Lima, escritor e bibliotecário. Em 1918, ao final da Primeira Guerra Mundial, a Horta possuía um intenso comércio marítimo e uma impressionante animação nocturna, uma vez que se constituía em porto de escala obrigatória, local de reabastecimento de frotas e de repouso da marinhagem. Na Horta estavam instaladas as companhias dos Cabos Telegráficos Submarinos, que convertiam a cidade num “nó de comunicações” mundiais. Esse ambiente cosmopolita contribuiu, decisivamente, para que ele viesse, mais tarde a escrever uma obra mítica que dá pelo nome de Mau Tempo no Canal, trabalhada desde 1939 e publicada em 1944, cuja acção decorre nas ilhas Faial, Pico, São Jorge e Terceira, sendo que o núcleo da intriga se desenvolve na Horta. Este romance evoca um período (19171919) que coincide em parte com a sua permanência na ilha do Faial e nele aparecem pessoas tais como o Dr. José Machado de Serpa, senador da República e estudioso, o padre Nunes da Rosa, contista e professor do Liceu da Horta, e Osório Goulart, poeta. Em 1919 iniciou o serviço militar, como voluntário na arma de Infantaria, o que lhe proporcionou a primeira viagem para fora Vitorino Nemésio, Faleceu a 20 de Fevereido arquipélago. ro de 1978, em Lisboa, no Hospital da CUF, Concluiu o liceu em Coimbra (1921) e

inscreve-se na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra. Três anos mais tarde, Nemésio trocou esse curso pelo de Ciências Histórico Filosóficas, da Faculdade de Letras de Coimbra, e, em 1925, matriculou-se no curso de Filologia Românica. Na primeira viagem que faz à Espanha, com o Orfeão Académico, em 1923, conheceu Miguel Unamuno, escritor e filósofo espanhol (1864-1936), intelectual republicano, e teórico do humanismo revolucionário antifranquista, com quem trocará correspondência anos mais tarde. A 12 de Fevereiro de 1926 desposou, em Coimbra, Gabriela Monjardino de Azevedo Gomes, com quem teve quatro filhos: Georgina (Novembro de 1926), Jorge (Abril de 1929), Manuel (Julho de 1930) e Ana Paula (Dezembro de 1931). Em 1930 transferiu-se para a Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa onde, no ano seguinte, concluiu o curso de Filologia Românica, com elevadas classificações, começando desde logo a leccionar literatura italiana. A partir de 1931 deu inicio à carreira académica na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, onde leccionou Literatura Italiana e, mais tarde, Literatura Espanhola. Em 1934 doutorou-se em Letras pela Universidade de Lisboa com a tese A Mocidade de Herculano até à Volta do Exílio. Entre 1937 e 1939 leccionou na Universidade Livre de Bruxelas, tendo regressado, neste último ano, ao ensino na Faculdade de Letras de Lisboa. Em 1958 foi professor no Brasil. A 19 de Julho de 1961 foi feito Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique e a 17 de Abril de 1967 Grande-Oficial da Ordem Militar de Sant’Iago da Espada. A 12 de Setembro de 1971, atingido pelo limite legal de idade para exercício de funções públicas, profere a sua última lição na Faculdade de Letras de Lisboa, onde ensinara durante quase quatro décadas. Foi autor e apresentador do programa televisivo Se bem me lembro, que muito contribuiu para popularizar a sua figura e dirigiu ainda o jornal O Dia entre 11 de Dezembro de 1975a 25 de Outubro de 1976. Foi um dos grandes escritores portugueses do século XX, tendo recebido em 1965, o Prémio Nacional da Literatura e, em 1974, o Prémio Montaigne.

21 JAN

Malcolm X

20 FEV

Lee Marvin

Lee Marvin foi um famoso actor norte americano, o qual é lembrado pelos seus papéis de personagens “durões” em diversos filmes para a TV e Cinema, realizados nas décadas de 1950, 1960, 1970 e 1980.

Vitorino Nemésio

Malcolm X

Malcolm X é assassinado em 21 de fevereiro

de 1965.


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A tragédia sempre foi uma constante na vida de MalcolmLittle, que ficou para a história como um dos grandes líderes dos negros norte-americanos com o nome de Malcolm X. Quando tinha apenas seis anos e brincava pelas ruas de Omaha, o seu pai, EarlLittle, foi assassinado. Após sofrer um brutal espancamento, EarlLittle teve o seu corpo atirado numa linha de comboio. Órfão (na época sua mãe fazia tratamento um hospital psiquiátrico), Malcolm e seus sete irmãos foram morar em orfanatos. Pouco tempo depois, com uma irmã mais velha, foi morar em Boston. Depois, transferiu-se para o Harlem, bairro de maioria negra em Nova Iorque. Na adolescência, trabalhou como engraxador e começou a beber, a fumar e a comercializar drogas, principalmente maconha, além de frequentar casas de prostituição. Escapou do serviço militar fingindo-se de “louco”. Na mesma época, começou a praticar pequenos assaltos no Harlem. Com mais três amigos, todos muito pobres, passou a assaltar residências, até que acabou sendo preso, em 1946. Foi justamente na prisão que ocorreu uma grande transformação na vida de Malcolm X. De assaltante e vendedor de drogas, passou a estudar o islamismo, seguindo os ensinamentos de Elijah Muhammed, líder da “Nação do Islão”. Ao sair da cadeia, em 1952, Malcolm X transformou-se em um dos mais carismáticos líderes negros dos Estados Unidos. Enquanto Martin Luther King apostava em uma resistência pacífica como arma para enfrentar o racismo, Malcolm X defendia a separação das raças, a independência económica e a criação de um Estado autónomo para os negros. Ao lado de Elijah Muhammed, viaja pelos principais estados norte-americanos para pregar as suas idéias e defender a libertação dos negros. O projeto não foi em frente, mas deu ainda mais fama ao ativista. Em 1964, já casado fundou a organização “Muslim Mosque Inc” e, mais tarde, a “Afro-AmericanUnity”. Um ano antes, após uma viagem para Meca, cidade sagrada dos muçulmanos, mudou o seu nome para Al HajjMalik Al-Habazz. A partir daí, passou a defender uma posição conciliatória em relação aos brancos, fato que o deixou isolado, sobretudo em relação ao islamismo. No dia 21 de fevereiro de 1965, quando discursava no Harlem, Malcolm X foi assassinado com 13 tiros, ao lado de sua mulher Betty, que estava grávida, e de suas quatro filhas. A Polícia dos Estados Unidos não encontrou provas, mas sempre suspeitou da participação da “Nação Islão” no crime. As ideias de Malcolm X foram muito divulgadas principalmente nos anos 70, por movimentos como “BlackPower” e “Panteras Negras”. A vida do ativista norte-americano também ganhou documentários e filmes, sendo “Malcolm X”, dirigido por Spike Lee, em 1992, o mais famoso.

22 FEV “Portugal e o futuro”

“Portugal e o futuro” foi um livro publicado pela Editora Arcádia no dia 22 de Fevereiro de 1974 pelo general António de Spínola. Nesse livro, o ex-governador da GuinéBissau advogava, após 13 anos de Guerra do

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FOI HISTÓRIA ...

Portugal e o futuro

Ultramar, uma solução política e não militar como sendo a única saída para o conflito. As acções do governo marcelista “Marcelo Caetano”, a demissão dos generais António de Spínola e Francisco da Costa Gomes dos cargos que ocupavam no Estado-Maior General das Forças Armadas, e a organização de cerimónia de apoio ao regime, a Brigada do Reumático, dado ser maioritariamente constituída por idosos oficiais-generais dos três ramos das Forças Armadas, vieram ainda mais mostrar quanto o regime se sentia ameaçado pelas ideias contidas no livro1 . No rescaldo da publicação Marcelo Caetano pede a demissão ao Presidente da República, que não a aceita .

23 FEV

Zeca Afonso

que se reflectirá pela sua vida fora. As trovoadas, as florestas e os grandes rios atravessados em jangadas escondiam-lhe a realidade colonial. Em 1937 regressa a Aveiro, mas parte no mesmo ano para Moçambique, onde se reencontra com os pais e os irmãos emLourenço Marques. No ano seguinte, volta para Portugal, indo viver em Belmonte , com o tio Filomeno, que ocupava o cargo de presidente da Câmara. Completa a instrução primária nesta localidade, e convive com o mais profundo ambiente do Salazarismo, de que seu tio era fervoroso admirador, sendo obrigado a envergar o traje da Mocidade Portuguesa. Em 1939 os seus pais foram viver para Timor, onde seriam cativos dos ocupantes japoneses durante três anos, entre 1942 e 1945. Durante esse período, Zeca Afonso não teve notícias dos pais. Frequentou o Liceu Nacional D. João III e a Faculdade de Letras de Coimbra, e integrou o Orfeão Académico de Coimbra e a Tuna Académica da Universidade de Coimbra; já nesta altura, revelou-se um intérprete especialmente dotado no Fado de Coimbra, tendo assimilado o ambiente de mudança que, naquela altura, se estava a começar a manifestar naquela localidade. Em 1948 completa o Curso Geral dos Liceus, após dois chumbos. Conhece Maria Amália de Oliveira, uma costureira de origem humilde, com quem vem a casar em segredo, por oposição da família. Continua na vida associativa, fazendo viagens com o Orfeão Académico de Coimbra e com a Tuna Académica da Universidade de Coimbra , ao mesmo tempo que integra a equipa de futebol da Académica. Em 1949 inscreve-se no curso de Ciências Histórico-Filosóficas, na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Volta a Angola e Moçambique, integrado numa comitiva do Orfeão Académico de Coimbra. Faleceu em 23 de Fevereiro de 1987 , no Hospital de Setúbal, às três horas da madrugada, vítima de esclerose lateral amiotrófica.

24 FEV Steve Jobs José Afonso

Em 23 de fevereiro de 1987 morre José (Zeca) Afonso. Nasceu no dia 2 de Agosto de 1929, na Freguesia de Glória, em Aveiro, filho de José Nepomuceno Afonso dos Santos, juiz, natural do Fundão, e de sua mulher Maria das Dores Dantas Cerqueira, Professora, de Ponte de Lima. Viveu naquela localidade até aos três anos, numa casa do Largo das Cinco Bicas, com a tia Gé e o tio Xico, bem como com seu irmão João Cerqueira Afonso dos Santos (1927), Advogado, pai de dois dos seus sobrinhos. Com aquela idade foi levado para Angola, onde o pai havia sido colocado como delegado do Procurador da República, em 1930, e onde nasceria em Silva Porto a sua irmã Maria Cerqueira Afonso dos Santos, mãe de seus sobrinhos, também músicos, João Afonso Lima e António Afonso Lima. A relação física com a natureza causou-lhe uma profunda ligação ao continente africano,

Steve Jobs

Steven Paul Jobs (São Francisco, Califórnia, 24 de fevereiro de 1955 — Palo Alto, Califórnia, 5 de outubro de 2011) foi um inventor, empresário e magnata americano no setor da informática. Notabilizou-se como cofundador, presidente e diretor executivo da Apple Inc. e por revolucionar seis indústrias: computadores pessoais, filmes de animação, música, telefones, tablets e publicação digital. Além de sua ligação com a Apple, foi di-

retor executivo da empresa de animação por computação gráfica Pixar e acionista individual máximo da The Walt Disney Company. No final da década de 1970, Jobs, em parceria com Steve Wozniak e Mike Markkula, entre outros, desenvolveu e comercializou uma das primeiras linhas de computadores pessoais de sucesso, a série Apple II. No começo da década de 1980, ele estava entre os primeiros a perceber o potencial comercial da interface gráfica do usuário guiada pelo mouse, o que levou à criação do Macintosh. Após perder uma disputa de poder com a mesa diretora em 1985, Jobs demitiu-se da Apple e fundou a NeXT, uma companhia de desenvolvimento de plataformas direcionadas aos mercados de educação superior e administração. A compra da NeXT pela Apple em 1996 levou Jobs de volta à companhia que ele ajudara a fundar, sendo então seu CEO de 1997 a 2011, ano em que anunciou sua renúncia ao cargo, recomendando Tim Cook como sucessor. Morreu em 5 do outubro de 2011, aos 56 anos de idade, devido a um câncer pancreático.

25 JAN

George Harrison

George Harrison

George Harrison, (Liverpool, 25 de fevereiro de 1943 — Los Angeles, 29 de novembro de 2001) foi um artista inglês, cuja carreira abrangeu diversas áreas. Músico, compositor, ator e produtor de cinema (Monthy Pitton), Harrison atingiu fama internacional como guitarrista dos Beatles. Por vezes referido como “o Beatle sossegado”, Harrison, com o passar do tempo, tornouse um admirador do misticismo indiano, introduzindo-o aos Beatles, assim como aos seus fãs do Ocidente. Após a dissolução da banda, ele teve uma bem-sucedida carreira solo; posteriormente, também obteve sucesso como membro do TravelingWilburys e como produtor de cinema e musical. Harrison ocupa a 11ª posição da lista “Os 100 Maiores Guitarristas de Todos os Tempos”, da revista Rolling Stone. As suas últimas composições com os Beatles incluíram “Here Comes the Sun”, “Something” e “While My Guitar Gently Weeps”. À época do fim da banda, Harrison havia acumulado uma grande quantidade de material, lançado em seu aclamado álbum triplo AllThings Must Pass, de 1970, do qual saíria o single “My Sweet Lord”. Em complemento à sua carreira solo, Harrison co-escreveu, junto de Ringo Starr, duas músicas de sucesso, assim como músicas para os TravelingWilburys — o supergrupo formado por ele, Bob Dylan, Tom Petty, JeffLynnee RoyOrbison, em 1988. Harrison envolveu-se com a cultura indiana e o hinduísmo no meio dos anos 60, ajudando a expandir e disseminar, pelo Ocidente, instrumentos como a Cítata e o movi-


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FOI HISTÓRIA ...

mento Hare Krishna. Juntamente de Ravi Shankar, ele organizou um grande evento de caridade em 1971, o Concerto para Bangladesh. Além de músico, Harrison também foi um produtor musical e co-fundador da HandMadeFilms. Em seu trabalho como produtor de cinema, ele colaborou com artistas como MontyPhyton e Madonna. Casou-se duas vezes, com a modelo PattieBoyd, de 1966 a 1974, e por 23 anos com Olivia Trinidad Arias, com quem teve um filho, Dhani Harrison. Era amigo íntimo de Eric Clapton. É o único Beatle a ter publicado uma autobiografia, I Me Mine, em 1980. Morreu de câncro de pulmão, em 2001.

27 JAN 28 JAN

Steinbeck

26 JAN

Explosão do vaivem Koresh

Johnny Cash

John Ernst Steinbeck

Johnny Cash

J������������������������������������ ohn R. Cash, mais conhecido como Johnny Cash, (Kisland, 26 de fevereiro de 1932 — Nashville, 12 de setembro de 2003) foi um cantor e compositor norteamericano de música country, conhecido por seus fãs como “O Homem de Preto”. Numa carreira que durou quase cinco décadas ele foi para muitas pessoas a personificação do country. Sua voz sepulcral e o distintivo som “boomchicka boom” de sua banda de apoio “Tennessee Three” dão às canções de Johnny Cash o seu som característico, a sua grande companheira cantora também nos bons e maus momentos foi June Carter “Cash” tão ou mais famosa que o marido. Desde seus primórdios como um pioneiro do rockabilly e rock and roll nos anos 50 à sua transformação em um representante internacional da música country e até sua reconquista da fama nos anos 90 tanto como uma lenda viva como ícone do country alternativo, Cash influenciou incontáveis músicos e deixou um trabalho igualado apenas pelos maiores artistas de sua época. Cash promovia e defendia os artistas que beiravam os limites do que era aceitável na música country, mesmo enquanto era o símbolo mais conhecido do estilo. Em um concerto em 2002 vários astros prestaram-no tributo, incluindo Bob Dylan, Chris Isaak, Wyclef Jean, Norah Jones, Willie Nelson e U2. Dois discos-tributo foram lançados pouco depois de sua morte: Kindred Spirits, com trabalhos de artistas famosos, e Dressed In Black, com versões de músicos menos conhecidos.

Cerco de Waco

John Ernst Steinbeck, Jr. (Salinas, 27 de fevereiro de 1902 — Nova Iorque, 20 de dezembro de 1968) foi um escritor norte-americano.. As suas obras principais são A Leste do Paraíso ( (EastofEden, 1952) e As Vinhas da Ira (TheGrapesofWrath, 1939). Foi membro da Ordem DeMolay. Recebeu o Nobel de Literatura de 1962 pelo conjunto das suas obras. Ainda muito jovem, por influência dos pais, leu Dostoiévski, Milton, Flaubert e George Eliot. Terminou o curso secundário no Salinas HighSchool, em 1919. No ano seguinte, ingressou na Universidade de Stanford, exercendo várias profissões para custear os estudos. Em 1925, empregou-se no jornal American de Nova York, e vasculhou a cidade em busca de um editor para seus livros ainda não escritos. Estreou na literatura com A Taça de Ouro (1929), biografia romanceada do bucaneiro Henry Morgan, já marcada por seu característico estilo alegórico. Publicou em seguida Pastagens do céu (1932) e A Um Deus Desconhecido (1939). Esses primeiros livros não lhe asseguraram a profissionalização como escritor. Em 1935 firmou-se como autor de prestígio com Boémios Errantes, que recebeu a medalha de ouro do Commonwealth Club de São Francisco como melhor livro californiano do ano. Os três mais importantes romances de Steinbeck foram escritos entre 1936 e 1938: Luta Incerta (1936), descreve uma greve de trabalhadores agrícolas na Califórnia; Ratos e Homens (1937), que seria transportado para o cinema e para o teatro, analisa as complexas relações entre dois trabalhadores migrantes; As Vinhas da Ira (1939), considerado sua obra-prima, conta a exploração a que são submetidos os trabalhadores itinerantes e sazonais, através da história da família Joad, que migra para a Califórnia, atraída pela ilusória fartura da região. Essa trágica odisséia recebeu o prêmio Pulitzer e foi levada à tela por John Ford em 1940. A obra de Steinbeck inclui ainda Caravana de Destinos (1944), A Pérola (1945/47), (1947), Doce Quinta-feira (1954), O Inverno do Nosso Descontentamento (1961), Viagens com Charley (1962). Steinbeck teve 17 de suas obras adaptadas para filme por Hollywood. Alcançou também grande sucesso como escritor para filmes, tendo sido indicado em 1944 ao Óscar de melhor argumento adaptado pelo filme Um Barco e Nove Destinos (Lifeboat) de Alfred Hitchcock.

O Cerco de Waco foi um cerco realizado pelo governo dos Estados Unidos, que começou em 28 de fevereiro de 1993, quando o Bureau of Alcohol, Tobacco, and Firearms tentou cumprir um mandado de busca na sede (denominada “Monte Carmelo” em função do lugar bíblico) do Ramo Davidiano, uma propriedade a 14 km a nordeste de Waco, Texas. Um tiroteio resultou nas mortes de quatro agentes e seis seguidores de David Koresh. Seguiu-se um cerco de 51 dias, que terminou com em 19 de abril, quando um incêndio destruiu o conjunto. Setenta e seis pessoas (24 delas com nacionalidade britânica) faleceram no incêndio, assim como mais de 20 crianças, duas grávidas e o próprio Koresh. Os agentes estabeleceram contato com Koresh e outros dentro do complexo após a retirada. O FBI assumiu o comando logo em seguida às mortes dos agentes federais. De início, os davidianos mantiveram contato telefônico com a mídia local e Koresh dava entrevistas pelo telefone, até o momento no qual o FBI cortou a ligação dos davidianos com o mundo. Pelos 51 dias subsequentes, a comunicação deu-se apenas com o grupo de 25 negociadores do FBI. O último relatório do Departamento de Justiça declarou que os negociadores criticaram os comandantes táticos por terem cortado as negociações. Nos primeiros dias, o FBI acreditou que poderia terminar o cerco, permitindo em troca que Koresh fizesse uma declaração em rede nacional.3 A transmissão foi feita, mas Koresh disse aos negociadores que Deus teria dito a ele que permanecesse no lugar e “esperasse”. Apesar disso, logo depois os negociadores conseguiram facilitar a libertação de 19 crianças, entre cinco meses e 12 anos, sem os pais.Estas crianças foram libertadas em duplas, isto foi considerado uma alusão à Arca de Noé por Koresh, enquanto 98 pessoas permaneceram no edifício. As crianças foram então interrogadas pelo FBI e pela polícia local, algumas por horas. Alegadamente, as crianças declararam terem sido abusadas física e sexualmente desde muito antes,. Apesar de as alegações de abuso infantil nunca terem sido confirmadas, esta foi a razão apresentada pelo FBI, ao presidenteBill Clinton e à procuradora-geral Janet Reno, como justificativa para o lançamento de gás lacrimogêneo no interior do edifício, de modo a forçar a saída dos davidianos. Durante o cerco, o FBI mandou uma câmara de vídeo para os davidianos. Nas gravações feitas pelos seguidores de Koresh, este apresentava seus filhos e suas “esposas” aos negociadores do FBI, incluindo várias menores que diziam ter filhos cuja

paternidade seria de Koresh (especula-se Koresh teria sido pai de 14 das crianças que ficaram com ele no complexo). Vários davidianos fizeram declarações em vídeo. No nono dia os davidianos mandaram as gravações para mostrar ao FBI que não havia reféns; de fato, todos pareciam estar ali por vontade própria. Este vídeo incluiu também uma mensagem de Koresh. As gravações também mostraram as 23 crianças que permaneceram no Rancho Apocalipse. Enquanto o cerco prosseguia, Koresh procrastinava, alegando então que poderia escrever mais documentos religiosos que ele dizia serem necessários completar para somente então se render. Ao mesmo tempo, duas facções se formaram dentro do FBI, uma delas crendo que a negociação seria a solução; a outra, somente a força. Os meios para encerrar o cerco foram se tornando cada vez mais agressivos. Apesar do aumento da agressividade das autoridades, Koresh ordenou que um grupo de 11 seguidores partisse, sendo detidas como testemunhas. A vontade das crianças de permanecerem com Koresh perturbou os negociadores, que não estavam preparados para lidar com o zelo religioso dos davidianos. No entanto, como o cerco continuou, as crianças estavam cientes de que um primeiro grupo de crianças que tinha saído com algumas mulheres foi imediatamente separado, e as mulheres presas. Durante o cerco vários estudiosos que estudavam o” apocalipsismo” em vários grupos religiosos tentaram persuadir o FBI que as táticas de cerco empregadas pelos agentes apenas criariam a impressão dentre os davidianos de que eles eram parte de um enfrentamento do fim dos tempos com contornos bíblicos com significado cósmico. Isso aumentaria as chances de um resultado violento e altamente letal. Os estudiosos também apontaram que, se para os de fora o ideáriodavidiano parecia extremo e absurdo, para os davidianos, suas ideias tinham total significado e que eles morreriam por isso. O FBI pensou que os davidianos pudessem cometer suicídio coletivo, tal como aconteceu em Jonestown, onde 900 pessoas se mataram a pedido de seu líder, ainda que Koresh negasse repetidamente tais planos quando indagado pelos negociadores. Em função de os davidianos estarem fortemente armados, o FBI usou carabinas de calibre .50 (12.7 mm) e veículos blindados (CEVs). A investida aconteceu em 19 de abril. Tanques inseriram bombas de gás lacrimogéneo através de buracos, para que os davidianos saíssem sem feri-los. Não se faria nenhum ataque armado a princípio e altofalantes seria usados para dizer que não haveria ataque com armas e que não atirassem nos veículos. Quando vários davidianos atiraram, a resposta do FBI consistiu em aumentar a quantidade de gás. Após mais de seis horas sem que os davidianos saíssem do edifício, buscando refúgio numa casamata interna ou usando máscaras de gás. O FBI diz que abriu grandes buracos para permitir a fuga. Por volta do meio-dia, três focos de incêndio irromperam quase simultaneamente em partes diferentes do prédio. O governo sustenta que isso foi feito de forma deliberada pelos davidianos. Os sobreviventes dizem que os focos começaram em função da ação - acidental ou deliberada - dos veículos blindados. Quando o fogo se espalhou, os davidianos foram impedidos de escapar, enquanto outros se recusaram a partir e ficaram encurralados. No total apenas 9 pessoas deixaram o edifício durante o incêndio.


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Biblioteca Municipal Dr Alexandre Alves | FEVEREIRO 2014

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ACONTECEU... “Phalo naturalmente, em liberdade” Sérgio Amaral A Biblioteca Municipal de Mangualde Dr. Alexandre Alves acolheu de 2 de dezembro a 31 de janeiro a exposição/instalação de cerâmica “Phalo naturalmente, em liberdade”. De autoria de Sérgio Amaral, esta mostra de cerâmica é um misto do seu imaginário com as vivências próprias do artista.


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ÚLTIMA

scriptum

“Não ser amado é falta de sorte, mas não amar é a própria infelicidade.” Albert Camus

em março “TIMOR LESTE - BELLE FOTO?” RUY CARVALHO

Top 5 Adultos 2013 1.º O diário da nossa paixão - Nicholas Sparks 2.º O envelhecimento no feminino - Maria Paula Nunes 3.º A filha do Papa - Luís Miguel Rocha 4.º Iniciação à economia - Pierre Valluad 5.º Bela do senhor- Albert Cohen

Top 5 Infanto - Juvenil 2013 1.º A garagem hermética - Col. Moebius 2.º O sensacional Homem Aranha - Stan Lee 3.º Para que serve o zero? - Ana Vicente 4.º O Capitão Cuecas e a Maquiavélica Maquinação do Professor Borracuecas - Dav Pilkey 5.º A fada oriana - Sophia de Mello Breyner Andresen

“A arte do colccionismo” Câmara Municipal de Mangualde

Em 2013 a Câmara Municipal de Mangualde desafiou os mangualdenses a participarem numa mostra colectiva onde os coleccionistas poderiam mostrar as suas colecções. O coleccionismo é uma prática pessoal que consiste em guardar, organizar, seleccionar, trocar e expor diversos itens por categoria, em função dos interesses pessoais. São

variadíssimos os temas e os objectos coleccionados. Por vezes até bastante curiosos, originais e valiosos. Como resultado do desafio, teremos em Março uma mostra resultante da participação de alguns mangualdenses. A Exposição decorrerá na Biblioteca Municipal Dr. Alexandre Alves. Exposição de colecionismo “A ARTE DE COLECCIONAR” Em 2013 a Câmara Municipal de Mangualde desafiou os mangualdenses a participarem numa mostra colectiva onde os coleccionistas poderiam mostrar as suas colecções. O coleccionismo é uma prática pessoal que consiste em guardar, organizar, seleccionar, trocar e expor diversos itens por categoria, em função dos interesses pessoais. São variadíssimos os temas e os objectos coleccionados. Por vezes até bastante curiosos, originais e valiosos. Como resultado do desafio, teremos em Março uma mostra resultante da participação de alguns mangualdenses. A Exposição decorrerá na Biblioteca Municipal Dr. Alexandre Alves.


Jornal fevereiro