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Faculdade de Psicologia | Instituto da Educação UNIVERSIDADE DE LISBOA

Sugestão de Leitura

~ Educação

CLARK, Peter; LEPETIT, Bernard – Capital cities and their hinterlands in early modern Europe. Gower House, England: SCOLAR Press, 1996.

Revisão e Arranjo gráfico Tatiana Sanches, Divisão de Documentação imagem Microsoft

Sugestão de Leitura—Educação Uma iniciativa da Divisão de Documentação Agosto de 2012 Faculdade de Psicologia | Instituto de Educação Faculdade de Psicologia | Instituto de Educação

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A história do urbanismo constitui tudo o que forma as grandes e pequenas cidades, entendida através do espetro da experiência humana e da memória coletiva das gerações passadas. Esta perspetiva histórica é essencial à compreensão dos processos sociais, nas vertentes do crime, condições habitacionais, valores da propriedade, saúde e educação, discriminação e desvios, que conduzem à formulação de regras e de políticas sociais que governam as cidades metropolitanas. Constam também das maravilhas económicas, sociais e culturais da Europa moderna. Apresenta-se uma panóplia das cidades europeias mais famosas, que têm procurado preservar as estruturas e funções ao longo dos tempos. Na era industrial, a poluição das fábricas e firmas industriais espalhou o fumo e o cheiro no coração de Londres e, até os dados meteorológicos registaram que o efeito de consumo de energia tinha tido influência no vale do rio Tamisa, com as temperaturas acima dos níveis normais. Contrariamente às grandes cidades, o ambiente dos condados mantinha-se inexplorado e a imigração, principalmente de escoceses e irlandeses para as cidades era local e regional, verificando-se o mesmo com a França e a Alemanha. As cidades metropolitanas dependem não só da infusão dos recursos humanos como também do fornecimento dos materiais. Do ponto de vista cultural, as cidades capitais têm uma influência nacional crescente, devido à importância de indústrias, tais como de imprensa e publicação, moda, sociabilidade pública e entretenimento. A isto, acrescentou-se a proliferação de academias frequentadas por pessoas da alta sociedade. Devem referir-se dois pontos principais, um ligado aos consumidores, provinciais dedicados à produção do mercado alimentar, e outro ligado aos transportes, que estabeleciam boas comunicações e laços comerciais com a capital. Como capital, Londres era, de longe, a maior cidade e centro populacional da Inglaterra. Para além da maior comunidade fabril, a indústria de cogumelos era o fator especial no norte da ilha. O favorecimento da estrutura do interior refletia séculos de exploração humana das oportunidades baseadas nos estratos de calcário, giz e arenitos, embora o fornecimento de água fosse um problema de então e numerosos fluxos e rios tivessem fornecido a força de água durante séculos. Algumas dessas zonas forneciam muita madeira, um recurso explorado desde a idade média. A estrutura e o desenvolvimento das cidades do interior assentavam em três fatores, a tecnologia, energia e na comunicação. A rede de estradas e pontes, que remontam do tempo dos romanos. A par deste impulso económico, Londres tinha um grande impulso sociocultural. É impossível discutir a história da Inglaterra sem falar do caso de Buckinghamshire, constituída por dezasseis condados, no sudoeste da ilha, a principal fonte de fornecimentos que persistiu até à Primeira Guerra Mundial. A história de Dublin, a segunda capital do Reino Unido, está ligada ao crescimento dramático durante os séculos dezassete e dezoito. É a segunda cidade mais importante das ilhas, com uma grande densidade populacional e crescimento económico, comparando-se hoje com Paris, Amsterdão Veneza e Roma. A crescente população de Dublin surgiu com a imigração. Em termos económicos, dispunha de um canal, através do qual o produto da exploração comercial podia ser exportado para

Sugestão de Leitura os mercados de qualquer lugar das regiões interiores e do nordeste da Inglaterra. Comparam-se outras cidades europeias, tais como Paris e Madrid, que se desenvolveram como sociedades feudais nessa época senhorial, Nápoles considerada a capital do Iluminismo, Berlim, Budapeste, e Varsóvia. Estas capitais tornaram-se o centro do desenvolvimento económico, com capacidade de produção comercial para distribuição, cujas redes de mercados e das cidades do continente foram importantes para acelerar o crescimento económico e mudar o padrão de vida para um estilo aristocrático. Surgiu a necessidade de construção, de empregadas domésticas, de bens de luxo e produtos manufaturados importados. A concentração da elite teve um efeito não planeado no aparecimento de capitais políticas que acompanhavam a centralização orientada dos recursos políticos e da tomada de decisão. Os recursos que eram mobilizados nas províncias em nome de um rei eram transferidos e gastos no apoio à corte real e à burocracia. A atração do comércio de longa distancia para as capitais políticas centralizara os recursos culturais e políticos numa espécie de “porto de entrada” da capital metropolitana, como portas marítimas. Apresentam-se quatro exemplos de capitais com estas caraterísticas, tais como Lima, a capital do império inca, a cidade do México, onde se verificou uma autêntica revolução nos meios de transporte, com a introdução de uma nova tecnologia de transporte. Peru, outra cidade capital desenvolvida com a indústria mineira e uma rede de estradas através das quais recebiam o algodão, açúcar, arroz, tabaco, peles, cacau, cochonilha, índigo, tecidos, lã, seda, porcelanas, limões e vinhos que chegavam da Europa, da China e do México, a troco de pesados impostos, contribuindo para uma situação de subserviência colonial em relação Madrid e Habsburg. A quarta capital, Paris, a segunda maior cidade da Europa ocidental, conheceu tempos de franco crescimento nos reinados de Henrique IV, Luís XIII e Luí XIV. As cidades capitais redistribuíam os honorários aumentando o poder de compra das elites e, ao mesmo tempo, favorecendo a centralização das mesmas nas capitais e estimulando o comércio de longa distância através do consumo notável nos hábitos das elites, contribuindo para a manutenção do sistema comercial. Este movimento alastrou-se pelas colónias das então cidades capitais da Europa.

Recensão de Edma Satar, Bibliotecária


folheto capital cities