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Margarida Domingues

SENTIMENTOS Poemas


Índice Esperança............................................................................................................3 Olhos de Índia.....................................................................................................3 Partindo...............................................................................................................4 Contemplação......................................................................................................4 Irmandade............................................................................................................5 Euforia.................................................................................................................5 Vazio...................................................................................................................6 Só........................................................................................................................6 Mar salgado.........................................................................................................7 Cândida...............................................................................................................7 Poemas menores..................................................................................................8 Ilusão...................................................................................................................9 Simplesmente Francelina..................................................................................10 Tua Maneira de Ser...........................................................................................10 Companheiro de viagem...................................................................................11

Um poeta Para escrever Tem que primeiro sofrer De amor ou solidão A pena sem a sua musa Não tem inspiração

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Olhos de Índia Esperança Esperança Mulher sábia Teus olhos Nos ensinam a amar Teu rosto Nos dá conselhos Tuas mãos São como mantas que nos aquecem e acariciam Tua pele escura É como o cair da noite que nos embala e adormece Teus lábios Doces e infinitamente verdadeiros Dão-nos alento nas horas tristes Teus cabelos Têm ondas que ao mar fazem inveja Esperança Teu nome mora dentro de nós És mãe da nossa vida Que sem ti não existiria

Teus olhos de Índia De Índia não são São olhos de luz Das estrelas roubada São olhos de terra Castanho veludo Tão doces, suaves Despertam emoções Teus olhos de Índia De Índia não são São pedrinhas do rio D’água doce translúcida Tão lindos Tão puros Tão cheios de encanto Teus olhos de Índia De Índia não são São olhos celestes Caídos do céu Filhos da terra Sementes do chão Teus olhos de Índia… São como são Entradas da alma Corredores do coração

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Partindo O meu amor vai partir Leva com ele meu coração Deixa no seu lugar um vazio Só a tristeza cabe nele As lágrimas querem brotar Dos meus olhos enlutados Não acham forma de acalmar Este meu amor calado A saudade que sinto é tanta E é tanto o meu desejo De um dia poder abraçar-te, olhar-te E dizer amo-te Vai preencher a tua vida Alguém que já invejo Dela serão os beijos, abraços e carinhos Esses que tanto almejo

Contemplação Das janelas dos teus olhos Consigo ver maravilhas Vejo um mar de generosidade nos teus actos Sinto uma brisa de sabedoria nas tuas palavras Vislumbro um horizonte de amor no teu coração Deleito-me com o pôr-do-sol que ilumina a tua beleza Sinto o calorzinho de um sorriso contagiante Respiro ar puro de sinceridade e paz Quem diria Que tão pequenas janelas Dessem para tão linda paisagem Que encanta os meus olhos E me enchem de desejo De sobre elas me debruçar Para aí ficar Em eterna contemplação

Serás feliz, acredita, E serei feliz por ti Apesar de não seres meu Todo o meu ser é teu E se um dia descobrires Este amor que te oculto Será tarde, com certeza, Pois estarás longe de mim Certamente amando outra.

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Irmandade Neste mundo em que andamos Presos pela vida Somos todos humanos Sem contudo humanidade termos Somos todos iguais Separados pela diferença Que nos provoca ódio e desavença Que em guerras nos lança Sem que daí advenha Qualquer tipo de glória Que pelo contrário nos afunda Na miséria e na discórdia Que sem piedade nem esperança Nos arrasta num mar de lágrimas e sangue Que nos desprende da vida e arrasa

Euforia Se nos meus olhos pudesses ler Aquilo que me vai na alma Verias cor e fantasia Amor e alegria Num bailado que espantaria O mais romântico sonhador Que incapaz seria De descrever numa poesia Tanto ardor e euforia Que cabem Quem diria? Numa alma Pequena Triste E fria

E é disto que vivemos E é disto que sofremos Quando em paz e harmonia Podíamos viver o dia-a-dia Cheios de amor e alegria Que bonita seria A vida nesta irmandade

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Vazio Que vazio é este Que se expande dentro de mim É como uma sombra Que encobre o meu sol e me deixa nas trevas Que vazio é este Que me faz sentir tão pequena e vulnerável Que me afasta do mundo e enfraquece Um vazio tão grande Que me consome e apaga a vida lentamente Um vazio que se fortalece a cada minuto que passa E me deixa sem forças para lutar Que vazio é este?

Só Só Sinto frieza na alma Só Sinto o evaporar dos anos mágicos Só Sinto a vida a escorrer por entre os dedos Só Sinto desaparecer a alegria Só Sinto crescer a sensação de quem tudo perde Só Sinto uma tristeza avassaladora Só Estarei sem amigos nem amores Só Morrerei triste e desesperada Que a vida é uma fogueira De amor e amizade se alimenta A solidão a água fria Que tudo apaga e reduz a cinza

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Mar salgado Ó mar salgado Quantas das minhas lágrimas levas no teu leito Lágrimas de dor e de amor Por aquele que nunca me quis Por aquele que saiu da minha vida Sem adeus nem esperança de voltar Triste sina a minha Condenada a amar-te para todo o sempre Prisioneira desse amor Ó que dor… Não será Ó mar O teu sal proveniente de tantas lágrimas? Mágoas, desamores e outros desconfortos da alma?

Cândida Cândida de nome Cândida de essência Olhos de maresia Pele de areia macia Cabelo negro de noite escura Que candura! Que candura... Odor de flores em tempo de primavera E que sincera é a sua maneira de ser Que brilho que dela emana E que força! E que gana! A fórmula com que Deus a fez Foi só uma e se desfez

Ó mar quanta dor vai no teu leito

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Poemas menores Pelos teus olhos me perdi Pela tua voz me enamorei Pela tua sensibilidade me apaixonei Pois és igual a mim Sem contudo o saberes Somos almas gémeas Forjadas num só sentimento Que a poucos dá alento Mas que é vida! O amor que tanto queria Que sentisses por mim

Por ti o sol nasce Por ti a chuva cai Por ti as flores resplandecem de cor Por ti as crianças riem Por ti o mundo gira De ti Esperança Depende a vida…

De todos aqueles que vi De todos aqueles que ouvi Só em ti consegui ver Só de ti consegui ouvir Aquilo que mais nenhum possuía Sinceridade no olhar E melodia na voz

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Ilusão A ilusão a preto e branco Tão bem retrata os anos passados Da mocidade em flor Que agora mais não são Que traços vincados na pele Em lúgubres faces Atormentadas pela vida Nem sempre mãe E muitas vezes madrasta Outrora um deles Sorridente e enérgico Foi vencido pela implacável senhora Que com todos luta E a todos vence Os que ainda ficaram Nesta luta constante Vêem dia após dia ser-lhes roubada A lisura e a consistência dos corpos Enquanto a alma triunfante Regozija-se imune Ao passar dos anos Imortal e vencedora Para além do corpo e do tempo Em memória do meu pai, que descanse em paz.

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Simplesmente Francelina Francelina é o teu nome Simples como o teu ser Mulher rija e sem temor Por aquilo que vier O trabalho é teu companheiro Nas más horas e nas boas Mas a alegria te faz ser Uma grande conquistadora Tua pouca instrução A mim me parece boa De que vale a teoria Em tempos de amargura Teu riso e travessuras Fazem rir o pessoal Neste Tempo de agruras É o melhor que se pode ter Para esquecer a vida dura

Tua Maneira de Ser Tua maneira de ser De manhã traz a frescura Intempestiva e alheada Mas com tamanha candura De ti falam muitos Mas poucos de coisa boa Não conseguem suportar A tua maneira de estar Nem sabem que te magoa Tua maneira de ser Fez de ti grande senhora Não tens maldade no coração Nem nos actos de ajuda Com que brindas as pessoas Se ser assim incomoda Deixa, não faças fé Não és tu que tens defeito São os outros que a seu jeito Queriam ser como tu és

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Companheiro de viagem Vieste de uma prece De anos de solidão Vieste preencher o vazio E iluminar a minha alma Foste uma bênção Um anjo de olhos azuis Tão perto daquilo que pedi a Deus Sem veres, ensinaste-me muito Mostraste-me o que não conseguia enxergar Foste meu guia nesta vida Que ironia! Deveria ter sido eu a tua… Se independência tivesse nome e personalidade Seria o teu nome e a tua personalidade És livre e senhor da tua vida Nada te prende Nem a escuridão em que vives permanentemente Surpreendes-me dia após dia Com a tua força de vontade És um exemplo a seguir Deus deu-me um grande presente Mais do que pedi ou mereço Mas mesmo assim Descontente Continuo nesta vida sem nada ver Sem nada aprender Como é possível ser-se tão cega Junto de alguém que nada vê E no entanto vê mais além que qualquer outra pessoa?

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Sentimentos  

Poesia, Poemas, Sentimentos