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INTRODUÇÃO Desde 1939 até 1945 decorreu a 2ª Guerra Mundial que ficou conhecida como o conflito que causou mais vítimas em toda a história da humanidade. Hitler formou o Partido Nazi e incentivou a xenofobia e o racismo. O que levou à perseguição de outras culturas foram as diferenças étnicas, nacionais, raciais, religiosas e políticas e neste caso, bastante estimulada pelo facto de os judeus serem uma grande potência. Os alemães seguiram as ideias de Hitler, inconscientemente, sendo influenciados pela sociedade e cultura. Essa influência era praticada externamente ao indivíduo pelo conjunto de regras sociais que lhes eram impostas e internamente pelos modelos que lhes eram transmitidos ao nível da família, da escola e dos meios de comunicação social. Era assim que, sem darem, conta pensavam, agiam e sentiam de acordo com as ideias impostas. A liberdade dos judeus começou a ser condicionada a partir do momento em que foram expulsos das suas casas e tiveram de deixar os seus pertences e riquezas ao serem obrigados a ir para um gueto onde ficaram separados do resto da sociedade. Durante o dia os nazis vandalizavam os guetos e exterminavam os judeus. Os que sobreviviam aos extermínios do gueto eram depois transportados para os campos de concentração e extermínio (solução final) em contentores cheios, os chamados “comboios da morte”. Nos campos de concentração os judeus eram forçados a trabalhar para benefício do povo alemão vivendo cercados, sem condições de higiene, alimentação e habitação, obrigados a permanecer contra a sua vontade. Um dos maiores campos de concentração foi o de Auschwitz. Quando as tropas alemãs invadiram em maio de 1940 a França, todos os que se sentiam ameaçados, desesperados tentaram escapar pelas fronteiras, escolhendo Bordéus como destino de esperança.


DIFERENÇA DE CULTURAS A cultura é o conjunto de produções materiais, intelectuais e espirituais. É um fenómeno universal (todos os humanos a possuem), no entanto, ao nível da prática é relativa, pois essas produções variam de cultura para cultura, de sociedade para sociedade e de época para época. Houve uma tentativa, por parte dos alemães, de aculturação por destruição, através do genocídio de judeus, para exterminar a sua cultura. Não aceitavam o diálogo intercultural pois não queriam que as diferentes culturas interagissem, comunicassem, evoluíssem e se transformassem, não existindo assim respeito e aceitação pelas diferenças próprias de cada uma (tolerância). Hitler considerava que a sua cultura era melhor, mais perfeita e central e que todas as outras eram inferiores, falsas, negativas, perigosas e imperfeitas e, como tal, deviam ser destruídas. Era etnocentrista, pois impunha aos outros a sua cultura e se não o conseguisse exterminava-as. O etnocentrismo baseia-se em discriminação e preconceitos - todo o juízo formado independentemente de conhecer a cultura (ignorância). Muitas pessoas ignoravam com indiferença aquilo em que a sua sociedade se estava a transformar (racista, xenofóbica e nacionalista), não concordavam nem discordavam, simplesmente não tinham uma opinião formada sobre o assunto, eram os chamados “observadores passivos”. Aristides foi o herói português que colocou a sua vida em risco pondo a vida dos outros em primeiro plano e realizando, assim, uma ação verdadeiramente ética. No entanto, a maior parte dos alemães deixaram-se influenciar pelas ideias de Hitler, obedecendo-lhe fielmente sem se questionarem e interrogarem (escolha ética), decidindo em consciência e livremente fazer o que estava correto, salvar vidas.


A DESOBEDIÊNCIA Algumas pessoas, confrontadas com o sucedido, depararam-se com dilemas morais, optando pela escolha ética, decidindo em consciência e livremente fazer o que estava correto, salvar vidas. Aristides foi o herói português que colocou a sua vida em risco pondo a vida dos outros em primeiro plano e realizando, assim, uma ação verdadeiramente ética. Tornou-se um diplomata português, ocupando diversas delegações consulares portuguesas em vários sítios. Depois de quase 10 anos ao serviço na Bélgica, Salazar intitula-o de Cônsul de Portugal em Bordéus (França). Por poder emitir vistos, o Rabino pediulhe auxílio para que este os concede-se a todos os que solicitavam a sua ajuda. Porém, Aristides negou o seu pedido por ter ordens superiores de Salazar que o impediam de o fazer, a Circular 14. Aristides deparou-se com dois dilemas: a moral convencional, ou a ética, obedecer a Salazar ou à sua consciência. Tinha de escolher entre a sua vida, estatuto e família ou salvar o máximo de vidas de uma morte inevitável. Durante três dias Aristides isolou-se de tudo e de todos, para refletir sobre a melhor escolha, através da leitura do Antigo Testamento da Bíblia à procura de uma resposta que o ajudasse na sua decisão final.

“Vou então ficar à janela a assistir à matança dos inocentes? Não, não e não! Não sou cúmplice da chacina, vou desobedecer a Salazar, vou passar os vistos e salvar os perseguidos. Se estou desobedecendo ordens, prefiro estar com Deus e contra os homens, que com os homens contra Deus” Após um grande momento de reflexão a sua consciência optou pelo bem absoluto que criticou e analisou a ética moral, levando-o a infringir e a desobedecer à mesma. Aristides decidiu não optar pela moral convencional ou pelas obrigações legais que lhe foram impostas por Salazar, mas sim, optar por ajudar todos os que dele dependiam (ética).


A DESOBEDIÊNCIA Comovido com a luta dos judeus pela vida, acreditava que estavam a ser injustiçados e decidiu emitir-lhes vistos, pois, nessa altura, era muito difícil viajar pela Europa, afirmando: – “A partir de agora, darei vistos a toda a gente, já não há nacionalidades, raça ou religião”, colocando todos num plano de igualdade.

Durante a emissão de vistos apareceram inúmeros obstáculos e condicionantes, mas este não se deixou influenciar pois tinha uma grande motivação, estava empenhado e estimulado pela realização da ação do bem na sua consciência. Não agiu guiado pelo medo nem pela ganância, a sua ação era verdadeiramente ética pois era altruísta, colocando os interesses dos outros à frente dos seus.

Aristides, por ter emitido vistos de entrada em Portugal, salvou 30 mil pessoas refugiadas de todas as nacionalidades que desejavam fugir, das quais cerca de 10 mil eram judias.


TESTEMUNHOS Muitas pessoas ficaram gratas pelas ações de Aristides fazendo questão de preservar os acontecimentos, escrevendo-os. O Rabino Chaim Kruger foi uma dessas pessoas que a pedido da Yad Vashem enviou o seu depoimento de como Aristides reagiu perante os dois dilemas com que se deparou. O excerto apresentado mostra qual foi a sua decisão perante os dilemas: "(...) Dr. Mendes, disse-me que eu podia informar os outros refugiados que quem quisesse poderia vir ao Consulado e receberia um visto. (...) O Dr. Mendes passava o dia todo a assinar vistos e eu ajudava-o carimbando os vistos e ele assinava-os depois. (...) Quando chegámos à fronteira de Espanha (...) todos os vistos passados pelo Cônsul Sousa Mendes já não eram válidos. (...) Ao fim de uma ou duas horas, ele [Aristides de Sousa Mendes] próprio abriu a cancela e todos nós que tínhamos vistos passados por ele, conseguimos passar a fronteira. Eu e a minha família fomos para Lisboa e lá encontrámos de novo o Dr. Sousa Mendes. Ele disse-nos que tinha sido expulso das suas funções por causa de todo este incidente, no entanto sentia-se com grande satisfação, porque se milhares de judeus tinham sofrido por causa de um católico, então valia a pena que um católico sofresse por todos aqueles judeus (...) ”. Eva Vos soube que Aristides tinha ajudado a sua família então visitou Portugal para saber mais sobre este grande Homem. “Aos judeus Vos, a cumprir-se a circular 14, seria negado visto. Poucos dias depois, a Alemanha conquistava Paris. A morte era o destino mais certo.


TESTEMUNHOS (…) Aristides terá salvo 30 mil pessoas, entre as quais 10 mil judeus. E ninguém sabe disso? (…) Apesar da acentuada degradação do palacete, Eva Vos faz questão de ver todos os pequenos recantos. (…) dias antes da data do visto a esta família, o cônsul tinha recebido uma resposta negativa, de Lisboa, à autorização solicitada ao rabino Kruger e família. Após uns dias fechado no quarto, iniciou aquilo que o historiador Yehuda Bauer classifica de “a maior ação de salvamento levada a cabo por uma só pessoa durante o Holocausto”. Ainda em Cabanas de Viriato, visitou-se o jazigo onde se encontra o cônsul. Um momento de reflexão que termina com Eva e Robert a colocar uma pedra sobre o caixão de Aristides. Álvaro e António [netos do cônsul], num gesto solidário, fazem o mesmo.” Jornal de Notícias, 25 Junho, 2004

A decisão de Aristides foi, sem dúvida, a mais acertada. Sem ele todas aquelas pessoas teriam acabado em campos de concentração e de extermínio onde, inevitavelmente, acabariam mortas. Através destes testemunhos conseguimos compreender o quanto aquelas pessoas dependiam de Aristides e de como a sua escolha mudou o rumo das suas vidas.


RECONHECIMENTO Só depois de 25 de Abril de 1974 é que o gesto de Aristides de Sousa Mendes foi relatado e enaltecido. Em 1966, o Memorial de Yad Vashem (Memorial do Holocausto situado em Jerusalém) em Israel, presta-lhe homenagem atribuindo-lhe o título de "Justo entre as nações". Apenas em 1987 é que a República Portuguesa atribuiu o merecido mérito a Aristides de Sousa Mendes, condecorando-o com a Ordem da Liberdade e a sua família recebeu as desculpas públicas. O presidente português Mário Soares presta homenagem a Aristides de Sousa Mendes, atribuindo-lhe uma placa comemorativa na Rua 14 Quai Louis -XVIII, o endereço do consulado de Portugal em Bordéus em 1940. Em 1998, a República Portuguesa, continuou o processo de reabilitação oficial da memória de Aristides de Sousa Mendes, condecora-o com a Cruz de Mérito a título póstumo pelas suas ações em Bordéus.


CONCLUSÃO Nunca se há de conseguir perceber como é que ninguém foi capaz de se opor a Hitler e às suas ideias horrendas, por isso foram criados os direitos humanos para impedir que tais situações voltassem a acontecer. Quando se coloca em perigo os direitos humanos/universais dos outros é preciso agir para não serem ultrapassados os limites. Ainda bem que Aristides entrou em cena para impedir que tal situação acontecesse com números mais gravosos, tendo sido um dos homens que mais pessoas conseguiu salvar durante todo este momento negro da Humanidade. Este grande Homem, ao optar pela escolha ética, colocou a sua vida e a dos seus familiares em risco. Ao desafiar ordens expressas do seu ministro de Negócios Estrangeiros e chefe do Governo (Salazar) e ter desobedecido às ordens que lhe tinham sido impostas (como não passar vistos), Salazar retirou-lhe o cargo de cônsul e todas as suas regalias, afastando-o da carreira diplomática. Ele e a sua família acabaram por sobreviver graças ao apoio da comunidade judaica de Lisboa, apesar de em grande miséria. A sua família foi bastante descriminada tendo a maior parte sido obrigada a emigrar. Como é possível alguém que salvou tantas vidas durante um episódio tão horroroso não tenha o seu tão merecido reconhecimento? Como é possível que Portugal se tenha esquecido desta pessoa tão importante? Deveriam existir mais pessoas como Aristides que foi um herói, um “Schlinder português”, capazes de se oporem, fazerem frente e lutarem pelos seus direitos, lutarem pelo direito à vida que é um bem universal e absoluto. Aristides nunca foi recompensado por ter praticado o bem, numa época rodeada por medo não temeu as consequências dos seus atos. Apesar de tudo, Aristides não se arrependeu do que tinha feito, mantendo a mesma compaixão para com os judeus. É necessário reabilitar a sua memória, a sua casa está completamente degradada e em Portugal ninguém lhe dá o devido reconhecimento. A sua casa deveria ser transformada num museu para que as famílias salvas por ele possam prestar a sua homenagem. Ele é um exemplo para todos: não pensarmos só em nós mas sim no outro, pois “quem salva uma vida humana é como se salvasse o mundo inteiro”.

10º C - CÁTIA VANESSA Nº5; INÊS FRANJÃO Nº11; RAQUEL MATEUS Nº18

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