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Faculdade de Psicologia | Instituto da Educação UNIVERSIDADE DE LISBOA

Sugestão de Leitura

~ Educação

HOUSEN, Abigail, et ali. – Educação estética e artística: Abordagens transdisciplinares. Coordenação da edição João Pedro Fróis. Tradução de Maria Emília Castel-Branco. 2ª ed. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian/Serviço de Educação e Bolsas, 2011.

Revisão e Arranjo gráfico Tatiana Sanches, Divisão de Documentação imagem Microsoft

Sugestão de Leitura—Educação Uma iniciativa da Divisão de Documentação Junho de 2012 Faculdade de Psicologia | Instituto de Educação Faculdade de Psicologia | Instituto de Educação

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Debruçando-nos sobre este livro verificamos que é uma compilação do contributo de vários autores sobre o tema transdisciplinar da educação estética, bem como sobre a psicologia da arte e a estética experimental, cuja introdução apresenta os objetivos que levaram à criação da Fundação Calouste Gulbenkian em 1956, para a valorização da Arte através da Educação. Ao mesmo tempo, enunciam-se as várias atividades artísticas que foram, desde então, incentivadas, desde a iniciação artística da criança com os lavores ao desenho geométrico. Gonçalves (2011: 19-30) inicia a digressão artística apresentando a arte e a ciência do séc. XX, como filhas da experiência e do livre pensamento que, muitas vezes, levam à modificação da consciência humana através da liberdade de pensamento. Dá-se como exemplo a influência dos modelos paradigmáticos na expressão artística do séc. XIX, com a introdução do espaço e do tempo, por exemplo em Ingres, distinta da arte do tempo interior de Paul Klee. Observando a história mundial recente observamos existir uma tendência para as formas abstratas e para as formas fechadas e abertas como as que se podem ver na pintura de Nadir Afonso, o primeiro pintor a sugerir um espaço ilimitado, através da sucessão rítmica das formas euclidianas. Refere-se às primeiras manifestações topológicas na pintura com o contributos de Mobius, Vasarely, Chevreul e outros impressionistas, num jogo de formas e cores. Em seguida, Höge (31-68) apresenta as origens da Estética e da Psicologia no séc. XVIII, cem anos antes da chegada da Psicologia como ciência, reconhecendo-se o contributo de Baumgarten na Estética como a “ciência da cognição sensível”. Refere-se que, no período do Renascimento, três temas, a Teoria da Arte, a Metafísica da Beleza e a Gnoseologia da Perceção estavam ligadas à Estética, ideia que influenciou Kant na teoria da subjetividade do pensamento. O desenvolvimento artístico teve especial importância no período do Romantismo. Como teoria da cognição, e visto a mente funcionar como um computador, a estética, produto da emoção, foi interpretada como um modelo computorizado, constituído por redes neuronais com efeitos estéticos de cor, de figuras, contrastes, formas, repetição, atenção e iteração, caraterizando-se esta última, como a repetição das figuras. A apreciação cognitiva estética da arte é muito subjetiva e depende da empatia com que nos fascinamos pela obra de arte. A educação estética não é uma forma de aquisição de conhecimento nem de informação, mas um processo intuitivo e experiencial de desenvolvimento pessoal e da personalidade, que deve ser vivido e assimilado. Mas, a teoria da Estética Moderna defende que a beleza está “no olhar do observador” (Housen, 149) e na interação do objeto com a sua perceção. O autor

Sugestão de Leitura faz considerações de como educar a criança no pensamento estético e como criar um currículo de modo a fomentar o desenvolvimento estético. Uma das ideias apresentadas como ferramentas para a compreensão das obras de arte (Wolf/Perry, 1988) foi rejeitada por defender um modelo linear na história do desenvolvimento do pensamento, contrariamente a Piaget que considerou como um progresso constante nos modos das formas operacionais e Freud, como o primado dos processos de pensamento secundário sobre o primário, da civilização sobre o instinto. As estratégias do pensamento visual traduzem-se nas obras de arte e concentram-se nas duas faces iniciais do desenvolvimento, conduzindo os observadores ao ponto do problema, isto é, nas intenções do artista e implicam preocupações formais que têm a ver com o espaço. A Arte tem desempenhado um papel essencial nas diversas culturas com manifestações artísticas que se alojam em museus, locais de interação entre as Artes Visuais e as comunidades, cuja experiencia estética deve ser realizada nos contextos desses museus, galerias, oficinas e escolas. Porque a Arte contribui para o refinamento da sensibilidade e do desenvolvimento da criatividade é reconhecida como de importância essencial na formação do indivíduo, ampliando as possibilidades cognitivas, afetivas e expressivas. É, pois, um desafio encorajar as crianças para as Artes Visuais no planeamento de um currículo educativo que constitua linhas de orientação para a investigação no domínio da Psicologia das Artes Visuais e da Educação, tendo em conta que os Museus raramente são apoiados por ações de investigação. Como considerações finais, o autor dá uma explicação do programa curricular de Artes Visuais denominado Primeiro Olhar, que se articula em dois eixos fundamentais, a da metonímia e do paradigma, e o dos valores semânticos, com o mundo onírico, a liberdade de associação de imagens, e seu significado integrado num determinado contexto. Acredita ainda, que a educação estética e artística pode contribuir para o nível cultural mais elevado das populações, prevenir a iliteracia e facilitar a integração dos indivíduos na sociedade.

Recensão de Edma Satar, Bibliotecária

folheto ed estetica e art  

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