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Traquina ficou encantada. Aquela casa cheia de histórias deslumbrantes seria sua. Um dia, os seus filhos também viriam a ficar encantados, tal como ela agora, ao ouvir falar de todas aquelas cenas. E a bonecada, de olhos muito vivos e faces rosadas, parecia que tinha vida, em frente daquelas duas caras carinhosas: mãe e filha. Abraçadas uma à outra, com imensa ternura, mãe e filha olharam mais uma vez, antes de se irem embora, para aquele mundo da infância, guardado tantos anos naquele baú: “Um baú mágico!”, como lhe chamou Traquina.

O Baú Mágico

Armindo Reis

O Baú Mágico

V.N. Gaia, Edições Gailivro, 2002


Perna de Pau e Diabrete batiam os dentes, tal era o susto...

A Casa do Monte Aquela casa não era como as outras. Estava ali, no cimo do monte, rodeada de um manto de relva verde. De longe, pintada de branco, parecia uma linda bola de neve. As janelas eram como dois olhos, viam tudo à sua volta. A porta, uma boca grande, por isso, Menina Traquina entrou. Logo à entrada, havia um espelho com uma moldura muito antiga, muito antiga. Traquina mexeu nela com as mãos, tinha desenhos de folhas, parecidas com as folhas do plátano do seu jardim. Foi então que se fixou no espelho. Tinha pó. Com o cotovelo passou vezes sem conta sobre o vidro, e fez mais: abriu a boca, lançou vapor sobre a superfície espelhada, limpando tudo a seguir com um lencinho que trazia no bolso. A sua imagem via-se agora muito bem. Traquina esteve muito tempo a olhar para ela. Mexeu no cabelo, virou-se de lado, mas sempre espreitando para a outra Traquina que se via do lado de lá, até que se cansou, deitou a língua de fora, fez-lhe uma careta, e, afastando-se, desapareceu do espelho. Traquina olhou em frente. Um corredor enorme terminava numas escadinhas. Aquilo era uma tentação para Traquina, que a levou a seguir até ao fundo. O corredor era escuro e comprido, mas, ao fundo, havia uma pequena luminosidade que vinha de cima. Aproximou-se. O fim do corredor dava para umas escadinhas.

— Então, Traquina — amedrontaram-se eles ainda mais — o fantasma vê onde nós estamos... — Traquina!... — voltou a ouvir-se aquela voz. Desta vez a voz chegava mais nítida. Aí, Traquina, pegando em Perna de Pau e Diabrete, caminhou em direcção à porta. Já no corredor deu de caras com a mãe que estava deveras aflita. — Traquina, minha filha... Há que tempo te procuro... Como vieste aqui parar? — A porta estava aberta, mãe! Foi uma longa conversa. Traquina ficou a saber que, de vez em quando, a mãe vinha abrir a porta e as janelas da casa do monte. E ficou a saber mais: aquela casa foi a casa onde nasceu a sua mãe; no quarto cor-de-rosa e na caminha linda tinha dormido também a sua mãe, quando era pequena. Traquina pegou na mão da mãe e levou-a ao sótão. Em frente do baú, a mãe explicou que todas aquelas coisas foram os seus brinquedos de infância, ou seja, de quando ela era pequena. — Tudo isto, mãe?! — exclamou, Traquina, encantada. — E esta casa, mãe? O que vai ser dela? Já está tão velha... — Pois é. Já falei com o teu pai. Qualquer dia vamos mandá-la pintar, arranjar portas e janelas, o telhado e, quando tu cresceres, será para ti. — Para mim, mãe?! — Sim. Para ti.


Aquele barulho estranho voltou a ouvir-se. Agora mais nítido.

As escadinhas, muito estreitinhas, tinham a forma de caracol.

Alguém batia realmente à porta. E pela rapidez das pancadas parecia

Era divertido subir por ali. A parede à volta tinha o reboco a cair,

estar aflita!

que Traquina, puxando com a mão, fez cair ainda mais. De repente, as escadinhas terminam e ela fica no centro de um sótão.

Os donos da casa

O Sótão

Traquina parou, por momentos. Depois, arrumando o telefone num cantinho do baú, pegou em Perna de Pau e em Diabrete e voltou a descer as escadinhas em forma de caracol.

outras casas. Olhem, tinha cadeiras já velhas, uma mesa que lhe

Aquelas pancadinhas na porta ouviam-se cada vez melhor. Traquina assustou-se. Seria um ladrão? "Tonta que eu sou: os ladrões não batem às portas...", pensou, acariciando Perna de Pau e Diabrete, que estavam cheiinhos de medo! — Está alguém em casa? Traquina, estás aí? Ao

ouvir

o

seu

nome,

entrou pela porta do quartinho cor-de-rosa. — Será um fantasma?!... O dono desta casa?! — exclamou para Perna de Pau e Diabrete. — Só os fantasmas adivinham o da

gente

atravessar paredes...

faltava uma perna, uma cadeira de balouço com a palhinha já rota e que a Menina Traquina balouçou para lá e para cá, tinha carpetes cheias de pó, caixas com livros arrumados de papel amarelado, muito antigos, e cheios de bolor! Traquina estava deliciada com todas aquelas tralhas e velharias. Uma pequena janelinha em forma de círculo dava para a rua, mesmo por cima do telhado. Já sabem que Menina Traquina tinha que espreitar... Então não é que um pardalito pousando no parapeito da

Traquina assustou-se e, fugindo,

nome

O sótão daquela casa tinha tudo como os sótãos de muitas

e

podem

janelinha quase lhe bicava o seu nariz arrebitado! O pardalito assustou-se e levantou voo. Traquina, seguindo o seu voar, acenou-lhe, esperando que ele voltasse, mas o pardalito não voltou.Traquina esteve ainda muito tempo encarrapitada no parapeito da janelinha, olhando a rua. Lá longe, no fundo da quinta, via-se a sua casa. Traquina ainda observou bem, tentando ver se descobria a sua mãe à janela para lhe fazer adeus, mas não, as janelas estavam fechadas. Depois olhou em redor, os montes, as árvores, o pequeno ribeiro que corria perto de sua casa, o seu querido plátano de tronco enorme e que, de tão velho, tinha um buraco grande perto do chão, uma espécie de toca onde se refugiava Traquina quando queria pensar em


determinadas coisas importantes da sua vida e quando tinha que tomar certas decisões. Deitou um último olhar. Era linda a paisagem vista da janelinha em forma de círculo! Traquina voltou novamente para o meio daquele amontoado de coisas velhas e de aspecto misterioso. A luz da janelinha em forma de círculo incidia agora como um pequeno foco num dos cantinhos escuros do sótão, iluminando uma teia de aranha com todos os seus fiozinhos transparentes. Menina Traquina olhou. Parecia-lhe um majestoso véu de noiva estendido. Desviando-se com cuidado, não desfez nenhum desses fiozinhos. “Teia de aranha dá sorte!”, pensou. Já do outro lado da teia de aranha parecia-lhe ver uma enorme caixa coberta com uma manta velha e cheia de pó. Traquina tirou a manta e tossiu com o pó que se levantou. A luz da janelinha incidia completamente na tal caixa misteriosa. Traquina regalou os olhos: Aquilo não era uma caixa, não! Era um baú!...

— Sei lá, um baú que encanta qualquer tipo de gente... — Traquina, estou morta de curiosidade. Fala um pouco mais alto...O que estava dentro do baú? É claro que Traquina, com o telefone ao colo e de auscultador na mão direita, contou tudo, tudo, a Nini. Contou a história da nota que subiu pelo ar, a história da aranha que queria comê-la, falou de Perna de Pau, de Diabrete, e contou todas as histórias passadas com todos os brinquedos que se encontravam no baú. Traquina estava deliciada. Que sorte! Logo ali tinha que estar aquele telefone para ela poder falar com Nini... — Traquina, e tu não tens medo de estar aí sozinha nesse sótão escuro?... — Não, Nini. O sótão tem uma janelinha em forma de círculo que ilumina o baú! A conversa parecia não mais ter fim. Foi então que um barulho esquisito resolveu intrometer-se na linha e cortar a comunicação das

O Pequeno Piano

duas amigas. — Que barulho é esse, Nini? Vem do teu quarto...

Aberto o baú, a primeira coisa que saltou aos olhos de Traquina foi um pequeno piano. Levantando a tampa, Menina Traquina observou todas as suas teclas. De repente, viu que uma das teclas não era como as outras: nem era branca, nem preta. Aquela tecla diferente era cor-de-rosa. Um cor-de-rosa brilhante! Com o dedo polegar, Traquina tocou, tocou vezes sem conta naquela tecla cor-de-rosa. Mas vejam só, daquela tecla cor-de-rosa,

— Do meu quarto, Traquina?!... Eu estou a ouvir e parece-me que vem daí... Parecem pancadinhas numa porta... Está alguém a bater à porta dessa casa, Traquina? — Está, está lá?... — e a voz de Nini desapareceu por completo do outro lado da linha. — Estas ligações estão cada vez piores — arreliou-se Traquina.


— Alô, tá, Nini... Fala um pouco mais alto, não estou a ouvir bem. Estás a ouvir-me? Tá, Nini... — Sim, Traquina, estou a ouvir. Está alguém ao pé de ti? — Não, não, Nini. Estou sozinha. — Então, Traquina, podes falar um pouco mais alto, está? — Tá bem, vou tentar. — Mas onde estás tu, Traquina? — Olha, Nini, tu nem sabes onde estou. Isto aqui é espantoso... — Espantoso, como, Traquina? — Sabes, entrei numa casa que tinha a porta aberta. Porta aberta é para entrar, não é? É que esta casa tem escadinhas de caracol!... — Escadinhas de caracol?! — Sim, Nini. — E tu subiste por elas? — Sim. Cheguei até ao sótão. — Até quê? — Ao sótão, Nini. — Ai,Traquina, um sótão?! — Sim. E tem coisas misteriosas... — Misteriosas, como?

quando caiu todo o pó acumulado, saiu uma nota tão depressa, tão depressa que começou a subir pelo ar. Menina Traquina só teve tempo de se agarrar a ela com força, tentando colocá-la novamente no piano. Mas a nota subiu, subiu, levando-a pelo ar. Foi tudo tão rápido que nem sei bem explicar como tudo aconteceu. Só sei dizer que a nota subiu ainda mais pelo ar deixando Traquina em cima do telhado. — Ela vai cair!... Ela vai cair!... — afligiu-se um bando de pardais que imediatamente se colocou perto do beiral, ou seja, na extremidade do telhado, para que ela não fosse naquela direcção. Traquina deu uns passos em cima do telhado, equilibrando-se com os braços abertos. — Ela vai cair, ela vai cair! — afligiram-se novamente os pardais. E caiu mesmo. Uma telha já muito velha, devido à chuva, partiu-se e ela escorregou para o interior, só tendo tempo de se agarrar a uma trave que suportava o telhado. Olhou para baixo. A distância até ao chão do sótão era grande e os seus bracitos não estavam a aguentar, até já estavam a doer-lhe! — Tenho que descobrir uma solução rapidamente — falou alto para si própria. Foi então que, rodando com jeitinho a sua cabeça, viu a teia de aranha que se estendia das traves do telhado. Havia um fio que chegava até ao chão do sótão. Menina Traquina balouçou-se para lá e para cá e, ganhando balanço, saltou e conseguiu agarrar-se a esse fio da teia de aranha.


— Ui! — expirou, aliviada. Esse alívio durou pouco tempo. Quando Traquina começou a deslizar pelo fio abaixo, a aranha, dona daquela teia, correu, correu com todas as suas patas peludas em direcção da Menina Traquina,

com ele todas as noites naquela caminha. Como ele corria muito e andava sempre a fugir, a sua dona pusera-lhe o nome de Diabrete. Mas não era por fazer maldades. Ele até era muito fofinho! No braço esquerdo, Perna de Pau, no braço direito, Diabrete, Menina Traquina subiu as escadinhas em forma de caracol e dirigiu-

prontinha para a devorar. Foi por um triz. Menina Traquina, como já estava perto do chão, saltou e pronto. A aranha só conseguiu ficar com um dos seus

-se novamente ao baú. O seu olhar fixou-se agora num telefone muito antigo e que tinha uma manivela e um fio muito comprido, muito comprido...

cabelos na boca. Tremendo de medo daquele grande susto, Traquina segurouse com as mãos nas pernas do piano. O seu olhar percorria agora

O Telefone

outras coisas misteriosas que havia no baú, acabando por ficar mais calma ao olhar para um cantinho onde brilhavam dois olhinhos negros.

O fiozinho do telefone era tão comprido, tão comprido, que Traquina achou mesmo que chegava até à casa de Nini, a sua melhor

Perna de Pau

amiga. — Tá, tá lá... — falou

Aqueles olhinhos negros, muito vivos e brilhantes, por cima de um nariz esmurrado, acabaram por prender a atenção de Menina Traquina. A boquinha pequenina e de um vermelho desbotado fazia uma pressão enorme para falar. Traquina bem via essas coisas todas e, com jeitinho, pegou-lhe ao colo. — Oh! — quase gritou de dor. O bonequinho, meio amarelecido, não tinha uma perna!... Aí, ela acariciando-o, como fazem as mães aos meninos pequeninos, embalou-o para lá e para cá. — Meu bonequinho lindo, meu bonequinho lindo...

Traquina dando à manivela e levantando o auscultador. — Tá, tá lá... “É capaz de estar no seu quarto", pensou. — Tá, tá lá... Traquina começava a ficar impaciente. — Nunca está em casa esta Nini... Mas Traquina tanto insistiu, tanto insistiu que começou a sentir a chegada da vozinha de Nini.


minha de ferro, muito antiga, pintada de cor-de-rosa. A parede do

O bonequinho gostou de

quartinho também estava pintada de cor-de-rosa, mas um cor-de-

Menina Traquina e achou que

-rosa clarinho. Havia uma cadeira e uma mesa-de-cabeceira junto à

ela era pessoa para ouvir a

caminha de ferro. Encostado à parede estava um armário, também

sua história:

cor-de-rosa. Um quadro muito lindo sobressaía da parede. Tinha

— Sabes — contou ele —

muitos animais, borboletas e um Sol amarelo, muito grande e

eu

brilhante, que até parecia que deitava calor! Menina Traquina achou

era

bonito.

Vivia

num

quarto lindo, lá na parte de

o quarto muito bonito.

baixo desta casa. A minha dona andava sempre comigo

Os seus olhos procuravam agora aquela coisa cinzenta. Tinha que estar ali, pois ela já tinha percorrido todos os cantos da casa...

ao

Menina Traquina olhou novamente para aquela caminha. Era tão

miminhos. Eu gostava muito!

bonita! Em cima tinha uma colcha de renda que, certamente, teria

Quando ela vinha da escola,

sido feita à mão. E a sua mão direita percorreu aquela renda branca,

contava-me todos os seus

cheia de rosinhas pequeninas, que parecia um campo com muitas

segredos e aquelas coisas que

margaridas. Não sei se vocês sabem, as margaridas são as flores

se passam no recreio. Tu nem

preferidas de Traquina. Meu Deus, assustou-se!...A colcha começou a mexer-se! Menina Traquina recuou um pouco e viu: a colcha, junto à almofada, movia-se ligeiramente para cima e para baixo. Não tinha dúvidas: era a respiração daquela coisa cinzenta. Traquina levantou devagarinho a colcha e… oh! Estava ali enroscadinho um coelhinho de peluche cinzento! — Não tenhas medo! — disse-lhe Traquina, fazendo-lhe uma festinha no pêlo cinzento. O coelhinho gostou, arrebitou as orelhas e olhou para Perna de Pau. Este piscou-lhe um olho. É que eles já se conheciam! Menina Traquina falou muito com o coelhinho e ficou a saber que se chamava Diabrete, e que já fora de uma menina que dormia

colo,

dava-me

muitos

sabes o que ela me contava...Quem não gostava nada destas coisas era o Gato Bigodão. Julgava-se o dono desta casa. E depois ele gostava que a minha dona lhe ligasse, andasse com ele ao colo, e ela não fazia nada disso. É que aquele bichano só sabia fazer maldades. Uma vez vi eu. Foi a correr e espantou todos os pardalitos que comiam as migalhinhas de pão que a minha dona tinha deitado no parapeito da janela. — Mas, o que te aconteceu a esta perna? — perguntou Traquina. — Esta perna tem uma história muito triste. Como te disse, o Gato Bigodão tinha muitos ciúmes de mim e, um dia, quando a minha dona estava na escola, correu atrás de mim, tentando apanhar-me. Eu fugi e escondi-me debaixo da cama, mas o Gato Bigodão, que tinha cheiro apurado, descobriu-me e mordeu-me nesta perna. Mordidela de gato é perigosa! A ferida começou a ficar muito feia, muito feia e não tiveram outro remédio senão cortar-me a perna.


— Coitado, bonequinho amarelecido... — Mas, deixa continuar. Para poder andar, a minha dona levou-me ao carpinteiro da aldeia, olha, um senhor tal e qual como o pai de Pinóquio, e então ele fez-me esta perna de pau para eu poder andar, embora seja a coxear... A partir daí, toda a gente me passou a chamar Perna de Pau. Também podes chamar-me assim, que eu não me importo. Até acho engraçado! Menina Traquina não mais largou Perna de Pau. Com ele ao colo, voltou a remexer nas curiosidades que havia dentro do baú. De um cantinho escuro surgem umas orelhas muito compridas e...

Debaixo das escadinhas havia um vão escuro. Estaria ali? Foi o que Traquina decidiu ver. Dois pontinhos luminosos sobressaíam do escuro, pareciam duas estrelas pequeninas. E que coisa curiosa! Aquelas estrelinhas tremiam muito. Deviam estar cheias de medo!... Aí, Menina Traquina não se assustou e aproximou-se. Aquela coisa cinzenta voltou a fugir. Parecia um foguete! Foi tudo tão rápido que Menina Traquina perdeu outra oportunidade de saber o que era aquela coisa cinzenta. Olhou para o corredor. Havia ali várias portas. Vocês sabem, não é? O corredor é o sítio da casa que tem mais portas. Traquina não tinha dúvidas: ela tinha entrado numa dessas portas. Mas qual delas?

Diabrete

Menina Traquina não desistiu. Devagarinho, abriu todas as portas uma por uma, quase em silêncio, para não assustar aquela coisa cinzenta.

Menina Traquina só teve tempo de segurar com força em Perna

Primeiro deu com a sala de jantar. Espreitou debaixo da mesa,

de Pau, não fosse a sua perna voltar a cair, como tantas vezes já

das cadeiras, por cima do armário que, cá para nós, estava cheio de

acontecera. E, num salto comprido, aquela coisa cinzenta e peluda,

pó. Mas não havia ali nenhum sinal dessa coisa cinzenta.

com umas orelhas muito compridas e arrebitadas pirou-se do baú, correndo para as escadinhas em forma de caracol. Menina Traquina não esteve com meias-medidas: levando Perna de Pau ao colo, correu atrás dela, tentando alcançá-la. Aquela coisa cinzenta era muito ágil, e Traquina, ao acabar de descer as escadinhas, até ficou com tonturas por ter dado as curvinhas das escadinhas em caracol muito depressa. Parou um pouco para se recompor e olhou em volta. Já não viu aquela coisa cinzenta. A curiosidade de Traquina era cada vez maior. O que seria aquilo que parecia correr mais depressa do que o próprio vento? Começou então a procurar em todos os cantinhos escuros da casa.

Abriu então outras portas, a da casa de banho, vendo bem se estava na banheira, a porta de um quarto grande e nada. Não havia ali sinal daquela coisa misteriosa. Na cozinha observou em todos, mesmo todos os cantinhos, e também nada. Foi então que ela deu com a última porta. Tinha que estar ali. A curiosidade de Traquina crescia tanto, tanto dentro de si, que quase não cabia no seu corpito. A respiração cada vez mais forte de Traquina fazia levantar os cabelos da testa de Perna de Pau. Ela viu e baixou-lhe os cabelos. Pé ante pé, entrou então na última porta. Era um quarto muito pequenino. Junto à janela havia uma ca-

O Baú Mágico  

Conto Infantil

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